6 Set 2026, Dom

O sistema preventivo (2/7). O diálogo com o professor Francisco Bodrato

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Continuamos com o segundo episódio sobre os textos principais do sistema preventivo de Dom Bosco.

Artigo anterior: O sistema preventivo (1/7). A conversa com o Ministro do Interior Urbano Rattazzi

 

Diante de um professor elementar: o diálogo com Francisco Bodrato

Dom Bosco está em Mornese, no Alto Monferrato, durante um dos célebres passeios de outono – a mesma parada que abre caminho para o encontro com Maria Domingas Mazzarello e as futuras Filhas de Maria Auxiliadora. Quem se aproxima dele é Francisco Bodrato, professor municipal da cidade: um profissional da escola, viúvo, pai de família. Ele entrará na Sociedade no ano seguinte, será sacerdote em 1869 e guiará a segunda expedição missionária à Argentina, onde morrerá em 1880.

O diálogo é técnico, de profissionais da área. Bodrato pergunta o que todo professor pergunta: como se obtém disciplina sem ameaças. A resposta de Dom Bosco desmonta o modelo da cátedra e propõe a assistência, a presença no recreio, a familiaridade, a prevenção da ocasião. É o texto mais «prático» da série e, não por acaso, o que fala mais diretamente aos docentes de hoje: demonstra que o método não é uma exclusividade do oratório, mas é transferível para a escola pública de uma cidadezinha do interior.

 

 

2/7. O diálogo sobre o sistema preventivo com o professor municipal Bodrato

(7 de outubro de 1864, MBp VII, 787-788)

 

«Para esse fim, pediu a Dom Bosco uma audiência particular, que lhe foi concedida. Perguntou a Dom Bosco qual o segredo para conseguir dominar daquela forma tantos jovens naturalmente não inclinados a se submeterem a regras disciplinares. Dom Bosco respondeu:

Religião e razão são as duas forças de todo o meu sistema de educação. O educador tem que estar persuadido de que todos ou quase todos esses queridos jovenzinhos possuem uma natural inteligência para conhecer o bem que lhes é feito pessoalmente, e ao mesmo tempo ainda são dotados de um coração sensível, facilmente aberto ao reconhecimento. Quando se tenha conseguido, com a ajuda de Deus, fazer penetrar em suas almas as principais verdades da nossa santa religião, que está toda ela impregnada de amor, reflexo do amor de Deus por nós; quando se consiga fazer vibrar neles a corda da gratidão, devida a Deus pelos benefícios que recebemos com tamanha largueza; quando finalmente, apoiados na razão, se criar a convicção de que a verdadeira gratidão a Deus se prova na obediência à sua vontade, no respeito dos seus preceitos, aqueles em particular que prescrevem a observância dos nossos recíprocos deveres, pode acreditar que grande parte do trabalho educativo está feito. A religião neste sistema faz o papel do freio colocado na boca do fogoso corcel, que o domina e segura; a razão, por sua vez, faz o papel das rédeas que, pressionando o freio, produzem o efeito desejado. Religião verdadeira, religião sincera que domine as ações da juventude, razão que corretamente aplique aqueles santos ditames para regra de todas as suas ações, eis compendiado em duas palavras o sistema que eu aplico, e cujo segredo o senhor quer conhecer.

No final dessa conversa, Bodrato, após breve reflexão, retomou sorrindo a conversa: Rev. Senhor, com a comparação do sábio domador dos jovens corcéis, o senhor falou do freio da religião e do bom uso da razão para dirigir suas ações. Tudo certo; parece-me, porém, que o senhor tenha omitido um terceiro meio que sempre acompanha o trabalho do domador de cavalos, quero dizer, o inseparável chicote, que é como o terceiro elemento para ter sucesso.

A essa observação do professor Bodrato, Dom Bosco acrescentou: Meu caro senhor, permito-me observar que no meu sistema o chicote, que o senhor diz indispensável, ou seja, a ameaça salutar dos futuros castigos, não é totalmente excluído; reflita que muitos e terríveis são os castigos que a religião ameaça contra aqueles que, não dando valor aos preceitos do Senhor, se atreverão a desprezar seus mandamentos, ameaças severas e terríveis que, se forem lembradas com frequência, não deixarão de produzir bom efeito; esse efeito alcança também o interior da pessoa, seus pensamentos mais ocultos. Para conseguir esse efeito, contribuem as práticas sinceras da religião, a frequência dos sacramentos, a insistência do educador; e é coisa certa que, com a ajuda de Deus, se conseguirá transformar em bons cristãos até os mais obstinados. Quando os jovens chegam à persuasão de que seus dirigentes amam sinceramente seu verdadeiro bem, será suficiente para servir de castigo dos desobedientes mostrar descontentamento. Acredite, meu caro senhor, que este sistema é talvez o mais fácil, e certamente o mais eficaz, porque com a prática da religião será também o mais abençoado por Deus. Para que o senhor possa ter uma prova concreta, convido-o a passar conosco alguns dias, para observar de perto a aplicação prática nas nossas casas. Sinta-se à vontade. Espero que, no final da experiência, possa assegurar-me que o que lhe tenho dito é experimentalmente o sistema mais prático e seguro.»

 

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