{"id":54191,"date":"2026-07-27T08:18:10","date_gmt":"2026-07-27T08:18:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=54191"},"modified":"2026-07-27T08:18:46","modified_gmt":"2026-07-27T08:18:46","slug":"conhecamos-dom-bosco-13-o-teologo-joao-borel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/dom-bosco\/conhecamos-dom-bosco-13-o-teologo-joao-borel\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7amos Dom Bosco (13). O te\u00f3logo Jo\u00e3o Borel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>An\u00f4nimo, Retrato de Dom Giovanni Borel (1801\u20131873), final do s\u00e9culo XIX, t\u00eampera sobre cobre, 37,5 \u00d7 29 cm, Museu Casa Dom Bosco, Turim-Valdocco.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>Jo\u00e3o Borel emerge como sacerdote turinense de s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o, profundamente inserido no tecido pastoral e caritativo da cidade. Capel\u00e3o real e depois diretor espiritual do Ref\u00fagio da marquesa Barolo, dedicou-se por mais de trinta anos \u00e0 assist\u00eancia das jovens acolhidas, \u00e0s religiosas e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es ligadas a ele, colaborando tamb\u00e9m com o Cottolengo e com o P. Cafasso, sobretudo no minist\u00e9rio das pris\u00f5es. Pregador brilhante e popular, unia simplicidade evang\u00e9lica e zelo apost\u00f3lico. Decisivo foi seu v\u00ednculo com Dom Bosco: encontrado no Col\u00e9gio Eclesi\u00e1stico, tornou-se seu amigo, guia e principal apoiador nos primeiros anos do Orat\u00f3rio, defendendo-o, ajudando-o economicamente e assumindo sua responsabilidade nos momentos mais dif\u00edceis. Acompanhou assim, de modo discreto, mas determinante, o nascimento e a consolida\u00e7\u00e3o da obra salesiana at\u00e9 sua morte, ocorrida em 1873.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>Porque tinha amigos verdadeiros.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conhecemos pouco da fam\u00edlia do P. Borel. Pelos registros de batismos da par\u00f3quia de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista de Turim (isto \u00e9, a igreja catedral), sabemos que Jo\u00e3o Lu\u00eds Teobaldo Maria, filho de Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Borel e Carola Motto, veio \u00e0 luz em 1\u00ba de julho de 1801 e foi batizado no dia seguinte. Um irm\u00e3o mais velho, Lu\u00eds Jos\u00e9, havia nascido em 1798, enquanto outro mais novo, Miguel Caetano, nasceu em 1804. Tanto o ano de 1801 como o fato de o nome registrado ser Jo\u00e3o (e n\u00e3o Jo\u00e3o Batista) s\u00e3o confirmados por documentos civis e eclesi\u00e1sticos.<\/p>\n<p>Nos registros oficiais, eclesi\u00e1sticos e civis, seu sobrenome \u00e9 <em><i>Borel<\/i><\/em>, mas Dom Bosco, nas <em><i>Mem\u00f3rias do Orat\u00f3rio<\/i><\/em>, e muitas vezes tamb\u00e9m nas cartas, escreve \u201cBorrelli\u201d ou \u201cBorelli\u201d. Talvez considerasse \u201cBorel\u201d uma forma dialetal e quisesse italianiz\u00e1-la. A marquesa Barolo sempre o chamou de \u201cBorel\u201d, mas \u00e9 pouco veross\u00edmil que o nome e a fam\u00edlia fossem de origem francesa.<\/p>\n<p>Frequentou a escola prim\u00e1ria e secund\u00e1ria segundo o sistema escolar vigente na \u00e9poca. Assim, entre 1809 e 1814, foi aluno das escolas turinenses organizadas segundo o modelo franc\u00eas, que prescrevia tr\u00eas anos de estudos prim\u00e1rios e tr\u00eas anos de estudos secund\u00e1rios (seguidos do liceu). De 1814 a 1817, ao contr\u00e1rio, completou os estudos secund\u00e1rios conforme o restaurado sistema saboiano, que previa, depois dos estudos elementares e da latinidade inferior, tr\u00eas anos de latinidade superior (<em><i>gram\u00e1tica, humanidades<\/i><\/em> e <em><i>ret\u00f3rica<\/i><\/em>). Depois, passou ao bi\u00eanio de filosofia (1817-1819) e ao quinqu\u00eanio de teologia (1819-1824).<\/p>\n<p>Na diocese de Turim estava em uso o semin\u00e1rio externo, um sistema gra\u00e7as ao qual um seminarista podia residir em casa e frequentar os cursos filos\u00f3ficos e teol\u00f3gicos na Universidade ou no semin\u00e1rio. Borel fez parte de um grupo de \u201cseminaristas externos\u201d designados a uma das quatro igrejas destinadas a esse fim, sob a orienta\u00e7\u00e3o de um \u201cprefeito\u201d encarregado pelo arcebispo. Vestiu o h\u00e1bito eclesi\u00e1stico em 1817 e passou a integrar o grupo de cl\u00e9rigos agregados \u00e0 igreja do <em><i>Corpus Domini<\/i><\/em>. Ele mesmo confirmou isso quando prestou seu testemunho no processo de beatifica\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Bento Cottolengo.<\/p>\n<p>Os registros relativos aos seus estudos teol\u00f3gicos e aos exames encontram-se no Arquivo Hist\u00f3rico da Universidade dos Estudos de Turim. Conseguiu o bacharelado em 29 de mar\u00e7o de 1821, a licen\u00e7a em 3 de junho de 1823 e o doutorado em 24 de maio de 1824 (a partir desse momento p\u00f4de ostentar o t\u00edtulo de \u201cte\u00f3logo\u201d). \u00c9 interessante notar que a assinatura do te\u00f3logo Lu\u00eds Guala, professor da faculdade de teologia e reitor do Col\u00e9gio Eclesi\u00e1stico de S\u00e3o Francisco de Assis, aparece em todos os certificados de exame de Borel.<\/p>\n<p>Foi ordenado sacerdote em 16 de setembro de 1824, aos 23 anos de idade.<\/p>\n<p>Ao novo sacerdote era pedido que seguisse, depois da ordena\u00e7\u00e3o, por cerca de dois anos, as confer\u00eancias morais em uma das sedes reconhecidas (semin\u00e1rio, universidade, Col\u00e9gio Eclesi\u00e1stico de S\u00e3o Francisco de Assis), como complemento do curso teol\u00f3gico e prepara\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio. N\u00e3o temos documenta\u00e7\u00e3o sobre a sede frequentada por Borel, mas como ele \u00e9 indicado entre os sacerdotes que gravitavam em torno das posi\u00e7\u00f5es de Cafasso (que, por\u00e9m, come\u00e7aria a ensinar apenas por volta de 1836), podemos supor que tenha seguido ao menos algumas das confer\u00eancias p\u00fablicas do te\u00f3logo Guala. Em todo caso, o v\u00ednculo do P. Borel com o Col\u00e9gio Eclesi\u00e1stico e sua orienta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gico-pastoral parecem ineg\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em 1824, quando foi ordenado sacerdote, j\u00e1 prestava servi\u00e7o como \u201ccl\u00e9rigo da Casa e da Capela Real\u201d; em 1831 foi promovido a \u201cCapel\u00e3o Real\u201d, fun\u00e7\u00e3o que exerceu at\u00e9 1841. Escreve Natal Cerrato: \u00abO clero da corte, presente em horas determinadas para exercer fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de servi\u00e7o religioso, constitu\u00eda a \u201cReal Capela\u201d, \u00e0 frente da qual estava o grande esmoler, que era o arcebispo de Turim. Dele dependiam seis esmoleres, eclesi\u00e1sticos de fam\u00edlia nobre, que o representavam na corte, participando das fun\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas sem vestir paramentos sagrados, mas usando mantelete preto como assistentes das pessoas reais. Al\u00e9m dos esmoleres havia os capel\u00e3es e os cl\u00e9rigos, que prestavam o servi\u00e7o lit\u00fargico, uns celebrando a missa e pregando, outros servindo segundo os turnos estabelecidos. O of\u00edcio de <em><i>capel\u00e3o r\u00e9gio<\/i><\/em> era uma posi\u00e7\u00e3o honor\u00edfica e cobi\u00e7ada, que comportava um sal\u00e1rio e deixava amplo tempo livre para outras ocupa\u00e7\u00f5es\u00bb.<\/p>\n<p>Em 1837 apresentou o pedido de aposentadoria como <em><i>capel\u00e3o r\u00e9gio<\/i><\/em>, mas continuou o servi\u00e7o at\u00e9 dezembro de 1840, quando foi nomeado Diretor espiritual do Ref\u00fagio da marquesa Barolo. Enquanto ainda prestava servi\u00e7o no Pal\u00e1cio Real, junto com o te\u00f3logo Carlos Ant\u00f4nio Borsarelli, foi diretor espiritual do Real Col\u00e9gio S\u00e3o Francisco de Paula, do ano acad\u00eamico de 1829-30 ao de 1842-43. Suas principais tarefas eram a celebra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da missa para os estudantes, a prega\u00e7\u00e3o dominical na congrega\u00e7\u00e3o da escola (explica\u00e7\u00e3o do evangelho pela manh\u00e3 e instru\u00e7\u00e3o na doutrina crist\u00e3 \u00e0 tarde) e a li\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de catecismo. A escola de S\u00e3o Francisco de Paula situava-se no antigo convento dos M\u00ednimos, que abrigava tamb\u00e9m um col\u00e9gio universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Borel colaborava tamb\u00e9m com o c\u00f4nego Jos\u00e9 Bento Cottolengo, fundador da Pequena Casa da Divina Provid\u00eancia. A institui\u00e7\u00e3o acolhia doentes cr\u00f4nicos f\u00edsicos e mentais, sobretudo pobres. Apesar de seus outros compromissos, dedicou muitos anos \u00e0s necessidades espirituais da Pequena Casa, como ele mesmo testemunhou no processo diocesano de beatifica\u00e7\u00e3o de Cottolengo, realizado entre 1863 e 1873.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos dizer com certeza quando come\u00e7ou o servi\u00e7o pastoral entre os encarcerados; certamente em 1840 ele j\u00e1 colaborava com o P. Cafasso e provavelmente continuou essa coopera\u00e7\u00e3o pelo resto da vida. \u00c9 certo que Dom Bosco, quando, como aluno do Col\u00e9gio Eclesi\u00e1stico, auxiliou Cafasso no minist\u00e9rio das pris\u00f5es, ali encontrou tamb\u00e9m Borel, o c\u00f4nego Borsarelli e o P. Mathias, diretor da <em><i>Confraria da Miseric\u00f3rdia<\/i><\/em>. Junto com o P. Cafasso, Borel dedicou especial cuidado aos condenados \u00e0 morte. As <em><i>Mem\u00f3rias Biogr\u00e1ficas<\/i><\/em>, al\u00e9m disso, nos oferecem detalhes interessantes sobre seu m\u00e9todo com os presos.<\/p>\n<p>Em 29 de dezembro de 1840, o P. Borel recebeu a nomea\u00e7\u00e3o de diretor espiritual do Ref\u00fagio, como sucessor do falecido P. Lu\u00eds Delrivo. A partir desse dia dedicou-se com zelo \u00e0s institui\u00e7\u00f5es Barolo por mais de 30 anos. Este foi, entre todos, o seu minist\u00e9rio mais importante, pela amplitude, intensidade e dedica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o mais exigente pela grande responsabilidade que comportava. Era diretor espiritual e professor das jovens acolhidas no Ref\u00fagio e das Irm\u00e3s de S\u00e3o Jos\u00e9 que cuidavam delas; era tamb\u00e9m diretor espiritual das Irm\u00e3s Penitentes de Santa Maria Madalena (popularmente chamadas <em><i>Madalenas<\/i><\/em>), que viviam em semiclausura em seu mosteiro ao lado do Ref\u00fagio. Seu trabalho inclu\u00eda a celebra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da missa, a prega\u00e7\u00e3o, o catecismo, as confiss\u00f5es e a dire\u00e7\u00e3o espiritual, a assist\u00eancia pastoral \u00e0s doentes.<\/p>\n<p>Dos arquivos da Obra Pia Barolo obtemos os nomes de v\u00e1rios sacerdotes colaboradores do te\u00f3logo Borel nas institui\u00e7\u00f5es fundadas pela marquesa: o P. Pedro Ponte1 (1821-1892), capel\u00e3o do Instituto Sant\u2019Ana; o P. Sebasti\u00e3o Pacchiotti (1806-1884), capel\u00e3o associado do Ref\u00fagio; o P. Bosco, capel\u00e3o associado do Ref\u00fagio e capel\u00e3o designado do Pequeno Hospital de <em><i>Santa Filomena<\/i><\/em> de 1844 a 1846; o P. Jo\u00e3o Giacomelli (1820-1901), capel\u00e3o do Pequeno Hospital a partir de 1854; o P. Marcant\u00f4nio Durando (1801-1880), vicentino, superior religioso oficial das Irm\u00e3s Madalenas.<\/p>\n<p>O nome de Borel aparece repetidamente nas <em><i>Mem\u00f3rias do Orat\u00f3rio<\/i><\/em>, no epistol\u00e1rio de Dom Bosco e nas <em><i>Mem\u00f3rias Biogr\u00e1ficas<\/i><\/em>, como amigo e apoiador. Dom Bosco o havia encontrado pela primeira vez quando era seminarista, durante um curso de exerc\u00edcios espirituais. Com ele havia conversado sobre os meios de perseveran\u00e7a na voca\u00e7\u00e3o e guardara na mem\u00f3ria sua resposta: \u201cCom o recolhimento e com a comunh\u00e3o frequente se aperfei\u00e7oa e se conserva a voca\u00e7\u00e3o e se forma um verdadeiro eclesi\u00e1stico\u201d.<\/p>\n<p>Depois o reencontrara v\u00e1rias vezes durante os anos passados no Col\u00e9gio Eclesi\u00e1stico, compartilhando o minist\u00e9rio pastoral na pris\u00e3o e em outras institui\u00e7\u00f5es caritativas da cidade. \u201cDesde o primeiro momento em que conheci o T. Borel \u2013 lemos nas <em><i>Mem\u00f3rias do Orat\u00f3rio<\/i><\/em> \u2013 sempre observei nele um santo sacerdote, um modelo digno de admira\u00e7\u00e3o e de ser imitado. Todas as vezes que podia deter-me com ele tinha sempre li\u00e7\u00f5es de zelo sacerdotal, sempre bons conselhos, est\u00edmulos ao bem. Nos tr\u00eas anos passados no Col\u00e9gio Eclesi\u00e1stico fui pelo mesmo convidado v\u00e1rias vezes a servir nas sagradas fun\u00e7\u00f5es, a confessar, a pregar com ele. De modo que o campo do meu trabalho j\u00e1 era conhecido e, de certo modo, familiar. Falamos longamente v\u00e1rias vezes sobre as regras a seguir para nos ajudarmos mutuamente na frequ\u00eancia \u00e0s pris\u00f5es e no cumprimento dos deveres a n\u00f3s confiados, e ao mesmo tempo assistir os jovenzinhos, cuja moralidade e abandono chamavam cada vez mais a aten\u00e7\u00e3o dos sacerdotes\u201d.<\/p>\n<p>No outono de 1844, Borel \u2013 a pedido do P. Cafasso e com o consentimento da marquesa Barolo \u2013 acolheu Dom Bosco no Ref\u00fagio, que precisava de um lugar para morar e de um trabalho remunerado enquanto se aguardava a conclus\u00e3o do Pequeno Hospital. A partir desse momento tornou-se seu mais estreito e fiel apoiador. Gradualmente colocou-o em contato com pessoas abastadas da nobreza e da burguesia turinenses. Ajudou-o e defendeu-o durante a fase do Orat\u00f3rio itinerante (1844-46), expondo-se em seu favor, como quando foi expulso de S\u00e3o Pedro in Vincoli e se transferiu para a capela dos Moinhos, ou quando, no in\u00edcio de 1846, os p\u00e1rocos das redondezas expressaram o temor de que o Orat\u00f3rio interferisse na atividade das par\u00f3quias. Sobretudo n\u00e3o o abandonou nos momentos mais dif\u00edceis: esteve ao seu lado durante a ruptura com a marquesa Barolo, ajudou-o economicamente para o aluguel e, mais tarde, para a compra da propriedade Pinardi. Quando o Orat\u00f3rio se estabeleceu definitivamente em Valdocco, foi ele quem aben\u00e7oou a capela-galp\u00e3o. Nos anos seguintes continuou a colaborar com Dom Bosco na prega\u00e7\u00e3o, nas confiss\u00f5es, nas rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, na administra\u00e7\u00e3o do Orat\u00f3rio: mantinha os livros cont\u00e1beis, registrava entradas, sa\u00eddas e fatos dignos de nota (por exemplo, em 1846 anotou que na festa de S\u00e3o Lu\u00eds participaram 650 jovens).<\/p>\n<p>Quando, no final de 1845, a sa\u00fade de Dom Bosco entrou em colapso, informou a marquesa, que naquele per\u00edodo estava em Roma. Tamb\u00e9m a Marquesa Barolo estava preocupada e escreveu a Borel: \u201cLembrar-se-\u00e1 de quantas vezes lhe recomendei que tivesse considera\u00e7\u00e3o por ele e o deixasse descansar etc. etc. Ele n\u00e3o me dava ouvidos; dizia que os padres deviam trabalhar\u201d. Por fim, quando no ver\u00e3o de 1846 Dom Bosco adoeceu gravemente, prestou-lhe todos os cuidados e, durante a convalescen\u00e7a nos Becchi (entre agosto e novembro), assumiu a responsabilidade do Orat\u00f3rio com a ajuda dos te\u00f3logos Vola e Carpano e dos sacerdotes Trivero e Pacchiotti.<\/p>\n<p>Goffredo Casalis escreve: \u00abEstes [os citados sacerdotes], por espa\u00e7o de quatro meses, de acordo com o te\u00f3logo Borelli, supriram em tudo o Fundador ausente do instituto e promoveram sua ampla atua\u00e7\u00e3o de tal modo que logo conquistaram a estima e o afeto de todos os jovens; estima e afeto que tiveram de obter, como o Fundador, ao pre\u00e7o de grand\u00edssima paci\u00eancia e de in\u00fameros sacrif\u00edcios, pois nos seus prim\u00f3rdios esta institui\u00e7\u00e3o era muito mais pobre do que no presente, e tinham de lidar com jovens indisciplinados e privados de toda educa\u00e7\u00e3o, muitos dos quais frequentemente n\u00e3o tinham um peda\u00e7o de p\u00e3o para saciar a fome e estavam extremamente maltrapilhos e sujos; e al\u00e9m disso lhes cabia, como acontece a todos os que querem fazer o bem, suportar n\u00e3o poucas, nem pequenas contradi\u00e7\u00f5es. Ao seu retorno, Dom Bosco encontrou maior decoro na capela e reviu um grupo de novos rapazes que pela primeira vez saudaram seu benfeitor. As coisas estavam muito bem encaminhadas [&#8230;].\u00bb<\/p>\n<p>Borel era um h\u00e1bil pregador, usava um estilo popular e vivo, muito apreciado; por isso era frequentemente convidado a proferir paneg\u00edricos e miss\u00f5es na diocese de Turim e em outros lugares. Ele sempre se disp\u00f4s com generosidade e zelo apost\u00f3lico. Seus serm\u00f5es eram simples, agrad\u00e1veis, ricos de humor e de historietas, mas substanciosos, profundamente crist\u00e3os, emocionantes e de grande efeito. O P. Cafasso disse dele que \u201cera talvez o melhor orador de toda a diocese pela sua facilidade em falar o nosso bom piemont\u00eas, pelos prov\u00e9rbios, as piadas, as frases argutas que lhe floresciam nos l\u00e1bios, e pela clareza ao explicar qualquer dificuldade doutrinal, servindo-se das semelhan\u00e7as mais apropriadas ao caso; tanto mais quando se tratava de falar \u00e0 juventude, que era a sua del\u00edcia\u201d.<\/p>\n<p>Nesse minist\u00e9rio esteve sempre dispon\u00edvel tamb\u00e9m para Dom Bosco. Num domingo, depois de ter passado toda a manh\u00e3 em v\u00e1rias igrejas a celebrar, pregar e confessar, disseram-lhe que no Orat\u00f3rio havia necessidade dele para um serm\u00e3o. A pessoa que foi cham\u00e1-lo o encontrou na horta comendo p\u00e3o e piment\u00e3o. Ele n\u00e3o hesitou: poucos minutos depois estava no p\u00falpito da capela de Pinardi a pregar a uma multid\u00e3o de rapazes. Pregou tamb\u00e9m na igreja de S\u00e3o Francisco de Sales, depois de 1852. Eram famosos seus di\u00e1logos p\u00fablicos com Dom Bosco. Sentava-se entre os rapazes e representava de modo muito divertido o papel de um jovem ing\u00eanuo, de um malandro, de um penitente desprevenido, enquanto Dom Bosco instru\u00eda e pregava do p\u00falpito. A not\u00edcia de que num certo domingo o te\u00f3logo \u201cconversaria\u201d era suficiente para encher a igreja de ouvintes atentos. Em 1849, com a ajuda do P. Borsarelli, P. Ponte e P. Gastaldi, ele pregou com sucesso aos rapazes dos tr\u00eas orat\u00f3rios reunidos na igreja da Confraria da Miseric\u00f3rdia para um curso de exerc\u00edcios espirituais de sete dias (22-28 de dezembro).<\/p>\n<p>Seu estilo de vida era evangelicamente simples e frugal. Nunca se preocupou consigo mesmo. Nos anos sessenta, a sa\u00fade se deteriorou. Muitas vezes viu-se obrigado a permanecer de cama ou preso a uma cadeira no Ref\u00fagio. Em 25 de mar\u00e7o de 1869, Dom Bosco voltou de Roma com a not\u00edcia da aprova\u00e7\u00e3o da Sociedade Salesiana. De seus aposentos, Borel ouviu os rapazes do Orat\u00f3rio exultarem e a banda tocar: entendeu o que estava acontecendo. Eram cerca de oito horas da noite. Levantou-se da cama, desceu \u00e0 rua apoiando-se em sua bengala, entrou no p\u00e1tio do Orat\u00f3rio. Ali encontrou Dom Bosco e soube da boa not\u00edcia. \u201cGra\u00e7as, Senhor, agora posso morrer feliz!\u201d exclamou e, sem acrescentar mais nada, voltou ao Ref\u00fagio.<\/p>\n<p>Em 8 de maio de 1870, em reconhecimento de seus m\u00e9ritos, foi agraciado com um dos mais prestigiosos t\u00edtulos honor\u00edficos do Reino: cavaleiro da Ordem dos Santos Maur\u00edcio e L\u00e1zaro. Exerceu ainda alguma atividade sacerdotal, mas os \u00faltimos dois anos de vida passou-os confinado \u00e0 cama. Morreu em 8 de setembro de 1873, aos 72 anos de idade, talvez por uma hemorragia cerebral. Era t\u00e3o pobre que n\u00e3o deixou sequer dinheiro suficiente para o sepultamento. Seu caix\u00e3o foi levado ao cemit\u00e9rio pelos diretores salesianos reunidos em Valdocco para as confer\u00eancias de outono, acompanhados pela banda do Orat\u00f3rio e por todos os jovens da casa.<\/p>\n<p>Sob a imagem de S\u00e3o Francisco de Sales pendurada em seu pobre quartinho, escrevera as palavras de S\u00e3o Paulo: \u201c<em><i>Omnibus omnia factus sum<\/i><\/em>\u201d \u2014 fiz-me tudo para todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>Arthur J. LENTI. Dom Bosco: hist\u00f3ria e carisma, vol. I, p. 451<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00f4nimo, Retrato de Dom Giovanni Borel (1801\u20131873), final do s\u00e9culo XIX, t\u00eampera sobre cobre, 37,5&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":54173,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":4,"footnotes":""},"categories":[173],"tags":[2561,2577,2226,2228,2619],"class_list":["post-54191","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dom-bosco","tag-carisma-salesiano","tag-dom-bosco","tag-salesianos","tag-santos","tag-testemunhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54191"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54191\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54193,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54191\/revisions\/54193"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54173"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}