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No nome de Maria Auxiliadora ressoa uma longa história de confiança do povo cristão na proteção da Mãe de Deus. No século XVI, a invocação Auxilium Christianorum já estava presente na tradição lauretana, mas, após a vitória de Lepanto, em 7 de outubro de 1571, atribuída à intercessão especial da Virgem invocada por meio do Rosário, o título ganhou um significado muito mais vivo na memória cristã. São Pio V atribuiu a vitória à intercessão de Maria: a partir daquele dia surgiu a festa de Nossa Senhora do Rosário e, segundo a tradição, a invocação “Auxilium Christianorum” passou a fazer parte da Ladainha Lauretana. Maria do Rosário e Maria Auxiliadora não são, portanto, duas devoções separadas: é a mesma Mãe que a Igreja contempla como aquela que acompanha, sustenta e socorre seus filhos nas provações.
Quando, em 1870, São João Bosco publicou os Nove dias consagrados à Augusta Mãe do Salvador sob o título de Maria Auxiliadora, ele acolheu essa herança e a traduziu para a linguagem simples e concreta da vida cristã. Sua novena não se limita a pedir graças, mas propõe um verdadeiro caminho espiritual: nove dias para crescer na confiança em Maria, na fidelidade aos sacramentos, na oração, na caridade e na união com Jesus.
Sumário
Maria, Auxílio dos cristãos nas necessidades da vida
Honrar Maria nas solenidades e nos dias a ela consagrados
Promover a santificação das festas, a fuga das blasfêmias e das más conversas
Pretextos contrários à comunhão frequente e vantagens da mesma
Consolações do devoto de Maria no momento da morte
Associação dos Devotos de Maria Auxiliadora
Benefícios espirituais dos associados
Ao leitor
Além das obras publicadas sobre o culto e as maravilhas de Maria, invocada com o título de Auxílio dos Cristãos, muitos solicitavam uma novena que, ao mesmo tempo em que explicasse o objetivo dessa devoção, servisse de guia para celebrar devotamente a solenidade instituída em honra dessa augusta Rainha do Céu. Para satisfazer a esses piedosos desejos, procurei aqui expor em nove considerações uma novena que, ao mesmo tempo em que pode servir de preparação para a festa de Maria Auxiliadora dos Cristãos, pode igualmente beneficiar aqueles que, ao longo do ano, desejam consagrar nove dias a esta comum Benfeitora do gênero humano.
Como a associação dos devotos de Maria Auxiliadora tem como objetivo proporcionar aos seus membros a proteção especial de Maria na hora da morte, graças à devoção a Jesus sacramentado e à sua Mãe Imaculada, teve-se o cuidado de tratar os assuntos e reunir os pensamentos piedosos que pareciam mais oportunos para isso.
Quanto aos exemplos acrescentados a cada consideração, julguei por bem omitir os nomes das pessoas a que se referem, para lhes evitar perguntas por parte de algum leitor indiscreto. Mas citam-se as fontes de onde foram retirados e conserva-se a relação manuscrita autêntica para quem desejar satisfazer melhor a sua devoção.
Por fim, há um apêndice sobre os estatutos da piedosa associação dos devotos de Maria, que o Sumo Pontífice se dignou erigir em arquiconfraria com Breve de 5 de abril de 1870.
Maria Auxiliadora, que nestes tempos se manifesta de tantas maneiras como grande benfeitora da pobre humanidade, ajude-me e ajude também a você, leitor cristão, para que possamos viver e morrer na graça do Senhor e um dia sermos todos dignos de cantar seus louvores eternamente no céu. Assim seja.
Protesto do autor
Para obedecer aos decretos de Urbano VIII, protesto que, ao que será dito no livro de milagres, revelações ou outros fatos, não pretendo atribuir outra autoridade que não seja a humana; e ao dar a alguém o título de Santo ou Beato, não pretendo dá-lo senão de acordo com a opinião; exceto aquelas coisas e pessoas que já foram aprovadas pela Santa Sé Apostólica.
PRIMEIRO DIA
Antes de fazer a leitura todos os dias, dir-se-á:
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me, sem demora.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
V. Maria, Auxiliadora dos Cristãos.
R. Rogai por nós[1] .
Maria, Auxílio dos cristãos nas necessidades da vida
1. Uma boa mãe é sempre um verdadeiro tesouro e um grande conforto para sua família. Assim, Maria, nossa mãe piedosa, será certamente fonte de graças e bênçãos para as famílias cristãs espalhadas por todo o mundo. Vivemos como num mar tempestuoso, como no exílio, como no vale das lágrimas. Ora, Maria é a estrela do mar, o conforto do nosso exílio, a luz que nos ilumina, o caminho do céu, enfim, é a vida, a doçura, a nossa esperança: vita, dulcedo, et spes nossa. Ela nos mostra isso obtendo para nós contínuas ajudas espirituais e temporais. Maria, diz São Jerônimo, tem um coração tão piedoso e terno para com os homens, que nunca houve pessoa que se afligisse tanto com as próprias dores quanto Maria com as dores alheias[2] . Por isso, assim que percebe uma necessidade, imediatamente nos traz socorro. Assim que Maria soube pelo Arcanjo que a família de Zacarias e especialmente Isabel precisavam de ajuda, ela se dirigiu a ela com toda a pressa, fazendo uma viagem de cerca de setenta milhas por montanhas escarpadas: abiit in montana cum festinatione[3]. Chegando então àquela casa afortunada, Maria serviu-a como humilde serva por três meses, e não a abandonou até que ela não precisasse mais de seus serviços. – O mesmo fez em Caná da Galileia. Maria estava convidada para um casamento com Jesus e outras personalidades ilustres, quando, no auge do banquete, faltou o vinho. Maria, com seu olhar maternal, percebeu que os noivos estavam angustiados e cobertos de vergonha. Ao ver isso, Maria se comoveu e, sem que ninguém lhe pedisse, pensou em socorrê-los. Assumiu imediatamente, como reflete São Bernardino de Sena, o ofício de piedosa auxiliadora: officium piae auxiliatricis assumsit non rogata[4] [sem ser solicitada, assumiu o ofício de piedosa auxiliadora]. Filho, diz baixinho a Jesus, eles não têm vinho. Maria pronuncia estas palavras com tal expressão que dá a entender que deseja um milagre em favor daqueles seus devotos, e o obtém, e os consola[5].
2. Esta terna solicitude de Maria não diminuiu desde que foi assunta ao céu pelos anjos; pelo contrário, aumentou ainda mais. – Oh! Sim, ela ainda se lembra que no Monte Calvário Jesus a tornou nossa mãe. Mulier, ecce Filius tuus, e depois ao discípulo predileto: Ecce mater tua[6]. Naquele momento, Jesus tocou seu coração de tal maneira e o encheu de tanta ternura por nós, que não se pode imaginar com a mente humana. Juntemos o amor que todas as mães têm pelos seus filhos; mas a plenitude do afeto de todas essas mães nunca será capaz de igualar o amor que só Maria tem por cada um de nós. Ó pensamento querido, ó doce consolo! Ter no céu uma Mãe tão terna e amorosa!
Esta é a razão, ó cristão devoto, pela qual não se lê que, ao longo de tantos séculos, Maria não tenha sempre vindo em auxílio dos cristãos em qualquer necessidade deles. Oh! Não, exclamam a uma só voz Santo Agostinho e São Bernardo, nunca se ouviu no mundo que alguém em suas necessidades tenha recorrido com confiança a Maria e tenha sido abandonado por ela[7]. Folheie as páginas dos livros sagrados e de todas as histórias, percorra todo o mundo cristão, interrogue os povos, os reinos, as cidades, as aldeias, as famílias, e pergunte se alguma vez aconteceu entre eles que Maria não tenha corrido em auxílio dos seus filhos necessitados. À sua pergunta, todos responderão em uníssono: não, nunca.
Meu leitor, para melhor persuadi-lo dessa verdade, entre em algum santuário dedicado a Maria, e você não tardará em se convencer de que ela é a Ajuda dos Cristãos nas necessidades da vida. Observe, pendurados naquelas paredes sagradas, os sinais da bondade e do poder dela. Lá você vê um doente já dado como perdido pelos médicos, mas que, por Maria, recupera a saúde; aqui, um com febre, outro com epilepsia, um terceiro libertado da gangrena. Você observará ainda outros que, por sua intercessão, escaparam das mãos de assassinos, ou das águas, ou de incêndios, ou de uma queda, e assim por diante. Ao sair dali, você não poderá deixar de exclamar: Ó Maria, quão poderosa e quão boa sois vós, quão verdadeiro é que ajudais aqueles que vos invocam nas necessidades da vida.
3. Se Maria vem em nosso auxílio nas necessidades temporais, com muito mais urgência ela nos socorre nas necessidades espirituais. Seria necessário escrever grandes volumes para enumerar todos os grandes benefícios que Maria fez aos seus devotos. São Bernardo expressa essa verdade dizendo: Deus quis que todo o bem nos chegasse por meio de Maria; totum nos habere voluit per Mariam [quis que tivéssemos tudo por meio de Maria]; e São Bernardino de Sena acrescenta: Todas as graças que recebemos de Deus são dispensadas por meio de Maria, e são dispensadas a quem Maria quer, quando Maria quer e como Maria quer[8]. E oh! Quantas virgens devem a sua pureza virginal à proteção dela! Quantos jovens, a vitória sobre as paixões! Quantos pais, quantas mães, a salvação eterna de seus filhos! Pode-se dizer que na nova lei não há santo que não reconheça sua santidade pela intercessão de Maria. A história nos diz que os mais ilustres deles foram também os mais devotos de Maria.
Maria não é apenas a ajuda dos cristãos em particular, mas o apoio da Igreja universal. Com a ajuda de Maria, os apóstolos, os mártires e a Igreja primitiva venceram os perseguidores; com a ajuda dela, a idolatria foi erradicada; por ela, a bandeira da Cruz foi hasteada em todo o mundo e triunfou[9]. Por ela foram vencidos os bárbaros, por ela foram confundidos os hereges, por ela foram erradicadas as heresias. Por isso, com razão, São João Crisóstomo já chamava Maria de decoro, glória e firmeza da Igreja: Ecclesiae nostrae decus, gloria et firmamentum[10]. Portanto, caro leitor devoto, digamos com São Bernardo: Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pense em Maria, invoque Maria. Maria nunca se afaste da sua boca; Maria nunca se afaste do seu coração. In periculis, in angustiis, Mariam cogita, Mariam invoca; non recedat ab ore, non recedat a corde[11] [Nos perigos, nas angústias, pensa em Maria, invoca Maria; nunca se afaste da boca, nunca se afaste do coração].
Prática. – Nas aflições e nas penas, invocarei frequentemente Maria.
Exemplo
A história nos fornece muitos exemplos para provar o quanto Maria é solícita em socorrer os cristãos nas necessidades da vida. Vale para todos a vitória que Ela deu aos cristãos contra os turcos. Esses inimigos do nome cristão, após muitas vitórias, somente na cidade de Nicósia passaram a fio de espada vinte mil cristãos, outros esfolaram, vários despedaçaram vivos. Não satisfeitos com isso, nem com as conquistas obtidas, ameaçaram toda a cristandade com sangue e massacres. Quem ousaria se opor a esses formidáveis inimigos? O Papa São Pio V, que então governava a Igreja, tentou unir os príncipes cristãos em uma liga sagrada; convidou-os, implorou-lhes que pegassem em armas contra o inimigo comum, mas apenas o rei de Espanha Filipe II, o duque de Saboia Emanuel Filipe e alguns outros italianos se comoveram com a voz do Vigário de Jesus Cristo. Então o papa, vendo as forças dos cristãos muito inferiores às dos infiéis e, humanamente falando, sendo impossível uma vitória, depositou toda a sua confiança em Maria. Ordenou, portanto, orações públicas e privadas por toda a cristandade e, cheio de confiança, abandonou-se nos braços de Maria. Em seguida, ordenou aos generais da armada cristã que expulsassem de seu exército todas as pessoas de má vida e exigissem dos soldados restantes uma conduta irrepreensível e uma terna devoção a Maria. Os combatentes se confessam, recebem a sagrada comunhão e, abençoados pelo Vigário de Cristo e sob a proteção da Rainha do Céu, partem para o mar em busca do inimigo. No dia 8 de outubro, as duas frotas se encontram perto de Lepanto, cidade da Grécia. Eram quatro horas da tarde. Ao som das trombetas, dá-se então o sinal da batalha, e os cristãos, ao grito de Viva Maria, lançam-se contra os infiéis. Já se lutava com grande ferocidade há uma hora inteira, e a vitória ainda estava indecisa, quando eis que cai morto o chefe dos turcos. Com esta notícia, os bárbaros perdem a coragem, confundem-se e fogem; seus navios são detidos, afundados ou incendiados. A matança é generalizada, a derrota consumada. Em pouco tempo, os turcos perdem trinta mil homens, duzentos e vinte e quatro navios, quatrocentos e vinte e sete canhões. Essas perdas causaram o colapso do poder muçulmano, que a partir daquele dia entrou em declínio, chegando hoje ao seu fim. Todos reconheceram que uma vitória tão portentosa se devia a Maria. No momento em que era conquistada, ela dignou-se também a revelá-la em Roma ao seu devotíssimo Pio V com uma visão celestial. Em sinal de gratidão e afeto, Pio V decretou que fosse inserida nas Ladainhas Lauretanas a invocação: Maria, auxilium Christianorum, ora pro nobis [Maria, Auxiliadora dos Cristãos, rogai por nós].
SEGUNDO DIA
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me, sem demora.
V. Glória ao Pai…
R. Como era no princípio…
V. Maria, Auxiliadora dos Cristãos.
R. Rogai por nós.
Honrar Maria nas solenidades e nos dias a ela consagrados
1. Se queremos que Maria nos ajude nas necessidades da vida, é necessária uma vontade sincera, um desejo vivo de agradá-la e fazer tudo o que sabemos que lhe agrada, honrando-a especialmente nas solenidades e nos outros dias a ela consagrados. Nesses dias, os anjos e os santos do céu exultam de alegria; multiplicam as louvores à sua Rainha e se reúnem em torno de seu trono para lhe prestar homenagem e proclamar seu poder e sua glória. Por isso, nos dias a ela consagrados, procuremos purificar nossa alma de toda mancha de pecado por meio de uma boa confissão, aproximando-nos depois da sagrada comunhão. Esta é a maneira mais adequada de agradar a Maria e celebrar suas solenidades. Não deixemos de ir ouvir seus louvores em alguma igreja e, se não pudermos, pelo menos leiamos e meditemos algumas de suas virtudes, especialmente aqueles fatos e mistérios que são lembrados nessas solenidades especiais.
2. Mas, para nos tornarmos mais agradáveis a Maria nos dias dedicados às suas glórias, procuremos, ó devoto cristão, preparar-nos com uma piedosa novena ou, pelo menos, com um tríduo. O que faz um bom filho quando sabe que se aproxima a festa de sua mãe? Nos dias que antecedem, ele prepara o presente que lhe dará; pensa nas flores com as quais formar um belo buquê digno da mãe; prepara uma carta ou um pequeno discurso com o qual possa melhor expressar, no momento oportuno, os afetos filiais do seu coração. Além disso, nesses dias, ele se compromete a cumprir mais exatamente todos os seus deveres; toma mais cuidado do que nunca para não lhe causar nem mesmo o menor desgosto; enfim, procura agradá-la em tudo. Assim, nos dias que antecedem as festas de Maria, sejamos mais exatos no cumprimento de nossos deveres, mais pacientes, mais caridosos. De manhã, ao longo do dia, à noite, procuremos elevar nossa mente e nosso coração a Maria com calorosas jaculatórias: procuremos viver em estreita união com Ela, fazendo tudo para lhe dar prazer. Esses atos de virtude são como um atraente buquê de flores espirituais, para oferecer a Maria no dia da festa. Vinde, ó filhos, ela diz, fazei-me guirlandas de flores, rodeai-me de frutos, porque eu desfaleço de amor por vós: fulcite me floribus, stipate me malis, quia amore langueo[12] [Sustentai-me com flores, rodeai-me de maçãs, porque desfaleço de amor]. Os mais devotos costumam fazer todos os dias da novena uma mortificação na comida ou na bebida, ou dar esmola, ou assistir a uma missa, ou mesmo aproximar-se todos os dias da sagrada comunhão. Se a novena ou o tríduo tiver lugar em alguma igreja, eles comparecem pontualmente às funções que ali se realizam. Santa Gertrudes, na festa da Assunção, viu Maria com um coro de belas jovens sob o manto; e compreendeu que aquele grupo afortunado era composto pelas almas que se haviam preparado devotamente para aquela sagrada solenidade; e que, por isso, Maria, a partir de então, olhava para elas com olhos mais benignos, e os anjos cuidavam delas com maior afeto.
3. Além das homenagens que prestamos a Maria ao longo do ano, nas novenas e nas suas festas, a Santa Igreja exorta-nos a consagrar ao seu culto também o sábado de cada semana. Por isso, pratiquemos também nós nesse dia algum ato de virtude e piedade em honra desta augusta Rainha do céu. São João da Cruz, Santa Teresa, Santo Afonso Maria de Ligório e muitos outros costumavam jejuar nesse dia; e assim ainda hoje costumam fazer muitos bons cristãos. Outros fazem uma visita à igreja ou rezam alguma oração em casa diante de uma imagem de Maria; outros oferecem todas as ações daquele dia em sua honra.
Mas isso não nos basta, irmão. Não deixemos passar um dia sem honrar Maria. Saudemo-la frequentemente com jaculatórias amorosas. São Bernardo, saudando um dia com muito afeto a Virgem com as palavras Ave Maria, ouviu-a responder: Ave Bernarde. Procuremos também participar das solenes procissões que costumam ser feitas em honra desta Rainha celestial. Inscrevamo-nos em alguma confraria piedosa, cumprindo depois as práticas de devoção nela prescritas. Fale frequentemente dela com os jovens e com os adultos, divulgue imagens, medalhas, livros que tratem de suas grandezas e façam conceber por ela terna confiança e amor. Oh! Então Maria nos protegerá como uma verdadeira Mãe nesta vida e nos preparará um lugar magnífico no céu, porque está escrito: aqueles que me honram terão a vida eterna: qui elucidant me, vitam aeternam habebunt[13].
Prática. – Proponho fazer todos os sábados alguma abstinência em honra de Maria.
Exemplo
Especialmente nestes últimos tempos, Deus tem prazer em operar em socorro dos aflitos as maiores maravilhas por intercessão de Maria Auxiliadora. Ao longo desta novena, iremos narrando algumas delas para edificação comum. Sirva, por ora, o seguinte fato.
No ano de 1868, no dia 10 de junho, por volta do meio-dia, chegou a Turim, à igreja de Maria Auxiliadora, um homem de aparência elegante. Descendo da carruagem que o trouxera em corrida precipitada, ele entra no templo e pede para se confessar; depois, com exemplar recolhimento, aproxima-se da Santa Comunhão. Depois de fazer os devidos agradecimentos, foi à sacristia, fez uma oferta ao diretor da igreja, dizendo: Rezem por mim e contem ao mundo inteiro as maravilhas do Senhor, por intercessão da Santíssima Virgem. Quando lhe perguntaram quem era e o que o tinha levado ali, ele respondeu: Venho de Faenza; tinha um filho, único objeto das minhas esperanças. Adoeceu aos quatro anos de idade, não me davam mais esperança de vida e eu chorava inconsolavelmente como se estivesse morto. Um amigo, para me consolar, sugeriu-me que fizesse uma novena a Maria Auxiliadora dos Cristãos, com a promessa de fazer alguma oferta para esta igreja. Prometi tudo e acrescentei que viria pessoalmente fazer a minha oferta, aproximando-me aqui dos santos sacramentos, se obtivesse a graça. Deus me atendeu. Na metade da novena, meu filho estava fora de perigo e agora goza de ótima saúde. Ele não será mais meu, mas eu o chamarei para sempre de filho de Maria. Caminhei dois dias: tendo agora cumprido minha obrigação, parto consolado e bendirei sempre a Mãe da Misericórdia, Maria Auxiliadora[14].
TERCEIRO DIA
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me, sem demora.
V. Glória ao Pai…
R. Como era no princípio…
V. Maria, Auxiliadora dos Cristãos.
R. Rogai por nós.
Promover a santificação das festas, a fuga das blasfêmias e das más conversas
1. Três graves desordens penetraram hoje entre os cristãos; desordens que, ao insultar a Majestade de Deus e causar a morte das almas, dilaceram o dulcíssimo Coração de Maria. A primeira delas é a profanação dos dias festivos. Chegamos ao ponto em que, em muitas cidades e vilas, não se faz mais distinção entre dias de festa e dias de trabalho. Nos dias festivos, trabalha-se no campo, trabalha-se nas oficinas, trabalha-se em público, trabalha-se em privado. Parece que os inimigos de Deus se uniram gritando: acabemos com os dias de festa na terra[15]. – A segunda desordem é a blasfêmia, que se está espalhando terrivelmente. Infelizmente, o demônio soube ensinar a muitos cristãos o ofício iníquo que ele exerce no inferno: amaldiçoar e blasfemar. Assim, blasfêmias de todos os tipos saem da boca de muitos, grandes e pequenos, homens e até mulheres. Blasfema-se contra Deus e sua Providência, seus atributos, o Santíssimo Sacramento e tudo o que é religioso e santo. Como se essas duas desordens não fossem suficientes para devastar a terra, acrescenta-se uma terceira, não menos funesta para as almas, ou seja, as conversas irreligiosas e desonestas. Com as primeiras, atenta-se contra a pureza da fé; com as segundas, contra a pureza dos costumes; com as primeiras, perde-se a estima pela Igreja e seus ministros; com as segundas, corrompem-se os costumes, as mentes e os corações. Corrumpunt bonos mores colloquia prava[16] [As más conversas corrompem os bons costumes]. Por causa desses três crimes, o inferno abriu, por assim dizer, ainda mais suas mandíbulas, porque um número infinito de cristãos cai nele todos os dias infelizmente. Oh! Tempos deploráveis! O inferno ri; o Céu chora.
2. Cristão, se quisermos dar um grande prazer a Maria, não só não devemos manchar nossa alma com nenhum desses pecados, mas com todo o zelo devemos procurar erradicá-los do mundo, ou pelo menos diminuí-los. Procuremos alcançar isso com o exemplo e com as palavras de todos aqueles com quem tivermos que lidar, especialmente nossos dependentes. Portanto, em sua casa, seja você o primeiro a santificar os dias festivos. Procure realizar todo o trabalho urgente no sábado e na véspera dos dias santos, para que no dia seguinte o demônio não lhe dê algum pretexto para trabalhar ou fazer trabalhar. Que os membros de sua família saibam que essa é a sua vontade; que seus servos saibam disso, para que se apressem em realizar todas as tarefas desde o dia anterior. Lembre-se, diz Deus, de santificar o dia festivo; nem faça nesse dia qualquer trabalho servil: memento ut diem sabbati sanctifices, nec facies in eo omne opus[17] [Lembra-te de santificar o dia do sábado, nem faças nesse dia qualquer trabalho]. Portanto, lembremo-nos de que o dia festivo é o dia do Senhor e que, além de nos abstermos de trabalhos servis, devemos ocupá-lo com coisas que tragam honra e glória a Ele e benefício à nossa alma. Se santificarmos devidamente o dia de festa, seremos abençoados. Deus, em vários lugares da Sagrada Escritura, promete grande prosperidade aos fiéis que guardam os dias festivos[18]; pelo contrário, os profanadores dos mesmos devem esperar as mais graves desgraças. Na lei antiga, eles eram ameaçados de morte por apedrejamento: qui polluerit illud morte morietur[19] [Quem o profanar certamente morrerá]. O venerável cura d’Ars dizia com toda razão: Conheço dois meios de ir à ruína: roubar e profanar as festas.
3. Cuidemos também, ó devoto leitor, de não proferir blasfêmias de qualquer tipo. A blasfêmia é uma injustiça solene e uma grave ingratidão contra Deus: é uma ação desesperada. Santo Agostinho, falando daqueles que blasfemam contra Jesus Cristo, diz que o pecado deles não é menor do que o dos judeus que o crucificaram: non minus peccant qui blasphemant Christum regnantem in coelo, quam qui crucifixerunt ambulantem in terris[20] [Não pecam menos aqueles que blasfemam contra Cristo reinando nos céus do que aqueles que O crucificaram enquanto caminhava na terra]. Se você for pai, mãe ou tiver alguma outra autoridade, avise e castigue os culpados com penas proporcionais. Oh! Não, nunca permita que alguém tenha a ousadia de profanar sua casa com esse pecado. Deus, na lei antiga, ordenava que os blasfemos fossem condenados à morte e mortos sob uma chuva de pedras: qui blasphemaverit nomen Domini, morte moriatur: lapidibus opprimet eum omnis multitudo[21] [quem blasfemar o nome do Senhor será punido de morte: toda a comunidade o apedrejará]. Embora hoje em dia essa lei penal não esteja mais em vigor, Deus não deixa de punir os profanadores de seu nome com os castigos mais terríveis. Muitas vezes, basta uma única blasfêmia para que a maldição divina caia sobre a cabeça. Pela blasfêmia no campo de Senaqueribe, 180 mil soldados caíram em uma única noite. Faraó blasfema gritando: não conheço o Senhor, e é sepultado no mar com seu exército. Juliano, o apóstata, blasfema e morre transpassado. Ario, blasfemo da divindade de Jesus Cristo, perece numa fossa. Olímpio Ariano, tendo blasfemado publicamente contra a Santíssima Trindade, na presença de muitos que o ouviam foi atingido e incinerado por três raios[22]. Sim, é difícil que a blasfêmia fique impune aqui embaixo. Fujamos dela, por caridade. O que eu lhe recomendo em relação às blasfêmias vale também contra as más conversas. Nunca se deixe induzir a falar mal da religião, de suas práticas e de seus ministros. Respeite o papa e suas decisões; honre o bispo, o pároco e toda pessoa sagrada, e esteja sujeito a eles de mente e coração: obedite praepositis vestris, et subiacete eis, [obedecei aos vossos superiores e sede-lhes submissos] dizia São Paulo[23]. Quanto aos bons costumes, que suas palavras sejam sempre honestas, castas e recatadas. Saiba que o que não é lícito fazer, também não é lícito pensar, e muito menos dizer na presença de outras pessoas; aliás, muitas vezes, mesmo aquilo que seria lícito fazer, é crime falar com outros. Se Deus julgará rigorosamente as palavras ociosas e inúteis, o que será das palavras más e escandalosas? Às vezes, basta uma única dessas palavras para levar à ruína uma alma, porque, como se disse, as conversas más corrompem os bons costumes: corrumpunt bonos mores colloquia prava. – Não diga: Se eu falo um pouco livremente, faço-o com pessoas sensatas, das quais não há que temer. Isso é um engano. Para cometer um pecado mortal basta um pensamento mau consentido. Como pode ter a certeza de que aquele que o ouve não será vítima das suas palavras? Além disso, você é cristão, e isso é suficiente. Sua língua é consagrada pelo corpo de Jesus Cristo, que você recebeu tantas vezes na sagrada comunhão. Por favor! Não a profane com conversas obscenas. São Paulo diz aos cristãos que certos vícios nem devem ser mencionados entre eles: impudicitia nec nominetur in vobis [a impureza nem sequer seja mencionada entre vós]. Nem mesmo tolere que se fale de forma irreligiosa ou obscena na sua presença, e quando isso acontecer, saiba mostrar-se corajoso, levantar a voz aos inferiores, avisar os iguais e, com as pessoas superiores, se a prudência aconselhar o silêncio, mostre, no entanto, um ar de desgosto para dar a entender que se recusa a participar em tais conversas. Ó sim, que Maria o ajude a fugir sempre dos três males mencionados e lhe conceda a graça de diminuir tantas ofensas a Ela e ao seu divino Filho, e fechar o inferno a tantas almas infelizes!
Prática. – Santificarei os dias de festa e fugirei das blasfêmias e das conversas más.
Exemplo
Se Deus protege e recompensa também nesta vida os devotos de Maria, não deixa, porém, de punir, às vezes até terrivelmente, aqueles que a desonram e blasfemam contra ela. Relatemos alguns fatos.
Nestório, herege do século V, blasfema contra Maria, dizendo que ela não é mãe de Deus; mas ele não termina seus dias em paz. Atacado por uma terrível doença, morre com a língua podre e corroída por vermes. No século VIII, Constantino Coprônimo também blasfema contra a Santíssima Virgem; mas Jesus Cristo não deixa impune a blasfêmia contra sua Mãe. Constantino é acometido por uma vergonhosa enfermidade; em seu corpo se formam úlceras e pústulas inflamadas que o fazem gritar alto, enquanto uma febre ardente o devora. Finalmente, entre os mais horríveis tormentos, delirando e gritando, ele dá seu último suspiro. O filho segue os passos do pai e acrescenta aos ditos os fatos. Um dia, ele manda arrancar sacrilegamente as coroas de pedras preciosas e diamantes que adornam a cabeça de Maria na igreja e as coloca sobre sua cabeça. Mas, na mesma hora, sua testa é coberta por pústulas pestilentas, que o levam à morte naquele mesmo dia. Um cavaleiro da Holanda, zombando da devoção dos católicos à Santíssima Virgem, disse um dia: Se esta Santíssima Virgem faz milagres, por que não devolve a visão ao meu cavalo cego? O blasfemo é atendido: o cavalo recupera a visão, mas o cavaleiro a perde instantaneamente[24]. Não terminaria se quisesse continuar. Bastam estes poucos fatos para nos convencer de que Deus quer que respeitemos e honremos sua Santíssima Mãe.
QUARTO DIA
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me, sem demora.
V. Glória ao Pai…
R. Como era no princípio…
V. Maria, Auxiliadora dos Cristãos.
R. Rogai por nós.
Confissão frequente
1. Uma das maiores manifestações da misericórdia de Jesus Cristo é o Sacramento da confissão. Ai de nós, se Jesus tivesse dito: “Eu vos dou o dom do batismo, apago o pecado original e atual, se o tiverdes, constituo-vos herdeiros do meu reino; mas exijo que vos mantenhais inocentes até o fim da vida. Se alguém tiver a ousadia de se manchar com uma falta grave, saiba que para ele não haverá mais esperança de salvação”. Jesus poderia ter falado assim, e ainda assim grande teria sido a sua misericórdia por nos ter dado a graça do santo batismo. Mas, conhecendo a nossa fraqueza e sabendo que, após o batismo, muitos pecariam gravemente, estabeleceu outro Sacramento, por meio do qual pudéssemos recuperar a sua graça divina, o direito e a esperança do Paraíso. Por isso, deu aos seus ministros o poder de perdoar os pecados em seu nome: quorum remiseritis peccata remittuntur eis[25] [aos que perdoardes os pecados, são perdoados], e ordenou que perdoassem não apenas sete vezes, como lhe pediu São Pedro, mas até setenta vezes sete: usque ad septuagies septies[26], ou seja, todas as vezes que o pecador arrependido confessasse suas culpas.
Por vontade de Jesus Cristo, a confissão é, portanto, o segundo meio de reconciliação com Deus; é a segunda tábua após o naufrágio. Qualquer pessoa que, após o batismo, tenha cometido um pecado mortal não tem outra saída senão confessar, ou seja, dizer com arrependimento todas as suas culpas a um sacerdote aprovado e receber dele a absolvição. Em todos os tempos, a confissão secreta dos pecados foi praticada; em todos os tempos foi considerada necessária para obter o perdão de Deus. No século V da Igreja, Santo Agostinho exorta os fiéis a fazerem penitência por seus pecados a tempo, e dá a razão com as seguintes palavras: Porque se alguém chega ao fim da vida, não sabe se ainda poderá recebê-la, e ignora se ainda poderá confessar seus pecados a Deus e ao padre[27]. – No século III, São Cipriano recomenda igualmente aos pecadores que confessem os seus crimes enquanto estão vivos, enquanto a sua confissão pode ser recebida, enquanto se pode obter a penitência e o perdão por meio dos sacerdotes[28]. Pouco antes, Orígenes comparava o pecador àquele que tem uma forte indigestão no estômago e dizia que, se não quisesse sufocar, deveria expelir seu pecado, confessando-o ao médico espiritual, ou seja, ao padre[29]. – Por essas razões, a Igreja reunida no Concílio de Trento condenou como hereges aqueles que negam a instituição divina e a necessidade da confissão[30]. Portanto, ricos e pobres, servos e senhores, reis, monarcas, imperadores, sacerdotes, bispos, os próprios sumos pontífices, todos devem inclinar a cabeça diante de um sacerdote para obter o perdão das culpas que cometeram após o batismo.
2. A confissão não tem apenas a vantagem de nos devolver a graça de Deus quando a perdemos, mas também de aumentá-la quando nos aproximamos dela com apenas pecados veniais. Ela nos traz ainda outras utilidades: impede que o vício se enraíze em nosso coração; diminui os pecados, dando-nos a força para evitar muitos deles, graves e leves; torna nossa alma cada vez mais bela aos olhos de Deus. Por isso, São Bernardo nos exorta com estas palavras: Ame a confissão, se deseja aparecer belo na presença divina: ama confessionem si affectas decorem[31]. Com a confissão, obtemos ainda uma paz perfeita de consciência. Por meio da confissão, recebemos sábios conselhos de um amigo fiel da alma, maior força para combater e derrotar o demônio, maior confiança para o dia da morte, maiores méritos para o céu.
Em vista de tantos benefícios espirituais, todo cristão deve se esforçar para receber frequentemente este Sacramento, pois para desfrutar dos bens mencionados não basta recebê-lo apenas uma vez por ano, ou raramente. Se alguém se lavasse apenas uma ou duas vezes por ano, oh! Quão feio e deformado ficaria seu rosto! Se apenas uma ou duas vezes por ano ele limpasse suas roupas, certamente exalaria um cheiro horrível. O mesmo acontece com a alma daquele que se aproxima raramente da confissão. Portanto, meu leitor, procuremos aproximar-nos dela em todas as solenidades de Nosso Senhor e da Santíssima Virgem, e melhor ainda a cada quinze dias, ou uma vez por mês, como recomendam todos os catecismos, ou a cada oito dias, segundo o conselho de São Filipe Néri. – Alguns dirão: Eu gostaria de me confessar com frequência, mas meus negócios me impedem. Essa é uma desculpa vã; é um engano do demônio. É uma desculpa vã, porque, para se aproximar da confissão, você poderia escolher os dias festivos, nos quais os negócios temporais devem necessariamente ser deixados de lado. Dito isto, é impossível que um cristão não consiga, de vez em quando, encontrar pelo menos uma hora no dia festivo para realizar um ato de tão grande vantagem. É ainda um engano do demônio, porque o primeiro, o mais importante, ou melhor, o único assunto é salvar-se. Oh! clama o Senhor: de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se depois perder a sua alma[32]?
3. O demônio, inimigo de todas as obras santas, quando não consegue afastar-nos da confissão, esforça-se para que nos aproximemos sem as devidas disposições, e assim obtemos pouco ou nenhum benefício. Portanto, ó devoto cristão, ponha em prática os dois conselhos seguintes, que considero da máxima importância.
1. Em cada confissão, pense que essa pode ser a última da sua vida. Acredite, leitor, um grande número de cristãos se confessa, mas se confessa mal. Santa Teresa teve uma visão terrível a esse respeito. Deus lhe mostrou a multidão de almas que se apresentavam ao tribunal divino para serem julgadas, e ela viu, diz ela, que essas almas caíam no inferno como a neve cai no inverno sobre o dorso das montanhas. Assustada, perguntou a razão disso; e Deus respondeu que elas iam para a perdição não por se recusarem a se confessar, mas por se confessarem mal. Portanto, confesse-se ao longo da vida como se estivesse à beira da morte, ou seja, dolorosamente e sinceramente, procurando colocar em prática as resoluções que você faz em sua confissão.
2. Ao fazer o exame, dê sempre uma olhada na vida passada e, se encontrar alguma confusão na consciência ou tiver algum receio sobre as confissões já feitas, confie-o imediatamente ao confessor. Não adie cada vez, porque você se colocaria em perigo de fazer confissões sacrílegas ou, pelo menos, com grave dano à sua alma.
Coragem, então, devoto de Maria, observe o que lhe disse e, quando se aproximar deste Sacramento da misericórdia, lembre-se de rezar a Maria para que ela lhe obtenha um verdadeiro arrependimento de suas culpas e uma firme resolução de fugir sempre e em todos os lugares do pecado e das ocasiões de pecar. Assim fazendo, tornar-se-á cada vez mais querido a esta Rainha do céu e, em cada confissão, obterá um aumento de graça na terra e um aumento de glória no céu.
Prática. – Vou me preparar para fazer uma boa confissão em honra de Maria e, se o confessor achar necessário, farei também a confissão geral.
Exemplo
Maria Auxiliadora faz sentir em toda parte os doces efeitos de seu poder e de seu amor maternal. Em 26 de julho de 1868, uma pessoa escreveu da Áustria o seguinte relato.
Há poucos dias, oprimida pelo medo, invoquei a ajuda de Maria Auxiliadora em favor do meu genro, e agora não sei com que palavras agradecer-lhe. O enfermo, após uma grave doença, estava à beira da morte. Com grande exemplaridade, recebeu os santos sacramentos e mostrou a resignação e a fortaleza do verdadeiro cristão agonizante. Mas eu, minha filha e todos os membros da família estávamos aterrorizados com a ideia de perdê-lo. Nessa terrível situação, começamos uma novena em honra de Maria Auxiliadora, nossa única esperança. No dia 18, começamos a memorável novena e coloquei no pescoço do doente a prodigiosa medalha de Maria Auxiliadora. É maravilhoso dizer! No mesmo dia, o doente ganhou tanta força e o mal diminuiu tanto que os médicos o consideraram fora de perigo. Hoje (26 de julho), o doente fala, ri, brinca e já conseguiu se fortalecer com bebidas e alimentos de vários tipos. Que agora e sempre, por todos e em todos os lugares, seja bendito, exaltado e invocado o nome de Maria Auxiliadora.
Ao fato acima relatado, acrescentamos outro ocorrido em Huete, na Espanha, em 29 de maio de 1867. Uma pobre mãe tinha um filho pequeno de sete anos, que há três meses havia perdido completamente a visão em consequência da varíola. Tendo tentado em vão todos os remédios, sem mais esperança nos remédios humanos, ela depositou toda a sua confiança na proteção de Maria Auxiliadora. Levando o menino cego pela mão, ela foi à igreja naquele dia. Depois de se confessar, prostrou-se chorando aos pés da imagem de Maria e disse ao menino: “Filho, recomende-se a Nossa Senhora do Socorro e peça-lhe que o cure e lhe devolva a visão”.
O menino, obediente ao convite da mãe, começou a rezar com estas palavras: Virgem Auxiliadora, cure os meus olhinhos. Assim que proferiu estas palavras, gritou: Mamãe, mamãe, estou vendo a imagem da Santa Virgem: oh! como ela é bonita; também estou vendo você e estou vendo minhas mãozinhas. A graça foi concedida, a mãe, fora de si de alegria, começa a soluçar, e todas as pessoas a acompanham; e em voz alta agradece à sua Libertadora e anuncia por toda parte a bondade e o poder dela[33].
QUINTO DIA
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me, sem demora.
V. Glória ao Pai…
R. Como era no princípio…
V. Maria, Auxiliadora dos Cristãos.
R. Rogai por nós.
Comunhão frequente
1. Muito terno é o amor que Jesus Cristo tem pelos homens.
Ao longo de toda a sua vida mortal, com palavras e ações, Ele mostrou como os homens são a alegria do seu coração: deliciae meae esse cum filiis hominum[34] [minhas delícias são estar com os filhos dos homens]. Apesar de tudo o que já havia feito, seu coração ainda não estava satisfeito. Ele quis realizar um milagre que pode ser chamado de o resumo de todos os seus milagres: memoriam fecit mirabilium suorum[35] [deixou uma lembrança de suas maravilhas]. Em sua infinita sabedoria, encontrou a maneira de se unir a nós de uma forma inefável, de entrar em nós com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, unir a si nosso corpo e nossa alma tão intimamente que nos tornássemos uma coisa só com Ele e quase um mesmo corpo[36]. Ele encontrou o meio de se deixar comer por nós sem deixar de viver glorioso e imortal: Escam dedit timentibus se[37] [deu o alimento aos que o respeitam]. E como fez isso? Com a admirável instituição da Santíssima Eucaristia.
2. Nosso bom Jesus, na última ceia, depois de ter dito aos seus apóstolos que desejava ardentemente aquele momento[38]; depois de ter-lhes recordado as promessas já feitas de lhes dar como alimento e bebida a sua Carne e o seu Sangue[39], explica-lhes como tinha encontrado o meio de satisfazer os seus desejos. Ele então pega o pão, levanta os olhos para o céu, o abençoa, o parte e o oferece aos seus discípulos, pronunciando estas veneráveis palavras: Recebei e comei: isto é o meu Corpo. Com estas palavras, aquele pão deixa de ser pão para dar lugar ao Corpo real de Jesus Cristo. Perante um prodígio inaudito, os Anjos olham-se atônitos de admiração; os Apóstolos, cheios de fé e comovidos até às lágrimas, obedecem ao convite do bom Mestre, tomam e comem aquele alimento divino, aproximam-se mais intimamente de Jesus e desfrutam pela primeira vez de uma consolação até então ainda não experimentada.
Jesus então pega o cálice, coloca vinho nele, o abençoa e o oferece a eles com estas palavras: Tomem e bebam todos: Este é o meu Sangue[40]. Naquele momento, o vinho deixa de ser vinho e se torna o Sangue preciosíssimo de Jesus Cristo. Mas Jesus ainda não está satisfeito por ter feito este grande dom aos seus apóstolos e por ter se unido tão intimamente a eles. Ele ainda deseja se unir a tantas almas que, de século em século e em todos os lugares da terra, acreditariam Nele e O amariam ternamente. Por isso, naquele momento, Ele mesmo constitui seus Apóstolos como sacerdotes, dá-lhes o poder de fazer o que Ele mesmo fez, pronunciando sobre o pão e o vinho as mesmas palavras. Ele ainda lhes ordena que criem outros sacerdotes dotados do mesmo poder, e assim se sucedam uns aos outros até o fim do mundo, para que Ele, por meio de seu ministério multiplicado em todos os tempos e em todos os lugares, possa se unir a todas as almas e encontrar nelas suas delícias; hoc facite in meam commemorationem: fazei isto em memória de mim. Oh! Dom inefável! Com razão o Concílio de Trento disse que Jesus Cristo, ao instituir este Sacramento, esgotou, por assim dizer, todas as riquezas do seu divino amor pelos homens: Sacramentum hoc instituit, in quo divitias divini sui erga homines amoris velut effudit[41] [Instituiu este sacramento, no qual derramou, por assim dizer, as riquezas do seu amor divino para com os homens]. Jesus, dando-se totalmente a nós como alimento, diz Santo Agostinho, deu tudo o que podia dar como todo-poderoso; tudo o que sabia dar como sapientíssimo; deu tudo o que possuía como infinitamente rico[42]. Mas por que nos dar um dom tão grande? Porque o amor de Jesus não conhece limites. Oh! amor incompreensível! Ó bom Jesus, eu vos admiro, vos agradeço, vos adoro.
3. O que levou Jesus Cristo a instituir este divino sacramento foi o grande desejo de se unir estreitamente a nós para nos enriquecer com graças e salvar as nossas almas. Para nos estimular a recebê-lo frequentemente na sagrada comunhão, Ele nos fez grandes promessas. Prometeu o paraíso àqueles que o recebessem; prometeu a vida eterna, uma ressurreição gloriosa no fim do mundo: Eu sou o pão que desceu do céu, disse ele, quem comer deste pão, que é a minha carne, viverá para sempre, e eu o ressuscitarei no último dia[43]. E para que ninguém se recusasse a aproximar-se desta mesa celestial, Ele chegou a ameaçar com a morte eterna aqueles que se mantivessem afastados: “Em verdade, em verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós”[44]. Por favor! Vinde a mim todos, continua este terno Pai, vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei[45]. Vinde vós, justos e inocentes, e eu vos darei perseverança; vinde também vós, pecadores, desde que vos arrependais dos vossos pecados, decididos a não mais os cometer, e eu igualmente vos acolherei como pai terno; Venham a mim, todos vocês, e eu os restaurarei. Poderia ele dizer mais alguma coisa para nos mostrar o desejo que tem de ser recebido na sagrada Comunhão? – Maria, que conhece profundamente o coração de Jesus, também anseia ardentemente por ver seus devotos frequentemente sentados à mesa dos anjos. Após a Ascensão de Jesus ao céu, ela deu conselhos e exemplos aos primeiros cristãos, que, seguindo seus passos, se aproximavam todos os dias da Santa Comunhão; erant perseverantes in communicatione fractionis panis[46] [eram perseverantes na comunicação da fração do pão]. A Comunhão frequente era o desejo, o sustento e a mais doce consolação dos fiéis em tempos de sangrentas perseguições. Nessa ocasião, a Igreja permitia-lhes também levar para casa, numa preciosa caixinha, uma hóstia consagrada, para que, em caso de perigo de serem capturados pelos carrascos e levados ao martírio, pudessem comungar por si mesmos. Todos os santos sempre recomendaram e frequentaram a sagrada comunhão.
A Santa Igreja sempre incentivou os fiéis a comungarem frequentemente. Eis as palavras registradas no Concílio de Trento: “Seria extremamente desejável que todo cristão fiel se mantivesse em tal estado de consciência que pudesse fazer a santa comunhão sempre que participasse da santa missa[47].” Finalmente, o papa Clemente XIII, para encorajar os cristãos a se aproximarem com frequência da confissão e da comunhão, concede a todos aqueles que têm o louvável costume de se confessar todas as semanas a indulgência plenária todas as vezes que fazem a sagrada comunhão.
Se, portanto, Jesus Cristo estabeleceu a comunhão para nós; se deseja ardentemente que a recebamos com frequência; se os primeiros cristãos com o exemplo, se Maria com o conselho, se a Igreja Católica com a autoridade nos estimulam à comunhão frequente, será que nós, talvez, procuramos pretextos para nos mantermos afastados?
Prática – Receberei frequentemente a sagrada comunhão, especialmente nas novenas e festas de Maria.
Exemplo
Por volta do ano de quinhentos e cinquenta e dois da Era Cristã, aconteceu em Constantinopla um fato muito notável em relação à Comunhão. Era costume naquela cidade procurar nas escolas crianças inocentes para que consumissem as sagradas hóstias do Corpo de Jesus Cristo, quando sobrava alguma coisa da Comunhão dos fiéis. Um dia, por acaso, foi introduzido com os outros o filho de um vidreiro judeu. Questionado pelo pai por ter voltado para casa mais tarde do que o habitual, o menino contou ingenuamente o que tinha feito e comido junto com as crianças cristãs. Furioso com isso, o pai se lançou sobre o filho, amarrou-o e, sem dizer nada a ninguém, jogou-o na fornalha onde se fundia o vidro. A mãe, sem saber o que havia acontecido, estava inquieta e aflita por não ver o querido filho e saiu procurando-o pela cidade. Após três dias de buscas infrutíferas, ela voltou para casa chorando e gritando desesperadamente, quando, ao passar perto da fornalha, ouviu o menino responder aos seus gritos em meio às chamas. Entre o medo e a esperança, ela corre rapidamente, arromba a porta, pede ajuda e, para o espanto de todos, o menino sortudo é retirado são e salvo. Questionado sobre como ele conseguiu permanecer ileso pelas chamas por tanto tempo, ele respondeu que uma mulher vestida de púrpura se aproximava frequentemente dele, trazendo-lhe água para apagar o fogo ao seu redor e boa comida para saciar sua fome. Esse prodígio comoveu toda a cidade. A mãe e o filho abraçaram a religião católica, e o pai, arrependido de seu crime, por ordem do imperador Justiniano, foi condenado à morte[48].
Se Maria (que sem dúvida era aquela mulher vestida de púrpura) prestou uma ajuda tão extraordinária a uma criança que, sem saber o que fazia, recebeu a sagrada comunhão, que graças concederá àqueles devotos que frequentemente e com a devida disposição se aproximam deste divino Sacramento?
SEXTO DIA
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me, sem demora.
V. Glória ao Pai…
R. Como era no princípio…
V. Maria, Auxiliadora dos Cristãos.
R. Rogai por nós.
Pretextos contrários à comunhão frequente e vantagens da mesma
1. O demônio com seus enganos e o mundo com seus pretextos são os que afastam os fiéis da comunhão frequente.
Alguns dizem: Para comungar frequentemente é preciso possuir santidade; eu, porém, não a possuo.
Respondo: Para comungar frequentemente, é preciso possuir santidade; mas não a santidade perfeita que se encontra nos santos mais ilustres e nos mártires; mas aquela que está ao alcance de todos os cristãos; aquela santidade que consiste no estado de graça de Deus, unida à boa vontade de fugir do pecado e servir a Deus. Deus exige essa santidade de todos, mesmo que não comunguem; e se você não a possui, deve esforçar-se para adquiri-la. Se já a possui, você é santo o suficiente para se aproximar da comunhão; aliás, possuindo essa santidade suficiente, você deve receber Jesus Cristo com frequência para fortalecê-la e aumentá-la ainda mais em sua alma. A este respeito, e para evitar outros enganos, lembre-se de que a comunhão não foi estabelecida por Jesus Cristo apenas como recompensa pelas virtudes adquiridas, mas também como meio para as adquirir.
Outro diz: Não ouso ir à Comunhão sem antes me confessar, e não tenho tempo para me confessar todas as vezes.
A este se responde: Não é necessário confessar-se toda vez que se deseja comungar. Há apenas um caso em que é obrigatório confessar-se antes de receber a Hóstia Santa, e é quando se tem consciência de ter cometido um pecado mortal[49]. Ora, as almas cristãs, que frequentemente se aproximam dos Santos Sacramentos, nunca caem, ou muito raramente, em culpa grave. Para os pecados veniais, a confissão não é necessária, e para apagá-los basta fazer um ato de caridade ou de contrição, o sinal da Santa Cruz com água benta, recitar o Pai nosso, ouvir devotamente a Santa Missa e coisas semelhantes. E mesmo que você tenha na consciência algum pecado leve, não deve se angustiar, porque a Igreja declarou que a comunhão preserva do pecado mortal e apaga os pecados veniais: quo liberemur a culpis quotidianis, et a mortalibus praeservemur[50] [para que sejamos libertados das culpas quotidianas e preservados dos pecados mortais]. No entanto, como da confissão bem feita também se recebem muitas graças e ajudas, será bom que nos aproximemos dela de vez em quando, a cada oito ou quinze dias.
2. Outro dirá: Não sinto fervor; pelo contrário, estou sem devoção.
Responde-se: Para fazer bem e com fruto a comunhão, mesmo frequente, não é necessário sentir fervor; pelo contrário, as comunhões feitas na aridez, mas para agradar a Deus, são as mais meritórias. Muitos santos, como São Vicente de Paulo e Santa Teresa, estavam sujeitos à mesma falta de fervor e às distrações; no entanto, nunca deixaram de lado suas práticas de piedade, especialmente a santa comunhão. Embora tíbio, diz São Boaventura, aproxime-se com confiança, porque quanto mais estiver doente, mais precisará do médico: Licet tepide, accede fiducialiter, quia quo magis aeger, magis indiges[51] [Embora debilmente, aproxime-se com confiança, pois quanto mais doente, mais precisas].
Outros acrescentam: Não ouso mais comungar com frequência, porque sempre recaio nos mesmos erros.
Mas se você se abstiver de frequentar a Comunhão, recairá mais facilmente, e talvez em faltas maiores: porque, abstendo-se do pão dos fortes, aumentará cada vez mais sua languidez e acabará por morrer. Ouça, portanto, o que diz a este respeito Santo Ambrósio: Eu peco todos os dias, todos os dias, portanto, preciso tomar o remédio: quotidie peco, quotidie remedio indigeo[52]. Não devemos esquecer que a comunhão, mesmo diária, nos preserva dos pecados mortais, mas não nos torna impecáveis. Por isso, procuremos ter o coração desapegado da culpa, uma boa vontade de amar e servir a Deus, e então não nos perturbemos com os defeitos diários. A santa comunhão nos purificará pouco a pouco, dando-nos também a força para evitar grande parte deles.
3. Alguns costumam dizer: Não é necessário comungar frequentemente: a Igreja o ordena uma vez por ano.
Ouça a resposta: Jesus Cristo, Rei do céu e da terra; Jesus Cristo, Amor, Deleite de todos os santos, deseja que nós comunguemos com frequência. Por que então procurar saber se essa frequência é necessária ou não? Você conhece e ama Jesus? Então satisfaça os seus desejos.
É verdade que a Igreja ordena que comunguemos pelo menos uma vez por ano, mas não proíbe que o façamos com mais frequência; pelo contrário, deseja-o. Preste atenção à palavra “pelo menos”, com a qual expressa o seu mandamento, e compreenderá cada vez melhor a sua intenção. A Igreja é como uma mãe, que sabe que o filho precisa comer frequentemente para se manter forte e não morrer, mas não pode obrigá-lo a isso. O que faz então? Sob pena de grave castigo, ela o obriga a comer pelo menos uma vez de vez em quando, na esperança de que, mais tarde, ele tenha apetite, se sinta induzido a comer com mais frequência e, assim, se mantenha vivo. Portanto, o mandamento da comunhão anual é feito para os preguiçosos e indolentes.
Devemos imitar tantos pais e mães de família, servos e servas, tantos artesãos e camponeses que suam o dia inteiro em seus trabalhos; que se levantam de manhã cedo, vão à igreja, comungam, dão o devido agradecimento e depois voltam para casa para suas tarefas, sem que nada os perturbe. O que eles fazem, nós não poderíamos fazer também?
Mas que regra você poderá seguir ao frequentar a Comunhão? Pergunte isso ao seu confessor, que não poderá deixar de lhe dar conselhos sensatos. São muito poucos os cristãos aos quais não se pode aconselhar e permitir a Comunhão todas as semanas. São Filipe Néri recomendava confessar-se a cada oito dias e comungar ainda mais frequentemente, segundo o conselho do diretor espiritual. A Eucaristia, diz São Agostinho a esse respeito, é o pão de cada dia; receba-a, portanto, todos os dias, para que todos os dias lhe seja útil. Viva, porém, de tal maneira que todos os dias você possa recebê-la. Santo Tomás acrescenta: “Quando alguém sabe por experiência que a Comunhão diária faz crescer em seu coração o amor a Deus, deve comungar todos os dias”[53].
Assim fazia também a Santíssima Virgem após a Ascensão de seu Filho ao céu. Ela ouvia todos os dias a Santa Missa, que na maioria das vezes era celebrada pelo Apóstolo João, e das mãos dele recebia então seu amado Jesus.
Prática. – Vou fixar alguns dias da semana ou do mês para fazer a Santa Comunhão em honra de Maria.
Exemplo
São inúmeras as graças obtidas com a novena em honra de Maria Auxiliadora e com a aproximação à Santa Comunhão para torná-la mais agradável e eficaz. Aqui está um fato que o prova com evidência. Em 8 de agosto de 1858, escreveram de Carignano o seguinte: “Já se passavam cinco meses desde que minha mãe sofria de dores de cabeça muito intensas. Às vezes, ela se sentia tão oprimida que, perdendo o uso das faculdades intelectuais, ficava delirante. Naquele estado miserável, ora chorava, ora suspirava; ora convidava-nos, que morávamos com ela, a ajudá-la com algum conforto. Não restava outra coisa a fazer senão recorrer com confiança a Maria Auxiliadora, como outros parentes e amigos nossos haviam feito. Por isso, decidimos fazer uma novena, que logo começamos, aproximando-nos dos Santos Sacramentos da confissão e da comunhão. Isso aconteceu no dia 24 de junho. A partir daquele dia, minha mãe teve uma melhora tão grande que se podia dizer que estava curada. A novena ainda não havia terminado e ela já estava de volta à perfeita saúde. A convite de minha mãe, de minha família, dos vizinhos e de outras pessoas sábias e influentes, apresento-me para expressar a gratidão comum ao Senhor com este relato, pedindo que seja publicado, para que em todos os lugares se conheça e invoque o poder de Maria Auxiliadora dos cristãos[54].
SÉTIMO DIA
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me, sem demora.
V. Glória ao Pai…
R. Como era no princípio…
V. Maria, Auxiliadora dos Cristãos.
R. Rogai por nós.
A Santa Missa
1. Quer saber, ó devoto cristão, o que é a Missa? A Santa Missa é a ação mais grandiosa que pode ser realizada neste mundo; é o ato mais sublime e excelente em si mesmo, o mais agradável a Deus, o mais vantajoso para nós. A Missa é a continuação e a renovação do que Jesus Cristo fez na última ceia, quando com sua palavra onipotente transformou o pão em seu Corpo e o vinho em seu Sangue preciosíssimo. Na véspera de sua morte, Jesus celebrou com seus apóstolos a primeira Missa, com a ordem de que fosse renovada até o fim do mundo: Hoc facite in meam commemorationem [Fazei isto em memória de mim]. – A Santa Missa, além de ser uma continuação e renovação do maravilhoso milagre operado naquela noite memorável, é ainda a continuação e renovação do sacrifício da cruz, que Jesus Cristo fez de todo o seu ser para apaziguar a justiça divina, indignada contra nós, para nos fechar o inferno e nos abrir as portas do Paraíso. Sim, ali, no altar, está o mesmo corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo, tornado presente pelas palavras da consagração proferidas pelo sacerdote sobre o pão e o vinho; e ali, assim como no Calvário, Jesus está no ato de vítima que se oferece ao Pai Eterno pela nossa salvação. Uma única diferença, não na substância, mas apenas na forma, ocorre entre o sacrifício da cruz e o do altar, e é que aquele foi sangrento, isto é, com derramamento de sangue, este é incruento, isto é, sem derramamento de sangue. Mas a vítima é a mesma, e o valor é igual. Assim, na celebração da Santa Missa, representa-se o que toda Jerusalém já viu na Sexta-feira Santa, o que os judeus contemplaram; o que, entre tantos espasmos, Maria dolorosamente contemplou aos pés da cruz; o que fez escurecer o sol, tremer a terra, rachar as montanhas; enfim, o que nos fechou o inferno e nos abriu as portas do Paraíso, que é o mesmo que dizer: Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, morto na cruz para nossa salvação. Oh! Quem pode explicar a excelência da Missa? Os próprios anjos não são capazes disso e permanecem em silêncio, cheios de reverência.
2. Sendo o sacrifício da Missa idêntico ao da cruz, segue-se que uma única Missa presta a Deus uma homenagem, um louvor, uma glória superior a todas as homenagens, honras e louvores que lhe foram e lhe serão prestados pelos anjos do céu e pelos homens sobre a terra até ao fim do mundo. Já se passaram seis mil anos desde que existem no mundo almas piedosas e santas. Quem pode dizer a honra que elas prestaram a Deus durante todo esse tempo com suas adorações? Faz mais de mil e oitocentos anos que Jesus Cristo abriu as portas do céu e introduziu nele as almas dos justos primitivos, e desde então continua todos os dias a recolher os bons que passam desta vida. Quantos louvores já terão prestado a Deus todos estes espíritos bem-aventurados! Juntemos também as homenagens, os louvores, as adorações que já prestaram e ainda prestarão a Deus os nove coros dos espíritos celestiais, os Querubins, os Serafins, as Virtudes, os Principados, as Potestades, os Tronos, as Dominações, os Arcanjos, os Anjos; juntemos ainda os louvores de todos os santos que existiram e existirão, dos patriarcas, dos profetas, dos apóstolos, dos mártires, dos confessores, das virgens e de todos os justos. Que honra sublime! Que glória imensa para Deus! E, no entanto, superior a tudo isso é a honra e a glória que uma única missa presta a Deus. E por quê? Porque todos esses espíritos angelicais, todos esses santos, são criaturas finitas; a honra que rendem a Deus com suas adorações e louvores não pode ultrapassar os limites da criação e do finito; ao contrário, na Santa Missa, Aquele que adora, honra e glorifica a Deus é Jesus Cristo, o próprio Deus, e por isso a honra e a glória que Lhe rende têm um valor infinito. Oh! Então, por que temer se não sabemos louvar e honrar a Deus com nossas orações como convém? Celebremos ou, pelo menos, ouçamos devotamente a Santa Missa, e teremos a certeza de honrar e glorificar a Deus, tanto quanto nosso dever exige e Sua infinita Majestade requer.
3. Mas se, por um lado, a Santa Missa rende a Deus honra infinita, por outro lado, ela nos traz todo tipo de bens. Ela é o canal misterioso pelo qual Jesus Cristo nos aplica os frutos de sua paixão e morte, e nos comunica todas as graças que nos mereceu; ela é o arco da paz que apazigua a ira de Deus; é a chave de ouro que nos abre os tesouros de todas as bênçãos celestiais: omni benedictione coelesti et gratia repleamur, [sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do céu] como se expressa a Igreja na celebração da Santa Missa. O sacrifício da Missa é propiciatório, ou seja, torna Deus propício para conosco, embora indignado por nossos pecados, e faz com que Ele deixe cair de suas mãos, por assim dizer, os raios que já estava prestes a lançar sobre nossas cabeças. Quantos pecadores receberam o dom da penitência e da conversão por terem celebrado ou ouvido devotamente a Santa Missa! Com razão, a Igreja nos ensina que, pela Santa Missa, Deus se apazigua e, concedendo a graça e o dom da penitência, perdoa crimes e pecados, mesmo os mais graves: Huius quippe oblatione placatus Dominus, et gratiam et donum poenitentiae concedens, crimina et peccata, etiam ingentia, dimittit[55] [Com esta oferta, de fato, o Senhor, aplacado, concedendo a graça e o dom da penitência, perdoa crimes e pecados, mesmo enormes]. Para os justos, além das faltas veniais, o sacrifício do altar perdoa ainda a pena temporal devida pelos seus pecados.
Além disso, a Santa Missa não só nos obtém bens espirituais, mas também temporais, quando são benéficos para a salvação da alma. Per auditionem Missae, diz São Gregório Magno, homo liberatur a multis malis et periculis [pela participação na missa o homem é libertado de muitos males e perigos]. Portanto, por meio deste santo sacrifício, obtém-se a saúde dos doentes, o socorro adequado aos pobres abandonados, o afastamento dos males que continuamente assolam nossa vida para todos os tipos de aflitos. Santo Agostinho relata muitos favores temporais obtidos em sua época por meio da missa e acrescenta que aquele que a escuta devotamente não perecerá de morte violenta: Qui Missam devote audierit, subitanea morte non peribit [Quem ouvir a Missa devotamente, não perecerá de morte repentina] E São Leonardo de Porto Maurício exclama: «Creio que, se não fosse a Santa Missa, o mundo já teria sucumbido às suas iniquidades. A Missa é o poderoso apoio que o mantém de pé[56]».
Este sacrifício sagrado também beneficia as almas do purgatório; na verdade, é o meio mais eficaz para aliviar essas almas de suas penas, diminuir o tempo de seu exílio e introduzi-las mais rapidamente no reino bem-aventurado[57]. Portanto, faremos algo muito agradável a Maria se, ao ouvir frequentemente a Santa Missa, aplicarmos os seus méritos às almas do purgatório, que em sua vida mortal foram mais devotas desta augusta Rainha do céu.
Prática. – Ouvirei devotamente a Santa Missa todos os dias festivos e também feriais, se os deveres do meu estado o permitirem.
Exemplo
No ano de 1868, uma senhora de Milão foi acometida por uma paralisia que a deixou à beira da morte, com a ameaça de novos ataques. Reduzida assim ao extremo da vida, seus parentes, animados por outros fatos que haviam ouvido narrar, e não esperando mais conforto dos meios humanos, recorreram à ajuda do Céu, à proteção de Maria, Auxílio dos Cristãos. Para esse fim, foram solicitadas orações especiais que, em casos graves, costumam ser feitas na igreja de Maria Auxiliadora, em Turim, e foi decidido que no dia seguinte seria celebrada a Santa Missa para a doente no altar dedicado a ela. Por volta das sete da manhã, começou a Santa Missa em Turim, e os parentes e amigos da doente estavam ajoelhados em torno de seu leito com a intenção de se unirem ao sacerdote celebrante e ouvirem a Santa Missa à distância. Rezavam para que a pobre doente se recuperasse pelo menos o suficiente para poder receber os Santos Sacramentos. A sua oração chegou ao trono de Deus. Por volta das sete e meia, no momento em que terminava a Santa Missa, eis que a doente volta a si, abre os olhos, retoma a fala, começa a mover o braço paralisado, depois a perna e, finalmente, todo o corpo. No início, os presentes temem que seja um esforço momentâneo da natureza ou um sinal de delírio. Mas seu medo logo se transformou em alegria viva, quando a doente se sentou na cama e disse claramente: “Estou totalmente curada”. Ela então pediu suas roupas e, na mesma manhã, levantou-se, foi à igreja para agradecer a Deus e à sua Santíssima Mãe e para fazer a sagrada comunhão. A afortunada senhora escreveu ela mesma o relato deste fato e termina com as seguintes palavras: “Desejo que este fato receba a maior publicidade, para que todo o mundo conheça a graça que obtive de Maria Auxiliadora e que assim seu santo Nome seja cada vez mais invocado e bendito”[58].
N. B. Enquanto imprimimos este livreto, chega uma carta do pároco de Arosio, cidade da Lombardia, que se refere a este assunto. O seu conteúdo é o seguinte.
Arosio, 23 de março de 1870.
Perdoe-me, Sr. Diretor, se me atrevo a escrever-lhe esta carta para lhe dar a boa notícia da minha cura.
No dia 29 deste mês, completará um ano desde que fui subitamente acometido por uma doença que me privou de todos os sentidos, que foi considerada mortal pelos médicos logo nos primeiros dias, e que diziam que para curá-la seria necessário um milagre. Mas uma pessoa, assim que soube da minha desgraça, apressou-se em lhe dar notícias do meu caso, pedindo-lhe que se lembrasse de mim nas orações que se fazem na igreja de Maria Auxiliadora e que celebrasse ali uma Santa Missa em sua honra e glória, para obter de Deus as graças de que eu tanto precisava. Ela assumiu as tarefas que lhe foram confiadas e, no terceiro dia da minha doença, durante a celebração da Santa Missa, comecei a dar sinais de vida, exclamando: Oh Maria! Eis o milagre. Foi o que me disse o meu coadjutor, que estava ao meu lado. A partir daí, as coisas correram sempre bem, pelo que agora posso dizer que estou curado, de tal forma que posso celebrar a Santa Missa. Agradeci e continuo a agradecer a Deus Todo-Poderoso, bom e misericordioso, pelo precioso dom da saúde que me concedeu. Agradeci a Maria Santíssima, Auxiliadora dos Cristãos, e a todos os bons que rezaram por mim. Obrigado a todos. Obrigado por todos os dias da minha vida!
OITAVO DIA
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me, sem demora.
V. Glória ao Pai…
R. Como era no princípio…
V. Maria, Auxiliadora dos Cristãos.
R. Rogai por nós.
Honrar Jesus Sacramentado nas solenidades, nas procissões, no acompanhamento do Santo Viático e nas visitas à igreja
1. Para honrar a Jesus no Santíssimo Sacramento, a Santa Igreja celebra ao longo do ano grandes solenidades, como a da Quinta-feira Santa e especialmente a do Corpus Christi com oitava, e também as Quarenta Horas. Nestes dias, ela se esforça por honrar o seu Esposo celestial e gostaria de lhe prestar toda a honra e glória que Lhe são devidas. Mas, como uma mãe piedosa, ela convida todos os seus filhos a se unirem a ela, para que seja maior a homenagem que se deseja prestar à divina Majestade exposta neste augusto Sacramento. A Igreja enfeita nesses dias os templos e os altares com os ornamentos mais ricos; queima os incensos mais agradáveis; multiplica as luzes e as lâmpadas. Mas sabe, por outro lado, que para Jesus os ornamentos mais belos são as almas em graça, os incensos mais agradáveis são as suas orações, as luzes e as lâmpadas mais brilhantes são os corações que palpitam de amor por Jesus. Nós, portanto, ó cristãos, para corresponder aos desejos e convites maternos da Santa Igreja, devemos nos unir para honrar e adorar Jesus da melhor maneira possível e mostrar de quanta veneração e amor estão cheios nossos corações por Ele. As solenidades do Santíssimo Sacramento são para Jesus o que as festas são para os príncipes temporais. Nas festas de um príncipe da terra, observe o que fazem os bons súditos; observe os atos de reverência que lhe prestam. A alegria e o entusiasmo manifestam-se entre eles especialmente na capital e em torno do palácio real. E nós, por nossa vez, faremos menos por Jesus, Rei dos reis, Príncipe do Céu e da terra, nosso amigo, nosso irmão, nosso pai? Isso seria uma falta muito grave e desonrosa para um cristão, muito dolorosa para o coração do amável Jesus.
Por isso, nestes dias solenes, vamos adorá-lo junto ao seu trono e, pela manhã, procuremos recebê-lo em nosso coração por meio da Santa Comunhão.
2. Além das solenidades, há outras circunstâncias em que há oportunidade de honrar Jesus Sacramentado; e é quando se fazem procissões solenes ou é levado como viático aos enfermos. Um bom cristão, portanto, deve então fazer questão de acompanhá-lo e fazer-lhe cortejo. Sim, acompanhemo-lo de bom grado nas procissões, que são como os Seus triunfos neste mundo, e unamo-nos devotamente aos anjos que O rodeiam. Acompanhemo-lo também quando, cheio de bondade, Ele é levado pelas mãos do Seu ministro para visitar os Seus amigos doentes, para consolá-los nas suas dores, para ajudá-los na grande passagem para a eternidade[59]. Em um reino, aqueles que estão destinados a acompanhar o príncipe em suas viagens e visitas consideram-se muito honrados. Por que não faremos o mesmo com o Rei do céu? Imitemos os dois discípulos de Emaús. Eles acompanharam Jesus por um bom trecho do caminho, conversando com Ele em santas conversas, ouvindo com atenção e prazer as suas palavras, embora não O conhecessem. O que mais teriam feito se, desde o início, tivessem reconhecido nele o seu bom Mestre[60]? Aqueles que acompanham devotamente Jesus no Sacramento imitam desde já aquele coro glorioso de Virgens, visto por São João, que no Céu seguem o divino Cordeiro por onde quer que ele vá: sequuntur Agnum quocumque ierit[61].
3. Mas não basta mostrarmo-nos devotos de Jesus no Sacramento nas suas solenidades, acompanhá-lo quando Ele se move para abençoar as nossas casas ou consolar os enfermos. Devemos também ir adorá-lo nas igrejas, onde nos espera dia e noite. Ele poderia ter se deixado estar presente apenas na Hóstia durante a Santa Missa, ou no ato em que vamos recebê-lo na Comunhão; mas não; ele quis estar continuamente em nossas igrejas, para que, como para uma mãe terna, pudéssemos correr para seus braços, se fosse possível, a todo momento. Ele está lá para nos conceder as graças mais notáveis; está lá, em suma, para nos atrair para o seu amor na terra e depois nos ter consigo no Paraíso. Vamos, portanto, visitá-lo frequentemente. Os amigos do mundo encontram tanta alegria entre si que, por vezes, perdem dias inteiros para ficarem juntos. E por que não encontraremos algumas horas do dia para nos entretermos com o melhor dos amigos? Oh! Quão doce é a companhia de Jesus! Maria e José foram os primeiros a experimentá-la. Na companhia de Jesus, eles saboreavam o Paraíso; e, ao contrário, mergulharam na mais afligente desolação nos três dias em que Ele se manteve escondido deles: Ecce, disse-lhe Maria, pater tuus et ego dolentes quaerebamus te[62] [teu pai e eu te procurávamos aflitos]. Quem pode expressar a alegria que São João sentiu na última ceia, quando, na companhia de Jesus, ou melhor, mais perto dele, pôde descansar a cabeça sobre o seu peito divino, como uma criança no seio da mãe?[63]. Ora, semelhante a essa é a alegria que se sente ao estar na companhia de Jesus no Sacramento. De fato, todos os santos sempre encontraram nisso as mais requintadas consolações. A São Luís Gonzaga, devido à sua saúde frágil, foi proibido permanecer diante de Jesus Sacramentado. O jovem santo obedecia; mas quando tinha que passar diante do Sacramento, sentia-se tão fortemente atraído a parar que era obrigado a romper nesta oração: Ó Jesus, deixe-me ir, deixe-me ir. São Francisco Xavier, quando estava nas Índias, depois de passar o dia ajudando as almas, passava grande parte da noite diante do Santíssimo Sacramento, onde encontrava seu descanso, ou melhor, o Paraíso antecipado. O mesmo fazia São João Francisco Regis, que, encontrando às vezes a igreja fechada, consolava-se permanecendo ajoelhado diante da porta, mesmo com frio, vento e chuva. – Quantas almas boas, ainda hoje, encontram o mais doce prazer em permanecer horas diante do Santíssimo Sacramento! Um dia, perguntaram a um jovem piedoso por que ia tão frequentemente à igreja e passava lá a maior parte do tempo da recreação. Ele respondeu: “Na igreja, onde está Jesus, está o Paraíso; por isso, prefiro estar no Paraíso a estar em qualquer outro lugar[64]”. Oh, sim, meu Jesus, Vós, juntamente com Maria Auxiliadora, sereis doravante o meu único Bem, a minha única Delícia.
Prática. – Irei acompanhar devotamente o Santíssimo Sacramento e visitá-lo frequentemente nas igrejas.
Exemplo
O nome de Maria Auxiliadora ressoa agora glorioso até nos países mais distantes. A China é um deles. Parece realmente que Deus quer atrair para si o mundo inteiro por meio dos prodígios operados em favor dos infiéis por intercessão de sua divina Mãe. Eis o que se lê no Museu das Missões Católicas de Turim[65]: «A Santíssima Virgem, sempre propícia para com aqueles que a invocam, demonstra agradar-se mais quando é invocada com o título de Maria Auxiliadora. Eis dois fatos que demonstram quão poderosa é a intercessão de Maria invocada sob este título. Uma mulher cristã estava há muito tempo paralítica de um braço, tinha usado todos os meios prescritos pelos médicos, mas sem obter qualquer alívio para o seu mal. No ano passado, na inauguração da capela de Zoo-Sai, o marido dessa pobre enferma fez uma peregrinação por ela, enquanto ela começava em casa uma novena com a mesma intenção. Sua esperança não foi frustrada, pois ao final dos nove dias ela se sentiu imediatamente melhor e, em pouco tempo, estava perfeitamente curada. Outra cristã há várias semanas não conseguia se alimentar. No mês de maio, ela fez uma peregrinação à capela de Zoo-Sai em honra a Maria e, assim que ouviu a missa e comungou, recuperou as forças perdidas e pôde se alimentar abundantemente. A partir de então, seu estado foi melhorando cada vez mais, até que ela passou a gozar de excelente saúde[66].
NONO DIA
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me, sem demora.
V. Glória ao Pai…
R. Como era no princípio…
V. Maria, Auxiliadora dos Cristãos.
R. Rogai por nós.
Consolações do devoto de Maria no momento da morte
1. Entre os meios mais seguros para obter uma boa morte está a devoção a Maria. No momento da morte, Maria consola seus devotos, aliviando-os em seus males, consolando-os, libertando-os de seus medos; consolando-os, infundindo em seus corações uma doçura requintada.
Você sabe, ó devoto cristão, que Maria é uma mãe muito terna, uma mãe que nos foi dada por Jesus em um excesso de amor por nós. Por isso, Ela sempre nos assiste amorosamente em todas as vicissitudes da vida, nos defende de tantos perigos da alma e do corpo. Mas se Maria protege seus devotos durante a vida, muito mais os protege quando os vê próximos do grande passo da eternidade. Oh! Então, com a devida proporção, Ela faz com eles o que uma boa mãe faz com seu filho doente. Essa mãe terrena o assiste durante o dia, vigia-o à noite, acaricia-o, procura de todas as maneiras possíveis aliviar seu mal e, se pudesse, morreria ela mesma para salvar sua vida. Agora, se uma mãe terrena usa tanta solicitude com seu filho doente, o que fará Maria, a mãe mais amorosa e terna, para com seus devotos? Oh! Sim, não só pela alma, mas também pelo corpo, Ela os assiste, os alivia, os consola naquele momento terrível. Se as doenças não fossem um meio de salvação e de méritos, se a própria morte não fosse uma condição necessária para entrar no Céu, oh! não, nenhum devoto de Maria jamais adoeceria, nem morreria. Mas isso não pode acontecer, porque, tendo sofrido e morrido o próprio Filho de Deus, tendo sofrido e morrido a própria Maria, é necessário que, no final, também os seus devotos sofram e morram. Mas a morte deles é antes um sono muito doce, porque isento de angústia e cheio de alegria.
2. As coisas que costumam angustiar um moribundo são especialmente três: os pecados da vida passada; os ataques dos inimigos presentes; e o iminente comparecimento ao tribunal divino. Estas três causas de temor não podem ocorrer para um devoto de Maria. Os pecados da vida passada não podem afligi-lo, porque, sendo sinceramente devoto de Maria, ele os confessou e, por sua poderosa intercessão, certamente obteve o perdão total. Ela mesma revelou isso a Santa Brígida com estas palavras: “Por mais que alguém tenha pecado, se com verdadeira emenda voltar para mim, estou pronta para recebê-lo. Eu não olho para os pecados que ele traz, mas apenas se ele vem com boa vontade; porque eu sou chamada, e verdadeiramente sou a Mãe da misericórdia”. Oh! Convençamo-nos de que não é sem razão que Maria é proclamada pela Igreja Virgem doce, clemente e piedosa, o clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria; não é sem razão que ela é invocada como Refúgio dos pecadores: Refugium peccatorum. Maria é aquela arca feliz, onde quem se refugia, diz São Bernardo, não sofrerá o naufrágio da perdição eterna: Arca in qua naufragium evadimus. [arca na qual evitamos o naufrágio] A devoção a Maria, proclama São Bernardo, é um sinal certíssimo da salvação eterna: certissimum signum salutis aeternae[67]. E Santo Afonso de Ligório repetia frequentemente: «Se sou devoto de Maria, tenho a certeza do Paraíso». O que mais? O poder e a bondade de Maria, diz Santa Brígida, são tão grandes que obteriam o perdão até mesmo para Lúcifer, se este fosse capaz de se recomendar a Ela. O que, então, poderá temer um seu devoto, mesmo que tenha sido um pecador? Se, à beira da morte, ele tivesse alguma razão justa para temer, Maria saberia lhe dar o meio para ajustar bem as contas de sua alma; e se medos vãos viessem a assaltar seu coração, Ela saberia dispersá-los e infundir-lhe, em vez disso, a mais doce confiança. Já se viu grandes pecadores morrerem tão contentes, como se tivessem sido anjos de inocência durante a vida. E por quê? Porque, por meio de Maria, voltaram para Deus e continuaram a mostrar-se verdadeiramente seus filhos devotos.
Nem mesmo o devoto de Maria poderá ser angustiado pelos ataques dos inimigos presentes. É verdade, como diz São João Apóstolo, que o demônio virá até nós no momento da morte com grande ira, sabendo que lhe resta pouco tempo: descendit ad vos diabolus habens iram magnam, sciens quod modicum tempus habet[68]; mas ao nosso lado ele encontrará Maria, de cuja presença, aterrorizado, terá que se afastar. O devoto de Maria, que durante a vida costumava recomendar-se a Ela, chegando ao fim, lançar-se-á com maior confiança nos seus braços amorosos, como uma criança nos braços da mãe. E se Maria está conosco, diz Santo Antonino, quem poderá estar contra nós? Oh! Sim; no seio desta Mãe amável, adormeceremos placidamente, para despertar com Ela no Céu.
Nem mesmo o devoto de Maria, à beira da morte, sentirá medo do iminente comparecimento perante o divino Juiz. Pois o Juiz é o próprio Filho de Maria, e Maria, no divino tribunal, é a advogada de seus devotos: Advocata nostra. Certamente Jesus Cristo nunca condenará uma alma patrocinada por Maria, sua querida mãe.
3. Banida, portanto, do leito de morte toda causa de temor, só haverá lugar para toda razão de alegria. Sim, Maria, com suas amabilidades, saberá, desde então, fazer com que seu devoto desfrute de uma amostra do Paraíso. Não raro, no momento da morte, Maria costuma consolar seus devotos, aparecendo visivelmente a eles. Este é o sentimento de São Boaventura, de São Carlos Borromeu, de Santo Afonso e de muitos outros. Quão verdadeiro isso é, experimentaram, entre outros, Santa Clara, São Filipe Néri, São Félix Capuchinho, Santa Teresa, São Pedro de Alcântara e São João de Deus. Este último esperava na morte, com confiança filial, uma visita de Maria, sua terna mãe, e, não a vendo aparecer, já se afligia, quando eis que Maria lhe apareceu com semblante paradisíaco e lhe disse: Ó João, não é meu costume abandonar meus devotos nesta hora: Ioannes, non est meum in hac hora meos devotos derelinquere. Pouco depois, o santo expirou nos braços daquela que tanto amara em vida[69].
Mas, embora Maria não se mostre visivelmente a todos os seus devotos, é certo que Ela está ao lado deles no momento da morte. Maria mesma assegurou isso a Santa Brígida com estas palavras: «Eu, que sou uma Mãe muito amorosa, quero estar presente na morte de todos aqueles que me serviram, quero protegê-los, quero consolá-los[70].» Ela faz com que eles sintam a sua proximidade, infundindo em seus corações as mais doces consolações. «Ó meu pai, dizia um devoto de Maria na hora da morte, ó meu pai, se soubesse a alegria que sinto por ter servido e amado a grande Mãe de Deus! Não sei explicar a alegria que sinto neste momento.» Portanto, ó cristão, procuremos amar esta celestial Benfeitora; recomendemo-nos frequentemente ao seu patrocínio em vida, e então teremos a certeza de que doce será a nossa morte, seguida de uma eternidade bem-aventurada.
Prática. – Vou me preparar para fazer amanhã uma santa comunhão em honra de Maria, pedindo-lhe a graça de poder receber os santos sacramentos na hora da morte.
Exemplo
Eu poderia citar muitos exemplos que confirmam o quanto Maria é solícita em correr em auxílio de seus devotos na hora da morte. Escolho um entre mil, narrado por Santo Afonso de Ligório[71]. Adolfo, conde da Alsácia, depois de ter passado parte de sua vida de forma um pouco libertina, iluminado um dia pela graça divina, converteu-se, abandonou o mundo e seus prazeres e tornou-se religioso. Frequentemente protestava que queria viver e morrer no amor e no serviço de Maria, Esperança e Refúgio dos pecadores. Mas, chegando ao fim de seus dias e diante da morte, foi tomado por um grande terror. Lembrou-se dos pecados cometidos na juventude, do rigor do julgamento divino e, com essa consideração, começou a tremer fortemente pela dúvida de sua salvação eterna. Mas a Santíssima Virgem, que não dorme nas angústias de seus devotos, não o deixou naquele doloroso estado. Pois, acompanhada por muitos santos, ela se apresenta ao moribundo, alegra-o com sua beleza do Paraíso e o conforta com estas palavras: Adulphe, mi carissime, mors cur times, meus cum sis? Adolfo, meu querido, você é meu, você se consagrou a mim, e agora por que teme a morte? Ao ver isso e ouvir essas palavras, Adolfo sentiu seu coração inundado de paz e alegria, fez um esforço para se lançar nos braços de Maria e, nesse ato de amor, sua alma expirou. Oh! Morte feliz! Oh! Que a minha morte seja semelhante a esta!
Festa de Maria Auxiliadora
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me, sem demora.
V. Glória ao Pai…
R. Como era no princípio…
V. Maria, Auxiliadora dos Cristãos.
R. Rogai por nós.
1. Para que, ó devoto cristão, você possa participar melhor da solenidade deste dia tão auspicioso, considero oportuno expor-lhe brevemente sua história. O sumo pontífice São Pio V, desde 1571, em memória da prodigiosa vitória de Lepanto, proclamou Maria: Auxílio dos Cristãos. Posteriormente, vários pontífices confirmaram o mesmo título e, com zelo apostólico, empenharam-se em difundir a devoção a Maria Auxiliadora. Assim, Inocêncio XI, no ano de 1684, aprovou uma confraria constituída em Munique, sob o título de Maria Auxiliadora. Pio VI, no ano de 1798, aprovou uma nova companhia sob o mesmo título, estabelecida em Turim, cidade sempre muito devota a Maria.
Mas ainda faltava uma coisa: um dia do ano destinado especialmente a honrar Maria Auxiliadora, ou seja, uma festa com rito, missa e ofício aprovados pela Igreja. Para que os sumos pontífices se decidissem por esta importante instituição, era necessário algum fato extraordinário, que não tardou a se manifestar. A maneira maravilhosa como o papa Pio VII foi libertado de seu cativeiro é o grande acontecimento que deu origem ao estabelecimento da festa de Maria Auxiliadora dos Cristãos.
2. O imperador Napoleão I, depois de oprimir o soberano Pontífice de várias maneiras, pediu-lhe coisas que, em consciência, ele não podia conceder. À corajosa recusa, o imperador respondeu com violência e sacrilégio. O papa foi preso e levado para Savona, onde o glorioso Pontífice passou mais de cinco anos em prisão severa. Mas, como onde está o Papa está o Chefe da Igreja, Savona tornou-se, de certa forma, outra Roma. Tantas demonstrações de afeto despertaram a inveja do imperador, que, querendo humilhar o Vigário de Jesus Cristo, ordenou que ele fosse transferido para Fontainebleau, um castelo não muito distante de Paris. Enquanto o Chefe da Igreja gemia prisioneiro, aos cristãos não restava mais do que imitar os fiéis da Igreja primitiva, quando São Pedro foi mantido prisioneiro, ou seja, rezar. O venerável Pontífice rezava, e com ele rezavam todos os católicos, implorando a ajuda daquela que é chamada de grande proteção na Igreja: magnum in Ecclesia praesidium. Acredita-se comumente que o Pontífice prometeu naquela época à Santa Virgem instituir uma festa para honrá-la sob o augusto título de Auxílio dos Cristãos, caso pudesse retornar a Roma ao trono papal. Entretanto, a sorte que até então sorria para o terrível imperador começou a se voltar contra ele. Depois de fazer ressoar seu temido nome por toda a terra, Napoleão quis levar suas armas às regiões mais frias da Rússia. Ele acreditava encontrar lá novos triunfos, mas encontrou sua ruína. Maria, movida pela piedade dos gemidos de Pio VII e pelas orações de tantos de seus filhos, mudou em poucos dias o destino da Europa e do mundo inteiro. O rigor do inverno, a estratégia dos russos e a infidelidade de muitos generais franceses frustraram as esperanças de Bonaparte, que em poucos dias viu seu exército derrotado. Dos mais de seiscentos mil soldados que compunham seu exército, apenas cinquenta mil conseguiram se salvar; os demais pereceram. O próprio imperador teve que fugir às pressas, retirar-se para Paris e, pouco depois, entregar-se prisioneiro nas mãos dos ingleses.
Com a queda de Napoleão, a justiça pôde novamente seguir seu curso. Pio VII foi imediatamente libertado, e Roma o recebeu com grande alegria. O Santo Padre, vendo seus votos atendidos, cheio de gratidão para com sua Libertadora celestial, quis dar-lhe um sinal público e perpétuo de gratidão. Para esse fim, instituiu a festa de Maria Auxilium Christianorum, a ser celebrada todos os anos no dia 24 de maio. Este dia foi escolhido porque foi precisamente em 1814 que ele foi libertado e pôde regressar à sua Sé, entre os aplausos de todos os católicos.
3. O glorioso pontífice Pio VII, enquanto viveu, promoveu o culto a Maria Auxiliadora; aprovou associações e confrarias dedicadas a Ela; concedeu muitas indulgências às práticas de piedade em Sua honra. Os pontífices sucessores continuaram a promover o culto a Maria sob o belo título de Auxílio dos Cristãos. O próprio Papa atual, Pio IX, zeloso promotor da honra devida à augusta Mãe de Deus, empenhou-se para que, com sua proteção especial, fosse erguida em Turim uma igreja dedicada a Maria Auxiliadora. Por decreto de 22 de maio de 1868, ele concedeu indulgência plenária a qualquer pessoa que, arrependida, tendo-se confessado e comungado, visitasse a referida igreja, para ser lucrada no dia da festa de 24 de maio ou em outro dia à escolha. Posteriormente, na mesma igreja, com a autorização do arcebispo de Turim, tendo sido instituída uma Pia Associação dos devotos de Maria Auxiliadora, concedeu aos membros muitas indulgências plenárias e parciais. Finalmente, o mesmo Pontífice, com decreto de 5 de abril de 1870, ampliou as graças celestiais, concedendo que as mesmas indulgências pudessem ser lucradas também em outras igrejas, erigindo a Pia Associação em Arquiconfraria, com o privilégio e a faculdade de agregar outras associações que fossem canonicamente erigidas sob este título. Eis, ó devoto cristão, os grandes tesouros que nos são propostos.
Prática. Hoje me consagrarei a Maria, prometendo amá-la no futuro com todo o coração e servi-la da melhor maneira possível.
Ato de consagração a Maria
Santíssima Virgem, Mãe de Deus, eu, N. N., embora indigno pecador, prostrado aos vossos pés, na presença de Deus todo-poderoso e de toda a corte celeste, vos apresento e vos ofereço meu coração com todos os seus afetos; consagro-o a vós e quero que seja sempre vosso e de vosso querido Jesus. Aceitai, ó Mãe benigníssima, deste vosso pobre servo a humilde oferta unida ao coração de todos os santos; e fazei com que, a partir deste momento, eu comece a viver unicamente para vós e para vosso divino filho Jesus. Com a sua ajuda divina e a vossa assistência amorosa, espero conseguir fazê-lo e, da minha parte, prometo fazê-lo. Entre os vossos dois corações, Jesus e Maria, colocai o meu pobre coração, para que se inflame todo do vosso santo amor. Para que, vivendo assim no vosso amor, eu possa um dia bendizer-vos e louvar-vos lá em cima no céu, na companhia dos anjos e dos santos, por toda a eternidade. Assim seja.
Associação dos Devotos de Maria Auxiliadora
1. Na Igreja dedicada a Maria Auxiliadora em Turim, com autorização de Sua Excelência Reverendíssima, o Arcebispo de Turim, está canonicamente ereta uma Associação de seus devotos que se propõem promover as glórias da divina Mãe do Salvador, a fim de merecer a sua proteção na vida e, particularmente, em ponto de morte.
2. Dois meios principais são propostos: difundir a devoção à Bem-aventurada Virgem e a veneração a Jesus sacramentado.
3. A esta finalidade se dedicarão com as palavras, o aconselhamento, as obras e com o empenho de promover o decoro e a devoção nas novenas, festas e solenidades que, no curso do ano, se realizam em honra da Bem-aventurada Virgem Maria e do Santíssimo Sacramento.
4. A difusão de bons livros, imagens, medalhas, folhetos, participar e recomendar a participação nas procissões em honra de Maria Santíssima e do Santíssimo Sacramento, a comunhão frequente, a assistência à Santa Missa, o acompanhamento do Viático, são coisas que os Agregados se propõem promover com todos os meios compatíveis com o próprio estado.
5. Os Associados terão o máximo cuidado consigo mesmos e junto às pessoas que deles dependem de impedir a blasfêmia e qualquer conversa contrária à religião e, na medida de suas possibilidades, qualquer obstáculo que possa impedir a santificação dos dias santos.
6. Cada Associado, segundo os conselhos dos catecismos e dos mestres de espírito, é calorosamente exortado a se confessar e comungar cada quinze dias ou uma vez por mês e a ouvir todos os dias a Santa Missa, desde que as obrigações do próprio estado o permitam.
7. Em honra de Jesus Sacramentado, todos os dias, os Associados, depois das orações ordinárias da manhã e da noite, recitarão a jaculatória: Graças e louvores sejam dados a cada momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. E em honra da Bem-Aventurada Virgem Maria: Maria Auxilium Christianorum, ora pro nobis.
Para os sacerdotes, é suficiente que na Santa Missa ponham a intenção de rezar por todos os Agregados a esta pia Associação. Estas orações servirão como vínculo de união entre todos os Associados num só coração e numa só alma, a fim de render a devida honra a Jesus oculto na Santa Eucaristia e à sua augusta Mãe, e de participar de todas as obras de piedade realizadas por cada Associado.
Benefícios espirituais dos associados
1. Todos os agregados, a fim de se ajudarem mutuamente a caminhar pelo caminho da salvação, entendem fazer entre si comunhão de todas as boas obras que cada um realiza em particular ou na igreja de Maria Auxiliadora ou em outros lugares.
2. Participarão também das práticas de piedade que se realizam no altar da Associação, que é o altar-mor desta Igreja: altar privilegiado quotidiano, segundo o Decreto da Sagrada Congregação em data de 22 de maio de 1868. Neste altar, entre outras coisas, todas as manhãs, em torno das seis horas nos dias feriais e das sete nos dias santos, se celebrará uma missa, com a recitação da terceira parte do Santo Rosário, orações especiais e com a comunhão de todos os que puderem participar.
O reinante Papa Pio IX concede benignamente 100 dias de indulgência a todos, cada vez que tomam parte neste exercício de piedade.
Todas as noites haverá canto de loas sacras, leitura espiritual, orações, bênção com o Santíssimo Sacramento, à qual seguirá a recitação do Santo Rosário, como de manhã.
3. Cada um pode lucrar indulgência plenária no dia em que se inscrever na associação. Decreto de 11 de março de 1870.
4. Indulgência plenária nas solenidades do Santo Natal, da Circuncisão, da Epifania, da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo; em Pentecostes, no dia do Corpus Domini.
5. Indulgência igualmente plenária na Festa da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem; da sua Natividade, Apresentação no Templo, Anunciação, Purificação, Visitação, sua Assunção ao Céu.
6. A mesma indulgência plenária poderá ser obtida em qualquer dia da novena ou na festa de Maria Auxilium Christianorum; na Festa de São Francisco de Sales, de São Luís Gonzaga, e naquele dia de cada mês que escolherem para fazer o Exercício da Boa Morte. – As indulgências mencionadas neste número também podem ser obtidas por aqueles que não estiverem inscritos na piedosa Associação.
7. Cada agregado, participando das práticas de piedade que se fazem nesta igreja ao longo do ano, por ocasião de tríduos ou novenas, pode lucrar uma vez por dia a indulgência de sete anos e outras tantas quarentenas. – É bom notar aqui que, para a aquisição das indulgências plenárias acima mencionadas, é prescrita a Confissão Sacramental e a Comunhão, a não ser que o Agregado tenha a louvável prática de se confessar todas as semanas. Neste caso, se requer unicamente o estado de graça.
8. Todos os anos, no primeiro dia ferial depois da festa de Maria Auxiliadora, canta-se uma missa de Requiem com outros sufrágios especiais pelas almas dos coirmãos falecidos em geral e particularmente por aqueles que foram chamados por Deus à vida eterna no curso daquele ano.
9. Caso um coirmão ou uma coirmã venha a ficar doente ou, segundo os desígnios de Deus, for chamado à vida eterna, será recomendado de modo especial às orações que todos os dias se fazem no altar de Maria Auxiliadora, desde que se avise o reitor da igreja.
Aceitação
1. Quem deseja participar desta pia Associação fará inscrever o próprio nome, sobrenome e lugar de residência no registro apropriado que se conserva na sacristia da igreja de Maria Auxiliadora. Nessa ocasião, se ele deseja, lhe será entregue uma imagem e uma medalha e o livreto da Associação.
2. Os párocos e todo aquele que tiver cura de almas, os diretores de colégios ou de casas de educação ou institutos de beneficência podem agregar qualquer um dos seus dependentes, desde que enviem os nomes dos agregados ao reitor da igreja, que também é o diretor da pia Associação.
3. Não há nenhuma anuidade pecuniária; cada um, se quiser, fará todos os anos alguma oferta para cobrir as despesas que ocorrem na novena e na festa de Maria Auxiliadora, e todas as outras celebrações sagradas que se realizam nas várias oportunidades do ano na igreja da Associação.
Este regulamento foi aprovado pela autoridade eclesiástica em 18 de abril de 1869, quando a Associação foi canonicamente erigida. Em 5 de abril deste ano de 1870, o mesmo Sumo Pontífice, com decreto específico, erigiu a Associação em Arquiconfraria com vários privilégios, com a faculdade de agregar outras Associações canonicamente instituídas.
pelo padre João Bosco
Turim, Tipografia do Oratório de São Francisco de Sales, 1870
Com aprovação da Revisão Eclesiástica
- O Papa Pio IX, gloriosamente reinante, concede 300 dias de indulgência cada vez que se recita esta jaculatória. (14 de fevereiro de 1869). ↑
- Epístola a Eustoc. ↑
- Luc. 1,39. ↑
- S. Afonso de Ligório. Glórias de Maria. ↑
- João 2,3. ↑
- João 19,26.27. ↑
- V. S. Afonso. Novena de Meditação. ↑
- V. S. Afonso. Glórias de Maria. ↑
- V. S. Cirilo de Alexandria. Homilia contra Nestório. – Oitava da Natividade da Bem-aventurada Virgem. ↑
- Serm. apud Metaph. Die 5, Nativ. B. V. in Off. ↑
- Hom. 2 super Missus est. ↑
- Cant. 2,5. ↑
- Ecl. I, cap. 24. ↑
- V. Memória de uma solenidade em honra de Maria Auxiliadora, Turim, tip. do Oratório de São Francisco de Sales. 1868. ↑
- Salmo 73. ↑
- I Coríntios 15. ↑
- Êxodo 20. ↑
- Levítico, cap. 26. ↑
- Êxodo 31. ↑
- No cap. 26 de Mateus. ↑
- Levítico, capítulo 24. ↑
- Ano 510. ↑
- Hebreus, 13. ↑
- V. Apologista, N. 10, ano XII. ↑
- João 20. ↑
- Mateus 18. ↑
- Serm. 393. ↑
- De lapsis. ↑
- Hom. II sobre o salmo 37. ↑
- Sess. XIV, cân. 6,7. ↑
- Epístola 93, a Virgílio Sófocles. ↑
- Mateus 16. ↑
- V. Apologista, N. 10, ano XII. ↑
- Prov. 8. ↑
- Salmo 110. ↑
- V. S. João Crist. Hom. 61, ad pop. ant. ↑
- Salmo 110. ↑
- Lucas 22. ↑
- João 6. ↑
- Mateus 26. ↑
- Sess. 13,2. ↑
- Tract.84 in João ↑
- João 6. ↑
- João 6. ↑
- Mateus 11. ↑
- V. Cip. lib. 6, de Lapsis. ↑
- Sess. 22, cap. 6. V, também sess. 13, cap. 8. ↑
- História Eclesiástica, ano 552. ↑
- Conc. Trid. Sess. 13, cap. 2. ↑
- Ibidem. ↑
- De perf. Relig. Cap. 21. ↑
- V. Summa de Santo Tomás. Parte 3, q. 80, art. 10. ↑
- V. Tom. IV Sent. – V. a Sagrada Comunhão por Monsenhor Segur. ↑
- V. Lembrança de uma solenidade etc. Apêndice. ↑
- Conc. Trid. Sess. 22, cap. 2. ↑
- Tesouro escondido etc., art. IV. N. VII. ↑
- Conc. Trid. Sess. 22, cap. 2. Sess. 25 no princípio. ↑
- V. Memória citada. ↑
- Adquire a indulgência de 7 anos e 7 quarentenas quem acompanha devotamente o SS. Viático com uma vela ou lâmpada acesa; de 5 anos e outras tantas quarentenas quem o acompanha sem vela; e de 3 anos quem, legitimamente impedido, envia outra pessoa em seu lugar com uma vela ou lâmpada acesa. Todas estas indulgências são aplicáveis aos fiéis falecidos por concessão de Bento XIV. ↑
- Lucas 24. ↑
- Apocalipse 14. ↑
- Lcas 2. ↑
- João 13. ↑
- Vida do jovem Saceardi Ernesto. Leituras Católicas, ano XVI, fasc. 9. ↑
- N.º 48, ano XII, 88 de novembro de 1869. ↑
- V. Apologista, n.º 10, ano XII. ↑
- V. S. Alfonso, Glórias de Maria. ↑
- Apocalipse 12. ↑
- V. S. Afonso, Glórias de Maria. ↑
- Ibidem. ↑
- V. S. Afonso. Glórias de Maria. ↑

