{"id":52937,"date":"2026-04-14T13:07:21","date_gmt":"2026-04-14T13:07:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=52937"},"modified":"2026-04-14T19:12:36","modified_gmt":"2026-04-14T19:12:36","slug":"inacio-stuchly-e-seu-habitus-virtuoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/nossos-santos\/inacio-stuchly-e-seu-habitus-virtuoso\/","title":{"rendered":"In\u00e1cio Stuchl\u00fd e seu \u201chabitus\u201d virtuoso"},"content":{"rendered":"<p><em><i>A hist\u00f3ria do Servo de Deus Ignazio Stuchl\u00fd (1869\u20131953) permite observar, em um contexto hist\u00f3rico complexo, como a santidade salesiana pode tomar forma atrav\u00e9s de um conjunto est\u00e1vel de virtudes vividas no cotidiano. Nascido na Mor\u00e1via, no Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro, formado na f\u00e9 em um ambiente campon\u00eas e marcado por fragilidades f\u00edsicas, Stuchl\u00fd amadurece lentamente sua voca\u00e7\u00e3o, buscando com tenacidade a vontade de Deus entre tentativas, portas fechadas e recome\u00e7os. O encontro com o carisma de Dom Bosco e com Dom Rua orienta definitivamente seu caminho: pobreza concreta, obedi\u00eancia, fortaleza, castidade, esp\u00edrito de sacrif\u00edcio e paternidade educativa tornam-se tra\u00e7os constantes de seu \u201chabitus\u201d virtuoso. Como formador e inspetor, ele atravessar\u00e1 ent\u00e3o guerras e persegui\u00e7\u00f5es, permanecendo um ponto de refer\u00eancia para os coirm\u00e3os e para os jovens.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong><b> Em busca da vontade de Deus<\/b><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O servo de Deus nasceu em Boles\u0142aw, na Mor\u00e1via, em 14 de dezembro de 1869: ele era um s\u00fadito daquela imensa colcha de retalhos de l\u00ednguas, culturas e tradi\u00e7\u00f5es representada na \u00e9poca pelo Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro, o resultado, em sua forma completa, do <em><i>Ausgleich<\/i><\/em> [Equil\u00edbrio &#8211; Acordo] de 1867 entre o Imp\u00e9rio Habsburgo e o Reino da Hungria.<\/p>\n<p>Quarto de dez filhos, ele recebeu uma educa\u00e7\u00e3o simples, mas s\u00f3lida, na f\u00e9 cat\u00f3lica, o que era mais f\u00e1cil na Mor\u00e1via do que na Bo\u00eamia, ent\u00e3o dominada pelo protestantismo e onde um certo anticatolicismo era usado como instrumento para combater a influ\u00eancia dos Habsburgos, que estavam alinhados em defesa do papado.<\/p>\n<p>Ainda crian\u00e7a, In\u00e1cio ajudava os pais no trabalho pesado do campo: eles tinham uma propriedade de tamanho m\u00e9dio e alguns cavalos, o que qualificava os Stuchl\u00fds como abastados:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><\/em><em><i>Eles tamb\u00e9m possu\u00edam alguns cavalos. Na \u00e9poca, eles n\u00e3o eram completamente pobres.<\/i><\/em><\/p>\n<p><em><i>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Era uma casa de camponeses com tudo o que pertencia a ela, como o est\u00e1bulo, a estrebaria, os campos etc. [&#8230;] o servo de Deus pertencia \u00e0 classe m\u00e9dia local.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, essa regi\u00e3o \u2013 localizada na fronteira com a Sil\u00e9sia, uma parte da qual ela incorporou \u2013 era caracterizada pelo dom\u00ednio da agricultura, certa pobreza da popula\u00e7\u00e3o e uma \u00f3bvia orienta\u00e7\u00e3o para a cultura alem\u00e3. Os invernos eram rigorosos. Para assistir \u00e0 missa matinal, In\u00e1cio tinha de caminhar quil\u00f4metros (4 de ida e 4 de volta). Nessas caminhadas, In\u00e1cio rezava, absorto em medita\u00e7\u00e3o contemplativa. \u00c0s vezes, ele conseguia recitar apenas um \u201cPai Nosso\u201d durante toda a caminhada: ele fixava-se numa contempla\u00e7\u00e3o amorosa sobre cada palavra, meditando-a cuidadosamente e muitas vezes se emocionando. Ao fazer isso, sem saber, ele j\u00e1 estava passando da ora\u00e7\u00e3o vocal para a mental, refletindo sobre Aquele a quem estava se dirigindo e aprendendo a reconhec\u00ea-lo como Pai.<\/p>\n<p>Ele frequentou a escola alem\u00e3, onde esse idioma foi acrescentado ao dialeto mor\u00e1vio usado na fam\u00edlia, mas n\u00e3o ao bo\u00eamio: o servo de Deus o aprenderia quando adulto, sem nunca conseguir domin\u00e1-lo perfeitamente. A Mor\u00e1via de Olomouc era administrativamente parte da Sil\u00e9sia, que inclu\u00eda territ\u00f3rios que, nos altos e baixos da hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX, passariam da Alemanha para a Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>Na escola, In\u00e1cio nunca se destacou por nenhum dom intelectual espec\u00edfico, mas era \u00edntegro, sincero e heroicamente perseverante. L\u00e1 ele conheceu Jo\u00e3o Kolibaj, o professor que influenciaria seu crescimento mais do que qualquer outro. Com alma de artista, violinista apaixonado e, acima de tudo, amante da Virgem Maria, Kolibaj ensinava can\u00e7\u00f5es marianas a seus alunos e, cantando-as com eles, muitas vezes se emocionava at\u00e9 as l\u00e1grimas. Ele, um simples leigo, tamb\u00e9m despertava em seus alunos a vontade de ouvir a voz do Senhor que chama: implementou uma pastoral vocacional discreta, mas eficaz, entre eles. Assim como o Vener\u00e1vel Jan Tyranowski com Karol Wojtyla, Jo\u00e3o Kolibaj treinou o ouvido interno do garoto Stuchl\u00fd para captar aquela \u201cvoz do sil\u00eancio sutil\u201d na qual o chamado divino pode ser expresso. Um dia, Kolibaj chegou a lhe perguntar, diretamente, se ele gostaria de se tornar padre. In\u00e1cio, no entanto, surpreso, responde que n\u00e3o. Uma vida como campon\u00eas, junto com seus irm\u00e3os, estava ent\u00e3o reservada para ele. Quando teve de desistir de herdar a fazenda do pai por motivos de sa\u00fade, e outro irm\u00e3o foi preferido, o servo de Deus inicialmente pensou em se tornar alfaiate: uma profiss\u00e3o que exigia pouca energia e parecia adequada \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de fraqueza cr\u00f4nica. Esse projeto, no entanto, desapareceu, por raz\u00f5es imposs\u00edveis de serem reconstru\u00eddas hoje. Ele ent\u00e3o permaneceu na fazenda, um \u201ch\u00f3spede\u201d em uma propriedade que nunca seria dele.<\/p>\n<p>No entanto, sua sa\u00fade melhorou repentinamente quando, aos 16 ou 17 anos, ele visitou um \u201ccurandeiro\u201d em Bohum\u00edn:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>Durante sua inf\u00e2ncia e juventude, ele esteve doente e essa doen\u00e7a parecia incur\u00e1vel. Ent\u00e3o, um curandeiro popular o aconselhou a n\u00e3o comer coisas \u00e1cidas, a tomar leite e a beber muita gordura de peixe. Isso lhe fez muito bem e, assim, ele p\u00f4de ajudar nos campos da fazenda de seu pai. Foi somente mais tarde que ele decidiu estudar.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora esse curandeiro popular tenha curado seu corpo, ele tamb\u00e9m examinou sua alma e realizou uma profecia sobre ele: ele seria curado e se tornaria padre. O sobrinho neto, Jo\u00e3o Miguel Stuchl\u00fd, testemunha:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>Originalmente, ele deveria permanecer como herdeiro da fazenda de seu pai, mas depois, devido \u00e0 sa\u00fade debilitada e quando nenhum rem\u00e9dio ajudava, a heran\u00e7a passou para seu irm\u00e3o Jos\u00e9, meu av\u00f4. Depois de muita procura, In\u00e1cio finalmente encontrou um curandeiro popular em Bohum\u00edn que lhe predisse: \u201cVoc\u00ea se curar\u00e1\u201d e \u201cvoc\u00ea se tornar\u00e1 padre\u201d. Na \u00e9poca, ele tinha cerca de 20 anos de idade.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nem dessa vez, por\u00e9m, Stuchl\u00fd respondeu com um \u201csim!\u201d. Sua voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, al\u00e9m disso, agora parecia j\u00e1 inating\u00edvel: ele havia estudado pouco, n\u00e3o sabia uma palavra de latim, j\u00e1 havia passado da idade em que os jovens entram no semin\u00e1rio e sua fam\u00edlia nunca poderia sustent\u00e1-lo economicamente. Enquanto isso, o trabalho na propriedade o expunha a certos perigos, como quando caiu embaixo do tren\u00f3, puxado pelos cavalos assustados, cujos cascos batiam furiosamente perto de sua cabe\u00e7a: ele pensou que fosse morrer, mas saiu ileso e continuou a gostar de cavalos alegres, assim como ele era alegre e gostava de pessoas otimistas, dispostas e cheias de energia.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m gostava de ir dan\u00e7ar (embora sempre voltasse antes da meia-noite para se preparar para a Eucaristia no dia seguinte). Al\u00e9m disso, sabia aproveitar as coisas boas da vida: caracter\u00edstica que conservaria nos anos seguintes, quando, por exemplo, recomendaria a uma jovem, prestes a ingressar na vida religiosa, que se inscrevesse sem falsos escr\u00fapulos em uma temporada de concertos, para desfrutar \u2013 enquanto pudesse \u2013 de boa m\u00fasica. Bem integrado ao grupo de amigos, o servo de Deus se destacava por sua castidade exemplar: sua atitude, como exemplo para os outros, tornava-se tranquilizadora para os pais que \u2013 nos anos em que a presen\u00e7a simult\u00e2nea de meninos e meninas era muito menos livre do que hoje \u2013 permitiam sem medo que suas filhas se juntassem \u00e0 alegre companhia, se soubessem que In\u00e1cio tamb\u00e9m fazia parte dela.<\/p>\n<p>Ele, portanto, jovem entre os jovens, j\u00e1 se assemelhava ao que o Senhor mais tarde lhe pediria para ser por voca\u00e7\u00e3o: jovem para os jovens, entre os quais ele d\u00e1 testemunho de um dom precoce de paternidade espiritual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong><b> A grande escolha: entre os salesianos de Dom Bosco<\/b><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Ent\u00e3o, um dia, chegou o grande momento decisivo. Ele estava ocupado trabalhando no campo. De repente, ouve um canto que vem do cemit\u00e9rio vizinho: \u00e9 um padre que, no final do funeral, entoou a <em><i>Salve Regina<\/i><\/em>: outro canto mariano, como os que Jo\u00e3o Kolibaj lhe havia ensinado. Naquele dia, o servo de Deus ficou profundamente comovido, quase atordoado, diria mais tarde, com a beleza de ser padre para poder entoar o canto a Nossa Senhora: a partir de ent\u00e3o, desejaria, com toda determina\u00e7\u00e3o, tornar-se padre para \u201cpoder entoar tamb\u00e9m aquele canto\u201d; ser padre, portanto, para cantar a Maria. A <em><i>Salve Regina<\/i><\/em> havia ficado t\u00e3o marcada nele que continuava a ressoar em seu interior. Os est\u00e1gios de discernimento de sua voca\u00e7\u00e3o e, depois, sua pr\u00f3pria vida \u2013 marcada pelo cansa\u00e7o e pelo sofrimento \u2013 tamb\u00e9m fariam do pr\u00f3prio In\u00e1cio quase um \u00edcone da ora\u00e7\u00e3o dirigida \u00e0 Rainha do C\u00e9u, a M\u00e3e da miseric\u00f3rdia que vem em aux\u00edlio de seus filhos na prova\u00e7\u00e3o, no ex\u00edlio, no vale de l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>Assim, quando pouco tempo depois \u2013 talvez tamb\u00e9m observando sua condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica recuperada \u2013 seu pai se mostrava disposto a lhe dar um campo e o exorta a encontrar uma boa jovem com quem formar uma fam\u00edlia, In\u00e1cio rejeita a proposta: ele declara sua voca\u00e7\u00e3o a seus pais e eles n\u00e3o op\u00f5em resist\u00eancia. O servo de Deus, a quem antes havia sido recusado aquilo a que poderia ter direito (a heran\u00e7a da propriedade), agora renuncia livremente ao que antes desejava e que agora lhe poderia ser concedido. Sua voca\u00e7\u00e3o, portanto, n\u00e3o tinha sido uma escolha residual, quase uma reorienta\u00e7\u00e3o depois de ter visto outros caminhos como intranspon\u00edveis, mas uma voca\u00e7\u00e3o verdadeira, aceita ao pronunciar alguns \u201cn\u00e3os\u201d e \u2013 evangelicamente \u2013 renunciar a todos os seus bens para adquirir a \u201cp\u00e9rola preciosa\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, ele tem vinte anos de idade e ningu\u00e9m est\u00e1 disposto a aceit\u00e1-lo. Quando o p\u00e1roco fica sabendo de sua ideia de se tornar padre, se p\u00f5e a rir e o aconselha a esquecer o assunto, a ser razo\u00e1vel e a voltar para o campo. Naquela \u00e9poca, o servo de Deus era um rapaz alto, franzino e de rosto aberto, com olhos azuis brilhantes e cabelos ruivos revoltos. Ele \u00e9 ouvido pelo vig\u00e1rio paroquial, que o incentiva a n\u00e3o desanimar e a ter f\u00e9. Ele ent\u00e3o lhe conta sobre o padre Angel Lubojack\u00fd, um prior dominicano que estava meditando sobre \u201cfundar uma nova congrega\u00e7\u00e3o \u00e0 maneira de Dom Bosco\u201d, comprometida com a reconcilia\u00e7\u00e3o com a Igreja Ortodoxa. Ele estava procurando jovens aspirantes, e In\u00e1cio, que n\u00e3o conhecia muito bem a din\u00e2mica da Igreja, aceitou. Ele partiu com um amigo: era a \u00e9poca da colheita do trigo e eles \u2013 como Sim\u00e3o e Andr\u00e9, Jo\u00e3o e Tiago ao deixarem as redes \u2013 deixaram as foices da colheita para seguir Jesus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Grandes dificuldades o aguardavam imediatamente: ele teve que se esfor\u00e7ar com a gram\u00e1tica tcheca e latina. O esfor\u00e7o foi tanto que ele pensou em desistir. No entanto, n\u00e3o se deu por vencido e ele mesmo, que gostava de cavalos velozes, aprendeu durante esses meses a dif\u00edcil arte do \u201ccavalo de tra\u00e7\u00e3o\u201d (ao qual In\u00e1cio foi comparado por um amigo!): que avan\u00e7ava lentamente sob a carga, sem desanimar. Al\u00e9m disso, a obra era muito pobre, for\u00e7ada a mudar de local com frequ\u00eancia: ele tentou criar ra\u00edzes, em meio a mil incertezas. Assim, o servo de Deus come\u00e7ou a treinar duas virtudes que mais tarde caracterizariam seu perfil espiritual: a fortaleza e a pobreza.<\/p>\n<p>Nesse meio tempo, a ordem dominicana come\u00e7ou a considerar com crescente ceticismo o P. \u00c1ngel, um prior que queria se tornar fundador, mas prosseguiu sem o apoio dos seus, nem com uma verdadeira harmonia com a Prov\u00edncia dominicana. Entretanto, Deus, que tamb\u00e9m sabe como tirar o bem do mal, ajuda In\u00e1cio Stuchl\u00fd nesse meio tempo. De fato, ele o faz encontrar o padre Anton\u00edn Cyril Stojan, j\u00e1 ent\u00e3o um santo sacerdote (mais tarde arcebispo de Olomouc, a partir de 1921; hoje vener\u00e1vel servo de Deus). Ele lhe falou sobre Dom Bosco, de quem era grande admirador (ainda n\u00e3o havia salesianos na Bo\u00eamia e na Mor\u00e1via, mas estavam come\u00e7ando a ser traduzidos livros sobre o Santo dos jovens). Stojan associou Stuchl\u00fd \u00e0s visitas \u00e0s fam\u00edlias: assim, ele p\u00f4de se familiarizar com os trabalhos e as belezas do minist\u00e9rio pastoral e se tornar um conhecedor de almas.<\/p>\n<p>Embora ainda acreditasse que seu futuro seria nessa nova congrega\u00e7\u00e3o de estilo dominicano, ele come\u00e7ou a se dedicar \u00e0 pr\u00e1tica pastoral e salesiana: n\u00e3o sabia, por\u00e9m, que essa era sua verdadeira voca\u00e7\u00e3o. Por causa de suas virtudes, ele tamb\u00e9m era considerado extraoficialmente o \u201cprefeito\u201d [ec\u00f4nomo] daquela pequena comunidade de aspirantes: esse tamb\u00e9m era um papel que ele \u2013 um futuro salesiano \u2013 ocuparia em v\u00e1rias ocasi\u00f5es durante grande parte de sua vida.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, de repente, as esperan\u00e7as do servo de Deus parecem desmoronar. Dificuldades financeiras, a demora na concess\u00e3o de certas autoriza\u00e7\u00f5es de Viena e, sobretudo, a oposi\u00e7\u00e3o do bispo, levam ao s\u00fabito fracasso dos planos do P. \u00c1ngel, que, nesse meio tempo, havia deixado os dominicanos. O P. \u00c1ngel sofre um rev\u00e9s ps\u00edquico: ele \u00e9 encontrado vagando perdido pelas ruas e \u2013 j\u00e1 afastado de sua ordem \u2013 \u00e9 aceito no clero diocesano. Os jovens se dispersam. O servo de Deus, aos 24\/25 anos de idade, parece ter a \u00fanica perspectiva de voltar para casa. No entanto, ele havia aprendido latim e conhecido Dom Bosco. Ele n\u00e3o desistiu e embarcou em uma dolorosa peregrina\u00e7\u00e3o em busca de sua voca\u00e7\u00e3o. Foram meses dif\u00edceis, nos quais ele bateu em muitas portas, mas sempre foi rejeitado. At\u00e9 mesmo fracassou uma tentativa com os jesu\u00edtas, que num primeiro momento pareciam dispostos a aceit\u00e1-lo, embora talvez como um irm\u00e3o n\u00e3o presb\u00edtero, e com a condi\u00e7\u00e3o de que ele se colocasse \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para as miss\u00f5es.<\/p>\n<p>O que desencadeou esse discernimento \u2013 que foi particularmente doloroso \u2013 foi um encontro com um padre, talvez seu antigo confessor. Ele lhe disse: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o ir\u00e1 para os jesu\u00edtas, mas para os salesianos. V\u00e1 para casa e espere\u201d. Apenas tr\u00eas dias depois, o servo de Deus tinha em suas m\u00e3os um telegrama do P. Rua \u2013 o primeiro sucessor de Dom Bosco \u2013 convocando-o para ir a Turim. Assim, In\u00e1cio Stuchl\u00fd arrumou apressadamente seus poucos pertences e partiu. Ele se despediu de sua fam\u00edlia como se nunca mais fosse v\u00ea-los: naquela \u00e9poca, partir para a It\u00e1lia era o equivalente a ir como mission\u00e1rio para um pa\u00eds distante. Ele nem mesmo conhece o idioma, mas deixa tudo, confia em tudo e parte. Ele se junta ao grupo dos \u201cFilhos de Maria\u201d, como os salesianos os chamavam, isto \u00e9, as voca\u00e7\u00f5es adultas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong><b> Na fonte do carisma salesiano<\/b><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Em Turim, o primeiro encontro com o Reitor-Mor aconteceu em latim: eles se entenderam maravilhosamente, superando o obst\u00e1culo representado pelo fato de que um n\u00e3o conhecia a l\u00edngua mor\u00e1via e o outro o italiano. O P. Rua era tamb\u00e9m um sacerdote com o dom de ler os cora\u00e7\u00f5es e sabia compreender as pessoas \u00e0 luz do projeto de Deus para elas: dele, portanto, viriam as op\u00e7\u00f5es decisivas na vida do salesiano In\u00e1cio.<\/p>\n<p>As primeiras etapas da forma\u00e7\u00e3o do Servo de Deus foram Turim-Valsalice e Ivrea. Valsalice, em particular, tornou-se para ele uma escola de forma\u00e7\u00e3o entendida como escola de santidade. A santidade de muitos florescia aqui na \u00e9poca, como o P. Lu\u00eds Variara (beato), o Pr\u00edncipe P. Augusto Czartoryski (beato) e especialmente o P. Andr\u00e9 Beltrami (vener\u00e1vel). In\u00e1cio, portanto, cresceu nesse clima, fortemente orientado para a obla\u00e7\u00e3o da vida e a generosa doa\u00e7\u00e3o de si mesmo. O lema do P. Andr\u00e9 Beltrami (acometido pela tuberculose, que o levaria \u00e0 morte em 1897) \u2013 \u201cnem viver nem morrer, mas padecer e sofrer\u201d \u2013 educa In\u00e1cio Stuchl\u00fd na espiritualidade vitimal e reparadora. Ao fazer isso, ele aprende a aplicar a totalidade do lema \u201c<em><i>da mihi animas, caetera tolle<\/i><\/em>\u201d desde os primeiros meses da forma\u00e7\u00e3o salesiana: de fato, \u00e9 o <em><i>caetera tolle<\/i><\/em> que d\u00e1 credibilidade ao \u201c<em><i>da mihi animas<\/i><\/em>\u201d. Ele tamb\u00e9m se beneficiava da proximidade quase di\u00e1ria com os superiores maiores e de compartilhar a vida com a primeira gera\u00e7\u00e3o de salesianos: aqueles formados por Dom Bosco, cujos restos mortais repousavam em Valsalice, num contexto de grande proposta vocacional e de exorta\u00e7\u00e3o expl\u00edcita a se tornarem santos.<\/p>\n<p>Transferido para Ivrea, ali recebeu forma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria: de fato, seus superiores cogitavam lev\u00e1-lo a partir e depois lhe pedem \u2013 tamb\u00e9m para aproveitar ao m\u00e1ximo sua experi\u00eancia de agricultor \u2013 que se formasse em Agronomia. Nesse meio tempo, ele se tornou um frequentador ass\u00edduo do P. Rua, que lhe pediu para acompanh\u00e1-lo na recita\u00e7\u00e3o do ros\u00e1rio \u00e0 noite: e um dia In\u00e1cio Stuchl\u00fd deu ao P. Rua o seu pr\u00f3prio colarinho para substituir o dele, j\u00e1 desgastado pelo uso. Mais tarde, quando o P. Rua soube que In\u00e1cio estava destinado \u00e0s miss\u00f5es, ordenou que ele retirasse seu pedido. \u201cSua miss\u00e3o \u00e9 no Norte\u201d, ele sentencia. In\u00e1cio acredita nisso, apresenta-se ao P. J\u00falio Barberis, conta-lhe a conversa e fica \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o, sem saber qual seria a sua obedi\u00eancia posterior.<\/p>\n<p>O P. Rua tamb\u00e9m o ajudou em um momento de cansa\u00e7o, quando, no final do noviciado, foi assaltado pela d\u00favida de n\u00e3o poder perseverar na voca\u00e7\u00e3o: o medo era t\u00e3o grande que ele chegava a suar durante a medita\u00e7\u00e3o. Pediram-lhe, ent\u00e3o, que fizesse imediatamente a profiss\u00e3o perp\u00e9tua: ele confiou e a tenta\u00e7\u00e3o desapareceu, trazendo-o de volta \u00e0 sua paz e alegria habituais, que nunca mais o abandonariam. Ali estava uma prova de humildade e obedi\u00eancia \u2013 outras virtudes reconhecidas como t\u00edpicas de Stuchl\u00fd nos anos seguintes.<\/p>\n<p>Agora, com a profiss\u00e3o perp\u00e9tua, o servo de Deus poderia iniciar o caminho para o sacerd\u00f3cio, com o estudo da teologia. Nesse meio tempo, seus superiores o enviaram a Gorizia, ent\u00e3o uma cidade dos Habsburgos, onde os salesianos tinham a seu cargo o internato S\u00e3o Lu\u00eds para a forma\u00e7\u00e3o de voca\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas, em uma diocese carente de sacerdotes. Sobrecarregado de compromissos, respons\u00e1vel pelo aspecto econ\u00f4mico e \u2013 embora ainda n\u00e3o fosse sacerdote no in\u00edcio \u2013 excepcionalmente j\u00e1 prefeito da casa, o servo de Deus naqueles anos (1897) se fez servo de todos. Mas, infelizmente, ele n\u00e3o consegue acompanhar os exames. Os superiores precisam de sua ajuda e se esquecem de lhe dar tempo para estudar, um pr\u00e9-requisito para a ordena\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o pede nada e obedece com alegria. Vice-diretor e respons\u00e1vel pelo progresso moral da obra salesiana em Gorizia, professor, atento aos problemas pr\u00e1ticos e econ\u00f4micos da casa, capaz de se relacionar com o mundo leigo e com os benfeitores&#8230;: mais uma vez, no final, o P. Rua interv\u00e9m providencialmente, exigindo que a sua situa\u00e7\u00e3o seja regularizada.<\/p>\n<p>In\u00e1cio Stuchl\u00fd foi ordenado di\u00e1cono em 22 de setembro de 1900 e sacerdote em 3 de novembro de 1901. Ele nem sequer havia feito os exerc\u00edcios preparat\u00f3rios. A cerim\u00f4nia de ordena\u00e7\u00e3o, muito simples, foi realizada na capela particular do ent\u00e3o arcebispo de Gorizia, Card. Jac\u00f3 Missia. Depois, nenhuma festa: um dia de aula como os outros, apenas um almo\u00e7o um pouco mais farto. Permaneceu ent\u00e3o na casa salesiana, empenhado em seus deveres habituais, sempre sobrecarregado e esquecido de si mesmo.<\/p>\n<p>Essas responsabilidades na casa salesiana, por\u00e9m, n\u00e3o o afastam do contato com o povo, entre o qual sabe despertar uma coopera\u00e7\u00e3o qualificada: nem, sobretudo, da vida da diocese. De fato, enquanto o internato de S\u00e3o Lu\u00eds se dedicava \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos futuros sacerdotes, o pr\u00f3prio cardeal Missia obteve do diretor salesiano de Gorizia, o P. Jo\u00e3o Scaparone, que o rec\u00e9m-ordenado Stuchl\u00fd o acompanhasse na consagra\u00e7\u00e3o de par\u00f3quias e comunidades religiosas ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o. Essa devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m era fortemente sentida pelos salesianos na \u00e9poca, ajudou o servo de Deus a se formar cada vez mais como um verdadeiro sacerdote de Cristo. Al\u00e9m disso, o trabalho com o Arcebispo lhe d\u00e1 a oportunidade de conhecer a realidade da diocese, em \u201ccontato direto\u201d com sua concretude, suas esperan\u00e7as e seus problemas. Mais uma vez, ele \u00e9 formado como um homem de escuta e di\u00e1logo, um verdadeiro pastor de almas. Confessor h\u00e1 pouco tempo, ele v\u00ea muitas pessoas se dirigindo a ele. Seus cabelos, j\u00e1 brancos, ajudam a espalhar a fama de ser um confessor experiente e s\u00e1bio. Mas ele realmente o \u00e9: e permaneceria assim at\u00e9 o fim de sua vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong><b> Na linha da frente da miss\u00e3o<\/b><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Ent\u00e3o, depois dos 13 anos em Gorizia, que ele sempre recordaria como o per\u00edodo mais bonito de sua juventude salesiana, houve uma nova obedi\u00eancia: o P. Stuchl\u00fd foi enviado para Liubliana, na Eslov\u00eania. Aqui, a obra salesiana \u2013 que havia surgido h\u00e1 alguns anos no sub\u00farbio de Rakovnik (um sub\u00farbio da capital, \u00e0s margens da colina Golovec, perto das colinas e dos bosques pelos quais se pode chegar a Zagreb a p\u00e9) \u2013 estava em grave crise econ\u00f4mica, quase \u00e0 beira da fal\u00eancia. A constru\u00e7\u00e3o da igreja \u2013 a ser dedicada a Maria Auxiliadora \u2013 estava parada h\u00e1 anos, e o canteiro de obras, ainda aberto, a expunha \u00e0s intemp\u00e9ries e ao desgaste. Era necess\u00e1rio um homem pr\u00e1tico, com pulso firme, capaz \u2013 naqueles tempos de frequentes greves de constru\u00e7\u00e3o, crises empresariais e tifo \u2013 de motivar as pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O P. Pedro Tirone (que havia conhecido o servo de Deus durante sua forma\u00e7\u00e3o em Ivrea, causando uma \u00f3tima impress\u00e3o) lembrou-se dele. Ele era sacerdote havia pouco tempo, mas era um homem de 41 anos na plenitude da maturidade e experiente nas coisas da vida. Gra\u00e7as \u00e0s suas origens eslavas, tamb\u00e9m n\u00e3o teria sido muito dif\u00edcil para ele aprender esloveno.<\/p>\n<p>Ele chegou em 1910 a uma casa salesiana onde estavam sendo planejados um orat\u00f3rio, um internato e, mais tarde, escolas profissionalizantes. O primeiro trabalho, atribu\u00eddo pelo Estado aos salesianos e quase imposto a eles, consistia, por\u00e9m, em garantir a conclus\u00e3o do primeiro ciclo escolar aos meninos problem\u00e1ticos, vindos do reformat\u00f3rio ou da pris\u00e3o. Os salesianos tinham come\u00e7ado, portanto, na Eslov\u00eania, da mesma forma que Dom Bosco, enviado \u00e0s pris\u00f5es e entre os \u00faltimos, e capaz de fazer florescer a esperan\u00e7a entre eles, aplicando o \u201cSistema Preventivo\u201d em vez do \u201csistema repressivo\u201d. Os salesianos dar\u00e3o confian\u00e7a, empenhando-se em todo um trabalho de recupera\u00e7\u00e3o humana, espiritual e social que ser\u00e1 coroado de \u00eaxito. Alguns anos depois, eles formar\u00e3o turmas mistas, com alguns meninos problem\u00e1ticos e outros de provenientes de uma experi\u00eancia mais sadia. Uns ajudar\u00e3o os outros, e o sucesso da experi\u00eancia contribuir\u00e1 para a aceita\u00e7\u00e3o e a estima dos salesianos na Eslov\u00eania.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Rakovnik, enquanto isso, o servo de Deus deve cuidar do desenvolvimento da casa e do bom andamento das rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias. Ele tamb\u00e9m passava muito tempo entre as pessoas, a quem corresponsabilizava, atraindo-as para o carisma de Dom Bosco e tecendo assim uma densa rede de caridade. O P. Stuchl\u00fd tinha de alimentar 200 pessoas diariamente. Sempre havia escassez de dinheiro e ele assumia in\u00fameros trabalhos: reservava para si alguns peda\u00e7os de p\u00e3o preto e ia mendigar, expondo-se \u00e0s humilha\u00e7\u00f5es que \u00e0s vezes recebia. Mas havia tamb\u00e9m aqueles que o ajudavam: como a jovem que deu aos salesianos todo o seu dote com as palavras: \u201cIsto \u00e9 para Nossa Senhora!\u201d: naquela \u00e9poca, dar o dote era, de certa forma, dar o futuro e a vida, porque isso dificultava muito o casamento. O servo de Deus, portanto, se lembrava e sempre lembrava aos seus coirm\u00e3os que, assim como o dinheiro dos salesianos pertencia aos pobres, que eram os verdadeiros donos, tamb\u00e9m aos benfeitores era preciso ser gratos, fazendo um uso exato e reto daquilo que eles disponibilizavam. Era um homem de sacrif\u00edcio, do qual irradiava uma confian\u00e7a absoluta na Divina Provid\u00eancia.<\/p>\n<p>Ele foi transferido por um curto per\u00edodo (1919-1921) para a casa em Verzej, onde come\u00e7ou novamente com apenas uma panela para comer e se lavar, em extrema pobreza; e depois voltou para Liubliana. Aqui, em 8 de setembro de 1924, finalmente aconteceu a solene consagra\u00e7\u00e3o do Santu\u00e1rio mariano dedicado a Maria Auxiliadora. Tamb\u00e9m chegou para a ocasi\u00e3o o Card. Jo\u00e3o Cagliero, um dos \u201cmeninos\u201d de Dom Bosco. \u00c0 noite, ele p\u00f4de conversar longamente com o servo de Deus, que se lembraria daquele momento pelo resto de sua vida, agradecido e comovido pela familiaridade paterna com que Cagliero o havia acolhido.<\/p>\n<p>Naquele m\u00eas de setembro, quando chegou ao fim o trabalho exaustivo que o havia ocupado na capital eslovena durante quase 15 anos, o servo de Deus talvez pudesse, pelo menos por um momento, fazer uma pausa: os irm\u00e3os se deram conta, de repente, do quanto ele havia envelhecido sob o peso das preocupa\u00e7\u00f5es e do cansa\u00e7o. Seu sorriso, no entanto, era sempre t\u00e3o brilhante quanto o de uma crian\u00e7a; sua vontade, t\u00e3o forte como sempre; sua energia interior, que o ajudava a suportar a fadiga f\u00edsica e mental, t\u00e3o indom\u00e1vel como sempre. No mesmo dia da consagra\u00e7\u00e3o do santu\u00e1rio, foi destinado a um orat\u00f3rio n\u00e3o muito distante: acreditou por um momento que poderia levar uma vida salesiana normal, mas esse n\u00e3o seria o seu verdadeiro destino. De fato, teve que retornar \u00e0 It\u00e1lia em 1925.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong><b> O \u201cvelhinho\u201d sempre jovem<\/b><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Aqui, em Perosa Argentina, no Piemonte, estava sendo constru\u00edda uma casa para a forma\u00e7\u00e3o das primeiras voca\u00e7\u00f5es salesianas bo\u00eamias e mor\u00e1vias. Por dois anos, at\u00e9 1927, foi vice-diretor de uma comunidade t\u00e3o promissora quanto problem\u00e1tica, e particularmente heterog\u00eanea: ali tamb\u00e9m realizou um discernimento vocacional nada f\u00e1cil, afastando discretamente pessoas sem verdadeiras motiva\u00e7\u00f5es sobrenaturais e, ao contr\u00e1rio, ajudando os jovens dispostos a se adaptarem a um contexto \u2013 italiano e n\u00e3o tcheco, religioso e n\u00e3o mais leigo \u2013 t\u00e3o diferente daquele de onde vinham. Era preciso calma, prud\u00eancia, justi\u00e7a e muita caridade: o servo de Deus, um homem de escuta e de governo, as possu\u00eda. Os jovens esperavam um jovem \u201csalvador\u201d, h\u00e1bil em tudo, forte: eles se viram diante de um \u201cvelhinho\u201d que falava um bo\u00eamio mal pronunciado: mas essa foi apenas a primeira impress\u00e3o; quando o conheceram, descobriram suas virtudes e sua paternidade radiante. O ceticismo inicial se transformou em confian\u00e7a: a apar\u00eancia alegre, o olhar amoroso e o sorriso est\u00e1vel do servo de Deus abriram e conquistaram cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O P. Old\u0159ich Med, mais tarde o primeiro bi\u00f3grafo do servo de Deus, especifica: \u201cA decep\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a desaparecer lentamente e foi substitu\u00edda pela confian\u00e7a [&#8230;]. Sua alegria e confian\u00e7a se espalharam por n\u00f3s. Essa pessoa que nunca se ofendia quando era provocado por sua l\u00edngua tcheca, que se interessava por cada um de n\u00f3s como um verdadeiro pai e [&#8230;] estava sempre conosco, isso nos conquistou\u201d. Ele incutia esperan\u00e7a naqueles jovens de que a estada em Perosa Argentina n\u00e3o era um tempo perdido. Em pouco tempo, o P. Stuchl\u00fd entrou em seus cora\u00e7\u00f5es e mudou suas vidas: muitos tiveram um excelente sucesso salesiano. Ent\u00e3o, em 1927, os superiores decidiram come\u00e7ar em Fryst\u00e1k. Cabia a ele transplantar a obra para sua terra natal. Nesse meio tempo, foram-lhe atribu\u00eddas responsabilidades cada vez maiores e, em 1935, tornou-se inspetor: primeiro da Inspetoria da Tchecoslov\u00e1quia; depois, a partir de 1939, da Inspetoria Tcheca intitulada a \u201cS\u00e3o Jo\u00e3o Bosco\u201d e j\u00e1 separada da Inspetoria Eslovaca \u201cMaria Auxiliadora\u201d. Os salesianos tamb\u00e9m foram chamados a essas terras para estancar a sa\u00edda de sacerdotes (cerca de 200) e fi\u00e9is (cerca de meio milh\u00e3o) da Igreja Cat\u00f3lica para a Igreja Ortodoxa ou para a rec\u00e9m-fundada Igreja Nacional. Foi um per\u00edodo de grande expans\u00e3o do trabalho salesiano na Rep\u00fablica Tcheca e Stuchl\u00fd, como inspetor, sempre em contato com os superiores em Turim, p\u00f4de formar essa primeira gera\u00e7\u00e3o \u2013 muito jovem e inexperiente \u2013 de salesianos tchecos na perfeita observ\u00e2ncia dos votos religiosos e do carisma de Dom Bosco.<\/p>\n<p>No entanto, quando cinco jovens religiosos pediram concess\u00f5es contr\u00e1rias ao voto de pobreza, e um deles ajudou a espalhar uma cal\u00fania infame sobre o padre italiano Jos\u00e9 Coggiola, Stuchl\u00fd agiu com firmeza. Ele se dirigiu a Turim e foi o ent\u00e3o catequista geral, P. Pedro Tirone, que conduziu uma investiga\u00e7\u00e3o, t\u00e3o r\u00e1pida quanto decisiva, que logo levou \u00e0 demiss\u00e3o da pessoa respons\u00e1vel e \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o total do P. Coggiola. Ele, como confessor da casa, n\u00e3o podia se defender e sua \u00fanica culpa \u2013 ser italiano \u2013 consistia em representar, aos olhos dos religiosos rebeldes, um exemplo da \u201citalianiza\u00e7\u00e3o\u201d que eles consideravam restritiva na aplica\u00e7\u00e3o das <em><i>Constitui\u00e7\u00f5es<\/i><\/em> e dos <em><i>Regulamentos<\/i><\/em>.<\/p>\n<p>A Segunda Guerra Mundial \u2013 com a requisi\u00e7\u00e3o de casas e a dispers\u00e3o dos irm\u00e3os \u2013 e a imin\u00eancia do totalitarismo comunista, no entanto, marcaram dolorosamente os \u00faltimos anos da vida do Servo de Deus. Atingido por uma apoplexia no m\u00eas anterior \u00e0 \u201cNoite B\u00e1rbara\u201d (abril de 1951), na qual todos os religiosos da Tchecoslov\u00e1quia foram expulsos de suas casas e confinados, ele viveu primeiro em um asilo de idosos em Zl\u00edn e depois em um asilo em Lukov. A profecia que ele mesmo havia feito, para incredulidade geral, quando \u2013 no auge do trabalho salesiano em sua terra natal \u2013 disse que em seus \u00faltimos anos teria sorte se alguma mulher lhe desse um pouco de p\u00e3o e leite fermentado, porque morreria sozinho e longe de todos. Ele foi cuidado por algumas freiras, elas pr\u00f3prias controladas pelo regime comunista.<\/p>\n<p>No entanto, sua vida, mesmo nessas circunst\u00e2ncias dif\u00edceis, floresceu em paz, alegria e bem para muitos que o conheceram. Ele faleceu pacificamente na noite de 17 de janeiro de 1953 e, em seu funeral, em 22 de janeiro, foi comparado a um novo S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney. Hoje ele \u00e9 lembrado como o \u201cDom Bosco bo\u00eamio\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do Servo de Deus Ignazio Stuchl\u00fd (1869\u20131953) permite observar, em um contexto hist\u00f3rico&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":52917,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":4,"footnotes":""},"categories":[167],"tags":[2561,1821,2226,2228,2619,2025],"class_list":["post-52937","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nossos-santos","tag-carisma-salesiano","tag-graca","tag-salesianos","tag-santos","tag-testemunhos","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52937","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52937"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52937\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52938,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52937\/revisions\/52938"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52917"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}