{"id":52800,"date":"2026-04-09T06:53:51","date_gmt":"2026-04-09T06:53:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=52800"},"modified":"2026-04-09T06:54:28","modified_gmt":"2026-04-09T06:54:28","slug":"um-forcado-prodigioso-1875","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/sonhos-de-dom-bosco\/um-forcado-prodigioso-1875\/","title":{"rendered":"Um forcado prodigioso (1875)"},"content":{"rendered":"<p><em>No sonho narrado por Dom Bosco na noite de 25 de abril de 1875, a dimens\u00e3o on\u00edrica se transforma em catequese viva e representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da luta espiritual dos jovens. Ambientado em um vasto vale, o relato entrela\u00e7a figuras amigas \u2013 Buzzetti, Gastini e os outros salesianos \u2013 a imagens poderosas: o cavalo da confian\u00e7a em Deus, o garfo de duas pontas da Confiss\u00e3o e Comunh\u00e3o, as feras das tenta\u00e7\u00f5es, o manto protetor de Maria. Em uma linguagem vibrante, Dom Bosco mostra como o caminho para a salva\u00e7\u00e3o atravessa armadilhas, quedas e escolhas corajosas, mas como o jovem possui a \u201carma\u201d para resistir. Essa vis\u00e3o, retomada nas \u201cboas noites\u201d de maio e junho, torna-se um convite \u00e0 sinceridade, \u00e0 confian\u00e7a nos superiores e \u00e0 perseveran\u00e7a na gra\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aqui estou cumprindo minha promessa. Voc\u00eas sabem que os sonhos s\u00e3o feitos enquanto se dorme. Aproximando-se, portanto, o tempo dos exerc\u00edcios espirituais, eu pensava no modo como os meus jovens iriam faz\u00ea-los e o que eu deveria sugerir-lhes a fim de obterem frutos. Na noite de domingo, 25 de abril, v\u00e9spera dos exerc\u00edcios, fui dormir com esse pensamento. Assim que me deitei, adormeci e pareceu-me que estava sozinho num vale muito extenso: deste e daquele lado havia uma alta colina. No fundo do vale, de um lado, o terreno se erguia e ali brilhava uma luz clara; do outro lado, o horizonte estava na semiescurid\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto contemplava essa plan\u00edcie, vi Buzzetti, vindo em minha dire\u00e7\u00e3o, com Gastini, que me disseram: \u2013 Dom Bosco, monte a cavalo; logo, logo!<\/p>\n<p>E eu: \u2013 Voc\u00eas querem brincar comigo: voc\u00eas sabem que eu n\u00e3o ando a cavalo h\u00e1 muito tempo! \u2013 Os dois jovens insistiam; mas eu me esquivava respondendo: \u2013 Eu n\u00e3o quero andar a cavalo, fui uma vez e ca\u00ed. \u2013 Buzzetti e Gastini, sempre com maior preocupa\u00e7\u00e3o, me apressavam dizendo:<\/p>\n<p>\u2013 Suba no cavalo, e logo, porque n\u00e3o temos tempo a perder.<\/p>\n<p>\u2013 Mas afinal, quando estiver a cavalo, aonde voc\u00eas querem me levar?<\/p>\n<p>\u2013 O senhor vai ver, depressa, monte.<\/p>\n<p>\u2013 Mas onde est\u00e1 esse cavalo? Eu n\u00e3o vejo nenhum por aqui.<\/p>\n<p>\u2013 Ei-lo l\u00e1! \u2013 gritou Gastini, apontando para um lado daquele vale. Eu me virei e na verdade vi um cavalo muito bonito e brioso. Suas pernas eram altas e grossas, sua crina espessa e seu pelo muito brilhante.<\/p>\n<p>\u2013 Est\u00e1 bem, respondi, como voc\u00eas querem que eu monte, eu vou montar; mas olhem bem que se me fizerem cair&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 Fique tranquilo, responderam eles; n\u00f3s estamos com o senhor prontos para toda eventualidade.<\/p>\n<p>\u2013 E se eu quebrar o pesco\u00e7o, eu disse a Buzzetti, voc\u00ea ter\u00e1 que coloc\u00e1-lo no lugar.<\/p>\n<p>Buzzetti se p\u00f4s a rir. \u2014 N\u00e3o \u00e9 hora de rir! \u2014 resmungou Gastini. Ent\u00e3o nos aproximamos do cavalo. Eu subi na garupa com muito esfor\u00e7o, enquanto eles me ajudavam: mas, finalmente, eis-me montado. Como parecia-me alto, ent\u00e3o, aquele cavalo! Dava-me a impress\u00e3o de me encontrar em uma colina alta, da qual eu dominava todo o vale at\u00e9 suas \u00faltimas extremidades.<\/p>\n<p>Eis que o meu cavalo come\u00e7a a se mover e, coisa estranha: parecia-me estar no meu quarto e me perguntei: \u2013 Onde estamos? \u2013 E vi entrar, para me encontrar, sacerdotes, cl\u00e9rigos e outras pessoas todos assustados, todos aflitos.<\/p>\n<p>Depois de uma boa caminhada, o cavalo parou. Ent\u00e3o vi todos os sacerdotes do Orat\u00f3rio vindo em minha dire\u00e7\u00e3o com muitos cl\u00e9rigos, que cercaram o meu cavalo. Entre eles vi o P. Rua, P. Cagliero, P. Bologna. Quando chegaram, ficaram parados, de p\u00e9, contemplando o tal cavalo, sobre o qual eu estava montado: mas ningu\u00e9m falava. Eu os vi todos com uma apar\u00eancia melanc\u00f3lica, o que significava uma inquieta\u00e7\u00e3o, a qual eu nunca tinha visto igual. Chamei P. Bologna e lhe disse: \u2013 P. Bologna, voc\u00ea que est\u00e1 na portaria, pode me dizer o que h\u00e1 de novo na casa? Por que vejo em todos uma inquieta\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande?<\/p>\n<p>E ele a mim: \u2013 N\u00e3o sei onde eu estou&#8230; o que estou fazendo&#8230; estou atrapalhado&#8230; Vieram pessoas, falaram, sa\u00edram; na portaria tem uma confus\u00e3o, um vaiv\u00e9m, que eu n\u00e3o entendo mais nada.<\/p>\n<p>\u2013 Ser\u00e1 poss\u00edvel, eu continuava repetindo para mim mesmo, poss\u00edvel que hoje tenha algo de extraordin\u00e1rio para acontecer?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o algu\u00e9m trouxe e me entregou uma trombeta, dizendo que eu ficasse com ela porque me seria \u00fatil. Eu perguntei:<\/p>\n<p>\u2013 Onde \u00e9 que estamos aqui?<\/p>\n<p>\u2013 Sopre na trombeta!<\/p>\n<p>Soprei na trombeta e saiu esta voz: <em>Estamos na terra da prova\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o se viu descendo da colina um tal n\u00famero de jovens, que acredito fossem mais de cem mil. Ningu\u00e9m falava. Todos, armados com um forcado, caminhando a passos largos em dire\u00e7\u00e3o ao vale. Entre estes vi todos os jovens do Orat\u00f3rio e dos outros nossos col\u00e9gios, e muitos que eu nem conhecia. Naquele momento, de uma parte do vale, o c\u00e9u come\u00e7ou a escurecer de tal forma que parecia noite, e apareceu um n\u00famero imenso de animais, parecendo le\u00f5es, tigres&#8230; Esses monstros ferozes e corpulentos, com pernas fortes e pesco\u00e7o comprido, tinham a cabe\u00e7a relativamente pequena. Seu focinho era assustador: com os olhos vermelhos, quase fora das \u00f3rbitas, lan\u00e7aram-se contra os jovens, que, vendo-se atacados por aqueles animais, puseram-se na defensiva. Seguravam nas m\u00e3os um forcado de duas pontas e moviam aquele forcado contra aqueles monstros, levantando e abaixando conforme o ataque dos mesmos.<\/p>\n<p>Os monstros, n\u00e3o conseguindo vencer no primeiro ataque, mordiam os ferros do forcado, quebrando-se os dentes e desapareciam. Havia aqueles que tinham o forcado com uma \u00fanica ponta, e estes ficavam feridos; outros o tinham com o cabo quebrado, outros com o cabo carcomido, e outros, presun\u00e7osos, atiravam-se contra aqueles animais sem armas e eram vitimados, e foram mortos, e n\u00e3o foram poucos. Muitos o tinham com o cabo novo e com duas pontas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, tamb\u00e9m o meu cavalo come\u00e7ou a ser cercado por uma enorme quantidade de cobras. Mas este, com saltos e coices \u00e0 direita e \u00e0 esquerda, as esmagava e as afastava, enquanto subia a grande altura e crescia sempre.<\/p>\n<p>Perguntei a algu\u00e9m o que significavam os forcados com as duas pontas. Foi-me trazido um forcado e vi escrito em uma das pontas: <em>Confiss\u00e3o<\/em>; e, na outra: <em>Comunh\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>\u2013 O que significam essas duas pontas?<\/p>\n<p>\u2013 Sopre a trombeta.<\/p>\n<p>Eu soprei e saiu esta voz: <em>Confiss\u00e3o e Comunh\u00e3o bem feitas<\/em>.<\/p>\n<p>Eu soprei de novo e saiu esta voz: <em>Cabo quebrado: Confiss\u00f5es e Comunh\u00f5es mal feitas. Cabo carcomido: Confiss\u00f5es defeituosas<\/em>.<\/p>\n<p>Depois desse primeiro assalto, montado no cavalo, dei uma volta no campo de batalha e vi muitos feridos e muitos mortos.<\/p>\n<p>Observei que alguns jaziam mortos no ch\u00e3o, mas estrangulados, com o pesco\u00e7o inchado e deformado: outros com o rosto terrivelmente deformado, e outros mortos de fome, embora tivessem bem perto um prato de \u00f3timos doces. Aqueles estrangulados s\u00e3o os que, tendo tido a infelicidade de cometer pecado desde pequenos, nunca o confessaram; os deformados no rosto eram os glut\u00f5es; aqueles que morreram de fome, os que se confessam, mas n\u00e3o colocam em pr\u00e1tica as advert\u00eancias e os avisos do Confessor.<\/p>\n<p>Ao lado de cada um daqueles que tinham o cabo carcomido estava escrita uma palavra. Um tinha a escrita <em>Soberba<\/em>, outro <em>Ac\u00eddia<\/em>, outro <em>Imod\u00e9stia<\/em> etc. Deve-se notar ainda que os jovens, enquanto caminhavam, passavam por uma camada de rosas e sentiam prazer; mas, depois de alguns passos, emitindo um grito, ca\u00edam mortos ou ficavam feridos, pois debaixo das rosas havia espinhos. Mas outros, pisando aquelas rosas com coragem, caminhavam por cima, animando-se mutuamente, e permaneciam vencedores.<\/p>\n<p>Mas novamente o c\u00e9u escureceu e, num momento, apareceu uma quantidade maior que a primeira vez daqueles animais ou monstros, mas tudo isso em menos de tr\u00eas ou quatro segundos, e at\u00e9 meu cavalo ficou cercado por eles. Os monstros cresceram em maneira desproporcional, tanto que tamb\u00e9m eu comecei a ter medo; e parecia-me j\u00e1 de ser arranhado pelas suas patas. Mas, a um certo ponto, trouxeram um forcado tamb\u00e9m para mim; ent\u00e3o eu tamb\u00e9m entrei na luta, e aqueles monstros foram postos em fuga. Todos desapareceram, porque derrotados no primeiro assalto, desapareciam.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu soprei a trombeta e essa voz ecoou pelo vale: <em>Vit\u00f3ria, Vit\u00f3ria<\/em>.<\/p>\n<p>\u2013 Mas como? \u2013 eu disse, n\u00f3s conseguimos a vit\u00f3ria? No entanto, h\u00e1 muitos feridos e tamb\u00e9m mortos!<\/p>\n<p>Ainda, soprando na trombeta, ouviu-se esta voz: <em>Tempo para os vencidos<\/em>. Ent\u00e3o o c\u00e9u de escuro se tornou claro, viu-se um arco-\u00edris ou uma \u00edris t\u00e3o bela, com tantas cores, imposs\u00edvel de descrever. Era t\u00e3o largo, como se estivesse apoiado em Superga e fazendo um arco se apoiasse no Moncenisio. Ainda devo notar que os vencedores tinham em suas cabe\u00e7as coroas t\u00e3o brilhantes, com tantas e tais cores, que era uma maravilha v\u00ea-los; e tamb\u00e9m o rosto deles brilhava de uma beleza maravilhosa. Na dire\u00e7\u00e3o do final, de um lado do vale e do meio do arco-\u00edris, via-se uma esp\u00e9cie de orquestra, na qual se viam pessoas cheias de j\u00fabilo e com tantas belezas que eu nem consigo imaginar. Uma dama muito nobre, vestida regiamente, foi at\u00e9 a margem da sacada, gritando:<\/p>\n<p>\u2013 Meus filhos, venham, abriguem-se sob o meu manto. \u2013 Naquele momento, estendeu-se um manto muito grande e todos os jovens come\u00e7aram a correr debaixo do mesmo; s\u00f3 que alguns voavam e tinham escrita na testa: <em>Inoc\u00eancia<\/em>; outros andavam a p\u00e9 e outros se arrastavam: e eu comecei a correr e naquele movimento instant\u00e2neo, que durou n\u00e3o mais do que meio segundo, eu disse a mim mesmo: \u2013 Ou isso acaba, ou, se continuar mais um pouco, todos n\u00f3s vamos morrer. \u2013 Dito isso, enquanto corria, acordei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelo motivo que dir\u00e1, retornou ao assunto no dia 6 de maio, festa da Ascens\u00e3o. Estando reunidos estudantes e aprendizes para as ora\u00e7\u00f5es da noite, assim falou:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na outra noite eu n\u00e3o pude dizer tudo por causa de um estranho que estava presente. Essas coisas fiquem entre n\u00f3s, n\u00e3o sejam escritas nem a parentes nem a amigos. A voc\u00eas eu conto tudo, at\u00e9 os meus pecados: aquele vale, aquele lugar de prova \u00e9 este mundo. A semiescurid\u00e3o \u00e9 o lugar da perdi\u00e7\u00e3o; as duas colinas, os mandamentos da lei de Deus e da Santa Igreja; essas cobras s\u00e3o os dem\u00f4nios; esses monstros as m\u00e1s tenta\u00e7\u00f5es; aquele cavalo parece-me significar o cavalo que atingiu Heliodoro, e \u00e9 a confian\u00e7a em Deus; aqueles que passavam sobre as rosas e morriam s\u00e3o aqueles que se entregam aos prazeres deste mundo, que trazem morte \u00e0 alma. Aqueles que pisavam nas rosas s\u00e3o aqueles que desprezam os prazeres do mundo e saem vencedores. Aqueles que voavam sob o manto s\u00e3o os inocentes.<\/p>\n<p>Agora, aqueles que desejam conhecer sua arma, sejam vitoriosos ou n\u00e3o, mortos ou feridos, direi aos poucos. Embora eu n\u00e3o conhe\u00e7a todos aqueles jovens, no entanto, aqueles que est\u00e3o no Orat\u00f3rio, eu os conheci. E os outros, que talvez ainda vir\u00e3o, se eu os visse, eu me lembraria muito bem da fisionomia.<\/p>\n<p>O Secret\u00e1rio P. Berto, que redigiu a narrativa, escreveu que muitas coisas n\u00e3o as lembrava mais, mas que Dom Bosco exp\u00f4s e explicou amplamente. Na manh\u00e3 do dia 7, perguntou-lhe na sua sala:<\/p>\n<p>\u2013 Como faz o senhor para lembrar de todos os jovens que viu em sonho e dizer a cada um o estado em que se encontrava, especificando t\u00e3o bem os defeitos?<\/p>\n<p>\u2013 Eh! Com o <em>Otis Botis Pia Tutis<\/em>. Uma das respostas que ele dava quando queria fugir de perguntas embara\u00e7osas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ao P. Barberis, entrando para conversar com ele sobre isso, Dom Bosco respondeu seriamente: \u2013 Tem algo mais que um sonho! \u2013 Mas ele interrompeu a conversa, passando para outro assunto.<\/p>\n<ol>\n<li>Berto termina a sua rela\u00e7\u00e3o com estas palavras: \u201cEu tamb\u00e9m, que escrevo estas coisas, quis perguntar o que me cabia; tive uma resposta t\u00e3o precisa, que chorei e disse: \u2013 Se um anjo tivesse vindo do c\u00e9u, ele n\u00e3o poderia acertar melhor o alvo.\u201d<\/li>\n<\/ol>\n<p>Uma segunda vez o sonho ofereceu o tema da \u201cboa noite\u201d, e foi em 4 de junho. Os ouvintes testemunharam ent\u00e3o esse pequeno di\u00e1logo entre P. Barberis e Dom Bosco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>BARBERIS. Se me permite, Sr. Dom Bosco, esta noite gostaria de fazer algumas perguntas. Nas noites anteriores, j\u00e1 que havia estranhos, n\u00e3o me atrevi a faz\u00ea-lo. Eu gostaria de alguma explica\u00e7\u00e3o sobre o \u00faltimo sonho.<\/li>\n<\/ol>\n<p>DOM BOSCO. Pode falar. \u00c9 verdade que j\u00e1 passou muito tempo desde o dia em que o contei; mas n\u00e3o tem import\u00e2ncia.<\/p>\n<ol>\n<li>B. No final do sonho, o senhor disse que alguns voavam sob o manto de Maria, muitos corriam, outros iam devagar, e alguns se arrastavam na lama, ficavam completamente enlameados e em geral n\u00e3o alcan\u00e7avam o manto. O senhor j\u00e1 nos disse que aqueles que voavam eram os inocentes; \u00e9 f\u00e1cil entender quem s\u00e3o os que iam rapidamente; mas aqueles que permaneciam atolados, quem eles representavam?<\/li>\n<li>B. Aqueles que permaneciam atolados, que em geral n\u00e3o chegavam sob o manto de Nossa Senhora, s\u00e3o aqueles que est\u00e3o apegados aos bens desta terra. Tendo um cora\u00e7\u00e3o ego\u00edsta, pensam apenas em si mesmos; enlameiam-se por si mesmos e n\u00e3o conseguem mais tomar um impulso para as coisas do c\u00e9u. Eles veem que a Virgem Maria os chama, gostariam de ir, d\u00e3o alguns passos, mas a lama os ret\u00e9m. E isso acontece sempre. O Senhor diz: <em>Onde est\u00e1 o seu tesouro, a\u00ed est\u00e1 o seu cora\u00e7\u00e3o<\/em>. Aqueles que n\u00e3o se elevam aos tesouros da gra\u00e7a, colocam o seu cora\u00e7\u00e3o nas coisas da terra e pensam apenas em aproveitar, em enriquecer-se, fazer prosperar os neg\u00f3cios e em adquirir fama. E para o Para\u00edso nada.<\/li>\n<li>B. H\u00e1 outra coisa que o senhor, Sr. Dom Bosco, n\u00e3o contou, quando nos relatou o sonho, mas o senhor contou para algu\u00e9m em particular e eu gostaria que o senhor a explicasse para n\u00f3s. \u00c9 esta. Algu\u00e9m lhe perguntou do seu estado, se corria ou se ia devagar, ou se j\u00e1 havia entrado debaixo do manto de Maria: se tinha a arma quebrada ou carcomida. E o senhor respondeu que n\u00e3o podia v\u00ea-lo bem, uma vez que uma nuvem se interpunha entre o jovem e o senhor.<\/li>\n<li>B. Voc\u00ea \u00e9 te\u00f3logo e deve saber disso. Ent\u00e3o, na verdade, havia v\u00e1rios jovens, mas n\u00e3o em n\u00famero t\u00e3o grande, que eu n\u00e3o pudesse enxergar bem. Observava, conhecia o jovem, mas ele n\u00e3o podia ver nada mais. E estes, meus queridos filhos, s\u00e3o aqueles que se mant\u00eam fechados aos Superiores, n\u00e3o revelam o seu cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o sinceros. Se veem um Superior aqui, para n\u00e3o encontr\u00e1-lo, viram o passo para outro lado. Destes, alguns vieram me perguntar como os vi; mas o que eu podia responder? Eu podia dizer: Voc\u00ea n\u00e3o tem confian\u00e7a nos Superiores, voc\u00ea n\u00e3o abre seu cora\u00e7\u00e3o para eles. No entanto, lembrem-se bem todos, uma coisa que pode fazer muito bem a voc\u00eas \u00e9 esta: abrir seus cora\u00e7\u00f5es aos Superiores, ter muita confian\u00e7a neles e ser absolutamente sinceros.<\/li>\n<li>B. Mais uma coisa que eu gostaria de perguntar, mas receio: tenho medo que o senhor me diga que sou muito curioso.<\/li>\n<li>B. E quem n\u00e3o sabe que voc\u00ea \u00e9 curioso? (<em>Gargalhada geral<\/em>). No entanto, existe um tipo de curiosidade que \u00e9 boa. Quando um jovem pergunta sempre isso ou aquilo para se instruir, com aqueles que sabem, este faz bem. Ao contr\u00e1rio, h\u00e1 aqueles que est\u00e3o sempre l\u00e1 como tantos <em>farfu<\/em> (termo piemont\u00eas: \u201ctolo, tonto\u201d). Nunca perguntam nada. Para eles, isso n\u00e3o \u00e9 um bom sinal.<\/li>\n<li>B. Ah, ent\u00e3o&#8230; eu n\u00e3o vou ser um desses. A pergunta que queria fazer-lhe h\u00e1 muito tempo \u00e9 a seguinte. Nesse famoso sonho o senhor viu apenas as coisas passadas dos jovens ou viu tamb\u00e9m o futuro, o que cada um far\u00e1, o que cada um vai alcan\u00e7ar?<\/li>\n<li>B. Ent\u00e3o: eu n\u00e3o vi apenas as coisas do passado: eu tamb\u00e9m vi o futuro, que est\u00e1 diante dos jovens. Cada jovem tinha na frente v\u00e1rias estradas, tamb\u00e9m estreitas e cheias de espinhos, algumas das quais estavam at\u00e9 salpicadas de pontas de pregos afiadas. Mas estas estradas tamb\u00e9m eram cobertas com as gra\u00e7as do Senhor. Elas acabavam num jardim muito apraz\u00edvel, onde havia todos os tipos de del\u00edcias.<\/li>\n<li>B. Isso significa que o senhor ser\u00e1 capaz de indicar qual \u00e9 o caminho que cada um deve tomar, isto \u00e9, qual \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o adequada de cada um de n\u00f3s, como vamos acabar, qual o caminho que tomaremos.<\/li>\n<li>B. No que diz respeito ao caminho que cada um ir\u00e1 seguir e como terminar\u00e1, n\u00e3o \u00e9 o caso. Dizer a um jovem: \u2013 Voc\u00ea ir\u00e1 pelo caminho da impiedade \u2013 certamente n\u00e3o faz bem; s\u00f3 enche de medo. O que eu posso dizer \u00e9 o seguinte: que se o fulano come\u00e7ar a trilhar tal caminho, ele tem a certeza de que se p\u00f4s no caminho para o c\u00e9u, isto \u00e9, naquele para o qual \u00e9 chamado; e quem n\u00e3o segue este caminho, n\u00e3o est\u00e1 no caminho reto. Alguns caminhos s\u00e3o estreitos, cheios de pedras e espinhosos; mas tomem coragem, meus queridos filhos; com os espinhos h\u00e1 tamb\u00e9m a gra\u00e7a de Deus; e t\u00e3o bem nos espera no final do caminho, que logo esqueceremos as pontadas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O que eu quero que voc\u00eas guardem na mem\u00f3ria \u00e9 que isso foi um sonho, ao qual ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a acreditar. Eu observo, \u00e9 verdade, que todos aqueles que me pedem explica\u00e7\u00f5es, todos fazem tesouro do que eu digo; no entanto, fa\u00e7am como disse S\u00e3o Paulo: <em>Probate spiritus et quod bonum est tenete<\/em> (Examinai as vossas almas e ficai com o que \u00e9 bom \u00e9 bom \u2013 cf. 1Ts 5,21). Outra coisa que n\u00e3o quero que voc\u00eas esque\u00e7am \u00e9 que, em suas ora\u00e7\u00f5es, lembrem-se do pobre Dom Bosco, para que n\u00e3o aconte\u00e7a comigo como S\u00e3o Paulo diz: <em>Cum aliis predicaverim, ego reprobos efficiar<\/em>, que pregando para voc\u00eas, eu tenha que ser condenado. Eu procuro avisar, penso em voc\u00eas, sugiro conselhos, mas tenho medo de fazer como uma galinha choca. Ela procura grilos, vermes, sementes e outros alimentos, mas tudo para os pintainhos, e se ela n\u00e3o tem comida abundante preparada especialmente para ela, ela at\u00e9 morre de fome. Portanto, recomendem-me ao Senhor, para que isto n\u00e3o aconte\u00e7a comigo, mas para que eu possa adornar meu cora\u00e7\u00e3o com muitas virtudes, para agradar a Deus e ent\u00e3o todos juntos possamos desfrut\u00e1-lo e glorific\u00e1-lo no Para\u00edso. Boa noite.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>(MB XI, 257-264 \/ MB PT XI, 204-210)40<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No sonho narrado por Dom Bosco na noite de 25 de abril de 1875, a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":52783,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":6,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[1749,2577,2579,2600,1827,2228],"class_list":["post-52800","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sonhos-de-dom-bosco","tag-conselhos","tag-dom-bosco","tag-educacao","tag-fe","tag-gracas-obtidas","tag-santos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52800","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52800"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52800\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52801,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52800\/revisions\/52801"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52800"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}