{"id":54399,"date":"2026-08-14T18:39:57","date_gmt":"2026-08-14T18:39:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=54399"},"modified":"2026-08-14T18:40:44","modified_gmt":"2026-08-14T18:40:44","slug":"o-brasao-salesiano-um-programa-de-vida-contido-em-uma-imagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/boa-imprensa\/o-brasao-salesiano-um-programa-de-vida-contido-em-uma-imagem\/","title":{"rendered":"O bras\u00e3o salesiano. Um programa de vida contido em uma imagem"},"content":{"rendered":"<p><em><i>H\u00e1 imagens que n\u00e3o se limitam a representar uma institui\u00e7\u00e3o: elas a contam, a explicam, guardam a sua alma. O bras\u00e3o salesiano pertence a esta categoria. Nascido no clima vivo das origens, n\u00e3o \u00e9 antes de tudo um exerc\u00edcio de her\u00e1ldica. Os conhecedores, talvez, pudessem ter feito alguma observa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. Dom Bosco, por\u00e9m, n\u00e3o buscava um bras\u00e3o perfeito segundo as regras da arte her\u00e1ldica: desejava um sinal capaz de falar aos seus filhos, aos amigos, aos benfeitores, aos jovens e \u00e0 posteridade.<\/i><\/em><\/p>\n<p><em><i>Naquele escudo est\u00e1 Dom Bosco. Est\u00e1 o seu programa espiritual. Est\u00e1 o ideal que o moveu no agir e no sofrer, no escrever e no falar. Por isso o bras\u00e3o salesiano n\u00e3o deve ser visto apenas como uma marca de pertencimento, mas como uma pequena s\u00edntese visual da voca\u00e7\u00e3o salesiana.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Congrega\u00e7\u00e3o, nascida em 18 de dezembro de 1859, n\u00e3o teve logo um bras\u00e3o oficial. Para o uso do selo recorria-se \u00e0 figura de S\u00e3o Francisco de Sales, Patrono da Sociedade, cercada por uma inscri\u00e7\u00e3o latina que designava a Pia Sociedade Salesiana. O lema ent\u00e3o utilizado era: <em><i>\u201c<\/i><\/em><em><i>Discite a me quia mitis sum<\/i><\/em><em><i>\u201d<\/i><\/em> (Aprendei de mim que sou manso). Era uma refer\u00eancia evang\u00e9lica perfeitamente adequada ao esp\u00edrito de S\u00e3o Francisco de Sales e \u00e0 escolha de Dom Bosco de colocar a sua obra sob o sinal da do\u00e7ura, da mansid\u00e3o e da caridade pastoral.<\/p>\n<p>A necessidade de um bras\u00e3o oficial amadureceu mais tarde, em 1884. Em Roma estava em constru\u00e7\u00e3o a bas\u00edlica do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, confiada por Le\u00e3o XIII a Dom Bosco. Julgou-se oportuno colocar tamb\u00e9m o bras\u00e3o salesiano ao lado dos de Pio IX e de Le\u00e3o XIII. Em 12 de setembro de 1884, o P. Ant\u00f4nio Sala apresentou ao Cap\u00edtulo Superior um primeiro esbo\u00e7o da empresa salesiana. O desenho era obra do professor Boidi, professor de desenho t\u00e9cnico no Col\u00e9gio S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista de Turim, amigo e colaborador dos Salesianos.<\/p>\n<p>O escudo proposto j\u00e1 apresentava quase todos os elementos que permaneceriam na vers\u00e3o definitiva. No centro destacava-se uma grande \u00e2ncora; de um lado aparecia o busto de S\u00e3o Francisco de Sales, do outro um cora\u00e7\u00e3o inflamado. No alto encontrava-se uma estrela radiante de seis pontas; na parte inferior, um bosque com altas montanhas ao fundo, refer\u00eancia aos relevos alpinos vis\u00edveis dos Becchi, a terra natal de Dom Bosco. Dois ramos, um de palmeira e um de louro, entrela\u00e7ados na base, abra\u00e7avam o escudo at\u00e9 a metade. Uma guirlanda de rosas coroava a parte superior, contornando uma cruz latina trifoliada e radiante. Na base, sobre uma faixa esvoa\u00e7ante, estava escrito o lema: <em><i>Sinite parvulos venire ad me<\/i><\/em>, \u201cDeixai as crian\u00e7as virem a mim\u201d.<\/p>\n<p>Aquele lema era belo e profundamente evang\u00e9lico, mas observou-se que j\u00e1 havia sido adotado em outros bras\u00f5es. Abriu-se ent\u00e3o um debate. Prop\u00f4s-se primeiro <em><i>\u201c<\/i><\/em><em><i>Sinite parvulos venire ad me<\/i><\/em><em><i>\u201d<\/i><\/em> (Deixai as crian\u00e7as virem a mim), escrito sobre uma faixa esvoa\u00e7ante na base do escudo; mas foi notado que j\u00e1 havia sido adotado em outros bras\u00f5es. O P. Barberis prop\u00f4s \u201cTemperan\u00e7a e Trabalho\u201d, bin\u00f4mio caro \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o salesiana e sugerido por um sonho de Dom Bosco como tra\u00e7o distintivo da Congrega\u00e7\u00e3o. O P. Durando teria preferido <em><i>\u201c<\/i><\/em><em><i>Maria Auxilium Christianorum, ora pro nobis<\/i><\/em><em><i>\u201d<\/i><\/em> (Maria Auxiliadora dos crist\u00e3os, rogai por n\u00f3s). Foi Dom Bosco quem resolveu a quest\u00e3o, lembrando um lema j\u00e1 adotado desde os prim\u00f3rdios do Orat\u00f3rio, nos tempos do Col\u00e9gio Eclesi\u00e1stico, quando ele ia \u00e0s pris\u00f5es: <em><i>\u201c<\/i><\/em><em><i>Da mihi animas, cetera tolle<\/i><\/em><em><i>\u201d<\/i><\/em> (Dai-me as almas, ficai com o resto).<\/p>\n<p>O Cap\u00edtulo acolheu com entusiasmo a escolha. N\u00e3o era uma frase ornamental: era a defini\u00e7\u00e3o mais l\u00edmpida da miss\u00e3o salesiana. Os antigos alunos do Orat\u00f3rio, entre os quais o C\u00f4nego Ballesio e o cardeal Cagliero, testemunharam que aquele lema j\u00e1 se via escrito em grandes caracteres na porta do quartinho de Dom Bosco. \u00c9 o mesmo clima espiritual que reencontramos no c\u00e9lebre encontro com Domingos S\u00e1vio, quando o menino, lendo aquelas palavras, intuiu o cora\u00e7\u00e3o da obra de Valdocco: ali \u201cse faz com\u00e9rcio de almas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O desenho tamb\u00e9m sofreu uma interven\u00e7\u00e3o pessoal de Dom Bosco. A estrela que encimava o escudo n\u00e3o lhe agradou, porque lhe parecia lembrar um emblema ma\u00e7\u00f4nico. Por isso, mandou substitu\u00ed-la por uma cruz radiante. A estrela n\u00e3o desapareceu, mas foi colocada em forma de cometa, sobre o cora\u00e7\u00e3o. Deste modo, no bras\u00e3o, resultavam aproximados os tr\u00eas grandes s\u00edmbolos das virtudes teologais: a estrela para a f\u00e9, a \u00e2ncora para a esperan\u00e7a, o cora\u00e7\u00e3o para a caridade.<\/p>\n<p>O bras\u00e3o oficial da Congrega\u00e7\u00e3o apareceu pela primeira vez na circular de Dom Bosco datada de 8 de dezembro de 1885, festa da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Maria Sant\u00edssima. Desde ent\u00e3o permaneceu, na ess\u00eancia, o que conhecemos.<\/p>\n<p>Cada elemento do bras\u00e3o fala por si mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>A estrela<\/i><\/em><\/p>\n<p>A estrela \u00e9 antes de tudo luz. Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 remete \u00e0 f\u00e9, isto \u00e9, \u00e0 luz que orienta o caminho. A Escritura conhece bem este s\u00edmbolo: da profecia de Bala\u00e3o \u2013 \u201cuma estrela desponta de Jac\u00f3\u201d \u2013 at\u00e9 o Apocalipse, onde Cristo se apresenta como \u201ca estrela radiosa da manh\u00e3\u201d. Na arte crist\u00e3 antiga, a estrela acompanha frequentemente o mist\u00e9rio da vinda de Cristo, luz que p\u00f5e em fuga as trevas. No bras\u00e3o salesiano, ela diz que a obra educativa e pastoral n\u00e3o nasce de um simples projeto humano: nasce da f\u00e9 e conduz \u00e0 f\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>A \u00e2ncora<\/i><\/em><\/p>\n<p>A \u00e2ncora, colocada em posi\u00e7\u00e3o central, \u00e9 o s\u00edmbolo da esperan\u00e7a. Na vida do mar, a \u00e2ncora \u00e9 o que ret\u00e9m, fixa, d\u00e1 estabilidade. No meio da mobilidade das ondas, torna-se imagem de firmeza e de seguran\u00e7a. A Carta aos Hebreus fala da esperan\u00e7a como de \u201cuma \u00e2ncora segura e firme para a nossa vida\u201d. \u00c9 uma imagem muito cara tamb\u00e9m \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o espiritual: ancorar o cora\u00e7\u00e3o em Deus significa n\u00e3o se deixar arrastar pelas tempestades, pelas paix\u00f5es, pelos medos, pelas agita\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria. Para um salesiano, a \u00e2ncora lembra que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um ato de esperan\u00e7a: esperan\u00e7a em Deus, nos jovens, no bem que pode crescer mesmo onde parece escondido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>O cora\u00e7\u00e3o<\/i><\/em><\/p>\n<p>O cora\u00e7\u00e3o inflamado \u00e9 o s\u00edmbolo da caridade. Como o bras\u00e3o foi pensado tamb\u00e9m para a Bas\u00edlica do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Roma, n\u00e3o podia faltar este profundo s\u00edmbolo. Na B\u00edblia o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o indica apenas o sentimento, mas o centro da pessoa: a interioridade, a vontade, a intelig\u00eancia, a mem\u00f3ria, a capacidade de amar. Um cora\u00e7\u00e3o aceso diz uma caridade viva, ardente, operosa. No bras\u00e3o salesiano n\u00e3o h\u00e1 uma caridade gen\u00e9rica, mas aquela caridade pastoral que impulsionou Dom Bosco a consumir-se pelos jovens, especialmente os mais pobres e abandonados. A miss\u00e3o salesiana n\u00e3o nasce de uma organiza\u00e7\u00e3o eficiente, mas de um cora\u00e7\u00e3o que arde.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>S\u00e3o Francisco de Sales<\/i><\/em><\/p>\n<p>A figura de S\u00e3o Francisco de Sales lembra o Patrono da Sociedade. Dom Bosco quis que os seus filhos levassem o nome de Salesianos justamente para se referirem \u00e0 bondade, \u00e0 do\u00e7ura, \u00e0 paci\u00eancia e \u00e0 caridade apost\u00f3lica do santo bispo de Genebra. A representa\u00e7\u00e3o presente no bras\u00e3o inspira-se numa tela conservada no mosteiro das Visitandinas de Turim, fundado em 1638 por Santa Joana Francisca de Chantal. Acrescentam-se, por\u00e9m, uma pena e uma folha: um detalhe significativo, que lembra a import\u00e2ncia atribu\u00edda por Dom Bosco \u00e0 imprensa, \u00e0 boa leitura, \u00e0 difus\u00e3o popular da cultura crist\u00e3. Dom Bosco escreveu muit\u00edssimo e quis uma tipografia de vanguarda: tamb\u00e9m isto era apostolado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>O bosque<\/i><\/em><\/p>\n<p>O bosque colocado na parte inferior do escudo \u00e9 uma refer\u00eancia imediata ao sobrenome do Fundador. Mas n\u00e3o \u00e9 um simples jogo de palavras. Aquele bosque remete a uma raiz concreta, a uma hist\u00f3ria, a uma origem pobre e providencial. Dom Bosco n\u00e3o nasce num pal\u00e1cio, mas numa casa camponesa; n\u00e3o de uma estrat\u00e9gia de poder, mas de uma voca\u00e7\u00e3o amadurecida entre fam\u00edlia, trabalho, f\u00e9 simples e sonhos de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>As montanhas<\/i><\/em><\/p>\n<p>Atr\u00e1s do bosque erguem-se as montanhas. Elas indicam os cumes da perfei\u00e7\u00e3o a que devem tender os s\u00f3cios, como o indica S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz no seu escrito a \u201cSubida do monte Carmelo\u201d. A montanha, na B\u00edblia e na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, \u00e9 frequentemente lugar de encontro com Deus: o Sinai, o Tabor, o monte das Bem-aventuran\u00e7as, o monte das Oliveiras. \u00c9 ponto de contato entre c\u00e9u e terra, imagem da ascens\u00e3o espiritual. No bras\u00e3o salesiano as montanhas lembram que a vida salesiana n\u00e3o pode contentar-se com a mediocridade. \u00c9 um chamado \u00e0 santidade, vivida n\u00e3o fora do mundo, mas no cora\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o educativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>A palma e o louro<\/i><\/em><\/p>\n<p>A palma e o louro, entrela\u00e7ados na base, abra\u00e7am o escudo como emblemas do pr\u00eamio reservado a uma vida sacrificada e virtuosa. A palma \u00e9 s\u00edmbolo de vit\u00f3ria, de mart\u00edrio, de ressurrei\u00e7\u00e3o, de fidelidade levada at\u00e9 o fim. Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 acompanha os m\u00e1rtires e lembra a vit\u00f3ria de Cristo sobre a morte. \u00c9 uma intui\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica, porque hoje dois ter\u00e7os dos santos e beatos salesianos s\u00e3o m\u00e1rtires. O louro, sempre verde, \u00e9 tamb\u00e9m ele sinal de gl\u00f3ria, imortalidade, honra e paz. Juntos, palma e louro dizem que a vida salesiana d\u00e1 fruto quando \u00e9 doada: n\u00e3o h\u00e1 fecundidade apost\u00f3lica sem sacrif\u00edcio, n\u00e3o h\u00e1 verdadeira gl\u00f3ria sem fidelidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>A guirlanda de rosas<\/i><\/em><\/p>\n<p>A guirlanda de rosas, colocada no topo do escudo, parece aludir ao c\u00e9lebre sonho do caramanch\u00e3o de rosas, t\u00e3o importante para compreender o esp\u00edrito salesiano. No sonho, a beleza das rosas \u00e9 acompanhada pelos espinhos: imagem luminosa e realista da miss\u00e3o. A vida salesiana \u00e9 atraente, cheia de alegria, de juventude, de promessa; mas comporta tamb\u00e9m fadiga, sacrif\u00edcio, paci\u00eancia, sofrimento. As rosas sem os espinhos seriam uma ilus\u00e3o; os espinhos sem as rosas seriam uma tristeza est\u00e9ril. Dom Bosco ensina a manter juntos ambos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>A Cruz<\/i><\/em><\/p>\n<p>No v\u00e9rtice do bras\u00e3o est\u00e1 a cruz. N\u00e3o como elemento decorativo, mas como centro secreto de toda a miss\u00e3o. A cruz radiante substitui a estrela inicialmente prevista no topo do escudo e orienta toda a imagem para Cristo. A educa\u00e7\u00e3o salesiana, a caridade para com os jovens, a esperan\u00e7a, a f\u00e9, a do\u00e7ura de S\u00e3o Francisco de Sales, a ascens\u00e3o rumo \u00e0 santidade: tudo encontra o seu sentido na cruz do Senhor, fonte de salva\u00e7\u00e3o e de amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>O lema: \u201c<\/i><\/em><em><i>Da mihi animas, cetera tolle<\/i><\/em><em><i>\u201d<\/i><\/em><\/p>\n<p>No G\u00eanesis, cap. 14, fala-se da luta de uma alian\u00e7a de quatro reis contra outros cinco reis. Os primeiros venceram os segundos e tomaram os bens e as pessoas e \u2013 entre eles \u2013 tamb\u00e9m L\u00f3, filho do irm\u00e3o de Abr\u00e3o, e os seus bens, porque ele residia em Sodoma, no reino de Bera. Abra\u00e3o fez guerra aos cinco reis e recuperou L\u00f3 e a sua casa. No retorno, Bera, o rei vencido de Sodoma, pediu a Abra\u00e3o com estas palavras: \u201cDa mihi animas, cetera tolle\u201d (D\u00e1-me as pessoas; os bens toma-os para ti). E Abra\u00e3o o assegurou que n\u00e3o conservaria nada do que n\u00e3o era seu. Na leitura espiritual crist\u00e3, aquelas palavras s\u00e3o transfiguradas: n\u00e3o mais pedido interesseiro de posse, mas grito apost\u00f3lico de quem deseja a salva\u00e7\u00e3o das almas.<\/p>\n<p>A frase \u00e9 atribu\u00edda tamb\u00e9m a S\u00e3o Francisco de Sales, mas n\u00e3o aparece nas suas obras. \u00c9-lhe atribu\u00edda por Dom Jo\u00e3o-Pedro Camus no <em><i>Esp\u00edrito de S\u00e3o Francisco de Sales<\/i><\/em>, onde o santo \u00e9 apresentado como todo voltado para a convers\u00e3o das almas.<\/p>\n<p>A mesma express\u00e3o ocorre depois em S\u00e3o Jos\u00e9 Cafasso, na literatura espiritual do clero, na <em><i>Forma Cleri<\/i><\/em> e na <em><i>Regula Cleri<\/i><\/em>, livro que Dom Bosco usava frequentemente para a sua medita\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Naquela tradi\u00e7\u00e3o, o lema torna-se ora\u00e7\u00e3o: \u201cSenhor, que amas as almas, d\u00e1-me o teu amor, para que eu possa dizer com fervor: d\u00e1-me as almas, fica com todo o resto\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim se compreende por que Dom Bosco o quis no bras\u00e3o. <em><i>Da mihi animas, cetera tolle<\/i><\/em> n\u00e3o \u00e9 uma frase para contemplar \u00e0 dist\u00e2ncia. \u00c9 um programa de vida. Pede para colocar no centro as pessoas, a sua salva\u00e7\u00e3o, a sua dignidade, o seu destino eterno. Pede para relativizar todo o resto: prest\u00edgio, comodidade, interesses, seguran\u00e7as, at\u00e9 mesmo a si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1934 houve tamb\u00e9m uma tentativa de atualiza\u00e7\u00e3o de alguns detalhes do bras\u00e3o. Pensou-se numa forma mais arredondada do escudo, num campo azul celeste, em figuras feitas com cores mais pr\u00f3ximas da realidade. O cometa assumiu um tom amarelado e uma ponta mais alongada. Palma e louro, em vez de contornar o escudo, foram pensados como suporte. A guirlanda de rosas foi substitu\u00edda por duas guirlandas de folhagem de carvalho; a cruz latina trifoliada e radiante deu lugar a uma cruz latina recruzada, de dimens\u00f5es maiores; a moldura acentuou elementos barrocos. O lema tamb\u00e9m permanecia sobre uma fita esvoa\u00e7ante. Era uma atualiza\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, n\u00e3o uma mudan\u00e7a de ess\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0 dist\u00e2ncia de mais de um s\u00e9culo, o bras\u00e3o salesiano continua a falar. Talvez justamente porque n\u00e3o nasceu de uma preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica com um fim em si mesmo, mas de uma intui\u00e7\u00e3o espiritual. Nele se encontram a f\u00e9 que ilumina, a esperan\u00e7a que ancora, a caridade que arde; S\u00e3o Francisco de Sales e Dom Bosco; a mem\u00f3ria das origens e a ascens\u00e3o rumo \u00e0 santidade; o sacrif\u00edcio e o pr\u00eamio; as rosas e os espinhos; a cruz e a miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contempl\u00e1-lo significa reencontrar, de forma simples e densa, o cora\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o salesiana: pertencer a Deus para os jovens e buscar as almas, deixando que todo o resto passe para segundo plano. Dom Bosco o havia compreendido e vivido. Por isso, ainda hoje, o seu bras\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um sinal distintivo. \u00c9 uma entrega.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 imagens que n\u00e3o se limitam a representar uma institui\u00e7\u00e3o: elas a contam, a explicam,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":54386,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":0,"footnotes":""},"categories":[161],"tags":[2561,1761,2577,1821,2226],"class_list":["post-54399","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-boa-imprensa","tag-carisma-salesiano","tag-criatividade-salesiana","tag-dom-bosco","tag-graca","tag-salesianos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54399"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54399\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54400,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54399\/revisions\/54400"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54386"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}