4 Out 2026, Dom

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Outubro é o mês do Rosário e, para Dom Bosco, foi durante muito tempo o mês do retorno para casa: por mais de vinte anos levou os meninos do Oratório aos Becchi, para celebrar Nossa Senhora do Rosário na capela que ele próprio havia instalado na casa do irmão. Aquele terço ele aprendera de joelhos ao lado de Mamãe Margarida e nunca mais o abandonou: colocou-o nas mãos dos jovens, nas Constituições dos Salesianos, em seus livros, e o encontramos até mesmo em seus sonhos; e a um marquês que o considerava perda de tempo respondeu que toda a sua obra estava fundada nessa prática. Sua história se entrelaça assim com a de uma oração que os papas recomendaram em dezesseis encíclicas, que os santos ensinaram em seus escritos e que a Igreja enriqueceu de promessas e indulgências.

 

 

Uma coroa de rosas, com seus espinhos

Para compreender o que Dom Bosco tinha nas mãos quando desfiava as contas do terço, convém começar pelo nome. « Rosário » vem do latim rosarium, que originalmente significava « roseiral », « jardim de rosas » e, por extensão, também « grinalda » ou « coroa de rosas ». Na Idade Média, a palavra adquiriu um significado religioso e simbólico, porque as orações dirigidas à Virgem foram comparadas a rosas espirituais oferecidas a Maria, até formar idealmente uma coroa: uma coroa muito bela, que, no entanto, também esconde seus espinhos. Antes de se impor o termo Rosarium, aliás, essa forma de oração era frequentemente chamada de « Saltério da Virgem » (Psalterium Beatae Mariae Virginis), pois as 150 Ave-Marias correspondiam simbolicamente aos 150 salmos do Saltério bíblico.

Quanto à sua origem, a tradição eclesial sustenta que a própria Virgem teria confiado o Rosário a São Domingos de Gusmão (1170-1221), como instrumento de pregação e de luta contra a heresia albigense; tradição que Leão XIII retomou repetidamente, chegando a afirmar que São Domingos havia introduzido e difundido essa forma de oração. Mas a data que, mais do que qualquer outra, marcou sua história foi 7 de outubro de 1571, dia da batalha de Lepanto. São Pio V atribuiu a vitória da frota cristã à intercessão de Maria, invocada naquelas horas pelas confrarias do Rosário; e foi depois desse acontecimento que 7 de outubro se tornou a festa do Rosário e que a Santíssima Virgem passou a ser invocada com o título de Auxílio dos cristãos, Auxilium Christianorum.

É um detalhe que um leitor salesiano não pode deixar passar. Os dois títulos marianos que marcaram a vida de Dom Bosco, Nossa Senhora do Rosário venerada nos Becchi e Maria Auxiliadora de Valdocco, nascem de fato do mesmo dia e da mesma vitória; e Dom Bosco tinha plena consciência disso, tanto que, em 1868, ao publicar para a consagração do santuário de Turim as Maraviglie della Madre di Dio invocata sotto il titolo di Maria Ausiliatrice, dedicou um capítulo precisamente à batalha de Lepanto. Não surpreende, portanto, que sempre tenha querido celebrar com solenidade a festa do Rosário e que, durante anos, o tenha feito peregrinando, com os meninos do Oratório, ao lugar onde nascera. Para compreender as razões de tamanha fidelidade, porém, é preciso voltar ainda mais atrás, até a cozinha de uma casa camponesa.

 

Da cozinha dos Becchi à capela do Rosário

De fato, João Bosco aprendeu o Rosário antes mesmo de saber ler. Órfão de pai quando ainda não tinha completado dois anos, cresceu em uma família na qual o dia começava e terminava de joelhos, como ele mesmo conta nas Memórias do Oratório ao falar da mãe: « Enquanto eu era pequeno, ela própria me ensinava as orações; logo que me tornei capaz de me juntar a meus irmãos, fazia-me ajoelhar com eles de manhã e à noite, e todos juntos recitávamos as orações em comum com a terça parte do Rosário ». A « terça parte », isto é, um terço de cinco dezenas, era a medida cotidiana da piedade popular piemontesa, e assim permaneceria para Dom Bosco durante toda a vida.

Aquilo que recebera em casa, o menino logo começou a dar aos outros. Aos dez ou onze anos, nos dias de festa, estendia uma corda entre duas árvores do prado dos Becchi, preparava a mesinha para os truques de prestidigitação e reunia os vizinhos; mas antes do espetáculo estabelecia uma condição, que as Memórias recordam assim: « Quando tudo estava preparado e todos esperavam ansiosos para admirar alguma novidade, então ele os convidava a recitar a terça parte do Rosário, após o que se cantava um louvor sagrado ». Só depois vinham o sermão repetido de memória, os saltos e a dança na corda. Naquele prado, olhando bem, já está o Oratório: o jogo que atrai os meninos e a oração que os mantém unidos.

Depois de se tornar sacerdote e iniciar a obra de Valdocco, Dom Bosco quis levar o Rosário de volta exatamente ao lugar onde o aprendera. Em 1848, com a aprovação da cúria de Turim, transformou em capela um cômodo do térreo da casa de seu irmão José e a dedicou a Nossa Senhora do Rosário: inaugurada em outubro daquele ano, foi o primeiro lugar de culto mariano querido por ele, vinte anos antes da basílica de Maria Auxiliadora. A partir de então, e até 1869, a festa do Rosário foi celebrada ali todos os anos, com a banda e os cantores de Valdocco; os meninos vinham de Turim, hóspedes de José, que colocava à disposição deles a casa e o celeiro, e depois da festa começavam os célebres passeios de outono pelas colinas do Monferrato.

A pequena capela tornou-se assim o centro devocional do povoado e a meta de uma verdadeira peregrinação anual; mas também foi testemunha de algumas páginas decisivas da história salesiana. Foi justamente ali, em 3 de outubro de 1852, dia da festa, que receberam a batina clerical Miguel Rua, que seria o primeiro sucessor de Dom Bosco, e José Rocchietti; e nos Becchi, em 2 de outubro de 1854, no dia seguinte à festa, Dom Bosco encontrou pela primeira vez um menino de doze anos, Domingos Sávio, que nos outonos seguintes voltaria várias vezes para rezar naquela capela.

 

« Sobre isto está fundada a minha instituição »

Se nos Becchi o Rosário era a festa de um dia, em Valdocco era a respiração de todos os dias. Padre Lemoyne, recolhendo os testemunhos de quem havia conhecido João quando menino, observa que « o santo Rosário devia ser-lhe familiar, porque desde os primeiros tempos do Oratório até os últimos anos de sua existência quis que fosse infalivelmente recitado pelos jovens todos os dias: nunca admitiu que pudesse haver motivo que dispensasse uma comunidade dessa recitação » (MB I, 90). Aos meninos do oratório festivo fazia recitar a terça parte em cada dia de festa, « exortando com fervor seus jovens a continuarem, se pudessem, essa piedosa prática todos os dias da semana em suas casas » (MB III, 16); e uma vez por ano, na noite de Todos os Santos, rezava-se o Rosário inteiro em sufrágio das almas do purgatório, com Dom Bosco ajoelhado no presbitério e muitas vezes conduzindo a oração.

Quanto essa prática lhe era cara revela um episódio de fevereiro de 1848. O marquês Roberto d’Azeglio, senador do Reino e amigo pessoal de Carlos Alberto, visitou o Oratório e saiu admirado, com uma única ressalva: parecia-lhe tempo perdido o empregado na recitação do Rosário, e aconselhou Dom Bosco a abandonar « aquela velharia de 50 Ave-Marias enfiadas uma depois da outra ». A resposta tornou-se célebre: « Pois bem, eu tenho muito apreço por essa prática; e poderia dizer que sobre ela está fundada a minha instituição; estaria disposto a deixar muitas outras coisas, até importantes, mas não esta ». E, com a coragem que lhe era própria, acrescentou: « E mesmo, se fosse necessário, estaria disposto a renunciar à sua preciosa amizade, mas jamais à recitação do Santo Rosário » (MB III, 294).

Não era obstinação, nem apego a um hábito. Naquelas cinquenta Ave-Marias « enfiadas » Dom Bosco via o Evangelho colocado nas mãos dos pobres, isto é, os mistérios da vida de Cristo contemplados com Maria por meninos que muitas vezes não sabiam ler; e por isso não se limitou a defender o Rosário, mas empregou todos os meios para difundi-lo. Fez isso antes de tudo pela imprensa: no Giovane provveduto de 1847, o manual de oração que teve mais de cem edições enquanto ele ainda vivia, inseriu os quinze mistérios, acompanhando cada um com uma brevíssima contemplação, para que os jovens, enquanto repetiam as palavras, tivessem diante dos olhos uma cena do Evangelho. Fez isso depois pela regra, pedindo a seus religiosos o que pedia aos meninos: já nos primeiros artigos sobre as práticas de piedade, redigidos por volta de 1859 para a nascente Sociedade Salesiana, lê-se de fato que « todos os dias se recitará a terça parte do Rosário de Maria Santíssima ». E o fez, por fim, pela palavra viva das « boas-noites » e dos sonhos contados aos jovens, nos quais o Rosário aparece como arma e como defesa.

O mais conhecido desses relatos é o sonho da serpente. Em agosto de 1862, nos dias da Assunção, Dom Bosco sonhou que estava com todos os seus jovens na casa do irmão, isto é, justamente ao lado da capela do Rosário. Um desconhecido mostrou-lhe no prado uma serpente de sete ou oito metros de comprimento e, vencendo seu medo, fez com que estendesse uma corda sobre o dorso do réptil, que se lançou, ficou preso no laço e, debatendo-se, acabou se despedaçando. Quando depois a corda, guardada numa caixa, foi retirada, havia-se disposto de modo a formar duas palavras: Ave Maria. « A serpente representa o demônio », explicou então o guia, « e a corda é a Ave-Maria, ou melhor, o Rosário, que é uma continuação de Ave-Marias, com a qual e com as quais se podem combater, vencer e destruir todos os demônios do inferno » (MB VII, 238-239).

A mesma convicção acompanhou o horizonte missionário e, por fim, a velhice. No sonho que precedeu a primeira expedição à América, Dom Bosco viu seus filhos avançarem entre populações hostis com esta única arma: « os Missionários rezavam o santo Rosário, enquanto os selvagens, correndo de todos os lados, abriam alas à sua passagem » (MB X, 55). E quando, nos últimos anos, a dor de cabeça e os olhos quase apagados já não lhe permitiam trabalhar, Padre Francisco Cerruti recordava como era « doloroso e consolador espetáculo vê-lo passar longas horas sentado em seu pobre sofá, em lugar às vezes semiescuro, porque seus olhos não suportavam a luz, sempre porém tranquilo e sorridente, com o terço na mão ».

 

A caminho com os papas

Nessa devoção Dom Bosco não foi um isolado, porque caminhava com a Igreja; e a Igreja, justamente nos últimos anos de sua vida, voltou a recomendar o Rosário com uma insistência sem precedentes. Sobre o santo Rosário foram escritas dezesseis encíclicas, sem contar as dezenas, senão centenas, de outros documentos pontifícios, entre bulas, constituições, cartas apostólicas, exortações e discursos; e dessas dezesseis nada menos que doze são de Leão XIII, o mesmo Papa que havia confiado a Dom Bosco a construção da igreja do Sagrado Coração em Roma.

As primeiras quatro foram publicadas quando o santo ainda estava vivo. A Supremi Apostolatus Officio, de 1º de setembro de 1883, tratava da devoção e da recitação do Rosário e instituía a prática especial do mês de outubro; a Superiore Anno, de 30 de agosto de 1884, determinava a continuação daquela recitação solene; a Quod Auctoritate, de 22 de dezembro de 1885, proclamava um Jubileu extraordinário recomendando de modo particular essa oração; e a Vi è ben noto, de 20 de setembro de 1887, dirigida especialmente aos bispos da Itália, propunha-a juntamente com a devoção mariana diante das dificuldades religiosas e sociais do tempo. O velho sacerdote de Valdocco, que morreria em 31 de janeiro de 1888, pôde assim ver o Papa pedir a toda a Igreja aquilo que ele pedia a seus meninos havia quarenta anos.

Leão XIII, porém, não parou aí e, depois de uma pausa de alguns anos, retomou o tema quase a cada outono. Com a Octobri Mense (22 de setembro de 1891), voltou à devoção mariana e à recitação do Rosário no mês de outubro, sublinhando sua eficácia espiritual; com a Magnae Dei Matris (8 de setembro de 1892), apresentou-o como escola de fé, de vida cristã e de imitação das virtudes de Cristo e de Maria; com a Laetitiae Sanctae (8 de setembro de 1893), propôs-no como remédio espiritual para os principais males morais e sociais do tempo; com a Iucunda Semper Expectatione (8 de setembro de 1894), aprofundou o valor dessa oração e da intercessão da Virgem na vida cristã. Seguiram-se a Adiutricem Populi (5 de setembro de 1895), que apresenta Maria como Auxiliadora do povo cristão e liga o Rosário à oração pela unidade dos cristãos; a Fidentem Piumque Animum (20 de setembro de 1896), que reafirma seu valor espiritual e incentiva os fiéis a praticá-lo com confiança, devoção e perseverança; a Augustissimae Virginis Mariae (12 de setembro de 1897), dedicada à devoção à Virgem, à oração comum e à importância das Confrarias do Santo Rosário; e, por fim, a Diuturni Temporis (5 de setembro de 1898), que oferece uma síntese de todo o ensinamento de Leão XIII sobre o Rosário e recorda os privilégios e as práticas das Confrarias.

Os sucessores recolheram essa herança sempre que os tempos se tornavam mais difíceis. Pio XI, o Papa que em 1934 canonizara Dom Bosco, com a Ingravescentibus Malis (29 de setembro de 1937), apresentou o Rosário como remédio espiritual diante dos males do tempo e recomendou de modo particular sua recitação nas famílias, que afinal é a oração da casa dos Becchi. Pio XII, com a Ingruentium Malorum (15 de setembro de 1951), exortou a rezá-lo especialmente no mês de outubro, sublinhando seu valor para a família, a paz e a vida cristã; João XXIII, com a Grata Recordatio (26 de setembro de 1959), recomendou-o pelas missões, pela Igreja, pela paz e pelas necessidades dos povos; e Paulo VI, com a Christi Matri (15 de setembro de 1966), convidou a recitá-lo, sobretudo em outubro, para obter de Deus o dom da paz.

A essa lista é preciso acrescentar dois documentos que não são encíclicas, mas permanecem fundamentais. O primeiro, que está na origem de tudo, é a Consueverunt Romani Pontifices de São Pio V, de 17 de setembro de 1569, que ilustra e define substancialmente a forma tradicional do Rosário, com o Pai-Nosso, as Ave-Marias e a meditação dos mistérios, e que Paulo VI considera explicitamente o documento com o qual Pio V « definia a forma do Rosário ainda hoje em uso ». O segundo, mais próximo de nós, é a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae de São João Paulo II, de 16 de outubro de 2002: provavelmente o mais importante documento pontifício moderno inteiramente dedicado ao Rosário, também porque introduz os mistérios da luz.

 

Os livros dos santos e um encontro em Turim

Ao lado da voz dos papas está a dos santos, que escreveram muitíssimo sobre o Rosário; e, entre tantos textos, alguns merecem ser assinalados. O mais antigo é O Santíssimo Rosário. O saltério de Jesus e de Maria, do beato Alano da Rocha, composto por volta de 1475, em cujo título ainda ressoa o antigo nome de « Saltério ». Mais de dois séculos depois, por volta de 1710, São Luís Maria Grignion de Montfort escreveu O segredo admirável do Santíssimo Rosário para converter-se e salvar-se (Le Secret admirable du Très Saint Rosaire pour se convertir et se sauver), que é provavelmente o principal tratado espiritual sobre o Rosário escrito por um santo e aborda sua origem, as orações, os mistérios, os frutos espirituais e o modo de recitá-lo. A ele se somam, do mesmo autor, os Métodos para rezar o Rosário (Méthodes pour réciter le Rosaire), que constituem seu complemento prático, pois propõem diversos métodos meditativos para acompanhar as dezenas com intenções e considerações sobre os mistérios de Cristo e de Maria, e que nas edições das obras montfortinas são normalmente publicados juntos ou em apêndice ao Segredo. Mais próximo de nós, São Josemaria Escrivá publicou em 1931 seu Santo Rosário, com breves meditações contemplativas sobre os mistérios e sobre as ladainhas lauretanas: um bom texto para quem busca não tanto uma história ou uma teologia sistemática do Rosário, mas um método concreto de contemplação evangélica dos mistérios.

Entre Montfort e Escrivá situa-se a obra de um contemporâneo de Dom Bosco, São Bartolo Longo, que em 1877 publicou Os quinze sábados do Santíssimo Rosário. Devoção eficacíssima para obter qualquer graça, com as meditações sobre o Evangelho de cada mistério, a obra rosariana fundamental do apóstolo de Pompeia. Dom Bosco teve também um encontro direto com ele: em maio de 1885, o advogado Longo foi visitá-lo em Turim e perguntou-lhe como havia feito para conquistar o mundo. « Caro advogado », teria respondido Dom Bosco, « o meu segredo é este: mando o meu jornal a quem o quer e a quem não o quer ». O jornal era o Bollettino Salesiano, e Bartolo Longo aproveitou o conselho para seu periódico, Il Rosario e la Nuova Pompei. Dom Bosco, por sua vez, nunca escreveu um tratado sobre o Rosário: preferiu colocá-lo nas páginas do Giovane provveduto e, sobretudo, nas mãos de seus meninos.

 

Quinze promessas

Ao beato Alano da Rocha, o dominicano do século XV já mencionado, a tradição liga também as quinze promessas que a Virgem Maria teria feito a quem reza o Rosário, conhecidas justamente como « as promessas do Santo Rosário ». Lidas em sequência, elas traçam um caminho que acompanha o fiel da vida cotidiana até a eternidade. Ei-las:

1. Quem recitar fielmente o Rosário receberá graças especiais.

2. A quem o recitar é prometida uma proteção especial e abundância de graças.

3. O Rosário será uma defesa poderosa contra o mal, contra o pecado, os vícios e o erro.

4. Favorecerá o crescimento das virtudes e das boas obras, atrairá a misericórdia de Deus e orientará o coração para os bens eternos.

5. Quem se confia a Maria por meio do Rosário não se perderá.

6. Quem o recitar devotamente, meditando os mistérios, será sustentado nas provações; o pecador será chamado à conversão e o justo à perseverança na graça.

7. Quem tiver verdadeira devoção ao Rosário não morrerá privado do auxílio sacramental da Igreja.

8. Quem o recitar fielmente receberá de Deus luz e graça durante a vida e na hora da morte.

9. Maria promete ajuda especial às almas devotas do Rosário em sua purificação depois da morte.

10. Os fiéis devotos do Rosário receberão uma glória especial no céu.

11. A oração perseverante do Rosário obterá as graças pedidas, segundo o desígnio de Deus.

12. Quem difundir o Rosário receberá auxílio particular em suas necessidades.

13. Os promotores do Rosário gozarão da intercessão da corte celeste, sobretudo na hora da morte.

14. Os que recitam o Rosário são apresentados como filhos prediletos de Maria e irmãos e irmãs de Cristo.

15. A verdadeira devoção ao Rosário é considerada um sinal de predestinação, isto é, um sinal de orientação da vida para a salvação.

As quatro primeiras dizem respeito ao presente; as seis seguintes acompanham o devoto nas provações e no trecho final do caminho; as quatro últimas ampliam o olhar daquele que reza para aquele que faz rezar, enquanto a última considera a verdadeira devoção ao Rosário um sinal de predestinação, isto é, um sinal da orientação da vida para a salvação.

Relidas à luz da vida de Dom Bosco, algumas dessas promessas parecem quase comentar o que foi narrado. A terceira é o sonho da serpente, com a corda de Ave-Marias que defende do mal; a décima segunda e a décima terceira falam de quem difunde e promove o Rosário, e é difícil não pensar em um sacerdote que, sem recursos, sempre encontrou a ajuda necessária para suas obras e que atribuía a Nossa Senhora tudo aquilo que conseguira realizar.

 

O tesouro das indulgências

Às promessas confiadas à tradição acrescenta-se aquilo que a própria Igreja, com sua autoridade, anexou a essa oração. Hoje, de fato, ela concede indulgência plenária a quem recita o santo Rosário, segundo as normas indicadas no atual Manual das Indulgências (Enchiridion Indulgentiarum), que chegou à IV edição, do qual convém reproduzir os textos oficiais.

« 17. Orações à Bem-Aventurada Virgem Maria

§ 1 Concede-se indulgência plenária ao fiel que:

1º recita devotamente o Rosário mariano numa igreja ou oratório, ou então em família, numa comunidade religiosa, numa associação de fiéis e, de modo geral, quando vários fiéis se reúnem para um fim honesto;

2º une-se devotamente à recitação dessa oração, quando feita pelo Sumo Pontífice e transmitida pela televisão ou pelo rádio.

Nas outras circunstâncias, porém, a indulgência é parcial. [por exemplo, se uma pessoa o recita sozinha em sua própria casa, fora dos casos acima enumerados]

O Rosário é uma prática de piedade na qual à recitação de quinze dezenas de Ave-Marias, intercaladas pelo Pai-Nosso, se une respectivamente a piedosa meditação de outros tantos mistérios da nossa redenção.

Para a indulgência plenária ligada à recitação do Rosário mariano, estabelecem-se estas normas:

a) basta a recitação apenas da terça parte; mas as cinco dezenas devem ser recitadas sem interrupção;

b) à oração vocal deve-se acrescentar a piedosa meditação dos mistérios;

c) na recitação pública, os mistérios devem ser enunciados segundo o costume aprovado vigente no lugar; na recitação privada, porém, basta que o fiel acrescente à oração vocal a meditação dos mistérios. » (Manual das Indulgências, Concessões, n. 17)

 

As condições gerais

Para obter efetivamente a indulgência plenária, além da recitação do Rosário nas condições indicadas, são necessárias as condições habituais:

« N. 20 – § 1. Para obter a indulgência plenária, além da exclusão de qualquer apego ao pecado, mesmo venial, é necessário realizar a obra indulgenciada e cumprir as três condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração segundo as intenções do Sumo Pontífice. [Por isso é prática comum acrescentar, ao final do Rosário, um Pai-Nosso e uma Ave-Maria pelas intenções do Papa]

§ 2 Com uma só confissão sacramental podem-se obter várias indulgências plenárias; ao contrário, com uma só comunhão eucarística e uma só oração segundo as intenções do Sumo Pontífice pode-se obter apenas uma indulgência plenária.

§ 3 As três condições podem ser cumpridas vários dias antes ou depois de se realizar a obra prescrita; contudo, é conveniente que a comunhão e a oração segundo as intenções do Sumo Pontífice sejam feitas no mesmo dia em que se realiza a obra.

§ 4 Se faltar a plena disposição, ou se a obra requerida não for realizada integralmente, ou se não forem cumpridas as três condições, a indulgência será apenas parcial, salvo o que se prescreve nas normas 24 e 25 para os « impedidos ».

§ 5 Cumpre-se plenamente a condição da oração segundo as intenções do Sumo Pontífice recitando, segundo suas intenções, um Pai-Nosso e uma Ave-Maria; deixa-se, contudo, aos fiéis a liberdade de recitar qualquer outra oração segundo a piedade e a devoção de cada um. » (Manual das Indulgências, Normas sobre as indulgências, n. 20)

A indulgência plenária, normalmente, pode ser obtida uma só vez por dia.

« N. 18 – § 1. A indulgência plenária pode ser obtida uma só vez por dia; a indulgência parcial, ao contrário, pode ser obtida várias vezes ao dia.

§ 2. O fiel poderá, contudo, obter a indulgência plenária in articulo mortis, ainda que no mesmo dia já tenha obtido outra indulgência plenária. » (Manual das Indulgências, Normas sobre as indulgências, n. 18)

As indulgências, tanto parciais como plenárias, podem ser aplicadas aos falecidos a modo de sufrágio. Não podem, porém, ser aplicadas diretamente a outra pessoa viva.

« N. 3. As indulgências, tanto parciais como plenárias, podem sempre ser aplicadas aos falecidos a modo de sufrágio. » (Manual das Indulgências, Normas sobre as indulgências, n. 3)

 

 

Com o terço na mão

Voltamos assim ao ponto de partida, àquela coroa de rosas que esconde seus espinhos. Dom Bosco sabia disso por experiência: no sonho do caramanchão, que contou aos primeiros Salesianos, a Virgem o fez percorrer um caminho coberto de belíssimas rosas, sob as quais se escondiam espinhos pontiagudos. O Rosário foi para ele o modo de caminhar sobre aquelas rosas sem parar, quando menino de joelhos ao lado da mãe, quando sacerdote no meio dos jovens, quando idoso em seu pobre sofá, com o terço entre os dedos.

A quem hoje entra na pequena capela dos Becchi ou na basílica de Valdocco, ele deixa, portanto, a mesma recomendação que deu ao marquês d’Azeglio: pode-se renunciar a muitas coisas, até importantes, mas não a esta. Bastam cinco dezenas por dia, recitadas meditando os mistérios e, se possível, em conjunto, em família, em comunidade, no oratório; e outubro, o mês que desde Leão XIII a Igreja dedica ao Rosário, é o momento certo para recomeçar.

 

Editor BSOL

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