{"id":54717,"date":"2026-09-07T07:00:59","date_gmt":"2026-09-07T07:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=54717"},"modified":"2026-09-07T07:01:35","modified_gmt":"2026-09-07T07:01:35","slug":"o-sistema-preventivo-3-7-apendice-a-inauguracao-do-patronato-de-sao-pedro-em-nice","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/dom-bosco\/o-sistema-preventivo-3-7-apendice-a-inauguracao-do-patronato-de-sao-pedro-em-nice\/","title":{"rendered":"O sistema preventivo (3\/7). Ap\u00eandice \u00e0 Inaugura\u00e7\u00e3o do Patronato de S\u00e3o Pedro em Nice"},"content":{"rendered":"<p><em>Continuamos com o terceiro epis\u00f3dio sobre os textos principais do sistema preventivo de Dom Bosco.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em>Artigo anterior: <a href=\"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/dom-bosco\/o-sistema-preventivo-2-7-o-dialogo-com-o-professor-francisco-bodrato\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O sistema preventivo (2\/7). O di\u00e1logo com o professor Francisco Bodrato<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>O texto cl\u00e1ssico: o ap\u00eandice de Nice Mar\u00edtima<\/b><\/strong><\/p>\n<p>1877 \u00e9 um ano decisivo. Celebra-se em Lanzo o primeiro Cap\u00edtulo Geral; saem os Regulamentos; e em agosto nasce o Boletim Salesiano. No mesmo m\u00eas \u00e9 impresso o op\u00fasculo bil\u00edngue italiano-franc\u00eas sobre a inaugura\u00e7\u00e3o do Patronato de S\u00e3o Pedro em Nice Mar\u00edtima, com em ap\u00eandice \u2013 texto italiano \u00e0 esquerda, franc\u00eas \u00e0 direita \u2013 as p\u00e1ginas intituladas <em><i>O sistema preventivo na educa\u00e7\u00e3o da juventude<\/i><\/em>. O pr\u00f3prio Dom Bosco o definiu como \u00abo \u00edndice de um op\u00fasculo\u00bb mais amplo que gostaria de ter preparado, mas que nunca concluiu.<\/p>\n<p>S\u00e3o as \u00fanicas p\u00e1ginas org\u00e2nicas que Dom Bosco publicou sobre o pr\u00f3prio m\u00e9todo, e \u00e9 aqui que aparece a f\u00f3rmula destinada a se tornar patrim\u00f4nio comum: raz\u00e3o, religi\u00e3o, amabilidade. Vale a pena notar a destina\u00e7\u00e3o original. N\u00e3o \u00e9 um documento interno: \u00e9 dirigido aos benfeitores e \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica francesa, num pa\u00eds atravessado pela quest\u00e3o escolar, para explicar o que s\u00e3o as obras salesianas e com qual crit\u00e9rio funcionam. \u00c9 um texto apolog\u00e9tico e promocional.<\/p>\n<p>Depois acontece algo de relevante. Em novembro do mesmo ano, as mesmas p\u00e1ginas s\u00e3o colocadas como introdu\u00e7\u00e3o ao <em><i>Regulamento para as casas da Sociedade de S\u00e3o Francisco de Sales (MBp XIII, 803-807)<\/i><\/em>: de apresenta\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico externo tornam-se norma para o interno. No espa\u00e7o de tr\u00eas meses, o sistema preventivo passa do estatuto de cart\u00e3o de visitas ao de carta constitucional. A s\u00e9rie dar\u00e1 conta de ambas as coloca\u00e7\u00f5es, porque a mudan\u00e7a de fun\u00e7\u00e3o \u00e9 parte do significado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>Leiamos o contexto exposto pelo P. Eug\u00eanio Ceria (MBp XIII, 106-108):<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00abO discurso de Dom Bosco pareceu t\u00e3o not\u00e1vel que deu origem \u00e0 ideia de public\u00e1-lo para que a obra do Patronato fosse mais conhecida na Fran\u00e7a. A ideia n\u00e3o lhe desagradou; de fato, como geralmente acontece, refletindo sobre isso, ele ampliou o assunto. Assim, durante a viagem de volta, preencheu um pequeno panfleto que imprimiria na tipografia do Orat\u00f3rio com o t\u00edtulo: <em><i>Inaugura\u00e7\u00e3o do Patronato de S\u00e3o Pedro em Nice Mar\u00edtima<\/i><\/em>. Tendo descrito brevemente a festa, colocou o discurso um pouco remanejado na forma, e acrescentou uma esplendorosa prim\u00edcia: uma s\u00e9rie de artigos, sobre o Sistema Preventivo, que com algumas varia\u00e7\u00f5es reapareceu pouco depois, no in\u00edcio do Regulamento da Casa. Mais tarde, falando sobre todo esse novo escrito, disse que lhe custou v\u00e1rios dias de trabalho duro e que o havia refeito tr\u00eas vezes. \u201cQuase lamentava-me comigo mesmo, \u2013 acrescentou \u2013 por n\u00e3o encontrar esse escrito do meu gosto. Outras vezes escrevia p\u00e1ginas inteiras sem nunca fazer uma revis\u00e3o; agora ao inv\u00e9s, eu escrevo, corrijo, reescrevo, copio, refa\u00e7o a quarta e quinta vez, e ainda n\u00e3o gosto do meu trabalho.\u201d Ele mesmo, por\u00e9m, achava que o livrinho era bom e poderia fazer muito bem na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/strong>Na Fran\u00e7a e em todas as partes, o humilde livrinho tinha que despertar a vontade de fazer o bem, e isso pelo simples ap\u00eandice a\u00ed colocado quase como um simples enchimento, quase como se o pr\u00f3prio autor n\u00e3o tivesse medido o poder de seu alcance. A pedagogia contempor\u00e2nea teorizava muito, mas operava muito pouco; sua frut\u00edfera fecundidade provinha do fato de que extra\u00eda seus elementos dos ditames puros da filosofia natural: assim, princ\u00edpios racionais e um esp\u00edrito positivista informavam e invalidavam a finalidade. Dom Bosco, sem qualquer arrog\u00e2ncia doutrinal, sem a menor pretens\u00e3o de ter descoberto o segredo da arte educacional, inspirada no Evangelho e nos ensinamentos da Igreja, foi capaz de conectar harmoniosamente os meios sobrenaturais da Gra\u00e7a com as normas da filosofia natural e assim dar vida a um m\u00e9todo que, no campo da pedagogia, produziu e produz frutos muito abundantes. O que vinha fazendo h\u00e1 tantos anos condensava-se nas poucas e pequenas p\u00e1ginas de um pequeno op\u00fasculo. Consideremos tamb\u00e9m apenas um ponto: a grande quest\u00e3o da autoridade e dos pr\u00eamios e das puni\u00e7\u00f5es. Um corifeu da tend\u00eancia naturalista da \u00e9poca, o famoso Rafael Lambruschini, empregava em torno dela pelo menos dois ter\u00e7os de seu livro <em><i>Da educa\u00e7\u00e3o<\/i><\/em>, dizendo muitas coisas bonitas, infelizmente misturadas com erros te\u00f3ricos; mas pelo defeito acima detectado, ficou a quil\u00f4metros distante da efic\u00e1cia alcan\u00e7ada por Dom Bosco que, procedendo por meio da raz\u00e3o e da F\u00e9, resolveu, praticamente em poucos tra\u00e7os, e por completo, o \u00e1rduo problema.<\/p>\n<p><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/strong>O merecido e digno reconhecimento do valor pedag\u00f3gico que embeleza este \u201cm\u00e9todo preventivo\u201d vem do Minist\u00e9rio italiano da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica que o entregou ao estudo nas escolas magisteriais; a este respeito, o ex-ministro Fedele, senador do Reino e professor de hist\u00f3ria na Universidade de Roma, pronunciou estas palavras numa ocasi\u00e3o solene: \u201c<em><i>Sem o sobrenatural a obra de Dom Bosco n\u00e3o pode ser explicada<\/i><\/em>. E esse trabalho \u00e9 o florescimento externo de suas virtudes internas. Ele era contra o materialismo corruptor da juventude e parou o povo italiano a tempo na encosta da estrada mortal. Quando eu propus o estudo da doutrina pedag\u00f3gica de Dom Bosco, alguns fil\u00f3sofos idealistas sorriram. Hoje o tempo me deu raz\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/strong>Eis aqui o lugar para relatar sobre o sistema educacional de Dom Bosco um testemunho bem antigo, tornado p\u00fablico em 1878. O Conde Carlos Conestabile della Staffa, de Perugia, publicou seu livro naquele ano, em que conta como viu seu m\u00e9todo pedag\u00f3gico implementado pelo Servo de Deus \u200bantes mesmo que o autor pensasse em coloc\u00e1-lo por escrito. Um dia o conde, tendo ido visitar Dom Bosco, encontrou-o na escrivaninha lendo uma folha com uma rela\u00e7\u00e3o de nomes. \u2013 Aqui est\u00e3o alguns dos meus pequenos marotos, disse ele, cuja conduta deixa algo a desejar. \u2013 Foi espont\u00e2neo para o visitante perguntar-lhe qual puni\u00e7\u00e3o estava reservada para eles. \u2013 Nenhuma puni\u00e7\u00e3o, ele respondeu; mas aqui est\u00e1 o que farei. Este, por exemplo (e apontou para um dos nomes), \u00e9 o mais danadinho de todos, embora tenha bom cora\u00e7\u00e3o. Vou encontr\u00e1-lo durante o recreio e perguntar-lhe sobre sua sa\u00fade; ele sem d\u00favida responder\u00e1 que est\u00e1 bem. \u201cMas voc\u00ea est\u00e1 realmente feliz?\u201d, vou dizer-lhe ent\u00e3o. Ele ser\u00e1 surpreendido primeiro; depois, abaixar\u00e1 os olhos, corando. Vou insistir carinhosamente: \u201cEh, voc\u00ea tem algo que n\u00e3o est\u00e1 certo; se o corpo est\u00e1 em boa sa\u00fade, a alma talvez n\u00e3o esteja feliz! J\u00e1 muito tempo que n\u00e3o se confessa?\u201d. Em poucos minutos, este jovem estar\u00e1 no tribunal da penit\u00eancia, e tenho quase certeza de que nunca mais vou ter problemas com ele.<\/p>\n<p><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/strong>O Conde escutou em sil\u00eancio, encantado com a do\u00e7ura de sua fala, e aqui comenta: \u201cDescobri o segredo das grandes obras que este humilde sacerdote p\u00f4de concluir. Muitas vezes, num momento em que, diante da vis\u00e3o dos males de nossa \u00e9poca, sentia uma amarga tristeza querendo tomar posse de minha alma, aquela voz sacerdotal voltou \u00e0 minha mem\u00f3ria e me fez confiante no futuro de uma sociedade \u00e0 qual Deus envia esses reformadores\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>3\/7. Um ap\u00eandice ao op\u00fasculo bil\u00edngue: \u201cInaugura\u00e7\u00e3o do Patronato de S\u00e3o Pedro em Nice Mar\u00edtima\u201d<\/b><\/strong><\/p>\n<p>(agosto de 1877, tamb\u00e9m nas MBp XIII, 803-807)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>\u00abInaugura\u00e7\u00e3o do patronato de S\u00e3o Pedro em Nice Mar\u00edtima, escopo do mesmo<\/b><\/strong><\/p>\n<p>exposto pelo Sacerdote Jo\u00e3o BOSCO<\/p>\n<p>com ap\u00eandice do sistema preventivo da educa\u00e7\u00e3o da juventude<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1877<\/p>\n<p>Tipografia e Livraria Salesiana<\/p>\n<p>San Pier d\u2019Arena \u2013 Turim \u2013 Nice Mar\u00edtima<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\u2026]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>O Sistema Preventivo na educa\u00e7\u00e3o dos jovens<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Fui instado v\u00e1rias vezes a expressar, verbalmente ou por escrito, o meu pensamento sobre o chamado Sistema Preventivo, que se costuma praticar em nossas casas. Por falta de tempo, n\u00e3o pude ainda satisfazer esse desejo, mas agora julgo oportuno expor aqui um r\u00e1pido esbo\u00e7o. Isso ser\u00e1 como o \u00edndice de um op\u00fasculo que estou elaborando, se Deus me der vida para lev\u00e1-lo a termo. Move-me a isso apenas a vontade de colaborar na dif\u00edcil arte da educa\u00e7\u00e3o juvenil. Direi, portanto, em que consiste o Sistema Preventivo, e porque se deve preferir; sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e vantagens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong><b> Em que consiste o Sistema Preventivo e por que se deve preferir<\/b><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>S\u00e3o dois os sistemas at\u00e9 hoje usados na educa\u00e7\u00e3o da juventude: o Preventivo e o Repressivo. O Sistema Repressivo consiste em fazer que os s\u00faditos conhe\u00e7am a lei, e depois vigiar para conhecer os seus transgressores e, quando necess\u00e1rio, aplicar-lhes o merecido castigo. Nesse sistema, as palavras e o semblante do superior devem constantemente ser severos e at\u00e9 amea\u00e7adores, e ele pr\u00f3prio deve evitar toda a familiaridade com os dependentes.<\/p>\n<p>O diretor, para dar mais prest\u00edgio \u00e0 sua autoridade, raramente dever\u00e1 achar-se entre os dependentes e quase unicamente quando se trata de amea\u00e7ar ou punir. Esse sistema \u00e9 f\u00e1cil, menos trabalhoso. Serve especialmente para soldados e, em geral, para pessoas adultas e sensatas, que devem, por si mesmas, estar em condi\u00e7\u00f5es de saber e lembrar o que \u00e9 conforme \u00e0s leis e outras prescri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Diferente e, eu diria, oposto, \u00e9 o Sistema Preventivo. Consiste em tornar conhecidas as prescri\u00e7\u00f5es e as regras de uma institui\u00e7\u00e3o, e depois vigiar de modo que os alunos estejam sempre sob os olhares atentos do diretor ou dos assistentes. Estes, como pais carinhosos, falem, sirvam de guia em todas as circunst\u00e2ncias, deem conselhos e corrijam com bondade. Consiste, pois, em colocar os alunos na impossibilidade de cometerem faltas.<\/p>\n<p>O Sistema apoia-se todo na raz\u00e3o, na religi\u00e3o e na bondade. Exclui, por isso, todo castigo violento, e procura evitar at\u00e9 as puni\u00e7\u00f5es leves. Parece prefer\u00edvel pelas seguintes raz\u00f5es:<\/p>\n<ol>\n<li>O aluno, previamente avisado, n\u00e3o fica abatido pelas faltas cometidas, como sucede quando s\u00e3o levadas ao conhecimento do superior. N\u00e3o se irrita pela corre\u00e7\u00e3o feita, nem pelo castigo amea\u00e7ado ou mesmo infligido, pois a puni\u00e7\u00e3o cont\u00e9m em si um aviso amig\u00e1vel e preventivo que o leva a refletir e, as mais das vezes, consegue granjear-lhe o cora\u00e7\u00e3o. Assim o aluno reconhece a necessidade do castigo e quase o deseja.<\/li>\n<li>A raz\u00e3o mais essencial \u00e9 a volubilidade do jovem, que num instante esquece as regras disciplinares e o castigo que amea\u00e7am. Por isso \u00e9 que, ami\u00fade, se torna um jovem culpado e merecedor de uma pena em que nunca pensou, e de que absolutamente n\u00e3o se lembrava no momento da falta cometida, e que teria por certo evitado, se uma voz amiga o tivesse advertido.<\/li>\n<li>O Sistema Repressivo pode impedir uma desordem, mas dificilmente melhorar\u00e1 os culpados. Diz a experi\u00eancia que os jovens n\u00e3o esquecem os castigos recebidos, e geralmente conservam ressentimento acompanhado do desejo de sacudir o jugo e at\u00e9 de vingarem-se. Podem, \u00e0s vezes, parecer indiferentes; mas quem lhes segue os passos sabe qu\u00e3o terr\u00edveis s\u00e3o as reminisc\u00eancias da juventude. Esquecem facilmente os castigos que recebem dos pais; muito dificilmente, por\u00e9m, os dos educadores. H\u00e1 casos de alguns que na velhice se vingaram com brutalidade de castigos justos que receberam nos anos de sua educa\u00e7\u00e3o. O Sistema Preventivo, pelo contr\u00e1rio, granjeia a amizade do jovem, que v\u00ea no assistente um benfeitor que o adverte, quer faz\u00ea-lo bom, livr\u00e1-lo de dissabores, castigos e desonra.<\/li>\n<li>O Sistema Preventivo predisp\u00f5e e persuade de tal maneira o aluno, que o educador poder\u00e1 em qualquer momento falar-lhe com a linguagem do cora\u00e7\u00e3o, quer no tempo da educa\u00e7\u00e3o, quer depois. Conquistado o \u00e2nimo do disc\u00edpulo, o educador poder\u00e1 exercer sobre ele grande influ\u00eancia, avis\u00e1-lo, aconselh\u00e1-lo, e tamb\u00e9m corrigi-lo, mesmo quando j\u00e1 colocado em qualquer trabalho ou emprego p\u00fablico, ou no com\u00e9rcio. Por essas e muitas outras raz\u00f5es, parece que o Sistema Preventivo deve preferir-se ao Repressivo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong><b> Aplica\u00e7\u00e3o do Sistema Preventivo<\/b><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A pr\u00e1tica desse sistema baseia-se toda nas palavras de S. Paulo: <em><i>\u201cCharitas benigna est, patiens est; omnia suffert, omnia sperat, omnia sustinet\u201d<\/i><\/em>. A caridade \u00e9 benigna e paciente; tudo sofre, mas espera tudo e suporta qualquer inc\u00f4modo. Por isso, somente o crist\u00e3o pode aplicar com \u00eaxito o Sistema Preventivo. Raz\u00e3o e religi\u00e3o s\u00e3o os instrumentos de que o educador se deve servir; deve inculc\u00e1-los, pratic\u00e1-los ele mesmo, se quiser ser obedecido e alcan\u00e7ar os resultados que deseja.<\/p>\n<ol>\n<li>Deve, pois, o diretor consagrar-se totalmente aos seus educandos: jamais assuma compromissos que o afastem das suas fun\u00e7\u00f5es. Pelo contr\u00e1rio, permane\u00e7a sempre com seus alunos, todas as vezes que n\u00e3o estiverem regularmente ocupados, salvo estejam por outros devidamente assistidos.<\/li>\n<li>A moralidade dos professores, mestres de oficina, assistentes, deve ser not\u00f3ria. Esforcem-se por evitar, como epidemia, toda a sorte de afei\u00e7\u00f5es ou amizades sens\u00edveis com os alunos, e lembrem-se de que o descaminho de um s\u00f3 pode comprometer um instituto educativo. Veja-se que os alunos n\u00e3o fiquem jamais sozinhos. Porquanto poss\u00edvel, os assistentes sejam os primeiros em achar-se no lugar onde os alunos se devem reunir; entretenham-se com eles enquanto n\u00e3o vier um substituto; nunca os deixem desocupados.<\/li>\n<li>D\u00ea-se ampla liberdade de correr, pular e gritar, \u00e0 vontade. Os exerc\u00edcios de gin\u00e1stica e de esporte, a m\u00fasica, a declama\u00e7\u00e3o, o teatro, os passeios, s\u00e3o meios eficac\u00edssimos para se alcan\u00e7ar a disciplina, favorecer a moralidade e conservar a sa\u00fade. Mas haja cuidado em que a mat\u00e9ria das divers\u00f5es, as pessoas que tomam parte, as falas, n\u00e3o sejam repreens\u00edveis. <em><i>\u201cFazei quanto quiserdes\u201d<\/i><\/em>, dizia o grande amigo da juventude, S\u00e3o Filipe N\u00e9ri, <em><i>\u201ca mim me basta que n\u00e3o cometais pecados\u201d<\/i><\/em>.<\/li>\n<li>A confiss\u00e3o e a comunh\u00e3o frequentes e a missa cotidiana s\u00e3o as colunas que devem sustentar um edif\u00edcio educativo, do qual se queira eliminar a amea\u00e7a e o castigo. Nunca se obriguem os jovens a frequentar os santos sacramentos: basta encoraj\u00e1-los e dar-lhes comodidade de se aproveitarem deles. Nos exerc\u00edcios espirituais, tr\u00edduos, novenas, prega\u00e7\u00f5es, catecismos, ponha-se em relevo a beleza, a sublimidade, a santidade da religi\u00e3o, que oferece meios t\u00e3o f\u00e1ceis, t\u00e3o \u00fateis \u00e0 sociedade civil, \u00e0 paz do cora\u00e7\u00e3o, \u00e0 salva\u00e7\u00e3o da alma, como s\u00e3o precisamente os santos sacramentos. Dessa maneira, estimulam-se os meninos a querer, espontaneamente, essas pr\u00e1ticas de piedade; haver\u00e3o de cumpri-las de boa vontade, com prazer e fruto.<\/li>\n<li>Use-se a m\u00e1xima vigil\u00e2ncia para impedir que entrem no instituto companheiros, livros ou pessoas que tenham m\u00e1s conversas. A escolha de um bom porteiro \u00e9 um tesouro para uma casa de educa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Todas as noites, ap\u00f3s as ora\u00e7\u00f5es de costume e antes que os alunos se recolham, o diretor, ou quem por ele, dirija em p\u00fablico algumas palavras afetuosas, dando algum aviso ou conselho sobre o que conv\u00e9m fazer ou evitar. Tire-se a li\u00e7\u00e3o moral de acontecimentos do dia, sucedidos em casa ou fora; mas a sua alocu\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve passar de dois ou tr\u00eas minutos. Essa \u00e9 a chave da moralidade, do bom andamento e do bom \u00eaxito da educa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Afaste-se como a peste a opini\u00e3o dos que pretendem adiar a primeira comunh\u00e3o para uma idade demasiado adiantada, quando em geral o dem\u00f4nio j\u00e1 se apossou do cora\u00e7\u00e3o dos meninos, com incalcul\u00e1vel dano da sua inoc\u00eancia. Conforme a disciplina da Igreja primitiva, costumava-se dar \u00e0s crian\u00e7as as h\u00f3stias consagradas que sobravam da comunh\u00e3o pascal. Isso demonstra quanto a Igreja preza que os meninos sejam admitidos mais cedo \u00e0 santa comunh\u00e3o. Quando uma crian\u00e7a pode distinguir entre P\u00e3o e p\u00e3o, e revela instru\u00e7\u00e3o suficiente, j\u00e1 n\u00e3o se olhe para a idade, e venha o soberano celeste reinar nessa alma aben\u00e7oada.<\/li>\n<li>Os catecismos recomendam a comunh\u00e3o frequente: S\u00e3o Filipe N\u00e9ri aconselhava-a cada oito dias e ainda mais ami\u00fade. O Conc\u00edlio Tridentino diz claramente que deseja sumamente que todos os fi\u00e9is, quando ouvem a santa missa, fa\u00e7am tamb\u00e9m a comunh\u00e3o. Por\u00e9m, a comunh\u00e3o seja n\u00e3o somente espiritual, mas tamb\u00e9m sacramental, a fim de que se tire maior fruto desse augusto e divino sacrif\u00edcio (<em><i>Conc\u00edlio Tridentino, Sess. XXII, cap\u00edtulo VI<\/i><\/em>).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>III. Utilidade do Sistema Preventivo<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Dir-se-\u00e1 que esse sistema \u00e9 dif\u00edcil na pr\u00e1tica. Observo que da parte dos alunos torna-se bastante mais f\u00e1cil, agrad\u00e1vel e vantajoso. Para o educador, encerra alguma dificuldade que, por\u00e9m, diminuir\u00e1 se ele se entregar com zelo \u00e0 sua miss\u00e3o. O educador \u00e9 uma pessoa consagrada ao bem de seus alunos: por isso, deve estar pronto a enfrentar qualquer inc\u00f4modo e canseira para conseguir o fim que tem em vista: a forma\u00e7\u00e3o civil, moral e cient\u00edfica dos seus alunos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das vantagens acima expostas, acrescenta-se ainda o seguinte:<\/p>\n<ol>\n<li>O aluno conservar\u00e1 sempre grande respeito para com o educador e lembrar\u00e1 com saudades a educa\u00e7\u00e3o recebida, e considerar\u00e1 ainda os seus mestres e demais superiores como pais e irm\u00e3os. Esses alunos, nos lugares para onde forem, ser\u00e3o, as mais das vezes, o consolo da fam\u00edlia, cidad\u00e3os prestimosos e bons crist\u00e3os.<\/li>\n<li>Qualquer que seja o car\u00e1ter, a \u00edndole, o estado moral do aluno ao ser admitido, os pais podem estar seguros de que seu filho n\u00e3o vai piorar, e considera-se como certo que se alcan\u00e7ar\u00e1 sempre alguma melhora. Antes, houve meninos que depois de terem sido por muito tempo o flagelo dos pais, e, at\u00e9, rejeitados pelas casas de corre\u00e7\u00e3o, educados segundo esses princ\u00edpios, mudaram de \u00edndole e car\u00e1ter, deram-se a uma vida morigerada, e presentemente ocupam posi\u00e7\u00e3o distinta na sociedade, tornando-se, desse modo, o amparo da fam\u00edlia e honra do lugar em que moram.<\/li>\n<li>Os alunos que por acaso entrarem num instituto com maus h\u00e1bitos n\u00e3o poder\u00e3o prejudicar os seus companheiros. Nem os meninos bons ser\u00e3o contaminados por eles, porque n\u00e3o haveria tempo, nem lugar, nem ocasi\u00e3o, pois o assistente, que supomos presente, logo acudiria.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong><b> Uma palavra sobre os castigos<\/b><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Que norma seguir sobre os castigos? \u2013 Por quanto poss\u00edvel, jamais se fa\u00e7a uso de castigos. Quando, por\u00e9m, a necessidade o exigir, observe-se quanto segue:<\/p>\n<ol>\n<li>O educador entre os alunos procure fazer-se amar, se quer fazer-se respeitar. Nesse caso, subtrair a benevol\u00eancia j\u00e1 \u00e9 um castigo que desperta emula\u00e7\u00e3o, infunde coragem sem deprimir.<\/li>\n<li>Entre os meninos \u00e9 castigo o que se d\u00e1 como castigo. Observou-se que um olhar n\u00e3o am\u00e1vel produz, para alguns, maior efeito do que uma bofetada. O elogio quando uma a\u00e7\u00e3o \u00e9 bem feita, a repreens\u00e3o quando h\u00e1 desleixo, \u00e9 j\u00e1 um pr\u00eamio ou castigo.<\/li>\n<li>Salvo rar\u00edssimos casos, as corre\u00e7\u00f5es, os castigos, nunca se deem em p\u00fablico, mas em particular, longe dos companheiros, e empregue-se a m\u00e1xima prud\u00eancia e paci\u00eancia para que o aluno compreenda a sua falta, \u00e0 luz da raz\u00e3o e da religi\u00e3o.<\/li>\n<li>Bater, de qualquer modo que seja, p\u00f4r de joelhos em posi\u00e7\u00e3o dolorosa, puxar as orelhas e outros castigos semelhantes, devem ser absolutamente banidos, porque s\u00e3o proibidos pelas leis civis, irritam muito os jovens e desmoralizam o educador.<\/li>\n<li>O diretor d\u00ea a conhecer bem as regras, os pr\u00eamios e os castigos sancionados pelas leis disciplinares, a fim de que o aluno n\u00e3o possa se desculpar dizendo: \u201cEu n\u00e3o sabia que isso era mandado ou proibido\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Se em nossas casas se puser em pr\u00e1tica este sistema, creio que poderemos alcan\u00e7ar grande resultado, sem recorrermos a pancadarias, nem a outros castigos violentos. H\u00e1 quarenta anos, mais ou menos, que trato com a juventude, n\u00e3o me lembro de ter usado castigo de esp\u00e9cie alguma. Com o aux\u00edlio de Deus, n\u00e3o s\u00f3 obtive sempre o que era de dever, mas ainda o que eu simplesmente desejava, e isso daqueles mesmos meninos dos quais se havia perdido a esperan\u00e7a de bom resultado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>V. nihil obstat.<\/i><\/em><\/p>\n<p><em><i>Turim, 3 de agosto de 1877.<\/i><\/em><\/p>\n<p><em><i>Jos\u00e9 Zappata, Vig\u00e1rio Geral<\/i><\/em>\u00bb<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continuamos com o terceiro epis\u00f3dio sobre os textos principais do sistema preventivo de Dom Bosco&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":54651,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":6,"footnotes":""},"categories":[173],"tags":[2565,2561,2557,2577,2579,1815],"class_list":["post-54717","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dom-bosco","tag-caridade","tag-carisma-salesiano","tag-deus","tag-dom-bosco","tag-educacao","tag-juventude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54717"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54717\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54727,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54717\/revisions\/54727"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54651"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}