{"id":53461,"date":"2026-05-28T06:37:44","date_gmt":"2026-05-28T06:37:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=53461"},"modified":"2026-05-28T06:45:23","modified_gmt":"2026-05-28T06:45:23","slug":"conhecamos-dom-bosco-9-um-pai-amoroso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/dom-bosco\/conhecamos-dom-bosco-9-um-pai-amoroso\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7amos Dom Bosco (9). Um pai amoroso"},"content":{"rendered":"<p><em><i>Dom Bosco soube conquistar os jovens pobres n\u00e3o s\u00f3 por seus talentos exteriores, mas sobretudo por uma profunda sintonia afetiva nascida de sua experi\u00eancia pessoal de \u00f3rf\u00e3o e de abandono. As feridas emocionais da inf\u00e2ncia alimentaram nele uma natural solidariedade com os rapazes sozinhos e um intenso desejo, mesmo que inconsciente, de ser um pai para eles. Ele escolheu viver para os jovens, manifestando-lhes um amor expl\u00edcito, est\u00e1vel e reconfortante, antecipando as intui\u00e7\u00f5es da psicologia moderna sobre a import\u00e2ncia de se sentir amado.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>Porque ele sabia dizer \u201cpara sempre\u201d.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dom Bosco teve sucesso com os jovens pobres e abandonados porque era um padre simp\u00e1tico, atl\u00e9tico e malabarista. Mas, acima de tudo, ele os conquistou porque era capaz de sintonizar-se inconscientemente com eles por ter sido ele mesmo, por sua vez, abandonado, \u00f3rf\u00e3o, sem comida, sem teto e com uma grande necessidade de afeto. Em outras palavras, sua capacidade natural de se conectar com os jovens foi consequ\u00eancia de um processo inconsciente de solidariedade emocional com eles. Muitas vezes, o amor nasce justamente da compreens\u00e3o e do compartilhamento do mesmo sofrimento, do mesmo problema.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos motivos conscientes, portanto, tamb\u00e9m contaram as motiva\u00e7\u00f5es inconscientes, porque durante a primeira parte de sua vida ele encontrou muitos \u201cpais bons\u201d, mas sempre os perdeu, principalmente devido \u00e0 morte deles, alimentando periodicamente uma profunda \u201cang\u00fastia de abandono\u201d. Tais experi\u00eancias dolorosas corresponderam, assim, a um cont\u00ednuo \u201cremexer na ferida\u201d, o que certamente contribuiu para dot\u00e1-lo, mesmo na vida adulta, de uma grande disponibilidade para com quem precisava de um pai.<\/p>\n<p>Sua repetida experi\u00eancia de \u00f3rf\u00e3o biol\u00f3gico e afetivo o levou, portanto, n\u00e3o apenas \u00e0 busca de pais, mas tamb\u00e9m de filhos, porque Dom Bosco havia experimentado na pr\u00f3pria pele que a necessidade de calor familiar \u00e9 uma exig\u00eancia do rapaz e que, quando falta, o jovem sofre e chora por isso. Quando adolescente, ap\u00f3s a morte do Padre Calosso, ele n\u00e3o conseguia estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o familiar com as \u00fanicas figuras paternas que lhe eram poss\u00edveis, o p\u00e1roco e o vig\u00e1rio; ao encontr\u00e1-lo na rua, limitavam-se a responder ao seu cumprimento. Dom Bosco escreveu: \u00abMuitas vezes, chorando, dizia a mim mesmo e tamb\u00e9m a outros: \u201cSe eu fosse padre, gostaria de fazer diferente; gostaria de me aproximar das crian\u00e7as, dizer-lhes boas palavras, dar-lhes bons conselhos. Como eu seria feliz se pudesse conversar um pouco com o meu p\u00e1roco\u201d\u00bb (MOp, 56).<\/p>\n<p>Justamente por ter vivido esses estados emocionais, quando adulto, ele amou os jovens e os ajudou, especialmente se estivessem sozinhos. Mas essa disponibilidade consciente para compreend\u00ea-los e aliviar sua dor pela perda afetiva correspondia tamb\u00e9m a um desejo inconsciente seu de ajudar tantos \u201ceus sozinhos\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso tamb\u00e9m ter em mente que Dom Bosco foi o \u201cpai da juventude\u201d tamb\u00e9m por uma motiva\u00e7\u00e3o de tipo biol\u00f3gico. Todo homem, de fato, sente a necessidade de enriquecer sua personalidade atrav\u00e9s da de um filho. Dom Bosco, por\u00e9m, havia sublimado, no contexto do celibato consagrado, o potencial afetivo da paternidade biol\u00f3gica em uma paternidade afetiva (entendendo por paternidade a capacidade de exercer aquelas fun\u00e7\u00f5es afetivas e pr\u00e1ticas para criar os filhos), de modo que a sua foi uma paternidade psicol\u00f3gica e material que se transmite com o amor. Ele n\u00e3o se limitou, portanto, a abrigar e a prover materialmente os jovens, mas exerceu em rela\u00e7\u00e3o a eles um papel que n\u00e3o coincidia com o da figura paterna na fam\u00edlia patriarcal de seu tempo, onde a \u201camorosidade\u201d era uma fraqueza, enquanto o \u201cfazer-se temer\u201d era um atestado de m\u00e9rito.<\/p>\n<p>Dom Bosco, de fato, escolheu viver com os jovens e dedicar a eles toda a sua vida. Mas tamb\u00e9m foi, cotidianamente, um pai \u201cem tempo integral\u201d, que pensava em seus \u201cfilhos\u201d dia e noite, mesmo quando dormia, pois frequentemente sonhava com eles, continuando \u00e0s vezes na cena do sonho o que havia pensado enquanto estava acordado. Sofria por estar longe deles, a ponto de desobedecer aos superiores e arriscar a sa\u00fade para retornar ao Orat\u00f3rio o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Em 1846, ap\u00f3s a grave doen\u00e7a que o levou \u00e0 beira da morte, ele encurtou a convalescen\u00e7a na casa de sua m\u00e3e em Murialdo para retornar a Valdocco.<\/p>\n<p>\u00abEu teria prolongado minha estadia naquele lugar natal, mas os jovens come\u00e7aram a vir em bandos para me visitar, a ponto de n\u00e3o ser mais poss\u00edvel ter nem descanso nem tranquilidade. Todos me aconselhavam a passar pelo menos alguns anos fora de Turim, em lugares desconhecidos, para tentar recuperar a sa\u00fade de antes. O P. Cafasso e o Arcebispo eram dessa opini\u00e3o. Mas como isso me causava um desgosto muito grande, foi-me permitido vir ao Orat\u00f3rio com a obriga\u00e7\u00e3o de que por dois anos eu n\u00e3o participasse mais nem das confiss\u00f5es nem da prega\u00e7\u00e3o. Eu desobedeci. Retornando ao Orat\u00f3rio, continuei a trabalhar como antes e por 27 anos n\u00e3o precisei mais nem de m\u00e9dico, nem de rem\u00e9dios. O que me fez acreditar que n\u00e3o \u00e9 o trabalho que prejudica a sa\u00fade corporal\u00bb (MOp, 207).<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m a carta escrita por Dom Bosco anos depois, em 9 de fevereiro de 1872, de Alassio (ap\u00f3s outra grave doen\u00e7a) ao P. Miguel Rua, testemunha como esse \u201cquerer bem\u201d nunca diminuiu:<\/p>\n<p>\u00ab&#8230; na pr\u00f3xima quinta-feira, se Deus quiser, estarei em Turim. Sinto uma grande necessidade de ir para l\u00e1. Eu vivo aqui com o corpo, mas meu cora\u00e7\u00e3o, meus pensamentos e at\u00e9 minhas palavras est\u00e3o sempre no Orat\u00f3rio, no meio de voc\u00eas. \u00c9 uma fraqueza, mas n\u00e3o consigo venc\u00ea-la\u00bb (E, II, 193).<\/p>\n<p>Na maneira de amar os jovens, Dom Bosco antecipou as descobertas da psicologia infantil, afirmando: \u00abQue os jovens n\u00e3o s\u00f3 sejam amados, mas que eles mesmos saibam que s\u00e3o amados\u00bb (MBp, XVII, 93). Ou seja, o rapaz deve sentir e conhecer o afeto do adulto, porque se pode amar de maneira verdadeira e profunda o quanto se queira, mas se isso n\u00e3o for manifestado, ele n\u00e3o o percebe. Se, de fato, esse amor n\u00e3o for demonstrado concretamente, se n\u00e3o for al\u00e9m das apar\u00eancias formais, as consequ\u00eancias podem ser dram\u00e1ticas pela conclus\u00e3o inevit\u00e1vel a que ele chega: \u201cNingu\u00e9m me ama porque n\u00e3o valho nada\u201d.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m na vida adulta, encontramos o sentido de nossa exist\u00eancia em sermos amados pelos outros. Todos gostam de ser amados, respeitados, ajudados, elogiados, \u00e0s vezes at\u00e9 um pouco adulados; \u00e0s vezes, alguns elogios s\u00e3o um direito para alimentar na medida certa nosso narcisismo saud\u00e1vel. Quanto mais nos sentimos amados, mais estamos convencidos de que valemos. De fato, nos amamos se fomos amados; gostamos de n\u00f3s mesmos se agradamos aos outros; amamos nosso corpo se ele \u00e9 apreciado e amado pelos outros.<\/p>\n<p>Os afetos constituem a subst\u00e2ncia da vida, e a busca por reconhecimento, aceita\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o por parte dos outros faz parte da normalidade psicol\u00f3gica. Al\u00e9m disso, s\u00e3o \u00fateis para a economia ps\u00edquica porque, quando permanecem no n\u00edvel do desejo, fazem-nos sentir \u00f3rf\u00e3os por toda a vida.<\/p>\n<p>Dom Bosco, portanto, queria com raz\u00e3o um afeto \u201cdeclarado\u201d. Justamente por estar profundamente convencido disso, muitas vezes, ao aceitar um novo jovem, ele o acolhia dizendo: \u00abVem, eu serei um pai para ti\u00bb (MBp, IV, 265). N\u00e3o apenas \u201cserei um pai para ti\u201d por um dia, um m\u00eas ou um ano, mas \u201cpara sempre\u201d. O rapaz, de fato, n\u00e3o s\u00f3 deve saber que o adulto o ama de maneira psicologicamente madura, mas tamb\u00e9m deve ser tranquilizado sobre a continuidade desse afeto.<\/p>\n<p>Dom Bosco havia passado por uma dolorosa sequ\u00eancia de frustra\u00e7\u00f5es afetivas (perda do pai, maus-tratos do meio-irm\u00e3o Ant\u00f4nio, morte s\u00fabita do Padre Calosso etc.); ele havia, portanto, intu\u00eddo que n\u00e3o bastava amar, mas que era fundamental, al\u00e9m da qualidade afetiva, tamb\u00e9m a continuidade, que tranquiliza e conforta quem precisa crescer. H\u00e1 um epis\u00f3dio muito significativo a esse respeito, ocorrido em 1854, durante a epidemia de c\u00f3lera. Entre os rapazes que ficaram \u00f3rf\u00e3os, um se chamava Pedro Enria. Lemos o testemunho do pr\u00f3prio protagonista, que descreveu seu encontro com Dom Bosco ocorrido no orfanato provis\u00f3rio, aberto com urg\u00eancia pela prefeitura de Turim perto da igreja de S\u00e3o Domingos.<\/p>\n<p>\u00abEu conheci o Servo de Deus em setembro de 1854 no Convento dos Dominicanos, onde, por cuidado de um comit\u00ea, \u00e9ramos reunidos n\u00f3s, crian\u00e7as que ficamos \u00f3rf\u00e3s por causa da c\u00f3lera que assolava. L\u00e1, um dia, veio Dom Bosco nos visitar (\u00e9ramos cerca de cem), acompanhado pelo Diretor do Orfanato. Eu nunca o tinha visto, ele tinha um ar risonho e cheio de bondade, que se fazia amar antes mesmo de falar com ele, deu um sorriso a todos e depois perguntava nome e sobrenome, se sab\u00edamos o catecismo, se t\u00ednhamos nos confessado e se j\u00e1 t\u00ednhamos feito a primeira comunh\u00e3o, e todos respond\u00edamos com confian\u00e7a. Finalmente, ele passou perto de mim, e eu senti meu cora\u00e7\u00e3o bater n\u00e3o por medo, mas pelo afeto que sentia por ele, perguntou meu nome e sobrenome e depois me disse: \u201cQueres vir comigo, seremos sempre bons amigos, at\u00e9 que possamos ir para o Para\u00edso, est\u00e1s contente?\u201d \u2013 E eu respondi: \u2013 \u201cOh sim, senhor\u201d; depois acrescentou: \u2013 e este que est\u00e1 contigo \u00e9 teu irm\u00e3o? \u2013 Sim, senhor, respondi: \u2013 Pois bem, ele tamb\u00e9m vir\u00e1\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>Giacomo DACQUINO, Psicologia de Dom Bosco, p\u00e1g. 96<\/i><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Bosco soube conquistar os jovens pobres n\u00e3o s\u00f3 por seus talentos exteriores, mas sobretudo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":53448,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":2,"footnotes":""},"categories":[173],"tags":[2565,2561,2577,1815,2226,2228,2025],"class_list":["post-53461","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dom-bosco","tag-caridade","tag-carisma-salesiano","tag-dom-bosco","tag-juventude","tag-salesianos","tag-santos","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53461"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53461\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53468,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53461\/revisions\/53468"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53448"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}