6 Nov 2026, Sex

Conheçamos Dom Bosco (20). O trabalho colossal

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Dom Bosco é apresentado dentro de uma espiritualidade do trabalho que, em sintonia com o magistério de João Paulo II, afirma sua dignidade sem absolutizá-lo: não é um fim em si mesmo, mas um lugar onde a pessoa se expressa e cresce na caridade. Nessa perspectiva, Dom Bosco aparece como o santo do “fazer”: une oração e ação, santifica o trabalho e o assume como caminho educativo e “escada mística” para Deus. Para ele, trabalho significa o cumprimento do próprio dever de estado: manual, intelectual, apostólico e caritativo. Insiste na laboriosidade e na temperança como sinais salesianos, convencido de que o ócio favorece o mal. Seu testemunho é o de uma vida de operosidade colossal, até o esgotamento e a morte.

 

 

Porque o trabalho e a temperança farão florescer a Congregação Salesiana.

 

 

A importância que o tema do trabalho assumiu em nosso tempo é demonstrada pela imponente literatura, que analisa seus aspectos e valores em contínuo desenvolvimento. Mesmo que desfigurado por certas ideologias, o trabalho é de fato um valor central na sociedade e na cultura de hoje. Ele evidencia um aspecto da missão do homem no mundo: o de dominar a natureza para humanizá-la e colocá-la a serviço da pessoa.

Em sua Encíclica Laborem Exercens e em inúmeras outras intervenções, o Sumo Pontífice João Paulo II traça as linhas de uma espiritualidade do trabalho que exalta seu valor, mas desmistifica qualquer idolatria a seu respeito. O trabalho, de fato, não é um fim em si mesmo, não é um absoluto. É, ao contrário, «um modo importante de expressar a pessoa como “cocriadora” ou “corredentora” na terra e no tempo. Para nós, torna-se testemunho da tríade espiritual: fé, esperança, caridade. Nesse sentido, não é tanto a qualidade do trabalho que engrandece a pessoa, mas as motivações e o coração com que ele é realizado, ou seja, a medida do amor de caridade que o permeia» (E. Viganò). Dom Bosco fez do trabalho sua bandeira, santificou-se trabalhando, e trabalhando muito. Vejamos.

 

A atividade incessante

O acadêmico italiano Francisco Orestano, escrevendo sobre Dom Bosco, após destacar sua grandeza moral e força de vontade, continua nestes termos: «Por mais importantes que sejam as características do homem e de sua obra, a originalidade de Dom Bosco ainda não está aí. Ei-la. Necessidades educativas e sociais, profundamente intuídas em perfeita relação com os novos tempos, fizeram-no descobrir a grande lei de educar com e para o trabalho. Do trabalho como instrumento educativo, Dom Bosco sentiu a extraordinária potência edificante da personalidade humana em todos os sentidos e momentos. O trabalho, via eminente de enobrecimento do espírito: “Não vos recomendo penitências e disciplinas, mas trabalho, trabalho, trabalho”. E ainda no leito de morte, recomendava-o a todos os salesianos, que ele quis organizados como uma milícia social, não empenhada em práticas ascéticas, mas totalmente imbuída das necessidades da vida moderna. Ele não apreciou o trabalho apenas como instrumento educativo, mas como conteúdo de vida. Do trabalho, sentiu toda a dignidade, mesmo em suas aplicações manuais mais modestas, procurou exemplarmente aprender e praticar todas elas, e por isso mesmo, enobrecê-las. E nunca considerou o trabalho um meio de enriquecimento, pois, ao contrário, julgou, como sua santa mãe havia sentenciado com retidão, que enriquecer era uma desgraça; mas apenas como plenitude, saúde e santidade de vida».

A citação é pertinente porque capta, com clareza penetrante, o aspecto talvez mais original de sua pedagogia e de sua santidade, que é o da elevação do homem e do cristão por meio do trabalho e com o trabalho. Com uma condição, porém: que a palavra “trabalho” seja tomada na gama de significados que tinha para Dom Bosco, para quem era, a cada momento, sinônimo de atividade manual, artesanal, técnica, profissional; intelectual, escola, estudo, cultura; apostólica, catequese, evangelização, zelo pastoral; sacerdotal, ação litúrgica, sacramentos; caritativa, em suas diversas formas; dever de estado. «Por trabalho entende-se o cumprimento dos deveres do próprio estado».

Será, portanto, o contexto que nos dará o significado pretendido, a cada vez, por Dom Bosco quando fala de trabalho.

 

A «escada mística» do trabalho

Do trabalho entendido como atividade apostólica, caritativa e humanizadora, Dom Bosco intuiu a suprema grandeza, a divina virtude santificadora, e não hesitou em fazer dela sua escada mística para ir a Deus.

Não separou o trabalho da oração: «Se houve um santo que nos tempos modernos uniu e personificou em si de forma tão maravilhosa os dois elementos da tradição beneditina “orar e trabalhar”, foi precisamente Dom Bosco» (Card. C. Salotti). Mas a oração não é o que mais aparece nele, não é sua marca. «O que aparece ao mundo é o trabalho intenso e desinteressado. Dom Bosco é um santo extremamente concreto: para dizê-lo de forma um pouco crua, mas verdadeira, não acredita numa piedade que não se expresse na vida, que não se torne ação, caridade ativa, que não se traduza num trabalho incessante por amor a Deus e aos irmãos».

Acrescentamos que, no século XIX, a oração era ainda uma realidade tão fortemente inserida no costume cristão, que Dom Bosco não considerou oportuno insistir nela excessivamente, como provavelmente faria em uma situação diferente. Urgia, ao contrário, santificar o trabalho e divinizar a ação. Foi este o seu carisma.

A isso ele se sentia inspirado e inclinado. Sabia que a palavra não é persuasiva se não no momento em que se torna ação, e quis que a ação se tornasse palavra, que suas ideias tivessem mãos, como de fato acontecia.

Era, por temperamento, o que se chama de «homem de ação», «o realizador de sucesso», o «gênio da organização». O trabalho era sua segunda natureza. «Deus – dizia ele – me deu a graça de que o trabalho e o cansaço, em vez de serem um peso para mim, sempre me fossem um alívio».

O impulso para agir era poderosamente estimulado pelas novas e imensas necessidades de seu século, pela condição miserável em que se encontrava a juventude marginalizada ou negligenciada de seu tempo. Mas o que o atraía sobretudo era o exemplo de Jesus, o divino trabalhador da casinha de Nazaré, o amigo das crianças e dos humildes, o apóstolo do Pai continuamente em ação para nossa salvação: «Meu Pai trabalha sempre, e eu também trabalho» (Jo 5,17); Jesus «começou a fazer e a ensinar» (At 1,1). É este o modelo que ele propõe a seus filhos quando escreve as Constituições.

«Jesus Cristo começou a fazer e a ensinar, assim os congregados começarão por se aperfeiçoar a si mesmos mediante a prática das virtudes internas e externas».

Quando Dom Bosco cita a Palavra de Deus, demonstra uma acentuada preferência pelos textos que destacam a “categoria do fazer”, do anúncio, da evangelização; em seu volumoso epistolário, a menção às realidades divinas e à oração é quase contínua, embora quase nunca tematizada. Em vez disso, são cuidadosamente sublinhadas frases deste teor: «Opus fac evangelistae» (2Tm 4,5: «Faze o trabalho de um evangelizador»); «Tu vero praedica Verbum opportune et importune» (2Tm 4,2: «Proclama a Palavra de Deus, insiste oportuna e inoportunamente»); «Opera Dei revelare et confiteri honorificum est» (Tb 12,7: «É honroso revelar e celebrar as obras de Deus»).

Não foi, porém, um pragmatista, nem elevou a práxis a critério de verdade. Sempre colocou acima de tudo tanto a doutrina da fé quanto o Magistério: princípios e valores solidamente adquiridos. Mas foi «o empreendedor de Deus», o realista que, por instinto, antepõe o prático ao teórico, o vivido ao abstrato, os fatos às palavras, que não acredita na fé sem obras, nem num Evangelho que não esteja incorporado à vida. Somente «quem pratica a verdade se aproxima da luz» (Jo 3,21). Apenas a linguagem dos fatos e das obras lhe parecia suficientemente crível.

«O mundo tornou-se material – dizia ele – por isso é preciso trabalhar e dar a conhecer o bem que se faz. Se alguém faz até milagres rezando dia e noite em sua cela, o mundo não liga e não acredita mais. O mundo precisa ver e tocar. O mundo atual quer ver as obras, quer ver o clero trabalhar…».

Numa época em que os religiosos eram vistos como gente ociosa, inútil para o progresso da sociedade, ele quis sua instituição fundada na grande lei do trabalho e dizia, não sem humor, que o lema de seus religiosos seria o das «mangas arregaçadas».

Com a coragem e a audácia dos empreendedores que tornaram célebre a cidade de Turim – especialmente no último quarto do século XIX –, sustentado por uma fé inabalável, lança seus salesianos muito jovens, formados “na prática” e com pouca teoria, para fundar suas obras de caridade: oratórios, abrigos, escolas, colégios, missões.

Em 1878, tem a audácia de escrever a Leão XIII, recém-eleito, para que desse atenção especial às novas instituições que o Espírito Santo faz surgir na Igreja: «As famílias religiosas recentes são chamadas pela necessidade dos tempos. Com a firmeza na fé, com suas obras materiais, devem combater as ideias de quem no homem vê apenas matéria. Estes frequentemente desprezam quem reza e medita, mas serão forçados a acreditar nas obras de que são testemunhas oculares». Palavras antigas! Poderiam ser ditas hoje e válidas em escala planetária, tão invocada e exigida é por toda parte a apologia vitae [o testemunho de vida] dos crentes, o testemunho autenticamente cristão.

 

«Onde há trabalho, não está o demônio»

As afirmações audaciosas que outros santos fizeram em louvor à oração, Dom Bosco as fez em louvor ao trabalho.

«Noventa por cento de seus discursos aos coirmãos – escreve A. Caviglia – são sobre o trabalho, a temperança, a pobreza. Eis – acrescenta argutamente – o escândalo de um santo; de um santo, podemos dizer, “americano”; diz muito mais vezes: “Trabalhemos”, do que: “Rezemos”».

Escreve, por sua vez, E. Ceria: «Seria difícil encontrar outro santo que, na medida de Dom Bosco, tenha conjugado e feito conjugar o verbo trabalhar». Quis seus salesianos alegres, pobres, frugais, e sobretudo, laboriosíssimos: «Trabalho, trabalho, trabalho! – repetia –. Eis qual deveria ser o objetivo e a glória dos padres. Nunca se cansar de trabalhar. Quantas almas se salvariam!». «Quem não sabe trabalhar não é salesiano».

Queria que o trabalho tivesse a continuidade da respiração: «Sempre trabalhar […]. Este deve ser o fim de todo salesiano e seu contínuo suspiro». A ideia do cansaço não deveria ser um pensamento que freia, mas servir de estímulo para fazer mais. «De nós não se quer dinheiro, mas esforço». «É preciso que busquemos trabalhos superiores às nossas forças; e, assim, quem sabe, não chegaremos a fazer tudo o que podemos».

A preguiça e o ócio lhe inspiravam horror. Chegou a dizer esta frase de extremo rigor: «O padre ou morre pelo trabalho ou morre pelo vício».

O que para outros Institutos eram as penitências aflitivas, os longos jejuns, para Dom Bosco era o trabalho: «Meus caros – repetia –, não vos recomendo penitências e disciplinas, mas trabalho, trabalho, trabalho».

Quando via o grande trabalho que seus filhos faziam, alegrava-se intimamente: «Quando vou às casas e ouço que há muito a fazer, vivo tranquilo. Onde há trabalho, não está o demônio». «É verdade – acrescentava –, o trabalho supera as forças, mas ninguém desanima, e parece que o cansaço é um segundo alimento depois do alimento material».

Estava convencido de que «de São Pedro até nós, os tempos nunca foram tão difíceis», mas queria que, «em vez de encher o ar de lamentos chorosos», se reagisse intensificando o trabalho: «Trabalhar ao máximo».

Pio IX lhe havia dito: «Eu estimo que esteja em melhor condição uma casa religiosa onde se reza pouco, mas se trabalha muito, do que outra na qual se façam muitas orações e se trabalhe nada ou pouco». E ainda: «Não coloquem os noviços na sacristia, para que não se tornem ociosos: mas ocupem-nos a trabalhar, a trabalhar!».

É o que Dom Bosco fazia desde sempre, suscitando perplexidades e desconfianças em outros religiosos e na própria autoridade eclesiástica.

Era repreendido, por exemplo, por sacrificar o “noviciado ascético” e os métodos “tradicionais” de formação, envolvendo imprudentemente os jovens coirmãos em atividades apostólicas dissipadoras e precoces. Mas Dom Bosco respondia em sua defesa: «A experiência de trinta e três anos nos ensina que estas ocupações assíduas são um baluarte inexpugnável da moralidade. E observei que os mais ocupados e os mais laboriosos lembram-se melhor de sua antiga condição, gozam de muita saúde, conservam-se mais virtuosos e, feitos sacerdotes, colhem copiosos frutos do sagrado ministério».

A confirmação da bondade de seu método vinha também dos misteriosos sonhos que, como cartas do céu, marcam as viradas decisivas de sua existência.

No «sonho de Lanzo» (1876), por exemplo, o guia que o acompanha lhe mostra o campo vastíssimo da ação salesiana e lhe diz em tom peremptório: «Olha; é preciso que mandes imprimir estas palavras que serão como o vosso brasão, a vossa palavra de ordem, o vosso distintivo. Nota bem: O trabalho e a temperança farão florescer a Congregação Salesiana. Farás explicar estas palavras, as repetirás, insistirás».

Extraordinária importância sempre teve na tradição salesiana o sonho dos «dez diamantes», ou das dez virtudes, que brilham com luz resplandecente sobre o manto do personagem que personifica o «modelo do verdadeiro salesiano». Dois desses diamantes trazem a inscrição: «Trabalho», «Temperança». Estão colocados respectivamente no ombro direito e esquerdo, como que a delinear a figura do salesiano.

Lembramos, por fim, as palavras talvez mais grandiosas de sua vida: «Quando acontecer – assim termina seu Testamento espiritual – que um salesiano sucumba ou deixe de viver trabalhando pelas almas, então direis que a nossa Congregação alcançou um grande triunfo e sobre ela descerão copiosas as bênçãos do céu». Ainda no leito de morte, recomendou por duas vezes a Dom Cagliero: «Recomendo que diga a todos os salesianos que trabalhem com zelo e ardor: trabalho, trabalho».

 

O testemunho

Mas, acima das palavras, está o testemunho de sua vida. Uma vida, como a definiu Pio XI, «que foi um verdadeiro, autêntico e grande martírio: uma vida de trabalho colossal que dava a impressão de opressão só de olhar».

Custa a crer que um só homem tenha conseguido trabalhar tanto e se ocupar de tantas coisas ao mesmo tempo. Escreve A. Caviglia que em Dom Bosco parecem operar, simultaneamente, várias pessoas: «O educador e o pedagogo, o pai dos órfãos e o acolhedor dos meninos abandonados, o fundador de congregações religiosas, o propagador do culto a Maria Auxiliadora, o instituidor de uniões leigas espalhadas pelo mundo inteiro, o incentivador da caridade operante, o arauto de missões distantes, o escritor popular de livros morais e apologias religiosas, o defensor da imprensa honesta e católica, o criador de oficinas cristãs e de coleções de livros, o homem da piedade religiosa e da caridade e o homem dos negócios humanos ou de interesse público… Todos ao mesmo tempo operam e avançam como se fossem outras tantas pessoas nascidas ou destinadas apenas àquilo, e se fundem na única pessoa de um padre sem aparências, que nunca deixa perturbar a serenidade de seu semblante nem a composta modéstia de seu trato com grandes gestos decorativos, nem enriquece seu vocabulário com a retórica de grandes frases».

Tanta multiplicidade de aspectos era, porém, unificada, em profundidade, pela ideia que domina sua vida: a da salvação das almas e da glória de Deus, como vimos.

A Providência havia temperado Dom Bosco para o trabalho desde os anos difíceis e pobres da infância. Sabemos que ele fez de tudo, tendo sido pastor de rebanhos, trabalhador do campo, empregado, alfaiate, ferreiro, garçom, confeiteiro, saltimbanco, professor particular, estudante, sacristão, barbeiro; passou de um patrão para outro, experimentando o quanto «é salgado» o pão alheio.

Essa experiência deixará nele uma marca indelével: será para sempre extremamente sensível aos problemas da juventude pobre e marginalizada, bem como aos das humildes classes trabalhadoras, e será para sempre um trabalhador e um realizador formidável: «As coisas não andam apenas a vapor – escrevia em 1878 à condessa Uguccioni – mas como o telégrafo. Em um ano, com a ajuda de Deus e com a caridade de nossos benfeitores, conseguimos abrir vinte casas. Veja como cresceu a Sua família».

Fiel a um seu antigo propósito, na maturidade, não concedia ao sono mais de cinco horas por noite. «Pode-se dizer – depôs nos processos Dom Bertagna – que ele passou metade das noites trabalhando: e o ouvi dizer várias vezes que, quando estava mais saudável, passava também várias vezes duas noites à escrivaninha escrevendo. Apesar disso, de manhã estava na sacristia para celebrar a missa e ouvir as confissões por várias horas». Nos primeiros tempos do Oratório, em certas circunstâncias, confessava também por muitas horas ao dia.

No período de sua máxima operosidade, escrevia com uma velocidade surpreendente e de próprio punho até 250 cartas em um dia. «Faço passar muito trabalho pelos meus dedos – dizia – […]; adquiri uma celeridade que não sei se pode ser maior». Nos períodos de atividade mais intensa, muitas vezes sentava-se à escrivaninha às duas da tarde e continuava até as oito, para retomar novamente depois. «Há meses que me sento à escrivaninha às duas da tarde e me levanto às oito e meia para ir jantar».

A «fadiga mortal» a que as preocupações diárias o obrigavam transparece nas cartas em desabafos súbitos que não deixam de comover: «O trabalho está me enlouquecendo»; «Estou tão cansado que não aguento mais»; «Estou muito cansado».

E era verdade. Pode-se dizer que não conheceu outro descanso senão o do túmulo. «Não me lembro – depôs Dom Cagliero – que em toda a sua vida ele tenha tirado um dia de férias por lazer ou para descansar, e muitas vezes, encontrando-nos cansados e exaustos pelo trabalho: “Coragem – nos dizia – coragem, trabalhemos, trabalhemos sempre, porque lá em cima teremos um descanso eterno”».

Morreu esgotado pelo excesso de trabalho, mártir – não metaforicamente – de uma labuta que não conheceu pausas. Suas «vigílias exageradas e fadigas materiais – lemos na rápida e curiosa biografia de seu médico – consumiram-lhe a vida: a princípio quase imperceptivelmente, depois de 1880 aproximadamente [oito anos antes de sua morte], pode-se dizer que seu organismo estava quase reduzido a um gabinete patológico ambulante, em meio ao qual, no entanto, ainda brilhava uma mente sempre ativa e sempre ansiosa por alcançar sua gloriosa meta».

A laboriosidade do «velho padre», do «filantropo do século XIX», do «católico intransigentíssimo» pareceu, aos homens da época, incrível e lendária. Na morte de Dom Bosco, os jornais da época definiram sua fadiga e operosidade como «prodigiosa» (L’Illustrazione popolare), «gigantesca» (La Patrie), «enorme e ao máximo grau» (La Perseveranza), «fenomenal» (Il Fanfulla). «Se Dom Bosco – lê-se no mesmo jornal – tivesse sido ministro das finanças, a Itália seria economicamente a primeira nação do mundo». Nos Processos Apostólicos, o Promotor da Fé não hesitou em chamá-lo um dos maiores apóstolos da Igreja do século XIX: «A multiplicidade e fecundidade de suas obras beira o prodígio: seu zelo pela salvação das almas e pela difusão do Reino de Cristo na terra foi tão intenso e contínuo que a história, com razão, o proclama grandíssimo apóstolo – “maximum” — do século XIX».

 

 

Pietro BROCARDO. Dom Bosco profundamente homem, profundamente santo, pág. 157-158

 

P. Bruno FERRERO

Salesiano de Dom Bosco, especialista em catequese, autor de vários livros. Ele foi diretor editorial da editora salesiana Elledici. Ele é o diretor do "Boletim Salesiano", impresso em italiano.