{"id":49635,"date":"2026-03-09T20:28:21","date_gmt":"2026-03-09T20:28:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=49635"},"modified":"2026-03-31T12:34:24","modified_gmt":"2026-03-31T12:34:24","slug":"o-martirio-dos-servos-de-deus-joao-swierc-e-8-companheiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/nossos-santos\/o-martirio-dos-servos-de-deus-joao-swierc-e-8-companheiros\/","title":{"rendered":"O mart\u00edrio dos Servos de Deus Jo\u00e3o \u015awierc e 8 Companheiros"},"content":{"rendered":"<p><em>Entre as p\u00e1ginas mais dolorosas e luminosas da hist\u00f3ria da Igreja durante a Segunda Guerra Mundial, emerge a hist\u00f3ria de nove sacerdotes salesianos poloneses, liderados pelo padre Jo\u00e3o (Jan) \u015awierc, que pagaram com a vida sua fidelidade ao Evangelho. Presos pela Gestapo entre 1941 e 1942, esses pastores e educadores foram deportados para os campos de exterm\u00ednio de Auschwitz e Dachau, onde encontraram a morte em meio a sofrimentos atrozes. Seu \u00fanico \u201ccrime\u201d foi serem padres cat\u00f3licos que, recusando-se a abandonar o rebanho confiado aos seus cuidados, continuaram a formar os jovens na f\u00e9 e na cultura polonesa, representando um obst\u00e1culo intranspon\u00edvel \u00e0 doutrina\u00e7\u00e3o nazista. A hist\u00f3ria deles n\u00e3o \u00e9 apenas a mem\u00f3ria de uma persegui\u00e7\u00e3o atroz, mas um testemunho vivo de como a f\u00e9 pode triunfar sobre o mal atrav\u00e9s do perd\u00e3o e do sacrif\u00edcio supremo de si mesmo.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><strong>Uma f\u00e9 sob cerco<br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A invas\u00e3o da Pol\u00f4nia pela Alemanha nazista, iniciada em 1\u00ba de setembro de 1939, marcou o in\u00edcio de um dos cap\u00edtulos mais sombrios da hist\u00f3ria europeia. Nesse contexto de ocupa\u00e7\u00e3o brutal, \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia estrat\u00e9gica compreender a veemente persegui\u00e7\u00e3o desencadeada contra a Igreja Cat\u00f3lica, que se tornou um alvo prim\u00e1rio para a ideologia do Terceiro Reich. A Igreja, com sua influ\u00eancia moral, sua rica cultura e sua fidelidade a uma autoridade espiritual que transcendia o Estado, representava um obst\u00e1culo intoler\u00e1vel ao projeto totalit\u00e1rio nazista. Sua destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica foi, portanto, um objetivo n\u00e3o secund\u00e1rio, mas central, na estrat\u00e9gia de subjuga\u00e7\u00e3o do povo polon\u00eas.<br \/>\nNesse cen\u00e1rio tr\u00e1gico, a hist\u00f3ria dos nove Servos de Deus salesianos, liderados pelo mais velho, P. Jo\u00e3o \u015awierc, emerge como um exemplo emblem\u00e1tico dessa persegui\u00e7\u00e3o. Esses homens, religiosos engajados exclusivamente em atividades pastorais e educativas, totalmente alheios \u00e0s tens\u00f5es pol\u00edticas da \u00e9poca, foram presos, torturados e, por fim, mortos. Seu \u00fanico \u201ccrime\u201d foi serem sacerdotes cat\u00f3licos fi\u00e9is \u00e0 pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria deles n\u00e3o \u00e9 uma nota de rodap\u00e9 da hist\u00f3ria, mas uma janela para a pr\u00f3pria ess\u00eancia do \u00f3dio anticrist\u00e3o que animava o nazismo.<br \/>\nTrata-se de recordar seu sacrif\u00edcio, seu extraordin\u00e1rio testemunho de f\u00e9 inabal\u00e1vel diante do mal absoluto e refletir sobre o significado perene de seu mart\u00edrio. A hist\u00f3ria deles nos for\u00e7a a olhar para al\u00e9m do horror da viol\u00eancia para vislumbrar a luz de uma esperan\u00e7a que n\u00e3o se apaga, nem mesmo nas trevas mais densas. Compreender o contexto espec\u00edfico em que esses pastores-educadores atuaram e foram presos \u00e9 o primeiro passo para captar a plenitude de seu testemunho.<\/p>\n<p><strong>Pastores, n\u00e3o pol\u00edticos<br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A decis\u00e3o da Gestapo de visar especificamente este grupo de sacerdotes salesianos revela uma profunda contradi\u00e7\u00e3o que est\u00e1 no cerne da persegui\u00e7\u00e3o nazista. Esses homens eram educadores e pastores, dedicados ao cuidado das almas e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos jovens segundo o carisma de S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco. O mundo deles era o do orat\u00f3rio, da par\u00f3quia e da sala de aula, n\u00e3o o das conspira\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. No entanto, as acusa\u00e7\u00f5es feitas contra eles foram constru\u00eddas para pint\u00e1-los como inimigos do Estado.<br \/>\nAs acusa\u00e7\u00f5es oficiais, registradas ap\u00f3s interrogat\u00f3rios sum\u00e1rios, falavam de \u201cparticipa\u00e7\u00e3o em organiza\u00e7\u00f5es clandestinas\u201d e, acusa\u00e7\u00e3o ainda mais grave, de \u201cpromover entre os jovens, explorando a influ\u00eancia decorrente de seu sacerd\u00f3cio, a cultura nacional em detrimento da Alemanha nazista\u201d. Essas acusa\u00e7\u00f5es, embora infundadas no plano factual, eram estrategicamente astutas. Elas revelam o verdadeiro temor do regime: n\u00e3o tanto uma oposi\u00e7\u00e3o armada, mas a influ\u00eancia moral e cultural da Igreja. Os nazistas compreenderam perfeitamente que ensinar aos jovens sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, sua pr\u00f3pria l\u00edngua e sua pr\u00f3pria f\u00e9 equivalia a erguer uma barreira intranspon\u00edvel contra a doutrina\u00e7\u00e3o totalit\u00e1ria. A fidelidade deles ao Evangelho e \u00e0 cultura polonesa era, aos olhos da Gestapo, um ato de subvers\u00e3o.<br \/>\nDiante do perigo iminente, familiares e amigos os haviam prudentemente aconselhado a deixar o pa\u00eds. A escolha consciente de permanecer ao lado dos fi\u00e9is e dos jovens representa o primeiro e silencioso ato de seu mart\u00edrio. Essa decis\u00e3o n\u00e3o foi um gesto de imprud\u00eancia, mas de suprema fidelidade ao seu minist\u00e9rio e ao carisma salesiano, que exige estar com os jovens, especialmente no momento da necessidade. Ao permanecerem, eles afirmaram que seu lugar era o do pastor que n\u00e3o abandona o rebanho com a chegada do lobo. Para compreender o alcance deste sacrif\u00edcio coletivo, \u00e9 essencial conhecer as vidas individuais que o compuseram.<\/p>\n<p><strong>Perfis dos nove Servos de Deus<br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para captar a plena dimens\u00e3o teol\u00f3gica e hist\u00f3rica de seu sacrif\u00edcio, \u00e9 essencial deter-se nas hist\u00f3rias individuais que convergiram para um \u00fanico e tr\u00e1gico destino. No estudo do martirol\u00f3gio, a an\u00e1lise do mart\u00edrio coletivo s\u00f3 se compreende plenamente atrav\u00e9s dos percursos \u00fanicos de virtude e servi\u00e7o que definiram cada indiv\u00edduo antes da prova final. Embora compartilhando a mesma voca\u00e7\u00e3o e o mesmo destino, cada vida representa um testemunho irrepet\u00edvel de dedica\u00e7\u00e3o a Deus, que a persegui\u00e7\u00e3o nazista quis aniquilar de forma sistem\u00e1tica. Estes breves perfis nos devolvem o rosto humano de homens que, por tr\u00e1s do anonimato dos n\u00fameros dos campos de exterm\u00ednio, conservaram sua identidade de pastores-educadores dos jovens e do povo de Deus.<br \/>\n\u2013 <strong>Jo\u00e3o (Jan) \u015awierc.<\/strong> Nascido em Kr\u00f3lewska em 29 de abril de 1877, completou sua forma\u00e7\u00e3o salesiana na It\u00e1lia, sendo ordenado sacerdote em Turim em 1903. De volta \u00e0 Pol\u00f4nia, dirigiu diversas Casas salesianas e foi um pregador apreciado. A partir de 1938, foi diretor e p\u00e1roco em Crac\u00f3via. Preso pela Gestapo em 23 de maio de 1941, foi torturado na pris\u00e3o de Montelupich antes de ser transferido para Auschwitz em 26 de junho de 1941, onde foi morto no dia seguinte.<br \/>\n\u2013 <strong>In\u00e1cio (Ignacy) Antonowicz<\/strong>. Nascido em Wi\u0119s\u0142awice em 14 de julho de 1890, foi ordenado sacerdote em Roma em 1916. Foi professor de teologia, capel\u00e3o militar durante a Primeira Guerra Mundial e, no momento da pris\u00e3o, diretor do estudantado teol\u00f3gico de Crac\u00f3via. Preso em 23 de maio de 1941 e levado para Auschwitz, morreu em 21 de julho de 1941 em decorr\u00eancia dos graves maus-tratos sofridos.<br \/>\n\u2013 <strong>In\u00e1cio (Ignacy) Dobiasz<\/strong>. Nascido em Ciochowice em 14 de janeiro de 1880, formou-se na It\u00e1lia e foi ordenado em 1908. Exerceu seu minist\u00e9rio em diversas localidades da Pol\u00f4nia antes de se tornar colaborador paroquial em Crac\u00f3via em 1931. Preso em 23 de maio de 1941 e deportado para Auschwitz, morreu em 27 de junho de 1941 por esgotamento e espancamentos.<br \/>\n\u2013 <strong>Carlos (Karol) Golda<\/strong>. Nascido em Tychy em 23 de dezembro de 1914, foi ordenado sacerdote em Roma em 1938. Retornando ao seu pa\u00eds para lecionar teologia no estudantado de Auschwitz, foi preso pela Gestapo em 31 de dezembro de 1941. Deportado para Auschwitz em fevereiro de 1942, foi fuzilado em 14 de maio do mesmo ano.<br \/>\n\u2013 <strong>Francisco (Franciszek) Harazim<\/strong>. Nascido em Osiny em 22 de agosto de 1885, foi ordenado sacerdote em Ivrea em 1915. Lecionou em v\u00e1rias escolas salesianas e no Semin\u00e1rio Maior de Crac\u00f3via. Preso em 23 de maio de 1941, foi encarcerado em Montelupich e depois deportado para Auschwitz, onde morreu por espancamentos e maus-tratos em 27 de junho de 1941.<br \/>\n\u2013 <strong>Lu\u00eds (Ludwik) Mroczek<\/strong>. Nascido em K\u0119ty em 11 de agosto de 1905, foi ordenado sacerdote na Pol\u00f4nia em 1933. Prestou seu trabalho pastoral em diversas localidades. Preso em 22 de maio de 1941, passou da pris\u00e3o de Montelupich para Auschwitz, onde morreu em 5 de janeiro de 1942.<br \/>\n\u2013 <strong>Vladimir (W\u0142odzimierz) Szembek<\/strong>. Nascido em uma fam\u00edlia nobre em Por\u0119ba \u017begoty em 22 de abril de 1883, formou-se em engenharia antes de ingressar nos salesianos. Ordenado sacerdote em Crac\u00f3via em 1934, tornou-se secret\u00e1rio da inspetoria. Preso em 9 de julho de 1942, foi encarcerado em Nowy Targ e depois levado para Auschwitz, onde morreu em 7 de setembro de 1942.<br \/>\n\u2013 <strong>Casimiro (Kazimierz) Wojciechowski.<\/strong> Nascido em Jas\u0142o em 16 de agosto de 1904, foi ordenado sacerdote em Crac\u00f3via em 1935. Exerceu atividade pastoral em Daszawa e Crac\u00f3via, onde foi preso em 23 de maio de 1941. Deportado para Auschwitz, foi morto em 27 de junho de 1941.<br \/>\n\u2013 <strong>Francisco (Franciszek) Mi\u015bka<\/strong>. Nascido em Swierczyniek em 5 de dezembro de 1898, foi ordenado sacerdote em Turim em 1927. Pertencente \u00e0 Inspetoria Salesiana \u201cSanto Adalberto\u201d da Pol\u00f4nia-Pi\u0142a, trabalhou em v\u00e1rios institutos e par\u00f3quias, at\u00e9 ser encarregado da gest\u00e3o do instituto de L\u0105d. Preso e transferido para diversos campos, foi deportado para Dachau em 30 de outubro de 1941, onde morreu em 30 de maio de 1942.<br \/>\nSuas vidas, diversas em origem e idade, convergiram na experi\u00eancia coletiva e desumana dos campos de concentra\u00e7\u00e3o, um calv\u00e1rio que p\u00f4s \u00e0 prova sua f\u00e9 at\u00e9 o sacrif\u00edcio extremo.<\/p>\n<p><strong>O Calv\u00e1rio de Auschwitz e Dachau<br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para captar a excepcional for\u00e7a espiritual desses sacerdotes, \u00e9 necess\u00e1rio mergulhar, tanto quanto poss\u00edvel, na realidade brutal e desumanizante dos campos de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz e Dachau. N\u00e3o se tratava simplesmente de locais de aprisionamento, mas de um sistema cientificamente organizado para aniquilar a identidade humana antes mesmo do corpo. Ao chegarem, os prisioneiros eram privados de seus nomes, reduzidos a um n\u00famero. Nossos sacerdotes foram obrigados a vestir \u201cos trapos ensanguentados\u201d das v\u00edtimas que os precederam, uma macabra boas-vindas a um inferno onde a morte era a norma. O pr\u00f3prio ar estava impregnado de horror, com as \u201cfuma\u00e7as nauseabundas dos cad\u00e1veres queimados que subiam da chamin\u00e9 do cremat\u00f3rio\u201d. Cada dia era uma luta pela sobreviv\u00eancia contra o trabalho desumano, a fome, os espancamentos e a viol\u00eancia arbitr\u00e1ria das SS.<br \/>\nNesse cen\u00e1rio apocal\u00edptico, o fim deles era uma morte anunciada. O dia 27 de junho de 1941 tornou-se um dia de particular ferocidade em Auschwitz. Pela manh\u00e3, o P. Jo\u00e3o \u015awierc e o P. In\u00e1cio Dobiasz foram mortos. \u00c0 tarde, a mesma sorte coube ao P. Francisco Harazim e ao P. Casimiro Wojciechowski, que sofreram o mart\u00edrio \u201cum ao lado do outro\u201d, num \u00faltimo gesto de comunh\u00e3o fraterna. O P. In\u00e1cio Antonowicz morreu poucas semanas depois, em 21 de julho, devido aos maus-tratos sofridos naquele tr\u00e1gico dia 27 de junho. As mortes se sucederam nos meses seguintes: o P. Lu\u00eds Mroczek pereceu em 5 de janeiro de 1942 devido \u00e0s torturas sofridas e \u00e0s numerosas cirurgias; o P. Carlos Golda foi fuzilado em 14 de maio de 1942, acusado de ter administrado o sacramento da confiss\u00e3o a dois soldados alem\u00e3es; o P. Vladimir Szembek morreu por maus-tratos em 7 de setembro de 1942. Longe deles, no campo de Dachau, o P. Francisco Mi\u015bka sucumbia a torturas e maus-tratos em 30 de maio de 1942.<br \/>\nEste relato de sofrimentos atrozes, no entanto, n\u00e3o representa o fim de sua hist\u00f3ria. \u00c9, pelo contr\u00e1rio, o prel\u00fadio para compreender o significado mais profundo de seu sacrif\u00edcio, um significado que transcende a viol\u00eancia e a morte.<\/p>\n<p><strong>\u201cUma Semente de Vit\u00f3ria\u201d<br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Interpretar o mart\u00edrio unicamente como uma derrota ou uma tr\u00e1gica fatalidade significaria trair seu sentido mais profundo. Na perspectiva crist\u00e3, o mart\u00edrio n\u00e3o \u00e9 o fim, mas o \u00e1pice de uma vida virtuosa; n\u00e3o \u00e9 a vit\u00f3ria do mal, mas um poderoso testemunho de f\u00e9 que participa de modo extraordin\u00e1rio da Cruz de Cristo. Jo\u00e3o \u015awierc e seus companheiros testemunham que, justamente quando a morte parece ter triunfado, os verdadeiros vencedores s\u00e3o aqueles que, sofrendo por causa do Evangelho, aderem plenamente ao des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus.<br \/>\nA grandeza espiritual deles resplandece na maneira como enfrentaram o abismo do mal. Apesar de todo tipo de abuso, eles conservaram a f\u00e9, abandonaram-se ao Senhor e, milagrosamente, n\u00e3o demonstraram rancor para com seus algozes. Pelo contr\u00e1rio, as fontes atestam que em alguns casos foram pronunciadas palavras de perd\u00e3o. Essa atitude n\u00e3o \u00e9 fruto de uma for\u00e7a humana heroica, mas de uma gra\u00e7a divina que sustenta suas testemunhas no momento da prova\u00e7\u00e3o. Como lembrou o Papa Francisco, esta \u00e9 a din\u00e2mica da f\u00e9: \u201co Senhor d\u00e1 a for\u00e7a, sempre, n\u00e3o nos deixa faltar. O Senhor n\u00e3o nos prova al\u00e9m do que podemos tolerar. Ele est\u00e1 sempre conosco\u201d. \u00c9 por isso que os nove Servos de Deus puderam acolher o mart\u00edrio sustentados pela mesma certeza com que o ap\u00f3stolo Paulo escreveu: \u201ctudo posso naquele que me fortalece\u201d (Cf. Fl 4,13).<br \/>\nEssa perspectiva transforma radicalmente a leitura de seu sacrif\u00edcio. Como observou profeticamente o ent\u00e3o Cardeal Carlos (Karol) Wojty\u0142a em uma homilia de 1972, o sangue deles n\u00e3o foi derramado em v\u00e3o, mas tornou-se fonte de vida para a Igreja e para o povo a quem haviam dedicado a exist\u00eancia: \u201cEste sacrif\u00edcio foi uma semente de vida, uma semente de vit\u00f3ria [&#8230;]. Aqueles pastores [&#8230;] pela vida crist\u00e3 de cada paroquiano e especialmente pelos jovens paroquianos [&#8230;] pagavam n\u00e3o apenas com uma boa palavra, n\u00e3o apenas com o bom exemplo de sua vida generosa, mas tamb\u00e9m com o sacrif\u00edcio e o sangue do mart\u00edrio\u201d.<br \/>\nA morte deles deixa de ser um simples ato de viol\u00eancia sofrida para se tornar um ato supremo de amor, uma oferta total de si e um supremo testemunho de fidelidade ao Evangelho. \u00c9 esta a semente de vit\u00f3ria que continua a germinar, deixando um legado que ainda hoje interpela a nossa consci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Um legado de F\u00e9 que interpela o presente<br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A hist\u00f3ria de Jo\u00e3o \u015awierc e de seus oito companheiros salesianos \u00e9 muito mais do que um tr\u00e1gico epis\u00f3dio da Segunda Guerra Mundial. \u00c9 um luminoso e perene exemplo de coragem moral e de coer\u00eancia crist\u00e3 diante da encarna\u00e7\u00e3o do mal absoluto. Em uma \u00e9poca em que a dignidade humana era sistematicamente pisoteada, eles afirmaram com a vida, e por fim com a morte, o primado inabal\u00e1vel da f\u00e9, da caridade e do perd\u00e3o. A fidelidade deles \u00e0 voca\u00e7\u00e3o de pastores e educadores, mesmo ao custo da vida, representa a mais alta express\u00e3o do carisma salesiano.<br \/>\nO legado duradouro de seu mart\u00edrio reside precisamente neste testemunho radical. Em um mundo ainda marcado pela viol\u00eancia, pelo \u00f3dio e pela indiferen\u00e7a, a capacidade deles de oferecer o perd\u00e3o e de manter viva a esperan\u00e7a nas trevas de Auschwitz e Dachau permanece uma mensagem avassaladora. Eles nos ensinam que a verdadeira for\u00e7a n\u00e3o reside na viol\u00eancia que oprime, mas na f\u00e9 que resiste e no amor que perdoa. O sacrif\u00edcio deles nos interpela sobre a qualidade da nossa f\u00e9 e sobre a nossa disposi\u00e7\u00e3o para testemunhar o Evangelho sem concess\u00f5es. Somos chamados n\u00e3o apenas a um ato de mem\u00f3ria hist\u00f3rica, mas a um renovado compromisso espiritual. O sacrif\u00edcio desses nove Servos de Deus continua a ser uma \u201csemente de vit\u00f3ria\u201d, uma advert\u00eancia contra toda ideologia totalit\u00e1ria e uma inspira\u00e7\u00e3o para todos aqueles que acreditam no poder redentor do amor e na vit\u00f3ria final de Cristo sobre a morte e o mal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre as p\u00e1ginas mais dolorosas e luminosas da hist\u00f3ria da Igreja durante a Segunda Guerra&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":49629,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":12,"footnotes":""},"categories":[167],"tags":[2600,1881,2228,2619],"class_list":["post-49635","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nossos-santos","tag-fe","tag-martires","tag-santos","tag-testemunhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49635"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49635\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49642,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49635\/revisions\/49642"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49629"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}