{"id":54164,"date":"2026-07-24T06:49:07","date_gmt":"2026-07-24T06:49:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=54164"},"modified":"2026-07-24T06:50:29","modified_gmt":"2026-07-24T06:50:29","slug":"dom-bosco-e-os-santos-joaquim-e-ana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/dom-bosco\/dom-bosco-e-os-santos-joaquim-e-ana\/","title":{"rendered":"Dom Bosco e os santos Joaquim e Ana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Os santos Joaquim e Ana, \u00f3leo sobre tela de Guido Guidi, 1914. Bas\u00edlica do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, Roma.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>No c\u00e9u n\u00e3o t\u00e3o lotado das devo\u00e7\u00f5es de Dom Bosco \u2013 Maria Auxiliadora em primeiro lugar, e depois S\u00e3o Jos\u00e9, S\u00e3o Francisco de Sales, S\u00e3o Lu\u00eds Gonzaga, os anjos da guarda \u2013 duas figuras discretas ocupam um lugar que surpreende quem n\u00e3o as procura: Joaquim e Ana, os pais da Virgem Maria, os av\u00f3s de Jesus. N\u00e3o aparecem nos t\u00edtulos de suas congrega\u00e7\u00f5es nem nos nomes de suas obras, e no entanto Dom Bosco os quis de sua pr\u00f3pria m\u00e3o nas duas igrejas que marcam os extremos geogr\u00e1ficos e espirituais de sua vida. Em Turim, na bas\u00edlica de Maria Auxiliadora em Valdocco, quis que suas est\u00e1tuas fossem colocadas aos lados do presbit\u00e9rio, voltadas para a grande imagem da Auxiliadora: os pais que contemplam a filha glorificada. Em Roma, na igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus no Castro Pret\u00f3rio, foi preparado um altar dedicado aos dois santos, sobre o qual uma tela retrata a educa\u00e7\u00e3o da menina Maria. Duas presen\u00e7as silenciosas que, olhando bem, contam muito da f\u00e9 de Dom Bosco e do seu modo de entender a fam\u00edlia, a educa\u00e7\u00e3o e a transmiss\u00e3o da f\u00e9.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Dois nomes que v\u00eam de longe<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/strong>Os Evangelhos can\u00f4nicos n\u00e3o dizem nada sobre os pais de Maria. Seus nomes nos chegam de uma tradi\u00e7\u00e3o antiqu\u00edssima, de um texto do s\u00e9culo II que a Igreja n\u00e3o acolheu no c\u00e2none, mas que alimentou por s\u00e9culos a piedade popular e a arte crist\u00e3. Ali se conta sobre Joaquim, homem justo, e de Ana, sua esposa, provados pela dor da esterilidade \u2013 no Israel antigo, uma desonra e quase um sinal de abandono divino. Sua ora\u00e7\u00e3o perseverante \u00e9 atendida: um anjo anuncia a ambos o nascimento de uma filha, e Ana promete consagr\u00e1-la ao Senhor. Aquela menina \u00e9 Maria.<\/p>\n<p>Que o relato seja lend\u00e1rio nos detalhes n\u00e3o tira nada da subst\u00e2ncia teol\u00f3gica que a Igreja sempre leu nele: Maria n\u00e3o surge do nada. A M\u00e3e do Salvador tem ra\u00edzes, tem uma casa, tem pais que a esperaram, geraram, educaram. Os pr\u00f3prios nomes s\u00e3o um programa: Ana significa \u201cgra\u00e7a\u201d, Joaquim \u201cDeus prepara\u201d. No casal de pais idosos, a tradi\u00e7\u00e3o viu o limiar entre a Antiga e a Nova Alian\u00e7a, a dobradi\u00e7a silenciosa entre a longa espera de Israel e o amanhecer da Reden\u00e7\u00e3o. O culto a Santa Ana floresce no Oriente desde os primeiros s\u00e9culos e se torna no Ocidente uma das devo\u00e7\u00f5es populares mais amadas; S\u00e3o Joaquim a alcan\u00e7a mais tarde nas honras lit\u00fargicas, at\u00e9 que a reforma do calend\u00e1rio reuniu os dois esposos em uma \u00fanica mem\u00f3ria, em 26 de julho: juntos na vida, juntos na liturgia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>O Magn\u00edficat, fruto de uma escola dom\u00e9stica<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/strong>H\u00e1 uma prova indireta, mas eloquente, da obra educativa de Joaquim e Ana, e est\u00e1 nos pr\u00f3prios l\u00e1bios de Maria. O Magn\u00edficat revela um conhecimento das Escrituras profundo e interiorizado, de quem as respirou desde menina. O c\u00e2ntico da Virgem recorda o C\u00e2ntico de Ana, a m\u00e3e de Samuel (1Sm 2,1-10), mas tamb\u00e9m entrela\u00e7a os salmos (34; 35; 69; 98; 103), os profetas (Is 41; 61; Mq 7), os textos sapienciais (Eclo 10,14-15) e at\u00e9 mesmo o Pentateuco. Ningu\u00e9m improvisa uma semelhante s\u00edntese orante da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: ela \u00e9 recebida, vers\u00edculo ap\u00f3s vers\u00edculo, em uma casa onde a Palavra de Deus \u00e9 rezada todos os dias.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que a iconografia tradicional retrata Santa Ana quase sempre em uma atitude precisa: enquanto ensina a pequena Maria a ler, com o livro das Escrituras aberto entre as m\u00e3os. \u00c9 a chamada <em><i>Educa\u00e7\u00e3o da Virgem<\/i><\/em>, um dos temas mais difundidos da arte crist\u00e3 \u2013 o mesmo que se destaca no altar romano desejado na igreja de Dom Bosco. Ana \u00e9, por excel\u00eancia, a m\u00e3e educadora: aquela que transmite \u00e0 filha n\u00e3o apenas a vida, mas a f\u00e9, a Palavra, a ora\u00e7\u00e3o. Dif\u00edcil imaginar um \u00edcone mais pr\u00f3ximo ao cora\u00e7\u00e3o de Dom Bosco, que na figura de Ana podia reconhecer o rosto de Mam\u00e3e Margarida, a camponesa analfabeta dos Becchi que havia ensinado aos seus filhos o catecismo, a ora\u00e7\u00e3o da noite, o temor a Deus e a confian\u00e7a na Provid\u00eancia. O Magn\u00edficat de Maria e o sistema preventivo de Dom Bosco nascem, no fundo, da mesma fonte: uma f\u00e9 transmitida em fam\u00edlia com religi\u00e3o, raz\u00e3o e amabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Em Valdocco: as est\u00e1tuas que olham para a M\u00e3e<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/strong>Quando Dom Bosco construiu, entre 1865 e 1868, a igreja de Maria Auxiliadora, acompanhou pessoalmente n\u00e3o apenas o canteiro de obras e as finan\u00e7as, mas tamb\u00e9m o programa iconogr\u00e1fico. Nada foi deixado ao acaso: o grande quadro da Auxiliadora, que ele descreveu ao pintor Tom\u00e1s Lorenzone como um espet\u00e1culo j\u00e1 contemplado, devia retratar Maria Rainha dos Ap\u00f3stolos e M\u00e3e da Igreja. Neste projeto global, Dom Bosco quis que as est\u00e1tuas dos santos Joaquim e Ana fossem colocadas aos lados do presbit\u00e9rio, orientadas para a grande imagem da filha: uma escolha de rara fineza teol\u00f3gica. Os pais n\u00e3o est\u00e3o no centro, mas ao lado; n\u00e3o atraem o olhar para si, mas o conduzem a Maria. \u00c9 a pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o de todo verdadeiro educador.<\/p>\n<p>A devo\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e da Virgem estava, de resto, profundamente inserida na vida espiritual do Orat\u00f3rio: na bas\u00edlica primitiva existia um altar dedicado a Santa Ana, sobre o qual foi colocada por anos a primeira est\u00e1tua da Auxiliadora venerada por Dom Bosco. E justamente aquele altar foi o palco de um dos epis\u00f3dios mais comoventes dos \u00faltimos dias do santo. Durante a \u00faltima doen\u00e7a de Dom Bosco, no inverno de 1887-1888, alguns jovens do Orat\u00f3rio ofereceram a Deus a pr\u00f3pria vida para que fosse conservada a do seu pai. A folha com a oferta deles foi depositada no altar de Santa Ana enquanto ali se celebrava a Missa. Naquele gesto est\u00e1 toda a circularidade do amor educativo salesiano: o pai que havia gasto a vida pelos filhos recebia agora dos filhos a oferta da vida; e aquele pacto de amor era entregue a Deus pelas m\u00e3os da av\u00f3 de Jesus, a mulher que sabia o que significa esperar, doar e devolver uma vida ao Senhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Em Roma: o altar do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/strong>Vinte anos depois de Valdocco, j\u00e1 idoso e consumido pelas fadigas, Dom Bosco levou a termo a \u00faltima grande empreitada de sua vida: a igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus perto da esta\u00e7\u00e3o Termini. Desejada por Pio IX e que havia ficado encalhada por falta de fundos, a constru\u00e7\u00e3o foi confiada por Le\u00e3o XIII a Dom Bosco em 1880: o santo, para n\u00e3o dizer n\u00e3o ao Papa, assumiu coletas extenuantes na It\u00e1lia e na Fran\u00e7a. O templo foi consagrado em 14 de maio de 1887; dois dias depois, Dom Bosco celebrou ali sua \u00fanica Missa, no altar de Maria Auxiliadora, interrompida v\u00e1rias vezes pelas l\u00e1grimas: naquela celebra\u00e7\u00e3o compreendeu, como lhe havia prometido Nossa Senhora no sonho dos nove anos, o sentido de toda a sua vida.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no templo romano os altares foram dispostos como um pai prepara os c\u00f4modos da pr\u00f3pria casa. Entre eles, o dedicado aos santos Joaquim e Ana, sobre o qual uma tela retrata a educa\u00e7\u00e3o da menina Maria: os pais que acompanham o crescimento humano e espiritual da filha. A escolha tinha tamb\u00e9m uma nuance de requintada gratid\u00e3o: o Papa que havia confiado a igreja a Dom Bosco, Le\u00e3o XIII, chamava-se no batismo Joaquim Pecci e nutria uma devo\u00e7\u00e3o particular pelo seu pr\u00f3prio santo padroeiro. Honrar S\u00e3o Joaquim era, para Dom Bosco, uma maneira delicada de honrar juntos o av\u00f4 de Jesus e o Pont\u00edfice que tanto havia acreditado nele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Os av\u00f3s, deposit\u00e1rios dos valores da vida<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/strong>Sendo os pais de Maria, Joaquim e Ana s\u00e3o tradicionalmente venerados como os av\u00f3s de Jesus, e a mem\u00f3ria deles recorda hoje com for\u00e7a o papel dos av\u00f3s na fam\u00edlia e na Igreja. Bento XVI lembrou que os av\u00f3s s\u00e3o frequentemente \u00abdeposit\u00e1rios e testemunhas dos valores fundamentais da vida\u00bb e desempenham um papel precioso na educa\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es; e a Igreja celebra agora, pr\u00f3ximo ao dia 26 de julho, o Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos. Dom Bosco, com a intui\u00e7\u00e3o dos santos, havia entendido isso com mais de um s\u00e9culo de anteced\u00eancia: nenhum jovem cresce bem sem ra\u00edzes, e nenhuma f\u00e9 se acende sem algu\u00e9m \u2013 uma m\u00e3e, uma av\u00f3, um velho catequista \u2013 que a entregue com paci\u00eancia e amabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Educar para a liberdade do \u201csim\u201d<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/strong>As est\u00e1tuas de Turim e o altar de Roma conduzem, no fim, \u00e0 mesma mensagem: a tarefa do educador \u00e9 preparar uma pessoa para pronunciar o seu pr\u00f3prio \u201csim\u201d a Deus. Joaquim e Ana educaram Maria, mas foi ela quem teve que responder ao anjo de Nazar\u00e9. Mam\u00e3e Margarida educou Jo\u00e3o, mas foi ele quem teve que acolher a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal e a miss\u00e3o entre os jovens. Dom Bosco educou milhares de meninos, mas cada um deles teve que escolher pessoalmente o pr\u00f3prio caminho. A educa\u00e7\u00e3o aut\u00eantica n\u00e3o substitui a liberdade: torna-a capaz de se orientar para o bem. N\u00e3o produz c\u00f3pias do educador, mas pessoas respons\u00e1veis, crist\u00e3os maduros e cidad\u00e3os honestos.<\/p>\n<p>As est\u00e1tuas de Joaquim e Ana em Valdocco continuam a olhar para Maria Auxiliadora. O altar do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o em Roma continua a mostrar a menina Maria educada por seus pais. S\u00e3o imagens silenciosas, mas cont\u00eam um programa salesiano inteiro: guardar a vida, transmitir a f\u00e9, acompanhar as voca\u00e7\u00f5es e preparar no cora\u00e7\u00e3o dos jovens uma resposta generosa a Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os santos Joaquim e Ana, \u00f3leo sobre tela de Guido Guidi, 1914. Bas\u00edlica do Sagrado&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":54150,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":1,"footnotes":""},"categories":[173],"tags":[2561,2577,2215,1821,1689,2228,2025],"class_list":["post-54164","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dom-bosco","tag-carisma-salesiano","tag-dom-bosco","tag-familia","tag-graca","tag-maria","tag-santos","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54164"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54164\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54165,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54164\/revisions\/54165"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54150"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}