12 Ago 2026, Qua

A Oceania nos chama: o Projeto Vanuatu

⏱️ Tempo de leitura: 6 min.

Em 13 de dezembro de 2025, três missionários salesianos desembarcaram em Vanuatu, um arquipélago de 83 ilhas no sudoeste do Pacífico: é o 137º país onde a Congregação cria raízes. O P. Alfred Maravilla, o P. Moïse Paluku e o Coadjutor Paulus Bataona chegaram sem estruturas, sem recursos, sem que ninguém conhecesse o nome de Dom Bosco. Abraçaram a lógica da pequenez, como o oratório itinerante dos primeiros tempos: ouvir, observar, compreender os jovens e as suas necessidades. Oito meses depois, os primeiros frutos surpreendem: seis aspirantes a Salesianos Cooperadores, uma procissão de Maria Auxiliadora mais lotada do que o previsto, um oratório que está nascendo. Cumpre-se assim o sonho que Dom Bosco teve em 1885: das ilhas da Oceania, uma multidão de jovens ainda grita “Venha nos ajudar!”.

 

 

Vanuatu é um arquipélago de 83 ilhas no sudoeste do Pacífico, a leste da Austrália e ao norte da Nova Zelândia. Este país da Melanésia, república independente desde 1980, tem uma superfície de 12.200 km² e uma população de cerca de 375.000 habitantes. O cristianismo é a religião mais difundida: a maioria é presbiteriana (31%), enquanto católicos e anglicanos representam cada um 13% da população. Os demais pertencem a várias denominações cristãs; uma minoria muito pequena é muçulmana.

 

O convite aos salesianos remonta a 2018 e partiu do bispo local, Dom João Bosco Baremes, marista. Em sua carta ao Reitor-Mor, P. Ángel Fernández Artime, ele escreveu: “Convido os salesianos não porque tenho o mesmo nome do seu Fundador, mas porque acredito que o carisma de Dom Bosco é profundamente necessário para as nossas ilhas…”. Após numerosas visitas exploratórias, o P. Ángel Fernández Artime aceitou o convite para abrir uma nova presença.

 

Começar do zero, com a lógica da pequenez

Chegamos praticamente com muito pouco: não conhecíamos ninguém, o nome de Dom Bosco era desconhecido e tivemos que começar do zero, apresentando-nos à Igreja local e às pessoas comuns. Como pioneiros, abraçamos a lógica da pequenez: não tínhamos recursos, estruturas nem qualquer presença social no país. Mas, confiando nas palavras do Senhor – “Não temas, pequeno rebanho” (Lc 12,32) – trazíamos no coração o zelo missionário de Dom Bosco. Animados pela sua paixão pelos jovens, vivemos com uma esperança confiante, enraizada na fé e na união com Deus, certos de que o carisma de Dom Bosco crescerá e dará frutos abundantes nesta terra da Oceania.

 

Chegamos enquanto nos preparávamos para celebrar o Natal. O tempo litúrgico nos lembrava que é justamente na pequenez e na humildade do Menino de Belém que reside a grandeza da nossa salvação. Da mesma forma, na humildade da nossa nova presença, Deus se faz presente na vida das pessoas. Aliás: Deus já estava aqui, mesmo antes da nossa chegada!

 

Para mim, esta missão é uma nova experiência. Já em 1985 eu havia feito parte do primeiro grupo de salesianos que iniciou a presença em Port Moresby, em Papua Nova Guiné: eu era um jovem salesiano no período de tirocínio prático, e foi uma experiência belíssima, porque a minha principal tarefa era estar no meio dos jovens. Liderar hoje um grupo de pioneiros, porém, é algo completamente diferente. Considero isso um grande desafio e uma responsabilidade ainda maior: lançar as bases para o desenvolvimento futuro da obra e do espírito de Dom Bosco em um novo país. Ser pioneiro é certamente um privilégio, mas a responsabilidade que daí advém é ainda maior.

 

Ouvir, observar, compreender

Durante os primeiros meses, o nosso principal objetivo foi ouvir, observar e compreender a realidade pastoral local, a situação e as necessidades dos jovens. Esperamos abrir em breve um oratório, embora por enquanto não disponhamos de estruturas nem de animadores: temos apenas um velho campo de futebol e uma quadra de basquete em más condições. Somos como o oratório itinerante de Dom Bosco: partimos do nada.

 

Pouco a pouco, reunimos alguns jovens líderes e os estamos formando para que se tornem animadores. Contamos também com o apoio dos amigos e de todas as pessoas de boa vontade, para que o nosso oratório possa nascer e crescer.

 

Tendo em vista o início de um projeto educativo salesiano em Vanuatu, empreendemos um primeiro processo de planejamento para compreender melhor a realidade e as aspirações dos jovens do país e identificar as respostas educativas mais eficazes às suas necessidades. O percurso se articula em quatro fases.

 

A primeira fase foi dedicada à escuta atenta, à pesquisa e ao debate sobre a situação atual dos jovens de Vanuatu, com especial atenção aos desafios no âmbito social, educativo e ocupacional. Este estudo preliminar nos ofereceu indicações preciosas sobre as oportunidades e as necessidades dos jovens de hoje.

 

A segunda fase concentrou-se no discernimento comunitário: guiados pelo carisma de Dom Bosco, que educa e evangeliza os jovens, especialmente os mais necessitados, refletimos juntos sobre as possíveis orientações da missão e exploramos modalidades concretas para responder às realidades locais.

 

A terceira fase levou à elaboração de algumas decisões e propostas para o futuro. A comunidade reafirmou o seu compromisso de oferecer uma educação e uma formação de qualidade, capazes de preparar os jovens para uma inserção significativa no mundo do trabalho e para um exercício responsável da cidadania. Entre as áreas prioritárias estão o ensino técnico pós-secundário e a formação profissional, em resposta à crescente demanda por competências práticas e qualificação profissional no país.

 

A quarta fase, atualmente em curso, traduzirá essas escolhas em um projeto operacional concreto.

 

Estamos fazendo todo o possível para dar início a um verdadeiro oratório salesiano, convictos de que a maneira mais eficaz de enraizar o carisma de Dom Bosco neste país é justamente começar por aí. Nestas ilhas há muitíssimos jovens que, de certo modo, esperam por Dom Bosco.

 

Os primeiros frutos

Durante a novena a Dom Bosco em janeiro passado, um professor católico casado se aproximou de nós pedindo para “se tornar salesiano”. Para nossa surpresa, percebemos que ele pretendia se tornar um Salesiano Cooperador. O seu pedido nos pegou desprevenidos, porque até aquele momento ainda não havíamos falado sobre a Associação dos Salesianos Cooperadores. Após cerca de um mês de pedidos insistentes, eu lhe disse que estaria disposto a oferecer-lhe um percurso de formação se ele encontrasse outras três pessoas interessadas. A sua resposta me deixou sem palavras: “Mas eu já encontrei outras cinco!”. Assim, iniciamos o caminho de formação dos primeiros seis aspirantes a Salesianos Cooperadores.

 

No mês de maio, introduzimos a devoção a Maria Auxiliadora e a população a acolheu com grande entusiasmo. Da procissão em sua honra, no dia 24 de maio, participaram muito mais pessoas do que esperávamos. Hoje já existe um grupo interessado em fazer parte da ADMA, a Associação de Maria Auxiliadora.

 

O sonho que se cumpre

Quando repenso no que aconteceu em Vanuatu desde que chegamos, há apenas oito meses, não posso deixar de ficar maravilhado com a acolhida que as pessoas nos reservaram. Acolheram a nós, mas sobretudo acolheram Dom Bosco e o seu carisma. Pude tocar com as próprias mãos a realização do sonho que Dom Bosco teve sobre a Oceania em julho de 1885, quando viu uma multidão de jovens provenientes de inúmeras ilhas que lhe gritavam: “Venha nos ajudar!”.

 

Assim ele conta o quarto sonho missionário:

 

“Finalmente me pareceu estar na Austrália. Aqui também vi um Anjo, mas não tinha nenhum nome. Ele guiava e caminhava e fazia caminhar as pessoas na direção do Sul. A Austrália não era um continente, mas um agregado de muitas ilhas, cujos habitantes tinham caráter e aparência diferente. Uma multidão de meninos que moravam lá tentavam vir em minha direção, mas eram impedidos pela distância e pelas águas que os separavam. Estendiam, porém, as mãos para Dom Bosco e aos salesianos, dizendo: – Vinde em nossa ajuda! Por que não completais a obra que os vossos pais iniciaram? – Muitos pararam; outros, com muito esforço, passaram em meio a animais ferozes e vieram misturar-se com os salesianos, que eu não conhecia, e se puseram a cantar: Benedictus qui venit in nomine Domini (Bendito o que vem em nome do Senhor, Sl 118,26; Mt 21,9). A alguma distância se viam grupos de numerosas ilhas; mas eu não pude ver as particularidades. A mim parece que tudo isso indica que a Divina Providência oferece uma porção do campo evangélico aos salesianos, mas no futuro. Suas canseiras darão frutos, porque a mão do Senhor estará constantemente com eles, se não desmerecerem seus favores” (MBp XVII, 532).

 

Sempre guardei no coração a profunda convicção de que na Oceania há uma grande messe que aguarda a Congregação. A experiência que estou vivendo hoje, ao dar início a esta nova presença salesiana em Vanuatu, me fez compreender que não são apenas os jovens que nos esperam na Oceania. Dom Bosco nos precedeu: ele já está aqui, e espera os seus.

 

d. Alfred Maravilla, sdb

 

Editor BSOL

Editor do Website.