19 Set 2026, Sáb

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José Buzzetti, um jovem pedreiro fascinado por Dom Bosco, foi um dos primeiros e mais fiéis colaboradores do Oratório. Um grave acidente o impediu de se tornar padre, mas ele dedicou toda a sua vida ao serviço dos jovens e da obra salesiana, desempenhando tarefas humildes e decisivas: administração, catecismo, assistência, organização de rifas e o cuidado diário da casa. Sentindo o Oratório como uma família, ele passou por uma crise quando a Congregação se estruturou e temeu ser deixado de lado. A caridade de Dom Bosco o reteve definitivamente. Dessa experiência, amadureceu a figura do “coadjutor” salesiano. Em 1877, Buzzetti entrou oficialmente na Sociedade Salesiana, permanecendo até a morte como um exemplo de dedicação silenciosa e total.

 

 

Porque ele nunca abandonou ninguém.

 

 

“O que você está fazendo no Oratório?”

Nasceu em Caronno Ghiringhello (Milão-Itália) em 7 de fevereiro de 1832; professou em 1877; morreu em Lanzo em 13 de julho de 1892.

José Buzzetti era um dos muitos rapazes que acorriam para Turim para trabalhar como ajudantes de pedreiro em busca de melhor sorte. Teve a felicidade de encontrar logo Dom Bosco, por quem ficou tão fascinado que participava assiduamente de seus encontros festivos durante o período do Oratório itinerante. Continuou assim até 1847, quando, convidado pelo Santo, iniciou com três companheiros os estudos para se tornar padre; mas a Providência dispôs de outra forma.

A Congregação havia nascido. Dom Bosco sentiu uma grande alegria por isso. Mas acredito que naquele dia uma ruga de melancolia permaneceu no fundo de sua alma: entre os dezessete que haviam aceitado, não estava seu queridíssimo José Buzzetti.

Ao manusear uma pistola (para defender os objetos expostos na primeira rifa), ele sofreu um acidente grave: tiveram que amputar o dedo indicador de sua mão esquerda. Isso, naquela época, era considerado um impedimento sério para se tornar padre. O acidente, “unido à humildade”, observa o P. Lemoyne, persuadiu Buzzetti a renunciar ao hábito clerical.

Mas ele dedicava cada hora do seu dia ao “seu” Dom Bosco e ao oratório. Cuidava da manutenção da casa – enumera o P. Lemoyne –, assistia no refeitório, arrumava as mesas, providenciava a limpeza, dava aulas de catecismo, cuidava da administração e providenciava o envio das Leituras Católicas. Dirigiu também a escola de canto até 1860, quando a cedeu a João Cagliero. “Com sua mente perspicaz e atividade pronta, era a alma de todas as rifas, ia em busca de trabalho para as oficinas, encomendava o pão e providenciava as compras”.

Ele sentia o oratório como carne da sua carne. Quando o edifício quase concluído desabou, ele examinou minuciosamente as faturas. Havia encontrado pedidos de material de má qualidade e confrontou o empreiteiro com palavras duras. O próprio Dom Bosco teve que acalmá-lo:

– Precisamos ter paciência. Você verá que o Senhor nos ajudará.

– Sim, sim, nos ajudará! Mas enquanto isso, o senhor vigia, trabalha dia e noite para conseguir algumas centenas de liras, e esses aí lhe roubam milhares em um instante. Seria preciso dar-lhes uma lição firme.

– Deixe para lá. Se eles merecem, o Senhor lhes dará.

Buzzetti (continua Lemoyne, de quem tiramos o diálogo) fazia a guarda de Dom Bosco, acompanhando-o quando se temia algum perigo, e ia ao seu encontro à noite. Sua figura vigorosa, a barba ruiva e espessa, tiraram de vários mal-intencionados a vontade de atacar o padre de Valdocco.

Seus irmãos pedreiros (Carlos havia se tornado um excelente mestre de obras) várias vezes lhe disseram: “Se você não quer se tornar padre, o que está fazendo no oratório? Se Dom Bosco morresse, sem nenhum trabalho em vista, como você se viraria?”

E ele: “Dom Bosco me garantiu que, mesmo após sua morte, sempre haverá um pedaço de pão para mim. Para mim, está bom assim”.

E, no entanto, este jovem (em 1859, tinha 27 anos), que daria a vida por Dom Bosco, não se sentia à vontade para fazer os votos, para se tornar salesiano.

O primeiro “leigo” admitido na Sociedade Salesiana foi José Rossi. O “Capítulo da Sociedade Salesiana” se reuniu para decidir sua admissão em 2 de fevereiro de 1860. Com Rossi, a palavra “coadjutor” fez sua aparição no vocabulário da Congregação, com o significado de “salesiano leigo”.

 

A crise de José Buzzetti

O dia 14 de maio de 1862 marcou uma nova etapa na consolidação da Sociedade Salesiana. Reunidos no quartinho de Dom Bosco, os “coirmãos”, respondendo ao convite de Dom Bosco, “prometeram a Deus observar as Regras fazendo voto de pobreza, de castidade e de obediência por três anos”. Eram vinte e dois, sem contar o fundador.

Dom Bosco, ao final, disse: “Enquanto vocês faziam a mim estes votos, eu também os fazia a este Crucifixo por toda a minha vida, oferecendo-me em sacrifício ao Senhor”.

No grupo dos vinte e dois, faziam parte outros dois leigos, muito diferentes entre si. O primeiro, José Gaia, seria por muitos anos cozinheiro no oratório. O segundo, Frederico Oreglia di San Stefano, pertencia à aristocracia de Turim. Dom Bosco o havia conquistado durante um curso de Exercícios Espirituais, fazendo-o encerrar um período de “vida aventureira e galante”. Por nove anos, ele prestaria muitos serviços ao oratório, e depois entraria para os Jesuítas.

Uma tentação fácil, nos anos que se seguiram e que viram outros leigos aderirem à Congregação, era a de considerar os não sacerdotes e clérigos como “servos” da casa, ou pelo menos como uma “categoria de segunda ordem”.

Provavelmente nesse contexto nasceu a “crise” de José Buzzetti. Ela é narrada no quinto volume das Memórias Biográficas, do qual resumimos.

Ele intuía que a antiga vida patriarcal de família seria modificada pelos regulamentos; via pouco a pouco a direção da casa, as incumbências que antes eram confiadas a ele, passarem para as mãos dos clérigos. Melancolia e desânimo o decidiram a partir. Encontrou um emprego em Turim e foi se despedir de Dom Bosco. Com a franqueza de sempre, disse-lhe que estava se tornando a última roda da carroça, que tinha que obedecer àqueles que vira chegar crianças, a quem ensinara a assoar o nariz. Manifestou sua grande tristeza por ter que deixar aquela casa que vira nascer desde os dias do telheiro.

Dom Bosco não lhe disse: “Você me deixa sozinho. Como farei sem você?”. Ele não teve pena de si mesmo. Pensou nele, em seu amigo mais querido: “Você já encontrou um lugar? Vão te dar um bom salário? Você não tem dinheiro, e certamente precisará para as primeiras despesas”. Abriu as gavetas da escrivaninha: “Você conhece estas gavetas melhor do que eu. Pegue tudo o que precisar, e se não for suficiente, me diga do que precisa e eu providenciarei. Não quero, José, que você tenha que passar por alguma privação por minha causa”. Depois, olhou para ele com aquele amor que só ele tinha por seus meninos: “Sempre nos quisemos bem. E espero que você nunca me esqueça”.

Então, Buzzetti começou a chorar. Chorou por um longo tempo e disse: “Não, não quero deixar Dom Bosco. Ficarei sempre com o senhor”.

 

O “coadjutor” que Dom Bosco carregava no coração

Foi talvez este acontecimento que estimulou Dom Bosco a definir melhor a figura do salesiano leigo, do “coadjutor” na Congregação Salesiana.

31 de março de 1876. Em uma “boa-noite” reservada aos artesãos, ele indicou em que consistia a vocação do salesiano leigo: “Notem que entre os membros da Congregação não há distinção alguma; são todos tratados da mesma maneira, artesãos, clérigos e padres; nós nos consideramos todos como irmãos”.

Em 1877, José Buzzetti decidiu pedir para entrar na Sociedade Salesiana. Seu pedido foi apresentado pelo próprio Dom Bosco ao “Capítulo Superior”, constituído quase inteiramente por aqueles garotos a quem José “havia ensinado a assoar o nariz”. Foi aceito por unanimidade, e acredito que aquele foi um dos dias mais intimamente belos para Dom Bosco.

Muitos outros “coadjutores” já faziam parte da Sociedade Salesiana com as mais variadas funções: Pelazza e Gambino eram diretores de oficinas; Marcelo Rossi era porteiro; Nasi, enfermeiro; José Rossi, administrador; Enria, o faz-tudo; Falco e Ruffato, cozinheiros. Mas todos “coadjuvavam o sacerdote” com responsabilidades apostólicas: ensinavam catecismo, eram assistentes e educadores.

A “tentação”, da qual falamos há pouco, voltou nos últimos anos da vida de Dom Bosco. No terceiro “Capítulo Geral” da Congregação, realizado em 1883, alguém disse: “É preciso manter os coadjutores em uma posição inferior, formar para eles uma categoria distinta”. Dom Bosco reagiu com vivacidade: “Não, não, não. Os irmãos coadjutores são como todos os outros”. E falando no mesmo ano aos Salesianos leigos, afirmava com força: “Vocês não devem ser aqueles que trabalham diretamente ou se afadigam, mas sim aqueles que dirigem. Vocês devem ser como patrões sobre os outros operários, não como servos… Esta é a ideia do coadjutor salesiano. Eu tenho tanta necessidade de ter muitos que venham me ajudar desta forma! Por isso, fico contente que vocês tenham roupas adequadas e limpas; que tenham camas e quartos convenientes, porque não devem ser servos, mas patrões, não súditos, mas superiores”.

Pedro Braido, estudioso do problema, afirma: “A figura do coadjutor (na mente de Dom Bosco) não surgiu de repente como uma criação totalmente nova e original, mas emergiu gradualmente, entre oscilações e incertezas”.

Nós ousamos afirmar que talvez a “figura ideal” do coadjutor que Dom Bosco carregou no coração por tantos anos foi a de José Buzzetti: de extrema confiança, humilde, sempre presente nos momentos difíceis e delicados, que sentia o oratório como sua família, carne viva de sua vida, que se sentia realizado porque a “sua família” se realizava, que não entendia muito de questões jurídicas, mas a todo custo “queria estar com Dom Bosco”.

E, no entanto, este homem, que daria a vida por Dom Bosco e que amava intensamente a sua obra, não se considerava digno de ser salesiano.

Finalmente, em 1877, decidiu fazer o pedido para ser inscrito na Sociedade, à qual já pertencia em espírito, se não de nome. O próprio Dom Bosco quis propor seu pedido ao Conselho Superior, que acolheu por unanimidade o mais antigo dos frequentadores vivos do oratório.

Na verdade, ele não teve que mudar nada em sua maneira de viver. Por quase quarenta anos, o Oratório era todo o seu mundo, a vida do oratório toda a sua vida e a Congregação Salesiana o seu ideal aqui na terra. Após a morte de Dom Bosco, viveu ainda três anos e meio; mas poder-se-ia dizer que sua missão nesta terra havia terminado. Agravando-se notavelmente seus problemas de saúde, aceitou com prazer ir para Lanzo. Passava lá seus dias em oração.

Uma tranquilidade perfeita reinava em seu espírito, uma calma inalterável o acompanhou no leito de dor até o último dia.

 

P. Bruno FERRERO

Salesiano de Dom Bosco, especialista em catequese, autor de vários livros. Ele foi diretor editorial da editora salesiana Elledici. Ele é o diretor do "Boletim Salesiano", impresso em italiano.