{"id":54142,"date":"2026-07-23T07:03:00","date_gmt":"2026-07-23T07:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=54142"},"modified":"2026-07-23T07:03:42","modified_gmt":"2026-07-23T07:03:42","slug":"sao-francisco-de-sales-missionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/nossos-santos\/sao-francisco-de-sales-missionario\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Francisco de Sales mission\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><em><i>Dom Bosco viu em S\u00e3o Francisco de Sales n\u00e3o apenas um mestre de do\u00e7ura, mas um verdadeiro modelo mission\u00e1rio. Na dif\u00edcil miss\u00e3o do Chablais, entre hostilidades, perigos e resist\u00eancias religiosas, o santo saboiano escolheu as armas mais evang\u00e9licas: paci\u00eancia, caridade, prega\u00e7\u00e3o, escritos e confian\u00e7a na gra\u00e7a. A sua a\u00e7\u00e3o, longe de qualquer viol\u00eancia, visava conquistar os cora\u00e7\u00f5es com o di\u00e1logo, a mansid\u00e3o e a verdade. Exatamente esse estilo impressionou profundamente Dom Bosco, que fez dele uma refer\u00eancia para o seu m\u00e9todo educativo e pastoral. Do Chablais a Valdocco, a mesma paix\u00e3o apost\u00f3lica: \u201c<\/i><\/em><em><i>Da mihi animas, cetera tolle<\/i><\/em><em><i>\u201d.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que mais impressionou Dom Bosco, o disc\u00edpulo piemont\u00eas de S\u00e3o Francisco de Sales, foi a sua atividade mission\u00e1ria no Chablais (1594-1598). Vale a pena reproduzir o par\u00e1grafo dedicado a esta miss\u00e3o na sua Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>Impelido pela voz de Deus que o chamava para coisas extraordin\u00e1rias, partiu para o Chablais, sem outras armas que as da do\u00e7ura e caridade. \u00c0 vista das igrejas arruinadas, dos mosteiros destru\u00eddos, das cruzes arrancadas, enchendo-se de santo zelo, dedica-se logo ao apostolado. Alvoro\u00e7am-se os hereges e tratam de mat\u00e1-lo; por\u00e9m ele com paci\u00eancia, com serm\u00f5es, com escritos e com milagres acalma os tumultuosos, ganha os assassinos, desarma o inferno, e a f\u00e9 cat\u00f3lica triunfa de tanto esplendor que, em pouco tempo, somente no Chablais, converteu ao seio da verdadeira Igreja a mais de setenta e dois mil hereges.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dom Bosco escreve que S\u00e3o Francisco de Sales foi \u00abimpelido pela voz de Deus\u00bb. N\u00e3o consta que tenha tido um chamado extraordin\u00e1rio; pois a voz de Deus lhe foi transmitida atrav\u00e9s de um convite formal do seu bispo, Dom Cl\u00e1udio de Granier. O seu programa de conquista foi por ele explicitamente definido na famosa \u00abarenga\u00bb que pronunciou como decano perante o Cap\u00edtulo da catedral em Annecy:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>\u00c9 por meio da caridade que devemos desmantelar as muralhas de Genebra, por meio da caridade invadi-la, recuper\u00e1-la. [&#8230;] N\u00e3o vos proponho nem o ferro, nem aquela p\u00f3lvora, cujo cheiro e sabor lembram a fornalha infernal [&#8230;]. Quereis um m\u00e9todo f\u00e1cil para tomar de assalto uma cidade? Pe\u00e7o-vos que o aprendais do exemplo de Holofernes. Sitiando Bet\u00falia, corta o aqueduto e p\u00f5e sob guarda todas as fontes. [&#8230;] H\u00e1 um aqueduto que alimenta e reanima, por assim dizer, todas as ra\u00e7as dos hereges: s\u00e3o os exemplos dos padres perversos, as a\u00e7\u00f5es, as palavras, em suma, a iniquidade de todos, mas em particular dos eclesi\u00e1sticos. [&#8230;] \u00c9 preciso derrubar as muralhas de Genebra por meio de ora\u00e7\u00f5es ardentes, e assaltar com a caridade fraterna. \u00c9 por meio desta caridade que devem fazer for\u00e7a as nossas cabe\u00e7as de assalto.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para se preparar para a miss\u00e3o, Francisco de Sales, 27 anos, sacerdote h\u00e1 um ano, havia se munido da \u00abcorda de tr\u00eas fios que dificilmente se rompe\u00bb: a ora\u00e7\u00e3o, o jejum e a caridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>O Chablais<\/b><\/strong><\/p>\n<p>O Chablais \u00e9 um pequeno territ\u00f3rio delimitado ao norte pelo lago de Genebra (ou lago Lemano) e pelos montes de Faucigny ao sul. A capital \u00e9 a pequena cidade de Thonon, na margem do lago. A regi\u00e3o contava na \u00e9poca com cerca de 25.000 habitantes, divididos outrora em cerca de cinquenta par\u00f3quias. Politicamente, esteve por muito tempo sob os duques de Saboia, mas depois foi frequentemente puxado para c\u00e1 e para l\u00e1, entre os su\u00ed\u00e7os, a Fran\u00e7a e a Saboia.<\/p>\n<p>Do ponto de vista eclesi\u00e1stico, fazia parte da diocese de Genebra. Mas em 1536 o Chablais foi invadido pelos protestantes de Berna e de Genebra, at\u00e9 Thonon e a torrente do Dranse. Ap\u00f3s alguns meses de toler\u00e2ncia, impuseram a nova religi\u00e3o: mosteiros devastados, igrejas arruinadas, imagens e est\u00e1tuas destru\u00eddas, obriga\u00e7\u00e3o de assistir ao culto protestante, proibi\u00e7\u00e3o de celebrar a missa cat\u00f3lica, de promover \u00absupersti\u00e7\u00f5es e idolatrias papistas\u00bb. Dos 25.000 habitantes, restavam apenas cerca de cem cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>Uma primeira tentativa de \u00abrecatoliciza\u00e7\u00e3o\u00bb foi feita em 1589, quando o duque Carlos Emanuel pediu a Dom de Granier para enviar cerca de cinquenta sacerdotes. O fracasso foi total e os padres assustados se retiraram. Era preciso outro m\u00e9todo.<\/p>\n<p>Em 1593, ap\u00f3s a abjura\u00e7\u00e3o de Henrique IV da Fran\u00e7a, que enfraqueceu a press\u00e3o protestante, o Chablais foi devolvido ao duque de Saboia Carlos Emanuel, que queria reconduzir os habitantes \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica, pedindo a Dom de Granier para fazer o necess\u00e1rio. Este reuniu o seu clero e pediu alguns volunt\u00e1rios&#8230; Apenas Francisco de Sales aceitou a proposta, apesar da oposi\u00e7\u00e3o do pai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Breve cronologia da miss\u00e3o<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Em 14 de setembro de 1594, Francisco chega \u00e0 fortaleza de Allinges, o seu ref\u00fagio cat\u00f3lico numa prov\u00edncia calvinista. Deste lugar parte todos os dias a p\u00e9 para o seu apostolado, ap\u00f3s ter celebrado a missa na capela da fortaleza. Em 18 de setembro faz o primeiro serm\u00e3o na capital Thonon, na igreja de Santo Hip\u00f3lito, que se tornara h\u00e1 anos um templo protestante, sob a autoridade e a miss\u00e3o dos pregadores da Igreja: \u00abCalvino, quem te enviou?\u00bb. Pouco depois, os l\u00edderes protestantes de Thonon juram nunca ir \u00e0s prega\u00e7\u00f5es do padre \u00abpapista\u00bb. Em 27 de novembro, Francisco come\u00e7a a pregar o Advento a \u201cquatro ou cinco pequenas pessoas\u201d. O inverno de 1594-1595 \u00e9 cheio de perigos: frio intenso, bandos de lobos e intimida\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 1595, Francisco sofre uma tentativa de assassinato. Em 25 de janeiro, festa da convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo, Francisco tenta um novo m\u00e9todo: come\u00e7a a distribuir todas as semanas folhas ou \u201cpanfletos\u201d onde explica a verdadeira doutrina cat\u00f3lica. Em meados de mar\u00e7o, nova tentativa de assassinato. Em 11 de abril, comunica ao amigo Favre que entre as primeiras \u00abespigas\u00bb da messe est\u00e1 o advogado Pierre Poncet, que decide tornar-se cat\u00f3lico. Em 25 de maio, festa de <em><i>Corpus Christi<\/i><\/em>, \u00e0s tr\u00eas da manh\u00e3, Francisco vive uma experi\u00eancia m\u00edstica sobre a Eucaristia. Em 1\u00ba de julho \u00e9 agredido nos bosques de Voiron, e outra vez em 18 de julho aos p\u00e9s de Allinges. Em 18 de setembro, pode escrever ao amigo Favre: \u00abEis finalmente, meu irm\u00e3o, que uma porta mais larga e mais bela se abre para n\u00f3s\u00bb. O bar\u00e3o d\u2019Avully e alguns representantes da cidade vieram ouvi-lo sem se deixarem ver.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do ano de 1596, o ministro protestante Viret n\u00e3o ousa enfrentar o decano numa disputa p\u00fablica. O bar\u00e3o d\u2019Avully abjura na igreja de Thonon. Francisco ousa pregar na pra\u00e7a do mercado de Thonon por duas horas; as pessoas reagem dizendo: \u00abQue Deus nos coloque do lado certo!\u00bb. Em mar\u00e7o, sustenta uma disputa p\u00fablica em Genebra com o ministro Ant\u00f4nio de La Faye, colaborador de Teodoro de Beza, sobre a Presen\u00e7a Real, o Purgat\u00f3rio, a invoca\u00e7\u00e3o dos Santos&#8230; Em 16 de julho, organiza um catecismo dialogado em p\u00fablico com o seu irm\u00e3o de treze anos, Bernard. Em 25 de dezembro de 1596, pela primeira vez ap\u00f3s mais de meio s\u00e9culo, Francisco celebra as tr\u00eas missas de Natal na igreja de Santo Hip\u00f3lito de Thonon.<\/p>\n<p>Em 1597, dirige-se novamente a Genebra para um col\u00f3quio com Teodoro de Beza, sucessor de Calvino, sobre o problema da salva\u00e7\u00e3o na Igreja. Segue-se a convers\u00e3o de Pedro Fourier. Novo col\u00f3quio com Teodoro de Beza em Genebra sobre a coopera\u00e7\u00e3o humana com a gra\u00e7a e sobre a necessidade das boas obras. Em setembro, celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica das Quarenta Horas na pequena cidade de Annemasse, em frente a Genebra. Em novembro, grave doen\u00e7a de Francisco at\u00e9 janeiro.<\/p>\n<p>Em 13 de junho de 1598, Francisco pede ao N\u00fancio que intervenha para obter o exerc\u00edcio do culto cat\u00f3lico em Genebra. Em setembro-outubro, as Quarenta Horas s\u00e3o celebradas em Thonon, na presen\u00e7a do duque e do cardeal-legado. Francisco de Sales ressuscita um menino de m\u00e3e protestante que se converte. Cerca de 2.300 pais de fam\u00edlia retornam \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em><b><i>Da mihi animas cetera tolle<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de Francisco de Sales consistia em aproximar-se dos \u00abSenhores\u00bb de Thonon, capital do Chablais, para entrar em di\u00e1logo com eles, mas tamb\u00e9m em entrar em contato com as pessoas simples do campo.<\/p>\n<p>Os in\u00edcios foram muito duros. \u00c9 chamado de papista, mago, feiticeiro, <em><i>bigle<\/i><\/em> (estr\u00e1bico). Em todas as suas interven\u00e7\u00f5es com os protestantes, Francisco conta sobretudo com a argumenta\u00e7\u00e3o e a persuas\u00e3o, apostando em alguns elementos imprescind\u00edveis da verdadeira f\u00e9: a interpreta\u00e7\u00e3o dos livros can\u00f4nicos, a visibilidade da Igreja, o primado de S\u00e3o Pedro e dos seus sucessores, a realidade do Corpo de Cristo na eucaristia, a invoca\u00e7\u00e3o dos Santos, a justifica\u00e7\u00e3o mediante a f\u00e9 e as obras.<\/p>\n<p>O zelo de Francisco foi exaltado pelo seu amigo e disc\u00edpulo, Dom Jo\u00e3o Pedro Camus, bispo de Belley, no seu livro sobre <em><i>O esp\u00edrito do bem-aventurado Francisco de Sales<\/i><\/em>, no qual explica o verdadeiro motivo do seu apostolado:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>Quando os Ap\u00f3stolos n\u00e3o tinham nada, possu\u00edam tudo, e quando os eclesi\u00e1sticos querem possuir muito, o muito se reduz a nada. Ele suspirava apenas pela convers\u00e3o daquelas almas rebeldes \u00e0 luz da verdade, a qual resplandece apenas na verdadeira Igreja. De fato, \u00e9 uma coisa bem certa que a alma \u00e9 mais que o alimento, e o corpo mais que a vestimenta. Dizia algumas vezes suspirando: \u2018<\/i><\/em><em><i>Da mihi animas, cetera tolle tibi<\/i><\/em><em><i>\u2019, falando da sua Genebra que chamava sempre a sua pobre ou a sua querida \u2013 termos de compaix\u00e3o e de amor \u2013 apesar da sua rebeli\u00e3o.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Francisco de Sales vestia um h\u00e1bito curto para n\u00e3o assustar as pessoas e evitava as invectivas, as viol\u00eancias verbais. Chamava os seus advers\u00e1rios de \u00abirm\u00e3os\u00bb, \u00abfilhos da Igreja em disposi\u00e7\u00e3o\u00bb, \u00abirm\u00e3os em esperan\u00e7a da mesma voca\u00e7\u00e3o \u00e0 salva\u00e7\u00e3o\u00bb, sem se deixar impressionar pelas acusa\u00e7\u00f5es de \u00abadula\u00e7\u00e3o\u00bb. Os outros mission\u00e1rios, especialmente os capuchinhos, usavam um rem\u00e9dio amargo, relata Camus, procurando fazer-se temer, utilizando palavras como \u00abincircuncisos, rebeldes \u00e0 luz, obstinados, ra\u00e7a de v\u00edboras, membros podres, filhos do diabo e das trevas\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>O nosso bem-aventurado Pai seguia um caminho totalmente diferente, e apanhava mais moscas com uma colher daquele mel que lhe era t\u00e3o habitual, do que todos estes com barris de vinagre. O seu comportamento externo e o seu interno eram todos de acomoda\u00e7\u00e3o, as suas palavras, os seus gestos e as suas a\u00e7\u00f5es de complac\u00eancia. Se os outros queriam fazer-se temer, ele desejava fazer-se amar e entrar nos esp\u00edritos atrav\u00e9s da porta da complac\u00eancia.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Francisco preocupava-se tamb\u00e9m com a convers\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o dos jovens. Vendo que na igreja de Santo Hip\u00f3lito estavam pouco presentes, procurou uma forma de \u00abatrair a juventude da cidade com a qual n\u00e3o conseguia superar a dificuldade, mesmo que j\u00e1 tivesse alguns ne\u00f3fitos, mas mais em segredo do que a descoberto\u00bb. Redigiu um pequeno catecismo dialogado com perguntas e respostas, e pediu ao irm\u00e3o Bernard, que viera visit\u00e1-lo, para dar as respostas diante do p\u00fablico convidado naquela ocasi\u00e3o (16 de julho de 1596). Francisco dava catequese o mais frequentemente poss\u00edvel, em p\u00fablico ou em casas particulares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Os escritos<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Dom Bosco mencionava tamb\u00e9m o papel dos escritos como meio de convers\u00e3o, em particular as folhas volantes, mais tarde reunidas num livro. O t\u00edtulo <em><i>Controv\u00e9rsias<\/i><\/em>, dado ao conjunto daquelas folhas soltas, \u00e9 dos editores e n\u00e3o do autor, que as chamava de <em><i>Memorial<\/i><\/em>. Os editores quiseram sublinhar o car\u00e1ter da obra, aludindo aos pontos convergentes com as <em><i>Controversiae<\/i><\/em> do cardeal Belarmino.<\/p>\n<p>O tom geral de Francisco de Sales \u00e9 vivaz, incisivo, at\u00e9 pol\u00eamico, sobretudo quando trata de Lutero, de Calvino e dos seus s\u00f3cios. Mas quando se dirige aos \u00abSenhores de Thonon\u00bb, f\u00e1-lo com grande benevol\u00eancia e compaix\u00e3o. \u00abAsseguro-vos \u2013 assim escreve \u2013 que nunca podereis ler um escrito a v\u00f3s dirigido por algu\u00e9m que seja mais afei\u00e7oado ao vosso servi\u00e7o espiritual do que eu\u00bb.<\/p>\n<p>O objetivo principal do autor \u00e9 demonstrar que todos aqueles que est\u00e3o separados da Igreja de Roma vivem no erro. Ap\u00f3s uma carta sentida aos \u00abSenhores de Thonon\u00bb, e uma premissa sobre o tema do esc\u00e2ndalo, o livro apresenta-se em tr\u00eas partes.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 uma defesa da autoridade da Igreja. Francisco de Sales mostra que os ministros n\u00e3o receberam a sua miss\u00e3o, nem do povo, nem dos pr\u00edncipes seculares, nem dos bispos cat\u00f3licos, e n\u00e3o podem pretender uma miss\u00e3o extraordin\u00e1ria. Depois, os ministros est\u00e3o no erro sobre a natureza da Igreja. A Igreja \u00e9 vis\u00edvel, e cont\u00e9m bons e maus; a Igreja n\u00e3o pode perecer; nunca permaneceu escondida, e n\u00e3o pode errar. A verdadeira Igreja deve ser una, santa, acompanhada de milagres e do esp\u00edrito de profecia, voltada para a perfei\u00e7\u00e3o da vida evang\u00e9lica, universal e perp\u00e9tua, fecunda e apost\u00f3lica.<\/p>\n<p>Na segunda parte, o autor descreve as oito normas da f\u00e9 que foram violadas pelos chefes da Reforma: antes de tudo a Sagrada Escritura, depois as tradi\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas, a autoridade da Igreja, a dos Conc\u00edlios, dos antigos Padres, do Papa, dos milagres e da raz\u00e3o natural.<\/p>\n<p>Na terceira parte, o autor prop\u00f5e-se a resolver, \u00e0 luz unicamente da \u00abpura e simples palavra de Deus\u00bb, alguns pontos particulares que causavam dificuldade com os protestantes: os sacramentos, especialmente a eucaristia, a confiss\u00e3o e o matrim\u00f4nio, o culto dos santos, as cerim\u00f4nias da Igreja, o m\u00e9rito das obras, a justifica\u00e7\u00e3o e as indulg\u00eancias. Mas desta parte restam apenas dois cap\u00edtulos: um sobre os sacramentos, e o outro, n\u00e3o previsto, sobre o purgat\u00f3rio.<\/p>\n<p>As <em><i>Controv\u00e9rsias<\/i><\/em> s\u00e3o uma obra apolog\u00e9tica e teol\u00f3gica. Ali\u00e1s, h\u00e1 quem seja do parecer que seria a obra mais teol\u00f3gica que possu\u00edmos do doutor da Igreja. De fato, elas exp\u00f5em de maneira clara e convicta a natureza e a miss\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p>O outro escrito daquele per\u00edodo chama-se: <em><i>Defesa do Estandarte da Santa Cruz<\/i><\/em>. Esta obra de Francisco de Sales \u00e9, como a anterior, de natureza apolog\u00e9tica e pol\u00eamica e nasceu tamb\u00e9m no per\u00edodo do seu apostolado no Chablais. Em setembro de 1597, com a ajuda do P. Querubim, capuchinho, havia organizado uma grande manifesta\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica (as Quarenta Horas) em Annemasse, em frente a Genebra. Um dos pontos do programa previa a ere\u00e7\u00e3o de uma grande cruz. Foi um momento de grande triunfo, tamb\u00e9m porque muitos protestantes retornaram ao catolicismo.<\/p>\n<p>Para convidar a popula\u00e7\u00e3o \u00e0 venera\u00e7\u00e3o da cruz e explicar o seu sentido, os mission\u00e1rios haviam composto tr\u00eas manifestos (<em><i>placards<\/i><\/em>). Genebra reagiu confiando ao ministro Ant\u00f4nio de La Faye a reda\u00e7\u00e3o de uma resposta, que ser\u00e1 intitulada: \u00ab<em><i>Breve tratado da virtude da Cruz e do modo de honr\u00e1-la<\/i><\/em>\u00bb. Para os calvinistas, de fato, a \u00abadora\u00e7\u00e3o\u00bb da cruz por parte dos cat\u00f3licos era considerada uma idolatria ou supersti\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m por este motivo haviam destru\u00eddo por toda parte os crucifixos e os calv\u00e1rios.<\/p>\n<p>Francisco escreveu ent\u00e3o uma resposta ao ministro protestante, intitulada <em><i>Defesa do Estandarte da Santa Cruz<\/i><\/em>. A obra comporta quatro livros. O primeiro trata da honra e virtude da verdadeira cruz; o segundo da honra e virtude da imagem da cruz; o terceiro da honra e virtude do sinal da cruz; e o quarto da qualidade da honra que \u00e9 devida \u00e0 cruz. Neste livro, S\u00e3o Francisco de Sales nos revela o seu amor pela Cruz de Jesus, o lugar que ela ocupa no seu pensamento, na sua vida, na sua a\u00e7\u00e3o. O mission\u00e1rio do Chablais avan\u00e7a sob o estandarte da Cruz, planta-a n\u00e3o apenas nas mentes e nos cora\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m nas pra\u00e7as p\u00fablicas e nas grandes estradas; por toda parte quer restaurar os calv\u00e1rios profanados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Dom Bosco colocou justamente em evid\u00eancia os quatro meios de que se serviu o nosso mission\u00e1rio: paci\u00eancia, prega\u00e7\u00f5es, escritos e milagres. Na vida e na a\u00e7\u00e3o do disc\u00edpulo piemont\u00eas do santo saboiano, especialmente na sua miss\u00e3o educativa para com a juventude, podemos reencontrar estes elementos fundamentais com algumas acentua\u00e7\u00f5es particulares.<\/p>\n<p>A paci\u00eancia e a amabilidade s\u00e3o tra\u00e7os caracter\u00edsticos do m\u00e9todo preventivo de Dom Bosco na educa\u00e7\u00e3o da juventude. Em 1880, Dom Bosco dir\u00e1 aos seus ex-alunos sacerdotes: \u00abNunca esque\u00e7ais a do\u00e7ura dos modos; ganhai os cora\u00e7\u00f5es dos jovens por meio do amor; lembrai-vos sempre da m\u00e1xima de S\u00e3o Francisco de Sales: apanham-se mais moscas com um prato de mel do que com um barril de vinagre\u00bb.<\/p>\n<p>As prega\u00e7\u00f5es na igreja, fora da igreja, no p\u00e1tio, nas pra\u00e7as, ou seja, os discursos, encontros, di\u00e1logos com os jovens s\u00e3o fundamentais.<\/p>\n<p>E quando lan\u00e7ou ao p\u00fablico as suas <em><i>Leituras Cat\u00f3licas<\/i><\/em>, o exemplo do santo saboiano certamente o inspirou. Tendo de responder a Pio IX sobre as suas atividades em Turim, Dom Bosco indicou estas duas: a educa\u00e7\u00e3o da juventude e as <em><i>Leituras Cat\u00f3licas<\/i><\/em>.<\/p>\n<p>No que diz respeito aos milagres, \u00e9 certo que a ressurrei\u00e7\u00e3o do menino de Thonon esteve na origem da convers\u00e3o de toda a fam\u00edlia e de muitas pessoas de Thonon. Tamb\u00e9m a Dom Bosco foram atribu\u00eddos numerosos milagres: curas, multiplica\u00e7\u00f5es de h\u00f3stias e castanhas, sonhos e vis\u00f5es prof\u00e9ticas.<\/p>\n<p>O exemplo de S\u00e3o Francisco de Sales inspirou Dom Bosco de v\u00e1rias maneiras, certamente porque ambos eram animados por um forte esp\u00edrito mission\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Bosco viu em S\u00e3o Francisco de Sales n\u00e3o apenas um mestre de do\u00e7ura, mas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":54129,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":1,"footnotes":""},"categories":[167],"tags":[2565,2561,1821,2570,2228,2025],"class_list":["post-54142","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nossos-santos","tag-caridade","tag-carisma-salesiano","tag-graca","tag-igreja","tag-santos","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54142"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54142\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54143,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54142\/revisions\/54143"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54129"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}