{"id":55149,"date":"2026-10-04T08:32:03","date_gmt":"2026-10-04T08:32:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=55149"},"modified":"2026-10-04T08:32:36","modified_gmt":"2026-10-04T08:32:36","slug":"dom-bosco-e-o-santo-rosario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/dom-bosco\/dom-bosco-e-o-santo-rosario\/","title":{"rendered":"Dom Bosco e o Santo Ros\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><em>Outubro \u00e9 o m\u00eas do Ros\u00e1rio e, para Dom Bosco, foi durante muito tempo o m\u00eas do retorno para casa: por mais de vinte anos levou os meninos do Orat\u00f3rio aos Becchi, para celebrar Nossa Senhora do Ros\u00e1rio na capela que ele pr\u00f3prio havia instalado na casa do irm\u00e3o. Aquele ter\u00e7o ele aprendera de joelhos ao lado de Mam\u00e3e Margarida e nunca mais o abandonou: colocou-o nas m\u00e3os dos jovens, nas Constitui\u00e7\u00f5es dos Salesianos, em seus livros, e o encontramos at\u00e9 mesmo em seus sonhos; e a um marqu\u00eas que o considerava perda de tempo respondeu que toda a sua obra estava fundada nessa pr\u00e1tica. Sua hist\u00f3ria se entrela\u00e7a assim com a de uma ora\u00e7\u00e3o que os papas recomendaram em dezesseis enc\u00edclicas, que os santos ensinaram em seus escritos e que a Igreja enriqueceu de promessas e indulg\u00eancias.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma coroa de rosas, com seus espinhos<\/strong><\/p>\n<p>Para compreender o que Dom Bosco tinha nas m\u00e3os quando desfiava as contas do ter\u00e7o, conv\u00e9m come\u00e7ar pelo nome. \u00ab <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/special\/rosary\/index_rosary_po.htm\">Ros\u00e1rio<\/a> \u00bb vem do latim <em>rosarium<\/em>, que originalmente significava \u00ab roseiral \u00bb, \u00ab jardim de rosas \u00bb e, por extens\u00e3o, tamb\u00e9m \u00ab grinalda \u00bb ou \u00ab coroa de rosas \u00bb. Na Idade M\u00e9dia, a palavra adquiriu um significado religioso e simb\u00f3lico, porque as ora\u00e7\u00f5es dirigidas \u00e0 Virgem foram comparadas a rosas espirituais oferecidas a Maria, at\u00e9 formar idealmente uma coroa: uma coroa muito bela, que, no entanto, tamb\u00e9m esconde seus espinhos. Antes de se impor o termo <em>Rosarium<\/em>, ali\u00e1s, essa forma de ora\u00e7\u00e3o era frequentemente chamada de \u00ab Salt\u00e9rio da Virgem \u00bb (<em>Psalterium Beatae Mariae Virginis<\/em>), pois as 150 Ave-Marias correspondiam simbolicamente aos 150 salmos do Salt\u00e9rio b\u00edblico.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 sua origem, a tradi\u00e7\u00e3o eclesial sustenta que a pr\u00f3pria Virgem teria confiado o Ros\u00e1rio a S\u00e3o Domingos de Gusm\u00e3o (1170-1221), como instrumento de prega\u00e7\u00e3o e de luta contra a heresia albigense; tradi\u00e7\u00e3o que Le\u00e3o XIII retomou repetidamente, chegando a afirmar que S\u00e3o Domingos havia introduzido e difundido essa forma de ora\u00e7\u00e3o. Mas a data que, mais do que qualquer outra, marcou sua hist\u00f3ria foi 7 de outubro de 1571, dia da batalha de Lepanto. S\u00e3o Pio V atribuiu a vit\u00f3ria da frota crist\u00e3 \u00e0 intercess\u00e3o de Maria, invocada naquelas horas pelas confrarias do Ros\u00e1rio; e foi depois desse acontecimento que 7 de outubro se tornou a festa do Ros\u00e1rio e que a Sant\u00edssima Virgem passou a ser invocada com o t\u00edtulo de Aux\u00edlio dos crist\u00e3os, <em>Auxilium Christianorum<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 um detalhe que um leitor salesiano n\u00e3o pode deixar passar. Os dois t\u00edtulos marianos que marcaram a vida de Dom Bosco, Nossa Senhora do Ros\u00e1rio venerada nos Becchi e Maria Auxiliadora de Valdocco, nascem de fato do mesmo dia e da mesma vit\u00f3ria; e Dom Bosco tinha plena consci\u00eancia disso, tanto que, em 1868, ao publicar para a consagra\u00e7\u00e3o do santu\u00e1rio de Turim as <em>Maraviglie della Madre di Dio invocata sotto il titolo di Maria Ausiliatrice<\/em>, dedicou um cap\u00edtulo precisamente \u00e0 batalha de Lepanto. N\u00e3o surpreende, portanto, que sempre tenha querido celebrar com solenidade a festa do Ros\u00e1rio e que, durante anos, o tenha feito peregrinando, com os meninos do Orat\u00f3rio, ao lugar onde nascera. Para compreender as raz\u00f5es de tamanha fidelidade, por\u00e9m, \u00e9 preciso voltar ainda mais atr\u00e1s, at\u00e9 a cozinha de uma casa camponesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Da cozinha dos Becchi \u00e0 capela do Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>De fato, Jo\u00e3o Bosco aprendeu o Ros\u00e1rio antes mesmo de saber ler. \u00d3rf\u00e3o de pai quando ainda n\u00e3o tinha completado dois anos, cresceu em uma fam\u00edlia na qual o dia come\u00e7ava e terminava de joelhos, como ele mesmo conta nas <em>Mem\u00f3rias do Orat\u00f3rio<\/em> ao falar da m\u00e3e: \u00ab Enquanto eu era pequeno, ela pr\u00f3pria me ensinava as ora\u00e7\u00f5es; logo que me tornei capaz de me juntar a meus irm\u00e3os, fazia-me ajoelhar com eles de manh\u00e3 e \u00e0 noite, e todos juntos recit\u00e1vamos as ora\u00e7\u00f5es em comum com a ter\u00e7a parte do Ros\u00e1rio \u00bb. A \u00ab ter\u00e7a parte \u00bb, isto \u00e9, um ter\u00e7o de cinco dezenas, era a medida cotidiana da piedade popular piemontesa, e assim permaneceria para Dom Bosco durante toda a vida.<\/p>\n<p>Aquilo que recebera em casa, o menino logo come\u00e7ou a dar aos outros. Aos dez ou onze anos, nos dias de festa, estendia uma corda entre duas \u00e1rvores do prado dos Becchi, preparava a mesinha para os truques de prestidigita\u00e7\u00e3o e reunia os vizinhos; mas antes do espet\u00e1culo estabelecia uma condi\u00e7\u00e3o, que as <em>Mem\u00f3rias<\/em> recordam assim: \u00ab Quando tudo estava preparado e todos esperavam ansiosos para admirar alguma novidade, ent\u00e3o ele os convidava a recitar a ter\u00e7a parte do Ros\u00e1rio, ap\u00f3s o que se cantava um louvor sagrado \u00bb. S\u00f3 depois vinham o serm\u00e3o repetido de mem\u00f3ria, os saltos e a dan\u00e7a na corda. Naquele prado, olhando bem, j\u00e1 est\u00e1 o Orat\u00f3rio: o jogo que atrai os meninos e a ora\u00e7\u00e3o que os mant\u00e9m unidos.<\/p>\n<p>Depois de se tornar sacerdote e iniciar a obra de Valdocco, Dom Bosco quis levar o Ros\u00e1rio de volta exatamente ao lugar onde o aprendera. Em 1848, com a aprova\u00e7\u00e3o da c\u00faria de Turim, transformou em capela um c\u00f4modo do t\u00e9rreo da casa de seu irm\u00e3o Jos\u00e9 e a dedicou a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio: inaugurada em outubro daquele ano, foi o primeiro lugar de culto mariano querido por ele, vinte anos antes da bas\u00edlica de Maria Auxiliadora. A partir de ent\u00e3o, e at\u00e9 1869, a festa do Ros\u00e1rio foi celebrada ali todos os anos, com a banda e os cantores de Valdocco; os meninos vinham de Turim, h\u00f3spedes de Jos\u00e9, que colocava \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o deles a casa e o celeiro, e depois da festa come\u00e7avam os c\u00e9lebres passeios de outono pelas colinas do Monferrato.<\/p>\n<p>A pequena capela tornou-se assim o centro devocional do povoado e a meta de uma verdadeira peregrina\u00e7\u00e3o anual; mas tamb\u00e9m foi testemunha de algumas p\u00e1ginas decisivas da hist\u00f3ria salesiana. Foi justamente ali, em 3 de outubro de 1852, dia da festa, que receberam a batina clerical Miguel Rua, que seria o primeiro sucessor de Dom Bosco, e Jos\u00e9 Rocchietti; e nos Becchi, em 2 de outubro de 1854, no dia seguinte \u00e0 festa, Dom Bosco encontrou pela primeira vez um menino de doze anos, Domingos S\u00e1vio, que nos outonos seguintes voltaria v\u00e1rias vezes para rezar naquela capela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00ab Sobre isto est\u00e1 fundada a minha institui\u00e7\u00e3o \u00bb<\/strong><\/p>\n<p>Se nos Becchi o Ros\u00e1rio era a festa de um dia, em Valdocco era a respira\u00e7\u00e3o de todos os dias. Padre Lemoyne, recolhendo os testemunhos de quem havia conhecido Jo\u00e3o quando menino, observa que \u00ab o santo Ros\u00e1rio devia ser-lhe familiar, porque desde os primeiros tempos do Orat\u00f3rio at\u00e9 os \u00faltimos anos de sua exist\u00eancia quis que fosse infalivelmente recitado pelos jovens todos os dias: nunca admitiu que pudesse haver motivo que dispensasse uma comunidade dessa recita\u00e7\u00e3o \u00bb (MB I, 90). Aos meninos do orat\u00f3rio festivo fazia recitar a ter\u00e7a parte em cada dia de festa, \u00ab exortando com fervor seus jovens a continuarem, se pudessem, essa piedosa pr\u00e1tica todos os dias da semana em suas casas \u00bb (MB III, 16); e uma vez por ano, na noite de Todos os Santos, rezava-se o Ros\u00e1rio inteiro em sufr\u00e1gio das almas do purgat\u00f3rio, com Dom Bosco ajoelhado no presbit\u00e9rio e muitas vezes conduzindo a ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto essa pr\u00e1tica lhe era cara revela um epis\u00f3dio de fevereiro de 1848. O marqu\u00eas Roberto d\u2019Azeglio, senador do Reino e amigo pessoal de Carlos Alberto, visitou o Orat\u00f3rio e saiu admirado, com uma \u00fanica ressalva: parecia-lhe tempo perdido o empregado na recita\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio, e aconselhou Dom Bosco a abandonar \u00ab aquela velharia de 50 Ave-Marias enfiadas uma depois da outra \u00bb. A resposta tornou-se c\u00e9lebre: \u00ab Pois bem, eu tenho muito apre\u00e7o por essa pr\u00e1tica; e poderia dizer que sobre ela est\u00e1 fundada a minha institui\u00e7\u00e3o; estaria disposto a deixar muitas outras coisas, at\u00e9 importantes, mas n\u00e3o esta \u00bb. E, com a coragem que lhe era pr\u00f3pria, acrescentou: \u00ab E mesmo, se fosse necess\u00e1rio, estaria disposto a renunciar \u00e0 sua preciosa amizade, mas jamais \u00e0 recita\u00e7\u00e3o do Santo Ros\u00e1rio \u00bb (MB III, 294).<\/p>\n<p>N\u00e3o era obstina\u00e7\u00e3o, nem apego a um h\u00e1bito. Naquelas cinquenta Ave-Marias \u00ab enfiadas \u00bb Dom Bosco via o Evangelho colocado nas m\u00e3os dos pobres, isto \u00e9, os mist\u00e9rios da vida de Cristo contemplados com Maria por meninos que muitas vezes n\u00e3o sabiam ler; e por isso n\u00e3o se limitou a defender o Ros\u00e1rio, mas empregou todos os meios para difundi-lo. Fez isso antes de tudo pela imprensa: no <em>Giovane provveduto<\/em> de 1847, o manual de ora\u00e7\u00e3o que teve mais de cem edi\u00e7\u00f5es enquanto ele ainda vivia, inseriu os quinze mist\u00e9rios, acompanhando cada um com uma brev\u00edssima contempla\u00e7\u00e3o, para que os jovens, enquanto repetiam as palavras, tivessem diante dos olhos uma cena do Evangelho. Fez isso depois pela regra, pedindo a seus religiosos o que pedia aos meninos: j\u00e1 nos primeiros artigos sobre as pr\u00e1ticas de piedade, redigidos por volta de 1859 para a nascente Sociedade Salesiana, l\u00ea-se de fato que \u00ab todos os dias se recitar\u00e1 a ter\u00e7a parte do Ros\u00e1rio de Maria Sant\u00edssima \u00bb. E o fez, por fim, pela palavra viva das \u00ab boas-noites \u00bb e dos sonhos contados aos jovens, nos quais o Ros\u00e1rio aparece como arma e como defesa.<\/p>\n<p>O mais conhecido desses relatos \u00e9 o sonho da serpente. Em agosto de 1862, nos dias da Assun\u00e7\u00e3o, Dom Bosco sonhou que estava com todos os seus jovens na casa do irm\u00e3o, isto \u00e9, justamente ao lado da capela do Ros\u00e1rio. Um desconhecido mostrou-lhe no prado uma serpente de sete ou oito metros de comprimento e, vencendo seu medo, fez com que estendesse uma corda sobre o dorso do r\u00e9ptil, que se lan\u00e7ou, ficou preso no la\u00e7o e, debatendo-se, acabou se despeda\u00e7ando. Quando depois a corda, guardada numa caixa, foi retirada, havia-se disposto de modo a formar duas palavras: Ave Maria. \u00ab A serpente representa o dem\u00f4nio \u00bb, explicou ent\u00e3o o guia, \u00ab e a corda \u00e9 a Ave-Maria, ou melhor, o Ros\u00e1rio, que \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o de Ave-Marias, com a qual e com as quais se podem combater, vencer e destruir todos os dem\u00f4nios do inferno \u00bb (MB VII, 238-239).<\/p>\n<p>A mesma convic\u00e7\u00e3o acompanhou o horizonte mission\u00e1rio e, por fim, a velhice. No sonho que precedeu a primeira expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica, Dom Bosco viu seus filhos avan\u00e7arem entre popula\u00e7\u00f5es hostis com esta \u00fanica arma: \u00ab os Mission\u00e1rios rezavam o santo Ros\u00e1rio, enquanto os selvagens, correndo de todos os lados, abriam alas \u00e0 sua passagem \u00bb (MB X, 55). E quando, nos \u00faltimos anos, a dor de cabe\u00e7a e os olhos quase apagados j\u00e1 n\u00e3o lhe permitiam trabalhar, Padre Francisco Cerruti recordava como era \u00ab doloroso e consolador espet\u00e1culo v\u00ea-lo passar longas horas sentado em seu pobre sof\u00e1, em lugar \u00e0s vezes semiescuro, porque seus olhos n\u00e3o suportavam a luz, sempre por\u00e9m tranquilo e sorridente, com o ter\u00e7o na m\u00e3o \u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A caminho com os papas<\/strong><\/p>\n<p>Nessa devo\u00e7\u00e3o Dom Bosco n\u00e3o foi um isolado, porque caminhava com a Igreja; e a Igreja, justamente nos \u00faltimos anos de sua vida, voltou a recomendar o Ros\u00e1rio com uma insist\u00eancia sem precedentes. Sobre o santo Ros\u00e1rio foram escritas dezesseis enc\u00edclicas, sem contar as dezenas, sen\u00e3o centenas, de outros documentos pontif\u00edcios, entre bulas, constitui\u00e7\u00f5es, cartas apost\u00f3licas, exorta\u00e7\u00f5es e discursos; e dessas dezesseis nada menos que doze s\u00e3o de Le\u00e3o XIII, o mesmo Papa que havia confiado a Dom Bosco a constru\u00e7\u00e3o da igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o em Roma.<\/p>\n<p>As primeiras quatro foram publicadas quando o santo ainda estava vivo. A <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_01091883_supremi-apostolatus-officio.html\">Supremi Apostolatus Officio<\/a>, de 1\u00ba de setembro de 1883, tratava da devo\u00e7\u00e3o e da recita\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio e institu\u00eda a pr\u00e1tica especial do m\u00eas de outubro; a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_30081884_superiore-anno.html\">Superiore Anno<\/a>, de 30 de agosto de 1884, determinava a continua\u00e7\u00e3o daquela recita\u00e7\u00e3o solene; a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/en\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_22121885_quod-auctoritate.html\">Quod Auctoritate<\/a>, de 22 de dezembro de 1885, proclamava um Jubileu extraordin\u00e1rio recomendando de modo particular essa ora\u00e7\u00e3o; e a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/en\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_20091887_vi-e-ben-noto.html\">Vi \u00e8 ben noto<\/a>, de 20 de setembro de 1887, dirigida especialmente aos bispos da It\u00e1lia, propunha-a juntamente com a devo\u00e7\u00e3o mariana diante das dificuldades religiosas e sociais do tempo. O velho sacerdote de Valdocco, que morreria em 31 de janeiro de 1888, p\u00f4de assim ver o Papa pedir a toda a Igreja aquilo que ele pedia a seus meninos havia quarenta anos.<\/p>\n<p>Le\u00e3o XIII, por\u00e9m, n\u00e3o parou a\u00ed e, depois de uma pausa de alguns anos, retomou o tema quase a cada outono. Com a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_22091891_octobri-mense.html\">Octobri Mense<\/a> (22 de setembro de 1891), voltou \u00e0 devo\u00e7\u00e3o mariana e \u00e0 recita\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio no m\u00eas de outubro, sublinhando sua efic\u00e1cia espiritual; com a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_08091892_magnae-dei-matris.html\">Magnae Dei Matris<\/a> (8 de setembro de 1892), apresentou-o como escola de f\u00e9, de vida crist\u00e3 e de imita\u00e7\u00e3o das virtudes de Cristo e de Maria; com a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_08091893_laetitiae-sanctae.html\">Laetitiae Sanctae<\/a> (8 de setembro de 1893), prop\u00f4s-no como rem\u00e9dio espiritual para os principais males morais e sociais do tempo; com a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_08091894_iucunda-semper-expectatione.html\">Iucunda Semper Expectatione<\/a> (8 de setembro de 1894), aprofundou o valor dessa ora\u00e7\u00e3o e da intercess\u00e3o da Virgem na vida crist\u00e3. Seguiram-se a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_05091895_adiutricem.html\">Adiutricem Populi<\/a> (5 de setembro de 1895), que apresenta Maria como Auxiliadora do povo crist\u00e3o e liga o Ros\u00e1rio \u00e0 ora\u00e7\u00e3o pela unidade dos crist\u00e3os; a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_20091896_fidentem-piumque-animum.html\">Fidentem Piumque Animum<\/a> (20 de setembro de 1896), que reafirma seu valor espiritual e incentiva os fi\u00e9is a pratic\u00e1-lo com confian\u00e7a, devo\u00e7\u00e3o e perseveran\u00e7a; a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_12091897_augustissimae-virginis-mariae.html\">Augustissimae Virginis Mariae<\/a> (12 de setembro de 1897), dedicada \u00e0 devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Virgem, \u00e0 ora\u00e7\u00e3o comum e \u00e0 import\u00e2ncia das Confrarias do Santo Ros\u00e1rio; e, por fim, a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_05091898_diuturni-temporis.html\">Diuturni Temporis<\/a> (5 de setembro de 1898), que oferece uma s\u00edntese de todo o ensinamento de Le\u00e3o XIII sobre o Ros\u00e1rio e recorda os privil\u00e9gios e as pr\u00e1ticas das Confrarias.<\/p>\n<p>Os sucessores recolheram essa heran\u00e7a sempre que os tempos se tornavam mais dif\u00edceis. Pio XI, o Papa que em 1934 canonizara Dom Bosco, com a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/pius-xi\/en\/encyclicals\/documents\/hf_p-xi_enc_29091937_ingravescentibus-malis.html\">Ingravescentibus Malis<\/a> (29 de setembro de 1937), apresentou o Ros\u00e1rio como rem\u00e9dio espiritual diante dos males do tempo e recomendou de modo particular sua recita\u00e7\u00e3o nas fam\u00edlias, que afinal \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o da casa dos Becchi. Pio XII, com a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/pius-xii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-xii_enc_15091951_ingruentium-malorum.html\">Ingruentium Malorum<\/a> (15 de setembro de 1951), exortou a rez\u00e1-lo especialmente no m\u00eas de outubro, sublinhando seu valor para a fam\u00edlia, a paz e a vida crist\u00e3; Jo\u00e3o XXIII, com a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_26091959_grata-recordatio.html\">Grata Recordatio<\/a> (26 de setembro de 1959), recomendou-o pelas miss\u00f5es, pela Igreja, pela paz e pelas necessidades dos povos; e Paulo VI, com a <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-vi_enc_15091966_christi-matri.html\">Christi Matri<\/a> (15 de setembro de 1966), convidou a recit\u00e1-lo, sobretudo em outubro, para obter de Deus o dom da paz.<\/p>\n<p>A essa lista \u00e9 preciso acrescentar dois documentos que n\u00e3o s\u00e3o enc\u00edclicas, mas permanecem fundamentais. O primeiro, que est\u00e1 na origem de tudo, \u00e9 a <a href=\"https:\/\/locusmariologicus.org\/pio-v-rosario-lepanto-consueverunt\/\">Consueverunt Romani Pontifices<\/a> de S\u00e3o Pio V, de 17 de setembro de 1569, que ilustra e define substancialmente a forma tradicional do Ros\u00e1rio, com o Pai-Nosso, as Ave-Marias e a medita\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios, e que Paulo VI considera explicitamente o documento com o qual Pio V \u00ab definia a forma do Ros\u00e1rio ainda hoje em uso \u00bb. O segundo, mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s, \u00e9 a Carta Apost\u00f3lica <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_letters\/2002\/documents\/hf_jp-ii_apl_20021016_rosarium-virginis-mariae.html\">Rosarium Virginis Mariae<\/a> de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, de 16 de outubro de 2002: provavelmente o mais importante documento pontif\u00edcio moderno inteiramente dedicado ao Ros\u00e1rio, tamb\u00e9m porque introduz os mist\u00e9rios da luz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os livros dos santos e um encontro em Turim<\/strong><\/p>\n<p>Ao lado da voz dos papas est\u00e1 a dos santos, que escreveram muit\u00edssimo sobre o Ros\u00e1rio; e, entre tantos textos, alguns merecem ser assinalados. O mais antigo \u00e9 <em>O Sant\u00edssimo Ros\u00e1rio. O salt\u00e9rio de Jesus e de Maria<\/em>, do beato Alano da Rocha, composto por volta de 1475, em cujo t\u00edtulo ainda ressoa o antigo nome de \u00ab Salt\u00e9rio \u00bb. Mais de dois s\u00e9culos depois, por volta de 1710, S\u00e3o Lu\u00eds Maria Grignion de Montfort escreveu <em>O segredo admir\u00e1vel do Sant\u00edssimo Ros\u00e1rio para converter-se e salvar-se<\/em> (<em>Le Secret admirable du Tr\u00e8s Saint Rosaire pour se convertir et se sauver<\/em>), que \u00e9 provavelmente o principal tratado espiritual sobre o Ros\u00e1rio escrito por um santo e aborda sua origem, as ora\u00e7\u00f5es, os mist\u00e9rios, os frutos espirituais e o modo de recit\u00e1-lo. A ele se somam, do mesmo autor, os <em>M\u00e9todos para rezar o Ros\u00e1rio<\/em> (<em>M\u00e9thodes pour r\u00e9citer le Rosaire<\/em>), que constituem seu complemento pr\u00e1tico, pois prop\u00f5em diversos m\u00e9todos meditativos para acompanhar as dezenas com inten\u00e7\u00f5es e considera\u00e7\u00f5es sobre os mist\u00e9rios de Cristo e de Maria, e que nas edi\u00e7\u00f5es das obras montfortinas s\u00e3o normalmente publicados juntos ou em ap\u00eandice ao <em>Segredo<\/em>. Mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s, S\u00e3o Josemaria Escriv\u00e1 publicou em 1931 seu <a href=\"https:\/\/escriva.org\/pt-br\/santo-rosario\/\">Santo Ros\u00e1rio<\/a>, com breves medita\u00e7\u00f5es contemplativas sobre os mist\u00e9rios e sobre as ladainhas lauretanas: um bom texto para quem busca n\u00e3o tanto uma hist\u00f3ria ou uma teologia sistem\u00e1tica do Ros\u00e1rio, mas um m\u00e9todo concreto de contempla\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica dos mist\u00e9rios.<\/p>\n<p>Entre Montfort e Escriv\u00e1 situa-se a obra de um contempor\u00e2neo de Dom Bosco, S\u00e3o Bartolo Longo, que em 1877 publicou <em>Os quinze s\u00e1bados do Sant\u00edssimo Ros\u00e1rio. Devo\u00e7\u00e3o eficac\u00edssima para obter qualquer gra\u00e7a<\/em>, com as medita\u00e7\u00f5es sobre o Evangelho de cada mist\u00e9rio, a obra rosariana fundamental do ap\u00f3stolo de Pompeia. Dom Bosco teve tamb\u00e9m um encontro direto com ele: em maio de 1885, o advogado Longo foi visit\u00e1-lo em Turim e perguntou-lhe como havia feito para conquistar o mundo. \u00ab Caro advogado \u00bb, teria respondido Dom Bosco, \u00ab o meu segredo \u00e9 este: mando o meu jornal a quem o quer e a quem n\u00e3o o quer \u00bb. O jornal era o <em>Bollettino Salesiano<\/em>, e Bartolo Longo aproveitou o conselho para seu peri\u00f3dico, <em>Il Rosario e la Nuova Pompei<\/em>. Dom Bosco, por sua vez, nunca escreveu um tratado sobre o Ros\u00e1rio: preferiu coloc\u00e1-lo nas p\u00e1ginas do <em>Giovane provveduto<\/em> e, sobretudo, nas m\u00e3os de seus meninos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quinze promessas<\/strong><\/p>\n<p>Ao beato Alano da Rocha, o dominicano do s\u00e9culo XV j\u00e1 mencionado, a tradi\u00e7\u00e3o liga tamb\u00e9m as quinze promessas que a Virgem Maria teria feito a quem reza o Ros\u00e1rio, conhecidas justamente como \u00ab as promessas do Santo Ros\u00e1rio \u00bb. Lidas em sequ\u00eancia, elas tra\u00e7am um caminho que acompanha o fiel da vida cotidiana at\u00e9 a eternidade. Ei-las:<\/p>\n<p>1. Quem recitar fielmente o Ros\u00e1rio receber\u00e1 gra\u00e7as especiais.<\/p>\n<p>2. A quem o recitar \u00e9 prometida uma prote\u00e7\u00e3o especial e abund\u00e2ncia de gra\u00e7as.<\/p>\n<p>3. O Ros\u00e1rio ser\u00e1 uma defesa poderosa contra o mal, contra o pecado, os v\u00edcios e o erro.<\/p>\n<p>4. Favorecer\u00e1 o crescimento das virtudes e das boas obras, atrair\u00e1 a miseric\u00f3rdia de Deus e orientar\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o para os bens eternos.<\/p>\n<p>5. Quem se confia a Maria por meio do Ros\u00e1rio n\u00e3o se perder\u00e1.<\/p>\n<p>6. Quem o recitar devotamente, meditando os mist\u00e9rios, ser\u00e1 sustentado nas prova\u00e7\u00f5es; o pecador ser\u00e1 chamado \u00e0 convers\u00e3o e o justo \u00e0 perseveran\u00e7a na gra\u00e7a.<\/p>\n<p>7. Quem tiver verdadeira devo\u00e7\u00e3o ao Ros\u00e1rio n\u00e3o morrer\u00e1 privado do aux\u00edlio sacramental da Igreja.<\/p>\n<p>8. Quem o recitar fielmente receber\u00e1 de Deus luz e gra\u00e7a durante a vida e na hora da morte.<\/p>\n<p>9. Maria promete ajuda especial \u00e0s almas devotas do Ros\u00e1rio em sua purifica\u00e7\u00e3o depois da morte.<\/p>\n<p>10. Os fi\u00e9is devotos do Ros\u00e1rio receber\u00e3o uma gl\u00f3ria especial no c\u00e9u.<\/p>\n<p>11. A ora\u00e7\u00e3o perseverante do Ros\u00e1rio obter\u00e1 as gra\u00e7as pedidas, segundo o des\u00edgnio de Deus.<\/p>\n<p>12. Quem difundir o Ros\u00e1rio receber\u00e1 aux\u00edlio particular em suas necessidades.<\/p>\n<p>13. Os promotores do Ros\u00e1rio gozar\u00e3o da intercess\u00e3o da corte celeste, sobretudo na hora da morte.<\/p>\n<p>14. Os que recitam o Ros\u00e1rio s\u00e3o apresentados como filhos prediletos de Maria e irm\u00e3os e irm\u00e3s de Cristo.<\/p>\n<p>15. A verdadeira devo\u00e7\u00e3o ao Ros\u00e1rio \u00e9 considerada um sinal de predestina\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, um sinal de orienta\u00e7\u00e3o da vida para a salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As quatro primeiras dizem respeito ao presente; as seis seguintes acompanham o devoto nas prova\u00e7\u00f5es e no trecho final do caminho; as quatro \u00faltimas ampliam o olhar daquele que reza para aquele que faz rezar, enquanto a \u00faltima considera a verdadeira devo\u00e7\u00e3o ao Ros\u00e1rio um sinal de predestina\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, um sinal da orienta\u00e7\u00e3o da vida para a salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Relidas \u00e0 luz da vida de Dom Bosco, algumas dessas promessas parecem quase comentar o que foi narrado. A terceira \u00e9 o sonho da serpente, com a corda de Ave-Marias que defende do mal; a d\u00e9cima segunda e a d\u00e9cima terceira falam de quem difunde e promove o Ros\u00e1rio, e \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o pensar em um sacerdote que, sem recursos, sempre encontrou a ajuda necess\u00e1ria para suas obras e que atribu\u00eda a Nossa Senhora tudo aquilo que conseguira realizar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O tesouro das indulg\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s promessas confiadas \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o acrescenta-se aquilo que a pr\u00f3pria Igreja, com sua autoridade, anexou a essa ora\u00e7\u00e3o. Hoje, de fato, ela concede indulg\u00eancia plen\u00e1ria a quem recita o santo Ros\u00e1rio, segundo as normas indicadas no atual <em>Manual das Indulg\u00eancias<\/em> (<em>Enchiridion Indulgentiarum<\/em>), que chegou \u00e0 IV edi\u00e7\u00e3o, do qual conv\u00e9m reproduzir os textos oficiais.<\/p>\n<p><strong>\u00ab 17. Ora\u00e7\u00f5es \u00e0 Bem-Aventurada Virgem Maria<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a7 1<\/strong> Concede-se <strong>indulg\u00eancia plen\u00e1ria<\/strong> ao fiel que:<\/p>\n<p><strong>1\u00ba<\/strong> recita devotamente o <strong>Ros\u00e1rio mariano<\/strong> numa igreja ou orat\u00f3rio, ou ent\u00e3o em fam\u00edlia, numa comunidade religiosa, numa associa\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is e, de modo geral, quando v\u00e1rios fi\u00e9is se re\u00fanem para um fim honesto;<\/p>\n<p><strong>2\u00ba<\/strong> une-se devotamente \u00e0 recita\u00e7\u00e3o dessa ora\u00e7\u00e3o, quando feita pelo Sumo Pont\u00edfice e transmitida pela televis\u00e3o ou pelo r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Nas outras circunst\u00e2ncias, por\u00e9m, a indulg\u00eancia \u00e9 parcial. <em>[por exemplo, se uma pessoa o recita sozinha em sua pr\u00f3pria casa, fora dos casos acima enumerados<\/em>]<\/p>\n<p>O <strong>Ros\u00e1rio<\/strong> \u00e9 uma pr\u00e1tica de piedade na qual \u00e0 recita\u00e7\u00e3o de quinze dezenas de Ave-Marias, intercaladas pelo Pai-Nosso, se une respectivamente a piedosa medita\u00e7\u00e3o de outros tantos mist\u00e9rios da nossa reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a indulg\u00eancia plen\u00e1ria ligada \u00e0 recita\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio mariano, estabelecem-se estas normas:<\/p>\n<p>a) basta a recita\u00e7\u00e3o apenas da ter\u00e7a parte; mas as cinco dezenas devem ser recitadas sem interrup\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>b) \u00e0 ora\u00e7\u00e3o vocal deve-se acrescentar a piedosa medita\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios;<\/p>\n<p>c) na recita\u00e7\u00e3o p\u00fablica, os mist\u00e9rios devem ser enunciados segundo o costume aprovado vigente no lugar; na recita\u00e7\u00e3o privada, por\u00e9m, basta que o fiel acrescente \u00e0 ora\u00e7\u00e3o vocal a medita\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios. \u00bb (<em>Manual das Indulg\u00eancias<\/em>, Concess\u00f5es, n. 17)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>As condi\u00e7\u00f5es gerais<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Para obter efetivamente a <\/em><strong><em>indulg\u00eancia plen\u00e1ria<\/em><\/strong><em>, al\u00e9m da recita\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio nas condi\u00e7\u00f5es indicadas, s\u00e3o necess\u00e1rias as condi\u00e7\u00f5es habituais:<\/em><\/p>\n<p>\u00ab <strong>N. 20 &#8211; \u00a7 1.<\/strong> Para obter a indulg\u00eancia plen\u00e1ria, al\u00e9m da <strong>exclus\u00e3o de qualquer apego ao pecado, mesmo venial<\/strong>, \u00e9 necess\u00e1rio realizar a obra indulgenciada e cumprir as tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es: <strong>confiss\u00e3o sacramental<\/strong>, <strong>comunh\u00e3o eucar\u00edstica<\/strong> e <strong>ora\u00e7\u00e3o segundo as inten\u00e7\u00f5es do Sumo Pont\u00edfice<\/strong>. <em>[Por isso \u00e9 pr\u00e1tica comum acrescentar, ao final do Ros\u00e1rio, um Pai-Nosso e uma Ave-Maria pelas inten\u00e7\u00f5es do Papa<\/em>]<\/p>\n<p><strong>\u00a7 2<\/strong> Com uma s\u00f3 confiss\u00e3o sacramental podem-se obter v\u00e1rias indulg\u00eancias plen\u00e1rias; ao contr\u00e1rio, com uma s\u00f3 comunh\u00e3o eucar\u00edstica e uma s\u00f3 ora\u00e7\u00e3o segundo as inten\u00e7\u00f5es do Sumo Pont\u00edfice pode-se obter apenas uma indulg\u00eancia plen\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>\u00a7 3<\/strong> As tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es podem ser cumpridas v\u00e1rios dias antes ou depois de se realizar a obra prescrita; contudo, \u00e9 conveniente que a comunh\u00e3o e a ora\u00e7\u00e3o segundo as inten\u00e7\u00f5es do Sumo Pont\u00edfice sejam feitas no mesmo dia em que se realiza a obra.<\/p>\n<p><strong>\u00a7 4<\/strong> Se faltar a plena disposi\u00e7\u00e3o, ou se a obra requerida n\u00e3o for realizada integralmente, ou se n\u00e3o forem cumpridas as tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es, a indulg\u00eancia ser\u00e1 apenas parcial, salvo o que se prescreve nas normas 24 e 25 para os \u00ab impedidos \u00bb.<\/p>\n<p><strong>\u00a7 5<\/strong> Cumpre-se plenamente a condi\u00e7\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o segundo as inten\u00e7\u00f5es do Sumo Pont\u00edfice recitando, segundo suas inten\u00e7\u00f5es, um <em>Pai-Nosso<\/em> e uma <em>Ave-Maria<\/em>; deixa-se, contudo, aos fi\u00e9is a liberdade de recitar qualquer outra ora\u00e7\u00e3o segundo a piedade e a devo\u00e7\u00e3o de cada um. \u00bb (<em>Manual das Indulg\u00eancias<\/em>, Normas sobre as indulg\u00eancias, n. 20)<\/p>\n<p><em>A indulg\u00eancia plen\u00e1ria, normalmente, pode ser obtida <\/em><strong><em>uma s\u00f3 vez por dia<\/em><\/strong><em>.<\/em><\/p>\n<p>\u00ab <strong>N. 18 &#8211; \u00a7 1.<\/strong> A indulg\u00eancia plen\u00e1ria pode ser obtida uma s\u00f3 vez por dia; a indulg\u00eancia parcial, ao contr\u00e1rio, pode ser obtida v\u00e1rias vezes ao dia.<\/p>\n<p><strong>\u00a7 2.<\/strong> O fiel poder\u00e1, contudo, obter a indulg\u00eancia plen\u00e1ria <em>in articulo mortis<\/em>, ainda que no mesmo dia j\u00e1 tenha obtido outra indulg\u00eancia plen\u00e1ria. \u00bb (<em>Manual das Indulg\u00eancias<\/em>, Normas sobre as indulg\u00eancias, n. 18)<\/p>\n<p><em>As indulg\u00eancias, tanto <\/em><strong><em>parciais como plen\u00e1rias<\/em><\/strong><em>, podem ser <\/em><strong><em>aplicadas aos falecidos a modo de sufr\u00e1gio<\/em><\/strong><em>. N\u00e3o podem, por\u00e9m, ser aplicadas diretamente a outra pessoa viva.<\/em><\/p>\n<p>\u00ab <strong>N. 3.<\/strong> As indulg\u00eancias, tanto parciais como plen\u00e1rias, podem sempre ser aplicadas aos falecidos a modo de sufr\u00e1gio. \u00bb (<em>Manual das Indulg\u00eancias<\/em>, Normas sobre as indulg\u00eancias, n. 3)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Com o ter\u00e7o na m\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Voltamos assim ao ponto de partida, \u00e0quela coroa de rosas que esconde seus espinhos. Dom Bosco sabia disso por experi\u00eancia: no sonho do caramanch\u00e3o, que contou aos primeiros Salesianos, a Virgem o fez percorrer um caminho coberto de bel\u00edssimas rosas, sob as quais se escondiam espinhos pontiagudos. O Ros\u00e1rio foi para ele o modo de caminhar sobre aquelas rosas sem parar, quando menino de joelhos ao lado da m\u00e3e, quando sacerdote no meio dos jovens, quando idoso em seu pobre sof\u00e1, com o ter\u00e7o entre os dedos.<\/p>\n<p>A quem hoje entra na pequena capela dos Becchi ou na bas\u00edlica de Valdocco, ele deixa, portanto, a mesma recomenda\u00e7\u00e3o que deu ao marqu\u00eas d\u2019Azeglio: pode-se renunciar a muitas coisas, at\u00e9 importantes, mas n\u00e3o a esta. Bastam cinco dezenas por dia, recitadas meditando os mist\u00e9rios e, se poss\u00edvel, em conjunto, em fam\u00edlia, em comunidade, no orat\u00f3rio; e outubro, o m\u00eas que desde Le\u00e3o XIII a Igreja dedica ao Ros\u00e1rio, \u00e9 o momento certo para recome\u00e7ar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outubro \u00e9 o m\u00eas do Ros\u00e1rio e, para Dom Bosco, foi durante muito tempo o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":55122,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":3,"footnotes":""},"categories":[173],"tags":[2561,1749,2577,1821,1689,2031,2025],"class_list":["post-55149","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dom-bosco","tag-carisma-salesiano","tag-conselhos","tag-dom-bosco","tag-graca","tag-maria","tag-vida","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55149"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55149\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55150,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55149\/revisions\/55150"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55122"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}