{"id":49527,"date":"2026-03-05T11:11:10","date_gmt":"2026-03-05T11:11:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=49527"},"modified":"2026-03-31T12:26:57","modified_gmt":"2026-03-31T12:26:57","slug":"matilde-salem-uma-mulher-forte-e-virtuosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/nossos-santos\/matilde-salem-uma-mulher-forte-e-virtuosa\/","title":{"rendered":"Matilde Salem. Uma mulher forte e virtuosa"},"content":{"rendered":"<p><em><i>A hist\u00f3ria de Matilde Salem \u00e9 a de uma mulher capaz de conciliar f\u00e9 profunda, engajamento social e uma extraordin\u00e1ria for\u00e7a interior. Nascida em Alepo no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, ela viveu em um contexto de bem-estar econ\u00f4mico e intensa vida social, mas soube transformar os privil\u00e9gios que recebeu em instrumentos de servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo. Esposa afetuosa, colaboradora inteligente nas atividades do marido e mulher de grande sensibilidade espiritual, ela atravessou prova\u00e7\u00f5es pessoais dolorosas que marcaram profundamente seu caminho. Ap\u00f3s a morte do marido, sua vida se voltou cada vez mais para uma dedica\u00e7\u00e3o total aos pobres e aos jovens da S\u00edria, animada por uma caridade concreta e vision\u00e1ria. Sua hist\u00f3ria testemunha como a santidade pode amadurecer na vida cotidiana, entre responsabilidades, sofrimento e uma generosidade sem limites.<\/i><\/em><\/p>\n<p>Viver e trabalhar politicamente n\u00e3o significa, antes de mais nada, alinhar-se a um partido ou a uma ideologia de regime, mas sim voltar o olhar para a <em><i>polis<\/i><\/em>, para a comunidade em que se vive, para suas necessidades concretas e espirituais: Foi assim que Matilde Salem viveu por sua terra natal, a S\u00edria dilacerada de hoje. Ela sabia como dar impulso e construir uma nova civiliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas distribuindo com largueza a riqueza que marcava sua fam\u00edlia de nascimento e aquela com a qual se casou, mas pagando por isso com sua pr\u00f3pria pele. Ela percorreu um caminho que n\u00e3o foi nada f\u00e1cil e tranquilo, tanto que em sua \u00faltima fase se viu lutando contra um c\u00e2ncer doloroso e inclemente.<br \/>\n\u00c0 primeira vista, a rea\u00e7\u00e3o de Matilde foi um ato espont\u00e2neo de f\u00e9: \u201cMeu Deus, obrigada!\u201d, mas ela teve que se conformar com uma realidade que se tornava cada vez mais \u00e1rdua e \u00e0 qual Matilde reagiu at\u00e9 mesmo com viol\u00eancia descontrolada, porque era a sua pr\u00f3pria pele; mas se acalmou em sua ora\u00e7\u00e3o \u00e0quela que a acompanhou durante toda a sua vida: Maria, a M\u00e3e de Jesus.<br \/>\nUma s\u00edria orgulhosa e altiva, uma mulher oriental apegada aos costumes de sua linhagem, Matilde Chelhot, nascida em uma fam\u00edlia rica em 1904, em Alepo, estudou com as Irm\u00e3s Arm\u00eanias da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, a quem sempre foi grata pela educa\u00e7\u00e3o que recebeu. Aos 18 anos jovem esposa de Jorge Elias Salem, um industrial empreendedor, ela viveu uma vida de casal feliz, com estima m\u00fatua e amor sincero.<br \/>\nA grande tristeza do casal Salem, que levava uma vida social elevada, viajava pela Europa e frequentava os grandes c\u00edrculos ligados \u00e0s suas empresas, era a impossibilidade de ter filhos devido ao diabetes grave de Jorge.<br \/>\nMatilde sabia como confortar o marido, estar ao seu lado mesmo quando seu car\u00e1ter sofria com as mudan\u00e7as de humor e o cansa\u00e7o de uma vida profissional em que sua desenvoltura e talento comercial n\u00e3o eram acompanhados por um estado f\u00edsico adequado.<br \/>\nPois bem, Matilde, uma s\u00edria de costumes ancestrais e gosto pr\u00f3prio, com a lend\u00e1ria hospitalidade oriental em seu auge, transformou-se em uma gerente bem-sucedida, n\u00e3o ambiciosa por si, mas sempre ao lado do marido, tornando-se sua conselheira e executora de seus projetos, com rigor t\u00e9cnico e olhar atento para o resultado de empreendimentos arriscados ou pouco claros.<br \/>\nN\u00e3o faltaram prova\u00e7\u00f5es que a separaram da amada fam\u00edlia Chelhot, na qual o rancor ou o ressentimento nunca prevaleceram. O cora\u00e7\u00e3o de Matilde permaneceu livre e long\u00e2nime, atento \u00e0s necessidades de seus parentes e netos de Salem, a quem ela apoiava e ajudava em suas respectivas escolhas com ternura e discernimento.<br \/>\nO ac\u00famulo de fortuna, no entanto, n\u00e3o era o objetivo dos Salem. Seu senso social de compartilhamento era muito vivo, animado por uma f\u00e9 crist\u00e3 e uma intensa vida de ora\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o os afastava das divers\u00f5es t\u00edpicas de sua classe, incluindo jogos, nos quais Matilde se destacava, ganhando mais do que perdendo&#8230;<br \/>\nA dolorosa separa\u00e7\u00e3o de seu amado Jorge Elias tornou-se para Matilde, inconsol\u00e1vel mas serena, um vislumbre de uma realidade que revelaria sua profunda voca\u00e7\u00e3o na vida que lhe restava.<br \/>\nEla recusou excelentes partidos, inclusive a possibilidade de se tornar m\u00e3e, dada sua pouca idade, e, em vez disso, abriu-se para uma dedica\u00e7\u00e3o ilimitada aos pobres, aos necessitados, sem distin\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o ou etnia.<br \/>\nSua caridade era moderna, sempre valiosa, construtiva e capaz de se autoeducar, pois, observando a situa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o s\u00edria, percebeu que o futuro da juventude seria marcado pela compet\u00eancia profissional: somente um trabalho digno e seguro moldaria o futuro de sua p\u00e1tria de forma diferente.<br \/>\nUm grande apoio, no projeto que seu esposo lhe havia deixado para realizar, foi o arcebispo greco-cat\u00f3lico de Alepo, Dom Isidoro Fattal, que conseguiu dar vida \u00e0 \u201cFunda\u00e7\u00e3o Jorge Salem\u201d, destinada justamente aos jovens s\u00edrios para que pudessem adquirir, por meio de escolas adequadas, uma habilidade profissional na qual pudessem se destacar e sustentar suas fam\u00edlias.<br \/>\nMatilde, ao mesmo tempo em que vivia uma intensa vida de ora\u00e7\u00e3o, sabia combinar as diferentes facetas de sua personalidade: rica propriet\u00e1ria, gerente perspicaz, m\u00e3e dos pequenos \u00f3rf\u00e3os que lavava e penteava, viajante atenta, mulher elegante e anfitri\u00e3 muito agrad\u00e1vel e generosa.<br \/>\nA descoberta da Obra do Amor Misericordioso moldou o desejo interior que permeava sua vida: os sacerdotes, sua vida santa e religiosa. Seu crescimento espiritual era vis\u00edvel e cada vez mais transparente, porque Matilde n\u00e3o nasceu santa, tornou-se santa, enfrentando um cotidiano problem\u00e1tico, mas com um sorriso nos l\u00e1bios e uma confian\u00e7a indestrut\u00edvel em Deus.<br \/>\nTerceira franciscana, despojou-se de todos os seus bens, depois de ter doado somas fabulosas, e morreu em uma casa que n\u00e3o era mais sua, livre e desapegada de todos os bens terrenos. Nela pulsava a grande ascend\u00eancia das mulheres s\u00edrias dos primeiros s\u00e9culos da vida da Igreja, mulheres que eram livres e liberadas de toda riqueza em favor dos mais necessitados.<br \/>\nMatilde nunca havia recusado ajuda a ningu\u00e9m. A lista de seus cargos em institui\u00e7\u00f5es de caridade \u00e9 desconcertante: onde ela encontrou a capacidade de ser uma presen\u00e7a ativa? Como ela percebia as necessidades e prestava sua ajuda?<br \/>\nComo ela sabia como conter iniciativas que se teriam dissolvido no nada?<br \/>\nA tens\u00e3o ecum\u00eanica que a caracterizava, em uma \u00e9poca em que o simples discurso poderia soar suspeito, experimentou um impulso eficaz que contagiou, sabendo estabelecer rela\u00e7\u00f5es de estima e ajuda com todos: com seus grandes amigos mu\u00e7ulmanos, com os ortodoxos, com representantes dos ritos crist\u00e3os orientais.<br \/>\nEm 1947, a \u201cFunda\u00e7\u00e3o Jorge Salem\u201d passou para as m\u00e3os dos filhos de Dom Bosco, que ainda hoje dirigem a obra educativa e transmitem aos alunos o que Matilde tinha de mais caro: o amor de Deus que transforma a vida de cada um.<br \/>\nO \u00faltimo per\u00edodo de sua vida foi um despojamento, uma \u201ck\u00e9nosis\u201d total. Sofrendo muito com o c\u00e2ncer que a devorava, manteve uma atitude serena e abandonada, em um dom l\u00facido para a unidade crist\u00e3 e a santifica\u00e7\u00e3o dos sacerdotes.<br \/>\nQueria ser sepultada ao lado de seu amado esposo na \u201cFunda\u00e7\u00e3o\u201d, na qual havia dedicado, com incans\u00e1vel servi\u00e7o, toda a sua energia.<br \/>\nUma mulher s\u00edria, oriental, l\u00edder incontest\u00e1vel em seu campo e rica de humor, uma mulher moderna e \u201cServa de Deus\u201d que, em breve, gostar\u00edamos de ver beatificada, assim como o Arcebispo Fattal previu em 27 de fevereiro de 1961, quando Matilde faleceu: \u201cSanta Matilde!\u201d<\/p>\n<p><em><i>Cristiana Dobner<\/i><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de Matilde Salem \u00e9 a de uma mulher capaz de conciliar f\u00e9 profunda,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":49519,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":3,"footnotes":""},"categories":[167],"tags":[2559,2565,1755,2592,2228,2619],"class_list":["post-49527","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nossos-santos","tag-benfeitores","tag-caridade","tag-cooperadores-salesianos","tag-familia-salesiana","tag-santos","tag-testemunhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49527"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49527\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49562,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49527\/revisions\/49562"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49519"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}