26 Mar 2026, Qui

Exame de consciência segundo os sete pecados capitais

 

I. Soberba
“A soberba precede a abatimento; antes da queda, a arrogância.” (Pr 16,18)
“Quando vem a soberba, vem também a injúria; entre os humildes, porém, está a Sabedoria.” (Pr 11,2)
“Princípio da soberba do homem é afastar-se de Deus; daquele que o fez, o seu coração aparta.” (Eclo 10,12)
“Pois é o dia do Senhor dos Exércitos, contra soberbos e orgulhosos, contra todo arrogante, que será humilhado” (Is 2,12)
“Ele mostrou a força de seu braço; dispersou os que têm planos orgulhosos no coração. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.” (Lc 1,51-52)
“Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.” (Lc 18,14)
“Que tens que não tenhas recebido? Mas, se recebeste tudo, por que, então, te glorias, como se não o tivesses recebido?” (1Cor 4,7)
“Deus resiste aos soberbos, mas concede a graça aos humildes” (Tg 4,6)

1. Reconhecimento de Deus como fonte de todo bem
1. Reconheço que todos os bens que tenho – de natureza e de graça – vêm de Deus, e não de mim mesmo?
2. Atribuo a Deus todo o bem que faço?
3. Não estou talvez orgulhoso, tão cheio de mim mesmo, a ponto de não deixar entrar em mim nem uma gota de graça?

2. Submissão à vontade de Deus e aos superiores
1. Recuso-me a submeter-me à vontade de Deus?
2. Não sou talvez desobediente ou relutante em aceitar as decisões de quem tem autoridade legítima sobre mim?
3. Não tenho um apego excessivo à minha vontade e às minhas opiniões? Sou teimoso? Consigo renunciar aos meus caprichos por um bem maior?

3. Vida espiritual
1. Não confio demais em mim mesmo, a ponto de me expor ao perigo do pecado?
2. Não me considero talvez sem necessidade de uma direção espiritual?
3. Não me vanglorio quando Deus me dá consolações espirituais? Ou não reclamo com Ele por não me dar?
4. Não desprezo as pequenas coisas – virtudes, hábitos de piedade – aspirando apenas às grandes?
5. Distingo entre o que é doutrina de fé e o que é simplesmente a minha opinião pessoal?
6. Rejeito as humilhações ou, pelo contrário, sei aproveitá-las como uma oportunidade para crescer em humildade?

4. Autoconsciência e aceitação dos próprios limites
1. Reconheço sinceramente os meus erros e peço perdão?
2. Não encobri ou justifiquei os meus erros em vez de corrigi-los?
3. Não finjo saber ou ter o que não tenho, para parecer maior aos olhos dos outros?
4. Não sou talvez hipócrita? Não finjo ser o que não sou?
5. Não me considero indispensável, como se sem mim nada pudesse ser feito?

5. Relação com as críticas e as opiniões alheias
1. Aceito os conselhos dos outros ou zombo deles, mesmo quando os vejo como bons?
2. Não me ofendo ou me irrito quando os outros me criticam?
3. Não insisto nas minhas opiniões mesmo quando percebo que estão erradas ou são menos boas que as dos outros?
4. Não tenho um tom superior e arrogante quando corrijo alguém? Permito que quem errou saia da correção de forma digna ou o faço sentir-se humilhado?
5. Tenho a paciência de ouvir o meu interlocutor? Ou falo por cima dele?
6. Não julgo e critico com facilidade a todos – até mesmo os meus superiores – porque os considero inferiores a mim?

6. Comparação com os outros e ambição
1. Não sou talvez ambicioso? Não aspiro a honras ou posições mais elevadas para aparecer mais diante dos outros?
2. Sei que me comparar com os outros não faz sentido, porque sempre encontrarei alguém que me supera e alguém que eu supero? Fiz minha esta regra: “não o melhor de todos a qualquer custo, mas melhor do que ontem a qualquer sacrifício”?
3. Os sucessos obtidos não me levaram ao orgulho ou ao desprezo pelos outros?
4. Não desprezo os outros no meu coração?

7. Busca de louvores, honras e aprovação
1. Não desejo ser louvado? Não fico talvez triste quando não recebo louvores ou reconhecimentos?
2. Não procuro talvez, nas conversas, levar o assunto para mim para ser elogiado?
3. Não tento chamar a atenção com a minha inteligência, minha aparência física ou outras qualidades?
4. Consigo ser indiferente aos louvores e às honras?
5. Não faço as coisas apenas para causar uma boa impressão?
6. As minhas boas obras são feitas com reta intenção ou estão misturadas com orgulho, vaidade, egoísmo, presunção ou arrogância?

8. Relação com os outros na vida cotidiana
1. Não me considero o centro do universo? Não centralizo tudo em mim mesmo?
2. Não me mostro excessivamente preocupado com o que os outros pensam de mim?
3. Não me considero talvez o único modelo perfeito, a única autoridade competente, aquele a quem todos devem seguir?
4. Não estimo talvez tanto as minhas ações a ponto de desejar que todos se ocupem de mim, se compadeçam de mim nas desgraças e me parabenizem por tudo o que faço?
5. Consigo fazer o bem ao próximo sem desprezá-lo ou humilhá-lo? Consigo ajudar com humildade, sem mostrar superioridade?
6. Não me sirvo talvez de meios indignos – adulação, fingimento, ostentação de méritos que não tenho – para obter uma posição ou um cargo?
7. Não me ressenti talvez pela forma como fui tratado?
8. Modero o meu espírito crítico? Expresso as minhas críticas de forma construtiva, como sugestão de uma possibilidade melhor?

 

II. Avareza
“Quem ama o dinheiro, dele não se fartará; quem ama a riqueza dela não tirará proveito.” (Ecl 5,9)
“Quem ama o ouro não será justificado; quem persegue o lucro nele se perderá.” (Eclo 31,5)
“Ai dos que juntam casa a casa, emendando terreno com terreno, até não sobrar espaço para mais ninguém!” (Is 5,8)
“É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus” (Mt 19,24)
“Atenção! Guardai-vos de todo tipo de ganância, pois mesmo que se tenha muitas coisas, a vida não consiste na abundância de bens.” (Lc 12,15)
“Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro” (Lc 16,13)
“Pois os que querem enriquecer caem em muitas tentação e laços, em desejos insensatos e nocivos, que mergulham as pessoas na ruína e perdição.” (1Tm 6,9)
“Pois ficai bem certos: que nenhum libertino ou impuro ou ganancioso – que é um idólatra – tem herança no reino de Cristo e de Deus.” (Ef 5,5)

1. Confiança em Deus e desapego dos bens materiais
1. Estaria pronto a privar-me de tudo para não perder a graça de Deus?
2. Não tenho talvez pouca confiança na Providência de Deus e uma preocupação excessiva com o futuro?
3. Não criei talvez um ídolo do dinheiro, buscando nele segurança, prazer ou prestígio social?
4. Não tenho talvez um senso de posse desordenado sobre as coisas e as pessoas?

2. Relação com o dinheiro e os bens materiais
1. O acúmulo de riquezas não se tornou talvez uma preocupação que me domina? O dinheiro tornou-se um fim em si mesmo?
2. Não tenho talvez avidez por dinheiro ou o desejo de possuir sempre mais?
3. Não sinto talvez um apego excessivo aos bens ou ao dinheiro?
4. Não chamo talvez de “economia” o que sei bem ser avareza?
5. Não confundo talvez o acúmulo irracional com o desejo legítimo de assegurar o meu futuro e o da minha família?
6. Tenho ambição de fama ou de poder?

3. Honestidade e integridade nos negócios
1. Utilizo enganos, fraudes ou negócios escusos para ganhar mais?
2. Não participei de jogos de azar com dinheiro?
3. Evito contrair dívidas inúteis? Se sou forçado a fazê-lo, pago-as com pontualidade e escrúpulo?

4. Uso responsável do dinheiro
1. Uso os bens materiais segundo as justas e moderadas necessidades? Até que ponto chega o meu amor pelo luxo?
2. Não gasto dinheiro com coisas inúteis ou supérfluas? Se tenho pouco, uso-o para as coisas mais necessárias ou o desperdiço em coisas das quais poderia prescindir?
3. Como emprego o dinheiro que ganho? Usei o dinheiro como um administrador responsável dos bens que Deus me confiou?

5. Generosidade para com o próximo
1. Sou generoso ou egoísta com o que tenho?
2. Não sou talvez avarento com a minha família?
3. Não prejudiquei talvez a minha família ou outras pessoas por causa da minha avareza ou ambição?
4. Ajudei quem precisa – os pobres, as missões, as igrejas, os colegas em dificuldade, as obras de caridade?
5. Sacrifico o meu tempo para ajudar os outros?
6. Tenho uma atenção e compaixão especial pelos pobres ou os desprezo e procuro mais de bom grado a companhia dos ricos?
7. Não reclamo talvez da minha pobreza material, mostrando assim um coração que deseja riquezas?

 

III. Luxúria
“Dois tipos de gente multiplicam os pecados e um terceiro atrai a ira e a perdição: a paixão ardente, como fogo aceso não se extingue enquanto não se saciar; aquele que se entrega à sua própria sensualidade, que não para enquanto não acende o fogo… – para quem se entrega à sensualidade todo pão é saboroso: só deixará de prová-lo quando morre – e quem é infiel ao leito matrimonial, debochando no seu coração e dizendo: «Quem me vê? As trevas me rodeiam, as paredes me escondem, ninguém me olha; de quem tenho medo? O Altíssimo não se lembrará dos meus pecados!»” (Eclo 23,16-18)
“Todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração.” (Mt 5,28)
“Fugi da devassidão! Em geral, todo pecado que uma pessoa venha a cometer é exterior ao seu corpo. Mas quem pratica a imoralidade sexual peca contra seu próprio corpo. Acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Deus. Ignorais que não vos pertenceis a vós mesmos? De fato, fostes comprados, e por preço muito alto. Então, glorificai a Deus no vosso corpo!” (1Cor 6,18-20)
“Portanto, mortificai os vossos membros, isto é, o que em vós pertence à terra: imoralidade sexual, impureza, paixão, maus desejos, especialmente a ganância, que é uma idolatria” (Cl 3,5)
“A vontade de Deus é que sejais santos e que vos afasteis da imoralidade sexual. Saiba cada um de vós viver seu matrimônio com santidade e com honra, sem se deixar levar pelas paixões” (1Ts 4,3-5)

1. Atos graves (pecados em obras)
1. Não tive relações sexuais fora do casamento – fornicação ou adultério?
2. Não cometi atos impuros sozinho ou com outros?
3. Não me coloquei deliberadamente em situações em que sabia que cairia em pecado, iludindo-me depois de me arrepender sem, no entanto, mudar nada?

2. Consequências para a pessoa
1. A minha vida sexual desordenada não obscureceu em mim a capacidade de raciocinar e de distinguir o bem do mal?
2. Não enfraqueceu a minha vontade, tornando-me incapaz de tomar decisões firmes e de mantê-las?
3. Não diminuiu o meu senso de valores, levando-me a fazer escolhas tolas ou irresponsáveis?
4. Não me tornou mais egoísta, menos capaz de pensar verdadeiramente nos outros?

3. Confusão entre luxúria e amor
1. Não confundo a luxúria com o amor, como se fossem a mesma coisa?
2. Sei, no fundo de mim mesmo, que a luxúria não é amor – e que o amor verdadeiro não se reduz ao sexo?
3. Reconheço que a sexualidade é uma das maneiras pelas quais o amor se expressa, mas que encontra o seu lugar pleno, moralmente, apenas no casamento?

4. Pensamentos, palavras e olhar
1. Não me deixo levar por pensamentos impuros sem fazer nada para afastá-los?
2. Não paro para fixar o olhar em pessoas ou imagens que me suscitam maus pensamentos, em vez de desviar o olhar imediatamente?
3. Quando percebo que a fantasia vai para coisas perigosas, eu a freio imediatamente ou a deixo ir?
4. Uso palavras vulgares, duplos sentidos ou piadas de conotação sexual que perturbam ou escandalizam os outros?
5. Não sou eu mesmo a causa de muitas das minhas tentações, pela forma como me comporto, como olho, como falo?

5. Ocasiões de pecado e ambiente
1. Evito leituras, filmes, programas, sites ou conteúdos de teor erótico ou pornográfico?
2. Evito situações de solidão prolongada com pessoas que poderiam se tornar ocasião de pecado?
3. Evito ambientes ou companhias em que se fala de modo vulgar ou se alimenta uma mentalidade sensual?
4. Mantenho sob controle o uso de álcool, a preguiça e os excessos nas diversões, sabendo que enfraquecem as minhas capacidades?
5. Afasto imediatamente as tentações involuntárias, recorrendo à oração, em vez de me demorar nelas?

6. Justificativas e autoenganos
1. Não tento justificar os meus excessos sexuais dizendo que são “necessários para a saúde” ou “expressão da minha personalidade”?
2. Não me iludo de estar arrependido após cada queda, sem, no entanto, mudar realmente nada no meu estilo de vida?
3. Percebo que rezar e pedir graças a Deus, enquanto continuo a viver de modo sexualmente desordenado, é uma contradição?

7. Vida espiritual e remédios
1. Estou convencido de que a pureza é uma virtude preciosa e necessária – não um ideal inalcançável?
2. Penso sinceramente que Deus aprovaria os meus hábitos sexuais, assim como são?
3. Recorro aos Sacramentos – em particular à Confissão e à Comunhão – como ajuda concreta para viver a pureza?
4. Reconheço na santa Comunhão o remédio mais potente contra a impureza, e a recebo com essa intenção?

 

IV. Ira
“Quem é impaciente faz tolices.” (Pr 14,17)
“É melhor o paciente que o valente; quem domina a si mesmo vale mais que o conquistador de cidades.” (Pr 16,32)
“A pessoa irascível provoca brigas; quem facilmente se irrita mais inclinado está a pecar.” (Pr 29,22)
“Não sejas fácil em irritar-te interiormente: a irritação se aloja no peito do insensato.” (Ecl 7,9)
“Desiste da ira, depõe o furor; não te irrites, só iria piorar.” (Sl 37,8)
“Ora, eu vos digo: todo aquele que tratar seu irmão com raiva deverá responder no tribunal.” (Mt 5,22)
“Não se ponha o sol sobre vossa ira, e não deis nenhuma chance ao diabo” (Ef 4,26-27)
“Desapareça do meio de vós todo amargor e exaltação, toda ira e gritaria, ultrajes e toda espécie de maldade.” (Ef 4,31)
“Agora, porém, rejeitai tudo isto: ira, furor, malvadeza, ultrajes e não saia de vossa boca nenhuma palavra indecente.” (Cl 3,8)
“Cada um deve ser pronto para ouvir, mas lento para falar e lento para se irritar. Pois aquele que se encoleriza não é capaz de realizar a justiça de Deus.” (Tg 1,19-20)

1. Atos graves (violência e vingança)
1. Não cometi atos de violência física ou verbal, impulsionado pela raiva?
2. Não ofendi ou fiz mal a alguém em um momento de ira?
3. Não cometi injustiças contra outros justamente porque estava fora de mim de raiva?
4. Não tentei concretamente me vingar de alguém que me fez mal?
5. Não alimento desejos de vingança – não pensei ou disse “ele vai me pagar”?

2. Rancor e perdão
1. Não guardo rancor de alguém, evitando falar com ele ou frequentá-lo?
2. Quando alguém me fere, consigo perdoá-lo de verdade ou finjo perdoar e guardo mágoa?
3. Quando alguém pede perdão, estou pronto a dar de coração?

3. Explosões de raiva e perda de controle
1. Não tenho explosões de cólera repentinas, com palavras ou gestos furiosos?
2. Não fico nervoso e perco a calma por coisas mínimas, por ninharias?
3. Não uso blasfêmias, pragas, palavrões ou expressões vulgares quando estou com raiva?
4. Não me deixo contagiar pela ira de quem está ao meu redor, mesmo quando poderia permanecer calmo?
5. Percebo que quando estou tomado pela ira não consigo raciocinar com clareza e julgo mal as situações?

4. Suscetibilidade e mau humor
1. Não sou excessivamente suscetível – não vejo ofensas onde há apenas uma brincadeira ou um erro involuntário?
2. Não sou intolerante e intransigente? Não me irrito facilmente com quem não pensa como eu?
3. Não fico de mau humor quando as coisas não saem como eu quero?
4. Não manifesto o meu mau humor de modo a ofender sobre quem está perto de mim?
5. Sei enfrentar as dificuldades – doenças, problemas de trabalho, conflitos nos relacionamentos – sem perder a paz interior?

5. Responsabilidade pessoal e crescimento
1. Não culpo os outros ou as circunstâncias quando perco o controle – “ele me fez perder a cabeça”, “é culpa dele que eu fiquei com raiva” – em vez de assumir a minha responsabilidade?
2. Percebo que a ira é um obstáculo ao meu crescimento pessoal e espiritual, e que me impede de fazer a vontade de Deus?
3. Esforço-me concretamente para controlar as minhas emoções ou me deixo levar pensando que não posso fazer nada a respeito?
4. Fiz algo prático para trabalhar na minha irascibilidade: oração, reflexão, pedir ajuda?

6. Modo de falar e relações com os outros
1. Quando respondo a alguém que está com raiva, faço-o com calma e doçura ou respondo com a mesma ira?
2. Quando expresso uma crítica ou defendo o meu ponto de vista, faço-o com um tom sereno ou tenho o desejo de prevalecer ou de ferir?
3. Evito provocar os outros com piadas, brincadeiras ou comportamentos que sei que os deixam nervosos?
4. Falo de modo a buscar a verdade e a justiça ou falo para ter razão e para fazer o outro pagar?

 

V. Gula
“Mete a faca à garganta, se és dado à gula.” (Pr 23,2)
“Não te encontres nos banquetes dos beberrões, nem nas comezainas de carne, pois bêbados e comilões se arruinarão; e a sonolência se cobrirá de trapos.” (Pr 23,20-21)
“Não sejas ávido em banquete algum, e não te lances sobre todos os pratos. Pois em muita comida está a doença, e a intemperança conduz à cólica. Pela gula insaciável muitos pereceram; quem, porém, é sóbrio, prolonga a vida.” (Eclo 37,29-31)
“«Meu caro, tens uma boa reserva para muito anos. Descansa, come, bebe, goza a vida!». Mas Deus lhe diz: «Tolo! Ainda nesta noite tua vida te será tirada.»’” (Lc 12,19)

“Cuidado para que vossos corações não fiquem pesados por causa dos excessos, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós.” (Lc 21,34)
“Já vos disse muitas vezes e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso. Apreciam só as coisas terrenas!” (Fl 3,18-19)

1. Vícios e danos graves à pessoa
1. Não tenho um vício em álcool, drogas, jogos de azar ou outros comportamentos compulsivos ligados ao prazer?
2. Não bebi ou comi de forma tão excessiva a ponto de perder o controle de mim mesmo?
3. O abuso de comida ou de álcool não deteriorou minha mente, minha memória ou minha capacidade de julgamento?
4. Não me fez perder a dignidade ou o senso de responsabilidade para com os outros?
5. Não enfraqueceu significativamente minha vontade, tornando-me escravo dos meus hábitos?
6. Não trouxe para a minha vida uma visão cada vez mais materialista, na qual o corpo e seus prazeres contam mais do que tudo?

2. Excessos habituais no comer e no beber
1. Não como habitualmente mais do que o necessário, além do que minha saúde exige?
2. Não bebo álcool em excesso – em que medida ele faz parte da minha vida cotidiana?
3. Não escandalizei alguém com meu comportamento à mesa ou com a bebida?
4. Acredito realmente que comer ou beber demais tem consequências negativas na minha vida moral e espiritual?

3. As cinco formas de pecar à mesa
1. Não como fora de hora, antes que o corpo realmente precise, só porque tenho vontade?
2. Não me deixo levar pela avidez – não como com voracidade, com gula, sem freios?
3. Não como em quantidade excessiva, além da necessidade razoável?
4. Não procuro comidas muito caras e refinadas, preocupando-me mais com o prazer do que com a necessidade?
5. Não dedico um cuidado desproporcional à escolha e à preparação do que como, transformando a refeição em uma obsessão?

4. Atitude interior em relação à comida
1. Não busco na comida e na bebida o prazer por si mesmo, como se fosse um fim e não um meio?
2. Não falo com frequência e com gosto sobre comida, receitas, restaurantes, como se fosse um dos assuntos mais importantes da minha vida?
3. Percebo que Deus nos deu o prazer da comida para nos sustentar, não para me tornar dependente dela?

5. Moderação, mortificação e vida espiritual
1. Sou moderado na comida e na bebida ou me deixo levar sem impor limites?
2. Como e bebo com calma, mesmo quando tenho fome ou sede, ou me atiro na comida sem controle?
3. Pratico alguma forma de mortificação voluntária à mesa: não escolho sempre o que prefiro, observo os jejuns prescritos, aceito com serenidade alguma pequena privação?
4. Respeito os jejuns e as abstinências previstos pela Igreja?
5. Sei sofrer a fome ou a sede sem me lamentar, quando as circunstâncias o exigem?

 

VI. Inveja
“Coração bondoso é vida para o corpo, enquanto a inveja é a cárie nos ossos.” (Pr 14,30)
“Cruel é o furor e impetuosa a ira, mas quem poderá resistir ao ciúme?” (Pr 27,4)
“O ciúme e a raiva abreviam os dias, como a preocupação traz velhice antes do tempo.” (Eclo 30,24)
“Pilatos bem sabia que haviam entregado Jesus por inveja.” (Mt 27,18)
“O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso, nem se incha de orgulho,” (1Cor 13,4)
“Mas, se fomentais, no coração, amargo ciúme e rivalidade, não vos ufaneis disso, mas deixai de mentir contra a verdade.” (Tg 3,14)
“Portanto, despojai-vos de toda maldade, de toda mentira, hipocrisia e inveja e de toda calúnia.” (1Pd 2,1)

1. Ações concretas contra o próximo
1. Não falei mal de alguém por inveja, tentando diminuir sua reputação aos olhos dos outros?
2. Não espalhei fofocas ou insinuações sobre alguém?
3. Não intriguei contra alguém, tentando sabotar seu sucesso ou sua imagem?
4. Não diminuí ou critiquei pessoas bem-educadas ou instruídas, rotulando-as de “presunçosas”, porque no fundo as invejava?
5. Não qualifiquei como “hipócritas” aqueles que tentam viver bem a sua fé, para justificar a mim mesmo a minha incoerência?

2. Inveja dos bens e dos sucessos alheios
1. Não me entristeço quando outro é elogiado ou reconhecido, como se o seu sucesso fosse uma derrota minha?
2. Incomoda-me que os outros sejam felizes ou tenham sucesso, como se essa sorte me tivesse sido roubada?
3. Não invejo os talentos naturais dos outros: a inteligência, a beleza, a saúde, as capacidades?
4. Não invejo a posição social, a carreira, a reputação ou os sucessos profissionais alheios?
5. Não invejo as qualidades morais e espirituais dos outros: a bondade, a generosidade, a fé, a santidade?

3. Inveja e alegrar-se com o mal alheio
1. Não tenho inveja de familiares, amigos, colegas ou companheiros pelo que eles têm ou pelo modo como são considerados?
2. Não me alegrei, mesmo que apenas interiormente, com as desgraças, os fracassos ou as humilhações de alguém?
3. Não censuro ou critico o que os outros fazem porque, no fundo, eu queria ter feito para receber a honra ou o reconhecimento?

4. Atitude interior e comparações
1. Não me perco em comparações contínuas entre mim e os outros, que acabam por alimentar inveja e descontentamento?
2. Não me queixo a Deus no meu coração por ter dado a outros qualidades, talentos ou situações que não deu a mim?
3. Não me entristeço com o bem alheio como se fosse um mal para mim, em vez de me alegrar sinceramente?

5. Sinceridade para com os outros e para com Deus
1. Consigo ver os dons dos outros como algo bom para todos, e não como uma ameaça à minha importância?
2. O apreço que demonstro pelos outros é sincero ou esconde, na verdade, uma comparação que me corrói por dentro?
3. Alegro-me sinceramente quando alguém próximo a mim cresce, melhora ou consegue algo bom?
4. Reconheço que todo dom vem de Deus e que o bem dos outros não tira nada do meu bem?

 

VII. Preguiça (Acídia)
“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; observa seu proceder e dela aprende a Sabedoria.” (Pr 6,6)
“Como vinagre para os dentes e fumaça para os olhos, assim é o preguiçoso para aqueles que lhe dão uma tarefa.” (Pr 10,26)
“O preguiçoso quer e não tem, aquele que trabalha se enriquece.” (Pr 13,4)
“A preguiça traz a sonolência; o descuidado passa fome.” (Pr 19,15)
“Os desejos causam a morte do preguiçoso, pois as suas mãos não querem fazer nada.” (Pr 21,25)

“Pela muita preguiça desabará o teto, e por mãos inativas choverá na casa.” (Ecl 10,18)
“Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu colho onde não plantei e ajunto onde não semeei. Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence.” (Mt 25,26-27)
“Sede zelosos e diligentes, fervorosos de espírito, servindo sempre ao Senhor.” (Rm 12,11)
“Com efeito, quando estávamos entre vós, demos esta regra: «Quem não quer trabalhar, também não coma». Ora, temos ouvido falar que, entre vós, há alguns vivendo desordenadamente, sem fazer nada, mas intrometendo-se em tudo. A essas pessoas, ordenamos e exortamos no Senhor Jesus Cristo, que trabalhem tranquilamente e, assim, comam o seu próprio pão.” (2Ts 3,10-12)
“Mas desejamos que cada um de vós mostre até o fim este mesmo empenho pela plena realização da esperança. Assim, não vos tornareis negligentes, mas sereis imitadores daqueles que, pela fé e pela perseverança, se tornam herdeiros das promessas.” (Hb 6,11-12)
“Portanto, firmai as mãos enfraquecidas e os joelhos vacilantes; tornai retas as trilhas para os vossos pés, para que não se destronque o que é manco, mas antes seja curado.” (Hb 12,12-13)
“Conheço a tua conduta: Não és nem frio, nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca.” (Ap 3,15-16)

1. Abandono e tibieza na vida espiritual
1. Não me afastei da vida cristã por achá-la muito árida, difícil ou exigente?
2. Não busquei a Deus de modo negligente: na oração, nos sacramentos, nas obras de caridade?
3. Não tenho preguiça ou desinteresse pelas coisas de Deus, como se não me dissessem respeito de verdade?
4. Não sou morno nas orações: não as abrevio, as pulo, as rezo distraidamente sem me envolver?
5. Não me distraio facilmente com as coisas do mundo quando se trata de dedicar tempo a Deus?
6. Não sou pusilânime diante do que é espiritualmente difícil: não paro no primeiro obstáculo sem sequer tentar?

2. Negligência nos deveres e para com os outros
1. Não trabalho de modo superficial e negligente, fazendo as coisas pela metade ou com descaso?
2. Não deixo de bom grado para os outros as tarefas mais difíceis, reservando para mim as mais cômodas?
3. Não evito, mesmo com pretextos, tudo o que exige um pouco mais de esforço?
4. Termino o que começo ou deixo as coisas pela metade e passo para outra?
5. Não sou indiferente diante das dificuldades dos outros, porque ajudá-los exigiria um sacrifício?
6. Não espero sempre “ter vontade” para servir e ajudar, em vez de fazê-lo mesmo quando não quero?

3. Procrastinação e desordem nos tempos
1. Não adio continuamente as coisas para amanhã, para mais tarde, para quando tiver mais tempo?
2. Respondo com prontidão a mensagens, cartas ou pedidos que esperam uma resposta minha?
3. Cumpro meus deveres – na família, no trabalho – de modo pontual ou faço sempre os outros esperarem?
4. Tenho o hábito de começar muitas coisas ao mesmo tempo sem terminar nenhuma?

4. Apego à comodidade e ao descanso excessivo
1. Não descanso mais do que o necessário, além do que a saúde exige?
2. Não sou apegado demais à comodidade: não evito o frio, o cansaço, o desconforto, mesmo quando seria justo aceitá-los?
3. Não me queixo com frequência de ter muito que fazer, usando o trabalho como desculpa para fazer ainda menos?
4. Não adormeço – metaforicamente ou não – diante do que Deus e a vida me pedem?

5. Uso do tempo e do lazer
1. Tenho um cronograma razoável para o meu dia ou vivo ao acaso, sem ordem nem prioridades?
2. Não perco tempo com leituras superficiais e inúteis, com conversas vazias, navegando na internet sem propósito?
3. Uso bem o tempo livre ou o deixo escorrer sem que dê fruto?
4. Levanto-me e deito-me em horários razoáveis ou deixo que a preguiça governe até os ritmos do meu corpo?
5. Não passo tempo demais em lazeres que vão além do justo descanso – jogos, festas, entretenimento – a ponto de tirá-lo do que importa?

6. Disciplina pessoal e consciência
1. Não desprezo a disciplina pessoal: os compromissos assumidos comigo mesmo, os hábitos de vida, os propósitos?
2. Não sou cronicamente descuidado: nas pequenas coisas, nos detalhes, no cuidado com o que me foi confiado?
3. Não prefiro sempre o caminho mais fácil: o livro superficial em vez daquele que me faz crescer, a resposta cômoda em vez da verdadeira?
4. Não reconheço honestamente que a acídia não é apenas preguiça do corpo, mas também da vontade e do espírito – e que isso me diz respeito?