{"id":53097,"date":"2026-04-30T08:09:32","date_gmt":"2026-04-30T08:09:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=53097"},"modified":"2026-04-30T08:10:12","modified_gmt":"2026-04-30T08:10:12","slug":"maria-exemplo-de-um-coracao-aberto-e-disponivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/comunicacoes-do-reitor-mor\/maria-exemplo-de-um-coracao-aberto-e-disponivel\/","title":{"rendered":"Maria. Exemplo de um cora\u00e7\u00e3o aberto e dispon\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><em><i>Habitados por Deus, como Maria, vemo-nos a n\u00f3s mesmos como chamados e enviados<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>Maria levantou-se e foi \u00e0s pressas<\/i><\/em> (Lc 1,39). Poucas palavras, mas cheias de significado. Nestes gestos simples e decididos revela-se a estrutura interior de um cora\u00e7\u00e3o que deixou que Deus habitasse nele de verdade. A partida de Maria n\u00e3o \u00e9 uma partida qualquer: \u00e9 a resposta de uma vida recolhida, de uma alma que, por ter aprendido a escutar e a discernir, chega depois a responder. Maria, tendo vivido a experi\u00eancia da anuncia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se det\u00e9m a elaborar o que acabou de lhe acontecer. Maria n\u00e3o se fecha na intimidade da sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, extraordin\u00e1ria e profunda, guardando-a para si. Pelo contr\u00e1rio, deixa-se plasmar e guiar pela Palavra. E p\u00f5e-se em movimento em dire\u00e7\u00e3o ao outro.<\/p>\n<p>O movimento de Maria \u00e9 um movimento espiritual: acolheu o Verbo, e agora \u00e9 o Verbo que habita nela que a orienta para o pr\u00f3ximo. Quem ama verdadeiramente como consequ\u00eancia do fato de se sentir amado por Deus, esquece-se de si mesmo e coloca-se a servi\u00e7o do pr\u00f3ximo. Maria ensina-nos que a disponibilidade do cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma virtude acess\u00f3ria, mas a forma como o amor de Deus ganha forma na vida de quem n\u2019Ele cr\u00ea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Disponibilidade: sair da vis\u00e3o restrita<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Habitados por Deus, como Maria, vemo-nos a n\u00f3s mesmos como chamados e enviados. A a\u00e7\u00e3o de Maria contrasta com uma vis\u00e3o da vida constru\u00edda sobre o \u201ceu\u201d indispon\u00edvel, fechado em si mesmo. Quando decidimos apenas observar o mundo a partir de um ponto de observa\u00e7\u00e3o restrito, corremos o risco de chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que a nossa opini\u00e3o cont\u00e9m a verdade inteira. \u00c9 a tenta\u00e7\u00e3o de sempre: reduzir a realidade \u00e0quilo que j\u00e1 vimos, medimos, programamos. O nosso modo de pensar e ver torna-se a medida \u00fanica e exclusiva.<\/p>\n<p>Maria mostra-nos que a abertura do cora\u00e7\u00e3o \u00e9, antes de tudo, um esvaziamento do pr\u00f3prio ego\u00edsmo. Quando se permanece fechado, em vez de se deixar conduzir pela caridade, perde-se aquele movimento do cora\u00e7\u00e3o que recebe o dom de Deus para depois se aproximar do pr\u00f3ximo. A verdadeira disponibilidade do cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o humana. \u00c9, acima de tudo, uma gra\u00e7a que deve ser invocada, livremente recebida, guardada e exercitada todos os dias. N\u00e3o se vai ao encontro do outro em sentido pleno, livre e alegre, se n\u00e3o deixarmos que Deus esteja vivo no cora\u00e7\u00e3o. Que seja Ele a tornar-nos abertos, escancarando-nos os olhos para aquilo que supera a nossa pequena e m\u00edsera l\u00f3gica humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Esvaziar-se \u00e9 a forma primeira do amor<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Numa cultura como a nossa, existe o risco sutil da autorreferencialidade: o de acreditar que a pr\u00f3pria identidade se constr\u00f3i olhando para si mesmo, como num espelho cada vez menor. Maria testemunha-nos uma outra maneira de olhar a vida: reposiciona toda a sua vida na presen\u00e7a da Palavra no seu cora\u00e7\u00e3o e, depois, na necessidade de Isabel. Uma escolha que coloca a necessidade do pr\u00f3ximo como um chamado, fruto da rela\u00e7\u00e3o com Deus. E \u00e9 por isso que parte \u00e0s pressas ao encontro de quem precisa.<\/p>\n<p>A verdadeira disponibilidade tem nas suas ra\u00edzes a coragem de se questionar, de renunciar a si mesmo, mesmo quando isso parece uma perda. N\u00e3o se trata de generosidade exibida, mas de uma liberdade interior que nasce de ter descoberto que s\u00f3 posso ser eu mesmo doando-me ao outro de modo radical. Aqui, o cora\u00e7\u00e3o aberto e dispon\u00edvel n\u00e3o \u00e9 a conquista de um trof\u00e9u, mas o abandono \u00e0 vontade do Pai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>N\u00e3o um gesto de bondade, mas uma obedi\u00eancia a Deus que habita o cora\u00e7\u00e3o<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Maria n\u00e3o vai at\u00e9 Isabel apenas porque humanamente acredita que a prima idosa precisa de ajuda. A visita\u00e7\u00e3o \u00e0 prima n\u00e3o \u00e9 um gesto de bondade: \u00e9 a presen\u00e7a do Filho, que no ventre est\u00e1 conformando a M\u00e3e a si mesmo. O caminho de Maria at\u00e9 Isabel \u00e9 a pr\u00f3pria miss\u00e3o de Deus que toma a forma de um caminho em dire\u00e7\u00e3o ao outro.<\/p>\n<p>A visita de Maria \u00e9 uma miss\u00e3o que \u00e9 fruto da vinda do Filho nela. Porque quando Jesus se torna verdadeiramente parte da nossa vida, tudo o que somos e fazemos sai desta fonte \u00fanica. Do encontro pessoal com Cristo brota a miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Disponibilidade incondicional: al\u00e9m dos resultados<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Diante desta escolha livre e generosa de Maria, o nosso desejo de imit\u00e1-la \u00e9 marcado por uma tenta\u00e7\u00e3o muito sutil, mas sempre presente: a de querer ver que tipo de resultados t\u00eam as nossas escolhas. Maria, que logo se p\u00f5e a caminho, comunica-nos a decis\u00e3o de um cora\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 cheio e n\u00e3o procura seguran\u00e7as e certezas fora de si. Porque a medida da miss\u00e3o e do seu sucesso est\u00e1 na sua viva rela\u00e7\u00e3o com a Palavra que habita nela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><b>Maria, \u00edcone do cora\u00e7\u00e3o livre \u2013 Palavra, f\u00e9 e caridade<\/b><\/strong><\/p>\n<p>O Cardeal Martini oferece-nos uma reflex\u00e3o breve, mas densa e essencial: a <strong><b>Palavra<\/b><\/strong> \u00e9 a semente, a <strong><b>f\u00e9<\/b><\/strong> \u00e9 o ventre que acolhe, a <strong><b>caridade<\/b><\/strong> \u00e9 o fruto que nasce. Maria \u00e9 a mulher que viveu esta din\u00e2mica na sua plenitude: com humildade acolhe a <strong><b>Palavra<\/b><\/strong>, com <strong><b>f\u00e9<\/b><\/strong> levanta-se \u00e0s pressas, com <strong><b>caridade<\/b><\/strong> doa-se. O seu \u201cir \u00e0s pressas\u201d comunica aquele gesto de caridade que reflete um cora\u00e7\u00e3o livre e libertador, iluminado pela Palavra que sustenta a sua f\u00e9.<\/p>\n<p>Um cora\u00e7\u00e3o aberto e dispon\u00edvel n\u00e3o \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o sentimentalmente bom: \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o que aprendeu a estar na tens\u00e3o entre o an\u00fancio recebido e assumido, e o irm\u00e3o e a irm\u00e3 que esperam, entre a gra\u00e7a interior e o caminho a percorrer, entre o mist\u00e9rio de Deus e a concretude da necessidade humana.<\/p>\n<p>Maria ensina-nos que n\u00e3o \u00e9 preciso esperar ter entendido tudo para partir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Habitados por Deus, como Maria, vemo-nos a n\u00f3s mesmos como chamados e enviados &nbsp; &nbsp;&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":53084,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":2,"footnotes":""},"categories":[170],"tags":[2565,1749,2557,1821,1689,2025],"class_list":["post-53097","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comunicacoes-do-reitor-mor","tag-caridade","tag-conselhos","tag-deus","tag-graca","tag-maria","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53097","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53097"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53097\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53098,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53097\/revisions\/53098"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53097"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53097"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53097"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}