{"id":53306,"date":"2026-05-08T07:38:12","date_gmt":"2026-05-08T07:38:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=53306"},"modified":"2026-05-08T07:38:50","modified_gmt":"2026-05-08T07:38:50","slug":"a-santidade-salesiana-na-historia-aspectos-que-emergem-nos-processos-de-beatificacao-das-filhas-de-maria-auxiliadora-fma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/reflexoes\/a-santidade-salesiana-na-historia-aspectos-que-emergem-nos-processos-de-beatificacao-das-filhas-de-maria-auxiliadora-fma\/","title":{"rendered":"A santidade salesiana na hist\u00f3ria: aspectos que emergem nos processos de beatifica\u00e7\u00e3o das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA)"},"content":{"rendered":"<p><em>Falar de santidade salesiana na hist\u00f3ria significa confrontar-se com uma experi\u00eancia concreta, amadurecida na vida cotidiana de comunidades educativas que nasceram do Orat\u00f3rio de Valdocco e da primeira casa de Mornese. Esta an\u00e1lise restringe o horizonte \u00e0s Filhas de Maria Auxiliadora e, em particular, ao que emerge dos processos de beatifica\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de 1900 a 1950. O foco n\u00e3o est\u00e1 em um \u201ccat\u00e1logo\u201d de virtudes, mas nas fontes processuais &#8211; especialmente as \u2018Positiones\u2019 &#8211; que re\u00fanem testemunhos, documentos e pareceres sobre a fama de santidade. Atrav\u00e9s das figuras de Maria Domenica Mazzarello, Teresa Vals\u00e9 Pantellini e Maddalena Morano, o texto evidencia duas din\u00e2micas: a santidade percebida e declarada pelas testemunhas, e a santidade desejada e vivida como fidelidade \u00e0 Regra, ao Sistema Preventivo e \u00e0 miss\u00e3o educativa entre as jovens.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O tema da <em>santidade salesiana na hist\u00f3ria<\/em> \u00e9 rico e vasto; abrange o caminho de matura\u00e7\u00e3o na f\u00e9, na esperan\u00e7a e na caridade de todos os membros e simpatizantes da Fam\u00edlia Salesiana que, desde o tempo do Orat\u00f3rio de Valdocco e da primeira comunidade de Mornese, encontraram e encontram, ainda hoje, no estilo de vida de Dom Bosco e de Madre Mazzarello, os elementos v\u00e1lidos para alcan\u00e7ar a plenitude da vida crist\u00e3. O subt\u00edtulo desta apresenta\u00e7\u00e3o: <em>Aspectos que emergem nos processos de beatifica\u00e7\u00e3o das FMA<\/em> restringe o vasto campo da <em>santidade salesiana<\/em> relativa \u00e0s FMA e, entre elas, ainda mais, apenas \u00e0quelas as quais j\u00e1 foram instru\u00eddos os <em>Processos de beatifica\u00e7\u00e3o<\/em> no per\u00edodo considerado por esta pesquisa. Antes de tudo, duas premissas:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>A <em>santidade salesiana feminina<\/em> n\u00e3o se limita apenas \u00e0s FMA das quais j\u00e1 foi introduzida a Causa, ao contr\u00e1rio: h\u00e1 numerosas FMA que levaram uma vida heroica no sil\u00eancio e no sacrif\u00edcio estando presente nos p\u00e1tios, cozinhas, lavanderias, oficinas, orat\u00f3rios, escolas, miss\u00f5es, seja na sua p\u00e1tria seja nos lugares mais remotos do mundo. Ningu\u00e9m jamais pensou em introduzir a sua Causa, e por isso, embora tenham vivido uma vida exemplar, n\u00e3o s\u00e3o consideradas nesta nossa pesquisa. Aquelas que receberam o reconhecimento da Igreja com o t\u00edtulo de <em>vener\u00e1vel, beata e santa<\/em> n\u00e3o s\u00e3o mais santas do que outras. Refiro-me, portanto, n\u00e3o a um quadro completo, mas apenas a uma <em>parte representativa<\/em> da santidade feminina.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>A segunda premissa diz respeito ao corte de conte\u00fado da presente confer\u00eancia em refer\u00eancia ao per\u00edodo cronol\u00f3gico previsto por este Congresso: 1900-1950. Se tomarmos como crit\u00e9rio a abertura dos processos, ter\u00edamos como objeto do nosso estudo apenas tr\u00eas Causas de FMA que foram introduzidas nesse tempo: a de Ir. Maria D. Mazzarello (hoje santa), a de Ir. Teresa Vals\u00e9 Pantellini (hoje vener\u00e1vel) e a de Ir. Maddalena Morano (hoje beata), introduzidas nos anos 1911, 1926 e 1935, nas respectivas dioceses de Acqui, Turim e Cat\u00e2nia, e ficar\u00edamos apenas na It\u00e1lia. Ao inv\u00e9s, se utilizarmos como crit\u00e9rio <em>a vida das FMA<\/em> dentro do per\u00edodo considerado pelo Congresso, incluiremos tamb\u00e9m seja a beata Laura Vicu\u00f1a (\u20201904) e outras oito irm\u00e3s FMA atuando nos contextos de sua miss\u00e3o na Europa e na Am\u00e9rica, cujos Processos est\u00e3o em andamento.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A brevidade desta confer\u00eancia nos sugere a primeira op\u00e7\u00e3o, deixando a riqueza das refer\u00eancias e a vida santificada das seis Filhas de Maria Auxiliadora e de Laura Vicu\u00f1a para uma outra ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma \u00faltima precis\u00e3o introdutiva diz respeito \u00e0 fonte, indicada j\u00e1 no t\u00edtulo com a express\u00e3o <em>Processos de beatifica\u00e7\u00e3o<\/em>. Cada <em>Processo<\/em> re\u00fane e produz v\u00e1rios documentos, a partir da <em>C\u00f3pia p\u00fablica<\/em> que documenta a fase diocesana atrav\u00e9s da <em>Positio<\/em>, que \u00e9 elaborada pela Postula\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o <em>Breve Apostolico<\/em>, assinado pelo Sumo Pont\u00edfice, que encerra o procedimento. Escolhi apenas um tipo de documento, a <em>Positio<\/em>, que constitui a apresenta\u00e7\u00e3o fundamentada (<em>Informatio<\/em>) das virtudes heroicas, atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o dos testemunhos e dos documentos coletados durante o Processo can\u00f4nico (<em>Summarium<\/em>). Tendo tr\u00eas figuras de refer\u00eancia, consultei um total de seis<em> Positiones<\/em>: tr\u00eas <em>super Introductione Causae<\/em> e tr\u00eas <em>super Virtutibus<\/em>, encontrando nelas um rico material processual (mais de 1200 p\u00e1ginas) a partir do interrogat\u00f3rio feito \u00e0s testemunhas oculares em refer\u00eancia \u00e0s <em>virtudes teologais, cardeais<\/em> e aos <em>votos religiosos<\/em> vividos por nossas protagonistas.<\/p>\n<p>Metodologicamente, decidi escolher uma pergunta espec\u00edfica do interrogat\u00f3rio que diz respeito \u00e0 fama de santidade das FMA e me perguntei: <em>quem e como falou da santidade<\/em> de nossas tr\u00eas irm\u00e3s; depois procurei identificar a marca salesiana de sua <em>santidade<\/em>. Assim est\u00e1 estruturada minha apresenta\u00e7\u00e3o: a primeira parte eu a intitulei <em>Santidade percebida e declarada<\/em>; a segunda, <em>A santidade desejada e professada<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong> Santidade percebida e declarada<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O primeiro aspecto que emerge \u00e9 uma s\u00e9rie de <em>percep\u00e7\u00f5es<\/em> pessoais verbalizadas durante o interrogat\u00f3rio ou declaradas por escrito pelas testemunhas que se pronunciam a respeito das pessoas que conheceram <em>de visu<\/em> ou <em>de auditu<\/em>. \u00c9 interessante esse fen\u00f4meno, dado que nenhuma das testemunhas parte da defini\u00e7\u00e3o da santidade, mas a formula servindo-se dos dados que considera oportunos para tal conceito. No fundo, por\u00e9m, seu julgamento \u00e9 a express\u00e3o do conceito de <em>santidade<\/em> elaborado em sua \u00e9poca hist\u00f3rica e filtrado pelo <em>sensus fidei<\/em> do Povo de Deus.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.1. Ir. Maria Domenica Mazzarello (1837-1881)<\/strong><\/p>\n<p>Maria Mazzarello, no seu primeiro encontro com Dom Bosco intuiu imediatamente a santidade dele, e j\u00e1 em outubro de 1864, setenta anos antes de sua canoniza\u00e7\u00e3o, formulou a famosa declara\u00e7\u00e3o: \u00abDom Bosco \u00e9 um santo e eu o sinto\u00bb. Depois, ao longo de toda a sua vida, ela aprofundou e viveu os tra\u00e7os constitutivos da santidade dele, traduzindo-os em categorias adequadas \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o de mulher e de educadora.<\/p>\n<p>Os atos processuais nos asseguram que tanto Dom Bosco quanto os outros Salesianos perceberam a santidade dela. O cardeal Cagliero declarou: \u00abEu fui testemunha por seis ou mais anos de como ela praticava as mesmas virtudes de Dom Bosco, sempre com maior perfei\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e religiosa, a ponto de que logo ap\u00f3s \u00e0 morte dela, \u00e0s irm\u00e3s que circundavam o seu corpo ele disse que n\u00e3o se entristecessem porque sua Madre Superiora havia voado ao C\u00e9u para gozar o justo pr\u00eamio de sua santidade. [&#8230;]. Assim eu pensava, assim como seu Vener\u00e1vel Fundador, Dom Bosco, que via na fundadora das FMA um alto conceito de santa religiosa, e de discret\u00edssima Superiora\u00bb. Acrescenta Ir. Teresa Laurentoni: \u00abVi que nas cartas que Dom Bosco escrevia \u00e0 Sr.<sup>a<\/sup> Pastore de Valenza ele dizia que a Ir. Maria Mazzarello era santa\u00bb. E Ir. Ursula Camissasa testemunha que o P. Lemoyne, ap\u00f3s a morte da Madre Mazzarello, \u00abordenou que nada se tocasse em seu quarto e que ningu\u00e9m fosse habitar l\u00e1\u00bb.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 impress\u00e3o das FMA, declara irm\u00e3 Elisabetta Roncallo: \u00abNa comunidade a opini\u00e3o era que t\u00ednhamos uma Superiora santa. E percep\u00e7\u00e3o era a mesma tamb\u00e9m daqueles que n\u00e3o eram da comunidade\u00bb. As mission\u00e1rias na Am\u00e9rica completam: \u00abEm vida, todas a consideravam como uma santa religiosa, tanto que logo ap\u00f3s sua morte n\u00f3s rez\u00e1vamos para que ela nos obtivesse gra\u00e7as\u00bb.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.2. Ir. Teresa Vals\u00e9 Pantellini (1878-1907)<\/strong><\/p>\n<p>Em 1908 Dom Giovanni Marenco, em Roma, afirmou: \u00abPelo que conhe\u00e7o das irm\u00e3s do tempo em que, como Diretor Geral, me ocupava delas, posso dizer que algumas morreram em fama de santidade, das quais deveria ser aberto seu Processo de beatifica\u00e7\u00e3o e, <em>entre estas, Ir. Vals\u00e9 est\u00e1 entre as primeiras<\/em>\u00bb. O mesmo Dom Marenco pediu \u00e0 Ir. Maria Genta \u00abpara conservar as vestes da falecida Serva de Deus\u00bb, dizendo que \u00abquem sabe se, um dia, o Senhor n\u00e3o a queira nas honras dos altares!\u201d\u00bb. Sua intui\u00e7\u00e3o foi confirmada e precisada pelo P. Filippo Rinaldi, Reitor-Mor, que durante o Processo Ordin\u00e1rio afirmou: \u00abOuvi exaltar sua santidade interior consistente em uma vida verdadeiramente ilibada, de piedade profunda, s\u00f3lida e regular, alheia a todo tipo de fraqueza, sem nenhum tipo de exalta\u00e7\u00e3o; era de uma santidade interior extraordin\u00e1ria, vivida aparentemente em uma vida ordin\u00e1ria. A santidade da serva de Deus foi notada, tamb\u00e9m, pelas Irm\u00e3s do seu Instituto, com as quais usou a verdadeira caridade religiosa, e tamb\u00e9m pelas jovens do orat\u00f3rio e das oficinas, pelas quais se santificava pela salva\u00e7\u00e3o espiritual e material delas. Seguia e acompanhava com bondades as jovens tamb\u00e9m nas suas faltas. Da minha parte, estou convencido de que a virtude da serva de Deus podia ser comparada \u00e0s almas mais santas, mas ela soube se esconder tanto, n\u00e3o deixando perceber toda a sua santidade. Ela se esfor\u00e7ava bastante para n\u00e3o deixar transparecer o que [coisa] fazia e praticava\u00bb.<\/p>\n<p>As FMA concordam com a percep\u00e7\u00e3o anteriormente evidenciada: \u00abPosso atestar\u00bb, testemunha irm\u00e3 Maria Genta, que foi sua mestra e, mais tarde, sua diretora, \u00abque durante o per\u00edodo em que a serva de Deus esteve em Roma, tanto as Irm\u00e3s do Instituto quanto as Benfeitoras do Orat\u00f3rio e das oficinas, bem como as jovens e as oper\u00e1rias que as frequentavam, todas a consideravam uma santa e tinham uma grande venera\u00e7\u00e3o por ela\u00bb. H\u00e1, por\u00e9m, tamb\u00e9m um caso contr\u00e1rio, registrado nos atos processuais: \u00abPor amor \u00e0 verdade\u00bb \u2013 diz Ir. Luigia Rotelli, \u00abdevo dizer que ouvi algumas Irm\u00e3s referirem que certa Irm\u00e3 Brusco (FMA) n\u00e3o concorda com a fama de santidade da serva de Deus, dizendo que nada fez de extraordin\u00e1rio, embora a considerasse uma irm\u00e3 piedosa e exemplar\u00bb. As leigas, no entanto, n\u00e3o duvidavam. A Sr.<sup>a<\/sup> Olga Mazzetti, companheira da serva de Deus no \u201cSagrado Cora\u00e7\u00e3o\u201d de Floren\u00e7a, disse ao P. Maccono: \u00abO senhor est\u00e1 envolvido com o processo de canoniza\u00e7\u00e3o de Ir. Vals\u00e9; n\u00f3s, meninas, sempre diz\u00edamos que ela era uma santa\u00bb. Outra companheira dela acrescenta: \u00abLendo a vida dos santos, sempre me parece encontrar alguns exageros, mas lendo a vida da Ir. Vals\u00e9 acredito que ela era exatamente como foi descrita\u00bb.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.3. Ir. Maddalena Morano (1847-1908)<\/strong><\/p>\n<p>Madre Morano tinha um medo. Sabendo que as pessoas a consideravam uma santa, dizia: \u00abQuando eu morrer, n\u00e3o digam \u201cM. Morano era uma santa e est\u00e1 no Para\u00edso\u201d, porque assim v\u00e3o me deixar queimando no Purgat\u00f3rio at\u00e9 o fim do mundo, isso se, por miseric\u00f3rdia de Deus, eu me salvar. Rezem, rezem por mim\u00bb. Ela sabia \u00abque a santidade consiste em fazer a vontade de Deus, sendo este o \u00fanico modo de demonstrar nosso amor por Ele\u00bb.<\/p>\n<p>Da santidade de Madre Morano estavam convencidos tanto os Salesianos (Cagliero, Marenco) quanto os sacerdotes diocesanos (desde os encarregados da Igreja local at\u00e9 os simples padres do interior). Testemunha Ir. Paolina Noto: \u00abLembro o que nos disse o card. Nava em uma visita que fez a Trecastagni: \u201cVoc\u00eas t\u00eam uma Superiora santa, aproveitem\u201d. E o Inspetor das casas salesianas na Sic\u00edlia, o P. Franco Piccollo, escreveu: \u201cCertos nomes [&#8230;] adquirem significados especiais e, para quem conheceu M. Morano, esse nome assume tr\u00eas significados: <em>fortaleza insuper\u00e1vel, santidade aut\u00eantica e cheia de generosidade para com Deus e bondade requintada com todos<\/em>. [Ela] mostrou fortaleza no sofrer, por quase toda a vida, inc\u00f4modos e doen\u00e7as bem graves, embora os mantivesse em segredo porque, como verdadeira filha do vener\u00e1vel Dom Bosco, esperava descansar no Para\u00edso\u201d\u00bb. \u00abO P. Albera, ainda como diretor espiritual da Sociedade Salesiana, ao conhecer M. Morano, em sua primeira visita \u00e0 Sic\u00edlia, ficou maravilhado ao encontrar nela tantas qualidades belas, e disse um dia: \u00abQue Irm\u00e3 maravilhosa esta Madre Morano! Poderia governar n\u00e3o apenas uma Inspetoria, mas toda a congrega\u00e7\u00e3o das FMA\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o de modo diferente a consideravam as FMA e suas educandas. Testemunha a Ir. Signorina Meli: \u00abSeu belo car\u00e1ter atra\u00eda todas as pessoas que tinham a sorte de se aproximar dela e as levava em dire\u00e7\u00e3o ao Senhor. [&#8230;]. Unia em si a vida contemplativa, pela sua constante uni\u00e3o com Deus, e a vida ativa, pela sua incans\u00e1vel a\u00e7\u00e3o pelo bem das almas, cumprindo com exatid\u00e3o seus deveres em todas as obras confiadas aos seus cuidados, n\u00e3o poupando nem esfor\u00e7os nem sacrif\u00edcios ao longo de sua vida. A serva de Deus teve fama de santidade tamb\u00e9m durante a vida, sendo por todos estimada como uma alma privilegiada e enriquecida de virtudes singulares\u00bb. E confirma a Ir. Rocca: \u00abEra intensamente amada por suas funcion\u00e1rias e todas as consideravam uma santa\u00bb. A voz isolada da Ir. Rosaria Cuscun\u00e0, de Biancavilla, aceita por singular exce\u00e7\u00e3o pela pr\u00f3pria M. Morano no Instituto das FMA, \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 fama de santidade da serva de Deus. O seu ju\u00edzo, por\u00e9m, era considerada pelas outras FMA como desequilibrado. Em nome das educandas, assim se exprimiu a Sr.<sup>a<\/sup> Agata Zappal\u00e0: \u00abPosso atestar que a serva de Deus era tida em <em>conceito de santidade<\/em> n\u00e3o apenas por n\u00f3s, educandas, mas tamb\u00e9m pelas pessoas que a conheciam\u00bb. De fato, o Presidente que havia amea\u00e7ado fechar o col\u00e9gio, ao saber da morte de M. Morano, disse: \u00abQue pena, esta irm\u00e3 n\u00e3o deveria morrer. Poder\u00e1 haver outras boas e santas Superioras, mas nenhuma ter\u00e1 todas as virtudes e toda a santidade de Madre Morano\u00bb.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> A santidade desejada e professada<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Outro aspecto que emerge dos testemunhos processuais sobre as nossas protagonistas \u00e9 o <em>vivo desejo da pr\u00f3pria santifica\u00e7\u00e3o e da salva\u00e7\u00e3o das almas<\/em>. Trata-se de um fogo interior que se consumia traduzindo em linguagem pr\u00e1tica o lema do fundador: <em>Da mihi animas, cetera tolle<\/em>. A pr\u00f3pria santifica\u00e7\u00e3o foi buscada na ades\u00e3o \u00e0 Vontade de Deus, entendida como observ\u00e2ncia da Regra e obedi\u00eancia aos superiores, sem deixar faltar \u00e0 comunidade a alegria e a criatividade feminina. A paix\u00e3o apost\u00f3lica nelas se expressava conforme as categorias do Sistema Preventivo nos contextos do norte (Mornese, Nizza), do sul (Sic\u00edlia) e do centro (Roma) da It\u00e1lia. A profiss\u00e3o religiosa permitiu dar \u00e0s futuras FMA uma marca salesiana \u00e0 sua santidade atrav\u00e9s da vida comunit\u00e1ria empenhada na educa\u00e7\u00e3o das jovens, no caminho comum em dire\u00e7\u00e3o ao Para\u00edso, imitando Jesus e os santos, na obedi\u00eancia e na alegria, mostrando-se sempre fortes diante das situa\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2.1. A vida comunit\u00e1ria e a educa\u00e7\u00e3o das jovens<\/strong><\/p>\n<p>Tais dimens\u00f5es foram para as FMA, desde o in\u00edcio, seu espa\u00e7o de santifica\u00e7\u00e3o, ampliado depois para o horizonte mission\u00e1rio, no qual a obedi\u00eancia professada as destinava a viver.<\/p>\n<p>Madre Mazzarello cuidava muito do clima da vida fraterna, favorecendo as condi\u00e7\u00f5es de crescimento tanto para as irm\u00e3s quanto para as jovens. \u00abUma vez\u00bb, testemunha a Ir. Felicina Ravazza, \u00abhospedando-se em uma pequena comunidade nascente, a Madre percebeu que entre aquelas filhas n\u00e3o reinava harmonia e, ent\u00e3o, ela mesma se dedicou at\u00e9 depois da meia-noite para trazer paz \u00e0quela comunidade\u00bb. \u00abTinha um grande amor pelas jovens\u00bb, acrescenta a Ir. Teresa Laurentoni, \u00absacrificava-se e queria que n\u00f3s tamb\u00e9m nos sacrific\u00e1ssemos pela [sua] boa educa\u00e7\u00e3o\u00bb. \u00abEstava sempre pronta para cumprir os seus deveres e se mostrava sempre alegre\u00bb, completa Petronilla Mazzarello, \u00abe todas as irm\u00e3s que a conheceram podem testemunhar o quanto conseguia manter elevado <em>o esp\u00edrito da Comunidade<\/em>, mesmo em circunst\u00e2ncias muito dolorosas\u00bb. Madre Caterina Daghero ressalta: \u00abO mesmo que ela fazia recomendava que fosse feito tamb\u00e9m pelas irm\u00e3s e inculcava que o fizessem na ocasi\u00e3o, imediatamente, dizendo: \u201co que puderem fazer hoje, n\u00e3o esperem para fazer amanh\u00e3\u201d\u00bb. Dom Cagliero notou isso imediatamente, declarando durante o Processo rogatorial: \u00abUm s\u00f3 era o esp\u00edrito que reinava entre elas, um s\u00f3 o cora\u00e7\u00e3o para se querer bem, uma s\u00f3 vontade de todas em obedecer. Um s\u00f3 o desejo de se tornarem santas e um s\u00f3 o amor delas a Deus, \u00e0 santa pobreza de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao sacrif\u00edcio, \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao trabalho. E este sagrado concerto de cora\u00e7\u00f5es, de vontades e de amor, era dirigido pela superiora, ou melhor, pela zelant\u00edssima e car\u00edssima Madre Maria Mazzarello, sempre a primeira em tudo, especialmente na humildade, na caridade e na observ\u00e2ncia religiosa\u00bb.<\/p>\n<p>O mesmo zelo incans\u00e1vel caracterizou suas filhas espirituais: Ir. Teresa Vals\u00e9 e Madre Maddalena Morano. Da primeira se l\u00ea no <em>Summarium<\/em>: \u00abA serva de Deus ardia do desejo de fazer conhecer Deus, Jesus Cristo, a sua Igreja. [&#8230;]. Ardia do desejo de partir para as miss\u00f5es entre os n\u00e3o-crist\u00e3os da China\u2026 desejo que tinha desde o momento de sua Primeira Comunh\u00e3o\u00bb. E da segunda se l\u00ea: \u00abQuanto \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o da f\u00e9, ela mesma preparava e formava as irm\u00e3s mission\u00e1rias, que enviava a diferentes etapas \u00e0s miss\u00f5es. Nos dizia: instruam as almas na nossa Santa Religi\u00e3o e levem todas as almas ao Senhor\u00bb.<\/p>\n<p>A Ir. Teresa Vals\u00e9 cuidava das jovens de Roma: \u00abColocava empenho, particularmente, no ensino de catecismo, na par\u00f3quia de S. Praxedes, que ela mesma ministrava \u00e0s mais velhas, das quais era assistente. Eram muito numerosas e ela n\u00e3o poupava esfor\u00e7o para se tornar \u00fatil na forma\u00e7\u00e3o espiritual delas\u00bb. E Madre Morano fez o mesmo pelos jovens da Sic\u00edlia: \u00abNas festas conseguia chamar e induzir as jovens a se aproximarem dos Santos Sacramentos, usando para tal fim de suas maternas e persuasivas qualidades. A serva de Deus se destacou, especialmente, pelo apostolado catequ\u00e9tico entre os menos instru\u00eddos; ali\u00e1s, a funda\u00e7\u00e3o das escolas catequ\u00e9ticas foi a alma de sua miss\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.2. Com cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e e fidelidade ao Sistema Preventivo<\/strong><\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e a anima\u00e7\u00e3o das FMA, como sublinham os testemunhos, eram permeadas n\u00e3o por uma t\u00e9cnica, mas por um m\u00e9todo que tinha os tra\u00e7os do calor materno e emanava de sua maneira de interagir com todos, especialmente com os destinat\u00e1rios da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00abMaria Mazzarello era dotada de um crit\u00e9rio n\u00e3o comum\u00bb, testemunha a Ir. Enrichetta Sorbone, \u00abpossu\u00eda o verdadeiramente admir\u00e1vel dom da maternidade e do governo, um governo en\u00e9rgico e vigilante, mas amoroso; nos tratava com franqueza, sim, mas nos amava cordialmente; tinha alguma coisa bela que nos arrastava ao bem, ao dever, ao sacrif\u00edcio e a Jesus, mas com uma certa suavidade, sem viol\u00eancia; ela via tudo, previa o bem e o mal de suas filhas, sempre pronta a intervir, tanto no f\u00edsico quanto no moral, conforme a necessidade e a possibilidade\u00bb. E a Ir. Maria Rossi acrescenta: \u00abComo superiora sempre se portou com caridade materna com as irm\u00e3s; foi prudente; exigia que cada uma cumprisse o dever, mas sem exageros. Para os diferentes of\u00edcios do Instituto, sempre escolheu aquelas que lhe pareciam mais adequadas\u00bb. Depois precisa ainda: \u00abA serva de Deus era maternamente boa com todas, mas sabia ser forte quando necess\u00e1rio, especialmente com as irm\u00e3s de car\u00e1ter mais duro ou com aquelas que precisassem\u00bb.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 Ir. T. Vals\u00e9 se diz: \u00abCuidava constantemente para que as jovens fossem animadas por um vivo amor a Deus e estivessem longe do pecado. E por isso tinha uma intensa atividade no orat\u00f3rio. Daqui deduzo que tinha um grande horror ao pecado e, por isso, se esfor\u00e7ava para impedi-lo e tamb\u00e9m para repar\u00e1-lo\u00bb; \u00abTornando-se freira, praticou de maneira perfeita o sistema do vener\u00e1vel fundador, o chamado <em>Sistema Preventivo<\/em>\u00bb. \u00abPara dedicar-se ao nosso bem\u00bb, acrescenta a Sr.<sup>a<\/sup> Regina Cerrai, \u00abn\u00e3o sabia o que era descansar e, especialmente nos dias festivos, que eram para ela dias de grandes sacrif\u00edcios [&#8230;], posso dizer que vi como as jovens mais travessas, pela solicitude da serva de Deus, se tornavam as melhores\u00bb. E a Sr.<sup>a<\/sup> Giulia Conciatori: \u00abCom aquelas que estavam doentes ou que tinham algum infort\u00fanio, tamb\u00e9m financeiro, era de uma caridade materna. Visitava-as, as consolava e as ajudava, tamb\u00e9m materialmente\u00bb.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Madre Morano: \u00abVenerava e estimava Dom Bosco como um santo e queria que se praticasse bem o seu Sistema Preventivo na escola e na assist\u00eancia [&#8230;]. Dizia \u00e0s irm\u00e3s e \u00e0s assistentes: \u201cQuerem ser respeitadas? Respeitem. As jovens s\u00e3o como n\u00f3s as queremos: n\u00e3o nos queixemos delas, mas de n\u00f3s, que nem sempre sabemos fazer bem a nossa parte\u201d\u00bb. Acrescenta a Ir. Teresa Pentore: \u00abTinha um jeito todo seu ao tratar certas alunas travessas e teimosas: n\u00e3o as obrigava, n\u00e3o as repreendia e nem castigava, e, no entanto, conseguia o que muitas outras nunca teriam conseguido daquelas \u00edndoles rebeldes\u00bb. E a Ir. Teresa Comitini precisa: \u00abA serva de Deus, como educadora, compreendeu pela experi\u00eancia a efic\u00e1cia do esp\u00edrito de Dom Bosco, ou seja: [que] a alegria na vida \u00e9 uma for\u00e7a, um elemento essencial na educa\u00e7\u00e3o da juventude. Como religiosa, compreendeu melhor que a alegria \u00e9 a atmosfera das virtudes heroicas; \u00e9 uma necessidade da vida espiritual. De sua atividade se pode ser dizer que era uma irradia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de santa alegria e de bondade salesiana\u00bb. A Ir. Giovanna Costa completa: \u00abRealmente a mais terna das m\u00e3es n\u00e3o poderia fazer mais do que a serva de Deus fazia por todas suas filhas. Ningu\u00e9m pode ter ideia disso, exceto aqueles que tiveram a sorte de conhecer e de conversar com ela [&#8230;]. N\u00e3o se deixava levar nem por simpatia nem por antipatia, ao contr\u00e1rio, quando necess\u00e1rio, usava a seriedade, a firmeza e a for\u00e7a necess\u00e1rias, como aquela que costuma usar uma \u00f3tima m\u00e3e que se preocupa para que suas filhas cres\u00e7am bem, virtuosas e santas, e n\u00f3s nos sent\u00edamos amadas tanto por ela que cada uma de n\u00f3s estava convencida de ser sua preferida\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abFrequentemente, durante a noite, era vista com sua lamparina caminhando pelos dormit\u00f3rios como um verdadeiro anjo da guarda e com aten\u00e7\u00e3o materna\u00bb, confirma a Ir. Teresa Comitini, sua aluna externa e depois FMA. \u00abA serva de Deus era apreciada, amada e desejada. Como a prud\u00eancia, brilharam em M. Morano todas as virtudes que em uma alma religiosa indicavam zelo constante pela pr\u00f3pria perfei\u00e7\u00e3o e pela salva\u00e7\u00e3o das almas\u00bb.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.3. Rumo ao Para\u00edso<\/strong><\/p>\n<p>O clima das comunidades e os documentos do Instituto tornavam desej\u00e1vel o ideal da santidade, que culmina na experi\u00eancia de vida plena al\u00e9m da morte. Tamb\u00e9m a atmosfera de paz e de alegria nas rela\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas o favoreciam. Falava-se do Para\u00edso como o alcan\u00e7ar o pr\u00eamio ap\u00f3s tantos sacrif\u00edcios, como uma realidade tranquila que se desfruta depois do trabalho e da aceita\u00e7\u00e3o da cruz.<\/p>\n<p>Madre Mazzarello, testemunha a Ir. Enrica Sorbone, \u00abtinha muita confian\u00e7a em Deus e era realmente uma coisa extraordin\u00e1ria ouvi-la falar de Deus, do Para\u00edso. Em tudo revelava essa esperan\u00e7a, essa confian\u00e7a no Senhor e em Maria Auxiliadora\u00bb. \u00abEra animada pelo vivo desejo de se tornar santa e de ver as irm\u00e3s prepararem com dilig\u00eancia sua pr\u00f3pria santifica\u00e7\u00e3o\u00bb, acrescenta a Ir. Ottavia Bussolino. \u00abEnt\u00e3o, frequentemente nos cantava na recrea\u00e7\u00e3o: \u201cEu quero me tornar santa e filha de Maria \u2013 Eu quero me tornar santa e esposa de Jesus \u2013 Eu quero me tornar santa \u2013 e santa na alegria \u2013 Eu quero me tornar santa \u2013 E santa cada vez mais\u201d\u00bb. Completa a Ir. Clara Preda: \u00abEra muito apaixonada pelo Para\u00edso, e me animava tamb\u00e9m \u00e0 esperan\u00e7a, me exortava a pedir a gra\u00e7a de morrer em um ato de Amor a Deus e de dor pelos meus pecados, dizendo-me que n\u00e3o podemos desejar ir para o Purgat\u00f3rio\u00bb. Tamb\u00e9m em suas cartas frequentemente falava do Para\u00edso. \u00c0 Ir. Angela Vallese, em 1879, escrevia: \u00abNos tornamos irm\u00e3s para nos assegurar o Para\u00edso, mas para garanti-lo s\u00e3o necess\u00e1rios sacrif\u00edcios; ent\u00e3o, levemos a cruz com coragem e um dia estaremos contentes\u00bb. E \u00e0 Ir. Pierina Marassi, em 1880: \u00abLembremo-nos de que n\u00e3o se chega ao Para\u00edso com as gratifica\u00e7\u00f5es ou por queremos ser as melhores, mas com a virtude e o sofrimento\u00bb. \u00c0 comunidade de Saint-Cyr: \u00abMinhas boas irm\u00e3s, considerem que onde reina a caridade, a\u00ed est\u00e1 o Para\u00edso [&#8230;]. As palavras n\u00e3o fazem chegar no Para\u00edso, mas sim os fatos\u00bb.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a Ir. Teresa Vals\u00e9 Pantellini \u00abtinha frequentemente nos l\u00e1bios a palavra: Para\u00edso! Para\u00edso! Que pronunciava com um acento que demonstrava o viv\u00edssimo desejo de possu\u00ed-lo. E me parece tamb\u00e9m ter ouvido dizer\u00bb, testemunha a irm\u00e3 Adelaide Barberis, \u00abque dizia: um peda\u00e7o de para\u00edso compensa tudo na vida. Ficava muito claro que tudo nela: a mente, o cora\u00e7\u00e3o e o pensamento estavam completamente orientados para o C\u00e9u\u00bb.<\/p>\n<p>Confirma a mesma coisa a Ir. Elisabetta Dispenza a respeito de Madre Morano: \u00abO \u00fanico desejo da serva de Deus era o Para\u00edso, tanto que em certos momentos de maior fervor come\u00e7ava a cantar \u201cPara\u00edso, Para\u00edso \u2013 dos eleitos a grande cidade \u2013 em ti alegria, cantos e risos \u2013 reina e sempre reinar\u00e1\u201d\u00bb. E finalizava: \u00abSe eu for para o Para\u00edso, neste mundo n\u00e3o volto mais\u201d\u00bb. A mesma Ir. Elisabetta recorda de M. Morano esta ora\u00e7\u00e3o: \u00abDai-me tanto para sofrer aqui na terra, \u00f3 meu Deus, para que ap\u00f3s a minha morte me conduzas convosco ao Para\u00edso, porque ao inferno n\u00e3o quero ir\u00bb. A Ir. Paolina Noto, testemunha <em>ex officio<\/em>, acrescenta: \u00abSoube [&#8230;], dela mesma [&#8230;], que a serva de Deus abra\u00e7ou o estado religioso por verdadeira voca\u00e7\u00e3o, pelo desejo de se consagrar ao Senhor para se tornar santa, para salvar as almas e ganhar o Para\u00edso\u00bb e cita o que M. Morano dizia frequentemente \u00e0s irm\u00e3s: \u00abFilhas, entramos na Congrega\u00e7\u00e3o para nos tornarmos santas e entramos no Para\u00edso\u00bb.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.4. Imitando Jesus e os santos<\/strong><\/p>\n<p>Para as irm\u00e3s FMA o olhar para o Para\u00edso n\u00e3o era um sentimento m\u00e1gico ou po\u00e9tico. L\u00e1 estavam Deus e os santos, considerados modelos a serem imitados; ap\u00f3s percorrer o caminho terreno, gozavam do pr\u00eamio eterno. O Para\u00edso era visto como a festa do encontro com Jesus, com Maria Auxiliadora e com os patronos do Instituto: S\u00e3o Jos\u00e9, S\u00e3o Francisco de Sales e Santa Teresa de Jesus, e o pr\u00f3prio Dom Bosco, que havia prometido esperar a todas l\u00e1. As refer\u00eancias aos santos s\u00e3o muito abundantes nos <em>Processos<\/em> e se apresentam como aspectos n\u00e3o secund\u00e1rios no caminho de santidade. Menciono apenas alguns.<\/p>\n<p>Come\u00e7o pelo n\u00facleo fundamental da vida crist\u00e3, que consiste na <em>sequela Christi<\/em>, santo por excel\u00eancia. Todas as tr\u00eas figuras s\u00e3o unidas tanto pela leitura da <em>Imitatio Christi<\/em> quanto pela imita\u00e7\u00e3o de Jesus na cotidianidade da vida. Era um livro prescrito pelas primeiras <em>Constitui\u00e7\u00f5es<\/em>, mas nossas protagonistas j\u00e1 o conheciam antes de sua entrada no Instituto. Maria Mazzarello o descobriu no grupo das FMI (Filhas de Maria Imaculada) e fez suas algumas express\u00f5es que encontramos em sua correspond\u00eancia. O P. Maccono, editor de suas primeiras quinze cartas, cita nas notas dezessete trechos da <em>Imitatio Christi<\/em> para fazer entender ao leitor a analogia dos conte\u00fados. Maria Mazzarello o recomendava n\u00e3o apenas \u00e0s irm\u00e3s, mas tamb\u00e9m \u00e0s mulheres leigas. A Sr.<sup>a<\/sup> Angela Mazzarello, residente em Mornese, conta que uma vez recebeu de Madre Mazzarello, de Nizza, um ros\u00e1rio e a recomenda\u00e7\u00e3o de ler e meditar o livro da \u201cImita\u00e7\u00e3o de Cristo\u201d. Outra senhora, Caterina Mazzarello, fala do fervor espiritual de Maria: \u00abEla tinha muita devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Nossa Senhora; nos exortava a rezar tr\u00eas Ave-Marias \u00e0 sua pureza [&#8230;]. Tamb\u00e9m nos exortava a nos recomendar ao Anjo da Guarda, sugerindo-nos recitar a ora\u00e7\u00e3o <em>Angele Dei<\/em>\u00bb. Acrescenta a Ir. Maria Genta: \u00abEntre os santos, nos recomendava particularmente a devo\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Jos\u00e9, cujas virtudes ocultas da humildade, do sil\u00eancio, etc., incentivava que imit\u00e1ssemos; a S\u00e3o Lu\u00eds, recomendando a pr\u00e1tica dos seis domingos em sua honra; a S\u00e3o Francisco de Sales e a Santa Teresa, nossos protetores particulares\u00bb. O cardeal Cagliero precisa: \u00abVivia perdida em Deus! Quando rezava, quando trabalhava, quando descansava ou fazia alguma coisa e, at\u00e9 mesmo, quando dormia, era como a esposa do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos\u00bb.<\/p>\n<p>Sobre Ir. Teresa Vals\u00e9, a Ir. Maria Genta, da qual a serva de Deus foi secret\u00e1ria por um per\u00edodo, dep\u00f5e: \u00abDela mesma aprendi que, ainda antes de se tornar uma religiosa, dedicava-se regularmente \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, fazendo diariamente a medita\u00e7\u00e3o, e que, entre os livros de medita\u00e7\u00e3o preferia o <em>De Imitatione<\/em> e a <em>Pratica di amare Ges\u00f9 Cristo<\/em>, de Santo Alfonso\u00bb. Em seu caderno encontramos escrito: \u00abAproveitar todas as ocasi\u00f5es para se humilhar\u00bb, e, em caracteres maiores, copia a m\u00e1xima da \u201c<em>Imita\u00e7\u00e3o de Cristo<\/em>\u201d: \u00abAma n\u00e3o ser conhecida e reputada por nada\u00bb e \u00e9 por isso, explica a irm\u00e3 Eulalia Bosco, que \u00absoube suportar os afrontos do desprezo [de uma jovem], sem se perturbar nem um pouco\u00bb. \u00abDiante de uma figura t\u00e3o bela, meu cora\u00e7\u00e3o se sente comovido\u00bb, declara a Sr.<sup>a<\/sup> Pia Basetti, sua companheira de escola, \u00abe agrade\u00e7o ao Senhor por ter me concedido a gra\u00e7a de conhecer [&#8230;] a serva de Deus Ir. Teresa Vals\u00e9 Pantellini. Oh! Que eu possa imit\u00e1-la em suas virtudes; isso \u00e9 o que eu pe\u00e7o a ela, com todo o \u00edmpeto da minha pobre e miser\u00e1vel alma!\u00bb.<\/p>\n<p>Sobre Madre Morano, seu bi\u00f3grafo, o P. Garneri atesta: \u00abPosso dizer [que] seu desejo profundo era imitar a Jesus em tudo\u00bb. E o fez, tamb\u00e9m, repetindo as jaculat\u00f3rias: \u00abTudo por v\u00f3s, meu bom Jesus, meu bem imenso! S\u00f3 o vosso amor e a vossa gl\u00f3ria me bastam, meu Jesus\u00bb. Diante desse amor, a Ir. Elisabetta Dispenza confessa: \u00abSentia-me atra\u00edda como por um \u00edm\u00e3&#8230; quando a via participar da Comunh\u00e3o. N\u00e3o parecia mais uma criatura humana, mas angelical. Naqueles momentos eu desejava imit\u00e1-la&#8230;\u00bb. \u00abFalava frequentemente de Nossa Senhora e, algumas vezes, tamb\u00e9m cantava os louvores dela junto ao povo, em dialeto siciliano: \u201cViva Maria, Maria sempre viva. Viva Maria e Aquele que a criou, e sem Maria n\u00e3o se pode se salvar\u201d\u00bb. Para as irm\u00e3s, dizia frequentemente: \u00abLembremo-nos de que levamos o nome de Filhas de Maria Auxiliadora, coisa que n\u00e3o devemos ser apenas em palavras, mas com os atos, imitando as suas virtudes, e com o nosso bom exemplo\u00bb e repetia: \u201cMinhas irm\u00e3s, n\u00f3s nos tornamos freiras para nos tornarmos santas e santificar as almas que o Senhor nos confia\u201d\u00bb. Falando com ela, acrescenta a Ir. Dispenza: \u00abTive mais de uma vez essa impress\u00e3o de que em sua perfei\u00e7\u00e3o espiritual, seguia as pegadas de Santa Teresa, de S\u00e3o Francisco de Sales e de S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco, tr\u00eas santos dos quais falava frequentemente e dos quais conhecia muito bem a vida\u00bb. O P. Monasteri assim manifesta sua impress\u00e3o: \u00abQuando a via, parecia-me estar diante de uma Santa Teresa\u00bb. Madre Morano \u00abdevota de todos os santos, tinha uma devo\u00e7\u00e3o especial pelo Patriarca S\u00e3o Jos\u00e9, tanto que sob sua a prote\u00e7\u00e3o colocou a Inspetoria da Sic\u00edlia. Em honra do santo comp\u00f4s um ros\u00e1rio especial e, nas necessidades da Casa, nos fazia rezar assim: \u201cS\u00e3o Jos\u00e9, cuidai disso\u201d\u00bb. \u00abSempre nos falava de Madre Mazzarello, de quem era grande admiradora e imitadora\u00bb, testemunha a Ir. Adele Marchese, \u00abe nos propunha os exemplos dela, especialmente a temperan\u00e7a, exemplos aos quais se empenhava muito de copiar em sua vida\u00bb.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.5. Fortaleza nas dificuldades e situa\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p>As provas e contrariedades n\u00e3o faltam ao longo do caminho, e tamb\u00e9m as FMA as enfrentam com coragem, liberando os recursos interiores que as tornam fortes e corajosas em circunst\u00e2ncias desafiadoras.<\/p>\n<p>Madre Mazzarello, testemunha Petronilla, \u00abmostrou grande fortaleza quando, de repente, morreu o P. Pestarino e se viu sem aquele que sempre fora seu conselheiro e a sua guia. Mesmo assim, seguiu em frente cheia de resigna\u00e7\u00e3o, exortando tamb\u00e9m as outras a pensar que estamos nas m\u00e3os de Deus, que prover\u00e1\u00bb. A Ir. Giuseppa Balzoni lembrou que \u00abmuitas vezes, a serva de Deus dizia \u00e0s suas funcion\u00e1rias que as pessoas podiam lhe tirar tudo, menos o cora\u00e7\u00e3o para amar a Deus\u00bb. E a Ir. Enrica Sorbone acrescenta: \u00abQueria fortes tamb\u00e9m suas filhas\u00bb.<\/p>\n<p>Sobre a fortaleza da Ir. Teresa Vals\u00e9, oferece um exemplo eloquente a Ir. Maria Genta, que experimentou as mesmas dificuldades que teve a Serva de Deus: \u00abAs condi\u00e7\u00f5es especiais para as dificuldades cont\u00ednuas em que nos encontr\u00e1vamos para manter o Orat\u00f3rio aberto chegaram ao ponto de suspender tudo e fechar o pr\u00f3prio Orat\u00f3rio, coisa que j\u00e1 tinha acontecido antes a outros quatro Institutos religiosos. Nestas condi\u00e7\u00f5es [a Ir. Teresa Vals\u00e9] foi sempre aquela que nos animou, nos encorajou a rezar e a fazer novenas, assegurando-nos de que a assist\u00eancia de Deus n\u00e3o falharia. Ela nos lembrava o exemplo do vener\u00e1vel Dom Bosco, que se viu nas mesmas cr\u00edticas circunst\u00e2ncias, mas nunca se desencorajou, confiando nos aux\u00edlios da Divina Provid\u00eancia. Posso afirmar que, se ao meu lado n\u00e3o tivesse tido sua ajuda e encorajamento, eu certamente n\u00e3o teria continuado na obra, mas tamb\u00e9m teria fechado a casa\u00bb.<\/p>\n<p>A Ir. Adelaide Barberis acrescenta: \u00abPosso atestar que a serva de Deus era dotada de um car\u00e1ter forte. N\u00e3o se assustava nas dificuldades e contradi\u00e7\u00f5es, mas continuava a exercer seu apostolado com zelo e const\u00e2ncia\u00bb. E a Ir. Luigia Rotelli explica o segredo dessa fortaleza de \u00e2nimo: \u00abPorque ela era animada pela viv\u00edssima esperan\u00e7a de possuir, um dia, o Para\u00edso [&#8230;], soube superar cada dificuldade, [foi] um verdadeiro modelo de religiosa salesiana\u00bb.<\/p>\n<p>Da mesma estirpe era Madre Morano: \u00abA serva de Deus rezava e fazia rezar sempre\u00bb, declara a Ir. Elisabetta Dispenza, \u00abali\u00e1s, quando lhe aconteciam adversidades, n\u00e3o perdia de coragem; mas sempre alegre e serena dobrava suas ora\u00e7\u00f5es, recomendava a n\u00f3s que rez\u00e1ssemos com mais intensidade, e depois ficava tranquila e serena, abandonada \u00e0 vontade de Deus, segura de ter sua prece atendida. Enquanto isso, repetia frequentemente: \u201c\u00d3 vontade de Deus, tu \u00e9s o meu amor\u201d\u00bb. E a Ir. Angela Macchi acrescenta: \u00abA serva de Deus nunca se deixou abater por nenhuma dificuldade, por mais grave que fosse, porque dizia que as dificuldades mostram as obras de Deus; o dem\u00f4nio coloca esses obst\u00e1culos para impedir de fazer o bem\u00bb. Madre Morano \u00absempre se mostrou forte nas v\u00e1rias circunst\u00e2ncias da vida\u00bb, confirma a mesma testemunha, \u00ablembrando o exemplo de Dom Bosco, que dizia: <em>Quando n\u00e3o podeis enfrentar uma dificuldade, deveis contorn\u00e1-la<\/em>\u00bb. E ela mesma dizia: \u00abNas lutas, contrariedades e sofrimentos, pensemos no pr\u00eamio eterno que nos ser\u00e1 dado pelo Senhor em recompensa de nossos pequenos sacrif\u00edcios e de nossos sofrimentos. N\u00e3o devemos n\u00f3s, FMA, desanimar, porque nosso Pai, Dom Bosco, nos dizia: \u201cA quem continua a perseverar na voca\u00e7\u00e3o, o Senhor prometeu p\u00e3o, trabalho e Para\u00edso\u201d\u00bb.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A santidade das FMA no per\u00edodo considerado era uma realidade vis\u00edvel e percept\u00edvel, tanto dentro do Instituto quanto fora dele. Por parte das pr\u00f3prias FMA, ela era desejada e abra\u00e7ada, com a profiss\u00e3o religiosa, como um caminho seguro de salva\u00e7\u00e3o, trilhado por Dom Bosco que, fazendo frutificar seu carisma, se empenhou em imitar Jesus, Bom Pastor, para a salva\u00e7\u00e3o da juventude. Foi encarnada por mulheres fortes, apaixonadas por Deus que, seguindo o exemplo do Fundador, estavam prontas a sofrer toda humilha\u00e7\u00e3o pelo bem das jovens. Foi vivida pelas FMA na dimens\u00e3o comunit\u00e1ria, com fidelidade criativa, em um clima de alegria e santa alegria. A santidade era admirada, por sua originalidade, e apreciada, devido \u00e0 sua efic\u00e1cia, pelas pessoas que entravam em contato com o <em>Sistema Preventivo<\/em>. Foi buscada por elas atrav\u00e9s da imita\u00e7\u00e3o dos bons exemplos. Foi tamb\u00e9m confundida por algumas com a\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias que a deveriam confirmar e expressar, enquanto sua for\u00e7a estava na extraordin\u00e1ria sutileza interior, atenta \u00e0s jovens da classe popular, e escondida por tr\u00e1s da vida aparentemente ordin\u00e1ria. Os aspectos emergentes das <em>Positiones<\/em> se vislumbram na \u00f3tica da exemplaridade de Dom Bosco continuada por nossas protagonistas nos tra\u00e7os constitutivos de sua espiritualidade, expressa n\u00e3o apenas no feminino, mas enriquecida por sua maternidade educativa e espiritual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ir. Sylwia Ci\u0119\u017ckowska, fma<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar de santidade salesiana na hist\u00f3ria significa confrontar-se com uma experi\u00eancia concreta, amadurecida na vida&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":53293,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":6,"footnotes":""},"categories":[471],"tags":[2561,2557,2592,2570,2228,2619],"class_list":["post-53306","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reflexoes","tag-carisma-salesiano","tag-deus","tag-familia-salesiana","tag-igreja","tag-santos","tag-testemunhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53306"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53306\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53307,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53306\/revisions\/53307"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}