{"id":55493,"date":"2026-11-02T07:21:11","date_gmt":"2026-11-02T07:21:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=55493"},"modified":"2026-11-02T07:21:41","modified_gmt":"2026-11-02T07:21:41","slug":"as-indulgencias-um-tesouro-a-redescobrir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/boa-imprensa\/as-indulgencias-um-tesouro-a-redescobrir\/","title":{"rendered":"As indulg\u00eancias, um tesouro a redescobrir"},"content":{"rendered":"<p><em><i>No dia 2 de novembro, a Igreja oferece a indulg\u00eancia plen\u00e1ria pelos falecidos. Mas essa n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica ocasi\u00e3o: ao longo do ano, h\u00e1 muitas outras, algumas at\u00e9 di\u00e1rias. Dom Bosco sabia disso muito bem e pedia aos Papas esses \u00abpreciosos dons\u00bb para seus jovens e benfeitores. Um guia para entender o que s\u00e3o as indulg\u00eancias, de onde v\u00eam e como receb\u00ea-las hoje.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos primeiros dias de novembro, os cemit\u00e9rios se enchem de flores, velas e pessoas recolhidas em sil\u00eancio diante de um nome gravado numa l\u00e1pide. \u00c9 um gesto antigo e simples, que diz mais do que muitas palavras: o amor n\u00e3o acaba com a morte. A Igreja acolhe esse desejo de permanecer perto de quem nos precedeu e lhe d\u00e1 uma forma concreta, enraizada na f\u00e9 na comunh\u00e3o dos santos: a indulg\u00eancia plen\u00e1ria pelos falecidos.<\/p>\n<p>De 1\u00ba a 8 de novembro, quem visita devotamente um cemit\u00e9rio e reza, mesmo que apenas mentalmente, pelos falecidos pode obter todos os dias a indulg\u00eancia plen\u00e1ria, aplic\u00e1vel somente \u00e0s almas do Purgat\u00f3rio. Na Comemora\u00e7\u00e3o de Todos os Fi\u00e9is Defuntos, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel obt\u00ea-la visitando uma igreja ou um orat\u00f3rio e rezando ali o Pai-Nosso e o Credo: a visita pode ser feita do meio-dia de 1\u00ba de novembro at\u00e9 a meia-noite do dia 2. Como para toda indulg\u00eancia plen\u00e1ria, s\u00e3o necess\u00e1rias as condi\u00e7\u00f5es habituais \u2013 confiss\u00e3o sacramental, comunh\u00e3o eucar\u00edstica e ora\u00e7\u00e3o pelas inten\u00e7\u00f5es do Papa \u2013 e um cora\u00e7\u00e3o desapegado de todo pecado. No restante do ano, a visita ao cemit\u00e9rio acompanhada de ora\u00e7\u00e3o pelos falecidos, assim como a recita\u00e7\u00e3o das Laudes ou das V\u00e9speras do Of\u00edcio dos Defuntos ou da ora\u00e7\u00e3o \u00abDai-lhes, Senhor, o descanso eterno\u00bb, concede a indulg\u00eancia parcial, tamb\u00e9m aplic\u00e1vel aos falecidos.<\/p>\n<p>O dia 2 de novembro, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o: \u00e9 apenas uma das ocasi\u00f5es mais conhecidas. Poucos sabem que a indulg\u00eancia plen\u00e1ria pode ser recebida em muitos outros dias do ano e, sob determinadas condi\u00e7\u00f5es, at\u00e9 todos os dias: lendo a B\u00edblia durante meia hora, permanecendo em adora\u00e7\u00e3o diante do Sant\u00edssimo Sacramento, rezando o Ros\u00e1rio em fam\u00edlia ou percorrendo a <em><i>Via-Sacra<\/i><\/em>. Um tesouro ao alcance das m\u00e3os, que muitos crist\u00e3os simplesmente esqueceram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>O \u00abtesouro\u00bb de Dom Bosco<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Dom Bosco conhecia bem esse tesouro e n\u00e3o se cansava de recorrer a ele. Sempre que podia se dirigir ao Papa, nunca deixava de pedir indulg\u00eancias para os jovens de seus Orat\u00f3rios e para os benfeitores que apoiavam sua obra. As s\u00faplicas e os rescritos, que ele pr\u00f3prio mandou reunir e publicar em 1881, permitem acompanhar essa insist\u00eancia quase ano a ano.<\/p>\n<p>Em 28 de setembro de 1850, Pio IX concedeu a indulg\u00eancia plen\u00e1ria aos jovens que, depois de se confessarem e comungarem, se inscrevessem na Companhia de S\u00e3o Lu\u00eds. Poucos meses depois, em 18 de fevereiro de 1851, estendeu-a \u00aba todos os jovens que frequentam algum dos Orat\u00f3rios mencionados\u00bb, no \u00faltimo domingo de cada m\u00eas. Em agosto de 1856, Dom Bosco pediu a b\u00ean\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica com indulg\u00eancia plen\u00e1ria para si e para os jovens sob sua dire\u00e7\u00e3o, \u00abque eram cerca de novecentos\u00bb: o Papa respondeu com um rescrito escrito de pr\u00f3prio punho. Durante sua primeira viagem a Roma, na primavera de 1858, obteve indulg\u00eancias para quem ensinasse gratuitamente aos jovens o canto dos louvores sagrados \u2013 aplic\u00e1veis tamb\u00e9m aos falecidos \u2013 e uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para os benfeitores. Em 12 de janeiro de 1862, foram concedidas a indulg\u00eancia plen\u00e1ria mensal para os jovens que praticavam o Exerc\u00edcio da Boa Morte e a indulg\u00eancia na hora da morte para os jovens da casa e para os benfeitores. Em 1869, foi a vez da Associa\u00e7\u00e3o dos Devotos de Maria Auxiliadora, enriquecida com indulg\u00eancias e elevada, no ano seguinte, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de arquiconfraria.<\/p>\n<p>O mesmo impulso acompanhou o nascimento dos Cooperadores. Por decreto de 30 de julho de 1875, Pio IX concedeu \u00abaos benfeitores desta Congrega\u00e7\u00e3o e a todos os Cooperadores Salesianos todos os favores, as gra\u00e7as espirituais e todas as indulg\u00eancias concedidas aos religiosos salesianos\u00bb, excetuando-se aqueles ligados \u00e0 vida em comum. Em 9 de maio de 1876, com o Breve que aprovava a Pia Uni\u00e3o dos Cooperadores Salesianos, o Papa os enriqueceu com novas indulg\u00eancias, incluindo todas as concedidas aos Terci\u00e1rios de S\u00e3o Francisco de Assis.<\/p>\n<p>Dom Bosco n\u00e3o se limitava a pedir: ele explicava. Em 1875, ano jubilar, publicou um livrinho popular, <em><i>O Jubileu de 1875: sua institui\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas devotas para a visita \u00e0s igrejas<\/i><\/em>, no qual definia as indulg\u00eancias como \u00aba remiss\u00e3o da pena temporal devida pelos nossos pecados\u00bb, apresentava o Jubileu como \u00abum grande tesouro para os crist\u00e3os\u00bb e lembrava que sua indulg\u00eancia podia ser aplicada \u00e0s almas do purgat\u00f3rio. E insistia com o leitor: \u00abL\u00ea, \u00f3 crist\u00e3o, e l\u00ea com aten\u00e7\u00e3o; quem sabe se este n\u00e3o ser\u00e1 o \u00faltimo Jubileu para mim e para ti?\u00bb. Em 1881, ao apresentar a colet\u00e2nea <em><i>Favores e gra\u00e7as espirituais concedidos pela Santa S\u00e9 \u00e0 Pia Sociedade de S\u00e3o Francisco de Sales<\/i><\/em>, chamava-os de \u00abpreciosos dons que a Santa S\u00e9 concede aos Institutos Religiosos\u00bb, que era preciso conhecer e p\u00f4r em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Para Dom Bosco, as indulg\u00eancias n\u00e3o eram uma contabilidade espiritual, mas um instrumento educativo. As condi\u00e7\u00f5es exigidas \u2013 confiss\u00e3o, comunh\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o pelo Papa \u2013 coincidiam com os pilares de seu m\u00e9todo: \u00abA confiss\u00e3o frequente, a comunh\u00e3o frequente e a missa di\u00e1ria s\u00e3o as colunas que devem sustentar um edif\u00edcio educativo\u00bb, escreveu em 1877 ao apresentar o Sistema Preventivo. Assim, a indulg\u00eancia do \u00faltimo domingo do m\u00eas ou a do Exerc\u00edcio da Boa Morte se tornava um compromisso que levava os jovens de volta ao sacramento do perd\u00e3o, educava-os na fidelidade e no pensamento da eternidade, ensinava-os a rezar pelos falecidos e fazia-os sentir a Igreja como uma fam\u00edlia reunida em torno do sucessor de Pedro.<\/p>\n<p>Essa aten\u00e7\u00e3o foi transmitida a seus filhos. Durante d\u00e9cadas, o Boletim Salesiano, lan\u00e7ado em 1877, lembrou regularmente aos Cooperadores as indulg\u00eancias que podiam obter ao longo do ano. Em 1922, o P. Filipe Rinaldi obteve de Pio XI a chamada <strong><b>indulg\u00eancia do \u00abtrabalho santificado\u00bb<\/b><\/strong>, que os Cooperadores podiam receber unindo ao pr\u00f3prio trabalho uma piedosa invoca\u00e7\u00e3o. Voltar a propor as indulg\u00eancias hoje significa permanecer fiel a uma intui\u00e7\u00e3o pastoral de Dom Bosco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Uma palavra a ser resgatada<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Ainda assim, a palavra \u00abindulg\u00eancia\u00bb continua despertando desconfian\u00e7a. Ela remete \u00e0 \u00abvenda do perd\u00e3o\u00bb, aos neg\u00f3cios pouco claros que, no s\u00e9culo XVI, foram uma das fa\u00edscas da Reforma Protestante. Houve abusos, e a Igreja os condenou com firmeza v\u00e1rias vezes: j\u00e1 no IV Conc\u00edlio de Latr\u00e3o (1215), no Conc\u00edlio de Trento (1562-1563), por S\u00e3o Pio V (1567) e at\u00e9 por S\u00e3o Paulo VI (1967). Mas o abuso de um dom n\u00e3o apaga seu valor. O problema \u00e9 que, com o tempo, passou-se do \u00ababuso\u00bb ao \u00abdesuso\u00bb e, depois, \u00e0 ignor\u00e2ncia \u2013 quando n\u00e3o ao desprezo \u2013 de um dom que a Igreja nunca deixou de oferecer. Sendo uma verdade de f\u00e9, afinal, a indulg\u00eancia n\u00e3o pode ser compreendida fora da f\u00e9: vista de fora, pode parecer um mecanismo; vista de dentro, \u00e9 um gesto de miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Suas ra\u00edzes s\u00e3o b\u00edblicas. Jesus confia a Pedro um poder singular: \u00abEu te darei as chaves do Reino dos C\u00e9us: tudo o que ligares na terra ser\u00e1 ligado nos c\u00e9us, e tudo o que desligares na terra ser\u00e1 desligado nos c\u00e9us\u00bb (Mt 16,19; cf. Mt 18,18). A partir dessas palavras, a Igreja compreendeu que pode administrar, em benef\u00edcio dos fi\u00e9is, os bens espirituais que lhe foram confiados. J\u00e1 S\u00e3o Paulo, diante do arrependimento de um membro da comunidade de Corinto submetido a uma pena, convida os irm\u00e3os a \u00abtrat\u00e1-lo com bondade e consol\u00e1-lo\u00bb (2Cor 2,7), abrandando a disciplina diante da convers\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos primeiros s\u00e9culos, a Igreja impunha aos pecadores p\u00fablicos penit\u00eancias longas e severas, que podiam durar anos. Logo, por\u00e9m, come\u00e7ou a abrevi\u00e1-las ou comut\u00e1-las: pela intercess\u00e3o dos m\u00e1rtires e dos confessores da f\u00e9, em troca de obras de caridade, ora\u00e7\u00f5es e peregrina\u00e7\u00f5es. O Conc\u00edlio de Niceia (325) reconhece ao bispo a faculdade de tratar com maior benevol\u00eancia quem d\u00e1 provas de convers\u00e3o sincera (c\u00e2n. 12), e os Padres da Igreja atestam por muito tempo essa pr\u00e1tica de \u00abredu\u00e7\u00e3o da penit\u00eancia\u00bb. \u00c9 a\u00ed que est\u00e1 o germe das indulg\u00eancias como as conhecemos hoje.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio de Trento, ao mesmo tempo que aboliu todo com\u00e9rcio ligado \u00e0s indulg\u00eancias, confirmou solenemente sua legitimidade:<\/p>\n<p>\u00ab<em><i>O poder de conceder indulg\u00eancias foi dado por Cristo \u00e0 Igreja, que, desde os tempos mais antigos, fez uso dessa faculdade que lhe foi concedida por Deus [cf. Mt 16,19; 18,18]. Por isso, o santo s\u00ednodo ensina e ordena que se mantenha na Igreja esse uso, muito salutar para o povo crist\u00e3o e aprovado pela autoridade dos santos conc\u00edlios, e condena com an\u00e1tema aqueles que afirmam que as indulg\u00eancias s\u00e3o in\u00fateis ou negam \u00e0 Igreja o poder de conced\u00ea-las. Deseja, contudo, que, ao conced\u00ea-las, haja modera\u00e7\u00e3o [&#8230;] para evitar que a excessiva facilidade em conced\u00ea-las enfraque\u00e7a a disciplina eclesi\u00e1stica. Desejando, al\u00e9m disso, emendar e corrigir os abusos que se infiltram nessa pr\u00e1tica e por causa dos quais a bela palavra indulg\u00eancia \u00e9 blasfemada pelos hereges, este decreto estabelece, de modo geral, a completa aboli\u00e7\u00e3o de todo com\u00e9rcio indigno de dinheiro feito para obt\u00ea-las [&#8230;]<\/i><\/em>\u00bb. (Conc\u00edlio de Trento, sess\u00e3o XXV, <em><i>Decreto sobre as indulg\u00eancias<\/i><\/em>, 4 de dezembro de 1563; DH 1835)<\/p>\n<p>Em 1967, S\u00e3o Paulo VI renovou a disciplina das indulg\u00eancias com a constitui\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em><i>Indulgentiarum doctrina<\/i><\/em>: simplificou a linguagem, aboliu a contagem em dias e anos, distinguiu claramente as indulg\u00eancias parciais das plen\u00e1rias e abriu caminho para uma compila\u00e7\u00e3o muito mais concisa das concess\u00f5es. As normas atualmente em vigor encontram-se no <em><i>Enchiridion indulgentiarum<\/i><\/em> (Manual das indulg\u00eancias), que chegou em 1999 \u00e0 sua quarta e \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, preparada pela Penitenciaria Apost\u00f3lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>O que \u00e9 uma indulg\u00eancia<\/b><\/strong><\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o oficial \u00e9 precisa: \u00abIndulg\u00eancia \u00e9 a remiss\u00e3o, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados j\u00e1 perdoados quanto \u00e0 culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condi\u00e7\u00f5es, alcan\u00e7a por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da reden\u00e7\u00e3o, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfa\u00e7\u00f5es de Cristo e dos Santos.\u00bb (<em><i>Indulgentiarum doctrina<\/i><\/em>, norma 1; cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica [CIC] 1471; C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico, c\u00e2n. 992).<\/p>\n<p>Para entend\u00ea-la, \u00e9 preciso distinguir entre a <strong><b>culpa<\/b><\/strong> do pecado e suas <strong><b>consequ\u00eancias<\/b><\/strong>. O pecado \u2013 em pensamentos, palavras, atos e omiss\u00f5es \u2013 \u00e9 uma rejei\u00e7\u00e3o da vontade de Deus, de seu amor e do pr\u00f3ximo: uma ofensa que nenhuma criatura poderia reparar com as pr\u00f3prias for\u00e7as. A repara\u00e7\u00e3o aconteceu de uma vez por todas no sacrif\u00edcio de Cristo na cruz: somos perdoados e justificados somente por seus m\u00e9ritos. Na confiss\u00e3o, Deus perdoa gratuitamente a culpa e, se o pecado \u00e9 mortal, remite tamb\u00e9m a pena eterna.<\/p>\n<p>O pecado, por\u00e9m, deixa marcas. Deixa marcas fora de n\u00f3s, no mal causado aos outros e ao mundo; e dentro de n\u00f3s, como inclina\u00e7\u00f5es desordenadas, h\u00e1bitos e apegos que se somam \u00e0 ferida do pecado original. A Escritura oferece um exemplo eloquente: ao arrependido Davi, o profeta Nat\u00e3 anuncia: \u00abO Senhor removeu o teu pecado\u00bb; no entanto, as consequ\u00eancias daquela culpa n\u00e3o s\u00e3o apagadas (cf. 2Sm 12,13-14). Do mesmo modo, o pecado das origens, embora perdoado, deixou suas consequ\u00eancias em toda a natureza humana. \u00c9 a isso que a Igreja chama \u00abpena temporal\u00bb: n\u00e3o uma vingan\u00e7a imposta por Deus de fora, mas algo que deriva da pr\u00f3pria natureza do pecado (cf. CIC 1472).<\/p>\n<p>Para curar essas feridas, depois da absolvi\u00e7\u00e3o, o confessor imp\u00f5e uma penit\u00eancia \u2013 uma ora\u00e7\u00e3o, uma obra de caridade, uma ren\u00fancia \u2013 n\u00e3o como castigo, mas como rem\u00e9dio para a alma (cf. CIC 1459-1460). Deus perdoa gratuitamente; a cura, por\u00e9m, exige a nossa colabora\u00e7\u00e3o. E, como nossas disposi\u00e7\u00f5es muitas vezes s\u00e3o imperfeitas \u2013 a dor pelo pecado n\u00e3o \u00e9 plena, o prop\u00f3sito \u00e9 fr\u00e1gil, nem sempre evitamos as ocasi\u00f5es \u2013, restam feridas que se curam com as prova\u00e7\u00f5es aceitas com paci\u00eancia nesta vida, com as obras de caridade, a ora\u00e7\u00e3o e a penit\u00eancia ou com a purifica\u00e7\u00e3o do purgat\u00f3rio depois da morte (cf. CIC 1030-1032; 1472-1473). Ou, justamente, com uma <strong><b>indulg\u00eancia<\/b><\/strong>: um extraordin\u00e1rio dom da miseric\u00f3rdia de Deus, que supre a nossa fraqueza e que todo fiel deveria desejar.<\/p>\n<p>De onde a Igreja tira esse dom? Do \u00abtesouro\u00bb constitu\u00eddo pelos m\u00e9ritos infinitos de Cristo, aos quais se unem as ora\u00e7\u00f5es e as boas obras, antes de tudo as da Sant\u00edssima Virgem Maria e, depois, tamb\u00e9m as de todos os santos. Essas ora\u00e7\u00f5es e obras n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias para a reden\u00e7\u00e3o, que Cristo realizou plenamente, mas, pela comunh\u00e3o dos santos, tornam-se um bem compartilhado: o bem de um beneficia a todos (cf. CIC 1474-1477).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Uma compara\u00e7\u00e3o: do tribunal ao confession\u00e1rio<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Toda compara\u00e7\u00e3o tem suas limita\u00e7\u00f5es, porque o confession\u00e1rio \u00e9 mais um tribunal de miseric\u00f3rdia do que de condena\u00e7\u00e3o. Ainda assim, a compara\u00e7\u00e3o com um processo civil talvez ajude a distinguir os diferentes momentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table width=\"527\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"92\"><strong><em><b><i>Etapa<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/td>\n<td width=\"185\"><strong><em><b><i>No processo judicial<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/td>\n<td width=\"250\"><strong><em><b><i>No sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"92\"><strong><b>Investiga\u00e7\u00e3o<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"185\">A autoridade competente re\u00fane provas e depoimentos para apurar os fatos.<\/td>\n<td width=\"250\">Por meio do exame de consci\u00eancia, o penitente rev\u00ea a pr\u00f3pria vida e reconhece os pecados cometidos.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"92\"><strong><b>Julgamento<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"185\">O juiz avalia as provas e determina a culpa, considerando eventuais atenuantes ou agravantes.<\/td>\n<td width=\"250\">O confessor, em nome de Deus, escuta e discerne a gravidade dos pecados e as circunst\u00e2ncias.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"92\"><strong><b>Pena<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"185\">Aplica-se uma pena proporcional ao delito: pris\u00e3o, multa, servi\u00e7os comunit\u00e1rios.<\/td>\n<td width=\"250\">Cristo j\u00e1 cumpriu a pena: somente por seus m\u00e9ritos o sacerdote absolve gratuitamente o pecador arrependido. A penit\u00eancia que imp\u00f5e n\u00e3o \u00e9 um castigo, mas um rem\u00e9dio para a alma.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"92\"><strong><b>Repara\u00e7\u00e3o<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"185\">Repara-se o dano: devolu\u00e7\u00e3o dos bens subtra\u00eddos, indeniza\u00e7\u00e3o, retrata\u00e7\u00e3o em caso de difama\u00e7\u00e3o.<\/td>\n<td width=\"250\">Repara-se o dano espiritual e material: devolver o que foi tomado indevidamente, pedir desculpas (tamb\u00e9m publicamente, se o pecado foi p\u00fablico), restituir a boa reputa\u00e7\u00e3o alheia.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"92\"><strong><b>Depois<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"185\">Cumprida a pena, a pessoa precisa reconstruir os relacionamentos e os h\u00e1bitos.<\/td>\n<td width=\"250\">Persistem as feridas interiores e as inclina\u00e7\u00f5es para o mal: elas s\u00e3o curadas com a ora\u00e7\u00e3o, a caridade, a penit\u00eancia e o dom da indulg\u00eancia.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Tipos de indulg\u00eancia: plen\u00e1ria ou parcial<\/b><\/strong><\/p>\n<p>A indulg\u00eancia <strong><b>plen\u00e1ria<\/b><\/strong> remite toda a pena temporal devida pelos pecados cometidos at\u00e9 aquele momento e j\u00e1 perdoados quanto \u00e0 culpa \u2013 o que, no caso dos pecados graves, exige a confiss\u00e3o sacramental. Segundo o ensinamento comum, quem morresse logo depois de receb\u00ea-la validamente entraria no Para\u00edso sem passar pelo Purgat\u00f3rio. Ela pode ser obtida uma \u00fanica vez por dia, com exce\u00e7\u00e3o da indulg\u00eancia na hora da morte.<\/p>\n<p>A indulg\u00eancia <strong><b>parcial<\/b><\/strong>, por sua vez, remite uma parte da pena temporal e pode ser obtida v\u00e1rias vezes no mesmo dia. No passado, era quantificada em dias ou anos \u2013 \u00ab300 dias de indulg\u00eancia\u00bb \u2013, e muitos pensavam que isso indicava um \u00abdesconto\u00bb correspondente no purgat\u00f3rio. N\u00e3o era assim: a express\u00e3o indicava uma remiss\u00e3o equivalente \u00e0 que se obteria com trezentos dias de penit\u00eancia, segundo a antiga disciplina da Igreja. Para evitar equ\u00edvocos, Paulo VI aboliu esses n\u00fameros: hoje, fala-se simplesmente em indulg\u00eancia parcial.<\/p>\n<p>A indulg\u00eancia parcial acompanha o dia a dia. O <em><i>Enchiridion<\/i><\/em> a concede a quem, ao cumprir seus deveres e suportar as dificuldades, eleva a alma a Deus com uma breve invoca\u00e7\u00e3o; a quem, movido pela f\u00e9, p\u00f5e a si mesmo ou seus bens a servi\u00e7o dos irm\u00e3os necessitados; a quem, em esp\u00edrito de penit\u00eancia, renuncia espontaneamente a algo l\u00edcito; e a quem, nas circunst\u00e2ncias cotidianas, d\u00e1 testemunho expl\u00edcito da pr\u00f3pria f\u00e9. S\u00e3o as quatro \u00abconcess\u00f5es gerais\u00bb: um programa de vida no qual um salesiano reconhece de imediato o bin\u00f4mio caro a Dom Bosco, <em><i>trabalho e temperan\u00e7a<\/i><\/em>, juntamente com a caridade e o testemunho.<\/p>\n<p>Toda indulg\u00eancia, parcial ou plen\u00e1ria, pode ser recebida para si mesmo ou oferecida pelos falecidos, como sufr\u00e1gio (c\u00e2n. 994), mas n\u00e3o aplicada a outras pessoas vivas. \u00c9 um gesto de solidariedade espiritual que expressa a comunh\u00e3o entre a Igreja peregrina na terra e a Igreja que se purifica \u00e0 espera da gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Por que a Igreja ainda as prop\u00f5e<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><em><b><i>Uma pedagogia espiritual<\/i><\/b><\/em><\/strong>. A indulg\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um atalho: convida a praticar concretamente a ora\u00e7\u00e3o, a penit\u00eancia e as obras de miseric\u00f3rdia, e conduz de volta aos sacramentos.<\/p>\n<p><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><em><b><i>A comunh\u00e3o dos santos<\/i><\/b><\/em><\/strong>. Lembra que os fi\u00e9is est\u00e3o unidos entre si: os m\u00e9ritos de Cristo, da Virgem e dos santos formam um tesouro do qual todos podemos nos beneficiar, e que tamb\u00e9m podemos oferecer por nossos entes queridos falecidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em><b><i>Consolo e esperan\u00e7a<\/i><\/b><\/em><\/strong>. Sustenta o caminho de purifica\u00e7\u00e3o pessoal e d\u00e1 forma \u00e0 ora\u00e7\u00e3o pelos falecidos, transformando a dor da separa\u00e7\u00e3o em um gesto de amor eficaz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em><b><i>Confian\u00e7a na Igreja<\/i><\/b><\/em><\/strong>. \u00c0 Igreja foi confiado o poder de \u00abligar e desligar\u00bb (Mt 16,19): ela administra com autoridade esse tesouro para o bem dos fi\u00e9is. N\u00e3o pode ser crist\u00e3o quem n\u00e3o vive na Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Quem pode receb\u00ea-las e em quais condi\u00e7\u00f5es<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Pode receber indulg\u00eancias quem \u00e9 <strong><b>batizado<\/b><\/strong>, n\u00e3o est\u00e1 excomungado e <strong><b>est\u00e1 na gra\u00e7a de Deus<\/b><\/strong>, pelo menos ao concluir as obras prescritas (<em><i>Enchiridion<\/i><\/em>, norma 17). Com efeito, a d\u00edvida da pena temporal s\u00f3 pode ser remida <strong><b>depois que a culpa tiver sido apagada e a pena eterna, remida pelo sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o<\/b><\/strong> ou, quando n\u00e3o for poss\u00edvel confessar-se, por um ato de contri\u00e7\u00e3o perfeita unido ao prop\u00f3sito de recorrer ao sacramento assim que poss\u00edvel. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso ter a <strong><b>inten\u00e7\u00e3o<\/b><\/strong>, ao menos geral, de receber a indulg\u00eancia: o dom \u00e9 concedido apenas a quem o deseja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a indulg\u00eancia plen\u00e1ria, al\u00e9m de realizar a obra indicada (uma visita, uma ora\u00e7\u00e3o, uma pr\u00e1tica de piedade), s\u00e3o exigidos:<\/p>\n<ol>\n<li><strong><b>A confiss\u00e3o sacramental<\/b><\/strong>, individual e \u00edntegra, com sincero arrependimento. Pode ser feita no mesmo dia ou alguns dias antes ou depois: a Penitenciaria Apost\u00f3lica indica um per\u00edodo de cerca de vinte dias. Uma s\u00f3 confiss\u00e3o basta para v\u00e1rias indulg\u00eancias plen\u00e1rias;<\/li>\n<li><strong><b>A comunh\u00e3o eucar\u00edstica<\/b><\/strong>, uma para cada indulg\u00eancia plen\u00e1ria, de prefer\u00eancia no mesmo dia da obra prescrita;<\/li>\n<li><strong><b>A ora\u00e7\u00e3o pelas inten\u00e7\u00f5es do Papa<\/b><\/strong>: um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, mas cada um \u00e9 livre para escolher outra ora\u00e7\u00e3o; ela tamb\u00e9m deve ser repetida para cada indulg\u00eancia<\/li>\n<\/ol>\n<p>plen\u00e1ria;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong><b>A exclus\u00e3o de qualquer apego ao pecado<\/b><\/strong>, mesmo venial.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Se faltar a disposi\u00e7\u00e3o plena ou alguma das condi\u00e7\u00f5es, a indulg\u00eancia ser\u00e1 apenas parcial (norma 20). Para quem estiver legitimamente impedido \u2013 um doente ou um idoso que n\u00e3o possa sair de casa \u2013, o confessor pode substituir a obra prescrita ou as condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>N\u00e3o apenas em 2 de novembro<\/b><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 muito mais ocasi\u00f5es para receber a indulg\u00eancia plen\u00e1ria do que se imagina: n\u00e3o apenas os Jubileus, o Perd\u00e3o de Assis, em 2 de agosto, ou a Comemora\u00e7\u00e3o dos Fi\u00e9is Defuntos. O <em><i>Enchiridion indulgentiarum<\/i><\/em> as enumera com precis\u00e3o. Eis as principais, lembrando sempre que a data, por si s\u00f3, n\u00e3o basta: \u00e9 preciso realizar a obra indicada e estar devidamente disposto. Os n\u00fameros entre par\u00eanteses remetem \u00e0s concess\u00f5es do <em><i>Enchiridion<\/i><\/em> (4\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1999).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Quando se podem receber indulg\u00eancias plen\u00e1rias<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><b>Indulg\u00eancia plen\u00e1ria que pode ser obtida todos os dias<\/b><\/strong> (uma vez ao dia, para si ou pelos falecidos)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Leitura da Sagrada Escritura por pelo menos meia hora<\/i><\/b><\/em><\/strong>, com a devida venera\u00e7\u00e3o \u00e0 Palavra de Deus; quem n\u00e3o puder ler pode ouvi-la (30).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Adora\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento por pelo menos meia hora<\/i><\/b><\/em><\/strong> (7).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Recita\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio numa igreja ou num orat\u00f3rio<\/i><\/b><\/em><\/strong>, em fam\u00edlia, numa comunidade religiosa, numa associa\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is ou num grupo reunido para um fim honesto: bastam cinco dezenas sem interrup\u00e7\u00e3o, meditando os mist\u00e9rios. Tamb\u00e9m vale unir-se ao Ros\u00e1rio conduzido pelo Papa e transmitido ao vivo (17).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Hino \u2018Ak\u00e1thistos\u2019 ou Of\u00edcio da \u2018Par\u00e1clise\u2019<\/i><\/b><\/em><\/strong> em honra da M\u00e3e de Deus, nas mesmas circunst\u00e2ncias; n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio recitar o hino inteiro (23).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Via-Sacra diante das esta\u00e7\u00f5es legitimamente erigidas<\/i><\/b><\/em><\/strong>, deslocando-se de uma esta\u00e7\u00e3o a outra (numa celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, basta que quem a conduz se desloque), ou unindo-se \u00e0 Via-Sacra conduzida pelo Papa e transmitida ao vivo (13).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Indulg\u00eancia plen\u00e1ria que pode ser obtida ao longo do ano<\/b><\/strong><\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>1\u00ba de janeiro<\/i><\/b><\/em><\/strong>: canto ou recita\u00e7\u00e3o solene do <em><i>Veni Creator<\/i><\/em> (26).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>18 a 25 de janeiro<\/i><\/b><\/em><\/strong>, Semana de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os: participa\u00e7\u00e3o em algumas celebra\u00e7\u00f5es e na celebra\u00e7\u00e3o de encerramento (11).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Sexta-feira da Quaresma<\/i><\/b><\/em><\/strong>: depois da Comunh\u00e3o, recita\u00e7\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o \u00abEis-me aqui, \u00f3 meu amado e bom Jesus\u00bb diante do Crucifixo (8).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Quinta-feira Santa<\/i><\/b><\/em><\/strong>: recita\u00e7\u00e3o do <em><i>Tantum ergo<\/i><\/em> durante a reposi\u00e7\u00e3o solene do Sant\u00edssimo, ap\u00f3s a Missa da Ceia do Senhor (7).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Sexta-feira Santa<\/i><\/b><\/em><\/strong>: participa\u00e7\u00e3o na adora\u00e7\u00e3o da Cruz durante a a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica (13).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Vig\u00edlia Pascal<\/i><\/b><\/em><\/strong>: renova\u00e7\u00e3o das promessas batismais (28).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia<\/i><\/b><\/em><\/strong> (2\u00ba Domingo da P\u00e1scoa): participa\u00e7\u00e3o nas pr\u00e1ticas de piedade indicadas (Penitenciaria Apost\u00f3lica, decreto de 29 de junho de 2002).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Pentecostes<\/i><\/b><\/em><\/strong>: canto ou recita\u00e7\u00e3o solene do <em><i>Veni Creator<\/i><\/em> (26).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Corpus Christi<\/i><\/b><\/em><\/strong>: participa\u00e7\u00e3o na prociss\u00e3o eucar\u00edstica solene (7).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus<\/i><\/b><\/em><\/strong>: recita\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Ato de Repara\u00e7\u00e3o (3).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>29 de junho, santos Pedro e Paulo<\/i><\/b><\/em><\/strong>: uso devoto de um objeto de piedade aben\u00e7oado pelo Papa ou por um bispo, com a profiss\u00e3o de f\u00e9 (14).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>1\u00ba e 2 de agosto, Perd\u00e3o de Assis<\/i><\/b><\/em><\/strong>: visita a uma igreja paroquial, \u00e0 catedral ou a uma bas\u00edlica menor, com a recita\u00e7\u00e3o do Pai-Nosso e do Credo (33).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>28 e 29 de agosto, Perd\u00e3o Celestiniano<\/i><\/b><\/em><\/strong>: visita \u00e0 Bas\u00edlica de Santa Maria de Collemaggio, em \u00c1quila (Bula do Perd\u00e3o de Celestino V, 29 de setembro de 1294).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>1\u00ba a 8 de novembro<\/i><\/b><\/em><\/strong>: visita a um cemit\u00e9rio e ora\u00e7\u00e3o pelos falecidos; somente pelos falecidos (29).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>2 de novembro<\/i><\/b><\/em><\/strong>: visita a uma igreja ou a um orat\u00f3rio, com a recita\u00e7\u00e3o do Pai-Nosso e do Credo; somente pelos falecidos (29).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Cristo Rei<\/i><\/b><\/em><\/strong>: recita\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Ato de Consagra\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano a Jesus Cristo Rei (2).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>31 de dezembro<\/i><\/b><\/em><\/strong>: canto ou recita\u00e7\u00e3o solene do <em><i>Te Deum<\/i><\/em> em a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pelo ano que passou (26).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Nos lugares santos<\/b><\/strong> (com a recita\u00e7\u00e3o do Pai-Nosso e do Credo)<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Uma das quatro bas\u00edlicas papais de Roma<\/i><\/b><\/em><\/strong>, em peregrina\u00e7\u00e3o ou, ao menos, com sentimentos de filial ades\u00e3o ao Papa (33).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Uma bas\u00edlica menor ou a catedral nos dias determinados<\/i><\/b><\/em><\/strong>, entre eles a solenidade do titular, a festa dos santos Pedro e Paulo e 2 de agosto; a bas\u00edlica menor tamb\u00e9m uma vez por ano, num dia escolhido livremente (33).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Um santu\u00e1rio reconhecido<\/i><\/b><\/em><\/strong> (internacional, nacional ou diocesano), na solenidade do titular, uma vez por ano num dia \u00e0 escolha e quando se chega a ele em peregrina\u00e7\u00e3o de grupo (33).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>A igreja paroquial na solenidade do titular<\/i><\/b><\/em><\/strong> e em 2 de agosto (33).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Uma igreja ou um altar no dia da dedica\u00e7\u00e3o<\/i><\/b><\/em><\/strong> (33).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>A igreja ou o orat\u00f3rio de um instituto religioso no dia da celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica de seu fundador<\/i><\/b><\/em><\/strong> (33).<\/p>\n<p>\u2013 Em Roma, <strong><em><b><i>as igrejas estacionais nos dias indicados<\/i><\/b><\/em><\/strong>, participando das celebra\u00e7\u00f5es (33).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Qualquer igreja ou orat\u00f3rio ao qual a Santa S\u00e9 tenha vinculado uma indulg\u00eancia plen\u00e1ria<\/i><\/b><\/em><\/strong>, conforme as condi\u00e7\u00f5es da concess\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Em algumas circunst\u00e2ncias da vida<\/b><\/strong><\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>A Primeira Comunh\u00e3o<\/i><\/b><\/em><\/strong>, para quem a recebe e para quem participa dela (8).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>A primeira Missa de um sacerdote<\/i><\/b><\/em><\/strong>, para ele e para os fi\u00e9is presentes; os anivers\u00e1rios jubilares de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal e episcopal (27).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>O anivers\u00e1rio do pr\u00f3prio Batismo<\/i><\/b><\/em><\/strong>, renovando as promessas batismais (28).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>O dia em que uma fam\u00edlia se consagra pela primeira vez ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus ou \u00e0 Sagrada Fam\u00edlia<\/i><\/b><\/em><\/strong> (1).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Exerc\u00edcios espirituais de pelo menos tr\u00eas dias inteiros<\/i><\/b><\/em><\/strong> (10).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Miss\u00f5es populares<\/i><\/b><\/em><\/strong>: ouvir algumas prega\u00e7\u00f5es e participar da celebra\u00e7\u00e3o solene de encerramento (16).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>A b\u00ean\u00e7\u00e3o papal Urbi et Orbi<\/i><\/b><\/em><\/strong>, inclusive acompanhada ao vivo pelo r\u00e1dio ou pela televis\u00e3o, e a b\u00ean\u00e7\u00e3o papal concedida pelo bispo (4).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>A celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica de encerramento de um congresso eucar\u00edstico<\/i><\/b><\/em><\/strong> (7).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>A visita \u00e0 igreja onde se celebra o s\u00ednodo diocesano<\/i><\/b><\/em><\/strong> (31) e a participa\u00e7\u00e3o numa celebra\u00e7\u00e3o presidida pelo bispo durante a visita pastoral (32).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Uma vez, no per\u00edodo de um ano ap\u00f3s uma canoniza\u00e7\u00e3o ou beatifica\u00e7\u00e3o, a visita \u00e0 igreja onde se celebra a festa solene<\/i><\/b><\/em><\/strong> (21).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Os dias dedicados universalmente a uma finalidade religiosa<\/i><\/b><\/em><\/strong>, com participa\u00e7\u00e3o nas celebra\u00e7\u00f5es (5).<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>Na hora da morte<\/i><\/b><\/em><\/strong>: a b\u00ean\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica concedida pelo sacerdote; se n\u00e3o houver sacerdote, a Igreja concede igualmente a indulg\u00eancia plen\u00e1ria a quem estiver bem disposto, desde que, durante a vida, tenha tido o h\u00e1bito de rezar (12).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A essas indulg\u00eancias somam-se as concedidas em circunst\u00e2ncias extraordin\u00e1rias: os Anos Santos, como o Jubileu de 2025, ou os anos jubilares dedicados a um santo. Neste ano de 2026, por ocasi\u00e3o do oitavo centen\u00e1rio da morte de s\u00e3o Francisco de Assis, a Penitenciaria Apost\u00f3lica concedeu a indulg\u00eancia plen\u00e1ria, at\u00e9 10 de janeiro de 2027, a quem peregrinar a uma igreja conventual franciscana ou a um lugar de culto ligado ao Santo; os idosos e os doentes podem receb\u00ea-la unindo-se espiritualmente \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es e oferecendo a Deus suas ora\u00e7\u00f5es e sofrimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Para a Fam\u00edlia Salesiana<\/b><\/strong><\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>31 de janeiro, S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco<\/i><\/b><\/em><\/strong>. No dia da celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica do fundador, quem visitar devotamente uma igreja ou um orat\u00f3rio salesiano e recitar o Pai-Nosso e o Credo poder\u00e1 receber a indulg\u00eancia plen\u00e1ria, cumpridas as condi\u00e7\u00f5es habituais (33). O mesmo vale para os outros institutos da Fam\u00edlia Salesiana na festa de seu fundador.<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>24 de maio, Nossa Senhora Auxiliadora<\/i><\/b><\/em><\/strong>. A Bas\u00edlica de Valdocco \u00e9 uma bas\u00edlica menor: quem a visitar poder\u00e1 receber a indulg\u00eancia plen\u00e1ria na solenidade de sua padroeira, em 29 de junho, em 2 de agosto e uma vez por ano, num dia \u00e0 escolha. O mesmo vale para as outras bas\u00edlicas menores e para os santu\u00e1rios salesianos espalhados pelo mundo, na festa de seu titular.<\/p>\n<p>\u2013 <strong><em><b><i>O Exerc\u00edcio da Boa Morte<\/i><\/b><\/em><\/strong>. O retiro mensal t\u00e3o caro a Dom Bosco \u2013 confiss\u00e3o, comunh\u00e3o e exame de vida \u2013 \u00e9 a ocasi\u00e3o ideal para unir as condi\u00e7\u00f5es exigidas a uma das pr\u00e1ticas cotidianas: adora\u00e7\u00e3o, Ros\u00e1rio ou leitura da Palavra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Para lembrar<\/b><\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A data, por si s\u00f3, n\u00e3o concede a indulg\u00eancia: \u00e9 preciso realizar a obra prescrita, estar devidamente disposto e cumprir as condi\u00e7\u00f5es (norma 20).<\/p>\n<p>\u2013 Em geral, s\u00f3 se pode receber uma indulg\u00eancia plen\u00e1ria por dia; a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a indulg\u00eancia na hora da morte (norma 18).<\/p>\n<p>\u2013 As indulg\u00eancias de 1\u00ba a 8 de novembro e de 2 de novembro s\u00f3 podem ser aplicadas aos falecidos.<\/p>\n<p>\u2013 Quando a indulg\u00eancia est\u00e1 ligada \u00e0 visita a uma igreja numa data determinada, a visita pode ser feita do meio-dia do dia anterior at\u00e9 a meia-noite do dia indicado (norma 14): para o Perd\u00e3o de Assis, a partir do meio-dia de 1\u00ba de agosto; para a Comemora\u00e7\u00e3o dos Fi\u00e9is Defuntos, a partir do meio-dia de 1\u00ba de novembro.<\/p>\n<p>\u2013 Salvo indica\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio, a visita prescrita consiste na recita\u00e7\u00e3o devota do Pai-Nosso e do Credo (norma 19).<\/p>\n<p>\u2013 As indulg\u00eancias ligadas a visitas s\u00f3 valem para os lugares indicados: nem toda igreja ou peregrina\u00e7\u00e3o as concede automaticamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Um dom que n\u00e3o deve ser esquecido<\/b><\/strong><\/p>\n<p>As indulg\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o um atalho burocr\u00e1tico nem um res\u00edduo folcl\u00f3rico da Idade M\u00e9dia. S\u00e3o uma express\u00e3o do cuidado materno da Igreja que, recorrendo aos m\u00e9ritos de Cristo e dos santos, ajuda cada pessoa a crescer em santidade e a viver a caridade tamb\u00e9m para com aqueles que nos precederam. Compreendidas e vividas da maneira certa, tornam-se um caminho para uma convers\u00e3o mais profunda e uma caridade mais atuante.<\/p>\n<p>Em Valdocco, uma vez por m\u00eas, os jovens faziam fila diante do confession\u00e1rio de Dom Bosco para o Exerc\u00edcio da Boa Morte: um dia que, gra\u00e7as \u00e0s suas s\u00faplicas, tamb\u00e9m trazia consigo o dom da indulg\u00eancia plen\u00e1ria. Neste m\u00eas de novembro, enquanto levamos uma flor ao t\u00famulo de nossos entes queridos, podemos fazer o mesmo: reconciliar-nos com Deus, receber a Eucaristia, rezar pelo Papa e oferecer por eles o maior dom que a Igreja coloca em nossas m\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 2 de novembro, a Igreja oferece a indulg\u00eancia plen\u00e1ria pelos falecidos. 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