{"id":53941,"date":"2026-07-03T06:11:11","date_gmt":"2026-07-03T06:11:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=53941"},"modified":"2026-07-03T06:11:53","modified_gmt":"2026-07-03T06:11:53","slug":"tres-ilustres-juizes-1860","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/sonhos-de-dom-bosco\/tres-ilustres-juizes-1860\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas ilustres ju\u00edzes (1860)"},"content":{"rendered":"<p><em>Nas tr\u00eas noites que antecederam o \u00faltimo dia de 1860, Dom Bosco, como ele chama, teve tr\u00eas sonhos, que n\u00f3s, com toda a seguran\u00e7a, por aquilo que j\u00e1 vimos, ouvimos e temos experimentado, podemos chamar de vis\u00f5es celestes. Foi o mesmo sonho repetido tr\u00eas vezes, mas sempre com detalhes diferentes. Vejamos em r\u00e1pidos tra\u00e7os como nosso bom pai o contou na derradeira noite de 1860 a todos os jovens reunidos. Ele falou assim:<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>I.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em tr\u00eas noites consecutivas encontrei-me num campo em Rivalta junto com o P. Cafasso, com S\u00edlvio P\u00e9llico e o Conde Cays. Passamos a primeira noite discorrendo sobre certos assuntos de religi\u00e3o especialmente relativos aos tempos atuais. A segunda noite versou sobre temas morais, em que escolhemos e falamos de casos de consci\u00eancia, particularmente em quest\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o da juventude. Visto que j\u00e1 por duas noites seguidas tive tal sonho, decidi cont\u00e1-lo aos meus queridos filhos, se sonhasse as mesmas coisas pela terceira vez. E eis que na noite de 30 para 31 de dezembro me encontrei novamente no mesmo local com os mesmos personagens. Deixando de lado outros assuntos, veio-me \u00e0 mem\u00f3ria que na noite do dia seguinte, a \u00faltima do ano, segundo o costume, eu devia apresentar a estreia, ou seja, as lembran\u00e7as aos meus caros filhos. Por isso dirigi-me ao P. Cafasso e lhe pedi:<\/p>\n<p>&#8211; O senhor que \u00e9 meu grande amigo, d\u00ea-me o senhor mesmo uma estreia para os meus filhos.<\/p>\n<p>Ele me respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; Oh! Devagar. Se quiser que eu lhe d\u00ea a estreia, v\u00e1 e diga antes de tudo aos seus jovens que preparem e ajustem suas contas.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s est\u00e1vamos numa grande sala no meio da qual havia uma mesa. P. Cafasso, S\u00edlvio P\u00e9llico e Conde Cays assentaram-se juntos \u00e0quela mesa. No entanto, eu, para obedecer ao P. Cafasso, sa\u00ed da sala e fui chamar os jovens que estavam fora, cada um fazendo c\u00e1lculos sobre uma p\u00e1gina que tinham nas m\u00e3os. Os jovens entravam um por vez tendo nas m\u00e3os seu papel no qual havia muitos n\u00fameros para somar e se apresentavam aos tr\u00eas personagens e lhes entregavam o pr\u00f3prio papel. Os personagens conferiam o papel e faziam a soma e, se estava exata e com clareza de n\u00fameros, devolviam-no a cada um. Rejeitavam-no e o devolviam se os n\u00fameros fossem confusos. Os primeiros eram aqueles que tinham suas contas acertadas. Os segundos eram os que as tinham embaralhadas. N\u00e3o eram poucos os que estavam entre estes \u00faltimos. Aqueles que recebiam sua p\u00e1gina bem acertadinha, sa\u00edam da sala contentes e iam para o p\u00e1tio para se divertirem. Os outros sa\u00edam tristes e angustiados. A multid\u00e3o dos jovens estava a esperar sua vez fora do umbral, todos com o papel na m\u00e3o. A fun\u00e7\u00e3o durou muito tempo, mas, finalmente, nenhum mais apareceu. Parecia que todos os jovens tinham se apresentado. A\u00ed Dom Bosco viu alguns que estavam a esperar, mas n\u00e3o entravam e perguntou ao P. Cafasso:<\/p>\n<p>&#8211; Mas esses a\u00ed est\u00e3o fazendo o qu\u00ea?<\/p>\n<p>&#8211; Estes, P. Cafasso respondeu, t\u00eam seu papel em branco, sem n\u00fameros e, portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer a soma porque aqui se trata de fazer a soma do que j\u00e1 se tem, daquilo que j\u00e1 foi feito. Por isso aqueles jovens devem ir preencher sua p\u00e1gina de n\u00fameros e depois voltar, e a\u00ed poderemos fazer a adi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Deste jeito foi poss\u00edvel encerrar aquela enormidade de contas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu e os tr\u00eas personagens sa\u00edmos daquela sala para o p\u00e1tio e vi um n\u00famero de jovens, aqueles cujos pap\u00e9is tinham sido encontrados cheios de n\u00fameros bem ordenados: eles corriam, saltavam, divertiam-se com um prazer fant\u00e1stico, todos contentes como pr\u00edncipes. Voc\u00eas nem podem imaginar o j\u00fabilo que eu senti com a alegria deles.<\/p>\n<p>Mas havia tamb\u00e9m um certo n\u00famero de jovens que n\u00e3o se divertiam e que ficavam observando os outros. N\u00e3o estavam muito contentes. Entre estes \u00faltimos, uns levavam uma bandagem sobre os olhos, outros uma n\u00e9voa, diversos uma nuvem escura ao redor da cabe\u00e7a. Alguns soltavam fuma\u00e7a pela cabe\u00e7a, uns tinham o cora\u00e7\u00e3o cheio de terra, outros mais o tinham vazio das coisas de Deus. Eu os vi e os conheci muito bem e ainda os tenho presentes na mente e poderia nome\u00e1-los um por um, do primeiro ao \u00faltimo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o percebi que no p\u00e1tio faltavam muitos dos meus jovens e pensei comigo: &#8211; Onde estar\u00e3o aqueles que tinham o papel totalmente em branco, vazio de n\u00fameros? Olho aqui, olho acol\u00e1 e finalmente voltei os olhos para um canto do p\u00e1tio. Oh! Que espet\u00e1culo deprimente! Vi um deitado no ch\u00e3o, p\u00e1lido como a morte. Outros sentados sobre um banquinho baixo e sujo, outros esbaldados sobre um enxerg\u00e3o repelente, outros no ch\u00e3o, outros acocorados sobre pedras que havia l\u00e1. Eram todos aqueles que n\u00e3o tinham ajustado suas contas. Estavam gravemente enfermos, uns doentes da l\u00edngua, alguns das orelhas, dos olhos. L\u00edngua, orelhas, olhos fervilhavam de vermes que os ro\u00edam. Um tinha a l\u00edngua toda podre, outro tinha a boca cheia de lama. Outro emanava da garganta um fedor pestilento. V\u00e1rias eram as perebas de outros infelizes. Algu\u00e9m tinha o cora\u00e7\u00e3o carunchado, outro estragado e j\u00e1 corrompido. Quem tinha uma chaga, quem outra. Havia um em estado de decomposi\u00e7\u00e3o. Parecia um verdadeiro hospital.<\/p>\n<p>Aquele espet\u00e1culo me deixou estarrecido, e n\u00e3o me convencia do que estava vendo. Tristemente exclamei: &#8211; Mas o que \u00e9 isto? Ent\u00e3o me aproximei de um daqueles infelizes e perguntei:<\/p>\n<p>&#8211; Mas voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 fulano?<\/p>\n<p>&#8211; Sim! Sim! Sou eu mesmo!<\/p>\n<p>&#8211; Mas como aconteceu ter chegado a este estado!? T\u00e3o machucado?<\/p>\n<p>&#8211; O que quer? \u00c9 farinha do meu saco. Veja! Isto \u00e9 fruto das minhas desordens.<\/p>\n<p>Aproximei-me de um segundo e recebi a mesma resposta. Este espet\u00e1culo pungia-me o cora\u00e7\u00e3o como agud\u00edssimo espinho, mas que se amenizou com a cena que vou narrar.<\/p>\n<p>Voltei-me para o P. Cafasso com o cora\u00e7\u00e3o vivamente enternecido e perguntei-lhe suplicante:<\/p>\n<p>&#8211; A que rem\u00e9dio devo recorrer para conseguir curar estes meus pobres jovens? Ele respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; O senhor, assim como eu, sabe o que tem que fazer. N\u00e3o h\u00e1 necessidade que eu lhe diga. Pense. Industrie-se.<\/p>\n<p>&#8211; D\u00ea ao menos a estreia para os sadios. Repliquei com o impulso de humilde mas confiante pedido.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o P. Cafasso me fez um sinal para acompanh\u00e1-lo e, aproximando-nos da sala de onde t\u00ednhamos sa\u00eddo, abriu uma porta e eis que diante de mim apareceu uma sala magn\u00edfica, toda recamada em ouro, prata e de muitos ornamentos preciosos, iluminada com milhares de l\u00e2mpadas de todos os lados, de onde sa\u00eda uma luz t\u00e3o viva que eu quase n\u00e3o podia fixar tal esplendor. Estendia-se a perder de vista no comprimento e na largura. No meio desta r\u00e9gia sala havia uma grande mesa coberta de doces de todas as marcas, biscoitos de am\u00eandoas de todo tamanho, biscoitos de um p\u00e9 e meio de altura, que um s\u00f3 seria suficiente para matar a fome de um jovem. Quando vi aquilo corri logo para chamar os jovens e convid\u00e1-los a rodear aquela mesa, para contemplar o magn\u00edfico espet\u00e1culo daquela sala. Mas o P. Cafasso me deteve logo e gritou:<\/p>\n<p>&#8211; Devagar! Nem todos podem comer daqueles biscoitos, das am\u00eandoas. Chame apenas aqueles que tiveram suas contas aprovadas.<\/p>\n<p>Assim eu fiz. Em pouco tempo a sala estava cheia. Ent\u00e3o eu me pus a cortar e distribuir aqueles biscoitos e as am\u00eandoas que eram muito belas. Mas o P. Cafasso se interp\u00f4s:<\/p>\n<p>&#8211; Devagar, Dom Bosco! Bem devagar. Nem todos aqueles que est\u00e3o aqui podem provar destes confeitos. Nem todos s\u00e3o dignos.<\/p>\n<p>Disse e mostrou-me quem fossem os indignos. Indicou em primeiro lugar os chagados, que nem mesmo se encontravam dentro da sala com os outros, porque suas contas estavam incompletas. Mostrou-me tamb\u00e9m aqueles que, embora tivessem suas contas em dia, tinham por\u00e9m a n\u00e9voa nos olhos ou o cora\u00e7\u00e3o repleto de terra ou vazios das coisas do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Mas eu logo, com ar suplicante, disse:<\/p>\n<p>&#8211; P. Cafasso, deixe que eu d\u00ea um pouco tamb\u00e9m para estes \u00faltimos. Eles tamb\u00e9m s\u00e3o meus filhos queridos, ainda mais que h\u00e1 abund\u00e2ncia e n\u00e3o existe perigo de que falte.<\/p>\n<p>Cafasso disse: &#8211; N\u00e3o! N\u00e3o! S\u00f3 aqueles que t\u00eam a boca sadia podem degustar. Os outros, n\u00e3o! N\u00e3o sabem degustar estes doces; n\u00e3o s\u00e3o feitos para estas do\u00e7uras, pois, tendo a boca depravada e cheia de amarguras, as coisas doces lhes causam nojo e n\u00e3o conseguem com\u00ea-las.<\/p>\n<p>&#8211; Sosseguei. A\u00ed comecei a distribuir aqueles biscoitos e as am\u00eandoas s\u00f3 para aqueles que me tinham sido indicados. Servidos todos lautamente numa primeira rodada, recomecei a distribuir de novo uma dose abundante desde o primeiro. Eu asseguro a voc\u00eas que me comprazia ao ver os jovens comer prazerosamente. Seus rostos refletiam a alegria. Nem pareciam mais os jovens do Orat\u00f3rio, t\u00e3o transfigurados estavam.<\/p>\n<p>Os que na sala tinham ficado sem doces, estavam num canto da sala macamb\u00fazios e confusos. Tomado por grande compaix\u00e3o dirigi-me novamente ao P. Cafasso. Pedi repetidas vezes que permitisse que fossem distribu\u00eddos doces a eles tamb\u00e9m para que pudessem apreci\u00e1-los. Ele foi inflex\u00edvel:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o! N\u00e3o! Aqueles l\u00e1 n\u00e3o podem comer. Fa\u00e7a-os sarar e ent\u00e3o poder\u00e3o saciar-se.<\/p>\n<p>Eu olhava aqueles pobres coitados. Olhava tamb\u00e9m aqueles in\u00fameros que tinham ficado fora da porta, feridos, aos quais tamb\u00e9m n\u00e3o havia sido dado nada. Reconheci-os todos e vi que alguns deles tinham o cora\u00e7\u00e3o carunchado. Voltei ao P. Cafasso:<\/p>\n<p>&#8211; Mas me diga ent\u00e3o: Qual rem\u00e9dio devo empregar? Diga-me o que devo fazer para sarar aqueles meus filhos?<\/p>\n<p>Ele respondeu: &#8211; Pense! Industrie-se! O senhor sabe!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu acabei pedindo que tivesse a gentileza de me dar a estreia prometida aos meus jovens.<\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e1 bem! Vou dizer.<\/p>\n<p>E ajeitando-se como quem iria partir, por bem tr\u00eas vezes, com voz cada vez mais forte, gritou:<\/p>\n<p>&#8211; Fiquem atentos! Fiquem atentos! Fiquem atentos!<\/p>\n<p>E falando daquele jeito, ele e seus companheiros desapareceram e tamb\u00e9m acabou meu sonho. Ent\u00e3o fiquei acordado como voc\u00eas est\u00e3o me vendo falar e me encontrei sentado na cama com as costas frias que nem gelo.<\/p>\n<p>Este foi o meu sonho. Agora cada um o interprete como quiser. Saibam sempre dar a um sonho o valor que ele merece. Mas se houver alguma coisa que possa ser \u00fatil para as nossas almas, aceitemo-la. N\u00e3o gostaria que algu\u00e9m contasse este sonho fora do Orat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Eu o contei a voc\u00eas porque s\u00e3o meus filhos, mas n\u00e3o quero que o contem a outras pessoas. Contudo eu posso assegurar que ainda tenho presente cada um de voc\u00eas como vi no sonho, sei dizer quem estava doente e quem n\u00e3o, quem comia e quem n\u00e3o. N\u00e3o vou agora, aqui em p\u00fablico, dizer o estado de cada um, mas reservo-me diz\u00ea-lo a todos em particular. A estreia que deixo \u00e9 geral para todos do Orat\u00f3rio e \u00e9 esta: <em>Frequente e sincera confiss\u00e3o, frequente e devota comunh\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p><em>(MB [Brasil], 755-762)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>II.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dia 13 \u2013 Dom Bosco disse depois das ora\u00e7\u00f5es: \u2014 No ponto em que se encontram as coisas eu me vejo obrigado a falar e tirar o v\u00e9u do sonho. Eu tinha dito a voc\u00eas que este sonho extraordin\u00e1rio se deu em tr\u00eas noites seguidas.<\/p>\n<p>Na primeira vez sonhei e era o dia 28 de dezembro. O sonho se repetiu nas noites de 29 e 30. Na primeira noite trataram-se pontos e quest\u00f5es de Teologia relativos ao tempo atual, ou seja, coisas da atualidade, e obtive muitos esclarecimentos.<\/p>\n<p>Na segunda noite surgiram quest\u00f5es de moral tamb\u00e9m relativas ao tempo presente e sobre casos de consci\u00eancia dos jovens do Orat\u00f3rio.<\/p>\n<p>E na terceira noite foram casos pr\u00e1ticos com que consegui conhecer o \u00edntimo moral de cada jovem em particular. No primeiro dia eu n\u00e3o quis dar ouvidos, porque o Senhor o pro\u00edbe na Sagrada Escritura. Mas transcorridos estes dias, depois de ter feito algumas experi\u00eancias, depois de ter tomado diversos jovens \u00e0 parte e de ter dito as coisas tais e quais tinha visto no sonho, e que eles me asseguraram serem mesmo assim, ent\u00e3o eu n\u00e3o tive mais d\u00favidas de que esta era uma gra\u00e7a fora do comum que o Senhor est\u00e1 concedendo a todos os filhos do Orat\u00f3rio. Por isso eu me encontro na obriga\u00e7\u00e3o de dizer a voc\u00eas que o Senhor os chama e lhes faz ouvir sua voz, e ai de quem resistir.<\/p>\n<p>O P. Cafasso fez todos irem para uma sala e deu a todos um papel. Alguns tinham todas as contas acertadas. Alguns tinham os n\u00fameros, mas ainda n\u00e3o tinham feito as contas. \u2014 Todos tinham pego o papel? \u2014 N\u00e3o! Muitos ficaram fora, uns deitados em enxerg\u00f5es, outros sentados em bancos, alguns no ch\u00e3o e na lama. Uns tantos cobertos de p\u00fastulas e feridas que causavam asco.<\/p>\n<p>Aqueles que pegaram seu papel sa\u00edram para o recreio, mas nem todos se divertiam, porque muitos tinham uma n\u00e9voa ao redor dos olhos, uns estavam com os olhos vendados e outros com o cora\u00e7\u00e3o todo carunchado.<\/p>\n<p>Aqueles que tinham seu papel acertado s\u00e3o os que t\u00eam a consci\u00eancia em ordem.<\/p>\n<p>Os que tinham o papel, mas n\u00e3o completo, s\u00e3o os que t\u00eam a consci\u00eancia em ordem, mas falta ainda a soma da \u00faltima confiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Os que tinham os olhos envoltos em n\u00e9voa ou vendados s\u00e3o os movidos pelo esp\u00edrito de soberba e de amor-pr\u00f3prio. Os que estavam esbaldados eu saberia nome\u00e1-los um por um e dizer porque estavam sobre colch\u00f5es, nos bancos ou pelo ch\u00e3o. Vi o interior dos cora\u00e7\u00f5es. Muitos tinham o cora\u00e7\u00e3o repleto de coisas bonitas: rosas, l\u00edrios, violetas fragrantes. Tais flores denotavam as diversas virtudes. Mas, e os outros!? Os de cora\u00e7\u00e3o carunchado s\u00e3o os que alimentam rancores, \u00f3dios, invejas, antipatias etc. etc.<\/p>\n<p>Alguns tinham o cora\u00e7\u00e3o cheio de v\u00edboras, ind\u00edcio de muitos pecados mortais. Outros o tinham cheio de terra, e s\u00e3o os que o t\u00eam preso \u00e0s coisas da terra, \u00e0s coisas sensuais. Muitos possu\u00edam um cora\u00e7\u00e3o vazio, s\u00e3o os que est\u00e3o em gra\u00e7a de Deus, n\u00e3o est\u00e3o amarrados \u00e0s coisas terrenas e sensuais, mas n\u00e3o procuram ench\u00ea-lo do temor de Deus atrav\u00e9s das pr\u00e1ticas de piedade. Vivem distraidamente e se n\u00e3o trope\u00e7arem no primeiro la\u00e7o armado pelo dem\u00f4nio, todavia, pouco a pouco, tornar-se-\u00e3o maus.<\/p>\n<p>Portanto, aqueles que ainda n\u00e3o t\u00eam as coisas da alma ajustadas, por favor, n\u00e3o esperem mais para acert\u00e1-las. Venham! Prometam-me ao menos n\u00e3o esconder-me coisa alguma que eu perguntar, porque, se eles n\u00e3o quiserem dizer, eu direi para eles. Sinto-me na condi\u00e7\u00e3o de dizer a cada um seu passado, o presente e tamb\u00e9m um pouco do futuro. Eu digo a voc\u00eas neste momento certas coisas que n\u00e3o deveria dizer. Queridos jovens, tenho horror em pensar nisso. Asseguro-lhes que eu nunca teria acreditado que em nossa casa houvesse tantos jovens que tivessem as coisas da consci\u00eancia t\u00e3o desordenadas, t\u00e3o mal acertadas. N\u00e3o, n\u00e3o, eu n\u00e3o teria acreditado nunca!<\/p>\n<p>Havia muitos dos chagados espalhados pelo ch\u00e3o! Eu garanto a voc\u00eas que passei noites e dias terr\u00edveis. Louvo aqueles que j\u00e1 pensaram em ajustar suas contas de consci\u00eancia. Muitos ainda n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed! \u2014 Dom Bosco disse estas coisas com voz comovida, grossas l\u00e1grimas lhe rolavam dos olhos. Depois de breve pausa desejou uma boa noite. N\u00e3o foram poucos os jovens que tamb\u00e9m choraram. Estas palavras produziram o efeito esperado.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Ruffino &#8211; 15 de janeiro \u2013 Os aprendizes continuam a fazer sua confiss\u00e3o geral.<\/p>\n<p>Hoje alguns fizeram esta pergunta a Dom Bosco:<\/p>\n<p>&#8211; Como \u00e9 que, tendo sido o primeiro sonho antes do Natal, o senhor n\u00e3o no-lo contou?<\/p>\n<p>&#8211; Direi aquilo que j\u00e1 disse. Eu tive aquele sonho, mas por um lado n\u00e3o quis dar-lhe import\u00e2ncia. Por outro, considerava-o muito importante e ponderei muito bem o caso. Depois chamei um jovem que tinha visto no sonho e que era um dos mais horrivelmente chagados e lhe disse: &#8211; Voc\u00ea est\u00e1 com a consci\u00eancia deste jeito. De acordo com o que tinha visto no sonho. Ele respondeu que seu estado era realmente aquele. Chamei outro e verifiquei que as respostas dele coincidiam com o que tinha visto no sonho. Examinei um terceiro e vi meu sonho confirmar-se. Ent\u00e3o n\u00e3o duvidei mais. Naquele sonho eu pude conhecer o estado de consci\u00eancia de todos os jovens, o estado atual e tamb\u00e9m o futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dom Bosco disse tamb\u00e9m a uns poucos: \u2014 Eu tive tamb\u00e9m maiores conhecimentos sobre Teologia naquelas tr\u00eas noites, mais do que aprendi em todo o tempo em que estudei no Semin\u00e1rio.<\/p>\n<p><em>(MB [Brasil], <\/em><em>769-772)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas tr\u00eas noites que antecederam o \u00faltimo dia de 1860, Dom Bosco, como ele chama,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":53924,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":3,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[1749,2577,1827,2228,2230,2025],"class_list":["post-53941","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sonhos-de-dom-bosco","tag-conselhos","tag-dom-bosco","tag-gracas-obtidas","tag-santos","tag-sonhos","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53941"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53941\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53942,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53941\/revisions\/53942"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}