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Trinta anos, malgaxe, hoje estudante de teologia na Crocetta, em Turim, e missionário na Inspetoria do Oriente Médio, que compreende Síria, Líbano, Israel, Palestina e Egito. Germain Maevatoky já atravessou continentes, línguas e culturas para se preparar para a missão à qual foi destinado. Neste ano, em Genzano, encontrou outros trinta coirmãos missionários na Europa e no Oriente Médio, convocados pelo Setor para as Missões. Em seu relato estão o escotismo e o oratório em Madagascar, os sonhos missionários de Dom Bosco, a cruz recebida em plena pandemia e a dificuldade com o árabe. E a certeza de que o carisma salesiano une para além de todas as fronteiras.
Do escotismo a Dom Bosco
Conheci os salesianos graças ao vigário paroquial da minha paróquia, em Madagascar. Na época, eu fazia parte dos escoteiros: gostava de servir na igreja e de passar o tempo com meus amigos. Foi justamente ali que senti a alegria de servir à Igreja e o desejo de seguir Jesus mais de perto. Procurei os salesianos, que me apresentaram o oratório e me propuseram ler a vida de Dom Bosco traduzida para o malgaxe. A leitura me encantou e, ao conhecer melhor os salesianos, amadureci a decisão de entrar na Congregação depois de concluir o ensino médio.
Uma vocação nascida das leituras
Minha vocação missionária nasceu de algumas leituras que me marcaram profundamente. Ao estudar a história da Igreja Católica em meu país, descobri quantas congregações missionárias tinham vindo para servir o povo e anunciar a Boa-Nova. Depois, me detive nos sonhos missionários de Dom Bosco, especialmente na parte em que ele fala dos países aos quais os salesianos chegariam e dos missionários que deixariam sua terra natal. Por fim, ao ler todos os anos o apelo missionário do Reitor-Mor, publicado em 18 de dezembro, aniversário da fundação da Congregação, tinha a impressão de que ele se dirigia justamente a mim. Guardando tudo isso no coração, ao fim dos três anos de filosofia e depois de um período de discernimento com meu orientador, escrevi ao Reitor-Mor para oferecer minha disponibilidade.
A cruz missionária em tempos de Covid
Em 2021, em plena pandemia, participei do curso para novos missionários antes de receber a cruz missionária. Éramos poucos e, devido às restrições, ficamos na Itália pouco mais de duas semanas. Essa formação me preparou espiritual, psicológica e culturalmente. Também foi uma oportunidade de conhecer os coirmãos do Setor para as Missões e os outros salesianos da mesma expedição. As visitas a lugares significativos da Igreja em Roma e aos lugares salesianos – Colle Don Bosco, Valdocco e Mornese – me ajudaram a viver e compreender mais profundamente o carisma salesiano.
Novos olhos para a fé
Com a chegada ao Oriente Médio, começou a aventura da vida missionária, uma aventura que está apenas começando. No Egito, o contato com os outros abriu meus olhos para a minha própria fé. Os cristãos ortodoxos me impressionaram muito: durante as peregrinações ou as visitas às igrejas, respirava-se um intenso clima de oração, que realmente ajuda a rezar. Via pessoas de grande fé tocarem ou beijarem as imagens dos santos e as relíquias: para mim, era um sinal claro de devoção e de forte sentimento de pertença. E depois houve o encontro com os muçulmanos, que leem o Alcorão até mesmo no metrô, sobretudo durante o Ramadã, e rezam nas ruas ou nos centros comerciais.
O desafio das línguas
No novo contexto, o desafio mais difícil para mim foi a língua, ou melhor, as línguas: em nossa inspetoria, é preciso saber italiano, árabe e inglês. Graças a Deus, a inspetoria me concedeu o tempo necessário para aprendê-las, especialmente o árabe. Outro desafio foi a mudança de orientador a cada troca de comunidade: nos meus primeiros quatro anos de missão, isso aconteceu todos os anos.
Uma inspetoria especial
A do Oriente Médio é uma inspetoria particular, porque as relações políticas entre os Estados estão longe de ser simples, o que dificulta reunir todos os coirmãos. Graças à tecnologia, porém, de vez em quando nos encontramos on-line para uma reunião inspetorial. Em nossos centros juvenis, oratórios, paróquias e escolas, a presença dos jovens é forte, e o trabalho dos salesianos também é valorizado pelos governos. Cuidamos de refugiados no Líbano, na Síria e no Egito e, em algumas comunidades, também colaboramos com os muçulmanos.
Fui muito bem acolhido pelos superiores – o inspetor e seu vigário – e por todos os coirmãos. Pude constatar que a fé em Jesus e o carisma de Dom Bosco unem as pessoas, para além das diferenças culturais e de origem.
O encontro de Genzano
Agradeço de coração ao Setor para as Missões, que neste ano nos permitiu reunir em Genzano: uma iniciativa valiosa para o bem da Congregação. Foi um encontro de atualização para os missionários que chegaram à Europa e ao Oriente Médio nos últimos cinco anos: um tempo de fraternidade, formação, partilha e incentivo. Fiquei impressionado com a colaboração entre os membros do Setor e com sua disposição para nos ouvir, aconselhar e dialogar conosco.
Olhando para o futuro
Para enfrentar os desafios que nos esperam, eu diria que devemos dar continuidade à obra no espírito salesiano, com criatividade e flexibilidade, colaborando com os leigos e as autoridades locais e testemunhando a fé em Jesus. Agradeço a vocês por suas orações, que são um verdadeiro apoio espiritual para nós, missionários. E peçamos juntos ao Senhor que envie trabalhadores para a sua messe!
Marco Fulgaro

