{"id":55464,"date":"2026-11-01T09:14:28","date_gmt":"2026-11-01T09:14:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=55464"},"modified":"2026-11-01T09:15:02","modified_gmt":"2026-11-01T09:15:02","slug":"dom-bosco-e-a-veneracao-dos-santos-e-de-suas-reliquias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/dom-bosco\/dom-bosco-e-a-veneracao-dos-santos-e-de-suas-reliquias\/","title":{"rendered":"Dom Bosco e a venera\u00e7\u00e3o dos santos e de suas rel\u00edquias"},"content":{"rendered":"<p><em><i>No in\u00edcio do pontificado do Papa Le\u00e3o XIV, despertou particular interesse a not\u00edcia de sua nova cruz peitoral, na qual foram inseridas as rel\u00edquias de S\u00e3o Le\u00e3o Magno, Santo Agostinho, S\u00e3o Tom\u00e1s de Vilanova e do beato Anselmo Polanco Fontecha. Um sinal eloquente da profunda venera\u00e7\u00e3o do Santo Padre pelos santos e de sua confian\u00e7a na intercess\u00e3o deles, confirmada, ali\u00e1s, pelas frequentes visitas aos santu\u00e1rios e pelos momentos de ora\u00e7\u00e3o diante de suas rel\u00edquias.<\/i><\/em><\/p>\n<p><em><i>\u00c9 natural, neste contexto, perguntar-se: qual era o valor que as rel\u00edquias tinham para Dom Bosco?<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Uma f\u00e9 que se pode tocar<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Em um tempo como o nosso, acostumado a medir as coisas por sua utilidade imediata, a venera\u00e7\u00e3o das rel\u00edquias pode parecer uma pr\u00e1tica distante, quase incompreens\u00edvel: um res\u00edduo do passado, superado pelos crist\u00e3os modernos. O que podem dizer, hoje, um fragmento de osso, um peda\u00e7o de roupa, um objeto que pertenceu a um santo?<\/p>\n<p>E, no entanto, a Igreja, desde os primeiros s\u00e9culos, guardou as rel\u00edquias n\u00e3o como amuletos ou talism\u00e3s, mas como sinais concretos da comunh\u00e3o dos santos: mem\u00f3ria viva de homens nos quais a gra\u00e7a de Deus tomou carne, hist\u00f3ria, sacrif\u00edcio, perseveran\u00e7a. \u00c9 uma profiss\u00e3o de f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o da carne: o corpo de quem viveu na gra\u00e7a de Deus, destinado \u00e0 gl\u00f3ria, merece honra e venera\u00e7\u00e3o, porque foi templo do Esp\u00edrito Santo e instrumento de caridade.<\/p>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco viveu essa convic\u00e7\u00e3o com a concretude que lhe era pr\u00f3pria. Para ele, as rel\u00edquias n\u00e3o eram pe\u00e7as de museu, mas uma presen\u00e7a viva: o sinal tang\u00edvel de que a santidade \u00e9 poss\u00edvel, de que a Igreja \u00e9 uma \u00fanica fam\u00edlia atrav\u00e9s dos s\u00e9culos e de que os santos continuam do C\u00e9u a interceder e a acompanhar os crist\u00e3os ainda peregrinos na terra.<\/p>\n<p>Em seus escritos, ele insiste de bom grado no fundamento b\u00edblico dessa pr\u00e1tica. Recorda o manto de Elias recolhido por Eliseu, os ossos de Eliseu a cujo contato um morto volta \u00e0 vida, a orla do manto de Jesus tocada pela mulher doente, os len\u00e7os de S\u00e3o Paulo levados aos enfermos, a sombra de Pedro procurada pelos doentes. A argumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 simples e popular: se Deus quis servir-se de objetos ligados aos seus servos para manifestar a sua miseric\u00f3rdia, o crist\u00e3o pode venerar esses sinais com f\u00e9, sem atribuir-lhes um poder aut\u00f4nomo. A gra\u00e7a vem de Deus; os santos intercedem; a rel\u00edquia recorda, chama, encoraja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>O escritor dos m\u00e1rtires<\/b><\/strong><\/p>\n<p>O primeiro cap\u00edtulo dessa venera\u00e7\u00e3o \u00e9 a sua incans\u00e1vel atividade de escritor e divulgador da mem\u00f3ria dos m\u00e1rtires. Nas \u00abLeituras Cat\u00f3licas\u00bb, a cole\u00e7\u00e3o popular por ele fundada em 1853, Dom Bosco publicou numerosas biografias das testemunhas da f\u00e9 dos primeiros s\u00e9culos: a <em><i>Vida de S\u00e3o Pancr\u00e1cio m\u00e1rtir<\/i><\/em>, as vidas dos papas m\u00e1rtires L\u00facio I e Est\u00eav\u00e3o I, o relato do pontificado de S\u00e3o Dion\u00edsio, o op\u00fasculo <em><i>Uma fam\u00edlia de m\u00e1rtires<\/i><\/em>. Tamb\u00e9m a sua <em><i>Hist\u00f3ria eclesi\u00e1stica<\/i><\/em> dedica p\u00e1ginas apaixonadas aos lugares onde os corpos dos m\u00e1rtires foram depositados e venerados pelos primeiros crist\u00e3os.<\/p>\n<p>O interesse n\u00e3o era apenas liter\u00e1rio. As catacumbas eram para ele a demonstra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de que a Igreja cat\u00f3lica do seu tempo era a mesma dos m\u00e1rtires: um argumento apolog\u00e9tico poderoso em anos de \u00e1speras pol\u00eamicas anticat\u00f3licas, mas tamb\u00e9m um motivo de profunda devo\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>O peregrino de Roma<\/b><\/strong><\/p>\n<p>A Roma crist\u00e3 o impressionou justamente por essa densidade de mem\u00f3ria. Na primeira viagem romana de 1858, quis visitar bas\u00edlicas, santu\u00e1rios e igrejas insignes pelas rel\u00edquias e pela lembran\u00e7a dos m\u00e1rtires. No Pante\u00e3o, contemplou o templo pag\u00e3o transformado em igreja dedicada a Maria e a todos os m\u00e1rtires, enriquecido pelas rel\u00edquias transladadas das catacumbas. Em Santa Maria Maior, venerou a rel\u00edquia do santo Ber\u00e7o e a mem\u00f3ria do ap\u00f3stolo Matias. Em Santa Pudenciana, celebrou a Missa em um lugar ligado \u00e0 lembran\u00e7a de S\u00e3o Pedro e dos primeiros crist\u00e3os de Roma. Em S\u00e3o Clemente, parou diante das rel\u00edquias do Papa m\u00e1rtir e de Santo In\u00e1cio de Antioquia. Desceu \u00e0s catacumbas de S\u00e3o Sebasti\u00e3o na Via \u00c1pia Antiga e \u00e0s de S\u00e3o Calisto, exploradas justamente naqueles anos e que a Provid\u00eancia mais tarde confiaria aos seus filhos. Nos dias seguintes, continuou a visitar igrejas \u00abinsignes ou por devo\u00e7\u00e3o a Maria Sant\u00edssima, ou por rel\u00edquias de santos, ou por lembran\u00e7as dos triunfos da f\u00e9\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Cidade Eterna, onde por s\u00e9culos haviam sido guardados os restos dos m\u00e1rtires e, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, as rel\u00edquias dos ap\u00f3stolos Pedro e Paulo, o padre piemont\u00eas tocava com as m\u00e3os aquela continuidade da f\u00e9 que depois contaria aos seus jovens e aos leitores de suas publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Os m\u00e1rtires turinenses e o santu\u00e1rio de Maria Auxiliadora<\/b><\/strong><\/p>\n<p>O v\u00ednculo de Dom Bosco com as rel\u00edquias atinge o seu \u00e1pice na hist\u00f3ria do santu\u00e1rio de Maria Auxiliadora em Valdocco. Segundo o relato que ele mesmo fez, Nossa Senhora lhe teria indicado em sonho o lugar exato onde, na \u00e9poca romana, haviam sofrido o mart\u00edrio os santos Aventor, Solutor e Ot\u00e1vio, soldados da Legi\u00e3o Tebana e protom\u00e1rtires turinenses: justamente naquele terreno devia erguer-se a grande igreja. N\u00e3o por acaso, no t\u00edmpano da fachada, Dom Bosco quis colocar as est\u00e1tuas dos tr\u00eas m\u00e1rtires, e no interior mandou preparar uma capela em honra deles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O momento mais solene foi a consagra\u00e7\u00e3o da igreja, em 9 de junho de 1868. Na noite anterior, segundo o antigo rito, o arcebispo de Turim, Dom Alessandro Riccardi di Netro, exp\u00f4s \u00e0 venera\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, na pequena igreja de S\u00e3o Francisco de Sales, as rel\u00edquias dos santos m\u00e1rtires Maur\u00edcio e Segundo, tamb\u00e9m eles da Legi\u00e3o Tebana. Apesar de uma violenta tempestade se ter abatido sobre Turim naquela noite, a vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o diante das sagradas rel\u00edquias prolongou-se at\u00e9 o amanhecer, quando elas foram solenemente transportadas e seladas no altar da nova igreja, como a liturgia prescreve para cada altar consagrado. As <em><i>Mem\u00f3rias Biogr\u00e1ficas<\/i><\/em> descrevem aquelas horas com abund\u00e2ncia de detalhes: Dom Bosco quis que os seus jovens participassem da vig\u00edlia, para que compreendessem que a nova igreja nascia literalmente <em><i>sobre<\/i><\/em> os m\u00e1rtires, segundo o uso antiqu\u00edssimo da Igreja que celebra a Eucaristia sobre os ossos das testemunhas de Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>As rel\u00edquias como instrumento educativo<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Como educador concreto, Dom Bosco sabia que os jovens precisam ver, tocar, lembrar. A f\u00e9, para crescer, precisa da Palavra, dos sacramentos, da catequese, mas tamb\u00e9m de sinais que falem \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o, \u00e0 mem\u00f3ria, aos afetos. Por isso, em sua pedagogia encontravam lugar as imagens sagradas, as festas dos santos, as peregrina\u00e7\u00f5es, o relato das vidas exemplares e a venera\u00e7\u00e3o das rel\u00edquias: n\u00e3o para alimentar a curiosidade, mas para acender o desejo de imitar.<\/p>\n<p>Nas primeiras estruturas educativas de Valdocco, cada dormit\u00f3rio tinha um santo titular. Os jovens celebravam a sua festa com os sacramentos, o canto, as ora\u00e7\u00f5es, o ornamento da imagem; \u00e0s vezes, era-lhes dada a beijar uma rel\u00edquia. As <em><i>Mem\u00f3rias Biogr\u00e1ficas<\/i><\/em> observam que isso, unido aos outros meios de piedade, acendia cada vez mais o fervor da devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No sistema preventivo, a religi\u00e3o \u00e9 um dos tr\u00eas pilares, junto com a raz\u00e3o e a amabilidade, e os santos s\u00e3o propostos aos jovens como modelos concretos e alcan\u00e7\u00e1veis. Contar a vida dos m\u00e1rtires, mostrar as suas rel\u00edquias, levar os jovens a rezar diante delas significava tornar vis\u00edvel a santidade, subtra\u00ed-la \u00e0 abstra\u00e7\u00e3o e transform\u00e1-la em um ideal fascinante. N\u00e3o surpreende que justamente na sua escola tenha florescido Domingos S\u00e1vio, o jovem de quinze anos canonizado em 1954, cujas rel\u00edquias s\u00e3o hoje veneradas ao lado das do mestre. Dom Bosco guardava com cuidado as rel\u00edquias que recebia de presente, mandava coloc\u00e1-las nos altares das igrejas que ia construindo \u2013 de S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista em Turim at\u00e9 o Sagrado Cora\u00e7\u00e3o em Roma \u2013 e encorajava em seus filhos espirituais um culto aos santos s\u00f3brio, fundamentado e confiante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>A \u00faltima imagem: o Sagrado Cora\u00e7\u00e3o em Roma<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Um epis\u00f3dio particularmente significativo situa-se no fim de sua vida, na igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o em Roma, constru\u00edda entre enormes sacrif\u00edcios. Enquanto Dom Bosco se encontrava no Vaticano, chegaram \u00e0 igreja as rel\u00edquias destinadas ao sepulcro do altar-mor: uma part\u00edcula do ber\u00e7o do Menino Jesus e rel\u00edquias dos ap\u00f3stolos Pedro, Paulo e Tiago, do m\u00e1rtir Louren\u00e7o e de S\u00e3o Francisco de Sales, padroeiro da Fam\u00edlia Salesiana. Colocadas em uma urna dourada, foram expostas na capela antiga, enquanto se cantava o hino dos m\u00e1rtires.<\/p>\n<p>\u00c9 uma imagem comovente: o idoso Dom Bosco, j\u00e1 consumido pelas fadigas, v\u00ea a sua obra romana enraizar-se na mem\u00f3ria de Cristo, dos ap\u00f3stolos, dos m\u00e1rtires e do santo da do\u00e7ura pastoral de quem os Salesianos tomam o nome.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>De venerador a venerado<\/b><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 um paradoxo luminoso na hist\u00f3ria de Dom Bosco: o homem que por toda a vida havia venerado as rel\u00edquias dos santos tornou-se ele mesmo uma das rel\u00edquias mais veneradas da cristandade. Quando Pio XI o proclamou beato, em 2 de junho de 1929, o breve apost\u00f3lico <em><i>Mirabilis Deus<\/i><\/em> concedeu expressamente que o seu corpo e as suas rel\u00edquias fossem expostos \u00e0 venera\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos fi\u00e9is. Desde ent\u00e3o, os restos mortais do santo repousam na urna do altar a ele dedicado na bas\u00edlica de Maria Auxiliadora, enquanto uma rel\u00edquia insigne \u2013 uma por\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro \u2013 \u00e9 guardada na Bas\u00edlica do Colle Don Bosco, junto \u00e0 casa natal. Em prepara\u00e7\u00e3o ao bicenten\u00e1rio do nascimento (2015), uma urna contendo uma rel\u00edquia insigne do bra\u00e7o direito fez uma peregrina\u00e7\u00e3o por todos os continentes, acolhida em toda parte por multid\u00f5es de jovens e de devotos: sinal de que a l\u00f3gica de Dom Bosco \u2013 a santidade que se faz pr\u00f3xima, vis\u00edvel, toc\u00e1vel \u2013 continua a falar ao mundo de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Valdocco, um tesouro raro<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Na Bas\u00edlica de Maria Auxiliadora em Turim conservam-se hoje os restos mortais de S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco, de Santa Maria Domingas Mazzarello e de S\u00e3o Domingos S\u00e1vio. Sob a Bas\u00edlica encontra-se a Capela das Rel\u00edquias, onde repousam o beato Miguel Rua, primeiro sucessor de Dom Bosco, e o beato Filipe Rinaldi, o terceiro sucessor, junto com os corpos de todos os Reitores-Mores. A Capela guarda mais de tr\u00eas mil rel\u00edquias de santos e m\u00e1rtires da Igreja.<\/p>\n<p>A sua verdadeira joia \u00e9 a rel\u00edquia do lenho da Santa Cruz, conservada em um relic\u00e1rio sobre fundo de alabastro. Em outro relic\u00e1rio art\u00edstico est\u00e1 guardado um fragmento da rel\u00edquia do Precios\u00edssimo Sangue lateral de Nosso Senhor Jesus Cristo, obtida por interm\u00e9dio do comendador Miguel Bert do ent\u00e3o bispo de M\u00e2ntua, Dom Jos\u00e9 Sarto, depois Papa S\u00e3o Pio X: est\u00e1 encerrada em um pequeno tubo de vidro amarrado com fio de seda vermelho e munido de selo; e em um pequeno cart\u00e3o apropriado Dom Sarto escreveu de pr\u00f3prio punho a proveni\u00eancia e a autenticidade da rel\u00edquia, retirada em 2 de outubro de 1886 daquela venerada na Catedral de M\u00e2ntua. Uma densidade de rel\u00edquias que rarissimamente se encontra em outro lugar no mundo, justamente na bas\u00edlica de Dom Bosco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Uma devo\u00e7\u00e3o que continua<\/b><\/strong><\/p>\n<p>A venera\u00e7\u00e3o das rel\u00edquias, t\u00e3o cara a Dom Bosco, n\u00e3o pertence, portanto, a um passado conclu\u00eddo: vive-a e testemunha-a tamb\u00e9m o atual Pont\u00edfice. O Papa Le\u00e3o XIV, eleito em 8 de maio de 2025, traz as rel\u00edquias dos santos at\u00e9 mesmo no peito. Na cruz peitoral prateada doada a ele pelo C\u00edrculo S\u00e3o Pedro no dia da elei\u00e7\u00e3o foram inseridos fragmentos <em><i>ex ossibus<\/i><\/em> de quatro grandes bispos: S\u00e3o Le\u00e3o Magno, seu hom\u00f4nimo predecessor na c\u00e1tedra de Pedro; Santo Agostinho de Hipona, pai da fam\u00edlia religiosa da qual o Papa prov\u00e9m; S\u00e3o Tom\u00e1s de Vilanova, agostiniano e arcebispo de Val\u00eancia; e o beato Anselmo Polanco, agostiniano, bispo de Teruel e m\u00e1rtir.<\/p>\n<p>A iniciativa nasceu do guardi\u00e3o do Sacr\u00e1rio Apost\u00f3lico, o agostiniano padre Bruno Silvestrini, que interpretou o desejo do Pont\u00edfice de confiar-se \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Le\u00e3o Magno e dirigiu-se ao <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/people\/Antonino-Cottone-Reliquiarista\/61569381577804\/\">especialista em rel\u00edquias Antonino Cottone<\/a>. Com as tradicionais t\u00e9cnicas medievais das <em><i>paperoles<\/i><\/em> \u2013 min\u00fasculas filigranas de papel dourado sobre tecido de seda \u2013 o artes\u00e3o realizou a pequena cruz relic\u00e1rio, depois de j\u00e1 ter confeccionado as rel\u00edquias para a cruz recebida pelo futuro Papa em 2023, contendo, entre outras coisas, fragmentos de Santo Agostinho e de Santa M\u00f4nica.<\/p>\n<p>O gesto de Le\u00e3o XIV diz, com a linguagem do nosso tempo, exatamente o que Dom Bosco ensinava aos seus jovens em Valdocco: os santos n\u00e3o s\u00e3o figuras distantes, mas companheiros de caminhada; as suas rel\u00edquias n\u00e3o s\u00e3o restos inertes, mas mem\u00f3ria viva de uma gra\u00e7a que continua a operar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>O que se venera<\/b><\/strong><\/p>\n<p>A rel\u00edquia n\u00e3o \u00e9 simplesmente um fragmento do corpo de um santo ou um objeto que o tocou, e o seu valor n\u00e3o reside em ter pertencido a uma pessoa c\u00e9lebre de quem nos recorda as virtudes. \u00c9 uma mat\u00e9ria na qual a santidade de Deus se fez presente: na vida do santo e tamb\u00e9m ap\u00f3s a sua morte, como testemunho da vida sem fim. Os milagres que Deus quis realizar por meio das rel\u00edquias nos dizem que o corpo do santo tornou-se em plenitude templo do Esp\u00edrito Santo e que Deus quer permanecer ali mesmo al\u00e9m de sua jornada terrena. O que se venera n\u00e3o \u00e9, portanto, um peda\u00e7o de mat\u00e9ria, mas o pr\u00f3prio Deus que santificou aquela mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o deveria nos surpreender. Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, tamb\u00e9m o respeito pelos corpos dos defuntos comuns, n\u00e3o santos, \u00e9 independente do valor da vida daquela pessoa: fundamenta-se no respeito a Deus, Criador de cada homem. N\u00e3o por acaso, enterrar os mortos \u00e9 uma das sete obras de miseric\u00f3rdia corporal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A venera\u00e7\u00e3o das rel\u00edquias permanece como testemunho da a\u00e7\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria da humanidade: uma venera\u00e7\u00e3o que precisa da f\u00e9 para prosseguir uma tradi\u00e7\u00e3o ininterrupta da Igreja. Porque onde n\u00e3o h\u00e1 a verdadeira f\u00e9, n\u00e3o h\u00e1 tampouco o reconhecimento da obra de Deus.<\/p>\n<p>1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio do pontificado do Papa Le\u00e3o XIV, despertou particular interesse a not\u00edcia de sua&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":55451,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":4,"footnotes":""},"categories":[173],"tags":[1749,2557,2673,1827,1695,2676],"class_list":["post-55464","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dom-bosco","tag-conselhos","tag-deus","tag-don-bosco","tag-gracas-obtidas","tag-papa","tag-santi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55464","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55464"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55464\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55465,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55464\/revisions\/55465"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55464"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55464"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}