{"id":53075,"date":"2026-04-24T06:04:44","date_gmt":"2026-04-24T06:04:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=53075"},"modified":"2026-04-24T06:05:27","modified_gmt":"2026-04-24T06:05:27","slug":"o-mes-de-maio-consagrado-a-maria-imaculada-para-uso-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/santissima-virgem-maria\/o-mes-de-maio-consagrado-a-maria-imaculada-para-uso-do-povo\/","title":{"rendered":"O m\u00eas de maio consagrado a Maria Imaculada para uso do povo"},"content":{"rendered":"<p><em>Em 1858, S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco publicou \u201cO m\u00eas de maio consagrado a Maria Sant\u00edssima Imaculada para uso do povo\u201d, uma obra simples e acess\u00edvel, pensada para favorecer a devo\u00e7\u00e3o mariana entre os fi\u00e9is, em particular entre os jovens e as fam\u00edlias. O m\u00eas de maio, tradicionalmente dedicado a Maria na piedade popular, \u00e9 aqui marcado por medita\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, exemplos edificantes e pr\u00e1ticas de piedade que ajudam o leitor a viver cada dia com intensidade espiritual. Com uma linguagem clara e afetuosa, Dom Bosco prop\u00f5e um caminho que une doutrina e vida, afeto filial por Nossa Senhora e compromisso concreto de convers\u00e3o. O texto reflete sua pedagogia pastoral, centrada na confian\u00e7a em Maria Imaculada como guia segura para Jesus. Esta obra insere-se no mais amplo projeto educativo e espiritual do santo turinense, que via na devo\u00e7\u00e3o mariana uma chave para a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do povo.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271806\">Da devo\u00e7\u00e3o a Maria<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271807\">A Igreja aprova esta devo\u00e7\u00e3o e concede indulg\u00eancias a quem a pratica<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271808\">Instru\u00e7\u00f5es sobre a forma de praticar o m\u00eas mariano<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271809\">Tr\u00eas coisas a praticar durante todo o m\u00eas<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271810\">\u201cFioretti\u201d a serem sorteados e praticados um por dia durante todo o m\u00eas<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271811\">\u00daltimo dia de abril<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271812\">Primeiro dia de maio. Deus nosso Criador<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271813\">Segundo dia. A alma<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271814\">Terceiro dia. A Reden\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271815\">Quarto dia. A Igreja de Jesus Cristo<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271816\">Quinto dia. O chefe da Igreja<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271817\">Sexto dia. Os Pastores da Igreja<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271818\">S\u00e9timo dia. A f\u00e9<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271819\">Oitavo dia. Os Santos Sacramentos<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271820\">Nono dia. Dignidade do crist\u00e3o<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271821\">D\u00e9cimo dia. Preciosidade do tempo<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271822\">D\u00e9cimo primeiro dia. Presen\u00e7a de Deus<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271823\">D\u00e9cimo segundo dia. Fim do homem<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271824\">D\u00e9cimo terceiro dia. A salva\u00e7\u00e3o da alma<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271825\">D\u00e9cimo quarto dia. O pecado<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271826\">D\u00e9cimo quinto dia. A morte<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271827\">D\u00e9cimo sexto dia. Ju\u00edzo particular<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271828\">D\u00e9cimo s\u00e9timo dia. O ju\u00edzo universal<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271829\">D\u00e9cimo oitavo dia. Os castigos do inferno<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271830\">D\u00e9cimo nono dia. Eternidade das penas do inferno<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271831\">Vig\u00e9simo dia. A miseric\u00f3rdia de Deus<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271832\">Vig\u00e9simo primeiro dia. A confiss\u00e3o<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271833\">Vig\u00e9simo segundo dia. O confessor<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271834\">Vig\u00e9simo terceiro dia. A Santa Missa<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271835\">Vig\u00e9simo quarto dia. A Santa Comunh\u00e3o<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271836\">Vig\u00e9simo quinto dia. O pecado da desonestidade<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271837\">Vig\u00e9simo sexto dia. A virtude da pureza<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271838\">Vig\u00e9simo s\u00e9timo dia. O respeito humano<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271839\">Vig\u00e9simo oitavo dia. Do Para\u00edso<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271840\">Vig\u00e9simo nono dia. Um meio para garantir o Para\u00edso<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271841\">Trig\u00e9simo dia. Maria, nossa protetora na vida presente<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271842\">Trig\u00e9simo primeiro dia. Maria, nossa protetora na hora da morte<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271843\">Primeiro dia de junho. Como garantir a prote\u00e7\u00e3o de Maria<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271844\">Oferta do cora\u00e7\u00e3o a Maria<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271845\">F\u00f3rmula da oferta do cora\u00e7\u00e3o a Maria<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271846\">Ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Bernardo<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271847\">Indulg\u00eancias concedidas pelo Papa Pio IX<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc204271848\">Louvor a Maria<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443953\"><\/a><a name=\"_Toc204271368\"><\/a><a name=\"_Toc204271806\"><\/a><strong>Da devo\u00e7\u00e3o a Maria<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O m\u00eas de maio, que \u00e9 o mais encantador do ano, deveria, com toda a raz\u00e3o, ser consagrado a Maria. Neste m\u00eas, a natureza cobre os prados de ervas, as plantas de flores e as vinhas de brotos. Nele, o homem se dedica com especial ardor ao cultivo da terra, que come\u00e7a a lhe dar esperan\u00e7a de uma colheita abundante; mas que para ele \u00e9 motivo de temor pelos perigos a que est\u00e3o expostos os frutos de seu trabalho. Pois um granizo, um turbilh\u00e3o, uma invas\u00e3o, uma seca ou outro infort\u00fanio podem, num instante, destruir todas as suas esperan\u00e7as e causar fome e escassez a uma vila, a uma cidade e, \u00e0s vezes, a todo um reino. Portanto, al\u00e9m das necessidades espirituais que a todo momento devem nos levar a recorrer a esta m\u00e3e misericordiosa, h\u00e1 uma raz\u00e3o temporal, ou seja, que Ela aben\u00e7oe e proteja nossas casas, nosso gado, os frutos do campo e nos defenda dos infort\u00fanios.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a devo\u00e7\u00e3o a esta grande Rainha do C\u00e9u foi em todos os tempos o conforto da humanidade. Desde o tempo dos Ap\u00f3stolos at\u00e9 n\u00f3s, n\u00e3o h\u00e1 s\u00e9culo, ano, m\u00eas, semana, dia, hora, e podemos dizer que n\u00e3o h\u00e1 momento que n\u00e3o seja marcado por alguma gra\u00e7a obtida por esta m\u00e3e piedosa aos seus devotos. \u00c9 verdade tamb\u00e9m que n\u00e3o h\u00e1 reino, cidade, vila ou casa onde, se n\u00e3o houver um altar, haja pelo menos uma imagem ou est\u00e1tua em honra de Maria, em sinal das gra\u00e7as e favores recebidos. No entanto, o m\u00eas de maio pareceu dever ser consagrado de maneira especial a Maria.<\/p>\n<p>Desde o ano de1700, em v\u00e1rias cidades do Piemonte, realizavam-se exerc\u00edcios especiais de piedade crist\u00e3 em todos os dias de maio em honra de Maria. Descobriu-se que esta s\u00e9rie de s\u00faplicas di\u00e1rias feitas a esta M\u00e3e misericordiosa era um meio muito poderoso para obter a sua prote\u00e7\u00e3o nas nossas v\u00e1rias necessidades. Esta devo\u00e7\u00e3o cresceu cada vez mais. Fam\u00edlias, comunidades religiosas, cidades e vilas acolheram esta devo\u00e7\u00e3o como fonte de grandes b\u00ean\u00e7\u00e3os. P\u00e1rocos e bispos promoveram-na com zelo nas suas respectivas dioceses. E no ano de 1747, Dom Saporiti, arcebispo de G\u00eanova, ordenou que fosse impresso um livro intitulado: <em>O m\u00eas de Maria, ou seja, o m\u00eas de maio consagrado a Maria com o exerc\u00edcio de v\u00e1rias flores da virtude a praticar nas casas das fam\u00edlias crist\u00e3s.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271369\"><\/a><a name=\"_Toc204271807\"><\/a><strong>A Igreja aprova esta devo\u00e7\u00e3o e concede indulg\u00eancias a quem a pratica<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste s\u00e9culo, com as necessidades espirituais e temporais se tornando mais evidentes, aumentou tamb\u00e9m a preocupa\u00e7\u00e3o dos devotos de Maria em propagar a devo\u00e7\u00e3o a Ela no m\u00eas de maio. Os bispos aprovaram-na e empenharam-se em torn\u00e1-la permanente nas suas dioceses. Mas as pr\u00e1ticas religiosas n\u00e3o satisfazem inteiramente o cat\u00f3lico, se n\u00e3o forem aprovadas pelo Vig\u00e1rio de Jesus Cristo, Pastor Supremo estabelecido por Deus para reger e governar o rebanho universal de toda a cristandade. Eis que os mesmos Pont\u00edfices aprovam, promovem e enriquecem com tesouros celestiais as pr\u00e1ticas que se fazem neste m\u00eas em honra de Maria. Sua Santidade Pio VII, de santa mem\u00f3ria, com seu Decreto de 21 de mar\u00e7o de 1815, concedeu as seguintes indulg\u00eancias:<\/p>\n<p>1\u00aa 300 dias de indulg\u00eancia em cada dia a todos aqueles que realizarem alguma pr\u00e1tica de piedade no m\u00eas de maio em honra de Maria Sant\u00edssima.<\/p>\n<p>2\u00aa Indulg\u00eancia plen\u00e1ria no dia da encerramento ou em qualquer dia desse m\u00eas em que se fa\u00e7a a confiss\u00e3o e a comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>3\u00aa O mesmo Sumo Pont\u00edfice, com outro Decreto de 18 de junho de 1822, confirmou as indulg\u00eancias acima mencionadas, tornando-as aplic\u00e1veis \u00e0s almas do Purgat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Eis, \u00f3 leitor crist\u00e3o, um breve resumo sobre a origem do m\u00eas mariano. Tal devo\u00e7\u00e3o baseia-se na grande venera\u00e7\u00e3o que os fi\u00e9is crist\u00e3os sempre professaram pela grande Rainha do C\u00e9u; baseia-se nas grandes necessidades espirituais e temporais que nos cercam e das quais podemos ser aliviados por Maria; baseia-se no consenso dos fi\u00e9is, na aprova\u00e7\u00e3o dos bispos e do pr\u00f3prio Vig\u00e1rio de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Animado, portanto, pelo esp\u00edrito de um filho que recorre a uma m\u00e3e terna, comece a ler e a praticar o que foi exposto para o bem comum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443955\"><\/a><a name=\"_Toc204271370\"><\/a><a name=\"_Toc204271808\"><\/a><strong>Instru\u00e7\u00f5es sobre como praticar o m\u00eas mariano<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todo crist\u00e3o \u00e9 calorosamente convidado a participar das fun\u00e7\u00f5es sagradas que se realizam na par\u00f3quia ou em outra igreja p\u00fablica. Aqueles que n\u00e3o podem participar na igreja, ou querem, al\u00e9m do que se faz em p\u00fablico, acrescentar algo em sua fam\u00edlia, podem seguir o seguinte<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>: No \u00faltimo dia de abril, em sua casa e na sala onde a fam\u00edlia se re\u00fane para recitar as ora\u00e7\u00f5es diante da imagem de Maria, prepare um pequeno altar e decore essa imagem ou est\u00e1tua da melhor maneira poss\u00edvel; coloque casti\u00e7ais, tapetes, alguns vasos de flores, principalmente se forem frescas, como as que a esta\u00e7\u00e3o oferece. Se poss\u00edvel, fa\u00e7a isso na mesma sala onde se trabalha, estuda, brinca, se diverte, para santificar assim aquele lugar e regular nossas a\u00e7\u00f5es, como se fossem feitas sob os olhos pur\u00edssimos da Sant\u00edssima Virgem.<\/p>\n<p>Na noite anterior ao primeiro dia de maio, reunida a fam\u00edlia com outros fi\u00e9is diante do altar iluminado acima mencionado, recite-se a terceira parte do Ros\u00e1rio, ou pelo menos as Ladainhas da Virgem Maria. Terminadas estas ora\u00e7\u00f5es, leia-se a considera\u00e7\u00e3o designada para cada dia, com o exemplo anexo e a jaculat\u00f3ria. Em seguida, tire-se \u00e0 sorte uma das florezinhas espirituais que a seguir apresentamos. Elas devem ser copiadas e dobradas em forma de bilhetinhos com os atos de virtude que devem ser o exerc\u00edcio di\u00e1rio de cada dia do m\u00eas.<\/p>\n<p>Para facilitar as pr\u00e1ticas de piedade deste m\u00eas, \u00e9 bom n\u00e3o aumentar muito os exerc\u00edcios crist\u00e3os, porque eles se tornariam muito apressados ou feitos de m\u00e1 vontade, principalmente se houver crian\u00e7as ou pessoas muito ocupadas com assuntos temporais.<\/p>\n<p>Leiam com aten\u00e7\u00e3o a considera\u00e7\u00e3o designada para cada dia, cumpram pontualmente a pr\u00e1tica que ser\u00e1 indicada pela florzinha extra\u00edda. \u00c0 noite, antes de se deitarem, far\u00e3o bem em recordar a leitura do dia.<\/p>\n<p>Durante o m\u00eas, aproximem-se pelo menos duas vezes dos Santos Sacramentos da confiss\u00e3o e da comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma vez que as indulg\u00eancias que podem ser lucradas neste m\u00eas podem ser aplicadas \u00e0s almas do Purgat\u00f3rio, recomenda-se vivamente que as apliquem, porque, como ensina Santo Agostinho, ao aliviar as almas do Purgat\u00f3rio, tamb\u00e9m procuramos um bem maior para n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>\u00c9 bom avisar que, para obter as santas indulg\u00eancias, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio usar este ou outro livro, basta participar das fun\u00e7\u00f5es da igreja ou fazer algum exerc\u00edcio devoto em fam\u00edlia. Os Sumos Pont\u00edfices exigem apenas que se fa\u00e7a alguma pr\u00e1tica de piedade em honra de Maria, rezando pelas necessidades atuais da Santa Igreja.<\/p>\n<p>No final do m\u00eas, far\u00e3o a oferta do cora\u00e7\u00e3o a Maria, tal como est\u00e1 exposto no final das considera\u00e7\u00f5es di\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271809\"><\/a><strong>Tr\u00eas coisas a praticar durante todo o m\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1\u00aa Fazer tudo o que pudermos para n\u00e3o cometer nenhum pecado durante este m\u00eas: que ele seja todo consagrado a Maria.<\/p>\n<p>2\u00aa Dedicar-se com grande zelo ao cumprimento dos deveres espirituais e temporais do nosso estado. Por exemplo, recitar com especial devo\u00e7\u00e3o as ora\u00e7\u00f5es da manh\u00e3 e da noite; a ora\u00e7\u00e3o com o sinal da Santa Cruz, que se costuma fazer antes e depois das refei\u00e7\u00f5es. Participar com maior exemplaridade nas fun\u00e7\u00f5es sagradas da igreja nos dias festivos.<\/p>\n<p>3\u00aa Convidar nossos parentes, amigos e todos aqueles que dependem de n\u00f3s a participar das pr\u00e1ticas de piedade que se fazem em honra de Maria durante o m\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271810\"><\/a><strong>Florezinhas a serem sorteadas e praticadas, uma por dia, durante o m\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Chegada a hora de levantar-me, levantar-me-ei logo da cama, vestindo-me com a m\u00e1xima mod\u00e9stia.<\/li>\n<li>Ouvirei devotamente a Santa Missa em sufr\u00e1gio das almas do Purgat\u00f3rio e, se n\u00e3o puder, recitarei cinco <em>Pai-Nossos<\/em>, <em>Ave-Marias <\/em>e <em>R\u00e9quiem<\/em>.<\/li>\n<li>Perdoarei de bom cora\u00e7\u00e3o todos aqueles que me ofenderam e direi: Senhor, perdoai os meus pecados, assim como eu perdoo aos que que me ofenderam.<\/li>\n<li>Mortificarei minha l\u00edngua com o sil\u00eancio, ocupando-a em cantar algum louvor a Maria.<\/li>\n<li>Mortificarei a boca, abstendo-me de alguma por\u00e7\u00e3o de comida ou bebida.<\/li>\n<li>Mortificarei os olhos, mantendo-os fixos por alguns instantes sobre um crucifixo ou sobre uma imagem de Maria.<\/li>\n<li>Direi com especial devo\u00e7\u00e3o o <em>Angelus Domini [Santo Anjo] <\/em>pela manh\u00e3, \u00e0 tarde e ao meio-dia, beijando a medalha de Maria.<\/li>\n<li>\u00c0 noite, antes de me deitar, recitarei uma Salve Maria por aqueles que Deus chamar\u00e1 nesta noite para a eternidade.<\/li>\n<li>Ficarei alguns instantes refletindo nos frutos obtidos das confiss\u00f5es passadas, depois farei um ato de contri\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Ficarei alguns instantes refletindo na paix\u00e3o de Jesus Cristo, depois direi: Santa M\u00e3e, por favor, fazei com que as chagas do Senhor fiquem impressas no meu cora\u00e7\u00e3o. Cada vez que se recita esta jaculat\u00f3ria, ganha-se a indulg\u00eancia de trezentos dias.<\/li>\n<li>Tudo o que fizer amanh\u00e3, quero faz\u00ea-lo por aquela alma do Purgat\u00f3rio, que em vida foi mais devota que Maria.<\/li>\n<li>Antes de me deitar, beijarei o Crucifixo dizendo: Maria, se eu morrer esta noite, fazei com que eu morra na gra\u00e7a de Deus.<\/li>\n<li>Vou me preparar para fazer uma confiss\u00e3o como se fosse a \u00faltima da minha vida.<\/li>\n<li>Farei a comunh\u00e3o em honra de Maria; e, se n\u00e3o puder, recitarei os atos de f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade.<\/li>\n<li>Darei um bom conselho a algu\u00e9m de meu conhecimento, para reparar o esc\u00e2ndalo causado pelas conversas da minha vida passada.<\/li>\n<li>Darei uma esmola de acordo com a minha condi\u00e7\u00e3o; se n\u00e3o puder faz\u00ea-la, recitarei tr\u00eas Ave-Marias pela convers\u00e3o dos pecadores.<\/li>\n<li>Beijarei tr\u00eas vezes a terra, dizendo: eu sou terra e em breve voltarei \u00e0 terra.<\/li>\n<li>Ficarei algum tempo a considerar as confiss\u00f5es da vida passada e, se alguma coisa me fizer julg\u00e1-las nulas ou duvidosas, preparar-me-ei para remediar o mais rapidamente poss\u00edvel com uma confiss\u00e3o geral.<\/li>\n<li>Recitarei trinta e tr\u00eas <em>Gl\u00f3rias ao Pai <\/em>em honra dos trinta e tr\u00eas anos vividos por Jesus com Maria, sua m\u00e3e.<\/li>\n<li>N\u00e3o comerei nem beberei durante o dia sem necessidade.<\/li>\n<li>Mandarei celebrar ou, pelo menos, irei ouvir uma missa pelas almas dos meus parentes falecidos.<\/li>\n<li>Passarei o dia em recolhimento, em louvor ao tempo que Maria passou no Templo.<\/li>\n<li>Jejuarei de acordo com o meu estado em honra das dores sofridas por Maria na paix\u00e3o de Jesus, seu filho.<\/li>\n<li>Farei uma esmola em sufr\u00e1gio da alma que h\u00e1 mais tempo sofre no Purgat\u00f3rio.<\/li>\n<li>Fugirei da vaidade no vestir e no falar, e direi tr\u00eas <em>Angelus Dei [Santo Anjo] <\/em>para obter o esp\u00edrito de humildade e penit\u00eancia. Cada vez que se diz <em>o Santo Anjo<\/em>, ganha-se a indulg\u00eancia de 100 dias.<\/li>\n<li>Recitarei as ladainhas da Virgem Maria para que ela obtenha de Jesus que todos aqueles que morrerem neste m\u00eas morram na gra\u00e7a de Deus.<\/li>\n<li>Preparar-me-ei para fazer uma confiss\u00e3o geral, ou pelo menos rever as minhas confiss\u00f5es desde a \u00faltima confiss\u00e3o geral, segundo o conselho do meu confessor.<\/li>\n<li>Recitarei as sete alegrias e, se n\u00e3o puder, direi sete <em>Ave-Marias, <\/em>dizendo: Jesus, Jos\u00e9 e Maria, que a minha alma descanse em paz convosco.<\/li>\n<li>Em honra de Maria, quero desapropriar-me de algo que me \u00e9 caro, para que n\u00e3o me seja t\u00e3o doloroso abandonar o mundo na hora da morte.<\/li>\n<li>Pensarei na ocasi\u00e3o que me fez recair em pecado e me esfor\u00e7arei para fugir dela no futuro.<\/li>\n<li>Fugirei da ociosidade e pedirei perd\u00e3o a Maria pelas neglig\u00eancias cometidas neste m\u00eas e, com os bra\u00e7os em cruz, direi: <em>Salve, Rainha, <\/em>etc.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443956\"><\/a><a name=\"_Toc204271371\"><\/a><a name=\"_Toc204271811\"><\/a><strong>\u00daltimo dia de abril<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> .<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Motivos para ser devotos de Maria<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vem comigo, \u00f3 crist\u00e3o, e considera os in\u00fameros motivos que todos temos para ser devotos de Maria. Come\u00e7arei por mencionar os tr\u00eas principais, que s\u00e3o os seguintes: Maria \u00e9 mais santa do que todas as criaturas, Maria \u00e9 m\u00e3e de Deus, Maria \u00e9 nossa m\u00e3e.<\/p>\n<p>1\u00ba Em todo o Antigo Testamento, Maria \u00e9 chamada de toda bela e sem mancha: \u00e9 comparada ao sol resplandecente; \u00e0 lua em sua plenitude de luz; \u00e0s estrelas mais brilhantes; a um jardim cheio das flores mais deliciosas; a uma fonte selada de onde brota a \u00e1gua mais l\u00edmpida; a uma pomba humilde; a um l\u00edrio pur\u00edssimo. No Evangelho, ela \u00e9 chamada pelo anjo Gabriel de <em>cheia de gra\u00e7a, \u201cAve, gratia plena\u201d<\/em>. Cheia de gra\u00e7a, ou seja, criada e formada na gra\u00e7a, o que significa que Maria, desde o primeiro instante de sua exist\u00eancia, foi sem mancha original e atual, e sem mancha perseverou at\u00e9 o \u00faltimo suspiro de vida. Cheia de gra\u00e7a, e por isso n\u00e3o houve o menor defeito que entrasse no seu cora\u00e7\u00e3o pur\u00edssimo; nem h\u00e1 virtude alguma que n\u00e3o tenha sido praticada por Maria no grau mais sublime. A Igreja Cat\u00f3lica expressa esta santidade de Maria definindo que ela sempre esteve isenta de toda culpa, e nos convida a invoc\u00e1-la com as seguintes palavras preciosas: <em>Regina sine labe originali concepta, ora pro nobis. <\/em>Rainha concebida sem pecado original, rogai por n\u00f3s que recorremos a v\u00f3s.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>2\u00b0 O fato de Maria estar isenta de toda mancha de pecado original e atual; ser adornada com todas as virtudes que podemos imaginar; ter sido repleta por Deus com mais gra\u00e7a do que qualquer outra criatura, todas essas prerrogativas a fizeram ser escolhida entre todas as mulheres para ser elevada \u00e0 dignidade de m\u00e3e de Deus. Esta \u00e9 a not\u00edcia que o Anjo lhe deu: isto repetiu Santa Isabel quando foi visitada pela Santa Virgem: esta \u00e9 a sauda\u00e7\u00e3o que os fi\u00e9is crist\u00e3os lhe dirigem todos os dias, dizendo: Santa Maria, M\u00e3e de Deus, rogai por n\u00f3s. \u00d3 glorioso nome de M\u00e3e de Deus, o intelecto humano falha, por isso, inclinando a testa em sinal de profunda venera\u00e7\u00e3o, limitamo-nos a dizer que nenhuma criatura pode ser elevada a dignidade mais sublime, nenhuma criatura pode alcan\u00e7ar maior grau de gl\u00f3ria; e, consequentemente, nenhuma criatura pode ser mais poderosa junto a Deus do que Maria.<\/p>\n<p>3\u00ba Mas se o t\u00edtulo de M\u00e3e de Deus \u00e9 glorioso para Maria, \u00e9 tamb\u00e9m muito consolador e \u00fatil para n\u00f3s, que somos seus filhos. Pois, tornando-se m\u00e3e de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, ela tornou-se tamb\u00e9m nossa m\u00e3e. Jesus Cristo, em sua grande miseric\u00f3rdia, quis chamar-nos seus irm\u00e3os e, com esse nome, constitui-nos todos filhos adotivos de Maria. O Evangelho confirma o que aqui dizemos. O Divino Salvador estava na cruz e sofria as dores da mais penosa agonia. Sua M\u00e3e Sant\u00edssima e o ap\u00f3stolo S\u00e3o Jo\u00e3o estavam a seus p\u00e9s, imersos na mais profunda dor; quando Jesus abriu os olhos, e talvez fosse a \u00faltima vez que os abria em sua vida mortal, viu o disc\u00edpulo predileto e sua querida M\u00e3e. Ent\u00e3o, abriu os l\u00e1bios moribundos e disse a Maria: \u201cMulher, eis o teu filho\u201d; depois disse a Jo\u00e3o: \u201cEis a tua m\u00e3e\u201d; <em>\u201cmulier,<\/em> <em>ecce filius tuus; ecce mater tua\u201d.<\/em> Neste fato, os santos Padres reconhecem unanimemente a vontade do Divino Salvador, que antes de deixar o mundo quis nos dar Maria como nossa M\u00e3e amorosa e nos constituiu todos seus filhos. Maria \u00e9 tamb\u00e9m nossa m\u00e3e porque nos regenerou por meio de Jesus Cristo na gra\u00e7a. Pois, assim como Eva \u00e9 chamada m\u00e3e dos viventes, Maria \u00e9 m\u00e3e de todos os fi\u00e9is pela gra\u00e7a (Ricardo de S\u00e3o Louren\u00e7o). A este respeito, S\u00e3o Guilherme Abade expressa-se assim: Maria \u00e9 M\u00e3e da Cabe\u00e7a, portanto \u00e9 tamb\u00e9m M\u00e3e dos membros, que somos n\u00f3s: <em>Nos sumus membra Christi [N\u00f3s somos membros de Cristo]. <\/em>Maria, ao dar \u00e0 luz Jesus, regenerou-nos tamb\u00e9m espiritualmente. Por isso, Maria \u00e9 justamente chamada por todos de M\u00e3e e, como tal, merece ser honrada. (<em>Gugl. Ab. cant.<\/em> 4.)<\/p>\n<p>Eis, \u00f3 crist\u00e3os, a pessoa que venho propor \u00e0 vossa venera\u00e7\u00e3o durante este m\u00eas. Ela \u00e9 a mais santa entre todas as criaturas; a m\u00e3e de Deus, nossa m\u00e3e, m\u00e3e poderosa e piedosa que deseja ardentemente nos cumular de favores celestiais. Ela nos diz: eu moro no mais alto dos c\u00e9us para encher de gra\u00e7as e b\u00ean\u00e7\u00e3os os meus devotos: <em>ut ditem diligentes me, et thesauros eorum repleam [para enriquecer os que me amam e encher os seus tesouros \u2013 Pr 8,21).<\/em><\/p>\n<p>Coragem, portanto, devotos de Maria; trata-se de fazer uma grande festa \u00e0 nossa M\u00e3e, \u00e0 M\u00e3e de Jesus. Quando chega o dia da festa de nossa m\u00e3e temporal, n\u00f3s nos alegramos por poder reunir parentes e amigos para nos colocarmos em sua companhia e oferecer um ramo de flores com algumas express\u00f5es de afeto. O m\u00eas de maio \u00e9 a festa da nossa verdadeira M\u00e3e, da nossa celestial Protetora. Celebremo-la, portanto, com alegria. O mais belo ramo que podemos oferecer-lhe \u00e9 aquele que ser\u00e1 composto pelas virtudes que Ela nos deu como exemplos luminosos.<\/p>\n<p>Decidamos neste dia que queremos dirigir, de manh\u00e3 e \u00e0 noite, as ora\u00e7\u00f5es e todos os afetos do nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0quela que temos o prazer de chamar de nossa M\u00e3e. Oremos desde agora para que ela interceda por n\u00f3s junto a seu filho Jesus. Pe\u00e7amos-lhe a gra\u00e7a de que mais precisamos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Para anim\u00e1-los a celebrar com fervor o m\u00eas de maio em honra de Maria, vale o exemplo do ex\u00e9rcito do Oriente quando se encontrava em Constantinopla. Longe da p\u00e1tria, sem igrejas e quase sem ministros sagrados, aqueles soldados crist\u00e3os levaram de suas casas a devo\u00e7\u00e3o e a confian\u00e7a em Maria. Eis o relato feito por um peri\u00f3dico publicado em 7 de junho de 1855: \u201cO m\u00eas de maio foi celebrado em alguns hospitais com uma solenidade piedosa e regular, que honra muito o ex\u00e9rcito do Oriente. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que as b\u00ean\u00e7\u00e3os do c\u00e9u derramadas sobre muitas almas tocadas pela gra\u00e7a se derramar\u00e3o sobre todo o ex\u00e9rcito e ser\u00e3o coroadas com um resultado feliz da pr\u00f3pria guerra.<\/p>\n<p>Antes de essas salas estarem em nosso poder, eram mesquitas, ou seja, igrejas consagradas a Maom\u00e9. Neste ano, come\u00e7aram a ressoar ali os louvores da Rainha do C\u00e9u. Foi erguido ali um altar a Maria, adornado com um gosto que demonstra que cada regimento tem os seus artistas. L\u00e1 se veem colunas esculpidas como por encanto. Ali, m\u00e1rmores trabalhados que apresentam toda a semelhan\u00e7a com os m\u00e1rmores mais finos. Ali, arranjos em papel e cores, que s\u00e3o trabalhos de alguns convalescentes que dedicam seu tempo a coisas que servem para aumentar o decoro do culto \u00e0 Santa Virgem. Cada casa organizou seu coro de c\u00e2nticos, todos os m\u00fasicos e todos os mais talentosos da sociedade harm\u00f4nica se preocupam em participar. Alguns compuseram can\u00e7\u00f5es espirituais, que todos cantam juntos com alegria em honra de Maria. \u00c0 noite, quando termina o canto dos louvores sagrados e das ladainhas da Santa Virgem, o capel\u00e3o ou outro convidado faz uma instru\u00e7\u00e3o adaptada ao dia, que \u00e9 seguida com avidez pelos ouvintes em grande n\u00famero reunidos e devotos. Muitas vezes, a sala n\u00e3o consegue conter a multid\u00e3o de ouvintes. Os pr\u00f3prios feridos fazem-se levar para l\u00e1 meia hora antes, para terem a certeza de ter lugar. Este \u00e9 para eles o momento mais bonito do dia.\u201d Eis, \u00f3 crist\u00e3o, como tamb\u00e9m n\u00f3s podemos celebrar este m\u00eas e dar a Maria um sinal de terna devo\u00e7\u00e3o. Nas cidades, no campo, nas casas, na solid\u00e3o, nos claustros e nos regimentos dos mesmos militares, podem-se oferecer homenagens de devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Rainha de todos os Santos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria<\/em><\/p>\n<p>Virgem piedosa, eis o meu cora\u00e7\u00e3o; inflamai-o com o santo amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que t\u00eam recorrido \u00e0 vossa prote\u00e7\u00e3o, implorado a vossa assist\u00eancia, e reclamado o vosso socorro, fosse por v\u00f3s desamparado. Animado eu, pois, de igual confian\u00e7a, a v\u00f3s, \u00f3 Virgem, entre todas singular, como a M\u00e3e recorro, de v\u00f3s me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos vossos p\u00e9s. N\u00e3o desprezeis as minhas s\u00faplicas, \u00f3 M\u00e3e do Filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir prop\u00edcia e de me alcan\u00e7ar o que vos rogo. Am\u00e9m. <a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443957\"><\/a><a name=\"_Toc204271372\"><\/a><a name=\"_Toc204271812\"><\/a><strong>Primeiro dia de maio. Deus nosso Criador<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Em honra de Maria, pare por alguns instantes para contemplar a majestade de Deus Criador. Se n\u00f3s, crist\u00e3os, abrimos os olhos e damos livre curso aos nossos pensamentos, n\u00e3o podemos deixar de reconhecer a exist\u00eancia, o poder e a sabedoria de Deus, por quem tudo foi criado, de quem tudo depende e se conserva. Quem admira uma casa de excelente constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o ousa dizer que foi por acaso que ela foi constru\u00edda e organizada. Quem dissesse que um rel\u00f3gio foi feito por si mesmo, n\u00f3s o desprezar\u00edamos como louco. Assim, diante da ordem e da maravilhosa harmonia que reina em todo o universo, n\u00e3o se pode hesitar um instante sobre a cren\u00e7a em um Deus que criou, deu movimento a todas as coisas e as conserva. Ele \u00e9 Deus que disse: \u201cHaja luz\u201d, e a luz foi feita. A luz foi separada das trevas e, num instante, espalhou-se pelos vastos espa\u00e7os do c\u00e9u e da terra. \u00c0 palavra do Deus todo-poderoso, o mar foi encerrado em certos limites, a terra cobriu-se de ervas, \u00e1rvores e plantas frut\u00edferas. \u00c0 sua voz, os p\u00e1ssaros, os peixes e os outros animais povoaram o c\u00e9u, a terra e as \u00e1guas. Dizendo <em>fiat, <\/em>fa\u00e7a-se, ele iluminou o sol, a lua e as estrelas. A tudo Ele deu exist\u00eancia com sua onipot\u00eancia, a tudo prov\u00ea com sua bondade. \u00c9 Ele quem sustenta e move o peso formid\u00e1vel da imensid\u00e3o. \u00c9 Ele quem d\u00e1 movimento e vida a todos os seres vivos. Ele d\u00e1 exist\u00eancia a tudo como criador, prov\u00ea a tudo como conservador, e a Ele tudo se refere como fim \u00faltimo. A todas as coisas Ele diz: fui eu que te fiz: <em>ego sum [Eu sou]. <\/em>E nesta palavra, que todo homem pode e deve compreender, expressa-se a sua pot\u00eancia e a sua divindade.<\/li>\n<li>Mas aqui h\u00e1 uma verdade que certamente aumentar\u00e1 nosso espanto. Todas as coisas que contemplamos no universo foram criadas por Ele para n\u00f3s. O sol que brilha durante o dia, a lua que dissipa as trevas da noite, as estrelas que embelezam o firmamento, o ar que nos d\u00e1 o f\u00f4lego, a \u00e1gua que serve aos usos do homem, o fogo que nos aquece, a terra que nos d\u00e1 os frutos, tudo foi feito por Deus para n\u00f3s. <em>Omnia subiecisti sub pedibus eius [Pusestes tudo sob os seus p\u00e9s].<\/em> Que sentimentos de gratid\u00e3o, respeito e amor devemos ter por um Deus t\u00e3o grande e ao mesmo tempo t\u00e3o bom! O que devemos fazer para corresponder a esta grande bondade do nosso Deus? Cumprir exatamente os preceitos da sua santa lei. V\u00ea, \u00f3 crist\u00e3o, se formos obedientes aos mandamentos deste nosso Deus, al\u00e9m do que j\u00e1 fez por n\u00f3s, Ele acrescentar\u00e1 favores a favores. Nossa vida ser\u00e1 repleta de b\u00ean\u00e7\u00e3os celestiais na vida presente e na futura. Mas este Deus, sendo infinitamente justo e misericordioso, dar\u00e1 uma recompensa eterna pelo servi\u00e7o que lhe prestarmos. Recompensa de gl\u00f3ria, se o servirmos com boas obras; mas um castigo terr\u00edvel, se formos rebeldes \u00e0 sua santa lei.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Cada objeto que se apresenta aos nossos olhos neste mundo \u00e9 um fato que fala da majestade, poder e bondade de Deus criador. Poder\u00edamos citar muitos exemplos de corajosos crist\u00e3os que fizeram grandes sacrif\u00edcios para servir a Deus; mas n\u00f3s nos limitamos a citar a oferta de Maria no templo. Quando Maria chegou \u00e0 idade em que as meninas come\u00e7am a correr perigo no mundo, seus pais, S\u00e3o Joaquim e Santa Ana, a levaram ao templo. Certamente ela teve que fazer um grande sacrif\u00edcio ao abandonar seus parentes, amigos e todas as comodidades da casa paterna com o \u00fanico objetivo de aprender a servir a Deus. Mas esse sacrif\u00edcio foi feito por Maria com alegria, porque se tratava de promover a gl\u00f3ria de Deus. L\u00e1 permaneceu v\u00e1rios anos, fazendo resplandecer as virtudes mais luminosas, imitando um grupo de outras virgens que, no mesmo lugar, eram instru\u00eddas na religi\u00e3o e na maneira de conservar a inoc\u00eancia dos costumes. A Igreja celebra esta oferta de Maria ao templo no dia 21 de novembro. \u00c9 em imita\u00e7\u00e3o de Maria que muitos abandonaram as comodidades da terra para ir servir a Deus nos claustros ou nos desertos, ou sacrificando a pr\u00f3pria vida em meio aos mais atrozes tormentos. N\u00f3s, pelo menos, empreguemos para o Senhor o tempo de vida que, em sua bondade, Ele nos conceder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria<\/em><\/p>\n<p>Oh, quantas gra\u00e7as<\/p>\n<p>Devo render<\/p>\n<p>Ao grande Deus<\/p>\n<p>Que me criou!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que no batismo<\/p>\n<p>Me fez seu filho,<\/p>\n<p>Do eterno ex\u00edlio<\/p>\n<p>Me libertou!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443958\"><\/a><a name=\"_Toc204271373\"><\/a><a name=\"_Toc204271813\"><\/a><strong>Segundo dia. A alma<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Deus n\u00e3o \u00e9 apenas o Criador de todas as coisas que existem no c\u00e9u e na terra, mas \u00e9 tamb\u00e9m o nosso Criador. Ele criou o corpo com as belas qualidades que nele contemplamos; a este corpo uniu uma alma que \u00e9 muito mais preciosa do que o corpo e todas as outras coisas que vemos no mundo. Deus nos deu uma alma, ou seja, nos deu aquele ser invis\u00edvel que sentimos dentro de n\u00f3s e que tende continuamente a elevar-se a Deus; aquele ser inteligente que pensa e raciocina, e que n\u00e3o pode encontrar a sua felicidade na terra e que, por isso, mesmo no meio das riquezas e de todos os prazeres da terra, est\u00e1 sempre inquieto at\u00e9 que descanse em Deus, pois s\u00f3 Deus pode torn\u00e1-lo feliz.<\/li>\n<li>Esta alma \u00e9 imortal. Deus \u00e9 infinitamente justo e infinitamente misericordioso; como justo, ele deve recompensar a virtude muitas vezes oprimida na vida presente e deve igualmente punir o v\u00edcio muitas vezes triunfante entre os homens: como isso n\u00e3o acontece neste mundo, deve haver outra vida, na qual a justi\u00e7a divina conceda aos bons a recompensa merecida e aos maus o castigo devido. Al\u00e9m disso, a alma \u00e9 feita \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus. Essa imagem e semelhan\u00e7a seriam imperfeitas se n\u00e3o tivessem a principal prerrogativa do Criador, que \u00e9 a imortalidade. Isso sentimos em n\u00f3s mesmos, naquela voz interior que fala a todos no cora\u00e7\u00e3o e diz: a tua alma n\u00e3o poder\u00e1 ser aniquilada e viver\u00e1 eternamente. Quando Deus criou a alma, soprou sobre o homem e lhe deu o esp\u00edrito da vida; este sopro \u00e9 simples, \u00e9 espiritual, feito \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, que \u00e9 eterno e imortal; por isso, a nossa alma deve ser imortal. Por meio da alma, temos a faculdade de criar ideias, combin\u00e1-las, produzir certas obras-primas, que elevam o homem acima de todas as outras criaturas e provam, como de fato \u00e9, que a alma \u00e9 o s\u00edmbolo ou a marca da intelig\u00eancia de Deus.<\/li>\n<li>Deus deu \u00e0 nossa alma a liberdade, ou seja, a faculdade de escolher o bem ou o mal, garantindo-lhe uma recompensa, se fizer o bem, e amea\u00e7ando-a com um castigo, se escolher o mal. O que, como j\u00e1 foi dito, n\u00e3o se realiza na vida presente, Deus reservou para a eternidade, onde aqueles que agiram bem ser\u00e3o recompensados com uma recompensa que nunca ter\u00e1 fim; e aqueles que transgrediram a lei divina ser\u00e3o punidos com um castigo eterno. Isso foi exatamente o que ensinou nosso Divino Salvador quando disse: os \u00edmpios ir\u00e3o para um castigo eterno preparado para os dem\u00f4nios e seus seguidores; os bons, por\u00e9m, ir\u00e3o para a posse de um reino de gl\u00f3ria, onde desfrutar\u00e3o de todos os bens.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00d3 crist\u00e3o, que tamb\u00e9m tens uma alma imortal, pensa que se a salvares, tudo estar\u00e1 salvo; mas, se a perderes, tudo estar\u00e1 perdido. Tens uma \u00fanica alma, um \u00fanico pecado pode fazer perder tudo. O que seria de n\u00f3s e da nossa alma, se, neste momento, Deus nos chamasse ao seu divino tribunal? Tu que l\u00eas, pensa na tua alma, e eu que escrevo pensarei seriamente na minha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Um fato ocorrido com um ministro do rei Lu\u00eds XVI da Fran\u00e7a nos ensina sobre o amoroso cuidado que Maria tem pela salva\u00e7\u00e3o de nossa alma. Esse ministro, quando jovem, teve a infelicidade de se associar a m\u00e1s companhias, que o fizeram perder o amor pela virtude, pela religi\u00e3o e pela f\u00e9. Ele estava chegando aos oitenta anos de idade. Desde os 15 anos, n\u00e3o praticava mais nenhum ato religioso. Depois de ter sido fil\u00f3sofo, ma\u00e7om e materialista, acabou se tornando ateu, n\u00e3o acreditando mais em nada. Deus, que havia criado aquela alma para si, estava esperando por ela; Maria era a M\u00e3e da miseric\u00f3rdia que deveria conduzi-la a Jesus, seu filho. Ele havia ficado cego, doente, e sua alma estava \u00e0s portas da eternidade. O p\u00e1roco, que realmente se importava com a salva\u00e7\u00e3o daquela alma, n\u00e3o mediu esfor\u00e7os para conquist\u00e1-la. Dez vezes ele se apresentou \u00e0 porta dele, e dez vezes lhe foi proibida a entrada pelos criados, seguindo as ordens do patr\u00e3o. Aquele pastor zeloso, profundamente aflito pelo temor de que aquela alma redimida com o sangue de Jesus Cristo fosse para a perdi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sabendo mais o que fazer, recorreu \u00e0quela que \u00e9 chamada a salva\u00e7\u00e3o do mundo ou o ref\u00fagio dos pecadores. Ele depositou sua confian\u00e7a em Maria, rezou e pediu que rezassem para que ela fosse m\u00e3e de miseric\u00f3rdia tamb\u00e9m para aquela alma, que parecia prestes a se apresentar perante o tribunal de Deus. Ele ent\u00e3o se dirigiu \u00e0 porta daquele senhor, e os criados tentaram mand\u00e1-lo embora, como nas outras vezes. Ele insistiu e, finalmente, foi recebido. Ap\u00f3s algumas cortesias, o doente diz sem pre\u00e2mbulos ao p\u00e1roco: Senhor Padre, Vossa Excel\u00eancia teria a bondade de me dar a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o? O p\u00e1roco, surpreso com tais palavras, respondeu de todo o cora\u00e7\u00e3o. Depois de receb\u00ea-la, acrescentou: Oh, como me consola a sua visita! Eu sou cego e n\u00e3o posso v\u00ea-lo, mas sinto bem a sua presen\u00e7a. Desde que est\u00e1 perto de mim, sinto uma paz no meu cora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o me lembro de ter sentido em toda a minha vida. O p\u00e1roco, aben\u00e7oando em seu cora\u00e7\u00e3o e com miseric\u00f3rdia, come\u00e7a a falar-lhe dos confortos que a religi\u00e3o cat\u00f3lica d\u00e1 na vida e muito mais na hora da morte. O doente acolhe com alegria as palavras do Ministro Sagrado, prepara-se para se confessar, come\u00e7a e termina nos dias seguintes com grande satisfa\u00e7\u00e3o. A vida daquele senhor prolongou-se por cerca de seis meses, mas sempre cheio de f\u00e9 em Deus e de confian\u00e7a na grande Virgem Maria. Ele deu sinais inequ\u00edvocos de arrependimento pelos seus pecados, esfor\u00e7ou-se por reparar o esc\u00e2ndalo causado e, munido dos Santos Sacramentos e dos outros confortos que a religi\u00e3o cat\u00f3lica administra ao crist\u00e3o enfermo, entregou a alma ao Senhor em 10 de abril de 1837. (<em>Do Manual da Arquiconfraria)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Recorro suplicante<\/p>\n<p>A V\u00f3s, \u00f3 Maria,<\/p>\n<p>Mostrai-me<\/p>\n<p>O caminho do c\u00e9u.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443959\"><\/a><a name=\"_Toc204271374\"><\/a><a name=\"_Toc204271814\"><\/a><strong>Terceiro dia. A Reden\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Um mist\u00e9rio incompreens\u00edvel para a mente humana, que demonstra a preciosidade da nossa alma e a grande bondade de Deus para conosco, \u00e9 a reden\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano. Nossos pais Ad\u00e3o e Eva pecaram e, com o seu pecado, fecharam o Para\u00edso para si mesmos e para toda a sua descend\u00eancia. Deus, com um gesto de infinita bondade, prometeu reparar a perdi\u00e7\u00e3o eterna dos homens por meio do Messias que enviaria na plenitude dos tempos. Para que a f\u00e9 no Messias, ou seja, no Salvador, se mantivesse viva entre os homens, Deus fez com que fosse anunciada em todos os tempos pelos santos Patriarcas e Profetas. Uma clara revela\u00e7\u00e3o foi feita a Abra\u00e3o, a Jac\u00f3, a Mois\u00e9s, a Davi e, mais tarde, a muitos outros profetas. Isa\u00edas disse: <em>um homem de admir\u00e1vel do\u00e7ura, santo por natureza, concebido pelo Esp\u00edrito Santo, nascer\u00e1 de uma Virgem. <\/em>Por outros \u00e9 chamado <em>Deus forte, autor da paz, predizendo que nasceria em Bel\u00e9m.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>O profeta Daniel, cinco s\u00e9culos antes do nascimento do Salvador, fixa a \u00e9poca com um c\u00e1lculo de setenta semanas de anos, que correspondem a quatrocentos e noventa anos. No final dessas semanas, Jesus nasceu em Bel\u00e9m, da Virgem Maria, e sob as apar\u00eancias mais humildes, Deus, Criador do c\u00e9u e da terra, se fez homem: <em>et Verbum caro factum est [e a Palavra se encarnou]. <\/em>Assim, Deus, com repetidas profecias, avisava os homens para manter viva a esperan\u00e7a no Salvador. Quanto mais se aproximava o tempo da vinda, mais claras se tornavam as promessas divinas.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>O Salvador, ent\u00e3o, para demonstrar a sua vinda e dar a conhecer a todo o mundo que ele era o Messias prometido, d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 sua prega\u00e7\u00e3o com uma doutrina santa e divina, confirmada por uma s\u00e9rie de milagres espantosos, que todos tendem a demonstrar a sua bondade e o seu poder divino. \u00c0 sua palavra, os cegos recuperam a vis\u00e3o, os surdos a audi\u00e7\u00e3o, os mudos a fala e os mortos saem vivos de seus t\u00famulos. Jesus prega, mas n\u00e3o prega apenas recompensas temporais; ele ensina que \u00e9 preciso adorar um \u00fanico Deus em esp\u00edrito e verdade; amar e adorar somente a Ele; ensina que \u00e9 preciso estender nossa benefic\u00eancia a todos os homens, mesmo aos nossos inimigos, porque o objetivo de sua religi\u00e3o e de sua vinda \u00e9 a caridade. Ele prega a paci\u00eancia, a submiss\u00e3o e a humildade, a ponto de nos alegrarmos com as tribula\u00e7\u00f5es que nos envia. Ele anuncia uma vida feliz e eterna, ou seja, o c\u00e9u; mas essa felicidade deve ser conquistada por n\u00f3s com nossos esfor\u00e7os, com a pr\u00e1tica da virtude, com a fuga do v\u00edcio.<\/li>\n<li>Paremos aqui, \u00f3 crist\u00e3o, e enquanto, cheios de gratid\u00e3o, consideramos a imensa bondade de Deus, pe\u00e7o-te que fixes a tua alma em dois pensamentos: ou seja, considerar o tesouro precioso que trazes contigo, que \u00e9 a tua alma, pela qual Deus se fez homem, e considerar tamb\u00e9m que grande mal \u00e9 o pecado, pois para reparar as consequ\u00eancias dele, o Filho de Deus teve que deixar as del\u00edcias do c\u00e9u, submeter-se a todas as mis\u00e9rias da nossa vida e terminar com a morte na cruz. Mas enquanto admiramos a bondade do nosso Divino Salvador, prometamos-lhe evitar tudo o que possa renovar os sofrimentos que Ele suportou pela nossa alma. Admiremos a sua grande humildade e fujamos especialmente da vaidade e da soberba. \u00c9 verdade que este corpo \u00e9 um belo dom que Deus nos deu para cobrir a nossa alma; mas a humildade \u00e9 o mais belo ornamento da alma, e a vaidade e a soberba s\u00e3o pecados que devem ser evitados em todos os momentos, e sobretudo durante este m\u00eas dedicado \u00e0 mais pura e humilde das virgens, Maria Sant\u00edssima.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Francisco de Jer\u00f4nimo sempre nutriu em seu cora\u00e7\u00e3o e procurou acender nos outros uma terna devo\u00e7\u00e3o pela sant\u00edssima humanidade de Jesus Cristo e pelos seus mist\u00e9rios. Era tamb\u00e9m singularmente devoto do mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o. Costumava dizer que somos extremamente obrigados a santificar o m\u00eas de mar\u00e7o, porque nessa \u00e9poca o Divino Verbo, com inef\u00e1vel dignidade, se rebaixou a ponto de revestir-se de carne humana por amor a n\u00f3s, no seio pur\u00edssimo de Maria. Quando contemplava o Menino Jesus, derramava l\u00e1grimas amargas por compaix\u00e3o pelos seus sofrimentos.<\/p>\n<p>A essa devo\u00e7\u00e3o pelo mist\u00e9rio da reden\u00e7\u00e3o, unia uma ternura filial pela sua Sant\u00edssima M\u00e3e. Desde muito jovem, n\u00e3o sabia falar dela sen\u00e3o com grande venera\u00e7\u00e3o. Em obedi\u00eancia a Ela, jejuava apenas a p\u00e3o e \u00e1gua todos os s\u00e1bados do ano e nas v\u00e9speras das festas em sua honra, acrescentando ainda uma flagela\u00e7\u00e3o sangrenta do seu corpo. N\u00e3o perdia nenhuma ocasi\u00e3o, seja nas prega\u00e7\u00f5es ou nos discursos, para exaltar as qualidades, a grandeza e a bondade de Maria em nosso favor, junto ao seu Divino Filho. Embora ocupado da manh\u00e3 \u00e0 noite, nunca deixava de recitar todos os dias o seu Ros\u00e1rio: costume que observava inviolavelmente at\u00e9 nas viagens. Encontrando-se no mar, entre N\u00e1poles e Massa, convidou os barqueiros a recitar com ele o Ros\u00e1rio; e para inflam\u00e1-los com uma devo\u00e7\u00e3o t\u00e3o louv\u00e1vel, come\u00e7ou a explicar-lhes os mist\u00e9rios que nele se recordam.<\/p>\n<p>Para aumentar o culto, pregou durante vinte e dois anos, todas as ter\u00e7as-feiras, expondo a um numeroso povo as gl\u00f3rias e grandezas desta Rainha, contando as gra\u00e7as que ela concedeu aos seus devotos. Introduziu o costume piedoso de renovar publicamente todos os meses a oferta de si mesmo a Maria. Mandou imprimir em versos italianos a Salve Rainha, fazia cantar nas ruas, distribu\u00eda muitos milhares de c\u00f3pias aos fi\u00e9is devotos e, com este meio, conseguiu impedir o canto de muitas can\u00e7\u00f5es profanas e at\u00e9 escandalosas. Procuremos imitar este Santo no que pudermos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>O fruto am\u00e1vel<\/p>\n<p>Do vosso seio<\/p>\n<p>A n\u00f3s mostrai,<\/p>\n<p>\u00d3 Grande M\u00e3e.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443960\"><\/a><a name=\"_Toc204271375\"><\/a><a name=\"_Toc204271815\"><\/a><strong>Quarto dia. A Igreja de Jesus Cristo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Nosso Divino Salvador, descendo do c\u00e9u para nos salvar, quis estabelecer um meio pelo qual fosse assegurada a preserva\u00e7\u00e3o da f\u00e9, fundando um reino espiritual sobre a terra. Este reino \u00e9 a sua Igreja, ou seja, a congrega\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is crist\u00e3os de todo o mundo, que professam a doutrina de Jesus Cristo sob a condu\u00e7\u00e3o dos leg\u00edtimos pastores, e especialmente do Romano Pont\u00edfice, que \u00e9 o seu chefe estabelecido por Deus. Esta Igreja, como m\u00e3e amorosa, deveria em todos os tempos e em todos os lugares receber todos aqueles que quisessem refugiar-se em seu seio materno; e ser, portanto, em todos os tempos vis\u00edvel e acess\u00edvel a todos. Por isso, no Evangelho, esta Igreja \u00e9 comparada a uma coluna, contra a qual nada valem os ataques dos inimigos das almas. \u00c9 comparada a uma pedra, sobre a qual repousa um grande edif\u00edcio que deve durar at\u00e9 o fim dos s\u00e9culos. Tu \u00e9s Pedro, disse Jesus Cristo ao Pr\u00edncipe dos Ap\u00f3stolos ao constitu\u00ed-lo chefe da Igreja, tu \u00e9s Pedro, e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja, e as portas do inferno n\u00e3o a poder\u00e3o vencer.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Jesus Cristo recomendou aos seus seguidores que, se surgissem quest\u00f5es entre eles, remetessem a resolu\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja: <em>dic ecclesi\u00e6 [dize-o \u00e0 Igreja]<\/em>; que se algu\u00e9m se recusasse a ouvir a Igreja, considerassem-no como gentio e publicano: <em>quod si ecclesiam non audierit, sit tibi tamquam ethnicus et publicanus<\/em>. Esta Igreja \u00e9 a coluna e o fundamento de toda a verdade, de modo que toda doutrina que n\u00e3o se apoia no fundamento desta Igreja se apoia no erro: <em>ecclesia est columna et fundamentum veritatis [a Igreja \u00e9 coluna e fundamento da verdade], <\/em>diz S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Esta Igreja \u00e9 chamada <em>cat\u00f3lica<\/em>, que significa <em>universal<\/em>, porque, como j\u00e1 foi dito, como uma m\u00e3e amorosa acolhe em todos os tempos e em todos os lugares aqueles que querem vir ao seu seio materno. Universal porque abra\u00e7a toda a doutrina ensinada por Jesus Cristo e pregada pelos Ap\u00f3stolos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Diz-se tamb\u00e9m Santa, porque o seu fundador, que \u00e9 Jesus Cristo, \u00e9 a fonte de toda a santidade; ningu\u00e9m pode ser santo fora desta Igreja, pois somente nela se ensina a verdadeira doutrina de Jesus Cristo, somente nela se pratica a sua f\u00e9, a sua lei e se administram os sacramentos por Ele institu\u00eddos.<\/p>\n<p>Costuma-se tamb\u00e9m cham\u00e1-la Apost\u00f3lica porque seus pastores s\u00e3o sucessores dos Ap\u00f3stolos e ensinam a mesma doutrina pregada pelos Ap\u00f3stolos, tal como a aprenderam de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Acrescenta-se ainda o t\u00edtulo de Romana, porque o seu chefe, que \u00e9 o Papa, \u00e9 bispo de Roma e, por isso, esta cidade, outrora capital do Imp\u00e9rio Romano, \u00e9 agora o centro da religi\u00e3o, a capital do mundo cat\u00f3lico.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>E como existe um s\u00f3 Deus, uma s\u00f3 f\u00e9, um s\u00f3 batismo, existe tamb\u00e9m uma s\u00f3 Igreja verdadeira, fora da qual ningu\u00e9m pode salvar-se.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Considera, \u00f3 crist\u00e3o, e treme ao refletir sobre o grande n\u00famero daqueles que n\u00e3o est\u00e3o no seio da Igreja Cat\u00f3lica e, portanto, todos fora do caminho que conduz ao c\u00e9u. Considera e alegra-te em teu cora\u00e7\u00e3o, porque Deus te criou nesta sua Igreja, na qual h\u00e1 tantos meios de salva\u00e7\u00e3o. S\u00ea grato a Deus e, para lhe agradecer, procura observar os preceitos que a Igreja, em nome de Deus, prop\u00f5e aos seus filhos. S\u00ea constante em ouvir Missa inteira todos os domingos e outros dias festivos, observa os jejuns e vig\u00edlias, e n\u00e3o comas carne \u00e0s sextas-feiras e s\u00e1bados. Em suma, procuremos ser cat\u00f3licos n\u00e3o apenas no nome, mas nos fatos, observando com exatid\u00e3o o que a Igreja manda, abstendo-nos do que ela pro\u00edbe.<\/p>\n<p>Se acontecer de falar ou ouvir outros falarem da Igreja, comportemo-nos como filhos respeitosos para com a sua m\u00e3e amorosa: nunca digamos nada contra o que a Igreja ordena ou pro\u00edbe; e, na medida do poss\u00edvel, falemos sempre bem dela e oponhamo-nos corajosamente a quem quer que tente falar mal dela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Os anais da Igreja est\u00e3o repletos de exemplos que demonstram como Maria foi, em todos os tempos, n\u00e3o apenas o sustento da Igreja, mas uma m\u00e3e piedosa que, com a mais amorosa solicitude, vai em busca de seus filhos, realizando, \u00e0s vezes, milagres luminosos para aumentar o seu n\u00famero. Escolhemos o exemplo de Afonso Ratisbona, um jovem judeu das fam\u00edlias mais ricas da Alemanha. Muito apegado \u00e0 sua religi\u00e3o, era inimigo implac\u00e1vel dos crist\u00e3os, especialmente desde que um de seus irm\u00e3os abra\u00e7ou a f\u00e9. Por divers\u00e3o, ele foi a Roma no ano de 1842. L\u00e1 cresceu seu \u00f3dio contra a religi\u00e3o crist\u00e3 e seu ardor pelo juda\u00edsmo. Ele j\u00e1 estava prestes a partir da cidade quando foi se despedir do Bar\u00e3o Bussiere, um protestante convertido ao catolicismo. Este senhor come\u00e7ou a conversar sobre religi\u00e3o com Afonso e, ao v\u00ea-lo obstinado no juda\u00edsmo, pediu-lhe que, pelo menos por cortesia, deixasse que lhe colocasse ao pesco\u00e7o a medalha de Maria. Ele, rindo loucamente dessa ideia, consentiu. Era 20 de janeiro de 1842, Afonso estava por um momento numa igreja onde havia entrado por curiosidade. De repente, o edif\u00edcio desapareceu de seus olhos, e uma luz intensa se derramou sobre ele e encheu o lugar onde se encontrava. Ali, no meio daquele esplendor radiante, ele viu em p\u00e9 sobre o altar, cheia de majestade e do\u00e7ura, a Virgem Maria, tal como aparece na medalha milagrosa. Com a m\u00e3o, ela lhe fez sinal para que se ajoelhasse e, com uma for\u00e7a irresist\u00edvel, ele foi atra\u00eddo para Maria. Foi nesse momento feliz que Afonso abriu os olhos para a verdade e, iluminado pela f\u00e9, come\u00e7ou a chorar copiosamente. Seu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o encontrava mais conforto do que em expressar sua gratid\u00e3o e pedir com veem\u00eancia o batismo. Ele se preparou durante onze dias e, em 31 de janeiro do mesmo ano, foi regenerado em Cristo, e Maria ganhou mais um filho. Uma convers\u00e3o t\u00e3o espantosa e repentina foi declarada milagrosa pela Santa S\u00e9, ap\u00f3s exames diligentes. Todos os anos, em 20 de janeiro, celebra-se em Roma uma festa em mem\u00f3ria desse prod\u00edgio na igreja de Santo Andr\u00e9 <em>do Horto, <\/em>local onde ocorreu o milagre.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Fazei que expire,<\/p>\n<p>Virgem Maria,<\/p>\n<p>Como um bom cat\u00f3lico<\/p>\n<p>A minha alma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271376\"><\/a><a name=\"_Toc204271816\"><\/a><strong>Quinto dia. O chefe da Igreja<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Jesus Cristo, no Evangelho, comparou a sua Igreja a um reino, a um imp\u00e9rio, a uma rep\u00fablica, a uma cidade, a uma fortaleza, a uma fam\u00edlia. Todas estas coisas s\u00e3o, por sua natureza, vis\u00edveis e n\u00e3o podem existir sem que haja um chefe que comande e s\u00fabditos que obede\u00e7am. O chefe invis\u00edvel da Igreja \u00e9 Jesus Cristo, que assiste os santos pastores do c\u00e9u at\u00e9 ao fim do mundo: <em>ecce ego vobiscum sum usque ad consummationem s\u00e6culi [eis que estarei convosco at\u00e9 a consuma\u00e7\u00e3o dos s\u00e9culos]. <\/em>O chefe vis\u00edvel foi S\u00e3o Pedro e, depois dele, os Pont\u00edfices, seus sucessores.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O Divino Salvador disse a S\u00e3o Pedro: tu \u00e9s Pedro, e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja, e as portas do inferno nunca a poder\u00e3o vencer. Eu te darei as chaves do reino dos c\u00e9us; tudo o que ligares na terra ser\u00e1 ligado no c\u00e9u; tudo o que desligares na terra ser\u00e1 desligado no c\u00e9u. Com estas palavras, o Salvador constitui S\u00e3o Pedro chefe da sua Igreja e confere-lhe a plenitude do poder, em virtude do qual ele pode estabelecer tudo o que contribui para o bem espiritual e eterno.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o, Jesus Cristo confirmou o que foi dito a S\u00e3o Pedro. Tendo aparecido aos seus ap\u00f3stolos nas margens do mar de Tiber\u00edades, disse a S\u00e3o Pedro: <em>apascenta as minhas ovelhas, apascenta os meus cordeiros; pasce oves meas, pasce agnos meos.<\/em> Da Sagrada Escritura, fica claro que os cordeiros indicam todos os fi\u00e9is crist\u00e3os, e as ovelhas s\u00e3o os pastores sagrados, que devem depender do Pastor Supremo, que \u00e9 Pedro, e depois dele, seus sucessores.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Para que fic\u00e1ssemos seguros de que este Supremo Pastor conservaria sempre o dep\u00f3sito da f\u00e9 sem nunca cair em erro, Jesus Cristo disse a S\u00e3o Pedro: Eu roguei por ti, Pedro, para que a tua f\u00e9 n\u00e3o desfale\u00e7a: <em>rogavi pro te, Petre, ut non deficiat fides tua. Et tu aliquando conversus confirma fratres tuos [E tu, uma vez convertido, com firma os teus irm\u00e3os]. <\/em>\u00c9 por isso que os outros ap\u00f3stolos, ap\u00f3s a ascens\u00e3o do Salvador, consideraram S\u00e3o Pedro como seu chefe. Assim que o Salvador subiu ao c\u00e9u, ele imediatamente assumiu o governo da Igreja; prop\u00f4s a elei\u00e7\u00e3o de um ap\u00f3stolo no lugar do traidor Judas; ele foi o primeiro a pregar ao povo; o primeiro a fazer milagres indo ao templo; o primeiro a ser instru\u00eddo por Deus que n\u00e3o s\u00f3 os judeus, mas tamb\u00e9m os gentios s\u00e3o chamados \u00e0 f\u00e9. Surgem dificuldades na Igreja? Re\u00fane-se um conc\u00edlio na cidade de Jerusal\u00e9m; Pedro prop\u00f5e a quest\u00e3o, explica-a, define-a, e todos obedecem a Pedro como ao pr\u00f3prio Jesus Cristo. Assim fizeram os verdadeiros cat\u00f3licos em todos os tempos, em todos os lugares, em todas as quest\u00f5es religiosas: sempre se recorreu ao Sumo Pont\u00edfice, e todos os crist\u00e3os se submeteram a ele como a S\u00e3o Pedro, como ao pr\u00f3prio Jesus Cristo.<\/li>\n<li>Eis, \u00f3 crist\u00e3o, o que te proponho para tua considera\u00e7\u00e3o. Um Deus feito homem para nos salvar; antes de partir do mundo, funda uma Igreja e designa um Chefe para agir em seu lugar sobre a terra at\u00e9 o fim dos s\u00e9culos: <em>usque ad consummationem s\u00e6culi.<\/em> Reconhecemos tamb\u00e9m no Romano Pont\u00edfice o Pai universal de todos os crist\u00e3os, o sucessor de S\u00e3o Pedro, o Vig\u00e1rio de Jesus Cristo, aquele que representa Deus na terra, aquele a quem Jesus Cristo disse: tudo o que ligares na terra ser\u00e1 ligado no c\u00e9u; tudo o que desligares na terra ser\u00e1 tamb\u00e9m desligado no c\u00e9u. Mas lembremo-nos bem que ningu\u00e9m pode professar a religi\u00e3o de Jesus Cristo, se n\u00e3o for cat\u00f3lico; ningu\u00e9m \u00e9 cat\u00f3lico, se n\u00e3o estiver unido ao Papa.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Os hereges, para afastar os cat\u00f3licos da Igreja e do Romano Pont\u00edfice, sempre come\u00e7aram por desprezar a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Sant\u00edssima Virgem, porque Maria \u00e9 m\u00e3e misericordiosa de todos aqueles que a invocam. Na verdade, temos muitos hereges convertidos que atribuem sua convers\u00e3o \u00e0 devo\u00e7\u00e3o a Maria. Vale por todos o exemplo do protestante e agora fervoroso cat\u00f3lico Frederico Hurter. Ele era presidente do Consist\u00f3rio protestante em Schaffhausen, na Su\u00ed\u00e7a, e era considerado um dos melhores pregadores e professores do calvinismo. Embora fosse muito apegado aos erros de sua seita, lamentava muito, como ele mesmo confessa, que o protestantismo, ao qual pertencia, recusasse qualquer culto \u00e0 Sant\u00edssima Virgem. Este foi o gr\u00e3o de mostarda que produziu a \u00e1rvore da convers\u00e3o de Hurter. Desde a sua juventude, sem qualquer conhecimento particular da doutrina cat\u00f3lica sobre a Grande M\u00e3e de Deus, sentia-se penetrado por uma venera\u00e7\u00e3o inexprim\u00edvel por Ela. Encontrava nela a advogada dos crist\u00e3os. A ela se dirigia do fundo do cora\u00e7\u00e3o em sua vida privada. \u00c0s vezes, tentava, da c\u00e1tedra, despertar em seus alunos pensamentos de venera\u00e7\u00e3o pela Virgem Maria, e at\u00e9 se esfor\u00e7ava por dar a conhecer as grandezas daquela que \u00e9 M\u00e3e de Deus.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o amor por Maria crescia em seu cora\u00e7\u00e3o, Frederico come\u00e7ou a ter algumas d\u00favidas sobre sua cren\u00e7a. A d\u00favida o levou a examinar melhor a religi\u00e3o cat\u00f3lica, que se mostrava a cada dia mais verdadeira, divina, e at\u00e9 mesmo a \u00fanica verdadeira em seu cora\u00e7\u00e3o. Movido unicamente pelo desejo de conhecer a verdade, renunciou \u00e0s fun\u00e7\u00f5es de presidente do Consist\u00f3rio e dedicou-se com a m\u00e1xima dilig\u00eancia ao estudo dos dogmas cat\u00f3licos. Passou quatro anos nesse estudo e, durante todo esse tempo, rezava com fervor \u00e0 Santa Virgem para que lhe revelasse a verdade, intimamente convencido de que estava longe da verdade enquanto vivesse no protestantismo. Em 29 de fevereiro de 1844, partiu para Roma com o firme prop\u00f3sito de se declarar filho fiel, como ele mesmo se expressa, daquela terna m\u00e3e que \u00e9 a Santa Igreja Cat\u00f3lica. Chegado \u00e0 cidade que \u00e9 o centro da unidade, a capital do mundo crist\u00e3o, n\u00e3o quis mais adiar a execu\u00e7\u00e3o de seu grande ato. Renunciou \u00e0s honras, aos cargos e aos sal\u00e1rios que tinha entre os protestantes, n\u00e3o deu import\u00e2ncia \u00e0s reclama\u00e7\u00f5es dos parentes e amigos e, superando todo respeito humano, abriu m\u00e3o dos seus erros, recebeu a sagrada comunh\u00e3o e a crisma no m\u00eas de junho daquele ano de 1844. Este ilustre literato reconhece a gra\u00e7a extraordin\u00e1ria de sua convers\u00e3o pela intercess\u00e3o da Sant\u00edssima Virgem.<\/p>\n<p>Que este fato sirva de conforto a todos os bons cat\u00f3licos para se manterem firmemente unidos e obedientes ao chefe da nossa santa religi\u00e3o, que \u00e9 de maneira t\u00e3o especial protegido pela grande M\u00e3e de Deus a Sant\u00edssima Virgem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria<\/em><\/p>\n<p>Nunca me separe<\/p>\n<p>Por causa de um fato triste<\/p>\n<p>Do grande Vig\u00e1rio<\/p>\n<p>De Jesus Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271377\"><\/a><a name=\"_Toc204271817\"><\/a><strong>Sexto dia. Os Pastores da Igreja<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>A Igreja \u00e9 uma congrega\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is crist\u00e3os espalhados por todo o mundo, que, como um numeroso rebanho, s\u00e3o governados por um pastor supremo, que \u00e9 o Romano Pont\u00edfice. Mas se cada crist\u00e3o tivesse uma rela\u00e7\u00e3o direta com o Vig\u00e1rio de Jesus Cristo, dificilmente poderia fazer chegar at\u00e9 ele as suas palavras e raramente comunicar-lhe os seus pensamentos. Deus, por\u00e9m, pensou e providenciou todas as necessidades da nossa alma. Ou\u00e7am, este \u00e9 um dos tra\u00e7os mais belos do catolicismo. Deus estabeleceu S\u00e3o Pedro como Chefe da Igreja e, ap\u00f3s sua morte, os Pont\u00edfices Romanos lhe sucederam no governo da mesma, e sucederam-se de tal forma que, desde o atual Papa Pio IX, temos uma s\u00e9rie ininterrupta at\u00e9 S\u00e3o Pedro, e de S\u00e3o Pedro temos a s\u00e9rie dos Pont\u00edfices, um sucessor do outro, que nos conservaram intacta a Santa Religi\u00e3o de Jesus Cristo at\u00e9 n\u00f3s.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Os ap\u00f3stolos exerceram o seu apostolado de acordo e dependentes de S\u00e3o Pedro. Aos ap\u00f3stolos sucederam outros bispos, que sempre de acordo e sempre dependentes do sucessor de S\u00e3o Pedro governaram as v\u00e1rias dioceses da cristandade. Os bispos acolhem as s\u00faplicas, ouvem as necessidades dos povos e as fazem chegar at\u00e9 a pessoa do Sumo Hierarca da Igreja. O Papa, ent\u00e3o, segundo a necessidade, comunica suas ordens aos bispos de todo o mundo, que depois as transmitem aos simples fi\u00e9is crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos ap\u00f3stolos, Jesus Cristo estabeleceu setenta e dois disc\u00edpulos, que enviou a v\u00e1rios lugares para pregar o Evangelho. Os ap\u00f3stolos tamb\u00e9m ordenaram sete di\u00e1conos e outros ministros para ajud\u00e1-los na prega\u00e7\u00e3o do Evangelho e na administra\u00e7\u00e3o dos sacramentos. Assim, entre n\u00f3s, al\u00e9m do Papa e dos bispos, h\u00e1 outros ministros sagrados, especialmente os p\u00e1rocos, que, estreitamente unidos e em acordo com os bispos, os ajudam na prega\u00e7\u00e3o e na administra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, ajudam-nos a manter a unidade da f\u00e9 e, sobretudo, a conservar uma estreita rela\u00e7\u00e3o com o Chefe da religi\u00e3o, o que \u00e9 indispens\u00e1vel para manter sempre as verdades da f\u00e9 longe do erro.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Por isso, podemos dizer que nossos p\u00e1rocos nos unem aos bispos, os bispos ao Papa, e o Papa nos une a Deus. Al\u00e9m disso, os santos pastores que governam as igrejas particulares, tendo-se sucedido regularmente, sempre dependentes do Papa, sempre ensinando a mesma doutrina, administrando os mesmos sacramentos, segue-se a certeza de que os ministros da Igreja cat\u00f3lica, em todos os tempos e em todos os lugares, sempre praticaram a mesma f\u00e9, a mesma lei, os mesmos sacramentos, como foram pregados pelos Ap\u00f3stolos e como foram institu\u00eddos por nosso Senhor Jesus Cristo.<\/li>\n<li>Sejamos, portanto, d\u00f3ceis \u00e0s vozes dos ministros sagrados, como as ovelhas devem ser \u00e0 voz do seu pastor. Deus os deu a n\u00f3s como mestres na ci\u00eancia da religi\u00e3o; vamos, portanto, aprender com eles e n\u00e3o com os mestres mundanos. Deus os deu a n\u00f3s como guias no caminho do c\u00e9u; portanto, sigamos os seus ensinamentos. Deus disse aos seus ministros: <em>qui vos audit, me audit; <\/em>quem vos ouve, a mim ouve; <em>qui vos spernit, me spernit; <\/em>quem vos despreza, a mim despreza. Por isso, vamos de bom grado ouvi-los nas prega\u00e7\u00f5es, nas instru\u00e7\u00f5es, nos catecismos, nas explica\u00e7\u00f5es do Evangelho. Sigamos os conselhos que nos d\u00e3o quando nos aproximamos dos sacramentos, ou quando nos instruem para receb\u00ea-los dignamente; ou\u00e7amos as suas vozes como se viessem do pr\u00f3prio Jesus Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>O fato ocorrido com S\u00e3o Romano, quando era conduzido ao mart\u00edrio, pode nos dar uma norma para a resposta que podemos dar quando somos interrogados sobre os motivos da nossa cren\u00e7a. Este santo, cruelmente torturado por um prefeito chamado Asclep\u00edades, visando a dureza do tirano, quis provar que ele era um homem de pouca f\u00e9 com um milagre. Virando-se para ele, Asclep\u00edades disse-lhe: se n\u00e3o acreditas em mim, pergunta \u00e0quela crian\u00e7a que v\u00eas nos bra\u00e7os de sua m\u00e3e, e da sua boca inocente ouvir\u00e1s confirmar o que eu te preguei e te prego sobre a minha religi\u00e3o. O prefeito olhou para a crian\u00e7a e, convencido de que, devido \u00e0 sua idade, ela era incapaz de articular palavras, disse-lhe em tom de brincadeira: \u201cVoc\u00ea sabe me dizer quem \u00e9 o Cristo que os crist\u00e3os adoram?\u201d Ent\u00e3o, a crian\u00e7a levantou a voz com franqueza e gritou com for\u00e7a: \u201cJesus Cristo, adorado pelos crist\u00e3os, \u00e9 o verdadeiro Deus\u201d. \u201cQuem te disse isso?\u201d, perguntou Asclep\u00edades. O outro respondeu: \u201cMinha m\u00e3e disse, ou seja, a Igreja. E quem disse isso \u00e0 tua m\u00e3e?\u201d, perguntou o prefeito, maravilhado<em>.<\/em> \u201cDeus disse \u00e0 minha m\u00e3e: <em>mihi mater, matri Deus\u201d. <\/em>Assim deveriam responder os crist\u00e3os se fossem interrogados sobre a verdade da f\u00e9. Quem disse que Jesus Cristo \u00e9 filho de Deus, que morreu para nos salvar, que nos julgar\u00e1 a todos juntos no fim do mundo? Quem disse isso? Disseram-no os ministros sagrados, que aprenderam isso de nossa m\u00e3e, que \u00e9 a Igreja; a Igreja aprendeu isso do pr\u00f3prio Deus. <em>Mihi mater matri Deus. <\/em>(<em>Boll. in s. Romano)<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Fazei que eu ou\u00e7a,<\/p>\n<p>\u00d3 meu Senhor,<\/p>\n<p>As vozes providenciais<\/p>\n<p>Do meu pastor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que a minha alma<\/p>\n<p>Confie-se inteiramente a ele,<\/p>\n<p>Para que, com seguran\u00e7a,<\/p>\n<p>Ele me guie ao c\u00e9u.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443963\"><\/a><a name=\"_Toc204271378\"><\/a><a name=\"_Toc204271818\"><\/a><strong>S\u00e9timo dia. F\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Nossa religi\u00e3o \u00e9 sobrenatural e divina, por isso nela se encontram certas verdades t\u00e3o sublimes que o homem, na vida presente, ap\u00f3s muitas dificuldades, mal consegue compreender uma pequena parte delas. Isso n\u00e3o deve nos surpreender, pois nos mesmos objetos temporais que se apresentam aos nossos olhos, como as ervas, as plantas, a \u00e1gua, o fogo, a estrutura do corpo humano, vemos muitas coisas cuja exist\u00eancia conhecemos, mas cujas qualidades compreendemos de forma imperfeita. Portanto, se somos obrigados a admitir segredos nas coisas temporais, com muito mais raz\u00e3o devemos admiti-los nas coisas espirituais. Tais verdades no ato da religi\u00e3o s\u00e3o chamadas de mist\u00e9rios. O ato pelo qual submetemos a nossa vontade a acreditar \u00e9 chamado de f\u00e9. Sem a f\u00e9 \u00e9 imposs\u00edvel agradar a Deus, diz S\u00e3o Paulo. A f\u00e9 \u00e9 a subst\u00e2ncia das coisas que devemos esperar de Deus. A f\u00e9 \u00e9 a base e o fundamento de toda a nossa justifica\u00e7\u00e3o, diz a Igreja, em nome de Deus.<\/li>\n<li>Esta f\u00e9 n\u00e3o se apoia na autoridade dos homens, que podem cair em erro, mas se apoia inteiramente na palavra de Deus, que \u00e9 eterna, imut\u00e1vel e que nunca pode variar em nada. Portanto, com f\u00e9 acreditamos que Deus criou o c\u00e9u e a terra e todas as coisas que neles existem; acreditamos que, pelo pecado original, toda a humanidade se tornou indigna do Para\u00edso e merecedora do inferno; que Deus prometeu um Salvador, que veio e \u00e9 Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem; que ele se fez homem para salvar a nossa alma e que morreu na cruz por n\u00f3s. \u00c9 tamb\u00e9m verdade de f\u00e9 que existe um \u00fanico Deus em tr\u00eas pessoas realmente distintas, que existe um \u00fanico batismo, uma \u00fanica Igreja verdadeira, que \u00e9 a cat\u00f3lica; que ningu\u00e9m pode salvar-se fora desta Igreja; que o chefe desta Igreja \u00e9 o Romano Pont\u00edfice, a quem devemos obedecer como a Jesus Cristo, de quem ele \u00e9 o representante; que os sacramentos institu\u00eddos por nosso Senhor Jesus Cristo s\u00e3o sete, nem mais nem menos. \u00c9 verdade de f\u00e9 que existe Deus, que recompensa os bons com o Para\u00edso e castiga os maus com o inferno; que temos uma alma simples e imortal; que um \u00fanico pecado mortal pode faz\u00ea-la perder-se por toda a eternidade. Estas coisas s\u00e3o as principais verdades que nossa religi\u00e3o nos prop\u00f5e acreditar. N\u00e3o nos preocupemos, por\u00e9m, se n\u00e3o compreendemos estas verdades; pelo contr\u00e1rio, devemos alegrar-nos porque \u00e9 sinal de que Deus nos reservou coisas grandiosas na outra vida; coisas que, como diz S\u00e3o Paulo, os ouvidos nunca ouviram, os olhos nunca viram, a l\u00edngua n\u00e3o pode expressar, nem o cora\u00e7\u00e3o do homem pode imaginar. Estas coisas n\u00e3o compreendemos na vida presente. Mas Deus nos assegura que elas est\u00e3o preparadas para n\u00f3s na outra vida. Portanto, tenhamos coragem, pois compreenderemos tudo na bem-aventurada eternidade, se pela miseric\u00f3rdia de Deus formos salvos. Ent\u00e3o compreenderemos o que aqui na terra nos parece mist\u00e9rio, ent\u00e3o veremos Deus como ele \u00e9 em si mesmo: <em>tunc videbimus sicuti est [ent\u00e3o o veremos como ele \u00e9], <\/em>diz S\u00e3o Paulo.<\/li>\n<li>Devo, por\u00e9m, advertir-te, \u00f3 crist\u00e3o, que a nossa f\u00e9 deve ter certas qualidades, sem as quais nada serve para nos salvar. A nossa f\u00e9 deve ser inteira, isto \u00e9, deve abra\u00e7ar todos os artigos da nossa religi\u00e3o. Todas as verdades da f\u00e9 s\u00e3o reveladas por Deus; portanto, quem nega acreditar em um \u00fanico artigo da f\u00e9, nega acreditar em Deus mesmo. Por isso, aquele que diz amar o pr\u00f3ximo e, ao mesmo tempo, toma o nome de Deus em v\u00e3o; aquele que honra os pais e, ao mesmo tempo, rouba a propriedade alheia ou se entrega \u00e0 desonestidade, ao desprezo pelos sacramentos e pelo Vig\u00e1rio de Jesus Cristo, esse, digo, transgride um artigo da f\u00e9 que o torna culpado de todos os outros. Os artigos da f\u00e9 est\u00e3o todos ligados entre si e formam uma corrente que une a raz\u00e3o com a revela\u00e7\u00e3o, constituindo uma escada pela qual o homem sobe at\u00e9 Deus. Mas, se um elo da corrente se rompe, ou um degrau dessa escada m\u00edstica se quebra, toda a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus se rompe. De que vale acreditar na Igreja, no Vig\u00e1rio de Jesus Cristo, se depois se despreza os seus ensinamentos, se fala mal do Sumo Pont\u00edfice? Falemos claro: ou todos os artigos da nossa f\u00e9 ou nenhum; porque negar um s\u00f3 \u00e9 neg\u00e1-los todos. Para que a f\u00e9 seja verdadeiramente completa, deve ser operativa, isto \u00e9, deve estar unida \u00e0s boas obras. Aqui Jesus Cristo fala claramente no Evangelho: nem todos, diz ele, nem todos os que dizem: Senhor, Senhor, entrar\u00e3o no reino dos c\u00e9us, mas todos aqueles que fizerem a vontade do meu Pai Celestial. (<em>Mateus c.<\/em>7). De que servir\u00e1, diz S\u00e3o Tiago, de que servir\u00e1, meus irm\u00e3os, se algum de v\u00f3s disser ter f\u00e9 sem obras? Assim como um corpo sem alma est\u00e1 morto, assim tamb\u00e9m a f\u00e9 sem obras \u00e9 uma f\u00e9 morta. \u00d3 crist\u00e3o, queres saber se a tua f\u00e9 est\u00e1 viva ou morta? L\u00ea com aten\u00e7\u00e3o e o saber\u00e1s. Tem f\u00e9 morta quem acredita que basta um \u00fanico pecado mortal para nos levar ao inferno e, entretanto, o comete com indiferen\u00e7a. Tem f\u00e9 morta quem acredita que devemos amar a Deus acima de todas as coisas e, entretanto, ama as criaturas, ama os prazeres do mundo e se ocupa exclusivamente em engrandecer e enriquecer a fam\u00edlia; <em>fides sine operibus mortua est. <\/em>Tem uma f\u00e9 morta aquele que sabe que os avarentos n\u00e3o possuir\u00e3o o reino dos c\u00e9us; e, entretanto, v\u00ea o pobre devorado pela fome, oprimido pelo frio e n\u00e3o se comove nem lhe presta qualquer socorro; <em>fides sine operibus mortua est.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>Oremos a Nossa Senhora para que nos mantenha firmes na f\u00e9 e nos obtenha de seu Divino Filho a gra\u00e7a e a for\u00e7a para sermos constantes nas pr\u00e1ticas de nossa santa religi\u00e3o at\u00e9 o \u00faltimo suspiro da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 f\u00e9 mais viva e ativa do que a dos m\u00e1rtires. A hist\u00f3ria da Igreja conta mais de dezesseis milh\u00f5es desses her\u00f3is gloriosos que podem nos servir de exemplo. N\u00f3s escolhemos preferencialmente um fato recente, o mart\u00edrio do mission\u00e1rio Marchand de Besan\u00e7on. Em 1835, ele pregava o Evangelho na China, um pa\u00eds muito distante de n\u00f3s, quando, por ser crist\u00e3o, foi preso. Ap\u00f3s cinco anos de pris\u00e3o, foi retirado e colocado numa jaula de ferro. Levado perante o rei, este perguntou-lhe: \u201c\u00c9s tu tamb\u00e9m partid\u00e1rio dos rebeldes?\u201d. \u201cN\u00e3o\u201d, respondeu ele, \u201cn\u00e3o participei em nenhuma rebeli\u00e3o\u201d. No entanto, o rei, seguindo as acusa\u00e7\u00f5es feitas pelos mandarins, submeteu-o \u00e0 dolorosa tortura das tenazes. Imediatamente, os carrascos aqueceram tenazes de ferro e, com elas, arrancaram-lhe a carne das coxas, peda\u00e7o por peda\u00e7o. O corajoso mission\u00e1rio ofereceu o seu corpo ao Deus que lho tinha dado, recomendou-lhe a sua alma e, com os olhos voltados para o c\u00e9u, sentiu o seu cora\u00e7\u00e3o inundar-se de alegria, por se ter tornado digno de sofrer por Jesus Cristo. O rei, indignado com a heroica paci\u00eancia do confessor da f\u00e9, o condena \u00e0 morte cruel. Os mandarins, ou seja, os carrascos, afastam Marchand do pal\u00e1cio do rei; depois, tirando-o da jaula, o despem quase nu e come\u00e7am a tortur\u00e1-lo. Com cinco tenazes em brasa, apertam-lhe de repente a carne das coxas e das pernas. Sobe uma fuma\u00e7a e um fedor; os espectadores tremem; e o santo m\u00e1rtir, firme na f\u00e9 em Jesus Cristo, levanta os olhos para o c\u00e9u e diz apenas: ah, meu Pai, meu Deus&#8230; Enquanto se renovam esses tormentos atrozes, um mandarim lhe faz a seguinte pergunta: por que na religi\u00e3o crist\u00e3 arrancam os olhos dos moribundos? Ele aludia \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo santo. O mission\u00e1rio re\u00fane suas for\u00e7as e responde: isso n\u00e3o \u00e9 verdade: nada disso foi feito pelos crist\u00e3os. As palavras s\u00e3o interrompidas por novos tormentos, ent\u00e3o o mandarim o interroga novamente assim: por que os noivos se apresentam diante do padre perto do altar? Os noivos, respondeu o mission\u00e1rio, v\u00eam para dar a conhecer ao padre a sua uni\u00e3o e implorar as b\u00ean\u00e7\u00e3os celestiais. Os tormentos das tenazes se renovam, ent\u00e3o o mandarim retoma: que p\u00e3o encantado \u00e9 dado \u00e0queles que se confessam, para que se tornem t\u00e3o afei\u00e7oados \u00e0 religi\u00e3o? Respondeu o mission\u00e1rio semivivo: n\u00e3o \u00e9 p\u00e3o o que lhes \u00e9 dado; \u00e9 o corpo de nosso Senhor Jesus Cristo que se tornou alimento da alma. Ent\u00e3o, quase em castigo pelas palavras proferidas, colocaram-lhe uma morda\u00e7a na boca e, acompanhado por cem soldados e uma multid\u00e3o imensa, foi conduzido a um quil\u00f4metro de dist\u00e2ncia daquele lugar. L\u00e1, o mission\u00e1rio \u00e9 depositado aos p\u00e9s de um pat\u00edbulo em forma de cruz. De repente, os carrascos pegam o paciente, levantam-no e amarram-lhe os bra\u00e7os quase em forma de cruz. Dois carrascos ficam ao seu lado com facas nas m\u00e3os. Ouve-se um som f\u00fanebre de tambores, que cessando, agarram as mamas do condenado, cortam-nas com um \u00fanico golpe e jogam os peda\u00e7os no ch\u00e3o. Enquanto se renovam tais tormentos, a v\u00edtima volta os olhos para o c\u00e9u pela \u00faltima vez; ent\u00e3o, colocando sua alma nas m\u00e3os de Jesus Crucificado, quase feito em peda\u00e7os, abaixa a cabe\u00e7a, d\u00e1 o \u00faltimo suspiro e sua alma voa para Deus. Ent\u00e3o, seu corpo \u00e9 feito em peda\u00e7os.<\/p>\n<p>Vai para o c\u00e9u, feliz ministro de Jesus Cristo, e enquanto admiramos o teu triunfo, implora-nos do c\u00e9u a gra\u00e7a e a for\u00e7a para seguir o teu exemplo; e que, se n\u00e3o tivermos a gloriosa sorte de dar a vida pela f\u00e9, pelo menos vivamos como crist\u00e3os fervorosos at\u00e9 \u00e0 morte. (<em>Anais da prop. n.<\/em> 53).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Deus glorioso<\/p>\n<p>Que tudo v\u00ea<\/p>\n<p>Que me torne firme<\/p>\n<p>Na minha f\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271379\"><\/a><a name=\"_Toc204271819\"><\/a><strong>Oitavo dia. Os Santos Sacramentos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Quanto mais consideramos nossa santa religi\u00e3o cat\u00f3lica, mais aprendemos sua beleza, sua grandeza, e mais se manifesta a bondade, a sabedoria e a miseric\u00f3rdia de Deus, que \u00e9 seu fundador. Isso aparece de maneira luminosa nos Santos Sacramentos. \u00c9 verdade de f\u00e9 que esses Sacramentos s\u00e3o sete, nem mais, nem menos; todos foram institu\u00eddos por nosso Senhor Jesus Cristo enquanto estava neste mundo. Esses sacramentos s\u00e3o: Batismo, Crisma, Eucaristia, Penit\u00eancia, Extrema-Un\u00e7\u00e3o [Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos], Ordem e Matrim\u00f4nio. Esses sacramentos s\u00e3o sinais sens\u00edveis estabelecidos por Deus para dar \u00e0s nossas almas as gra\u00e7as necess\u00e1rias para nos salvarmos, o que significa que os sete sacramentos s\u00e3o como sete canais pelos quais as gra\u00e7as celestiais s\u00e3o comunicadas por Deus \u00e0 humanidade.<\/li>\n<li>Por meio do Batismo, somos acolhidos no seio da Santa M\u00e3e Igreja, deixamos de ser escravos do dem\u00f4nio, tornamo-nos filhos de Deus e, portanto, herdeiros do Para\u00edso.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Na Crisma, ou Confirma\u00e7\u00e3o, recebemos a plenitude dos dons do Esp\u00edrito Santo e nos tornamos crist\u00e3os perfeitos.<\/p>\n<p>Na Eucaristia, Jesus Cristo nos d\u00e1 seu corpo, seu sangue, sua alma e sua divindade sob as esp\u00e9cies do p\u00e3o e do vinho consagrados.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o maior prod\u00edgio da pot\u00eancia divina. Com um ato de amor imenso por n\u00f3s, Deus encontrou maneira de dar \u00e0s nossas almas um alimento proporcional e espiritual, isto \u00e9, dando-nos a sua pr\u00f3pria Divindade.<\/p>\n<p>Na Penit\u00eancia, somos perdoados dos pecados cometidos ap\u00f3s o Batismo.<\/p>\n<p>Na Extrema-Un\u00e7\u00e3o [Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos], ou \u00f3leo santo, Deus vem em socorro dos enfermos e, por meio da sagrada un\u00e7\u00e3o, nos comunica as gra\u00e7as necess\u00e1rias para apagar da nossa alma os pecados com suas penas, para nos dar for\u00e7a para suportar pacientemente o mal, ter uma boa morte, caso Deus tenha decretado nos chamar para a eternidade, e tamb\u00e9m para dar a sa\u00fade corporal, se for \u00fatil para a sa\u00fade da alma.<\/p>\n<p>No sacramento da Ordem, ou seja, na sagrada ordena\u00e7\u00e3o, Deus comunica aos ministros sagrados as gra\u00e7as necess\u00e1rias para adquirir aquele alto grau de santidade que lhes \u00e9 necess\u00e1rio; e tamb\u00e9m para poder guiar e instruir os fi\u00e9is crist\u00e3os nas verdades da f\u00e9, na fuga do v\u00edcio e na pr\u00e1tica da virtude.<\/p>\n<p>Finalmente, o Matrim\u00f4nio \u00e9 aquele sacramento que d\u00e1 aos c\u00f4njuges a gra\u00e7a de viverem entre si em paz e caridade e de criarem crist\u00e3mente os seus filhos, se Deus, na sua infinita sabedoria, julgar conced\u00ea-los.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Eis, \u00f3 crist\u00e3o, brevemente expostos os grandes meios que Jesus Cristo instituiu para a nossa salva\u00e7\u00e3o. Ele nos proporcionou grandes benef\u00edcios com a sua encarna\u00e7\u00e3o, mas todos esses benef\u00edcios s\u00e3o comunicados por meio dos seus Santos Sacramentos. Se, entretanto, n\u00e3o te preocupas em aproveitar esses meios de salva\u00e7\u00e3o de acordo com a tua condi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podes participar do grande mist\u00e9rio da Reden\u00e7\u00e3o e, portanto, n\u00e3o poder\u00e1s salvar a tua alma. Por alguns instantes, det\u00e9m-te a fim de refletir sobre como respondeste a estes grandes sinais do amor divino; se perceberes que a tua consci\u00eancia te acusa por algum pecado, procura remediar isso o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, especialmente preparando-te para fazer uma boa confiss\u00e3o e uma boa comunh\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Nas vidas dos Santos Padres, lemos um fato que demonstra quanto a piedade \u00e9 ben\u00e9fica para nossos interesses espirituais e temporais. Viveram na cidade de Alexandria, no Egito, dois sapateiros; um tinha uma fam\u00edlia numerosa, mas enquanto se ocupava em sustent\u00e1-la, era muito zeloso das coisas da alma, seguindo o conselho de Cristo, que disse: buscai primeiro o reino de Deus e a sua justi\u00e7a, e as outras coisas Deus vos dar\u00e1 por acr\u00e9scimo. Ele frequentava muito a Igreja, ou seja, participava de bom grado para ouvir a palavra de Deus, era ass\u00edduo \u00e0 confiss\u00e3o e \u00e0 comunh\u00e3o e aos outros exerc\u00edcios da piedade crist\u00e3; parecia mesmo que Deus multiplicava os seus bens temporais. O outro fazia o contr\u00e1rio, ou seja, era preocupado com os ganhos temporais, n\u00e3o se importando em ir \u00e0 Igreja e pensar na alma. Por isso, seus neg\u00f3cios iam mal e, embora fosse solteiro, sem fam\u00edlia e trabalhasse mais que o companheiro, mal conseguia ganhar o p\u00e3o de cada dia. Vendo o vizinho que, com menos esfor\u00e7o, sustentava a si mesmo e \u00e0 fam\u00edlia, come\u00e7ou a se admirar e a invej\u00e1-lo. Um dia, n\u00e3o conseguiu se conter e disse-lhe: \u201cComo v\u00e3o os neg\u00f3cios? Eu me esfor\u00e7o mais do que voc\u00ea no trabalho e n\u00e3o ganho o suficiente para me alimentar; e voc\u00ea, trabalhando menos, consegue sustentar a si mesmo e \u00e0 sua fam\u00edlia? A essa pergunta, querendo enganar santamente o companheiro e lev\u00e1-lo a frequentar a Igreja, ele respondeu assim: \u201cSabe, irm\u00e3o, que vou a um certo lugar onde encontro dinheiro, pelo qual estou enriquecido; se quiseres vir comigo, todos os dias te chamarei, e o que encontrarmos ser\u00e1 metade meu e metade teu\u201d. De boa vontade, respondeu o outro; e come\u00e7ou a acompanh\u00e1-lo, e todos os dias o levava consigo \u00e0 igreja. Como agradou a Deus, em pouco tempo tornou-se rico e abastado. Ent\u00e3o o companheiro lhe disse: agora v\u00ea, meu irm\u00e3o, quanto te serviu frequentar a Igreja! Fica sabendo que aqui se encontra a gra\u00e7a de Deus, que \u00e9 o melhor tesouro do mundo; e como tu mesmo experimentaste, a quem se preocupa com Deus, Deus se preocupa com ele. Faze, portanto, como come\u00e7aste, frequenta a Chiesa, e Deus n\u00e3o faltar\u00e1 contigo.<\/p>\n<p>Crist\u00e3os, muitos querem fazer fortuna com o pecado, enquanto vivem inimigos de Deus, n\u00e3o frequentam as igrejas, n\u00e3o rezam, n\u00e3o se aproximam dos sacramentos, n\u00e3o santificam as festas e, entretanto, gostariam que Deus os fizesse prosperar e os tornasse felizes. Tolos! N\u00e3o sabem que o pecado \u00e9 o que torna os povos miser\u00e1veis e infelizes? <em>Miseros facit populos peccatum [O pecado torna miser\u00e1veis os povos] <\/em>(<em>Prov. c.<\/em> 14).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria<\/em><\/p>\n<p>Jesus Senhor,<\/p>\n<p>Que nos redimiste<\/p>\n<p>Que ao c\u00e9u me conduzam<\/p>\n<p>Os sacramentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E tu, grande Virgem,<\/p>\n<p>M\u00e3e do amor,<\/p>\n<p>Acende em meu cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O ardor da f\u00e9.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271380\"><\/a><a name=\"_Toc204271820\"><\/a><strong>Nono dia. Dignidade do crist\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Por dignidade do crist\u00e3o, n\u00e3o me refiro aos bens corporais, nem mesmo \u00e0s qualidades preciosas da alma criada \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do pr\u00f3prio Criador. Refiro-me apenas \u00e0 tua dignidade, \u00f3 homem, na medida em que foste feito crist\u00e3o pelo santo Batismo e recebido no seio da Santa M\u00e3e Igreja. Antes de seres regenerado nas \u00e1guas do Batismo, eras escravo do dem\u00f4nio e inimigo de Deus e exclu\u00eddo para sempre do Para\u00edso. Mas, no mesmo ato em que este augusto Sacramento te abriu a porta da verdadeira Igreja, romperam-se as cadeias com que o inimigo da tua alma te mantinha preso; fechou-se para ti o inferno e abriu-se o Para\u00edso. Ao mesmo tempo, tu te tornaste objeto de amor especial por parte de Deus; em ti foram infundidas as virtudes da f\u00e9, da esperan\u00e7a e da caridade. Assim, tornado crist\u00e3o, pudeste levantar os olhos para o c\u00e9u e dizer: Deus, criador do c\u00e9u e da terra, \u00e9 tamb\u00e9m meu Deus. Ele \u00e9 meu pai, me ama e me manda cham\u00e1-lo por este nome.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Pai nosso, que estais nos c\u00e9us<\/em>; Jesus Salvador me chama de irm\u00e3o, e como irm\u00e3o eu perten\u00e7o a Ele, aos seus m\u00e9ritos, \u00e0 sua paix\u00e3o, \u00e0 sua morte, \u00e0 sua gl\u00f3ria, \u00e0 sua dignidade.<\/p>\n<p>Os sacramentos institu\u00eddos por este amoroso Salvador foram institu\u00eddos para mim. O Para\u00edso que meu Jesus abriu com a sua morte, abriu-o para mim e o mant\u00e9m preparado para mim. Para que eu tivesse algu\u00e9m que pensasse por mim, Deus quis dar-me Deus por pai, a Igreja por m\u00e3e e a Palavra Divina por guia.<\/p>\n<p>Conhece, pois, \u00f3 crist\u00e3o, a tua grande dignidade. <em>Agnosce, christiane, dignitatem tuam. <\/em>Mas enquanto te convido a alegrar-te em teu cora\u00e7\u00e3o pela grande benevol\u00eancia que te foi concedida ao te tornares crist\u00e3o, pe\u00e7o-te que penses nos muitos homens que tamb\u00e9m foram redimidos pelo precioso sangue de Jesus Cristo, mas que vivem mergulhados na idolatria ou na heresia e, portanto, fora do caminho da salva\u00e7\u00e3o. Muitos deles bendiriam a cada momento o Criador se pudessem ter as gra\u00e7as, os favores e as b\u00ean\u00e7\u00e3os que tu tens. Mas, dize-me: como respondeste \u00e0 grande bondade que Deus usou para contigo?<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Meu irm\u00e3o, se dermos uma olhada em nossa vida passada, veremos que n\u00e3o apenas desonramos a dignidade de crist\u00e3o, mas que nos comportamos com este Pai Celestial de tal maneira que nem mesmo os infi\u00e9is teriam feito pior. Todas as vezes que transgredimos algum mandamento de Deus ou de sua Igreja, desonramos a dignidade de crist\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Infeliz de mim! Se considero as transgress\u00f5es cometidas contra a santa lei de Deus, se considero a facilidade e os muitos meios com que poderia servi-lo, devo cobrir o rosto de vergonha e repetir a repreens\u00e3o feita por Deus pela boca de um de seus profetas: o homem, diz ele, tendo sido elevado \u00e0 mais alta honra, n\u00e3o a reconheceu: e degradou-se ao agir como um animal insensato e teve uma conduta semelhante \u00e0 dos animais imundos: <em>homo cum in honore esset, non intellexit: jumentis insipientibus comparatus est et similis factus illis.<\/em> Vem agora, \u00f3 crist\u00e3o, e decide firmemente corresponder melhor \u00e0 tua dignidade no futuro. Prostremo-nos diante de Deus e digamos com o cora\u00e7\u00e3o: Meu Deus, Pai das miseric\u00f3rdias, arrependo-me de todo o cora\u00e7\u00e3o por ter-te ofendido; proponho emendar-me no futuro e fazer tudo o que puder para corresponder \u00e0 dignidade de crist\u00e3o, \u00e0 qual me elevaste.<\/p>\n<p>Mas, como o mais belo ornamento do cristianismo \u00e9 a M\u00e3e do Salvador, Maria Sant\u00edssima, assim me dirijo a v\u00f3s, \u00f3 Virgem Maria clement\u00edssima; estou certo de adquirir a gra\u00e7a de Deus, o direito ao Para\u00edso, de recuperar, enfim, a minha dignidade perdida, se rezardes por mim. <em>Auxilium christianorum<\/em>, <em>ora pro nobis [Auxiliadora dos crist\u00e3os, rogai por n\u00f3s].<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Muitos exemplos demonstram que Maria Sant\u00edssima sempre foi o aux\u00edlio dos crist\u00e3os. Os t\u00edtulos gloriosos que todos os dias lhe s\u00e3o dirigidos nas <em>Ladainhas <\/em>da Virgem Maria s\u00e3o prova disso; vejamos alguns. A palavra \u201cladainhas\u201d significa s\u00faplicas, porque as ladainhas n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o uma s\u00e9rie de s\u00faplicas com as quais pedimos \u00e0 Sant\u00edssima Trindade que tenha miseric\u00f3rdia de n\u00f3s, e pedimos \u00e0 Virgem Maria que interceda por n\u00f3s junto a Deus. Tamb\u00e9m se chamam ladainhas lauretanas, porque na Igreja de Loreto s\u00e3o cantadas com maior solenidade. Estas ladainhas s\u00e3o muito antigas na Igreja. S\u00e3o S\u00e9rgio, Papa, para agradecer \u00e0 Virgem por um favor especial que recebeu dela, decretou que fossem recitadas nas principais festas da Nossa Senhora. Outros Pont\u00edfices enriqueceram-nas com muitas indulg\u00eancias. Pio VII estendeu essa indulg\u00eancia a 300 dias cada vez que forem recitadas, aplic\u00e1vel \u00e0s almas do Purgat\u00f3rio. Nas ladainhas, lemos a invoca\u00e7\u00e3o: Maria, aux\u00edlio dos crist\u00e3os; <em>Auxilium christianorum. <\/em>S\u00e3o Pio V, ap\u00f3s uma vit\u00f3ria dos crist\u00e3os contra os turcos por intercess\u00e3o de Maria, foi o primeiro a acrescentar essa invoca\u00e7\u00e3o \u00e0s ladainhas, no ano de 1771. O glorioso Pio VII, reconhecendo na prote\u00e7\u00e3o de Maria o seu restabelecimento na S\u00e9 pontif\u00edcia e a paz devolvida \u00e0 Igreja ap\u00f3s uma s\u00e9rie de acontecimentos tristes, em sinal de gratid\u00e3o para com a grande Rainha do C\u00e9u, instituiu no ano de 1815, em sua honra, a festa chamada Maria Auxiliadora dos Crist\u00e3os. Esta festa \u00e9 celebrada no dia 24 de maio. Invocamos a ajuda de Maria especialmente com a recita\u00e7\u00e3o frequente das suas ladainhas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>No meio dos perigos<\/p>\n<p>Do mar da vida,<\/p>\n<p>Maria, ajudai-me,<\/p>\n<p>Guiai-me ao c\u00e9u.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271381\"><\/a><a name=\"_Toc204271821\"><\/a><strong>D\u00e9cimo dia. Preciosidade do tempo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Os bens concedidos por Deus aos crist\u00e3os s\u00e3o grandes; mas Deus fixou um tempo ao homem para que ele possa deles se servir. O n\u00famero de anos, meses, semanas, dias, horas e minutos que passam desde o nascimento at\u00e9 a morte \u00e9 o tempo que Deus colocou a nosso dispor para que usemos de seus benef\u00edcios e salvemos nossa alma.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Este tempo \u00e9 um tesouro precioso. Um fil\u00f3sofo pag\u00e3o, chamado S\u00eaneca, costumava dizer que n\u00e3o h\u00e1 nada mais precioso do que o tempo: <em>nullum temporis pretium. <\/em>Esse fil\u00f3sofo dizia isso porque o homem, empregando bem o tempo, pode adquirir ci\u00eancia, honras, riquezas. Mas n\u00f3s, crist\u00e3os, estimamos o tempo por motivos muito importantes. Dizemos que o tempo \u00e9 precioso porque, em um momento bem aproveitado, diz S\u00e3o Bernardino de Sena, o homem pode ganhar a felicidade eterna. Por isso, um momento vale tanto quanto Deus: <em>tantum valet tempus, quantum Deus. Tempore enim bene consumpto comparatur Deus [o tempo vale tanto quanto Deus, pois com o tempo bem empregado se iguala a Deus].<\/em><\/p>\n<p>Mas estejamos bem atentos que somente nesta vida podemos aproveitar o tempo. No inferno existe apenas a eternidade. Os condenados choram amargamente pelo tempo perdido, dizendo: <em>oh si daretur hora! [oh, se nos fosse concedida uma hora!] <\/em>Ou se nos fosse dado um \u00fanico momento para consertar as coisas da alma; mas esse momento eles n\u00e3o ter\u00e3o mais. No c\u00e9u, por\u00e9m, n\u00e3o se chora, mas se os bem-aventurados pudessem chorar, chorariam apenas pelo tempo perdido nesta vida, em que poderiam ter adquirido mais m\u00e9ritos para o Para\u00edso. Os santos conheceram esta grande verdade e, por isso, usavam a maior dilig\u00eancia para empreg\u00e1-lo bem. Santo Afonso de Lig\u00f3rio, por ser de certa forma obrigado a ocupar santamente o tempo, fez voto de nunca perder um momento da vida, e agora goza da recompensa do tempo bem empregado com uma eternidade de gl\u00f3ria.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Mas o qu\u00ea? exclama S\u00e3o Bernardo, n\u00e3o h\u00e1 coisa mais preciosa do que o tempo, e n\u00e3o h\u00e1 coisa mais desprezada. <em>Nihil pretiosius tempore, sed nihil vilius \u00e6stimatur<\/em>. Voc\u00ea ver\u00e1 aquele jogador perdendo tempo em jogos e passando os dias e as noites; se voc\u00ea lhe perguntar: o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo? Ele responder\u00e1: estamos passando o tempo. Louco, n\u00e3o v\u00eas que, perdendo o tempo em jogos, o dem\u00f4nio joga com a tua salva\u00e7\u00e3o eterna? Ver\u00e1s aquele outro vagando, passando horas inteiras nas ruas, olhando quem passa, falando de coisas in\u00fateis e, \u00e0s vezes, obscenas. Se lhe perguntares: o que fazes? Ele responder\u00e1: passo o tempo. Pobres cegos! Perdem tantos dias, e dias que nunca mais voltam. \u00d3 tempo desprezado, tu ser\u00e1s a coisa mais desejada pelos mundanos \u00e0 beira da morte. Eles desejar\u00e3o ter tempo para arrumar as coisas da alma, mas Deus responder\u00e1: <em>tempus non erit amplius [n\u00e3o haver\u00e1 mais tempo]. <\/em>Por isso, Deus nos exorta a lembrar-nos dele e a procurar a sua gra\u00e7a antes que falte a luz dos nossos dias. <em>Memento creatoris tui, antequam tenebrescat sol et lumen [Lembra-te do teu Criador, antes que se obscure\u00e7am o sol e a luz] <\/em>(Ecl 12,1.2). Que pena \u00e9 para o peregrino que se apercebe de ter errado o caminho quando j\u00e1 \u00e9 noite e n\u00e3o h\u00e1 mais tempo para remediar! Esta ser\u00e1 a pena daqueles que se encontram \u00e0 beira da morte e n\u00e3o ter\u00e3o passado o seu tempo a servir a Deus. Irm\u00e3o, sigamos o conselho que nos d\u00e1 o Salvador e comecemos a caminhar pelo caminho do C\u00e9u enquanto temos a luz, porque esta luz se perde na morte. <em>Ambulate, dum lucem habetis [Caminhai, enquanto tendes a luz \u2013 Jo 12,35].<\/em><\/li>\n<li>Se a algum de n\u00f3s fosse dada a not\u00edcia de que em breve teria de tratar da causa da sua vida e dos seus bens, certamente se apressaria em arranjar um bom advogado, para defender as suas raz\u00f5es, empregando todos os meios para obter uma senten\u00e7a favor\u00e1vel! E n\u00f3s, o que fazemos? Sabemos com certeza que em breve, e pode ser a qualquer momento, teremos que tratar do neg\u00f3cio da nossa salva\u00e7\u00e3o eterna, e n\u00f3s perdemos tempo. Alguns dir\u00e3o: mas eu sou jovem, depois me entregarei a Deus. Eu respondo: Fica sabendo que o inferno est\u00e1 cheio daqueles que desejavam entregar-se ao Senhor mais tarde. Jesus Cristo amaldi\u00e7oou a figueira que encontrou sem frutos, embora n\u00e3o fosse \u00e9poca de frutos. <em>Non enim erat tempus ficorum (<\/em>Mc 11,13). Com isso, Jesus Cristo quis nos dizer que o homem, em todos os momentos, mesmo na juventude, deve dar frutos de boas obras; caso contr\u00e1rio ser\u00e1 amaldi\u00e7oado e n\u00e3o dar\u00e1 mais frutos no futuro. <em>Iam non amplius in \u00e6ternum ex te fructum quisquam manducet [Nunca mais ningu\u00e9m coma do teu fruto]. <\/em>Assim disse o Redentor \u00e0quela \u00e1rvore, e assim amaldi\u00e7oa aqueles que, chamados por Ele, n\u00e3o correspondem.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Outro dir\u00e1: mas eu, que mal fa\u00e7o? Meu Deus! N\u00e3o \u00e9 mal perder o tempo em jogos, em conversas in\u00fateis que nada aproveitam \u00e0 alma? Ser\u00e1 que Deus nos d\u00e1 este tempo para que o percamos desta maneira? Que mal faziam aqueles trabalhadores que estavam na pra\u00e7a ociosos porque ningu\u00e9m lhes dava trabalho? No entanto, foram repreendidos pelo dono da vinha com estas palavras: por que estais a\u00ed o dia inteiro desocupados? (Mt 20,6). Talvez o Salvador n\u00e3o disse que, no fim da vida, nos pedir\u00e1 conta de cada palavra ociosa: <em>de omni verbo otioso. <\/em>Nos pedir\u00e1 conta de cada momento da nossa vida <em>usque ad ultimum quadrantem?[at\u00e9 o \u00faltimo centavo]. <\/em>Ou\u00e7am, portanto, o que Deus nos diz: se no passado ocupamos mal o tempo: <em>redimamus tempus et horas: <\/em>procuremos reparar o tempo e as horas perdidas. E repararemos o tempo e as horas perdidas se fizermos no futuro o que negligenciamos no passado: <em>tempus redimes, <\/em>diz Santo Anselmo, <em>si qu\u00e6 facere neglexisti facis [recuperas o tempo se fizeres o que negligenciaste no passado].<\/em><\/p>\n<p>Fazei, \u00f3 meu Deus, que eu me arrependa do tempo perdido e empregue o tempo que me dareis de vida em fazer boas obras e chorar os meus pecados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplos<\/em><\/p>\n<p>Os santos compreendiam o valor do tempo e, por isso, trabalhavam dia e noite para ocup\u00e1-lo para a maior gl\u00f3ria de Deus. S\u00e3o Bernardo dizia: todo o tempo que passas sem pensar no Senhor, pensa que o perdeste. S\u00e3o Louren\u00e7o Justino dizia que um mundano daria, na hora da morte, riquezas, honras e todos os prazeres por um momento de vida. S\u00e3o Francisco de B\u00f3rgia, ouvindo outros gastar o tempo falando de coisas do mundo, voltava-se para Deus com santos afetos. Mas, quando lhe pediam sua opini\u00e3o sobre o que havia sido dito, ele n\u00e3o sabia o que responder. Tendo sido repreendido por isso, respondeu: prefiro ser considerado curto de intelig\u00eancia a perder o tempo; <em>malo rudis vocari, quam temporis facturam pati. <\/em>Uma religiosa, falecida em conceito de santidade, apareceu a uma companheira e disse-lhe: eu ficaria feliz em sofrer a dolorosa enfermidade que padecia na morte at\u00e9 o dia do ju\u00edzo final para adquirir a gl\u00f3ria que corresponde ao m\u00e9rito de uma \u00fanica <em>Ave Maria.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Maria, dai-me<\/p>\n<p>Uma alma pura<\/p>\n<p>Mostrai-me do c\u00e9u<\/p>\n<p>O caminho seguro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fazei que toda obra<\/p>\n<p>Da minha vida<\/p>\n<p>Volte para o meu Deus<\/p>\n<p>Sempre agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443967\"><\/a><a name=\"_Toc204271382\"><\/a><a name=\"_Toc204271822\"><\/a><strong>D\u00e9cimo primeiro dia. Presen\u00e7a de Deus<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Deus est\u00e1 no c\u00e9u, na terra, em todos os lugares. Deus sabe tudo, v\u00ea tudo, est\u00e1 presente em tudo. \u00c0 tua direita est\u00e1 Deus, \u00e0 tua esquerda est\u00e1 Deus, acima de ti est\u00e1 Deus, dentro de ti est\u00e1 Deus. Em Deus vivemos, diz o Ap\u00f3stolo, em Deus nos movemos e em Deus temos a nossa exist\u00eancia. Vai aonde quiseres, e estar\u00e1s sempre na presen\u00e7a de Deus. Dizia o profeta Davi: se eu subir ao c\u00e9u, a\u00ed estais v\u00f3s, \u00f3 meu Deus; se eu descer ao inferno, a\u00ed te encontrarei; se eu puser asas como as aves e voar para al\u00e9m dos mares mais remotos, tamb\u00e9m a\u00ed a tua m\u00e3o me sustentar\u00e1 e me firmar\u00e1. Depois disso, o profeta Davi, inspirado por Deus, diz assim: talvez as trevas me escondam da tua face? Talvez a escurid\u00e3o da noite me esconda da tua presen\u00e7a, para que eu possa entregar-me aos prazeres? Mas n\u00e3o: porque as trevas diante de ti n\u00e3o t\u00eam escurid\u00e3o, e a noite brilha como o meio-dia. <em>Tenebr\u00e6 non obscurabuntur a te; et nox sicut dies illuminabitur.<\/em><\/li>\n<li>Deus nos v\u00ea; v\u00ea todas as nossas a\u00e7\u00f5es passadas, v\u00ea o que fazemos no presente, v\u00ea o que fazemos em atos, palavras e pensamentos, mesmo nos lugares mais obscuros e secretos. Nada pode ser escondido dele. <em>Humilia respicit in c\u00e6lo et in terra [Ele olha para os humildes no c\u00e9u e na terra].<\/em> Tenhamos coragem de fazer o bem, pois a menor a\u00e7\u00e3o de nossa vida \u00e9 manifesta diante dos olhos de Deus. Os homens muitas vezes esquecem o que fazemos por eles; Deus n\u00e3o faz assim. Ele v\u00ea um copo de \u00e1gua fresca dado em sua honra e gl\u00f3ria, e prepara a recompensa. Coragem, pois Deus v\u00ea e prepara a recompensa pelo que fazemos por Ele.<\/li>\n<li>Mas, se Deus vigia nossas boas a\u00e7\u00f5es para recompens\u00e1-las, Ele vigia igualmente nossas m\u00e1s a\u00e7\u00f5es para puni-las. Portanto, sempre que formos tentados pelo perigo de cometer a\u00e7\u00f5es indignas, de dizer palavras m\u00e1s, de nutrir pensamentos perversos, digamos imediatamente com o patriarca Jos\u00e9: como posso fazer este mal na presen\u00e7a do meu Deus? Cuidado com aqueles que dizem: Deus n\u00e3o v\u00ea, Deus n\u00e3o ouve, Deus n\u00e3o conhece tal a\u00e7\u00e3o. <em>Non est Deus in conspectu eius [para o \u00edmpio Deus n\u00e3o existe] <\/em>(Sl 9,25). Aqueles que falam assim te enganam. Deus v\u00ea tudo e prepara uma recompensa e um castigo para as nossas a\u00e7\u00f5es; v\u00ea tudo, e cada pequena a\u00e7\u00e3o da nossa vida ser\u00e1 levada ao seu tribunal divino. Para um pouco e considera&#8230; n\u00e3o podes dizer uma palavra, n\u00e3o podes dar um passo, n\u00e3o podes mover uma m\u00e3o, nem um olho, sem que Deus te veja e, mais ainda, sem que Deus te d\u00ea for\u00e7a para agir. V\u00ea, portanto, \u00f3 crist\u00e3o, o que fazes quando pecas! Ofendes um Deus que te v\u00ea, um Deus que te conserva a vida, um Deus que pode fazer-te perder a vida num instante; um Deus que te julgar\u00e1 e que pode fazer-te cair num instante, de alma e corpo, no inferno. \u00d3 grande bondade do meu Deus! V\u00f3s estais sempre ao meu lado para me favorecer, e eu, ingrato, vivi completamente esquecido de v\u00f3s. Fazei com que, pelo menos no futuro, eu n\u00e3o pense em mais nada al\u00e9m de v\u00f3s, de vos servir, de vos amar, meu Bem Supremo, na vida presente, para um dia chegar a desfrutar eternamente de v\u00f3s no Para\u00edso.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Quando Deus chamou o patriarca Abra\u00e3o do meio da idolatria e o enviou para Cana\u00e3, deu-lhe como \u00fanica lembran\u00e7a a presen\u00e7a de Deus: anda na minha presen\u00e7a e s\u00ea perfeito; <em>ambula coram me, et esto perfectus<\/em>; querendo significar que basta o pensamento da presen\u00e7a de Deus para nos libertar do pecado em qualquer lugar e em qualquer perigo em que nos encontremos.<\/p>\n<p>Entre os ensinamentos que o grande Tobias dava ao seu filho, um era este: meu filho, em todos os dias da tua vida, tem sempre presente o teu Deus. <em>Omnibus diebus vitae tuae in mente habeto Deum. <\/em>Santa Ta\u00eds caminhava pela via da iniquidade. Ela encontrou S\u00e3o Paf\u00fancio, que lhe disse: Deus te v\u00ea, ousarias pecar na sua presen\u00e7a? Este pensamento bastou para impedi-la do mal; ela entregou-se a Deus e, sempre acompanhada pelo pensamento da presen\u00e7a de Deus, tornou-se uma grande santa. Santa Teresa dizia que todo mal nos vem de n\u00e3o refletirmos que Deus est\u00e1 presente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Pensando em Deus presente<\/p>\n<p>Fazei com que os l\u00e1bios, o cora\u00e7\u00e3o e a mente<\/p>\n<p>Sigam o caminho da virtude,<\/p>\n<p>\u00d3 grande Virgem Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443968\"><\/a><a name=\"_Toc204271383\"><\/a><a name=\"_Toc204271823\"><\/a><strong>D\u00e9cimo segundo dia. Fim do homem<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Todas as coisas que existem no c\u00e9u e na terra foram feitas para servir ao homem. <em>Omnia subiecisti sub pedibus eius [Tudo pusestes sob os seus p\u00e9s \u2013 Sl 8,7]. <\/em>Mas tu, \u00f3 homem, para que fim Deus te criou? Tu me respondes: fui criado por Deus para que eu o conhe\u00e7a, o ame, o sirva nesta vida e, por este meio, um dia v\u00e1 gozar com Ele no Para\u00edso. Resposta bel\u00edssima! Portanto, nasceste para conhecer Deus; por isso, deves empregar todas as faculdades da tua alma, todas as dilig\u00eancias do teu corpo para conhecer este Criador ben\u00e9fico. Toda a ci\u00eancia dos homens \u00e9 nada se n\u00e3o houver a ci\u00eancia de Deus. <em>Vani sunt omnes homines quibus non subest scientia Dei [V\u00e3os s\u00e3o todos os homens que n\u00e3o possuem o conhecimento de Deus]. <\/em>Se possuis a ci\u00eancia de todos os fil\u00f3sofos antigos e modernos; se conheces todos os segredos da natureza; se tivesses tamb\u00e9m a ci\u00eancia dos querubins, dos serafins e de todos os anjos do c\u00e9u, mas com todo esse conhecimento te faltasse a ci\u00eancia de Deus, nada valeria, diz S\u00e3o Paulo: <em>nihil prodest.<\/em> Mas, ai de mim, quanto tempo perdi aprendendo coisas in\u00fateis, ouvindo, lendo, estudando coisas perigosas, \u00e0s vezes pecaminosas, contr\u00e1rias \u00e0 lei do pr\u00f3prio Deus! Se no passado foste negligente na ci\u00eancia das coisas de Deus, se n\u00e3o queres trair o teu fim, s\u00ea mais diligente no futuro, procura fazer boas leituras, frequentar boas companhias, ser mais ass\u00edduo \u00e0s prega\u00e7\u00f5es, \u00e0s explica\u00e7\u00f5es do Evangelho, aos catecismos. Se algu\u00e9m te convidar a participar de coisas in\u00fateis ou prejudiciais ao bem da alma, responde imediatamente: Deus me criou para conhec\u00ea-lo, e devo fazer todo o esfor\u00e7o para obter esse conhecimento dele. Tudo \u00e9 tolice no mundo sem o conhecimento das coisas de Deus: <em>Sapientia huius mundi, stultitia est apud Deum [A sabedoria deste mundo \u00e9 loucura diante de Deus].<\/em><\/li>\n<li>Tu foste criado para conhecer a Deus, foste criado para amar a Deus. Ama tamb\u00e9m qualquer objeto da terra, mas sempre encontrar\u00e1s um vazio no teu cora\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o amares a Deus. S\u00f3 Ele pode nos satisfazer na vida presente e na futura. Embora o preceito do amor a Deus seja natural ao homem, Deus quis que fosse registrado no Evangelho: amar\u00e1s o Senhor teu Deus: <em>diliges Dominum Deum tuum. <\/em>Se tivesses dois cora\u00e7\u00f5es, ou pudesses dividir em duas partes o que tens: poderias empregar uma parte para amar a Deus, outra parte para amar o mundo. Mas n\u00e3o, diz Deus, amar\u00e1s o Senhor teu Deus com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma, com toda a tua mente. <em>Diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo, ex tota anima tua, ex tota mente tua.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00d3 crist\u00e3o! O que amaste no passado? N\u00e3o ser\u00e1s obrigado a dizer, como o filho pr\u00f3digo, que desperdi\u00e7ou seus bens espirituais e temporais <em>vivendo luxuosamente<\/em>? N\u00e3o empregaste teu cora\u00e7\u00e3o e tua alma no amor \u00e0s criaturas, \u00e0s riquezas, \u00e0s honras e a certos prazeres il\u00edcitos? Se por nossa desgra\u00e7a fomos desses infelizes, n\u00e3o sejamos mais no futuro. Amemos este Deus, amemo-lo porque Ele foi o primeiro a nos amar. Ele nos criou, nos conservou, nos fez tantos benef\u00edcios, amemo-lo porque nos conserva a vida e nos d\u00e1 tudo o que precisamos. Amemo-lo pelos grandes bens que, com a sua paix\u00e3o e com a sua morte, nos preparou na vida presente e muito mais na futura. Amemo-lo porque s\u00f3 Ele, no c\u00e9u e na terra, \u00e9 digno de ser amado acima de todas as coisas e servido fielmente.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Deus nos criou para servi-lo. Grande verdade; amar\u00e1s o teu Deus e servir\u00e1s somente a Ele: <em>diliges Dominum Deum tuum, et illi soli servies<\/em>. Esta palavra \u201cservir\u201d significa fazer aquilo que lhe agrada e fugir de tudo aquilo que lhe desagrada. Por isso, o servi\u00e7o a Deus consiste na observ\u00e2ncia exata dos mandamentos de Deus e da Igreja. Este culto, este servi\u00e7o supremo e absoluto, Deus quer que seja prestado somente a Ele: <em>illi soli servies. <\/em>Por isso, muitos crist\u00e3os se enganam ao aplicar estas verdades. Se lhes perguntamos: para que fim se dirigem as vossas grandes preocupa\u00e7\u00f5es? A maioria responde: eu trabalho para ter um bom emprego. Outros dizem: procuramos comprar um campo, uma vinha, um prado, uma casa de campo. Outros dizem: estudo para lucrar com esse dinheiro, para vencer aquela disputa, para ganhar bem, para conseguir aquela honra, aqueles prazeres. Oh, tolos que sois! V\u00f3s vos enganais. Se f\u00f4sseis criados para essas coisas, eu vos diria: amai-as, procurai-as; fazei-as objeto de vossas preocupa\u00e7\u00f5es. Mas n\u00f3s, \u00f3 crist\u00e3os, fomos criados para servir a Deus e a ningu\u00e9m mais. Se seguimos outro caminho no passado, erramos. Portanto, abramos os olhos enquanto h\u00e1 tempo, pe\u00e7amos ao Senhor que tenha miseric\u00f3rdia do triste servi\u00e7o que lhe prestamos na vida passada e prometamos servi-lo melhor no futuro. Fa\u00e7amos como um viajante que, percebendo que se enganou de caminho, volta atr\u00e1s e se coloca na estrada certa que seguramente o levar\u00e1 ao lugar aonde pretendia ir. Mas lembremo-nos de que servir a Deus nesta vida \u00e9 o \u00fanico meio de ir desfrut\u00e1-lo um dia na p\u00e1tria celeste. A Virgem Santa, que dedicou cada momento de sua vida ao servi\u00e7o do Senhor, nos conceda poder consagrar a Deus pelo menos o tempo que, em sua infinita bondade, Ele se dignar\u00e1 nos deixar viver. Que ela nos obtenha de Jesus, seu Divino Filho, a gra\u00e7a de poder conhecer, amar e servir a Deus nesta vida e, um dia, ir desfrutar eternamente no c\u00e9u.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplos<\/em><\/p>\n<p>Um ministro de Francisco I, rei da Fran\u00e7a, dedicou-se a servir fielmente o seu rei durante toda a sua vida. Mas, como fazem muitos homens do mundo, ele pensava pouco na coisa mais importante: a sua alma. Chegando ao ponto da morte, expressava seus remorsos com estas palavras: \u201cInfeliz de mim! Consumi tanto papel escrevendo cartas para o meu soberano e n\u00e3o gastei uma folha sequer para escrever meus pecados e fazer uma boa confiss\u00e3o\u201d. N\u00e3o esperemos o ponto da morte para ajustar as coisas da consci\u00eancia.<\/p>\n<p>S\u00e3o Dositeu pertencia a uma fam\u00edlia rica e nobre; seus pais se preocuparam muito em dar-lhe uma educa\u00e7\u00e3o mundana, criando-o no luxo e nas comodidades; mas pouco se importaram com as verdades da religi\u00e3o crist\u00e3. A divina provid\u00eancia disp\u00f4s que o jovem nobre fosse fazer uma viagem \u00e0 Palestina por divers\u00e3o; e entre outros lugares, ele foi visitar o horto de Gets\u00eamani, onde o divino Salvador havia suado sangue. L\u00e1, ele viu um quadro representando ao vivo as penas do inferno. Ao ver isso, Dositeu ficou horrorizado e, refletindo que o modo de vida que levara at\u00e9 ent\u00e3o o levaria sem d\u00favida \u00e0 perdi\u00e7\u00e3o eterna, resolveu abandonar parentes, amigos, riquezas, honras e prazeres mundanos para se entregar totalmente a Deus e garantir a salva\u00e7\u00e3o da alma. Com esse objetivo, dirigiu-se a um mosteiro, insistindo muito para ser recebido. Ao ver um jovem delicado e vestidos com roupas nobres, o abade hesitou em receb\u00ea-lo, temendo que fosse um fervor passageiro. Ele fez muitas dificuldades em torno da austeridade da vida que ele teria que levar; mas o jovem, que queria a qualquer custo salvar sua alma, n\u00e3o respondia outra coisa sen\u00e3o: eu quero salvar minha alma. Diante dessa resposta franca e repetida, o abade o recebeu no mosteiro. L\u00e1, esquecido do mundo, Dositeu passou sua vida em penit\u00eancia e virtude, e morreu santo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Para que fui criado<\/p>\n<p>Fazei-me saber, meu Senhor,<\/p>\n<p>Fazei-me evitar o caminho<\/p>\n<p>Que conduz ao horror eterno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271384\"><\/a><a name=\"_Toc204271824\"><\/a><strong>D\u00e9cimo terceiro dia. A salva\u00e7\u00e3o da alma<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Suspende por um momento, crist\u00e3o, tuas ocupa\u00e7\u00f5es, e vem comigo ouvir o que Jesus Cristo nos diz. Ele nos fala assim: por que vos ocupais com tantas coisas no mundo? Uma \u00fanica coisa \u00e9 necess\u00e1ria, e essa \u00e9 salvar a alma. <em>Unum est necessarium. <\/em>Se v\u00f3s salvardes esta alma, tudo estar\u00e1 salvo para v\u00f3s; mas se a perderdes, tudo estar\u00e1 perdido. Podeis adquirir riquezas, empregos, honras, gl\u00f3ria; podeis parecer muito s\u00e1bios diante do mundo; ser considerados os mais valentes, os mais dotados entre vossos vizinhos, em vossa terra, em todo o mundo; mas a vossa alma \u00e9 o tesouro mais precioso do mundo: <em>anima humana est toto mundo pretiosior [a alma humana \u00e9 mais preciosa do que todo o mundo] <\/em>(S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo). Nada se pode comparar ao valor da alma. O que poder\u00e1s dar, diz Jesus Cristo, que possa compensar a tua alma? <em>Quam dabit homo commutationem pro anima sua? [Que poder\u00e1 algu\u00e9m dar em troca da pr\u00f3pria vida? <\/em>(Mt 16,25b). De que te adianta, \u00f3 homem, ganhar o mundo inteiro, se isso prejudica a tua alma? <em>Quid prodest homini, si mundum universum lucretur, anim\u00e6 vero su\u00e6 detrimentum patiatur? [Que adianta a algu\u00e9m ganhar o mundo inteiro, se perde a pr\u00f3pria vida? (Mt 16,25a).<\/em><\/li>\n<li>\u00d3 crist\u00e3o! Acreditas nesta grande verdade? Se acreditas, por que n\u00e3o pensas nisso? Se pensas, por que n\u00e3o abandonas o pecado? Por que n\u00e3o colocas imediatamente tua alma na gra\u00e7a de Deus com uma boa confiss\u00e3o? Se tiv\u00e9ssemos duas almas, algu\u00e9m poderia dizer: quero desfrutar dos prazeres da terra e assim perder uma; e depois salvarei a que me resta. Mas n\u00f3s temos uma \u00fanica alma. Por isso Jesus Cristo nos diz que a salva\u00e7\u00e3o da alma \u00e9 a coisa mais necess\u00e1ria neste mundo. <em>Unum est necessarium. <\/em>\u00d3 Senhor, dizia o profeta Davi, eu te pe\u00e7o uma \u00fanica coisa: salvar a minha alma: <em>unam petii, hanc requiram, ut inhabitem in domo Domini [Uma s\u00f3 coisa pedi ao Senhor, s\u00f3 isto desejo: morar na casa do Senhor <\/em>(Sl 27(26),4). Por isso, o ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo advertia os crist\u00e3os da cidade de Filipos que, com temor e tremor, se empenhassem em salvar a alma: <em>cum metu et tremore salutem vestram operamini [realizai a vossa salva\u00e7\u00e3o com temor e tremor <\/em>(Fl 2,12). S\u00e3o Francisco Xavier dizia que no mundo h\u00e1 um \u00fanico bem e um \u00fanico mal: o \u00fanico bem \u00e9 salvar-se, o \u00fanico mal \u00e9 perder-se. Santa Teresa repetia frequentemente \u00e0s suas companheiras: irm\u00e3s, uma alma, uma eternidade. Querendo dizer: uma alma, se for perdida esta, tudo est\u00e1 perdido, e por uma eternidade.<\/li>\n<li>A salva\u00e7\u00e3o da alma \u00e9 um assunto importante, \u00e9 \u00fanico; mas \u00e9 irrepar\u00e1vel, ou seja, se se erra uma vez, est\u00e1 errado para sempre. Se se perde uma disputa, pode-se recorrer a outro tribunal ou tentar ganhar outra; se se perde a sa\u00fade, espera-se recuper\u00e1-la com os cuidados dos m\u00e9dicos; se se faz um contrato ruim, tenta-se fazer outro; se um granizo nos tira a colheita deste ano, espera-se uma melhor no pr\u00f3ximo ano; mas se, por infelicidade, se erra a salva\u00e7\u00e3o da alma, tudo est\u00e1 perdido para sempre: <em>periisse semel \u00e6ternum est [perdida a alma uma vez, est\u00e1 perdida para sempre].<\/em> Pensa, \u00f3 crist\u00e3o, se a morte te atingisse neste momento, o que seria da tua alma? Se tens a consci\u00eancia tranquila, agradece a Deus e faze todo esfor\u00e7o para te manteres nesse estado. Mas se tens esc\u00e2ndalos a reparar, coisas a devolver, h\u00e1bitos antigos a erradicar, confiss\u00f5es duvidosas ou sacr\u00edlegas, ah! Por caridade, n\u00e3o adies! Porque se a morte te surpreender nesse estado, perder\u00e1s o que \u00e9 mais importante, perder\u00e1s o que \u00e9 \u00fanico, perder\u00e1s o que \u00e9 irrepar\u00e1vel, porque uma vez perdida, a alma est\u00e1 perdida para sempre.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplos<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Francisco Xavier estava em Paris, absorto em pensamentos mundanos, quando ouviu Santo In\u00e1cio dizer-lhe: de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a alma? S\u00e3o Francisco ouvia em profundo sil\u00eancio, e Santo In\u00e1cio acrescentou: pensa, Francisco, que o mundo \u00e9 um traidor. Ele promete e n\u00e3o cumpre. Mas mesmo que cumprisse a promessa, nunca poderia satisfazer o teu cora\u00e7\u00e3o. Mas, mesmo que te satisfizesse, quanto duraria essa tua felicidade? Poderia durar mais do que a tua vida? E, no fim, o que levar\u00e1s para a eternidade? Existe talvez um rico que tenha levado consigo uma moeda ou um servo para seu conforto na outra vida? Ao ouvir estas palavras, S\u00e3o Francisco abandonou o mundo e, profundamente penetrado pelo pensamento de salvar a alma, dedicou-se a seguir Jesus Cristo e tornou-se um grande santo.<\/p>\n<p>Bento XII foi solicitado por um pr\u00edncipe por uma gra\u00e7a que n\u00e3o podia conceder-lhe sem pecar. O Papa respondeu ao embaixador: dizei ao vosso soberano que se eu tivesse duas almas, poderia perder uma por ele e reservar a outra para mim; mas como tenho apenas uma, n\u00e3o posso nem quero perd\u00ea-la. Se no futuro tamb\u00e9m formos tentados a cometer algum pecado, respondamos \u00e0queles que nos seduzem para o mal: se eu tivesse duas almas, poderia perder uma e cometer esse pecado; mas tenho uma \u00fanica alma e quero salv\u00e1-la a qualquer custo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Jesus, Jos\u00e9 e Maria, a v\u00f3s dou meu cora\u00e7\u00e3o e minha alma.<\/p>\n<p>Jesus, Jos\u00e9 e Maria, assisti-me na minha \u00faltima agonia.<\/p>\n<p>Jesus, Jos\u00e9 e Maria, que a minha alma descanse em paz convosco<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443970\"><\/a><a name=\"_Toc204271385\"><\/a><a name=\"_Toc204271825\"><\/a><strong>D\u00e9cimo quarto dia. O pecado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Antes de considerar o que \u00e9 o pecado, volta o teu olhar para um crucifixo e depois reflete assim no teu cora\u00e7\u00e3o: o pecado \u00e9 um fato, um desejo, uma palavra contra a santa lei de Deus. Quando cometo um pecado, volto as costas para Deus criador, para aquele Deus de bondade que me cumulou de tantos benef\u00edcios, e desprezo a sua gra\u00e7a e a sua amizade. Quem peca diz ao Senhor: Vai-te, \u00f3 Deus, longe de mim, n\u00e3o quero mais te obedecer, n\u00e3o quero mais te servir, n\u00e3o quero mais te reconhecer como meu Deus, <em>non serviam [n\u00e3o servirei]. <\/em>O Senhor diz da cruz: n\u00e3o te vingues; e o homem responde: e eu quero me vingar. Deus diz: n\u00e3o tomes o que \u00e9 dos outros; e o homem responde: e eu quero tomar. Deus diz: priva-te desse prazer desonesto; o homem responde: n\u00e3o quero privar-me dele. Deus diz: santifica os dias festivos; o homem responde: e eu quero profan\u00e1-los; e, assim dizendo abandona Deus, a bondade suprema, para se entregar \u00e0s criaturas e satisfazer este corpo miser\u00e1vel.<\/li>\n<li>Mas quem \u00e9 Deus, contra quem queres te revoltar? Ele \u00e9 aquele que te deu a vida, que a preserva e que pode tir\u00e1-la a qualquer momento. Deus \u00e9 aquele grande benfeitor que te deu tudo o que tens na vida presente. Sa\u00fade, bens temporais, mem\u00f3ria, l\u00edngua, olhos, ouvidos, p\u00e9s, m\u00e3os, tudo foi dado por Ele, e usaste esses dons para ofend\u00ea-lo. Al\u00e9m disso, esse mesmo Deus que desprezas \u00e9 o teu Salvador, que para salvar a tua alma sofreu uma morte dolorosa e derramou todo o seu sangue na cruz. E, depois de tudo isso, preparou para ti a felicidade eterna. E quem \u00e9s tu, \u00f3 crist\u00e3o, que te rebelas contra o teu Criador? Tu \u00e9s uma criatura miser\u00e1vel, que nada pode, um cego que nada v\u00ea, um pobre que nada possui. <em>Miser et pauper et c\u00e6cus et nudus [miser\u00e1vel, pobre, cego e nu] <\/em>(Ap 3,17). E tu, criatura miser\u00e1vel, tens a ousadia de irritar este teu Deus, na presen\u00e7a do qual tremem o c\u00e9u, o inferno e a terra? <em>Vilis pulvisculus tam terribilem maiestatem audet irritare? [Uma part\u00edcula t\u00e3o vil de poeira ousa irritar t\u00e3o terr\u00edvel majestade?] <\/em>(S\u00e3o Bernardo).<\/li>\n<li>Enquanto consideras a majestade do teu Deus, a quem ofendes, e a tua pr\u00f3pria vilania, pe\u00e7o-te que reflitas seriamente comigo. Este Deus, sendo teu senhor, pode num instante privar-te de todos os bens que te deu, pode privar-te da sa\u00fade, da vida e precipitar-te nas penas eternas do inferno. \u00c9 verdade que Deus \u00e9 infinitamente bom, mas sendo justo, n\u00e3o pode deixar de ficar muito indignado quando o ofendes. Portanto, quando pecas, tens motivos para temer que teus pecados cheguem a um n\u00famero tal que ponha fim ao n\u00famero que Deus estabeleceu. <em>In plenitudine peccatorum puniet [Na plenitude dos pecados ele punir\u00e1].<\/em> N\u00e3o \u00e9 que falte a miseric\u00f3rdia de Deus, mas que te falta tempo para pedir perd\u00e3o, te falta a vontade, te falta aquele tra\u00e7o de gra\u00e7a especial que n\u00e3o mais merece aquele que abusa da miseric\u00f3rdia divina para ofend\u00ea-lo. Portanto, deves temer justamente que, por outro pecado mortal, a ira divina te atinja e te condene eternamente.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Meu Deus, basta o que vos ofendi; a vida que me resta, quero empreg\u00e1-la amando-vos e chorando os meus pecados. Arrependo-me de todo o cora\u00e7\u00e3o, meu Jesus; quero amar-vos, dai-me for\u00e7a. Sant\u00edssima Virgem Maria, M\u00e3e de Deus, ajudai-me. Assim seja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplos<\/em><\/p>\n<p>Se, ap\u00f3s o pecado, Deus punisse imediatamente quem o comete, certamente n\u00e3o seria t\u00e3o desonrado como, infelizmente, vemos todos os dias. Mas, embora difira na aplica\u00e7\u00e3o da plenitude dos castigos, Ele nos deixou exemplos terr\u00edveis para que saibamos que tamb\u00e9m na vida presente castiga aqueles que ultrajam a sua santa lei. L\u00facifer era o anjo mais belo do para\u00edso. Ele cometeu um pecado de soberba ao querer ser semelhante a Deus; e por esse pecado foi expulso do para\u00edso juntamente com uma numerosa multid\u00e3o de seus companheiros, e todos foram condenados \u00e0s penas eternas no inferno.<\/p>\n<p>Ad\u00e3o e Eva cometeram um pecado de desobedi\u00eancia no para\u00edso terrestre e foram imediatamente expulsos daquele lugar de del\u00edcias, condenados com sua descend\u00eancia \u00e0s penas grav\u00edssimas na alma e no corpo, \u00e0s quais ainda estamos sujeitos.<\/p>\n<p>Com o aumento da humanidade, os v\u00edcios se multiplicam. Deus envia um dil\u00favio que cobre toda a face da terra e faz perecer todos os homens e todos os animais, exceto aqueles que Ele fez entrar na arca.<\/p>\n<p>Os habitantes de Sodoma, Gomorra e outras cidades vizinhas se entregam ao pecado da desonestidade. Deus envia uma chuva de fogo, incendeia as casas, incinera os habitantes e abre voragens na terra que absorvem tudo, e surge um lugar que chamamos de Asfaltite ou Mar Morto.<\/p>\n<p>Os judeus pecam e, em castigo pela sua iniquidade, milhares perecem no deserto. Toda a na\u00e7\u00e3o judaica recai no pecado e agora \u00e9 escravizada, oprimida por outros flagelos, e acaba por ser totalmente dispersa, sem rei, sem pr\u00edncipe, sem sacerd\u00f3cio, sem cidade onde se possa reunir e formar um corpo nacional.<\/p>\n<p>Judas Iscariotes trai o divino Mestre e vai se enforcar. Ananias e Safira mentem a S\u00e3o Pedro e caem mortos na hora. Se Deus tantas vezes, de tantas maneiras, castigou os pecados na vida presente, qu\u00e3o grande, assustador e terr\u00edvel ser\u00e1 o castigo reservado na eternidade!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Do pecado que o homem encadeia<\/p>\n<p>Aos prazeres enganosos aqui embaixo<\/p>\n<p>Libertai a alma, \u00f3 Maria, e, serena,<\/p>\n<p>Busque sempre vosso filho Jesus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443971\"><\/a><a name=\"_Toc204271386\"><\/a><a name=\"_Toc204271826\"><\/a><strong>D\u00e9cimo quinto dia. A morte<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Antes de considerarmos o que \u00e9 a morte, vem comigo em pensamento at\u00e9 a beira do leito de um moribundo e, na presen\u00e7a dele, leiamos o decreto que Deus faz ouvir a todos os homens pela boca do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo: <em>statutum est omnibus hominibus semel mori. <\/em>Est\u00e1 estabelecido que todos os homens devem morrer uma s\u00f3 vez. Todos os que viveram desde o princ\u00edpio do mundo at\u00e9 agora, todos tiveram que se submeter a este decreto. N\u00e3o h\u00e1 ci\u00eancia, nem poder, nem sa\u00fade, nem robustez que possa resistir \u00e0 morte. Resiste-se ao ferro, ao fogo, \u00e0 \u00e1gua, mas quem pode resistir \u00e0 morte? <em>Resistitur ignibus, undis, ferro, regibus, morti autem quis resistit? [Resiste-se ao fogo, \u00e0s ondas, aos reis; mas quem resiste \u00e0 morte?]<\/em> Vamos procurar quem ainda existe, entre tantos reis, monarcas, imperadores, que viveram nos tempos passados; todos mudaram de pa\u00eds e partiram para a eternidade. Deles n\u00e3o resta nada, a n\u00e3o ser algumas inscri\u00e7\u00f5es sobre seus t\u00famulos, e se abrirmos os mesmos t\u00famulos, nada mais vemos do que um punhado de cinzas, que em breve se dispersar\u00e1 com o resto do p\u00f3 da terra. <em>Dic mihi, ubi sunt amatores mundi? <\/em>diz S\u00e3o Bernardo. Dize-me onde est\u00e3o os amantes do mundo? O mesmo santo responde: <em>nihil ex eis remansit, nisi cineres et vermes. <\/em>Nada restou deles, a n\u00e3o ser cinzas e vermes. Pelo menos soub\u00e9ssemos o lugar e a hora da nossa morte; mas n\u00e3o, diz o Salvador, ela vir\u00e1 quando menos esperarmos. Pode ser que a morte me surpreenda na minha cama, no trabalho, na estrada ou em outro lugar. Uma doen\u00e7a, uma febre, um acidente, algo que caia sobre mim, um golpe de um assassino, um raio, s\u00e3o todas coisas que podem tirar-me a vida. Isso pode acontecer daqui a um ano, daqui a um m\u00eas, a uma semana, a um dia, a uma hora, e talvez possa acontecer assim que terminarmos de ler esta reflex\u00e3o. Crist\u00e3o, se a morte nos atingisse neste momento, o que seria da sua alma? O que seria da minha alma? Ai de n\u00f3s, se n\u00e3o estivermos preparados; quem hoje n\u00e3o est\u00e1 preparado para morrer bem, corre grave perigo de morrer mal.<\/li>\n<li>Talvez possamos nos iludir que a morte n\u00e3o vir\u00e1 para n\u00f3s? Ningu\u00e9m jamais foi t\u00e3o tolo a ponto de se considerar isento da morte. O decreto da morte \u00e9 para todos. A hora da nossa morte chegar\u00e1, isso \u00e9 certo. Chegar\u00e1 aquele dia, aquela noite em que tamb\u00e9m n\u00f3s nos encontraremos deitados numa cama. Se Deus nos conceder tal favor, teremos um sacerdote, que segurar\u00e1 numa m\u00e3o o Crucifixo e na outra uma vela acesa, recomendando a nossa alma ao Senhor. Os parentes e os amigos mais fi\u00e9is formar\u00e3o uma coroa \u00e0 nossa volta, chorando. Oh, se pudesses refletir agora sobre os pensamentos que correr\u00e3o pela tua mente naquele \u00faltimo instante de vida! Agora, o dem\u00f4nio, para induzir-te ao pecado, encobre e desculpa as culpas, mas na morte revelar\u00e1 a gravidade delas e as colocar\u00e1 diante de ti. Mas o que fazer naquele momento terr\u00edvel em que deves partir para a eternidade?<\/li>\n<li>Momento terr\u00edvel, do qual depende a tua salva\u00e7\u00e3o eterna ou a tua condena\u00e7\u00e3o eterna. Perto do \u00faltimo fechar da boca, ser\u00e1 acesa uma vela, quase para iluminar a tua alma para empreender o caminho para a eternidade. Duas vezes se mant\u00e9m acesa uma vela diante de n\u00f3s: quando somos batizados e no momento da morte. Na primeira vez, vemos os preceitos da lei de Deus; na segunda vez, saberemos se eles foram observados por n\u00f3s. Portanto, \u00f3 crist\u00e3o, \u00e0 luz desta vela, ver\u00e1s se amaste o teu Deus ou se o desprezaste; se honraste o seu santo nome ou se o blasfemaste; ver\u00e1s o esc\u00e2ndalo causado, as coisas n\u00e3o devolvidas, a honra do pr\u00f3ximo n\u00e3o reparada, ver\u00e1s as confiss\u00f5es feitas sem dor e sem prop\u00f3sito&#8230;<\/li>\n<\/ol>\n<p>Mas, \u00f3 Deus! Ver\u00e1s tudo num instante, quando aos teus olhos se abrir\u00e1 o caminho da eternidade. Ponto, ou momento, do qual depende uma eternidade de gl\u00f3ria ou de pena. Entendes, crist\u00e3o, o que te digo? Quero dizer que desse momento depende ir para sempre para o Para\u00edso ou para sempre para o inferno; ser sempre feliz ou sempre atormentado; ser sempre filho de Deus ou sempre escravo do dem\u00f4nio; desfrutar sempre com os anjos e os santos no c\u00e9u ou gemer e arder para sempre com os condenados no inferno. \u00d3 meu Deus, a partir deste momento eu me converto a v\u00f3s; eu vos amo, quero vos amar e servir at\u00e9 a morte. Virgem Sant\u00edssima, minha M\u00e3e piedosa, ajudai-me nesse momento. Jesus, Jos\u00e9 e Maria, que minha alma expire em paz convosco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplos<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Bernardino de Sena narra que um pr\u00edncipe, encontrando-se \u00e0 beira da morte, disse, todo apavorado: \u201cEis que tenho tantas terras e tantos pal\u00e1cios neste mundo; mas, se morrer esta noite, n\u00e3o sei qual ser\u00e1 o meu lugar na eternidade\u201d. Santo Afonso conta que um rei da Fran\u00e7a, chegando ao fim da vida, disse aos seus amigos: com todo o meu poder, n\u00e3o posso conseguir que a morte atrase um momento a sua chegada. O irm\u00e3o do grande servo de Deus Tom\u00e1s de Kempis convidou um amigo para visitar uma casa que ele mandara construir com grande luxo. Mas o amigo disse-lhe que havia um grande defeito. Qual? perguntou ele. \u201cA falha\u201d, respondeu ele, \u201c\u00e9 a porta que mandaste fazer\u201d. \u201cComo assim?\u201d, retrucou o outro, \u201cuma falha na porta?\u201d. \u201cSim\u201d, concluiu o amigo, \u201cporque por essa porta um dia ter\u00e1s que sair morto, abandonando assim a casa e todos os teus bens\u201d. Com a morte, abandonamos tudo neste mundo; somente as boas obras nos acompanhar\u00e3o na eternidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>\u00d3 m\u00e3e de Deus,<\/p>\n<p>\u00d3 rosa m\u00edstica,<\/p>\n<p>Socorrei, piedosa,<\/p>\n<p>O meu esp\u00edrito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00d3 Santa Maria,<\/p>\n<p>A vossa forte ajuda<\/p>\n<p>Concedei na hora da morte<\/p>\n<p>\u00c0 minha alma.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271387\"><\/a><a name=\"_Toc204271827\"><\/a><strong>D\u00e9cimo sexto dia. Ju\u00edzo particular<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Duas vezes teremos que comparecer perante o tribunal de Jesus Cristo: no julgamento universal, que acontecer\u00e1 no fim do mundo, e no julgamento particular ap\u00f3s a morte. Tr\u00eas coisas deves considerar no julgamento particular: o comparecimento, o interrogat\u00f3rio e a senten\u00e7a. Os maiores santos tremiam todos ao pensar em ter que comparecer perante Deus para serem julgados. Assim que der o \u00faltimo suspiro, a alma ter\u00e1 que comparecer imediatamente perante o Divino Juiz. A primeira coisa que torna terr\u00edvel este comparecimento \u00e9 encontrar-se sozinha diante de Deus que est\u00e1 prestes a julg\u00e1-la. Que coisas poder\u00e1 a alma levar consigo? O Ap\u00f3stolo nos diz: ela levar\u00e1 tanto do bem quanto do mal que fez durante a sua vida. <em>Referet unusquisque prout gessit sive bonum sive malum [Cada um d\u00e1 conta, de acordo com o que tiver feito, seja o bem, seja o mal]. <\/em>N\u00e3o se pode encontrar nem desculpa, nem pretexto. Diz Santo Agostinho que teremos acima um juiz irado, de um lado os pecados que nos acusam, do outro os dem\u00f4nios prontos para executar a senten\u00e7a, dentro da consci\u00eancia que nos agita e nos atormenta, abaixo um inferno que est\u00e1 prestes a nos engolir. Naquele momento, a alma gostaria de fugir, mas a for\u00e7a poderosa de Deus a ret\u00e9m: <em>manifestari oportet [deve ser manifestado].<\/em> Bem-aventurados os crist\u00e3os que comparecer\u00e3o diante de Deus com um conjunto de boas obras!<\/li>\n<li>Antes de proferir a senten\u00e7a, o Salvador examinar\u00e1 tudo o que fizemos em nossa vida. Ele abrir\u00e1 os livros da nossa consci\u00eancia. <em>Iudicium sedit, et libri aperti sunt [O julgamento est\u00e1 definido e os livros est\u00e3o abertos]<\/em>. Nesses livros, nessa consci\u00eancia, quantas coisas ser\u00e3o vistas. Ai! Quem \u00e9s tu? Ele come\u00e7ar\u00e1 a perguntar, quem \u00e9s tu? Responder\u00e1s: crist\u00e3o. Se \u00e9s crist\u00e3o, verei se observaste a minha lei. Ent\u00e3o come\u00e7ar\u00e1 a lembrar-te das promessas feitas no Santo Batismo, com as quais renunciaste ao dem\u00f4nio, ao mundo, \u00e0 carne; lembrar-te-\u00e1 das gra\u00e7as concedidas, dos sacramentos recebidos, das prega\u00e7\u00f5es, das instru\u00e7\u00f5es, das corre\u00e7\u00f5es dos parentes; tudo ser\u00e1 colocado diante de ti. Mas tu, dir\u00e1 o juiz, apesar de tantos dons, de tantas gra\u00e7as, quanto mal correspondeste \u00e0 profiss\u00e3o de crist\u00e3o. Assim que come\u00e7aste a conhecer-me, logo come\u00e7aste a ofender-me. Crescendo em idade, aumentaste o desprezo pela minha lei. Missas perdidas, profana\u00e7\u00f5es dos dias festivos, blasf\u00eamias, confiss\u00f5es mal feitas, comunh\u00f5es sem fruto e, \u00e0s vezes, sacr\u00edlegas, eis o que fizeste em vez de me servir. Ent\u00e3o, o Divino Juiz se voltar\u00e1 cheio de indigna\u00e7\u00e3o para o escandaloso, dizendo-lhe: v\u00eas aquela alma que caminha pela estrada do pecado? Foste tu que, com as tuas palavras, insinuaste-lhe a mal\u00edcia. V\u00eas aquele outro que est\u00e1 l\u00e1 no inferno? Foste tu que, com os teus conselhos perversos, a tiraste de mim, a entregaste ao dem\u00f4nio e foste a causa da sua perdi\u00e7\u00e3o. Agora vai com a tua alma pela alma que fizeste perder: <em>repetam animam tuam pro anima illius [tirarei a tua vida pela vida dele]. <\/em>Treme, \u00f3 crist\u00e3o, diante deste exame e come\u00e7a desde agora a acalmar a ira do Juiz Supremo com uma pronta emenda dos teus pecados.<\/li>\n<li>Na conta rigorosa que o Divino Juiz exige do pecador, talvez ele procure algum pretexto para se desculpar e diga que n\u00e3o pensava em passar por um exame t\u00e3o rigoroso. Mas imediatamente lhe ser\u00e1 respondido: n\u00e3o ouviste aquela prega\u00e7\u00e3o, n\u00e3o leste naquele livro que eu te pediria conta <em>usque ad ictum oculi, <\/em>at\u00e9 um olhar, <em>usque ad ultimum quadrantem, <\/em>at\u00e9 o \u00faltimo minuto da tua vida? A alma se recomendar\u00e1 \u00e0 miseric\u00f3rdia divina, e a miseric\u00f3rdia n\u00e3o \u00e9 mais para ela, porque com a morte termina o tempo da miseric\u00f3rdia. Recomendar-se-\u00e1 aos Anjos, aos Santos, a Maria Sant\u00edssima; e Ela, em nome de todos, responder\u00e1: pedes agora a minha ajuda? N\u00e3o me quiseste como m\u00e3e em vida, nem eu te quero como filho ap\u00f3s a morte, n\u00e3o te conhe\u00e7o mais. <em>Nescio vos. <\/em>O pecador, n\u00e3o encontrando escapat\u00f3ria, assustado com a apar\u00eancia amea\u00e7adora do Juiz, com o inferno que v\u00ea aberto sob seus p\u00e9s, exclamar\u00e1 cheio de terror: <em>horrendum est incidere in manus Dei viventis; <\/em>\u00e9 coisa horr\u00edvel cair nas m\u00e3os de um Deus julgador. Naquele mesmo instante, o Juiz proferir\u00e1 a senten\u00e7a terr\u00edvel, dizendo: pela tua pr\u00f3pria boca \u00e9s julgado, servo infiel, <em>ex ore tuo te iudico, serve nequam. <\/em>Afasta-te de mim, meu Pai Celestial te amaldi\u00e7oou, e eu te amaldi\u00e7oo: vai para o fogo eterno. Proferida esta palavra, a alma \u00e9 abandonada nas m\u00e3os dos dem\u00f4nios, que a arrastam consigo para sofrer os tormentos do inferno. Senten\u00e7a terr\u00edvel e assustadora!<\/li>\n<\/ol>\n<p>Por amor de Jesus e de Maria, prepara-te com boas obras para ouvir uma senten\u00e7a favor\u00e1vel. Coragem, a senten\u00e7a proferida contra o pecador \u00e9 assustadora, mas a consola\u00e7\u00e3o \u00e9 imensa no convite que Jesus Cristo far\u00e1 ao crist\u00e3o fiel. Vem, dir-lhe-\u00e1, vem para a posse da gl\u00f3ria que te preparei. Tu me serviste, agora desfrutar\u00e1s eternamente: <em>intra in gaudium Domini tui [entra na alegria do teu Senhor]. <\/em>Meu Jesus, concedei-me a gra\u00e7a de que, com uma vida santa, eu possa preparar-me para aquele momento terr\u00edvel em que terei de comparecer perante o vosso Divino Tribunal. Virgem Sant\u00edssima, ajudai-me, protegei-me na vida e na morte, e especialmente quando eu comparecer perante o vosso Divino Filho para ser julgado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplos<\/em><\/p>\n<p>O vener\u00e1vel Ancina, bispo de Saluzzo, sempre que ouvia falar do julgamento de Deus, ficava tomado por um medo terr\u00edvel. Um dia, ao ouvir cantar o <em>Dies Irae, <\/em>ficou aterrorizado ao pensar no momento em que a alma se apresentaria ao tribunal de Deus. Resolveu ent\u00e3o abandonar o mundo, como de fato fez, e levou uma vida tal que morreu em conceito de santidade.<\/p>\n<p>Filipe I, rei da Espanha, certa vez, para repreender um servo que lhe havia mentido, disse simplesmente: \u201c<em>Assim me enganas<\/em>?\u201d Aquele servo ficou t\u00e3o sentido diante daquela repreens\u00e3o que, ao voltar para casa, morreu de dor. O que ser\u00e1 do crist\u00e3o quando Jesus Cristo lhe disser: <em>\u201cAssim ultrajaste a minha lei?\u201d<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Fazei-me provar, \u00f3 Virgem,<\/p>\n<p>Na vida, um sofrimento atroz,<\/p>\n<p>Os espinhos, o fel, a cruz,<\/p>\n<p>Tudo me faze provar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas no dia extremo<\/p>\n<p>Quando Jesus indignado<\/p>\n<p>Vier, por favor,<\/p>\n<p>Aplacai-o, por piedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271388\"><\/a><a name=\"_Toc204271828\"><\/a><strong>D\u00e9cimo s\u00e9timo dia. O ju\u00edzo universal<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Assim como um pai de fam\u00edlia, em certas \u00e9pocas do ano, re\u00fane seus filhos para ver quem merece recompensa ou castigo, assim Deus, Pai de toda a humanidade, reunir\u00e1 um dia todos os homens para dar publicamente uma senten\u00e7a de gl\u00f3ria eterna aos justos e de castigo eterno aos maus. Eu reunirei, diz Deus, todas as na\u00e7\u00f5es no vale de Josaf\u00e1 e farei com elas um julgamento p\u00fablico. <em>Congregabo omnes gentes in vallem Iosaphat et disceptabo cum eis. <\/em>Antes da vinda do Juiz, descer\u00e1 do c\u00e9u um fogo que queimar\u00e1 a terra e todas as coisas que nela existem. <em>Terra et qu\u00e6 in ipsa sunt opera exurentur [A terra ser\u00e1 consumida com todas as obras que nela se encontrarem]. <\/em>(2Pd 3,10). Assim, pal\u00e1cios, igrejas, vilas, cidades, reinos, tudo se tornar\u00e1 um monte de cinzas. Quando todos os homens estiverem mortos, ouvir-se-\u00e1 um som de trombeta, que ressoar\u00e1 em todos os cantos da terra, e todos os cad\u00e1veres sair\u00e3o de seus t\u00famulos, retomando a mesma forma que tinham antes. <em>Canet enim tuba; et mortui ressurgent [Soar\u00e1 a trombeta; e os mortos ressuscitar\u00e3o].<\/em> (1Cor 15,52). Ao som dessa trombeta, as almas bem-aventuradas do c\u00e9u descer\u00e3o para se unir aos seus corpos, com os quais serviram a Deus nesta vida; e as almas infelizes dos condenados sair\u00e3o do inferno para se unir aos corpos com os quais ofenderam a Deus. Que grande consolo ser\u00e1 para a alma do justo que se une ao corpo para ir com ele desfrutar da gl\u00f3ria eterna do c\u00e9u. Por outro lado, que pena sentir\u00e1 a alma do condenado ao se reunir ao corpo com o qual ter\u00e1 que ir sofrer para sempre as penas do inferno. Este pensamento fazia tremer S\u00e3o Jer\u00f4nimo. Sempre que penso no dia do ju\u00edzo final, tremo em todos os membros e parece-me ouvir sempre aquela trombeta que ressoa aos meus ouvidos: <em>surgite, mortui; venite ad iudicium [levantai-vos, mortos; vinde ao julgamento].<\/em><\/li>\n<li>Depois que todos os homens ressuscitarem e as almas se unirem aos seus corpos, os anjos enviados por Deus gritar\u00e3o por todas as partes: povos, povos, ouvi a voz de Deus e reuni-vos no vale do julgamento, no vale de Josaf\u00e1. Feita essa grande reuni\u00e3o, os anjos separar\u00e3o os r\u00e9probos dos justos (cf. Mt 13,41). Os justos ficar\u00e3o \u00e0 direita e os condenados \u00e0 esquerda. Imaginemos que momento terr\u00edvel ser\u00e1 para os r\u00e9probos verem-se separados de tantos amigos, de tantos parentes, que ter\u00e3o de abandonar e nunca mais ver\u00e3o. Quando ent\u00e3o estiver iminente a apari\u00e7\u00e3o do Juiz, todos os eleitos ser\u00e3o elevados no ar e ir\u00e3o ao encontro do Senhor (1Ts 4,17). Enquanto isso, os c\u00e9us se abrem e todos os anjos do c\u00e9u v\u00eam para assistir ao julgamento, levando consigo os sinais da paix\u00e3o (Santo Tom\u00e1s, op. 2\u00b0). Aparecer\u00e1 a Cruz, depois os Ap\u00f3stolos e todos os Santos que os imitaram; vir\u00e1 a Rainha de todos os Santos e Anjos, Maria Sant\u00edssima; por fim, vir\u00e1 o Eterno Juiz, sentado sobre as nuvens do c\u00e9u, no m\u00e1ximo esplendor de sua majestade (Mt 24,30). Que terror surpreender\u00e1 os pecadores ao verem aparecer o Filho de Deus, a quem eles tanto ultrajaram, e que ser\u00e1 seu juiz!<\/li>\n<li>Mas, enquanto isso, o Divino Juiz apareceu, e todos aqueles que viveram desde o primeiro dia do mundo at\u00e9 aquele \u00faltimo dia est\u00e3o esperando o grande julgamento do Divino Juiz. Ele ent\u00e3o, para que todos conhe\u00e7am publicamente o motivo de sua salva\u00e7\u00e3o e de sua condena\u00e7\u00e3o, revelar\u00e1 a todos os homens os pecados, mesmo os mais secretos e vergonhosos. <em>Revelabo pudenda tua [Revelarei a tua nudez] (<\/em>Nm 3,5). Os te\u00f3logos mais conceituados dizem que os pecados dos eleitos ser\u00e3o manifestos, mas como cicatrizes gloriosas trazidas da guerra contra o inimigo; segundo as palavras do profeta Davi, que disse: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades foram perdoadas e cujos pecados foram cobertos. Ao contr\u00e1rio, diz S\u00e3o Bas\u00edlio, que todos os pecados dos r\u00e9probos ser\u00e3o vistos por todos com um \u00fanico olhar. Mas \u00e9 nada o reunir-se no vale de Josaf\u00e1, \u00e9 nada a manifesta\u00e7\u00e3o dos pecados, \u00e9 tamb\u00e9m pouco o aparecimento do Juiz em compara\u00e7\u00e3o com a terr\u00edvel senten\u00e7a que Ele pronunciar\u00e1. Ele se voltar\u00e1 primeiro para os eleitos e lhes dir\u00e1 estas palavras consoladoras: vinde, \u00f3 benditos de meu Pai Celestial, vinde, possu\u00ed o reino que vos foi preparado desde o princ\u00edpio do mundo. Ele tamb\u00e9m aben\u00e7oar\u00e1 Maria Sant\u00edssima e seus devotos e os convidar\u00e1 a ir consigo para o c\u00e9u. Cantando hinos de gl\u00f3ria a Cristo Salvador, os eleitos entrar\u00e3o triunfantes no Para\u00edso para possuir, amar e louvar a Deus eternamente. Os condenados, ao se verem sozinhos, exclamar\u00e3o: \u201cE n\u00f3s, o que ser\u00e1 de n\u00f3s?\u201d. E Jesus Cristo lhes dir\u00e1: \u201cAfastai-vos de mim, meu Pai vos amaldi\u00e7oou e eu vos amaldi\u00e7oo, ide para o fogo eterno\u201d. <em>In ignem \u00e6ternum. <\/em>Naquele momento, a terra se abrir\u00e1, e todos aqueles infelizes, misturados com os dem\u00f4nios, cair\u00e3o nos abismos que nunca mais se abrir\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00d3 minha alma, por favor! Reza \u00e0 Sant\u00edssima Virgem para que ela interceda por ti junto ao Juiz Eterno e obtenha o perd\u00e3o de tuas culpas antes daquele dia terr\u00edvel. Agora ela \u00e9 tua m\u00e3e e defender\u00e1 tua causa. \u00d3 Maria, sede minha libertadora e, no dia do julgamento, acalmai a ira de vosso Filho, obtende dele miseric\u00f3rdia e perd\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Para que todos tenham uma norma sobre as coisas que devem fazer ou evitar para obter um julgamento favor\u00e1vel no \u00faltimo dia do mundo, \u00e9 bom referir o fato que lemos no Santo Evangelho, onde \u00e9 descrita a vinda do Salvador no ju\u00edzo final. Diz o Evangelho: quando vier o Salvador em sua majestade e com ele todos os anjos, ent\u00e3o se sentar\u00e1 sobre o trono de sua majestade, e todas as na\u00e7\u00f5es da terra se reunir\u00e3o diante dele. Ele separar\u00e1 uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; colocar\u00e1 as ovelhas \u00e0 sua direita e os cabritos, isto \u00e9, os r\u00e9probos, \u00e0 sua esquerda. Ent\u00e3o o Rei, isto \u00e9, o Juiz Eterno, dir\u00e1 aos que estiverem \u00e0 direita: vinde, benditos de meu Pai, entrai na posse do reino preparado para v\u00f3s desde a funda\u00e7\u00e3o do mundo; (l\u00ea com aten\u00e7\u00e3o, crist\u00e3o) porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era peregrino e me acolhestes em vossa casa; estava nu, e v\u00f3s me vestistes; estava doente, e v\u00f3s me visitastes; estava na pris\u00e3o, e v\u00f3s viestes ver-me. Ent\u00e3o os justos lhe responder\u00e3o: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer; com sede e te demos de beber? Quando te vimos peregrino e te acolhemos em nossa casa? Nu, e te vestimos? Ou quando te vimos doente e preso e fomos visitar-te? O rei responder\u00e1 e dir\u00e1 a eles: em verdade vos digo que todas as vezes que fizestes alguma coisa a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a mim o fizestes.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o dir\u00e1 tamb\u00e9m aos que estiverem \u00e0 sua esquerda: Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno que foi preparado para os dem\u00f4nios e seus seguidores. Porque eu tive fome e n\u00e3o me destes de comer, tive sede e n\u00e3o me destes de beber. Era peregrino e n\u00e3o me acolhestes; estava nu e n\u00e3o me vestistes; estava doente e preso, e n\u00e3o me visitastes. Ent\u00e3o tamb\u00e9m eles lhe responder\u00e3o: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou preso, e n\u00e3o te assistimos? Ent\u00e3o ele lhes responder\u00e1: em verdade vos digo que, sempre que deixastes de fazer essas coisas a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, foi a mim que deixastes de fazer. E eles ir\u00e3o para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>No dia extremo,<\/p>\n<p>dia de pranto,<\/p>\n<p>Maria, cobri-me<\/p>\n<p>com vosso manto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271389\"><\/a><a name=\"_Toc204271829\"><\/a><strong>D\u00e9cimo oitavo dia. As penas do inferno<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>A miseric\u00f3rdia de Deus e a sua justi\u00e7a s\u00e3o os dois atributos que mais brilham na pot\u00eancia divina. Enquanto o homem vive com a alma unida ao corpo, \u00e9 tempo de miseric\u00f3rdia. Mas, separada a alma do corpo, come\u00e7a para o homem o tempo da justi\u00e7a; e aqueles que n\u00e3o quiseram aproveitar a miseric\u00f3rdia divina na vida presente, ter\u00e3o de sofrer os rigores da justi\u00e7a divina no inferno. Por inferno entende-se um lugar destinado pela justi\u00e7a divina para punir com tormento eterno aqueles que morrem em pecado mortal. \u00c9 de f\u00e9 que existe este lugar de tormento eterno. Quer o chamemos inferno, abismo, voragem, pris\u00e3o, lugar de tormentos, lugar de confus\u00e3o, de escurid\u00e3o, de desordem, de ranger de dentes, de raiva, de vingan\u00e7a, de tenebrosidade, de fuma\u00e7a, de fogo, ou com qualquer outro nome que se queira chamar, segundo \u00e9 revelado na Sagrada Escritura, sempre se indica um lugar onde cada um \u00e9 punido pelos pecados cometidos na vida. <em>Per qu\u00e6 peccat quis, per h\u00e6c et torquetur <\/em>(Sb 11,16). O santo profeta Davi diz: que o homem \u00e9 lan\u00e7ado no inferno, como um tronco de madeira \u00e9 precipitado dentro de uma fornalha ardente. Em um momento, esse tronco \u00e9 todo cercado pelas chamas e se torna carv\u00e3o ardente. <em>Pone eos ut clibanum ignis [coloca-os num forno de fogo]. <\/em>E quanto mais um sentido do corpo pecou, tanto mais ser\u00e1 atormentado. <em>Quantum in deliciis fuit, tantum date illi tormenti <\/em>(Ap 18). A vista ser\u00e1 atormentada pelas trevas, o olfato pelos odores mais repugnantes, a audi\u00e7\u00e3o por gritos cont\u00ednuos e pelos prantos dos condenados. A boca sofrer\u00e1 uma fome voraz.<\/li>\n<li>Mas um dos maiores tormentos \u00e9 a pena do fogo. Segundo o Evangelho, existe um fogo terr\u00edvel que n\u00e3o se extingue nem de dia nem de noite. Esse fogo aceso pela justi\u00e7a de Deus atormenta os condenados em todas as partes. Esses infelizes, atormentados dessa maneira, sofrer\u00e3o sede, fome e o ardor das chamas; choram, gritam e se desesperam. \u00d3 inferno, \u00f3 inferno, qu\u00e3o infelizes s\u00e3o aqueles que caem em ti! O que dizes, crist\u00e3o? Se agora n\u00e3o consegues manter um dedo sobre a luz de uma vela, n\u00e3o consegues suportar uma fa\u00edsca de fogo na m\u00e3o sem gritar, como poder\u00e1s viver entre aquelas chamas? Pensa que um \u00fanico pecado basta para te enviar para o inferno e fazer-te sofrer aquelas penas atrozes por toda a eternidade.<\/li>\n<li>Os tormentos dos condenados aumentam muito quando pensam na raz\u00e3o pela qual foram condenados. Eles sofrem esses terr\u00edveis tormentos pelo prazer de um momento, por um desabafo de paix\u00e3o, por uma coisa sem import\u00e2ncia. <em>Propter pugillum hordei et fragmen panis [Por um punhado de cevada e um bocado de p\u00e3o \u2013 Ez 13,19]. <\/em>Pensar\u00e3o no tempo que lhes foi dado para remediar sua perdi\u00e7\u00e3o eterna, pensar\u00e3o nos bons exemplos dos companheiros, nos avisos dos confessores, nas resolu\u00e7\u00f5es feitas na confiss\u00e3o e n\u00e3o cumpridas, e pensar\u00e3o nisso em um momento em que n\u00e3o h\u00e1 mais rem\u00e9dio para a ru\u00edna. A vontade nunca mais ter\u00e1 nada do que deseja e, pelo contr\u00e1rio, sofrer\u00e1 todos os males. O intelecto conhecer\u00e1 o grande bem que perdeu, ou seja, o Para\u00edso. \u00d3 inferno, \u00f3 inferno, que males horr\u00edveis preparas para os ultrajadores da lei de Deus! Portanto, penit\u00eancia; n\u00e3o esperes quando n\u00e3o haja mais tempo; quem sabe se este n\u00e3o \u00e9 o \u00faltimo chamado que Deus te faz, ao qual, se n\u00e3o corresponderes, Ele deixar\u00e1 livre o curso de sua justi\u00e7a e te far\u00e1 cair naqueles supl\u00edcios eternos? Crist\u00e3o, vai e escreve por toda parte que um \u00fanico pecado mortal pode te enviar para o inferno e, portanto, guarda-te de comet\u00ea-lo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Temos no Evangelho um exemplo terr\u00edvel sobre as penas do inferno. O divino Salvador o exp\u00f5e da seguinte maneira (Lc 16,19-31). Havia um homem rico, que se vestia de p\u00farpura e outras roupas de grande luxo. Sua grande alegria era preparar todos os dias banquetes suntuosos para si e para seus amigos. Havia tamb\u00e9m um certo mendigo chamado L\u00e1zaro, que, embora coberto de feridas, se arrastava at\u00e9 a porta daquele rico e ficava ali deitado, esperando esmola. N\u00e3o podendo obter nada, pedia que pelo menos lhe dessem as migalhas de p\u00e3o que ca\u00edam da mesa do rico. Mas nem o rico nem seus servos queriam lhe dar nada. Apenas os c\u00e3es iam lamber suas feridas. N\u00e3o demorou muito para que o mendigo morresse, talvez de necessidade e fome. Mas, \u00f3 morte feliz! Os anjos levaram sua alma para o seio de Abra\u00e3o, ou seja, para o limbo, que era o lugar onde repousavam as almas dos justos mortos antes da vinda do Salvador. Pouco depois da morte de L\u00e1zaro, morreu tamb\u00e9m o rico, mas qu\u00e3o triste foi o destino que o seguiu. Morreu o rico, diz o Evangelho, e a sua alma foi sepultada no inferno. Deus permitiu que aquele rico pudesse levantar os olhos do meio dos tormentos e visse ao longe Abra\u00e3o e com ele o mesmo L\u00e1zaro que estava glorioso ao seu lado. O rico n\u00e3o teve coragem de se recomendar a L\u00e1zaro, porque o havia desprezado demais em vida; ele se voltou para Abra\u00e3o e exclamou assim: \u00f3 pai Abra\u00e3o, tem piedade de mim. O que queres, respondeu Abra\u00e3o? Pai Abra\u00e3o, continuou o outro, n\u00e3o te pe\u00e7o que me libertes destas chamas, nem que as diminuas; n\u00e3o pe\u00e7o que desfrute das del\u00edcias que desfrutei em vida; s\u00f3 te pe\u00e7o um favor, e concede-me por piedade. Qual \u00e9 esse favor? Que mandes L\u00e1zaro molhar a ponta do dedo na \u00e1gua e vir aqui deixar cair uma gota sobre a minha l\u00edngua para refresc\u00e1-la, pois estou sendo terrivelmente atormentado por estas chamas. Abra\u00e3o respondeu: filho, lembra-te de que desfrutaste dos prazeres e riquezas durante a tua vida; L\u00e1zaro, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o teve nada al\u00e9m de sofrimentos. N\u00e3o \u00e9 justo, ent\u00e3o, que ele agora seja consolado e tu sejas atormentado? Al\u00e9m disso, h\u00e1 um grande abismo, ou seja, uma grande divis\u00e3o entre n\u00f3s e v\u00f3s, de modo que ningu\u00e9m daqui pode ir at\u00e9 v\u00f3s, nem ningu\u00e9m daquele lugar pode vir at\u00e9 aqui. Vendo que n\u00e3o podia ter nenhum conforto pessoal, o epul\u00e3o pensou em pelo menos avisar seus parentes para que fizessem melhor uso das riquezas e n\u00e3o fossem um dia aumentar seus tormentos com a presen\u00e7a deles no inferno. Ele disse ent\u00e3o a Abra\u00e3o: Pai, j\u00e1 que n\u00e3o podes me ajudar, pe\u00e7o-te que mandes este L\u00e1zaro \u00e0 casa de meu pai, pois tenho cinco irm\u00e3os e desejo que ele os avise das desgra\u00e7as que os aguardam, para que eles tamb\u00e9m n\u00e3o venham para este lugar. Observa bem, \u00f3 crist\u00e3o, que aqueles que n\u00e3o acreditam na santa palavra de Deus, nem mesmo acreditam nos mortos, caso ressuscitem. Por isso, Abra\u00e3o respondeu assim: teus irm\u00e3os e outros parentes t\u00eam a lei de Mois\u00e9s e os profetas, que os escutem. N\u00e3o, disse ele, n\u00e3o, pai Abra\u00e3o, mas se algum morto fosse at\u00e9 eles para lhes contar o horror dessas penas, certamente eles se arrependeriam. Abra\u00e3o concluiu: se eles n\u00e3o d\u00e3o ouvidos \u00e0 lei de Mois\u00e9s e ao que os profetas pregaram, nem acreditar\u00e3o em algu\u00e9m que ressuscitasse dos mortos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Dos males horr\u00edveis<\/p>\n<p>Do eterno ex\u00edlio,<\/p>\n<p>Maria, salvai-me;<\/p>\n<p>Sou vosso filho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271390\"><\/a><a name=\"_Toc204271830\"><\/a><strong>D\u00e9cimo nono dia. Eternidade das penas do inferno<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>As penas dos condenados n\u00e3o causariam tanto terror se um dia tivessem fim. Mas n\u00e3o \u00e9 assim. Tirai esse engano, diz Deus; os condenados no inferno ser\u00e3o atormentados dia e noite por todos os s\u00e9culos. <em>Cruciabuntur die ac nocte in s\u00e6cula s\u00e6culorum [Ser\u00e3o atormentados dia e noite, por toda a eternidade] <\/em>(Ap 20,10). Esta \u00e9 verdade de f\u00e9, e Deus quis que fosse repetida em muitos lugares da Sagrada Escritura: afastai-vos de mim, diz o Salvador aos r\u00e9probos, ou malditos, ide para o fogo eterno (Mt 25,41). Os \u00edmpios ir\u00e3o para um castigo eterno, e as penas dos condenados ser\u00e3o como uma morte que nunca mata, eternamente (2Ts 1,9). \u00d3 crist\u00e3o, se por infelicidade ca\u00edres no inferno, nunca mais sair\u00e1s, e sofrer\u00e1s esses males por toda a eternidade. Quem n\u00e3o tremer\u00e1 com este pensamento?<\/li>\n<li>O condenado no meio das chamas \u00e9 atormentado na alma e no corpo. Mas os remorsos da consci\u00eancia s\u00e3o o pior de todos os males. Diz o Salvador que o fogo do inferno est\u00e1 associado ao remorso que, como um verme, corroer\u00e1 a consci\u00eancia dos r\u00e9probos para sempre: <em>vermis eorum non moritur et ignis non extinguitur [o verme deles n\u00e3o morre e o fogo nunca se apaga] \u2013 <\/em>(Mc 9,48)<em>.<\/em> O primeiro remorso ser\u00e1 pensar por qu\u00e3o pouco foi condenado. Que dor pensar que por uma satisfa\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea se perdeu um reino eterno de felicidade! J\u00f4natas, quando se viu condenado \u00e0 morte por Saul, seu pai, pensando que era condenado apenas por ter provado um pouco de mel, exclamava: n\u00e3o me d\u00f3i morrer; mas o que me entristece \u00e9 morrer apenas por ter provado um pouco de mel. <em>Paululum gustavi melis, et ecce morior.<\/em> \u00d3 Deus! E que pena trar\u00e1 ao condenado o pensamento da causa de sua condena\u00e7\u00e3o? Oh, se pud\u00e9ssemos interrogar os condenados e perguntar-lhes: o que ainda vos resta, infelizes, daqueles sabores, daquelas satisfa\u00e7\u00f5es, daqueles prazeres desfrutados em vida? O que ainda vos resta daquele \u00faltimo pecado pelo qual fostes condenados? Ah, n\u00f3s, infelizes! responder\u00e3o eles, por um prazer moment\u00e2neo, que desapareceu como o vento, teremos de arder neste fogo, desesperados e atormentados por toda a eternidade! Os condenados pensar\u00e3o tamb\u00e9m na facilidade com que poderiam ter-se salvado. Apareceu um condenado a Santo Humberto e disse que a maior afli\u00e7\u00e3o que sofria no inferno era o pensamento do pouco pelo qual se tinha condenado e do pouco que teria de fazer para se salvar.<\/li>\n<li>Se pelo menos o condenado pudesse enganar a si mesmo e dizer: esses tormentos um dia acabar\u00e3o; mas n\u00e3o! Passar\u00e3o vinte anos desde que voc\u00ea estar\u00e1 no inferno, passar\u00e3o mil e o inferno ent\u00e3o come\u00e7ar\u00e1; passar\u00e3o cem mil, cem milh\u00f5es, mil milh\u00f5es de anos e s\u00e9culos, e o inferno recome\u00e7ar\u00e1. Se um anjo levasse a not\u00edcia a um condenado de que Deus o quer libertar do inferno quando tiverem passado tantos milh\u00f5es de s\u00e9culos, quantas s\u00e3o as gotas de \u00e1gua, as folhas das \u00e1rvores, os gr\u00e3os de areia do mar e da terra, essa not\u00edcia traria o maior consolo a um condenado. Ele diria: \u00e9 verdade que t\u00eam de passar tantos s\u00e9culos, mas um dia ter\u00e3o de acabar. Mas todos esses s\u00e9culos e todos os tempos imagin\u00e1veis passar\u00e3o e o inferno continuar\u00e1 sendo o que era no in\u00edcio. Todo condenado faria este pacto com Deus: Senhor, aumentai quanto quiserdes as minhas penas, deixai-me ficar nestes tormentos o tempo que quiserdes, basta que me deis a esperan\u00e7a de que um dia eles acabar\u00e3o. Mas n\u00e3o, esse fim nunca chegar\u00e1, e Deus sempre responder\u00e1: <em>in inferno nulla est redemptio [no inferno n\u00e3o h\u00e1 reden\u00e7\u00e3o].<\/em> Tudo o que v\u00ea, tudo o que ouve, tudo o que prova, tudo o que sofre, tudo lhe lembra a eternidade. \u201cSempre, nunca, eternidade\u201d ver\u00e1 escrito nas chamas que o queimam; \u201csempre, nunca, eternidade\u201d, na ponta das espadas que o perfuram; \u201csempre, nunca, eternidade\u201d, nos dem\u00f4nios que dia e noite o atormentam; \u201csempre, nunca, eternidade\u201d, nas portas que nunca mais se abrir\u00e3o. Quantos, ao pensar na eternidade, abandonaram o mundo, a p\u00e1tria, os parentes para se confinarem em cavernas, nos desertos, vivendo apenas de p\u00e3o e \u00e1gua e, \u00e0s vezes, apenas de ra\u00edzes de ervas, e tudo isso para evitar as penas eternas do inferno! E tu, crist\u00e3o, o que fazes? Depois de tantas vezes merecer essas penas com o pecado, o que fazes? Prostremo-nos aos p\u00e9s do nosso Deus e, arrependidos dos pecados cometidos, digamos-lhe assim: Senhor, prometo nunca mais pecar no futuro, dai-me todo o mal na vida presente, desde que n\u00e3o me mandeis para o inferno. Querida M\u00e3e Virgem Maria, libertai a minha alma do inferno.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplos<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Policarpo, bispo de Esmirna, quando estava sendo conduzido ao mart\u00edrio, disse ao proc\u00f4nsul que mandasse trazer os animais selvagens contra ele. O proc\u00f4nsul respondeu: j\u00e1 que os animais selvagens n\u00e3o te assustam, certamente temer\u00e1s o fogo, no qual te farei queimar vivo, se n\u00e3o renunciares \u00e0 tua religi\u00e3o. Ao que S\u00e3o Policarpo respondeu: realmente me fazes uma amea\u00e7a terr\u00edvel; achas que se deve temer um fogo que depois de uma hora ou pouco mais se apaga? Eu te direi qual \u00e9 o fogo se deve temer e que tu n\u00e3o conheces. H\u00e1 um fogo de penas atrozes que est\u00e1 reservado na outra vida para os \u00edmpios; este \u00e9 o fogo que eu temo. (<em>De Cesari)<\/em>.<\/p>\n<p>H\u00e1 um senhor no reino da Fran\u00e7a que passou a vida em divers\u00f5es e prazeres mundanos. Ele era muito culto e, certo dia, come\u00e7ou a pensar se os condenados no inferno seriam libertados ap\u00f3s mil anos; e respondeu a si mesmo que n\u00e3o. Em seguida, disse consigo mesmo: talvez sejam libertados ap\u00f3s cem mil anos? Mas logo respondeu a si mesmo que n\u00e3o. Ent\u00e3o ele dizia consigo mesmo: talvez depois de mil milh\u00f5es de anos eles ser\u00e3o libertados? N\u00e3o, dizia ele. Ou pelo menos os condenados sair\u00e3o do inferno quando tiverem passado tantos milhares de anos quantas s\u00e3o as gotas de \u00e1gua no mar? E respondeu a si mesmo que nunca, n\u00e3o. Comovido por tal pensamento, sentiu uma grande dor pelos seus pecados e come\u00e7ou a chorar pela vida desregrada que tinha levado at\u00e9 ent\u00e3o; depois abandonou o pecado, o mundo e as suas vaidades. Quando come\u00e7ou a saborear a do\u00e7ura do servi\u00e7o de Deus, dizia: oh, como s\u00e3o tolos e miser\u00e1veis os homens do mundo, que pelo prazer de um momento v\u00e3o para as penas eternas que nunca ter\u00e3o fim. (<em>Do Passavanti)<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Sinto no fundo do meu cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Uma voz que sempre me diz:<\/p>\n<p>Ou boa, ou infeliz,<\/p>\n<p>Ter\u00e1s a eternidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271391\"><\/a><a name=\"_Toc204271831\"><\/a><strong>Vig\u00e9simo dia. A miseric\u00f3rdia de Deus<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>A justi\u00e7a com que Deus castiga o pecado na outra vida causa temor aos cora\u00e7\u00f5es mais obstinados na culpa. Infelizes aqueles que j\u00e1 se encontram naqueles lugares de tormentos eternos. Bem-aventurados n\u00f3s, que ainda podemos recorrer \u00e0 miseric\u00f3rdia de Deus. Alegra-te, \u00f3 crist\u00e3o, e abre o cora\u00e7\u00e3o a grandes esperan\u00e7as. Enquanto a alma est\u00e1 unida ao corpo, \u00e9 tempo de miseric\u00f3rdia e perd\u00e3o. Deus, que prova grande desgosto pelas nossas ofensas, nos suporta com infinita bondade, dissimulando os nossos pecados, esperando que nos arrependamos. <em>Dissimulans peccata hominum propter p\u00e6nitentiam [Perdoando os pecados dos homens por causa do arrependimento] <\/em>(cf. Sb 11). N\u00e3o, diz Deus em outro lugar, n\u00e3o quero a morte do pecador, mas quero que ele se converta e viva. Que o pecador abandone o caminho da iniquidade e se converta ao seu Senhor, e terei compaix\u00e3o dele. Mais ainda, diz Deus, se a tua alma estiver toda manchada de pecados, volta para mim, e eu te restituirei branca como a neve. <em>Dealbabuntur ut nix [Ficar\u00e3o brancas como a neve]. <\/em>Coragem, pois, \u00f3 pecador. Deus poderia ter-te feito morrer assim que cometeste o primeiro pecado. Mas Ele te conservou em vida para usar da sua miseric\u00f3rdia para contigo, e agora te oferece a sua gra\u00e7a.<\/li>\n<li>O tempo em que Deus usa a sua miseric\u00f3rdia \u00e9 a vida presente. Ele quis nos dar a conhecer esta important\u00edssima verdade com uma longa s\u00e9rie de fatos registrados na B\u00edblia. Ad\u00e3o desobedece a Deus e, com essa desobedi\u00eancia, condena a si mesmo e toda a sua descend\u00eancia \u00e0 morte eterna; mas Deus vem logo em socorro com a sua miseric\u00f3rdia e, trocando a morte eterna da alma pela morte temporal do corpo, proporciona um meio de salva\u00e7\u00e3o com a promessa do Salvador.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Multiplicando-se os homens, encheram a terra de iniquidade, a tal ponto que Deus decidiu enviar um dil\u00favio universal. Mas antes de efetuar tal castigo, enviou No\u00e9 para pregar o flagelo divino iminente durante o espa\u00e7o de cento e vinte anos. Ele castigou v\u00e1rias vezes o povo judeu, mas assim que este dava sinais de arrependimento, Deus logo o tomava sob sua prote\u00e7\u00e3o e o libertava da opress\u00e3o de seus inimigos. A populosa cidade de N\u00ednive se entrega \u00e0 maior desordem, e Deus decide puni-la com a destrui\u00e7\u00e3o total da cidade e dos cidad\u00e3os. Mas Deus ainda quer fazer um esfor\u00e7o, enviando o profeta Jonas para pregar a penit\u00eancia. N\u00ednive ouve a voz do ministro de Deus, abandona o pecado, a ira divina se acalma, substitu\u00edda pela miseric\u00f3rdia infinita, e N\u00ednive \u00e9 salva.<\/p>\n<p>O que diremos ent\u00e3o dos sinais de miseric\u00f3rdia que nos deu o nosso Divino Salvador? Quantos milagres, quantas par\u00e1bolas, quantos fatos, quantas express\u00f5es demonstram esta verdade no Evangelho. Basta dizer que, como nos assegura o Salvador, h\u00e1 mais alegria no c\u00e9u por um pecador que se converte do que por noventa e nove justos que caminham pela via da salva\u00e7\u00e3o. O que mais? O Salvador chegou a dizer que n\u00e3o tinha vindo chamar os justos, mas os pecadores: <em>non veni vocare iustos, sed peccatores<\/em> (Lc 5,32)<em>. <\/em>Se desejas um fato que demonstre at\u00e9 que ponto chegou a miseric\u00f3rdia de Deus, levanta os olhos para um crucifixo; e ver\u00e1s o Filho de Deus morto por n\u00f3s, isto \u00e9, para salvar as nossas almas condenadas ao inferno pelo pecado.<\/p>\n<p>Esta miseric\u00f3rdia \u00e9 grande, e Deus quer us\u00e1-la em nossa vida presente; mas ai daqueles que abusam dela. Por isso, diz Santo Agostinho, se agora, por infelicidade, est\u00e1s em pecado, espera na miseric\u00f3rdia, mas se est\u00e1s em gra\u00e7a, teme a sua justi\u00e7a. <em>Post peccatum spera misericordiam, ante peccatum pertimesce iustitiam [<\/em><em>Depois do pecado, espera pela miseric\u00f3rdia; antes do pecado, teme a justi\u00e7a]<\/em><em>. <\/em>Lembremo-nos de que Deus \u00e9 misericordioso e justo. Ele \u00e9 misericordioso com aqueles que querem aproveitar-se da sua miseric\u00f3rdia, mas usa o rigor da sua justi\u00e7a para com aqueles que n\u00e3o querem aproveitar-se da sua miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Coragem, crist\u00e3o, Deus nos chama, nos oferece um generoso perd\u00e3o dos pecados, quer nos fechar o inferno, quer nos abrir o Para\u00edso. Jesus nos chama da cruz, Maria e todos os santos nos convidam do c\u00e9u. Fa\u00e7amos uma grande festa no Para\u00edso com um pronto retorno ao Senhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Um jovem de M\u00f3dena, de fam\u00edlia honrada, ap\u00f3s concluir os estudos, deixou-se seduzir por alguns maus companheiros. Um abismo leva a outro abismo, de modo que ele se entregou aos jogos, \u00e0 devassid\u00e3o, aos prazeres, chegando at\u00e9 a tornar-se l\u00edder de outros companheiros para lev\u00e1-los consigo pelo caminho do pecado. Toda a cidade de M\u00f3dena falava da vida escandalosa daquele jovem, quando a m\u00e3o de Deus o atingiu com uma grave doen\u00e7a. \u00c0 medida que a doen\u00e7a avan\u00e7ava, o m\u00e9dico considerou seu estado desesperador e recomendou que o doente recebesse os santos sacramentos o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Convidado pela m\u00e3e para se confessar, o infeliz filho afastou-a com palavras de desprezo e insultos. Pouco depois, ela tentou novamente e exp\u00f4s-lhe os motivos mais emocionantes da religi\u00e3o: o filho irrompeu em blasf\u00eamias. A boa m\u00e3e, profundamente aflita, n\u00e3o sabia mais a que se agarrar. Uma vizinha, avisada do triste caso, chamou a m\u00e3e \u00e0 parte e sugeriu-lhe que colocasse a medalha da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o debaixo do travesseiro do filho, sem que ele soubesse. Feito isso, as duas se uniram para recitar as ladainhas da Virgem Maria. Oh, qu\u00e3o piedosa \u00e9s, Maria! As ladainhas ainda n\u00e3o haviam terminado quando o doente chamou em voz alta: m\u00e3e, m\u00e3e. Ela correu toda ofegante, e o filho logo lhe disse: r\u00e1pido, r\u00e1pido, v\u00e1 chamar o padre para me confessar. Com o cora\u00e7\u00e3o cheio de alegria, a m\u00e3e correu para o confessor, que jubilante foi logo at\u00e9 o doente. Ele ouve a confiss\u00e3o e, em seguida, leva-lhe o Sant\u00edssimo Sacramento, acompanhado por muitas pessoas. Entrando Jesus no quarto do doente, o jovem, cheio de compun\u00e7\u00e3o pelos seus pecados, entre l\u00e1grimas e suspiros, pede perd\u00e3o pelos esc\u00e2ndalos causados, prometendo repar\u00e1-los, se Deus, na sua miseric\u00f3rdia, ainda o mantivesse com vida. Contra todas as expectativas, em pouco tempo o doente se cura da sua doen\u00e7a mortal e, mantendo a promessa com todo o empenho, procura imediatamente, com uma conduta edificante, reparar os grav\u00edssimos danos causados aos seus companheiros com a sua vida escandalosa. Para que a gra\u00e7a e a sua convers\u00e3o, que ele reconhece como vindas da M\u00e3e da miseric\u00f3rdia, se tornassem p\u00fablicas, mandou escrever todo o fato por um not\u00e1rio p\u00fablico e, como narra\u00e7\u00e3o aut\u00eantica, foi publicado em muitos jornais, entre outros, no <em>Amico della giovent\u00f9 [Amigo da Juventude].<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>\u00d3 M\u00e3e de amor,<\/p>\n<p>Implora ao meu cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Que, ingrato, pecou<\/p>\n<p>Amor pelo meu Deus,<\/p>\n<p>Que tanto me amou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443977\"><\/a><a name=\"_Toc204271392\"><\/a><a name=\"_Toc204271832\"><\/a><strong>Vig\u00e9simo primeiro dia. A confiss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Um grande tra\u00e7o da miseric\u00f3rdia de Deus para com os pecadores temos no Sacramento da Confiss\u00e3o. Se Deus tivesse dito que nos perdoaria os nossos pecados somente com o Batismo, e n\u00e3o mais aqueles que, por infelicidade, fossem cometidos depois de receber este Sacramento, quantos crist\u00e3os certamente iriam para a perdi\u00e7\u00e3o! Mas Deus, conhecendo a nossa grande mis\u00e9ria, estabeleceu outro Sacramento, pelo qual nos s\u00e3o perdoados os pecados cometidos depois do Batismo. Este \u00e9 o Sacramento da Confiss\u00e3o. Eis como fala o Evangelho: oito dias depois da sua ressurrei\u00e7\u00e3o, Jesus apareceu aos seus disc\u00edpulos e disse-lhes: a paz esteja convosco. Como o Pai Celestial me enviou, assim eu vos envio, isto \u00e9, a faculdade que me foi dada pelo Pai Celestial de fazer o que for bom para a salva\u00e7\u00e3o das almas, a mesma eu vos dou. Ent\u00e3o, o Salvador soprou sobre eles e disse: \u201cRecebei o Esp\u00edrito Santo; aqueles a quem perdoardes os pecados, ser\u00e3o perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser\u00e3o retidos\u201d. Todos compreendem que as palavras \u201creter\u201d ou \u201cn\u00e3o reter\u201d significam \u201cdar\u201d ou \u201cn\u00e3o dar\u201d a absolvi\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a grande faculdade dada por Deus aos seus Ap\u00f3stolos e aos seus sucessores na administra\u00e7\u00e3o dos Santos Sacramentos. Destas palavras do Salvador nasce uma obriga\u00e7\u00e3o para os ministros sagrados de ouvir as confiss\u00f5es, e nasce igualmente a obriga\u00e7\u00e3o para o crist\u00e3o de confessar as suas culpas, a fim de que se saiba quando se deve dar ou n\u00e3o dar a absolvi\u00e7\u00e3o, que conselhos sugerir para reparar o mal feito; dar, em suma, todos aqueles conselhos paternos que julgar necess\u00e1rios para reparar os males da vida passada e n\u00e3o os cometer mais no futuro.<\/li>\n<li>A confiss\u00e3o n\u00e3o foi praticada apenas em algum tempo e em algum lugar. Assim que os Ap\u00f3stolos come\u00e7aram a pregar o Evangelho, logo come\u00e7ou a ser praticado o sacramento da Penit\u00eancia. Lemos que, quando S\u00e3o Paulo pregava em \u00c9feso, muitos fi\u00e9is que j\u00e1 haviam abra\u00e7ado a f\u00e9 vinham aos p\u00e9s dos Ap\u00f3stolos e confessavam seus pecados: <em>Confitentes et annunciantes actus suos<\/em> (At 19,18)<em>. <\/em>Desde o tempo dos Ap\u00f3stolos at\u00e9 n\u00f3s, sempre se observou a pr\u00e1tica deste grande Sacramento. A Santa Igreja Cat\u00f3lica condenou em todos os tempos como hereges aqueles que tiveram a aud\u00e1cia de negar esta verdade. Nem mesmo h\u00e1 algu\u00e9m que tenha podido dispensar-se dela. Ricos e pobres, servos e senhores, reis, monarcas, imperadores, sacerdotes, bispos, os pr\u00f3prios Sumos Pont\u00edfices, todos devem dobrar os joelhos aos p\u00e9s de um ministro sagrado para obter o perd\u00e3o das culpas que porventura tenham cometido ap\u00f3s o Batismo. Mas, ai de mim! Quantos crist\u00e3os raramente aproveitam, ou aproveitam mal, este Sacramento! Alguns se aproximam sem fazer exame, outros se confessam com indiferen\u00e7a, sem dor ou sem prop\u00f3sito, outros ainda omitem coisas importantes na confiss\u00e3o ou n\u00e3o cumprem as obriga\u00e7\u00f5es impostas pelo confessor. Estes tomam a coisa mais santa e mais \u00fatil para se servirem dela em sua pr\u00f3pria ru\u00edna. Santa Teresa teve uma vis\u00e3o terr\u00edvel a este respeito. Ela viu que as almas ca\u00edam no inferno como a neve cai no inverno sobre o dorso das montanhas. Assustada com tal revela\u00e7\u00e3o, pediu a Jesus Cristo uma explica\u00e7\u00e3o e recebeu como resposta que aqueles iam para a perdi\u00e7\u00e3o por causa das confiss\u00f5es mal feitas durante a vida.<\/li>\n<li>Coragem, \u00f3 crist\u00e3os, aproveitemos este Sacramento da miseric\u00f3rdia, mas aproveitemo-lo com as devidas disposi\u00e7\u00f5es. Que preceda um exame diligente das nossas culpas, confessemo-las todas, certas como certas, duvidosas como duvidosas, da maneira como as conhecemos, mas com grande dor por t\u00ea-las cometido; prometamos n\u00e3o mais comet\u00ea-las no futuro. Mas, acima de tudo, mostremos o fruto das nossas confiss\u00f5es com uma melhoria na nossa vida. Deus diz no Evangelho que pelos frutos se conhece a bondade da \u00e1rvore, assim pela melhoria da nossa vida aparecer\u00e1 a bondade ou a nulidade das nossas confiss\u00f5es: <em>ex fructibus eorum cognoscetis eos [pelos seus frutos os conhecereis].<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Um jovem da cidade de Montmirail, na Fran\u00e7a, viveu crist\u00e3mente at\u00e9 aos quinze anos, quando teve a infelicidade de se envolver com m\u00e1s companhias. As conversas ruins e a leitura de livros ruins o jogaram no abismo da descren\u00e7a e da libertinagem. Seus pais se esfor\u00e7aram para lev\u00e1-lo ao bom caminho, mas, n\u00e3o conseguindo, foram \u00e0 igreja na noite da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o (8 de dezembro de 1839) e o recomendaram \u00e0s ora\u00e7\u00f5es dos agregados ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Maria. Na mesma noite em que foi recomendado, o jovem voltou para casa e, sem dizer nada, contrariando seu costume, foi se deitar. Ele n\u00e3o pensava em Maria, mas Ela pensava nele. No dia 10 de dezembro, quase fora de si, chamou seu pai e disse-lhe: pai, estou infeliz e sofro muito, h\u00e1 trinta e seis horas que n\u00e3o consigo comer nem dormir. Sou um le\u00e3o enfurecido e n\u00e3o sei mais o que dizer nem o que fazer; preciso ir ao padre. Ele sai, vai ao padre e, todo agitado pelos remorsos da consci\u00eancia, implora que o confesse. Por favor, disse ao padre, confesse-me imediatamente. N\u00e3o posso mais viver assim. O p\u00e1roco o animou, confortou-o e, pouco depois, ouviu sua dolorosa confiss\u00e3o. Recebida a absolvi\u00e7\u00e3o, sentiu imediatamente o cora\u00e7\u00e3o inundar-se de tal consola\u00e7\u00e3o que n\u00e3o podia conter dentro de si. Chegando a casa, manifestou ao pai a gra\u00e7a recebida e a tranquilidade do para\u00edso que sentia. O que ainda lhe pesava no cora\u00e7\u00e3o era o arrependimento daqueles que ele havia levado ao mal com seus esc\u00e2ndalos. Cheio de coragem crist\u00e3, sem se importar com o que seus antigos companheiros diriam, contou-lhes o que havia acontecido, a consola\u00e7\u00e3o que sentia ap\u00f3s a confiss\u00e3o e exortou-os, tanto quanto p\u00f4de, a fazerem tamb\u00e9m a prova. Em suma, esta nova presa da miseric\u00f3rdia de Maria fez como o penitente Davi, quando, para reparar o esc\u00e2ndalo causado, procurou ganhar almas para Deus. <em>Docebo iniquos vias tuas [Aos maus ensinarei vossos caminhos] \u2013 <\/em>(Sl 50,15)<em>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Implora a Deus por mim<\/p>\n<p>M\u00e3e de amor,<\/p>\n<p>das minhas culpas<\/p>\n<p>viva dor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443978\"><\/a><a name=\"_Toc204271393\"><\/a><a name=\"_Toc204271833\"><\/a><strong>Vig\u00e9simo segundo dia. O confessor<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Quando tu, crist\u00e3o, vais \u00e0 igreja e v\u00eas um sacerdote no tribunal da penit\u00eancia, lembra-te de que ele \u00e9 ministro de Jesus Cristo, que em nome de Deus perdoa os pecados dos homens. Se houvesse um r\u00e9u condenado \u00e0 morte por um crime grave e, no momento de ser conduzido ao pat\u00edbulo, se apresentasse a ele um ministro do rei dizendo: tua culpa est\u00e1 perdoada; o rei te concede a gra\u00e7a do perd\u00e3o e te acolhe entre os seus amigos; e para que n\u00e3o duvides do que digo, eis o decreto que me autoriza a revogar a senten\u00e7a de morte contra ti; que sentimentos de gratid\u00e3o e amor n\u00e3o expressaria esse culpado para com o rei e para com o seu ministro! Isso acontece precisamente conosco. N\u00f3s somos verdadeiramente culpados, pois, pecando, merecemos a pena eterna do inferno. O ministro do Rei dos reis, em nome de Deus, no tribunal da penit\u00eancia, nos diz: Deus me enviou a v\u00f3s para absolver-vos de vossas culpas, para fechar-vos o inferno, abrir-vos o Para\u00edso, para restaurar-vos na amizade com Deus. Para que n\u00e3o duvidem do poder que me foi concedido, eis um decreto assinado pelo pr\u00f3prio Jesus Cristo, que me autoriza a revogar a senten\u00e7a de morte. O decreto \u00e9 expresso assim: aqueles a quem perdoardes os pecados, ser\u00e3o perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser\u00e3o retidos. <em>Quorum remiseritis peccata, remittuntur eis; quorum retinueritis, retenta sunt. <\/em>Com que estima e venera\u00e7\u00e3o devemos nos aproximar de um ministro que, em nome de Deus, pode nos fazer tanto bem e impedir-nos tanto mal!<\/li>\n<li>Portanto, toda vez que voc\u00ea se aproximar deste augusto Sacramento, imagine que est\u00e1 se aproximando do pr\u00f3prio Jesus Cristo. Ele mesmo diz: quem vos ouve, isto \u00e9, seus ministros, ouve a mim; quem vos despreza, despreza a mim. <em>Qui vos audit, me audit; qui vos spernit, me spernit.<\/em> Estejamos convencidos de que, quando nos confessamos, ouvimos a voz de Deus, que pronuncia a senten\u00e7a de absolvi\u00e7\u00e3o ou de condena\u00e7\u00e3o. Mas, assim como tudo o que o confessor faz e diz, ele faz com autoridade divina; e como pai, assim tamb\u00e9m, naquele tribunal de penit\u00eancia, ele \u00e9 um amigo que nada mais deseja sen\u00e3o o bem da nossa alma, \u00e9 um m\u00e9dico capaz de curar todas as feridas da alma; \u00e9 um juiz, mas n\u00e3o para nos condenar, mas para nos absolver e libertar da morte eterna; \u00e9 um ministro de Deus que com o sangue de Jesus Cristo lava as manchas da alma. Com que confian\u00e7a n\u00e3o dever\u00edamos falar com ele e abrir-lhe sinceramente todos os segredos da nossa consci\u00eancia!<\/li>\n<li>Nem deve nos impedir o medo de que ele revele a outros as coisas ouvidas na confiss\u00e3o. N\u00e3o, isso nunca aconteceu no passado, nem nunca acontecer\u00e1 no futuro. Um bom pai mant\u00e9m sem d\u00favida em segredo as confid\u00eancias dos seus filhos. O confessor \u00e9 um verdadeiro pai espiritual; por isso, mesmo falando humanamente, ele mant\u00e9m em sigilo rigoroso tudo o que lhe revelamos. Mas h\u00e1 mais: um preceito absoluto, natural, eclesi\u00e1stico e divino obriga o confessor a calar tudo o que ouve na confiss\u00e3o. Mesmo que se trate de impedir um mal grave, de libertar a si mesmo e ao mundo inteiro da morte, ele n\u00e3o pode usar de uma informa\u00e7\u00e3o obtida na confiss\u00e3o, a menos que o penitente lhe d\u00ea expressamente permiss\u00e3o para falar. Vai, portanto, crist\u00e3o, vai frequentemente a este amigo, quanto mais vezes fores a ele, mais ter\u00e1s a certeza de caminhar pelo caminho do c\u00e9u; quanto mais vezes fores a ele, mais ter\u00e1s a confirma\u00e7\u00e3o do perd\u00e3o dos teus pecados e ter\u00e1s a garantia da felicidade eterna, prometida pelo pr\u00f3prio Jesus Cristo, que deu um poder t\u00e3o grande aos seus ministros. N\u00e3o te deixes deter pela multid\u00e3o, nem pelo peso das culpas. O sacerdote \u00e9 ministro da miseric\u00f3rdia de Deus, que \u00e9 infinita. E, por isso, ele pode absolver qualquer n\u00famero de pecados, por mais graves que sejam. Levemos apenas o cora\u00e7\u00e3o humilde e contrito, e ent\u00e3o teremos certamente o perd\u00e3o. <em>Cor contritum et humiliatum, Deus, non despicies [N\u00e3o desprezas, \u00f3 Deus, um cora\u00e7\u00e3o contrito e humilhado].<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Entre os muitos exemplos que podem ser citados de firmeza em guardar o sigilo da confiss\u00e3o, \u00e9 famoso o de S\u00e3o Jo\u00e3o Nepomuceno, c\u00f4nego da Bo\u00eamia. Este santo sacerdote dedicou-se inteiramente a ouvir as confiss\u00f5es dos fi\u00e9is. Todos corriam para ele; a pr\u00f3pria rainha o escolheu como seu confessor. Ora, aconteceu que o rei, que se chamava Venceslau, por algum capricho, quis saber o que a rainha lhe dizia em confiss\u00e3o: insistiu v\u00e1rias vezes com S\u00e3o Jo\u00e3o para que lhe contasse, mas ele sempre respondia que o que tinha ouvido s\u00f3 Deus sabia, que um grande segredo o obrigava a guardar e que por nada neste mundo diria a menor coisa que tivesse ouvido em confiss\u00e3o. Se n\u00e3o me disseres o que te pe\u00e7o, disse o rei, eu te punirei severamente; mandarei colocar-te na pris\u00e3o, a p\u00e3o e \u00e1gua, mandarei espancar-te com varas, e quem sabe&#8230; se tua cabe\u00e7a n\u00e3o pagar\u00e1 pelo pre\u00e7o de tua obstina\u00e7\u00e3o. Pr\u00edncipe, respondeu o santo confessor, digo-vos novamente que um grande dever me prende diante de Deus, a quem devo obedecer rigorosamente. Podeis dispor da minha vida como quiserdes e condenar-me a qualquer pena, mesmo \u00e0 morte, mas eu nunca, jamais, revelarei nada do que ouvi em confiss\u00e3o. S\u00f3 Deus pode penetrar neste segredo. O rei, enfurecido, condenou o santo a tormentos atrozes e a uma morte cruel. O valente confessor, firme no seu dever, suportou todos os sofrimentos com hero\u00edsmo crist\u00e3o e com o seu pr\u00f3prio sangue confirmou aquele dogma t\u00e3o glorioso para o cristianismo que diz: o segredo da confiss\u00e3o \u00e9 inviol\u00e1vel; s\u00f3 Deus pode penetr\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Maria, libertai-me<\/p>\n<p>Dos la\u00e7os do pecado,<\/p>\n<p>E fazei-vos luz<\/p>\n<p>Dos meus olhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443979\"><\/a><a name=\"_Toc204271394\"><\/a><a name=\"_Toc204271834\"><\/a><strong>Vig\u00e9simo terceiro dia. A Santa Missa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Se quiseres, \u00f3 crist\u00e3o, ter uma ideia justa da Santa Missa, transporta-te em pensamento para o cen\u00e1culo, quando o Salvador a celebrou pela primeira vez com os seus Ap\u00f3stolos. Na v\u00e9spera da sua paix\u00e3o, o Salvador reuniu os seus disc\u00edpulos para celebrar com eles a \u00faltima P\u00e1scoa. No final da ceia, Ele levantou-se da mesa, tomou o p\u00e3o, aben\u00e7oou-o e deu-o aos seus disc\u00edpulos, dizendo: tomai, comei, isto \u00e9 o meu corpo, aquele corpo que ser\u00e1 sacrificado pela vossa salva\u00e7\u00e3o. Tomou ent\u00e3o um c\u00e1lice, derramou nele vinho, ergueu os olhos ao c\u00e9u, aben\u00e7oou-o e deu-o aos seus ap\u00f3stolos, dizendo: \u201cTomai e bebei todos, pois este \u00e9 o meu sangue, que ser\u00e1 derramado pela remiss\u00e3o dos pecados do mundo. Todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em mem\u00f3ria de mim\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Com estas palavras, Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Eucaristia e, portanto, instituiu a Santa Missa, sem a qual este Sacramento n\u00e3o se realiza. Al\u00e9m disso, ordenou que fiz\u00e9ssemos o que ele mesmo tinha feito. Eis a raz\u00e3o pela qual a Santa Missa \u00e9 chamada o Sacramento e o Sacrif\u00edcio do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que \u00e9 oferecido e distribu\u00eddo sob as esp\u00e9cies do p\u00e3o e do vinho. Este sacrif\u00edcio foi feito por Jesus Cristo no Monte Calv\u00e1rio, e \u00e9 chamado sangrento, isto \u00e9, com o derramamento de todo o seu sangue. O que se faz na Santa Missa \u00e9 o mesmo, com a \u00fanica diferen\u00e7a de que este \u00e9 incruento, isto \u00e9, sem derramamento de sangue. Portanto, quando vemos o sacerdote sair da sacristia e dirigir-se ao altar para celebrar a Santa Missa, \u00e9 o mesmo que ver Jesus Cristo sair da cidade de Jerusal\u00e9m e levar a cruz ao Monte Calv\u00e1rio para ser crucificado e derramar at\u00e9 a \u00faltima gota do seu precioso sangue. Como n\u00e3o se pode imaginar nada mais precioso, mais santo, maior do que o corpo e o sangue de Jesus Cristo, assim tamb\u00e9m n\u00f3s, quando vamos ouvir a Santa Missa, n\u00e3o podemos fazer nada que possa trazer maior gl\u00f3ria a Deus e maior utilidade para as nossas almas.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Quero, por\u00e9m, que tenhas em mente, \u00f3 crist\u00e3o, que o sangue de Jesus Cristo foi derramado na cruz tamb\u00e9m pelas almas do Purgat\u00f3rio. Por isso, a Santa Missa \u00e9 o meio mais eficaz para aliviar as almas dos fi\u00e9is defuntos, se porventura se encontrassem nessas penas. Procura, portanto, mandar celebrar alguma missa e, se n\u00e3o puderes, procura pelo menos ouvi-la em sufr\u00e1gio de teus parentes ou de algum amigo falecido. Ouve o que dizem os Santos Padres a este respeito. S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno diz: <em>a pena dos vivos e dos mortos ser\u00e1 mitigada para aqueles por quem se celebra a Santa Missa: tal pena ser\u00e1 mitigada de modo especial para aqueles por quem se reza propositadamente na Santa Missa. <\/em>O mesmo Santo diz em outro lugar: <em>ouvir devotamente uma missa \u00e9 elevar as almas dos fi\u00e9is defuntos, obtendo a remiss\u00e3o dos seus pecados. <\/em>S\u00e3o Jer\u00f4nimo, grande Doutor da Santa Igreja, expressa-se assim: <em>Por cada missa celebrada devotamente, muitas almas saem do Purgat\u00f3rio. <\/em>Em outro lugar, acrescenta: <em>As almas que s\u00e3o atormentadas no Purgat\u00f3rio n\u00e3o sofrem nenhum tormento enquanto se celebra uma missa, se o sacerdote reza por elas ao oferecer este sacrif\u00edcio. <\/em>Por isso, recomendo-te, com todo o meu conhecimento e poder, que nunca te esque\u00e7as dos teus parentes e amigos falecidos, sempre que mandar celebrar ou for ouvir uma missa.<\/li>\n<li>Devo, por\u00e9m, recomendar-te, \u00f3 leitor, que n\u00e3o aconte\u00e7a contigo o que, infelizmente, acontece a muitos crist\u00e3os, quando v\u00e3o ouvir a Santa Missa. Oh, como \u00e9 triste ver tantos crist\u00e3os dar pouca ou nenhuma import\u00e2ncia a este augusto sacrif\u00edcio do altar! Alguns v\u00e3o ouvi-la raramente, ou ficam l\u00e1 de m\u00e1 vontade; outros a ouvem distra\u00eddos, sem mod\u00e9stia, sem venera\u00e7\u00e3o, sem respeito, permanecendo sentados ou em p\u00e9, \u00e0s vezes rindo, \u00e0s vezes falando ou olhando para c\u00e1 e para l\u00e1. Quando formos ouvir a Santa Missa, procuremos assistir com o m\u00e1ximo recolhimento. Nosso esp\u00edrito, nosso cora\u00e7\u00e3o, nossos sentimentos n\u00e3o se concentrem em outra coisa sen\u00e3o em honrar a Deus. Oh! Uma missa bem ouvida, que gra\u00e7as e b\u00ean\u00e7\u00e3os ela pode nos trazer? Ou\u00e7amos o que nos diz o Beato Leonardo: \u201cEu creio, diz ele, que se n\u00e3o fosse a Santa Missa, o mundo j\u00e1 teria afundado, por n\u00e3o poder mais suportar o peso de tantas iniquidades. A Santa Missa \u00e9 esse poderoso apoio que o mant\u00e9m de p\u00e9\u201d. Para animar todos os crist\u00e3os a serem diligentes em ouvir a Santa Missa, o mesmo Santo costumava pregar assim: deixem-me subir ao cume das montanhas mais altas e l\u00e1 gritar em alta voz: povos enganados, povos enganados: o que voc\u00eas est\u00e3o fazendo? Por que n\u00e3o correis para a igreja para ouvir santamente quantas missas puderdes?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Vamos com dilig\u00eancia ouvir a Santa Missa. Se tivermos que sofrer algum inc\u00f4modo ou perder algum tempo, n\u00e3o nos inquietemos; Deus saber\u00e1 recompensar tudo. Santo Isidoro era um pobre campon\u00eas. Todos os dias do ano, ele levantava-se de manh\u00e3 cedo, ia ouvir a Santa Missa e depois ia fazer o que seu patr\u00e3o lhe mandava. Dessa forma, atra\u00eda as b\u00ean\u00e7\u00e3os do Senhor sobre o seu trabalho e sobre as terras dos seus patr\u00f5es, de modo que tudo lhe corria bem. Se a Missa \u00e9 fonte de b\u00ean\u00e7\u00e3os nas coisas temporais, que gra\u00e7as n\u00e3o nos proporcionar\u00e1 do Senhor para a nossa alma, na vida presente e na vida futura?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Salve, Sant\u00edssimo<\/p>\n<p>Corpo divino,<\/p>\n<p>Da Virgem pura<\/p>\n<p>Nascido menino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443980\"><\/a><a name=\"_Toc204271395\"><\/a><a name=\"_Toc204271835\"><\/a><strong>Vig\u00e9simo quarto dia. A Santa Comunh\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Compreendes, \u00f3 crist\u00e3o, o que significa fazer a Santa Comunh\u00e3o? Significa aproximar-se da mesa dos anjos para receber o corpo, o sangue, a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que \u00e9 dado em alimento \u00e0 nossa alma sob as esp\u00e9cies do p\u00e3o e do vinho consagrado. Na Missa, no momento em que o sacerdote pronuncia sobre o p\u00e3o e o vinho as palavras da consagra\u00e7\u00e3o, o p\u00e3o e o vinho se tornam o corpo e o sangue de Jesus Cristo. As palavras usadas por nosso divino Salvador ao instituir este sacramento s\u00e3o: isto \u00e9 o meu corpo, este \u00e9 o c\u00e1lice do meu sangue: <em>hoc est corpus meum, hic est calix sanguinis mei. <\/em>Essas mesmas palavras s\u00e3o usadas pelos sacerdotes em nome de Jesus Cristo no sacrif\u00edcio da Santa Missa. Portanto, quando vamos comungar, recebemos o pr\u00f3prio Jesus Cristo em corpo, sangue, alma e divindade, isto \u00e9, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, vivo como est\u00e1 no c\u00e9u. N\u00e3o \u00e9 a sua imagem, nem a sua figura, como uma est\u00e1tua, um crucifixo, mas \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus Cristo, tal como nasceu da Virgem Maria Imaculada e morreu por n\u00f3s na cruz. O pr\u00f3prio Jesus Cristo assegurou-nos a sua presen\u00e7a real na Santa Eucaristia quando disse: <em>este \u00e9 o meu corpo que ser\u00e1 dado pela salva\u00e7\u00e3o dos homens: corpus, quod pro vobis tradetur. Este \u00e9 o p\u00e3o vivo que desceu do C\u00e9u: hic est panis vivus, qui de caelo descendit. <\/em>O p\u00e3o que eu darei \u00e9 a minha carne. A bebida que eu darei \u00e9 o meu verdadeiro sangue. Quem n\u00e3o comer deste corpo e n\u00e3o beber deste sangue, n\u00e3o tem a vida em si.<\/li>\n<li>Tendo institu\u00eddo este sacramento para o bem das nossas almas, Jesus deseja que nos aproximemos dele frequentemente. Eis as palavras com que ele nos convida: vinde a mim todos v\u00f3s que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei: <em>venite ad me omnes qui laboratis et onerati estis, et ego reficiam vos.<\/em> Em outro lugar, dizia aos judeus: \u201cVossos pais comeram o man\u00e1 no deserto e morreram; mas aquele que come o alimento figurado no man\u00e1, aquele alimento que eu dou, aquele alimento que \u00e9 meu corpo e meu sangue, n\u00e3o morrer\u00e1 para sempre. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim e eu nele; porque a minha carne \u00e9 verdadeira comida e o meu sangue \u00e9 verdadeira bebida\u00bb. Quem poderia resistir a esses convites amorosos do divino Salvador? Para corresponder a esses convites, os crist\u00e3os dos primeiros tempos iam todos os dias ouvir a palavra de Deus e todos os dias se aproximavam da Santa Comunh\u00e3o. \u00c9 neste sacramento que os m\u00e1rtires encontravam sua for\u00e7a, as virgens seu fervor, os santos sua coragem.<\/li>\n<\/ol>\n<p>E n\u00f3s, com que frequ\u00eancia nos aproximamos deste alimento celestial? Se examinarmos os desejos de Jesus Cristo e a nossa necessidade, devemos comungar com muita frequ\u00eancia. Assim como o man\u00e1 serviu de alimento corporal aos judeus todos os dias durante todo o tempo em que viveram no deserto, at\u00e9 serem conduzidos \u00e0 terra prometida, assim a sagrada comunh\u00e3o deveria ser o nosso conforto, o alimento di\u00e1rio nos perigos deste mundo, para nos guiar \u00e0 verdadeira terra prometida do para\u00edso. Santo Agostinho diz assim: Se todos os dias pedimos a Deus o p\u00e3o corporal, por que n\u00e3o procuraremos tamb\u00e9m alimentar-nos todos os dias do p\u00e3o espiritual com a Santa Comunh\u00e3o? S\u00e3o Filipe N\u00e9ri encorajava os crist\u00e3os a se confessarem a cada oito dias e a comungarem ainda mais frequentemente, segundo o conselho do confessor. Finalmente, a Santa Igreja manifesta seu vivo desejo pela frequente comunh\u00e3o no Conc\u00edlio de Trento, onde diz: \u201cseria sumamente desej\u00e1vel que todo crist\u00e3o fiel se mantivesse em tal estado de consci\u00eancia que pudesse fazer a sagrada comunh\u00e3o sempre que participasse da santa missa\u201d. O Papa Clemente XIII, para encorajar os crist\u00e3os a se aproximarem com grande frequ\u00eancia da santa confiss\u00e3o e da comunh\u00e3o, concedeu o seguinte benef\u00edcio: os fi\u00e9is crist\u00e3os que t\u00eam o louv\u00e1vel costume de se confessar todas as semanas podem adquirir a indulg\u00eancia plen\u00e1ria sempre que fizerem a santa comunh\u00e3o.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Algu\u00e9m dir\u00e1: sou muito pecador. Se \u00e9s pecador, procura te colocar em gra\u00e7a com o sacramento da confiss\u00e3o e, em seguida, recebe a sagrada comunh\u00e3o, e ter\u00e1s grande ajuda. Outro dir\u00e1: eu comungo raramente para ter mais fervor. Isso \u00e9 um engano. As coisas que se fazem raramente, na maioria das vezes se fazem mal. Al\u00e9m disso, sendo frequentes as tuas necessidades, frequente deve ser o socorro para a tua alma. Alguns acrescentam: estou cheio de enfermidades espirituais e n\u00e3o ouso comungar com frequ\u00eancia. Jesus Cristo responde: <em>aqueles que est\u00e3o bem n\u00e3o precisam de m\u00e9dico; <\/em>portanto, aqueles que est\u00e3o mais sujeitos a doen\u00e7as precisam ser visitados frequentemente pelo m\u00e9dico. Coragem, portanto, \u00f3 crist\u00e3o! Se queres fazer a a\u00e7\u00e3o mais gloriosa a Deus, mais agrad\u00e1vel a todos os santos do c\u00e9u, mais eficaz para vencer as tenta\u00e7\u00f5es, mais segura para perseverar no bem, \u00e9 certamente a Santa Comunh\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Um jovem chamado Domingos S\u00e1vio, pelo vivo desejo de agradar a Maria, oferecia-lhe todos os dias alguma ora\u00e7\u00e3o, mas todos os s\u00e1bados fazia a sagrada comunh\u00e3o em honra daquela que ele costumava chamar de M\u00e3e muito querida. No ano de 1856, fez o m\u00eas de Maria com tal fervor que todos os seus companheiros ficaram edificados. Todos os dias pedia a Maria que o tirasse do mundo antes que perdesse a virtude da pureza. No dia do encerramento, pediu uma \u00fanica gra\u00e7a: poder fazer uma boa comunh\u00e3o antes de morrer. A Santa Virgem atendeu-o. Nove meses depois (9 de mar\u00e7o de 1857), ele morreu aos quinze anos de idade, depois de receber o Sant\u00edssimo Vi\u00e1tico com a maior ternura e devo\u00e7\u00e3o. Nos momentos que se passaram entre o recebimento do Vi\u00e1tico e sua morte, ele repetia: \u201c\u00d3 Maria, v\u00f3s me atendeste, eu sou muito rico. N\u00e3o vos pe\u00e7o nada mais, sen\u00e3o que me assistais nestes \u00faltimos momentos de vida e me acompanheis desta vida para a eternidade. Quase no mesmo momento em que ele deixou de proferir estas palavras, sua alma voou para o c\u00e9u, certamente acompanhada por Maria, de quem ele fora fervoroso devoto durante toda a vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Eu vos adoro a cada momento<\/p>\n<p>\u00d3 p\u00e3o vivo do c\u00e9u,<\/p>\n<p>Grande Sacramento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443981\"><\/a><a name=\"_Toc204271396\"><\/a><a name=\"_Toc204271836\"><\/a><strong>Vig\u00e9simo quinto dia. O pecado da desonestidade<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>S\u00e3o Paulo ordena que esse pecado nem sequer seja mencionado entre os crist\u00e3os: <em>impudicitia nequidem nominetur in vobis. <\/em>Eu omitiria falar sobre isso, \u00f3 grande Ap\u00f3stolo de Jesus Cristo, se esse pecado n\u00e3o fosse aquele grande mestre que leva tantas almas \u00e0 perdi\u00e7\u00e3o eterna. Podemos realmente dizer que esse pecado abriu o inferno, e muitos se precipitam infelizmente nele. Para ter um horror justo, vejamos como Deus detesta este v\u00edcio abomin\u00e1vel. Quem se entrega a este pecado \u00e9 comparado a animais imundos. O homem, que foi elevado \u00e0 maior dignidade, perdeu o intelecto e tornou-se semelhante aos animais imundos que se arrastam na lama. <em>Jumentis insipientibus comparatus est, et similis factus est illis [<\/em><em>Ele foi comparado a animais irracionais e tornou-se como eles]<\/em><em>. <\/em>\u00d3 crist\u00e3o, reconhece a tua dignidade e, ao mesmo tempo, compreende o grande mal que fazes quando te abandonas a palavras, pensamentos e obras impuras. Al\u00e9m disso, por que Deus enviou um dil\u00favio sobre toda a terra? Porque a humanidade se abandonou \u00e0 desonestidade. <em>Omnis caro corruperat viam suam [toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra \u2013 Gn 6,12]. <\/em>Por que enviou um inc\u00eandio sobre Sodoma, Gomorra e as cidades vizinhas? Porque aqueles habitantes se abandonaram a esse v\u00edcio. Por que On\u00e3 foi atingido por uma morte repentina ap\u00f3s um \u00fanico pecado? Porque aquele era um pecado de desonestidade. Que preceito especial Deus promulgou no Monte Sinai entre trov\u00f5es e rel\u00e2mpagos? \u00c9 aquele que diz: n\u00e3o cometer\u00e1s adult\u00e9rio, isto \u00e9, n\u00e3o far\u00e1s coisas desonestas. Qual \u00e9 o mal que o divino Salvador proibiu de fixar com o olhar ou de reter no pensamento? \u00c9 a desonestidade. Qual \u00e9 esse grande mal que S\u00e3o Paulo considera t\u00e3o grande que n\u00e3o deve ser mencionado entre os crist\u00e3os? \u00c9 a imoralidade. <em>Impudicitia nequidem nominetur in vobis [A imoralidade nem sequer seja mencionada entre v\u00f3s \u2013 Ef 5,3].<\/em><\/li>\n<li>A partir desta doutrina revelada por Deus, voc\u00ea conhecer\u00e1 o grande mal que \u00e9 a desonestidade: mas voc\u00ea a conhecer\u00e1 muito mais se considerar suas consequ\u00eancias funestas. Se entrares nas fam\u00edlias e perguntares a causa de tantas disc\u00f3rdias, de tantas mis\u00e9rias, de tantos patrim\u00f4nios arruinados, muitos ser\u00e3o obrigados a responder que o v\u00edcio abomin\u00e1vel da desonestidade foi a causa. Perguntemos aos m\u00e9dicos que frequentam as casas particulares e os hospitais p\u00fablicos, e eles nos dir\u00e3o quantos s\u00e3o enviados para a sepultura na flor da idade. Oh! Se as cinzas deles pudessem falar dos t\u00famulos, poderiam nos dar conselhos muito \u00fateis. Uns diriam que a desonestidade foi causa de brigas, jogos, embriaguez, morte. Outros, que esse v\u00edcio enfraqueceu sua sa\u00fade e os levou prematuramente \u00e0 sepultura, confirmando neles que os pecados encurtam a vida: <em>dies impiorum bremabuntur [os dias dos \u00edmpios ser\u00e3o encurtados].<\/em><\/li>\n<li>Mas vamos lan\u00e7ar um v\u00e9u sobre essas desgra\u00e7as que recaem sobre o corpo e mencionar alguns dos males que ela produz no esp\u00edrito. Deus diz que entregar-se \u00e0 desonestidade \u00e9 o mesmo que perder a f\u00e9: <em>luxuriari idem est ac apostatare a Deo [entregar-se \u00e0 lux\u00faria \u00e9 o mesmo que apostatar de Deus].<\/em> De fato, vemos crist\u00e3os alegres, cheios de fervor nas pr\u00e1ticas religiosas, ass\u00edduos aos sacramentos: mas assim que a desonestidade entra em seus cora\u00e7\u00f5es, come\u00e7am a se tornar indiferentes, diminuem a frequ\u00eancia dos sacramentos, se cansam da palavra de Deus, come\u00e7am a duvidar das verdades da f\u00e9 e, caindo de abismo em abismo, acabam se tornando incr\u00e9dulos e, \u00e0s vezes, verdadeiros ap\u00f3statas. <em>Luxuriari idem est ac apostatare a Deo. <\/em>O que diremos ent\u00e3o das penas eternas reservadas na outra vida aos impudicos? N\u00e3o quero continuar com esta terr\u00edvel considera\u00e7\u00e3o; prefiro sugerir alguns meios para manter longe deste v\u00edcio aqueles que s\u00e3o inocentes e preservar aqueles que tiveram a desgra\u00e7a de ser infectados por ele. A confiss\u00e3o frequente e a comunh\u00e3o frequente s\u00e3o os dois rem\u00e9dios mais eficazes. Fugir de conversas obscenas, de leituras ruins, de pessoas entregues ao jogo, \u00e0 embriaguez e a desordens semelhantes. Frequentar a palavra de Deus e ler bons livros, rezar tr\u00eas <em>Ave-Marias <\/em>\u00e0 Imaculada Virgem Maria pela manh\u00e3 e \u00e0 noite e beijar a medalha dela. Se tu, crist\u00e3o, praticares esses meios, sem d\u00favida te manter\u00e1s longe desse v\u00edcio terr\u00edvel que j\u00e1 enviou tantas almas para o inferno.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Uma jovem da cidade de Turim teve a infelicidade de se entregar ao v\u00edcio de que falamos. E, como acontece com muitos outros infelizes, ela tamb\u00e9m perdeu a devo\u00e7\u00e3o, abandonou a casa paterna para levar uma vida dissoluta. Arruinada assim nas coisas da alma, logo o foi tamb\u00e9m nas coisas do corpo; e, caindo em grave doen\u00e7a, estava quase \u00e0 beira da morte. Ningu\u00e9m ousava falar-lhe de religi\u00e3o. Quem ousava dizer-lhe alguma palavra era mandado embora com execra\u00e7\u00e3o. Um piedoso sacerdote, informado do triste caso, foi corajoso o suficiente para tentar tamb\u00e9m. Apresentou-se \u00e0 doente, mas ela, como uma f\u00faria do inferno, proferiu mil maldi\u00e7\u00f5es e queria obrig\u00e1-lo a fugir. O fiel ministro de Deus suportou tudo e, ap\u00f3s muitos incidentes, conseguiu que ela aceitasse uma medalha da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Cheio de esperan\u00e7a de ganhar uma filha para Maria, o padre partiu e foi se juntar a outros devotos que se reuniam na igreja para invocar a prote\u00e7\u00e3o daquela que \u00e9 ref\u00fagio dos pecadores. Ao fim do mesmo dia, ele voltou para a doente, que o recebeu melhor. Ele conseguiu que ela rezasse tr\u00eas <em>Ave-Marias. <\/em>Depois partiu. Ainda n\u00e3o tinha chegado a casa, quando uma pessoa do servi\u00e7o o chamou com grande pressa para que voltasse para a doente, que queria se confessar. Ele foi prontamente e a encontrou chorando de dor pelos seus pecados, desejando se confessar antes de morrer. Ela fez sua confiss\u00e3o, dando sinais do mais sincero arrependimento. Ela mesma pediu para receber a Sagrada Eucaristia, a extrema-un\u00e7\u00e3o [un\u00e7\u00e3o dos enfermos] e a b\u00ean\u00e7\u00e3o papal, que lhe foram prontamente administradas. Parecia que ela estava prestes a dar o \u00faltimo suspiro quando, reunindo todas as suas for\u00e7as, dirigiu estas \u00faltimas palavras \u00e0s pessoas que, em grande n\u00famero e com grande piedade, estavam ao redor da cama: <em>alegrai-vos todos em vosso cora\u00e7\u00e3o; eu fui infeliz, o mundo me enganou. Eu abandonei Deus e sua Sant\u00edssima M\u00e3e; mas ela n\u00e3o me abandonou. Ela conseguiu que eu n\u00e3o morresse de morte ruim; conseguiu de seu Filho a gra\u00e7a de poder me confessar e, assim, fechar o inferno e abrir o para\u00edso para mim. Depois da minha morte, contem a todos a grande gra\u00e7a que Maria me concedeu. Eu morro e, morrendo, espero encontr\u00e1-la no c\u00e9u. <\/em>Dito isso, ela deixou cair a cabe\u00e7a sobre a cama e, ap\u00f3s alguns instantes, expirou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Maria, v\u00f3s sois m\u00e3e, tentareis<\/p>\n<p>Pelos inocentes, e ao mesmo tempo<\/p>\n<p>Pelo pecador que geme,<\/p>\n<p>Que espera em vossa piedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tomai o meu cora\u00e7\u00e3o, \u00f3 Virgem,<\/p>\n<p>V\u00f3s podeis transform\u00e1-lo;<\/p>\n<p>Dai-lhe os vossos afetos<\/p>\n<p>Dai-lhe o vosso amor divino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443982\"><\/a><a name=\"_Toc204271397\"><\/a><a name=\"_Toc204271837\"><\/a><strong>Vig\u00e9simo sexto dia. A virtude da pureza<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Tanto quanto \u00e9 horr\u00edvel falar do pecado da desonestidade, tanto \u00e9 consolador falar da virtude da pureza. Esta \u00fanica virtude basta para tornar santo quem a possui. Os amantes dela no Evangelho s\u00e3o comparados por Jesus aos anjos: <em>erunt sicut angeli Dei in caelo [ser\u00e3o como anjos de Deus no c\u00e9u] <\/em>\u2013 (Mt 22,30). Oh, qu\u00e3o digna \u00e9s da estima dos homens, \u00f3 santa virtude da pureza! Tu fazes do homem, que \u00e9 p\u00f3 e cinza, um esp\u00edrito celestial, um anjo. Melhor ainda, superior aos pr\u00f3prios anjos, porque os anjos s\u00e3o esp\u00edritos puros, e n\u00f3s, para conserv\u00e1-la, devemos domar as inclina\u00e7\u00f5es do corpo. Esta virtude \u00e9 t\u00e3o preciosa aos olhos de Deus que o pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo nos assegura que n\u00e3o h\u00e1 nada no mundo mais precioso: <em>non est ponderatio digna continentis animae [n\u00e3o h\u00e1 medida que determine o valor da alma casta] <\/em>\u2013 (Eclo 26,20). S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista foi o disc\u00edpulo predileto de Jesus Cristo porque conservou esta virtude de forma sublime. E Deus quis recompens\u00e1-lo tamb\u00e9m na vida presente, fazendo-lhe conhecer o grande pr\u00eamio que est\u00e1 reservado aos castos e aos virgens no c\u00e9u. Enquanto estava exilado na ilha de Patmos, Deus revelou-lhe muitos mist\u00e9rios, elevando-o para contemplar as belezas do Para\u00edso. Entre outras coisas, ele viu uma multid\u00e3o de bem-aventurados vestidos com uma t\u00fanica branca e com uma palma na m\u00e3o; e cantando um hino que ningu\u00e9m mais podia cantar, eles cercavam constantemente a pessoa do Salvador por onde quer que ele fosse. Maravilhado, o santo ap\u00f3stolo disse ao anjo que o acompanhava pelo para\u00edso: <em>Quem s\u00e3o estes que gozam de tanta gl\u00f3ria? <\/em>O anjo respondeu: Estes s\u00e3o os virgens, aqueles que n\u00e3o mancharam a estola da inoc\u00eancia e, por isso, seguem o divino Cordeiro por onde quer que Ele v\u00e1. <em>Virgines enim sunt, hi sequuntur agnum quocumque ierit \u2013 [estes s\u00e3o virgens; seguem o Cordeiro aonde quer que v\u00e1] <\/em>(Ap 14,4)<em>.<\/em><\/li>\n<li>Esta virtude \u00e9 preciosa n\u00e3o s\u00f3 aos olhos de Deus, mas \u00e9 tamb\u00e9m fonte de b\u00ean\u00e7\u00e3os na vida presente. Deus demonstrou a grande estima que tem por ela com muitos fatos. Ele quis ter S\u00e3o Jos\u00e9 como pai putativo, que era virgem; quis nascer de uma m\u00e3e virgem; e mais ainda, que ela fosse virgem antes do parto, durante o parto e depois do parto. O Esp\u00edrito Santo nos diz que, com a virtude da pureza, todos os bens nos s\u00e3o dados: <em>venerunt omnia bona pariter cum illa \u2013 todos os bens me vieram junto com ela]<\/em> (Sb 7,11)<em>. <\/em>De fato, aqueles que t\u00eam a sorte de poder falar com essas almas que conservam esse precioso tesouro descobrem uma tranquilidade, uma paz de cora\u00e7\u00e3o, uma satisfa\u00e7\u00e3o tal que superam todos os bens da terra. Tu os v\u00eas pacientes na mis\u00e9ria, caridosos com o pr\u00f3ximo, pac\u00edficos diante das inj\u00farias, resignados nas doen\u00e7as, atentos aos seus deveres, fervorosos nas ora\u00e7\u00f5es, ansiosos pela palavra de Deus. Tu percebes em seus cora\u00e7\u00f5es uma f\u00e9 viva, uma firme esperan\u00e7a e uma caridade inflamada.<\/li>\n<li>Coragem, portanto, \u00f3 crist\u00e3o, faze todo esfor\u00e7o para conservar o tesouro inestim\u00e1vel desta virtude. Se assim fizeres, te elevar\u00e1s acima de todos os homens e ser\u00e1s igual aos anjos do para\u00edso, mesmo nesta vida. Mas se quiseres consumar esta virtude, \u00e9 preciso que imites a Rainha das Virgens. Imit\u00e1-la na dilig\u00eancia nas pr\u00e1ticas religiosas e no exerc\u00edcio da humildade, porque somente os humildes s\u00e3o fortalecidos por Deus para combater as tenta\u00e7\u00f5es dos sentidos. Imit\u00e1-la na discri\u00e7\u00e3o, de modo que as tuas conversas n\u00e3o sejam com outras pessoas, a n\u00e3o ser com os anjos, isto \u00e9, com pessoas que falam das coisas do Senhor, e n\u00e3o das coisas desordenadas do mundo. Imita-a tratando com pessoas que amem esta virtude e, especialmente, fugindo de pessoas do sexo oposto. Imita-a na mod\u00e9stia dos olhos, na sobriedade em comer e beber, na fuga dos teatros, dos bailes e de outros espet\u00e1culos perigosos. Se imitares assim a Santa Virgem, ter\u00e1s a certeza de conservar intacta a virtude da pureza aqui na terra, para depois receberes a gloriosa recompensa no c\u00e9u.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds Gonzaga pode servir de modelo para todos aqueles que desejam conservar a virtude de que falamos. Desde muito jovem, ele era t\u00e3o reservado que, quando os criados iam ajud\u00e1-lo a vestir-se, n\u00e3o ousava nem mesmo deixar ver os p\u00e9s descal\u00e7os; era t\u00e3o modesto nos olhos que nunca olhou diretamente para o rosto de sua pr\u00f3pria m\u00e3e. Um dia, ele estava em companhia de outras pessoas, quando uma pessoa j\u00e1 bastante idosa come\u00e7ou a falar de coisas indecentes. \u201cEi\u201d, disse Lu\u00eds, \u201cessa maneira de falar n\u00e3o conv\u00e9m a esses cabelos brancos e muito menos na presen\u00e7a desses jovens crist\u00e3os que o ouvem\u201d. O velho corou e calou-se. S\u00e3o Lu\u00eds, por\u00e9m, para se assegurar de conservar essa virtude, come\u00e7ou desde muito jovem a praticar uma devo\u00e7\u00e3o filial \u00e0quela que \u00e9 chamada de <em>M\u00e3e pur\u00edssima <\/em>e poderosa protetora daqueles que querem oferecer o cora\u00e7\u00e3o a Deus. Aos dez anos de idade, fez voto de castidade perp\u00e9tua, colocando-se inteiramente sob a poderosa prote\u00e7\u00e3o de Maria, rogando-lhe que o ajudasse a conservar essa virtude at\u00e9 a morte. A Santa Virgem atendeu-o, e Lu\u00eds est\u00e1 no n\u00famero das almas privilegiadas que levaram para a outra vida a estola da inoc\u00eancia batismal, que certamente lhe forma agora no c\u00e9u uma coroa especial de gl\u00f3ria eterna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria<\/em><\/p>\n<p>Maria concebida sem pecado original, rogai por n\u00f3s, que recorremos a v\u00f3s<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> .<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443983\"><\/a><a name=\"_Toc204271398\"><\/a><a name=\"_Toc204271838\"><\/a><strong>Vig\u00e9simo s\u00e9timo dia. O respeito humano<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Se algu\u00e9m te perguntasse, \u00f3 crist\u00e3o, o que \u00e9 o respeito humano, talvez respondesses que nem sequer sabes. E eu te digo quase o mesmo. No entanto, por algo que nem sabemos o que \u00e9, muitos v\u00e3o para a perdi\u00e7\u00e3o eterna. Para dar alguma defini\u00e7\u00e3o a esse inimigo das almas, parece-me que se pode dizer: <em>um medo sem fundamento que nos impede de fazer o bem ou que nos leva a fazer o mal para n\u00e3o desagradar aos homens.<\/em> Acredita, crist\u00e3o, muitos trilhariam o caminho da virtude se esse medo in\u00fatil n\u00e3o os enganasse e os fizesse abandonar o bem que devem fazer, levando-os a praticar o mal que em seu cora\u00e7\u00e3o gostariam de evitar. Aquele jovem quer se entregar a Deus, santificar os dias festivos, ir ouvir a palavra de Deus. Mas ele teme seus companheiros, que zombam dele. Aquele pai de fam\u00edlia gostaria de ficar longe daquele jogo, daquela taberna, de n\u00e3o mais ficar na pra\u00e7a durante as fun\u00e7\u00f5es sagradas, gostaria de cuidar melhor de sua fam\u00edlia, mas teme ser ridicularizado por alguns companheiros de jogo, por isso continua no mal. Outros dizem: se eu n\u00e3o for mais \u00e0quela casa, dir\u00e3o que o confessor me proibiu. Se eu abandonar esses companheiros, dir\u00e3o que quero ir para um deserto. Se eu n\u00e3o participar dessas conversas obscenas, dir\u00e3o que n\u00e3o tenho esp\u00edrito. Se me aproximar dos sacramentos com mais frequ\u00eancia, dir\u00e3o que quero ser frade. E por esses medos in\u00fateis, continuam no mal, omitindo as pr\u00e1ticas mais importantes para a alma. Infelizes! N\u00e3o sabem que a sabedoria do mundo \u00e9 loucura diante de Deus? <em>Sapientia huius mundi stultitia est apud Deum?<\/em><\/li>\n<li>Mas convence-te de que, na maioria das vezes, n\u00e3o se dizem tais coisas, \u00e9 um medo in\u00fatil que te faz pensar assim. Acredita em mim, se te virem constante no cumprimento dos teus deveres, ter\u00e3o grande venera\u00e7\u00e3o por ti. E mesmo que dissessem tais coisas, isso causaria algum dano aos teus bens, \u00e0 tua reputa\u00e7\u00e3o? E mesmo que te causassem algum dano, deverias por isso fazer o que diz o mundo, e n\u00e3o o que diz Deus? O mundo fala, Jesus Cristo fala; quem \u00e9 mais digno de ser ouvido? \u00c9 melhor ouvir Jesus Cristo e ir para a vida eterna, ou ouvir o mundo e ir para o inferno? Oh, loucos! dizia um bom crist\u00e3o a alguns que queriam lev\u00e1-lo ao mal, loucos que s\u00e3o; se por vos ouvir eu for para o inferno, talvez venhais me tirar de l\u00e1?<\/li>\n<li>Se o que dissemos em geral n\u00e3o basta para nos fazer desprezar o respeito humano, pelo menos nos resolva o que diz Jesus Cristo no santo Evangelho. Ou\u00e7amos as suas palavras: quem se declarar por mim diante dos homens, tamb\u00e9m eu me declararei por ele diante do meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us. Quem me renegar diante dos homens, tamb\u00e9m eu o renegarei diante do meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us (cf. Mt 10,32-33). Coragem, crist\u00e3o; e nunca deixes que as tagarelices do mundo te fa\u00e7am omitir algum bem e te induzam a fazer algum mal.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Um soldado chamado Belsoggiorno recitava todos os dias sete <em>Pai-nossos <\/em>e sete <em>Ave-Marias <\/em>em mem\u00f3ria das sete alegrias e das sete dores da Santa Virgem. Se durante o dia n\u00e3o tinha tempo, fazia-o \u00e0 noite antes de se deitar. Al\u00e9m disso, se se lembrava de que n\u00e3o tinha cumprido este dever quando j\u00e1 estava na cama, levantava-se imediatamente e recitava de joelhos essa ora\u00e7\u00e3o. Imaginem quantas risadas e quantos sinais de desprezo seus companheiros lhe ter\u00e3o feito! Ele n\u00e3o deu import\u00e2ncia e perseverou em sua ora\u00e7\u00e3o. Um dia, em batalha, Belsoggiorno se viu na primeira fila, diante do inimigo, esperando o sinal de ataque. Lembra-se ent\u00e3o que n\u00e3o tinha feito a ora\u00e7\u00e3o habitual e, fazendo rapidamente o sinal da Santa Cruz, come\u00e7ou a recit\u00e1-la. Assim que seus companheiros perceberam, come\u00e7aram a zombar dele, e as zombarias passavam de boca em boca, de modo que quase todos o ridicularizavam. Belsoggiorno havia aprendido a vencer o respeito humano e, vendo que as palavras dos companheiros n\u00e3o lhe faziam mal algum, continuou sua ora\u00e7\u00e3o. Entretanto, come\u00e7ou a batalha, que foi sangrenta para ambos os lados. Mas qual foi a surpresa de Belsoggiorno quando viu todos aqueles que um momento antes zombavam dele estendidos no ch\u00e3o ao seu redor, sem que ele tivesse sofrido nenhum ferimento. Ele n\u00e3o p\u00f4de deixar de sentir temor e gratid\u00e3o pela poderosa prote\u00e7\u00e3o de Maria, que o havia salvado. No restante daquela guerra, que foi muito longa, ele nunca mais sofreu nenhum ferimento. \u00d3 devoto de Maria, nunca te envergonhes de saudar esta M\u00e3e piedosa sempre que passares diante de alguma de suas igrejas, est\u00e1tuas ou imagens. Quando ouvires na rua o sinal da <em>Ave Maria, <\/em>descobre a cabe\u00e7a sem respeito humano e recita-a devotamente, pois Maria nos dar\u00e1 grande recompensa por esta homenagem (<em>De v\u00e1rios autores)<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>\u00d3 doce e terna M\u00e3e,<\/p>\n<p>Fonte de santo amor,<\/p>\n<p>Parte do vosso fervor<\/p>\n<p>Fazei descer ao meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fazei com que o pensamento profano<\/p>\n<p>Eu despreze com desd\u00e9m,<\/p>\n<p>Que me acostume a buscar<\/p>\n<p>A gl\u00f3ria do Senhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443984\"><\/a><a name=\"_Toc204271399\"><\/a><a name=\"_Toc204271839\"><\/a><strong>Vig\u00e9simo oitavo dia. Do Para\u00edso<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Argumento consolador, \u00f3 crist\u00e3o, proponho hoje \u00e0 tua considera\u00e7\u00e3o. \u00c9 sobre o para\u00edso. Para que tenhas uma ideia, consideremos as coisas vis\u00edveis da terra e depois comparemo-las com as do c\u00e9u. Imagina uma noite serena: qu\u00e3o belo \u00e9 ver o firmamento celeste com aquela multid\u00e3o e variedade de estrelas! Sup\u00f5e tamb\u00e9m um belo dia em que a claridade do sol n\u00e3o impe\u00e7a a vis\u00e3o das estrelas e da lua. Re\u00fane ent\u00e3o tudo o que se pode encontrar de grande, precioso, saboroso e delicioso no mar, nos campos, nas cidades e nas cortes dos reis e monarcas de todo o mundo. Tudo isso junto n\u00e3o \u00e9 nada quando comparado com a gl\u00f3ria do para\u00edso, porque isso \u00e9 uma ideia dos bens da terra; mas o que ser\u00e1 quando formos admitidos por Deus para contemplar e desfrutar dos bens imensos que existem no reino daquela gl\u00f3ria? Gostamos da liberdade? Bem, no para\u00edso poderemos, a nosso bel-prazer, passear por todos os lugares pelo ar, pela lua, pelas estrelas, pelo sol. Podemos, em um instante, transportar-nos do c\u00e9u \u00e0 terra e da terra ao c\u00e9u, podemos penetrar nos lugares mais fechados, nos recantos mais secretos, sem obst\u00e1culos e sem medo. Gostamos de m\u00fasica? Mas que m\u00fasica doce ser\u00e1 a dos anjos e dos santos no para\u00edso! Um \u00fanico instrumento celeste tocado por alguns instantes por um serafim arrebatou de seus sentidos, em \u00eaxtase, S\u00e3o Francisco de Assis. Gostamos de ser literatos? Vamos para o para\u00edso e, num instante, nos tornaremos mais eruditos que Salom\u00e3o, mais iluminados que todos os fil\u00f3sofos; l\u00e1, num instante, sem t\u00e9dio e sem fadiga, aprenderemos as ci\u00eancias mais sublimes. Gostamos de admirar as belezas das criaturas? Mas quanto mais belo deve ser o Criador!<\/li>\n<li>Considera ent\u00e3o a alegria que a alma sentir\u00e1 ao encontrar parentes e amigos, ao contemplar a nobreza, a beleza, a multid\u00e3o dos querubins, dos serafins e de todos os anjos, de todos os santos, que aos milh\u00f5es e milh\u00f5es louvam e bendizem o Criador. L\u00e1 veremos Ad\u00e3o, Abra\u00e3o, os patriarcas, os profetas, o coro dos Ap\u00f3stolos, o imenso n\u00famero de m\u00e1rtires, confessores e virgens. Oh, como eles se alegram naquele reino feliz! Est\u00e3o sempre felizes, sem enfermidades, sem tristezas, sem preocupa\u00e7\u00f5es que perturbem sua alegria, seu contentamento: [<em>n\u00e3o haver\u00e1 mais luto nem clamor] \u2013<\/em> (Ap 21,4)<em>.<\/em><\/li>\n<li>Observa, por\u00e9m, \u00f3 crist\u00e3o, que tudo o que consideramos at\u00e9 agora \u00e9 muito pouco em compara\u00e7\u00e3o com a grande consola\u00e7\u00e3o que se prova na vis\u00e3o de Deus. Ele consola os bem-aventurados com seu olhar amoroso e derrama em seus cora\u00e7\u00f5es um mar de del\u00edcias. N\u00e3o o veremos mais com os olhos da f\u00e9, mas o veremos face a face, contemplaremos de perto seu rosto, sua divina majestade. <em>Videbimus eum sicuti est [N\u00f3s o veremos tal como ele \u00e9] \u2013 <\/em>(1Jo 3,2)<em>. <\/em>O bem-aventurado ficar\u00e1 t\u00e3o imerso nas del\u00edcias que exclamar\u00e1: estou saciado, \u00f3 Senhor, da tua gl\u00f3ria. <em>Satiabor cum apparuerit gloria tua [Saciar-me-ei quando aparecer a tua gl\u00f3ria] \u2013 <\/em>(Sl 16,15)<em>. <\/em>Assim como o sol ilumina e embeleza todo o mundo, assim Deus, com a sua presen\u00e7a, ilumina todo o para\u00edso e enche aqueles felizes habitantes de uma alegria incompreens\u00edvel. Por isso, todas as hostes dos anjos, dos santos e dos bem-aventurados, no auge da sua alegria, em sinal de gratid\u00e3o a Deus, cantar\u00e3o: Santo, santo, santo \u00e9 o Deus dos ex\u00e9rcitos, a quem seja dada honra e gl\u00f3ria por todos os s\u00e9culos. Coragem, portanto, \u00f3 crist\u00e3o, pois ter\u00e1s de sofrer alguma coisa neste mundo, mas a recompensa que receber\u00e1s no c\u00e9u compensar\u00e1 infinitamente tudo o que sofreres na terra. Que grande consolo ser\u00e1 o teu quando te encontrares no C\u00e9u, na posse da bem-aventurada eternidade, na companhia dos teus parentes, amigos, santos e bem-aventurados, e dir\u00e1s: Estarei sempre com o Senhor, esta minha felicidade nunca mais faltar\u00e1: <em>semper cum domino erimus [Estaremos sempre com o Senhor] \u2013 <\/em>(1Ts 4,17)<em>. <\/em>Ent\u00e3o sim, aben\u00e7oar\u00e1s aquele momento em que te entregaste ao Senhor, aben\u00e7oar\u00e1s o momento em que fizeste aquela boa confiss\u00e3o e come\u00e7aste a te aproximar com frequ\u00eancia dos santos sacramentos; aben\u00e7oar\u00e1s aquele dia em que, deixando as m\u00e1s companhias, te entregaste \u00e0 virtude; e, cheio de gratid\u00e3o, te voltar\u00e1s para o teu Deus, cantando-lhe louvor e gl\u00f3ria por todos os s\u00e9culos dos s\u00e9culos. Assim seja.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Algumas apari\u00e7\u00f5es de Maria na vida presente bastaram para encher de alegria extraordin\u00e1ria os seus devotos. Onde estar\u00e1 ent\u00e3o a alegria de desfrutar para sempre da companhia dela no c\u00e9u? S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno conta que uma jovem chamada Musa era muito devota de Maria: tinha, por\u00e9m, o defeito de se divertir com as suas companheiras em coisas fr\u00edvolas. Para que, com o passar dos anos, ela n\u00e3o perdesse a devo\u00e7\u00e3o e a inoc\u00eancia, Maria quis lev\u00e1-la consigo. Mas antes, como uma m\u00e3e terna, foi preparando-a aos poucos. Uma noite, esta senhora apareceu-lhe acompanhada de muitas virgens que pareciam ter a mesma idade e disse-lhe: \u201cQueres acompanhar estas donzelas e ser minha serva? Se Deus quiser, respondeu Musa, ficarei com prazer na companhia delas. Ora, disse a Virgem, se queres obter tal favor, tens de mudar os teus costumes, deixando de fazer tantas brincadeiras e frivolidades. Se assim fizeres, voltarei com elas daqui a um m\u00eas e tu te tornar\u00e1s como uma destas belas donzelas. Ao ver isso, Musa ficou at\u00f4nita e ficou t\u00e3o s\u00e9ria que parecia ter amadurecido; ficava retra\u00edda, falava pouco, raramente ria, n\u00e3o fazia mais nenhuma a\u00e7\u00e3o de menina. Seus pais, vendo tal mudan\u00e7a, perguntaram-lhe o que havia acontecido, e ela contou-lhes tudo o que tinha visto. Eles acharam que era um sonho, mas como o prazo era curto, ficaram esperando o resultado. Aproximava-se o trig\u00e9simo dia, e a menina adoeceu de tal maneira que, num instante, ficou \u00e0 beira da morte. Estando com os olhos fechados, ela os abriu de repente e viu a Sant\u00edssima Virgem, com a mesma companhia de antes, chamando-a. Musa respondeu: \u201cEis que vou, Senhora, vou, Senhora\u201d, e, dizendo isso, morreu para se juntar ao coro das santas virgens no c\u00e9u, cantando para sempre os louvores de Jesus e de sua Sant\u00edssima M\u00e3e.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Oh, que pr\u00eamio e que coroa<\/p>\n<p>\u00c0 nossa fidelidade<\/p>\n<p>O Senhor promete e d\u00e1<\/p>\n<p>Na imensa eternidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Querido Deus, bondade infinita,<\/p>\n<p>Quero ser fiel a v\u00f3s;<\/p>\n<p>Ofere\u00e7o-vos o meu cora\u00e7\u00e3o, ofere\u00e7o-vos a minha vida.<\/p>\n<p>Dai-me apenas um dia o c\u00e9u.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443985\"><\/a><a name=\"_Toc204271400\"><\/a><a name=\"_Toc204271840\"><\/a><strong>Vig\u00e9simo nono dia. Um meio para garantir o Para\u00edso<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Um meio muito eficaz, mas bastante negligenciado pelos homens para ganhar o para\u00edso, \u00e9 a esmola. Por esmola, entendo qualquer obra de miseric\u00f3rdia praticada ao pr\u00f3ximo por amor a Deus. Deus diz na Sagrada Escritura que a esmola obt\u00e9m o perd\u00e3o dos pecados, mesmo que sejam em grande quantidade. <em>Eleemosyna operit multitudinem peccatorum [A esmola cobre uma multid\u00e3o de pecados].<\/em> O divino Salvador diz assim no Evangelho: o que sobra das vossas necessidades, dai-o aos pobres. Quem tem duas t\u00fanicas, d\u00ea uma ao necessitado, e quem tem mais do que o necess\u00e1rio, partilhe com quem tem fome (Lc 3,10). Deus nos assegura que tudo o que fazemos pelos pobres, Ele considera como feito a Ele mesmo; diz Jesus Cristo: \u201ctudo o que fizerdes a um dos meus irm\u00e3os mais infelizes, a mim o fizestes\u201d (Mt 25,40). Desejais que Deus perdoe os vossos pecados e vos livre da morte eterna? Dai esmola. <em>Eleemosyna ab omni peccato et a morte liberat [A esmola livra de todo pecado e da morte] \u2013 <\/em>(cf. Tb 4,10)<em>. <\/em>Quereis impedir que a vossa alma v\u00e1 para as trevas do inferno? Dai esmola. <em>Eleemosyna non patietur animam ire ad tenebras [A esmola n\u00e3o permitir\u00e1 que a alma v\u00e1 para as trevas] \u2013 <\/em>(Tb 4,10)<em>.<\/em> Em suma, Deus nos assegura que a esmola \u00e9 um meio muito eficaz para obter o perd\u00e3o dos nossos pecados, para nos fazer encontrar miseric\u00f3rdia aos olhos de Deus e nos conduzir \u00e0 vida eterna. <em>Eleemosyna est quae purgat a peccato, facit invenire misericordiam et vitam aeternam [<\/em><em>A esmola \u00e9 o que purifica do pecado, faz encontrar miseric\u00f3rdia e vida eterna<\/em><em>].<\/em><\/li>\n<li>Se, portanto, desejas que Deus tenha miseric\u00f3rdia de ti, come\u00e7a tu a ter miseric\u00f3rdia dos pobres. Dir\u00e1s: eu fa\u00e7o o que posso. Se fazes o que podes, fica tranquilo. Mas presta bem aten\u00e7\u00e3o ao que o Senhor te diz: d\u00e1 aos pobres tudo o que te sobra: <em>quod superest, date pauperibus. <\/em>Por isso te digo que s\u00e3o sup\u00e9rfluas as aquisi\u00e7\u00f5es e os aumentos de riqueza que tens ano ap\u00f3s ano. \u00c9 sup\u00e9rfluo o requinte que tens nos objetos de mesa, nos pratos, nos tapetes, nas roupas, que poderiam servir para quem tem fome, para quem tem sede e para cobrir os nus. \u00c9 sup\u00e9rfluo o luxo nas viagens, nos teatros, nos bailes e outros divertimentos, onde se pode dizer que vai parar o patrim\u00f4nio dos pobres.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Tu dir\u00e1s: eu n\u00e3o tenho riquezas; se n\u00e3o tens riquezas, d\u00e1 o que puderes. Mas n\u00e3o te faltam meios e maneiras de fazer esmola. N\u00e3o h\u00e1 enfermos para visitar, assistir, velar? N\u00e3o h\u00e1 jovens abandonados para acolher, instruir, hospedar em tua casa, se puderes, ou pelo menos conduzir onde possam aprender a ci\u00eancia da salva\u00e7\u00e3o? N\u00e3o h\u00e1 pecadores para admoestar, duvidosos para aconselhar, aflitos para consolar, brigas para acalmar, inj\u00farias para perdoar? V\u00ea com quantos meios podes fazer esmola e merecer a vida eterna! N\u00e3o podes fazer mais do que alguma ora\u00e7\u00e3o, alguma confiss\u00e3o, comunh\u00e3o, recitar um ros\u00e1rio, assistir a uma missa em sufr\u00e1gio das almas do purgat\u00f3rio, pela convers\u00e3o dos pecadores, ou para que os infi\u00e9is sejam iluminados e venham \u00e0 f\u00e9? N\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma grande esmola queimar livros perversos, difundir livros bons e falar o quanto puderes em honra da nossa santa religi\u00e3o cat\u00f3lica.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Outro motivo ainda deve nos estimular a dar esmolas, e \u00e9 aquele que o Salvador menciona no santo Evangelho. Ele diz assim: n\u00e3o dareis aos pobres um copo de \u00e1gua fresca sem que o Pai celeste vos recompense. De tudo o que derdes aos pobres, recebereis o c\u00eantuplo na vida presente e uma recompensa na vida eterna. De modo que dar algo aos pobres na vida presente \u00e9 multiplicar, ou seja, \u00e9 dar emprestado cem por um tamb\u00e9m na vida presente, reservando para n\u00f3s a recompensa plena na outra vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Eis a raz\u00e3o pela qual se veem tantas fam\u00edlias dar esmolas abundantes em todos os lugares e crescer sempre em riquezas e prosperidade. A raz\u00e3o \u00e9 dada por Deus: dai aos pobres, e vos ser\u00e1 dado; <em>dai, e vos ser\u00e1 dado. <\/em>Ser-vos-\u00e1 dado o c\u00eantuplo na vida presente e a vida eterna na outra: <em>centuplum accipiet in hac vita et vitam aeternam possidebit.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Tobias \u00e9 um modelo de como se deve dar esmola. Ele dizia ao seu filho estas palavras memor\u00e1veis: d\u00e1 esmola de acordo com os teus recursos e nunca desvies o rosto de nenhum pobre, porque assim acontecer\u00e1 que nem mesmo o rosto do Senhor se desviar\u00e1 de ti. S\u00ea misericordioso na medida do poss\u00edvel. Se tens muito, d\u00e1 em abund\u00e2ncia; se tens pouco, d\u00e1 o pouco que puderes, mas de boa vontade, pois a esmola ser\u00e1 uma recompensa que ganhar\u00e1s agora e ser\u00e1 um tesouro diante de Deus no dia da necessidade. Lembra-te, \u00f3 filho, que Deus ama quem d\u00e1 de boa vontade (cf. Tb 4,7-8).<\/p>\n<p>Imitemos tamb\u00e9m Maria em dar esmola. Guiada por um verdadeiro esp\u00edrito de caridade, ela foi visitar Santa Isabel e ficou em sua casa por tr\u00eas meses, servindo-a como uma humilde serva. Ela foi convidada para um casamento na cidade de Can\u00e1, na Galileia. No meio do almo\u00e7o, faltou vinho. N\u00e3o podendo providenci\u00e1-lo, ela convidou seu filho Jesus, que, a pedido dela, transformou a \u00e1gua em vinho. Imaginemos quantas gra\u00e7as e b\u00ean\u00e7\u00e3os Maria obter\u00e1 no c\u00e9u de seu amado Jesus em favor daqueles que, com seus conselhos, suas obras, suas ora\u00e7\u00f5es, suas esmolas ou de alguma outra maneira, praticam atos de miseric\u00f3rdia para com o pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Feliz aquele que, neste mundo<\/p>\n<p>Souber fazer com suas riquezas<\/p>\n<p>A eterna felicidade<\/p>\n<p>Na gl\u00f3ria do Senhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271401\"><\/a><a name=\"_Toc204271841\"><\/a><strong>Trig\u00e9simo dia. Maria, nossa protetora na vida presente<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Estamos neste mundo como num mar tempestuoso, como num ex\u00edlio, num vale de l\u00e1grimas. Maria \u00e9 a estrela do mar, o conforto no nosso ex\u00edlio, a luz que nos indica o caminho do c\u00e9u, enxugando as nossas l\u00e1grimas. E isso faz esta terna m\u00e3e, obtendo-nos cont\u00ednuos aux\u00edlios espirituais e temporais. N\u00e3o podemos entrar em algumas cidades, em algumas vilas, onde n\u00e3o haja algum monumento das gra\u00e7as obtidas por Maria aos seus devotos. Deixando de lado muitos santu\u00e1rios famosos da cristandade, onde milhares de testemunhos de gra\u00e7as recebidas pendem das paredes, menciono apenas o da Consolata, que felizmente temos em Turim. Vai, leitor, e com f\u00e9 de bom crist\u00e3o entra naquelas paredes sagradas e contempla os sinais de gratid\u00e3o a Maria pelos benef\u00edcios recebidos. Aqui v\u00eas um doente enviado pelos m\u00e9dicos, que recupera a sa\u00fade. Ali, gra\u00e7a recebida, e h\u00e1 um que foi libertado das febres; ali outro curado da gangrena. Aqui, gra\u00e7a recebida, e eis algu\u00e9m que foi libertado por intercess\u00e3o de Maria das m\u00e3os dos assassinos; ali, outro que n\u00e3o foi esmagado por uma enorme rocha que caiu; ali, pela chuva ou pela serenidade obtida. Se voc\u00ea der uma olhada na pra\u00e7a do santu\u00e1rio, ver\u00e1 um monumento que a cidade de Turim ergueu a Maria no ano de 1835, quando foi libertada de uma terr\u00edvel epidemia de c\u00f3lera que assolava os bairros vizinhos.<\/li>\n<li>As gra\u00e7as mencionadas dizem respeito apenas \u00e0s necessidades temporais, mas o que diremos das gra\u00e7as espirituais que Maria obteve e obt\u00e9m para seus devotos? Seria necess\u00e1rio escrever grandes volumes para enumerar as gra\u00e7as espirituais que seus devotos receberam e recebem todos os dias pelas m\u00e3os desta grande benfeitora da humanidade. Quantas virgens devem a preserva\u00e7\u00e3o de tal estado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dela! Quanto conforto aos aflitos! Quantas paix\u00f5es combatidas! Quantos m\u00e1rtires fortalecidos! Quantas armadilhas do dem\u00f4nio superadas! S\u00e3o Bernardo, depois de enumerar uma longa s\u00e9rie de favores que Maria obt\u00e9m todos os dias para seus devotos, termina dizendo que todo o bem que nos vem de Deus nos vem por meio de Maria: <em>Totum nos Deus habere voluit per Mariam.<\/em><\/li>\n<li>Ela n\u00e3o \u00e9 apenas o aux\u00edlio dos crist\u00e3os, mas tamb\u00e9m o sustento da Igreja universal. Todos os t\u00edtulos que lhe damos lembram uma gra\u00e7a; todas as solenidades que se celebram na Igreja tiveram origem em algum grande milagre, em alguma gra\u00e7a extraordin\u00e1ria que Maria obteve em favor da Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Quantos hereges confundidos, quantas heresias extirpadas, a ponto de a Igreja expressar sua gratid\u00e3o dizendo a Maria: Somente v\u00f3s, \u00f3 grande Virgem, fostes aquela que erradicastes todas as heresias: <em>cunctas haereses sola interemisti in universo mundo.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplos<\/em><\/p>\n<p>Relataremos alguns exemplos que confirmam as grandes gra\u00e7as que Maria obteve para seus devotos. Comecemos pela <em>Ave Maria. <\/em>A sauda\u00e7\u00e3o ang\u00e9lica, ou seja, a <em>Ave Maria<\/em>, \u00e9 composta pelas palavras ditas pelo anjo \u00e0 Santa Virgem e pelas que Santa Isabel acrescentou quando foi visit\u00e1-la. A <em>santa Maria <\/em>foi acrescentada pela Igreja no s\u00e9culo V. Nesse s\u00e9culo, vivia em Constantinopla um herege chamado Nest\u00f3rio, homem cheio de soberba. Ele chegou \u00e0 impiedade de negar publicamente o augusto nome de M\u00e3e de Deus \u00e0 Sant\u00edssima Virgem. Era uma heresia que visava derrubar todos os princ\u00edpios da nossa santa religi\u00e3o. O povo de Constantinopla tremia de indigna\u00e7\u00e3o diante de tal blasf\u00eamia; e para esclarecer a verdade, foram enviadas s\u00faplicas ao sumo pont\u00edfice, que ent\u00e3o se chamava Celestino, pedindo instantemente uma repara\u00e7\u00e3o ao esc\u00e2ndalo. Em 431, o papa convocou um conc\u00edlio geral em \u00c9feso, cidade da \u00c1sia Menor, \u00e0s margens do Arquip\u00e9lago. Participaram desse conc\u00edlio bispos de todas as partes do mundo cat\u00f3lico. S\u00e3o Cirilo, patriarca de Alexandria, presidiu em nome do papa. Todo o povo, desde a manh\u00e3 at\u00e9 a noite, permaneceu \u00e0s portas da Igreja onde estavam reunidos os bispos; quando viu a porta se abrir e S\u00e3o Cirilo aparecer \u00e0 frente de mais de 200 bispos, e ouviu pronunciar a condena\u00e7\u00e3o do \u00edmpio Nest\u00f3rio, palavras de j\u00fabilo ressoaram em todos os cantos da cidade. Na boca de todos se repetiam as seguintes palavras: o inimigo de Maria foi vencido! Viva Maria! Viva a grande, a excelsa, a gloriosa m\u00e3e de Deus. Foi nessa ocasi\u00e3o que a Igreja acrescentou \u00e0 <em>Ave Maria <\/em>estas outras palavras: <em>Santa Maria, m\u00e3e de Deus, rogai por n\u00f3s pecadores. Assim seja. <\/em>As outras palavras <em>agora e na hora da nossa morte <\/em>foram introduzidas pela Igreja em tempos posteriores. A solene declara\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio de \u00c9feso, o t\u00edtulo augusto de M\u00e3e de Deus dado a Maria, foi tamb\u00e9m confirmado em outros conc\u00edlios, at\u00e9 que o Papa S\u00e3o Paulo V instituiu a festa da Maternidade da Bem-Aventurada Virgem, que se celebra todos os anos no segundo domingo de outubro. Nest\u00f3rio, que ousou rebelar-se contra a Igreja e blasfemar contra a Grande M\u00e3e de Deus, foi severamente punido tamb\u00e9m na vida presente.<\/p>\n<p><em>Outro exemplo. <\/em>Na \u00e9poca de S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno, uma grande peste assolava muitas partes da Europa e especialmente Roma. S\u00e3o Greg\u00f3rio, para fazer cessar este flagelo, invocou a prote\u00e7\u00e3o da Grande M\u00e3e de Deus. Entre as obras p\u00fablicas de penit\u00eancia, ordenou uma prociss\u00e3o solene com a imagem milagrosa de Maria, venerada na Bas\u00edlica de Lib\u00e9rio, hoje Santa Maria Maior. \u00c0 medida que a prociss\u00e3o avan\u00e7ava, a doen\u00e7a contagiosa se afastava daqueles bairros, at\u00e9 que, ao chegar ao local onde se encontrava o monumento do imperador Adriano (que por isso foi chamado de Castelo de Santo \u00c2ngelo), apareceu sobre ele um anjo em forma humana. Ele guardou a espada ensanguentada na bainha, em sinal de que a ira divina havia sido apaziguada e que, pela intercess\u00e3o de Maria, o terr\u00edvel flagelo estava prestes a cessar. Ao mesmo tempo, ouviu-se um coro de anjos cantando o hino: <em>Regina coeli, laetare aleluia [Rainha do c\u00e9u, alegrai-vos, aleluia]. <\/em>O santo pont\u00edfice acrescentou a este hino mais dois vers\u00edculos com a ora\u00e7\u00e3o, e desde ent\u00e3o come\u00e7ou a ser usado pelos fi\u00e9is para honrar a Anuncia\u00e7\u00e3o do Senhor no tempo pascal, tempo de alegria pela ressurrei\u00e7\u00e3o do Salvador. Bento XIV concedeu as mesmas indulg\u00eancias do Angelus Domini [Anjo do Senhor] aos fi\u00e9is que o recitam no tempo pascal.<\/p>\n<p>O costume de recitar o <em>Angelus <\/em>\u00e9 muito antigo na Igreja. N\u00e3o se sabendo a hora exata em que a Anuncia\u00e7\u00e3o foi anunciada, se pela manh\u00e3 ou ao entardecer, os primeiros fi\u00e9is a saudavam nestes dois momentos com a <em>Ave Maria<\/em>. Da\u00ed surgiu mais tarde o costume de tocar os sinos pela manh\u00e3 e \u00e0 tarde, para lembrar aos crist\u00e3os esta piedosa tradi\u00e7\u00e3o. Acredita-se que isso tenha sido introduzido pelo pont\u00edfice Urbano II no ano de 1088. Ele havia ordenado isso para incitar os crist\u00e3os a recorrerem a Maria a fim de implorar pela manh\u00e3 a sua prote\u00e7\u00e3o na guerra que ent\u00e3o ardia entre os crist\u00e3os e os turcos, e \u00e0 noite para implorar pela felicidade e conc\u00f3rdia entre os pr\u00edncipes crist\u00e3os. Greg\u00f3rio IX, em 1221, acrescentou tamb\u00e9m o toque dos sinos ao meio-dia. Os pont\u00edfices enriqueceram este exerc\u00edcio de devo\u00e7\u00e3o com muitas indulg\u00eancias. Bento XIII, em 1724, concedeu a indulg\u00eancia de 100 dias cada vez que fosse recitada e, a quem a recitasse durante um m\u00eas inteiro, a indulg\u00eancia plen\u00e1ria, desde que num dia do m\u00eas tivesse feito a confiss\u00e3o sacramental e a comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>\u00d3 Maria, nossa advogada,<\/p>\n<p>Dispensadora de todas as gra\u00e7as,<\/p>\n<p>Mensageira da salva\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Ao homem justo e ao pecador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00d3 M\u00e3e piedosa, do c\u00e9u,<\/p>\n<p>Olhai para os vossos devotos,<\/p>\n<p>Atendei aos nossos pedidos,<\/p>\n<p>\u00d3 grande M\u00e3e do Senhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271402\"><\/a><a name=\"_Toc204271842\"><\/a><strong>Trig\u00e9simo primeiro dia. Maria, nossa protetora na hora da morte<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Maria protege os seus devotos em todas as necessidades da vida, mas protege-os ainda mais na hora da morte. Como um capit\u00e3o corre para defender a fortaleza quando ela est\u00e1 em perigo, assim Maria vem combater os inimigos da nossa alma, que far\u00e3o todos os esfor\u00e7os para ganhar a nossa alma naqueles momentos extremos da vida. Maria ser\u00e1 uma capit\u00e3 terr\u00edvel, que, como um ex\u00e9rcito bem ordenado, reprimir\u00e1 os ataques do inimigo infernal; <em>terribilis ut castrorum acies ordinata.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds Gonzaga, nos \u00faltimos momentos de sua vida, confortado por Maria, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o temia a morte, mas estava cheio de alegria \u00e0 medida que se aproximava a \u00faltima hora de sua vida. Notemos que Maria \u00e9 t\u00e3o terr\u00edvel para os esp\u00edritos malignos que, como diz S\u00e3o Boaventura, ao invocar o seu nome, todo o inferno treme: <em>ab invocatione nominis tui trepidat spiritus malignus. <\/em>Por isso, o doente, livre das tenta\u00e7\u00f5es, se disp\u00f5e a morrer santamente. Assim, o filho de Santa Br\u00edgida, chamado Carlos, foi libertado das ciladas do dem\u00f4nio, e a miseric\u00f3rdia da M\u00e3e nem mesmo permitiu que os inimigos da alma entrassem no quarto do doente. Assim Deus revelou \u00e0 mesma Santa Br\u00edgida.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>De fato, consideremos Maria como nossa m\u00e3e e teremos ent\u00e3o alguma ideia das gra\u00e7as que ela nos obter\u00e1 na hora da morte. As m\u00e3es terrenas nunca abandonam seus filhos. Quanto mais crescem suas mis\u00e9rias e seus males, tanto mais elas se empenham com solicitude maternal para levant\u00e1-los em meio a qualquer perigo. Assim, Maria, que tanto ama seus filhos em vida, com que ternura, com que bondade n\u00e3o correr\u00e1 para proteg\u00ea-los nos \u00faltimos momentos, quando maior \u00e9 a necessidade? Ela mesma revelou a Santa Br\u00edgida estas palavras precisas: Eu, como m\u00e3e fiel, quero estar presente na morte de todos aqueles que me serviram, quero estar presente, quero proteg\u00ea-los, quero consol\u00e1-los.<\/li>\n<li>Maria ajuda a todos os seus devotos na hora da morte, aparecendo-lhes \u00e0s vezes visivelmente. Tal \u00e9 o sentimento de S\u00e3o Boaventura, de S\u00e3o Carlos Borromeu, de S\u00e3o Filipe N\u00e9ri, de Santo Afonso e de muitos outros. Tal \u00e9 tamb\u00e9m o pensamento da Igreja, que chama Maria <em>auxilium christianorum<\/em>: aux\u00edlio dos crist\u00e3os. Esta ajuda deve ser certamente maior quando os perigos s\u00e3o maiores, como na hora da morte. \u00c9 precisamente isso que pedimos todos os dias quando dizemos: Santa Maria, rogai por n\u00f3s na hora da nossa morte. Mas mais do que todas as outras s\u00e3o ternas e consoladoras as palavras que dizem os ministros sagrados e os outros que recitam o of\u00edcio da Bem-Aventurada Virgem, quando invocam: Maria, m\u00e3e da gra\u00e7a e da miseric\u00f3rdia, defendei-nos das ciladas do inimigo infernal e, na hora da morte, acolhei a nossa alma. <em>Tu nos ab hoste protege, et mortis hora suscipe.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Eu poderia citar aqui muitos exemplos em que Maria se mostrou visivelmente favor\u00e1vel aos seus devotos \u00e0 beira da morte. Escolho apenas um, remetendo o leitor especialmente \u00e0 obra not\u00e1vel de Pallavicino, que relata cem casos, todos eles narrados com aquela reserva cr\u00edtica que \u00e9 a principal qualidade daquele ilustre escritor. O doutor da Igreja Vicente Belloacese exp\u00f5e o seguinte. Um sacerdote foi chamado para prestar os \u00faltimos confortos da religi\u00e3o a uma moribunda. Tendo ido \u00e0 igreja e levado consigo o Santo Vi\u00e1tico, dirigiu-se ao local onde se encontrava a enferma. Entrando em um quarto miser\u00e1vel, desprovido de qualquer conforto, viu a pobre agonizante deitada sobre um pouco de palha, mergulhada nas mais graves mis\u00e9rias; sentiu ent\u00e3o em seu cora\u00e7\u00e3o uma dor de verdadeira compaix\u00e3o; mas a dor transformou-se em surpresa quando viu um coro de virgens descer do c\u00e9u propositadamente para prestar ajuda e conforto \u00e0 pobre moribunda. E o que \u00e9 mais not\u00e1vel, a pr\u00f3pria M\u00e3e de Deus, com sua m\u00e3o santa, servia \u00e0 sua devota. Diante de tal espet\u00e1culo, o padre n\u00e3o ousava avan\u00e7ar, quando a gloriosa Virgem lhe lan\u00e7ou um olhar benigno, e ele se ajoelhou, inclinando a testa at\u00e9 o ch\u00e3o para adorar seu Filho sacramentado. Feito isso, Ela e as outras Virgens tamb\u00e9m se inclinaram profundamente, levantaram-se e retiraram-se para deixar livre o caminho ao sacerdote. Al\u00e9m disso, quando a vi\u00fava pediu para se confessar antes de receber a Santa H\u00f3stia, a Virgem Santa imediatamente se levantou do ch\u00e3o e, n\u00e3o encontrando nada, pegou um assento r\u00fastico e, com as pr\u00f3prias m\u00e3os, o levou para o lugar onde o confessor poderia ouvir melhor a confiss\u00e3o sacramental. O humilde padre n\u00e3o ousava sentar-se na presen\u00e7a de Jesus e Maria; mas foi obrigado a sentar-se para obedecer aos sinais de Maria. Depois de ouvir a confiss\u00e3o, administrou o vi\u00e1tico \u00e0quela alma feliz, que, transportada pelo amor de Deus, pela companhia de Maria e das outras Virgens gloriosas, separou-se do corpo para voar para o c\u00e9u e agradecer por todos os s\u00e9culos \u00e0 sua grande benfeitora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>\u00d3 M\u00e3e incompar\u00e1vel,<\/p>\n<p>Que em vida e na hora extrema<\/p>\n<p>Sois nossa verdadeira esperan\u00e7a,<\/p>\n<p>Confortai o nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fazei com que, nos \u00faltimos suspiros,<\/p>\n<p>Da morte no terr\u00edvel horror,<\/p>\n<p>A alma e o cora\u00e7\u00e3o pronunciem:<\/p>\n<p>Maria, esperan\u00e7a, amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443988\"><\/a><a name=\"_Toc204271403\"><\/a><a name=\"_Toc204271843\"><\/a><strong>Primeiro dia de junho. Maneira de garantir a prote\u00e7\u00e3o de Maria<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de fazer a leitura di\u00e1ria, dir-se-\u00e1<em>: Deus, in adjutorium meum intende. <\/em>\u2013 <em>Domine ad adjuvandum me festina [Vinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio \u2013 Socorrei-me sem demora]<\/em>. \u2013 <em>Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;<\/em> \u2013 Meu Jesus, miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Agora que terminamos o m\u00eas de Maria, considero oportuno, para concluir, dar-vos algumas lembran\u00e7as \u00fateis para garantir a prote\u00e7\u00e3o desta nossa grande M\u00e3e na vida e na morte. Maria, sendo nossa m\u00e3e, certamente deve abominar as ofensas feitas a Jesus, seu filho. Portanto, quem deseja gozar da sua prote\u00e7\u00e3o na vida e na morte, deve abster-se do pecado. Seria v\u00e3 a nossa esperan\u00e7a, se acredit\u00e1ssemos gozar da prote\u00e7\u00e3o de Maria, ofendendo seu filho Jesus, a quem ela ama acima de tudo. Mas n\u00e3o devemos apenas evitar ofender Jesus, mas tamb\u00e9m meditar com todas as for\u00e7as do nosso cora\u00e7\u00e3o os mist\u00e9rios divinos da sua paix\u00e3o e segui-lo na penit\u00eancia. Maria mesma disse um dia a Santa Br\u00edgida: filha, se queres fazer-me uma coisa agrad\u00e1vel, ama de cora\u00e7\u00e3o o meu filho Jesus.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Maria \u00e9 ref\u00fagio dos pecadores, por isso tamb\u00e9m n\u00f3s devemos empenhar-nos com conselhos santos, com solicitude, ora\u00e7\u00f5es, bons livros e de outras maneiras para conduzir as almas a Jesus e aumentar os filhos de Maria. Nada est\u00e1 mais no cora\u00e7\u00e3o de Jesus do que a salva\u00e7\u00e3o das almas; por isso Maria, que ama ternamente o seu Filho, n\u00e3o pode receber homenagem mais agrad\u00e1vel do que aquela que se faz ganhando-lhe alguma alma.<\/p>\n<p>Devemos tamb\u00e9m procurar oferecer-lhe em homenagem a vit\u00f3ria de alguma paix\u00e3o. Assim, se algu\u00e9m de natureza col\u00e9rica, frequentemente irrompe em atos de impaci\u00eancia, em impreca\u00e7\u00f5es e blasf\u00eamias, ou se adquiriu o h\u00e1bito de falar obscenamente e com pouco respeito pelas coisas da religi\u00e3o, conv\u00e9m que refreie a sua l\u00edngua para prestar uma homenagem agrad\u00e1vel \u00e0 Virgem. Em suma, \u00e9 preciso que cada um se esforce por fugir do mal e fazer o bem por amor a Maria.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Entre as muitas homenagens que podemos prestar a Maria, est\u00e3o a prepara\u00e7\u00e3o para celebrar devotamente as suas solenidades com tr\u00edduos, novenas e oitavas, segundo o costume, seja nas igrejas p\u00fablicas, seja nas casas particulares. Santa Isabel, rainha de Portugal, jejuava a p\u00e3o e \u00e1gua todos os s\u00e1bados e todas as vig\u00edlias que antecediam as solenidades da Virgem. Outros costumam se confessar e comungar todos os dias festivos, como faziam S\u00e3o Lu\u00eds Gonzaga, Santo Estanislau Kostka e outros. Outros d\u00e3o esmola aos pobres, em sufr\u00e1gio das almas que foram mais devotas de Maria em vida. H\u00e1 tamb\u00e9m alguns devotos de Maria que, em sua honra, assistem frequentemente \u00e0 Santa Missa com a inten\u00e7\u00e3o de agradecer \u00e0 Sant\u00edssima Trindade, que elevou Maria ao mais belo trono do c\u00e9u. Outros reverenciam com culto especial os santos mais pr\u00f3ximos a ela, como S\u00e3o Jos\u00e9, seu sant\u00edssimo esposo, S\u00e3o Joaquim e Santa Ana, seus felic\u00edssimos pais.<\/li>\n<li>Existem ainda pr\u00e1ticas especiais de devo\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o como chamas de fogo que inflamam esta piedosa M\u00e3e de amor por n\u00f3s. Por exemplo, o <em>Angelus <\/em>pela manh\u00e3, ao meio-dia e \u00e0 noite; o Ros\u00e1rio todos os dias ou pelo menos em todos os dias festivos; assistir \u00e0s v\u00e9speras, participar dos exerc\u00edcios de piedade que se fazem aos s\u00e1bados em honra do seu cora\u00e7\u00e3o imaculado. Mas recomendo-vos que todas as noites, antes de vos deitardes, digais tr\u00eas vezes a seguinte jaculat\u00f3ria: \u201cQuerida M\u00e3e Virgem Maria, fazei que eu salve a minha alma\u201d. Lembremo-nos sempre que ser devoto de Maria \u00e9 um dos meios mais seguros para alcan\u00e7ar a vida eterna. Ela mesma nos assegura dizendo: aqueles que s\u00e3o meus devotos ter\u00e3o a vida eterna: <em>qui elucidant me, vitam aeternam habebunt.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exemplo<\/em><\/p>\n<p>Recomendo-vos que nunca deixeis passar um s\u00e1bado sem fazer algo em honra de Maria. Desde os primeiros tempos da Igreja, os crist\u00e3os costumavam praticar alguma devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Santa Virgem no dia de s\u00e1bado. O dia de s\u00e1bado significa descanso, e foi escolhido para aludir ao descanso, ou seja, \u00e0 morada que o Verbo Divino se dignou fazer no seio pur\u00edssimo de Maria. Um dos mais fervorosos propagadores do culto a Maria no s\u00e1bado foi Santo Ildefonso, arcebispo de Toledo. Ele comp\u00f4s alguns c\u00e2nticos em louvor a esta m\u00e3e misericordiosa e, no s\u00e1bado seguinte, ouviu os anjos cant\u00e1-los na igreja, no meio dos quais estava a pr\u00f3pria Virgem Maria. Depois deste fato, o culto do s\u00e1bado se propagou rapidamente por toda a Europa. Desde o s\u00e9culo X, era costume abster-se de carne nesse dia em honra de Maria. Pouco depois, foi composta a ora\u00e7\u00e3o e o of\u00edcio pr\u00f3prio para ser recitado nesse dia. Tanto a ora\u00e7\u00e3o como o of\u00edcio foram aprovados pelo pont\u00edfice Urbano II no conc\u00edlio de Chiaramonti, no ano de 1095. N\u00e3o deixemos passar nenhum s\u00e1bado sem praticar algum ato de virtude em honra de Maria e, se pudermos, fa\u00e7amos a santa comunh\u00e3o ou, pelo menos, vamos ouvir uma missa em sufr\u00e1gio das almas do purgat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Jaculat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Oh, se um dia eu pudesse ver<\/p>\n<p>Todos os cora\u00e7\u00f5es languescer de amor<\/p>\n<p>Por uma rainha t\u00e3o bela e ouvir<\/p>\n<p>Seu nome por toda parte;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De modo que em toda a terra<\/p>\n<p>Ressoasse com doce harmonia:<\/p>\n<p>Viva, viva para sempre Maria,<\/p>\n<p>Viva Deus que tanto a amou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443989\"><\/a><a name=\"_Toc204271404\"><\/a><a name=\"_Toc204271844\"><\/a><strong>Oferta do cora\u00e7\u00e3o a Maria<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para oferecer o cora\u00e7\u00e3o a Maria, escolhe-se o primeiro dia de junho, consagrado ao seu sagrado cora\u00e7\u00e3o, ou tamb\u00e9m outro dia antes ou depois, especialmente se for uma festa solene, como Pentecostes, Corpus Christi ou semelhantes. Para oferecer a si mesmo e todo o m\u00eas, que dedicareis em honra de Maria, no dia anterior \u00e0 santa Confiss\u00e3o, vos disporeis a receber a Sant\u00edssima Comunh\u00e3o com singular fervor e disposi\u00e7\u00e3o de pensamentos piedosos e afetos devotos, ap\u00f3s o que, tendo feito o agradecimento habitual, devereis com fervor:<\/p>\n<ol>\n<li>Oferecer a Maria todas as devo\u00e7\u00f5es que praticastes durante todo o m\u00eas e apresent\u00e1-las como obs\u00e9quio ao seu ador\u00e1vel cora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Venerar agora e ao longo do dia o cora\u00e7\u00e3o de Maria, que, como revelou o Senhor, \u00e9 o objetivo do seu amor e do amor de todos os cora\u00e7\u00f5es depois do amor de Jesus, \u00e9 cheio de toda a gra\u00e7a, \u00e9 aquele cora\u00e7\u00e3o de onde e por onde toda a gra\u00e7a desce sobre n\u00f3s.<\/li>\n<li>Uni o vosso cora\u00e7\u00e3o ao cora\u00e7\u00e3o de todos os santos, especialmente daqueles que nesta vida foram mais devotos de Maria, para assim suprir a imperfei\u00e7\u00e3o do vosso amor.<\/li>\n<li>Pedi \u00e0 Virgem, que aceite para sempre a oferta que fazemos do nosso cora\u00e7\u00e3o, concedendo-nos um dia poder ir prestar-lhe homenagem perfeita no c\u00e9u, como agora a prestamos fracamente na terra.<\/li>\n<li>Nesse dia, recitai as vossas ora\u00e7\u00f5es com mais fervor e devo\u00e7\u00e3o, visitai alguma igreja ou imagem de Maria, dai alguma esmola; enfim, empregai-o da maneira mais santa que puderdes.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Que Jesus e Maria vivam sempre em vosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271845\"><\/a><strong>F\u00f3rmula da oferta do cora\u00e7\u00e3o a Maria<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sant\u00edssima Virgem, M\u00e3e de Deus Maria, eu, N. N., embora pecador indigno, prostrado a vossos p\u00e9s, na presen\u00e7a do Deus Todo-Poderoso e de toda a Corte celeste, apresento-vos e ofere\u00e7o-vos o meu cora\u00e7\u00e3o com todos os seus afetos: consagro-o a v\u00f3s e desejo que seja sempre vosso e do vosso querido Jesus. Aceitai, \u00f3 M\u00e3e benign\u00edssima, deste vosso pobre servo a oferta devota unida ao cora\u00e7\u00e3o de todos os santos, e fazei com que a partir deste momento eu comece e continue a viver no futuro unicamente para v\u00f3s, para o vosso sant\u00edssimo Filho e meu Deus. Com a sua ajuda divina e com a vossa assist\u00eancia amorosa, espero conseguir, e, da minha parte, prometo. Entre os vossos dois cora\u00e7\u00f5es, Jesus e Maria, colocai o meu pobre cora\u00e7\u00e3o, para que se inflame todo do vosso amor pur\u00edssimo, a fim de que, vivendo do vosso belo fogo na terra, arda depois de amor eterno por v\u00f3s l\u00e1 em cima no c\u00e9u, na companhia dos anjos e dos santos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271846\"><\/a><strong>Ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Bernardo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lembrai-vos, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tenha recorrido \u00e0 vossa prote\u00e7\u00e3o, implorado a vossa assist\u00eancia e reclamado o vosso socorro, fosse por v\u00f3s desamparado. Animado eu, pois, de igual confian\u00e7a, a v\u00f3s, \u00f3 Virgem, entre todas singular, como a M\u00e3e recorro, de v\u00f3s me valho, e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos vossos p\u00e9s. N\u00e3o desprezeis as minhas s\u00faplicas, \u00f3 M\u00e3e do Filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir prop\u00edcia e de me alcan\u00e7ar o que Vos rogo. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc204271847\"><\/a><strong>Indulg\u00eancias concedidas pelo Papa Pio IX<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com grande consola\u00e7\u00e3o anunciamos aos nossos leitores que o Santo Padre, o Papa Pio IX, dignou-se conceder a b\u00ean\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica a todos aqueles que, de alguma forma, se empenham na difus\u00e3o das Leituras Cat\u00f3licas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O sacerdote Jo\u00e3o Bosco, no vivo desejo de promover louvores e c\u00e2nticos espirituais em honra de Deus, da Bem-Aventurada Virgem Maria e dos santos, suplicou ao Sumo Pont\u00edfice Pio IX que concedesse as seguintes indulg\u00eancias, \u00e0s quais o Santo Padre benignamente acedeu, assinando o venerado rescrito de seu pr\u00f3prio punho.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Indulg\u00eancia de um ano para quem ensinar gratuitamente o canto das laudes sagradas, praticando-o em p\u00fablico ou em privado pelo menos algumas vezes; outra de cem dias para quem praticar o exerc\u00edcio em orat\u00f3rio p\u00fablico ou privado sempre que for celebrado.<\/li>\n<li>Indulg\u00eancia plen\u00e1ria a ser lucrada no encerramento do m\u00eas mariano por aqueles que, durante o mesmo, se ocuparam de maneira especial em cantar louvores sagrados na igreja e participaram da devo\u00e7\u00e3o do m\u00eas mariano.<\/li>\n<li>Indulg\u00eancia plen\u00e1ria uma vez por m\u00eas para aqueles que, em pelo menos quatro dias festivos ou mesmo feriais, participarem cantando ou ensinando c\u00e2nticos sagrados; e esta indulg\u00eancia ser\u00e1 obtida no dia em que se fizer a Confiss\u00e3o e a Comunh\u00e3o. Para que se possam obter as indulg\u00eancias mencionadas, \u00e9 necess\u00e1rio que os louvores tenham a aprova\u00e7\u00e3o da autoridade eclesi\u00e1stica.<\/li>\n<li>Tais indulg\u00eancias podem ser aplicadas \u00e0s almas dos fi\u00e9is defuntos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Romae apud S. Petrum, die 7 aprilis 1858. [Roma, junto a S\u00e3o Pedro, dia 7 de abril de 1858]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Benigne annuimus iuxta petita [De boa vontade acolhemos o pedido]<\/p>\n<p>PIUS P. P. IX.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228443990\"><\/a><a name=\"_Toc204271405\"><\/a><a name=\"_Toc204271848\"><\/a><strong>Louvor a Maria<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Louvai Maria,<\/p>\n<p>\u00d3 l\u00ednguas fi\u00e9is.<\/p>\n<p>Ressoe nos c\u00e9us<\/p>\n<p>A vossa harmonia.<\/p>\n<p>Louvai, louvai, louvai Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Maria, tu \u00e9s l\u00edrio<\/p>\n<p>De pura candura<\/p>\n<p>Que enamora o cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Do Verbo, teu Filho.<\/p>\n<p>Louvai, louvai, louvai Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De luz divina<\/p>\n<p>Tu \u00e9s a nobre aurora,<\/p>\n<p>O sol te adora.<\/p>\n<p>A lua se inclina.<\/p>\n<p>Louvai, louvai, louvai Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com p\u00e9s poderosos<\/p>\n<p>O chefe inimigo<\/p>\n<p>Tu oprimes a antiga<\/p>\n<p>Serpente maligna.<\/p>\n<p>Louvai, louvai, louvai Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seu seio puro<\/p>\n<p>Deu alimento e abrigo<\/p>\n<p>Ao grande menino<\/p>\n<p>Jesus Nazareno.<\/p>\n<p>Louvai, louvai, louvai Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 reinas feliz<\/p>\n<p>Entre coros angelicais,<\/p>\n<p>Com cantos sonoros<\/p>\n<p>Exaltada por todos.<\/p>\n<p>Louvai, louvai, louvai Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O c\u00e9u te d\u00e1<\/p>\n<p>As gra\u00e7as mais belas,<\/p>\n<p>E um c\u00edrculo de estrelas<\/p>\n<p>Forma tua coroa.<\/p>\n<p>Louvai, louvai, louvai Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00d3 M\u00e3e de Deus,<\/p>\n<p>E m\u00edstica rosa<\/p>\n<p>Socorres piedosa<\/p>\n<p>O meu esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Louvai, louvai, louvai Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Com aprova\u00e7\u00e3o da Revis\u00e3o Eclesi\u00e1stica.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Turim, tip. G. B. Paravia e Compagnia, 1858<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a><em> V. O m\u00eas de maio; G\u00eanova, 1747.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> O Papa Pio IX, gloriosamente reinante, concede a indulg\u00eancia de cem dias cada vez que se recitar esta jaculat\u00f3ria.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> O Papa Pio IX, gloriosamente reinante, concede a indulg\u00eancia de cem dias cada vez que se recita esta jaculat\u00f3ria.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a><em> O Papa Pio IX, gloriosamente reinante, concedeu a indulg\u00eancia de trezentos dias cada vez que se recitar esta ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Bernardo com cora\u00e7\u00e3o contrito, e a indulg\u00eancia plen\u00e1ria a quem a recitar durante um m\u00eas inteiro, a ser lucrada num dia do referido m\u00eas escolhido a crit\u00e9rio pr\u00f3prio.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a><em> O Papa Pio IX , gloriosamente reinante, concede 300 dias de indulg\u00eancia cada vez que se recita esta jaculat\u00f3ria; e quem a recitar todos os dias durante um m\u00eas ganhar\u00e1 indulg\u00eancia plen\u00e1ria no dia em que fizer a sua confiss\u00e3o e a sua comunh\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a><em> O Papa Pio IX, gloriosamente reinante, concede a indulg\u00eancia de 100 dias cada vez que se recitar esta jaculat\u00f3ria, e a indulg\u00eancia plen\u00e1ria a quem a recitar durante um m\u00eas, no dia em que fizer a confiss\u00e3o e a comunh\u00e3o.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1858, S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco publicou \u201cO m\u00eas de maio consagrado a Maria Sant\u00edssima Imaculada&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":53061,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":4,"footnotes":""},"categories":[169],"tags":[1737,2577,2215,1821,1689,2228,2025],"class_list":["post-53075","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-santissima-virgem-maria","tag-catequese","tag-dom-bosco","tag-familia","tag-graca","tag-maria","tag-santos","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53075"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53075\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53076,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53075\/revisions\/53076"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53061"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}