{"id":49278,"date":"2026-02-27T07:17:56","date_gmt":"2026-02-27T07:17:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=49278"},"modified":"2026-03-31T10:54:39","modified_gmt":"2026-03-31T10:54:39","slug":"rezar-o-rosario-com-bernadete-de-lourdes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/santissima-virgem-maria\/rezar-o-rosario-com-bernadete-de-lourdes\/","title":{"rendered":"Rezar o Ros\u00e1rio com Bernadete de Lourdes"},"content":{"rendered":"<p><em><i>O Ros\u00e1rio representa o cora\u00e7\u00e3o espiritual das apari\u00e7\u00f5es de Lurdes. Entre fevereiro e julho de 1858, Nossa Senhora apareceu dezoito vezes \u00e0 jovem Bernadete Soubirous, sempre segurando o ter\u00e7o do Ros\u00e1rio em suas m\u00e3os. Esses encontros celestiais n\u00e3o foram casuais em seu n\u00famero e sequ\u00eancia: as apari\u00e7\u00f5es parecem seguir uma estrutura profundamente ligada aos mist\u00e9rios do Ros\u00e1rio. Ap\u00f3s tr\u00eas apari\u00e7\u00f5es introdut\u00f3rias que remetem \u00e0 Sant\u00edssima Trindade, seguem-se quinze apari\u00e7\u00f5es que correspondem aos cinco mist\u00e9rios gozosos, aos cinco dolorosos e aos cinco gloriosos. Atrav\u00e9s desta extraordin\u00e1ria correspond\u00eancia, a Virgem Maria teria querido ensinar a Bernadete \u2013 e a todos n\u00f3s \u2013 o modo aut\u00eantico de rezar o Ros\u00e1rio, meditando os mist\u00e9rios da salva\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Bem-aventurada Virgem Maria, a \u00abImaculada Concei\u00e7\u00e3o\u00bb, apareceu 18 vezes a Bernadete em Lurdes, de 11 de fevereiro a 16 de julho de 1858. Entre os dedos ou pendurado no bra\u00e7o, ela sempre tinha o ter\u00e7o do Ros\u00e1rio.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nascida em 1844, Bernadete tinha 14 anos na \u00e9poca das apari\u00e7\u00f5es, mas parecia ter apenas 11 ou 12. Antes de 11 de fevereiro, Bernadete j\u00e1 rezava o Ros\u00e1rio, mas n\u00e3o conhecia os 15 mist\u00e9rios. Al\u00e9m disso, ignorava o mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando Nossa Senhora lhe apareceu pela primeira vez em 11 de fevereiro de 1858, Bernadete, cheia de espanto e temor, pegou seu Ros\u00e1rio para come\u00e7ar a reza com o sinal da cruz. Imposs\u00edvel! S\u00f3 conseguiu quando a Apari\u00e7\u00e3o fez o sinal da cruz com o seu Ros\u00e1rio. Com este fato surpreendente, parece que Nossa Senhora quis ensinar a Bernadete o modo de rezar o Ros\u00e1rio.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As 18 apari\u00e7\u00f5es ocorreram na Quaresma, tempo de convers\u00e3o, exceto as duas primeiras e as duas \u00faltimas, e podem ser divididas assim: 3 mais 15. As 3 primeiras parecem remeter ao mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade (com as 3 virtudes teologais). No final da terceira apari\u00e7\u00e3o, a Virgem perguntou \u00e0 menina: <em><i>\u00abQuereis fazer-me o favor de vir aqui por quinze dias?\u00bb<\/i><\/em>. Ora, este n\u00famero 15 referente \u00e0s apari\u00e7\u00f5es parece ser poss\u00edvel relacion\u00e1-lo com os 15 mist\u00e9rios do Ros\u00e1rio: 5 gozosos, 5 dolorosos e 5 gloriosos. Eis a s\u00e9rie das apari\u00e7\u00f5es com as poss\u00edveis correspond\u00eancias entre os mist\u00e9rios do Ros\u00e1rio e os eventos na gruta:<\/p>\n<p><strong><b>Introdu\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria<br \/>\n<\/b><\/strong>1\u00aa \u2014 11 de fevereiro: o Pai (f\u00e9) \u2013 sinal da cruz<br \/>\n2\u00aa \u2014 14 de fevereiro: o Filho (esperan\u00e7a) \u2013 \u00e1gua benta<br \/>\n3\u00aa \u2014 18 de fevereiro: o Esp\u00edrito (caridade) \u2013 <em><i>Eu vos prometo\u2026<\/i><\/em><\/p>\n<p><strong><b>Mist\u00e9rios gozosos<br \/>\n<\/b><\/strong>4\u00aa \u2014 19 de fevereiro: Anuncia\u00e7\u00e3o \u2013 sauda\u00e7\u00f5es e sorrisos<br \/>\n5\u00aa \u2014 20 de fevereiro: Visita\u00e7\u00e3o \u2013 sauda\u00e7\u00f5es e sorrisos<br \/>\n6\u00aa \u2014 21 de fevereiro: Natividade \u2013 \u00eaxtase silencioso<br \/>\n7\u00aa \u2014 23 de fevereiro: Apresenta\u00e7\u00e3o \u2013 alegria e tristeza<br \/>\n8\u00aa \u2014 24 de fevereiro: Jesus perdido \u2013 <em><i>Penit\u00eancia! Rezai!<\/i><\/em><\/p>\n<p><strong><b>Mist\u00e9rios dolorosos<br \/>\n<\/b><\/strong> 9\u00aa \u2014 25 de fevereiro: Agonia \u2013 <em><i>Beber \u00e1gua suja! Comer erva!<\/i><\/em><br \/>\n10\u00aa \u2014 27 de fevereiro: Flagela\u00e7\u00e3o \u2013 gestos penitenciais<br \/>\n11\u00aa \u2014 28 de fevereiro: Coroa\u00e7\u00e3o de espinhos \u2013 gestos penitenciais<br \/>\n12\u00aa \u2014 1\u00ba de mar\u00e7o: Via Sacra \u2013 subida de joelhos<br \/>\n13\u00aa \u2014 2 de mar\u00e7o: Morte de Jesus \u2013 <em><i>Prociss\u00e3o e capela!<\/i><\/em><\/p>\n<p><strong><b>Mist\u00e9rios gloriosos<br \/>\n<\/b><\/strong>14\u00aa \u2014 3 de mar\u00e7o: Ressurrei\u00e7\u00e3o \u2013 encontra a Senhora que j\u00e1 a espera<br \/>\n15\u00aa \u2014 4 de mar\u00e7o: Ascens\u00e3o \u2013 rosto transfigurado<br \/>\n16\u00aa \u2014 25 de mar\u00e7o: Pentecostes \u2013 <em><i>Eu sou a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o!<\/i><\/em><br \/>\n17\u00aa \u2014 7 de abril: Assun\u00e7\u00e3o de Maria \u2013 a <em><i>capela!<\/i><\/em><br \/>\n18\u00aa \u2014 16 de julho: Coroa\u00e7\u00e3o de Maria \u2013 nunca t\u00e3o bela!<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesta proposta, seguimos o estudo do especialista P. Ren\u00e9 Laurentin (<em><i>Les apparitions de Lourdes. R\u00e9cit authentique [As apari\u00e7\u00f5es de Lurdes. Relato aut\u00eanrico]<\/i><\/em>, 1979). O autor n\u00e3o achou oportuno retomar algumas tentativas anteriores sobre as correspond\u00eancias entre as apari\u00e7\u00f5es e os 15 mist\u00e9rios. A n\u00f3s, no entanto, pareceu poss\u00edvel descobrir algumas dessas correspond\u00eancias. Nossa Senhora teria querido ensinar a Bernadete a rezar o Ros\u00e1rio meditando o mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade e os mist\u00e9rios gozosos, dolorosos e gloriosos. Boa ora\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio com Bernadete de Lourdes!<\/p>\n<p><strong><b>INTRODU\u00c7\u00c3O TRINIT\u00c1RIA<br \/>\n<\/b><\/strong><br \/>\n<em><i>Inicia-se a reza do Ros\u00e1rio com o sinal da cruz, dizendo: Em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo. Segue-se o Creio, Pai Nosso, 3 Ave-Marias em honra da Sant\u00edssima Trindade e o Gl\u00f3ria.<br \/>\n<\/i><\/em><br \/>\n<strong><b>1\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 11 de fevereiro, quinta-feira antes das Cinzas \u2013 MARIA, FILHA DO PAI<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadete ouve um ru\u00eddo como um sopro de vento. Mas nada se move. Outro ru\u00eddo id\u00eantico: um arbusto de espinheiro (tamb\u00e9m chamado de rosa selvagem ou \u00abroseira\u00bb) agita-se numa esp\u00e9cie de nicho no alto \u00e0 direita da gruta de Massabielle. Uma luz ilumina este nicho escuro e, nesse halo luminoso, aparece uma senhora maravilhosa, ou melhor, uma senhorita, de t\u00e3o jovem que parecia, que sorri, abre os bra\u00e7os inclinando-se com um gesto de acolhimento que parece dizer: \u201cAproximai-vos\u201d.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadete pega seu Ros\u00e1rio e levanta o bra\u00e7o para fazer o sinal da cruz com o crucifixo. Imposs\u00edvel! A apari\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem em m\u00e3os um Ros\u00e1rio branco com um grande crucifixo luminoso que ela levanta at\u00e9 a testa. Imitando tal gesto, o bra\u00e7o de Bernadete se levanta e faz, por sua vez, um grande sinal da cruz. Depois, p\u00f5e-se de joelhos. Desfiando o Ros\u00e1rio, ela olha o m\u00e1ximo que pode. A apari\u00e7\u00e3o faz deslizar as contas entre os dedos, mas n\u00e3o move os l\u00e1bios. Terminada a reza, desaparece de repente num rastro luminoso.<\/p>\n<p><strong><b>2\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 14 de fevereiro, domingo antes das Cinzas \u2013 MARIA, M\u00c3E DO FILHO<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ap\u00f3s a missa solene, Bernadete obt\u00e9m autoriza\u00e7\u00e3o para voltar \u00e0 gruta com algumas companheiras, depois de se munir de \u00e1gua benta. Bernadete corre na frente. As companheiras a encontram ajoelhada, toda recolhida com o Ros\u00e1rio na m\u00e3o. Ao final da segunda dezena, ela tem um sobressalto. Eis a luz! Ei-la! Com o Ros\u00e1rio deslocado para o bra\u00e7o direito, a Senhora olha para o pequeno grupo de companheiras fazendo gestos de sauda\u00e7\u00e3o e sorrisos.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadete joga-lhe \u00e1gua benta para saber se a Senhora vem da parte de Deus ou n\u00e3o. Quanto mais a asperge, mais a Senhora sorri, inclinando a cabe\u00e7a.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De repente, uma grande pedra lan\u00e7ada por uma companheira irritada desce da montanha e cai ao seu lado em peda\u00e7os, semeando o p\u00e2nico entre as que a acompanhavam. Enquanto Bernadete permanece absorta em sua vis\u00e3o, tentam afast\u00e1-la \u00e0 for\u00e7a da gruta. Seu rosto est\u00e1 molhado de l\u00e1grimas, mas ela continua a sorrir. O \u00eaxtase s\u00f3 cessa quando a fazem entrar na casa mais pr\u00f3xima.<\/p>\n<p><strong><b>3\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 18 de fevereiro, quinta-feira depois das Cinzas \u2013 MARIA, ESPOSA DO ESP\u00cdRITO<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De manh\u00e3 cedo, ap\u00f3s a primeira missa, acompanhada por duas senhoras, Bernadete volta \u00e0 gruta e se ajoelha diante do nicho. Assim que a reza do Ros\u00e1rio come\u00e7a, a Senhora envolta em luz est\u00e1 l\u00e1! Bernadete desfia seu Ros\u00e1rio junto com a Senhora. Depois, solicitada por suas acompanhantes, Bernadete se levanta e se aproxima da Senhora para perguntar-lhe o que ela quer e que o coloque por escrito.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De repente, ela para, perplexa, depois vira \u00e0 esquerda e sobe a encosta sob a cavidade interna da rocha. \u00c9 ali que ela rev\u00ea a Senhora, t\u00e3o perto que poderia toc\u00e1-la. Ela se ergue e, estendendo os bra\u00e7os, entrega \u00e0 Senhora caneta e papel, dizendo-lhe: \u00abTeria a bondade de escrever o seu nome?\u00bb. A Senhora sorri docemente e, sorrindo, diz-lhe: <em><i>\u00abN\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio\u00bb<\/i><\/em>.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E acrescenta, desta vez muito s\u00e9ria: <em><i>\u00abQuereis fazer-me o favor de vir aqui por quinze dias?\u00bb<\/i><\/em>. Em resposta, Bernadete promete de todo o cora\u00e7\u00e3o. A esta promessa responde outra promessa: <em><i>\u00abPrometo-vos fazer-vos feliz n\u00e3o neste mundo, mas no outro\u00bb<\/i><\/em>.<\/p>\n<p><strong><b>MIST\u00c9RIOS GOZOSOS<br \/>\n<\/b><\/strong><br \/>\n<em><i>A nota dominante dos 5 mist\u00e9rios gozosos e das apari\u00e7\u00f5es correspondentes \u00e9 a alegria. As apari\u00e7\u00f5es s\u00e3o pontuadas por sorrisos e sauda\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s a 6\u00aa apari\u00e7\u00e3o, ela sofre a primeira grande prova\u00e7\u00e3o: o comiss\u00e1rio de pol\u00edcia a amea\u00e7a (pode-se pensar nas amea\u00e7as de Herodes). Durante a 8\u00aa apari\u00e7\u00e3o (Jesus perdido e procurado por tr\u00eas dias com ang\u00fastia), Bernadete corre do nicho para a gruta e da gruta para o nicho como se procurasse algo ou algu\u00e9m; \u00e9 convidada a realizar os primeiros gestos penitenciais que caracterizar\u00e3o os 5 mist\u00e9rios seguintes. Estas 5 apari\u00e7\u00f5es ocorrem da sexta-feira depois das Cinzas at\u00e9 a quarta-feira da 1\u00aa semana da Quaresma. A segunda-feira, 22 de fevereiro, \u00e9 um dia sem apari\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/i><\/em><br \/>\n<strong><b>4\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 19 de fevereiro, sexta-feira depois das Cinzas \u2013 A ANUNCIA\u00c7\u00c3O<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por volta das 6 da manh\u00e3, Bernadete desce \u00e0 gruta. P\u00f5e-se de joelhos e come\u00e7a a rezar o Ros\u00e1rio. A tia Bernarda, sua madrinha, acende uma vela benta e a coloca em sua m\u00e3o direita.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mal pronunciou tr\u00eas <em><i>Ave-Marias<\/i><\/em> e seu rosto muda. Ela sorri e sa\u00fada com as m\u00e3os e a cabe\u00e7a. \u00c9 um prazer v\u00ea-la saudar, como se durante toda a sua vida n\u00e3o tivesse feito outra coisa sen\u00e3o aprender a fazer sauda\u00e7\u00f5es. A vis\u00e3o sorri em sil\u00eancio.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O rosto p\u00e1lido de Bernadete e a fixidez de seu olhar nunca inspiram medo. Sua madrinha, muito emotiva, temendo perder sua afilhada, derrama l\u00e1grimas quentes. Ela a aperta contra o corpo, emitindo um grito.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O encanto \u00e9 quebrado. O rosto de Bernadete retoma sua cor. Ela desperta muito calma deste mundo desconhecido. O retorno para casa \u00e9 sereno e recolhido.<\/p>\n<p><strong><b>5\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 20 de fevereiro, s\u00e1bado depois das Cinzas \u2013 A VISITA\u00c7\u00c3O<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadete parte em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 gruta depois das 6 da manh\u00e3. Quando chega, p\u00f5e-se de joelhos com seu Ros\u00e1rio, olhando de vez em quando para o nicho.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ap\u00f3s um quarto de hora, volta a olhar para o nicho. Agora ela a v\u00ea. A Senhora sorri e a sa\u00fada. Bernadete tamb\u00e9m sorri, sa\u00fada e suas p\u00e1lpebras n\u00e3o se fecham, mesmo quando inclina a cabe\u00e7a para fazer as sauda\u00e7\u00f5es.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Um quarto de hora mais tarde, uma \u00faltima sauda\u00e7\u00e3o, com um v\u00e9u de tristeza no rosto enquanto as p\u00e1lpebras se movem novamente. Bernadete se levanta. A vis\u00e3o terminou.<\/p>\n<p><strong><b>6\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 21 de fevereiro, 1\u00ba domingo da Quaresma \u2013 A NATIVIDADE<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadete caminha em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 gruta antes das 6 da manh\u00e3. Como sempre, ajoelha-se, acende uma vela, pega seu Ros\u00e1rio, faz o sinal da cruz e come\u00e7a a rez\u00e1-lo, inclinando-se em sinal de sauda\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Naquela manh\u00e3, uma centena de pessoas contempla o \u00eaxtase silencioso de Bernadete. E voltam para casa contentes.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00c0 noite, ela \u00e9 interrogada pela primeira vez pelo comiss\u00e1rio de pol\u00edcia, que a amea\u00e7a prend\u00ea-la e a pro\u00edbe de ir \u00e0 gruta.<\/p>\n<p><strong><b>7\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 23 de fevereiro, ter\u00e7a-feira da 1\u00aa semana da Quaresma \u2013 A APRESENTA\u00c7\u00c3O<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pouco depois das 6 da manh\u00e3, Bernadete chega \u00e0 gruta. Ajoelha-se e come\u00e7a a rezar o Ros\u00e1rio. Chegando ao final da primeira dezena do Ros\u00e1rio, ocorre uma mudan\u00e7a. O movimento dos dedos da m\u00e3o se interrompe. Depois retoma, mas de maneira menos regular. A alegria parece prender-lhe a respira\u00e7\u00e3o e bloquear seu modo de rezar. Sorrisos, sauda\u00e7\u00f5es, grandes sinais da cruz interrompem a reza do Ros\u00e1rio.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A certa altura, parece ter in\u00edcio uma esp\u00e9cie de di\u00e1logo. Bernadete escuta, maravilha-se, acena com a cabe\u00e7a que sim e depois que n\u00e3o. \u00c0s vezes fica triste, depois ri de maneira franca e alegre.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Senhora lhe confidenciou um primeiro segredo? \u00c9 mais prov\u00e1vel que se trate de uma ora\u00e7\u00e3o secreta, \u00absomente para ela\u00bb, que mais tarde Bernadete rezar\u00e1 todos os dias de sua vida.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O coletor de impostos, a princ\u00edpio c\u00e9tico, \u00e9 logo conquistado. Outras testemunhas, no entanto, querem verificar os fatos. Uma companheira de Bernadete a belisca, depois lhe espeta um alfinete no ombro: nenhuma rea\u00e7\u00e3o! A vela escapa da m\u00e3o da vidente e queima-lhe os dedos: nenhum mal!<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00daltimas rever\u00eancias e \u00faltimos sorrisos: s\u00e3o quase 7 horas quando Bernadete retorna a Lurdes. Na cidade, h\u00e1 os entusiastas, os fervorosos, aqueles que esperam antes de se pronunciar, e os livres-pensadores que veem nisso apenas motivo de zombaria e esc\u00e1rnio.<\/p>\n<p><strong><b>8\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 24 de fevereiro, quarta-feira da 1\u00aa semana da Quaresma \u2013 O ENCONTRO DE JESUS<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De manh\u00e3 cedo, Bernadete chega \u00e0 gruta, ajoelha-se, acende sua vela e faz o sinal da cruz. As contas do Ros\u00e1rio deslizam suavemente entre seus dedos entrela\u00e7ados. Perto do final da primeira dezena, ela adentra sorridente em outro mundo.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao fim de cinco ou seis minutos, Bernadete n\u00e3o sorri mais. Levanta-se, parece triste, inquieta, at\u00e9 mesmo descontente. Seus olhos est\u00e3o cheios de l\u00e1grimas e ela parece procurar algu\u00e9m. Dirige-se para a gruta, olha para a direita e reencontra seu sorriso. Seus l\u00e1bios se movem. Mas a conversa parece velar-se de tristeza. Ela retorna ao lugar onde estava antes com os olhos cheios de l\u00e1grimas.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Chegando diante do nicho externo, a tristeza desaparece de seu rosto, que \u00abse ilumina com suaves sorrisos\u00bb.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadete vai e vem do nicho externo para a cavidade interna; em seu rosto alternam-se alegria e tristeza. Ela ouve a Senhora pronunciar uma nova palavra: <em><i>\u00abPenit\u00eancia\u00bb<\/i><\/em>. E acrescentar: <em><i>\u00abRezai a Deus pela convers\u00e3o dos pecadores\u00bb<\/i><\/em>.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ent\u00e3o, ela lhe pede para subir de joelhos e beijar a terra em sinal de penit\u00eancia pelos pecadores. O rosto da Senhora estava triste. Bernadete responde que sim. A apari\u00e7\u00e3o lhe pergunta \u00abse isso a incomodaria\u00bb. \u00abOh! n\u00e3o!\u00bb, responde Bernadete com todo o cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Imediatamente, ela avan\u00e7a de joelhos, depois inclina o rosto para a frente. Em seguida, quer recome\u00e7ar, mas, interrompida pelo grito de sua tia, retorna a este mundo. A apari\u00e7\u00e3o desapareceu.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadete se sente disposta a tudo para agradar a esta amiga celestial, t\u00e3o triste ao falar-lhe de pecadores, mas que lhe confidenciou um novo segredo ou uma ora\u00e7\u00e3o secreta. Na cidade, enquanto os faladores encontram o que criticar, outros levam a s\u00e9rio o conselho da Senhora ou aprofundam seu fervor.<\/p>\n<p><strong><b>MIST\u00c9RIOS DOLOROSOS<br \/>\n<\/b><\/strong><br \/>\n<em><i>A dimens\u00e3o penitencial caracteriza os 5 mist\u00e9rios dolorosos e as apari\u00e7\u00f5es correspondentes. Bernadette se submete a algumas penit\u00eancias: caminhar de joelhos, beijar a terra, beber \u00e1gua barrenta e comer ervas selvagens. Os \u00eaxtases praticamente desapareceram; raramente ela revela grande alegria e ri. Durante a 9\u00aa apari\u00e7\u00e3o (correspondente \u00e0 agonia de Jesus), por tr\u00eas vezes ela tenta beber a \u00e1gua barrenta sem conseguir. Bernadette \u00e9 considerada louca. Sofre interrogat\u00f3rios dur\u00edssimos. Estas 5 apari\u00e7\u00f5es ocorrem da quinta-feira da 1\u00aa semana \u00e0 ter\u00e7a-feira da 2\u00aa semana da Quaresma. A sexta-feira, 26 de fevereiro, \u00e9 um dia sem apari\u00e7\u00e3o. A 13\u00aa apari\u00e7\u00e3o anuncia os mist\u00e9rios gloriosos com os dois pedidos da Apari\u00e7\u00e3o: vir em prociss\u00e3o \u00e0 gruta e construir uma capela.<br \/>\n<\/i><\/em><\/p>\n<p><strong><b>9\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 25 de fevereiro, quinta-feira da 1\u00aa semana da Quaresma \u2013 A AGONIA<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Chegando \u00e0 gruta por volta das cinco e meia da manh\u00e3, Bernadette se ajoelha e pega seu Ros\u00e1rio. Levanta os olhos para o nicho, depois os abaixa e, com a cruz do Ros\u00e1rio entre os dedos, os levanta novamente para a rocha. Recita seu Ros\u00e1rio em voz baixa. Nada de extraordin\u00e1rio.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mas eis que ela tira seu v\u00e9u branco, entrega sua vela \u00e0 tia e come\u00e7a a subir de joelhos a encosta que leva ao fundo da gruta. De vez em quando, beija a terra. Ouve-se ela murmurar tr\u00eas vezes uma palavra: \u00abPenit\u00eancia, penit\u00eancia, penit\u00eancia!\u00bb. Chegando \u00e0 abertura da gruta, ela para, levanta-se e olha ao redor. A Senhora lhe diz: <em><i>\u00abV\u00e1 beber na fonte e se lavar\u00bb<\/i><\/em>. E acrescenta: <em><i>\u00abComer\u00e1 tamb\u00e9m a erva que est\u00e1 ali\u00bb<\/i><\/em>. Tudo isso \u00e9 \u00abpelos pecadores\u00bb, explica-lhe a Senhora com um ar triste.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadette volta de joelhos para onde estava antes, depois se dirige ao rio Gave, mas algo a det\u00e9m. Ela volta, olha para o nicho, levanta-se, retorna para debaixo da ab\u00f3bada em busca de algo que n\u00e3o v\u00ea. Desce novamente em dire\u00e7\u00e3o ao Gave, mas de novo algo a det\u00e9m. Volta para debaixo da ab\u00f3bada, observando com repulsa o solo lamacento. Ent\u00e3o, de repente, curva-se sobre o ch\u00e3o, raspa a terra, pega aquela lama, leva-a ao rosto e a joga fora, enojada.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Come\u00e7a a raspar uma segunda vez e novamente joga fora aquela lama com repulsa.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Repete os mesmos gestos uma terceira vez.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Finalmente, arrisca uma quarta vez, raspa; um pouco de \u00e1gua sobe na concha de sua m\u00e3o e ela a bebe com dificuldade. Pega-a novamente e desta vez para lambuzar o rosto.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao redor do buraco que cavou, h\u00e1 uma encosta coberta de ervas selvagens. Ela come um pouco e volta para onde estava antes, e recome\u00e7a a rezar. N\u00e3o conseguiu fazer o \u00faltimo sinal da cruz antes que a Senhora o fizesse. Depois de dois ou tr\u00eas minutos, ela se levanta e volta para a cidade.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00c0 noite, Bernadette \u00e9 convocada pelo procurador imperial, que a interroga, amea\u00e7ando-a prend\u00ea-la. Ela conta os fatos como aconteceram, mas o procurador os deforma intencionalmente. Manda chamar o comiss\u00e1rio de pol\u00edcia, que, no entanto, n\u00e3o chega. O caso \u00e9 adiado \u00abpara o dia seguinte\u00bb.<\/p>\n<p><strong><b>10\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 27 de fevereiro, s\u00e1bado da 1\u00aa semana da Quaresma \u2013 A FLAGELA\u00c7\u00c3O<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00c0s 7 da manh\u00e3, Bernadette chega \u00e0 gruta e se ajoelha. Ap\u00f3s as sauda\u00e7\u00f5es e sorrisos iniciais, ela fica triste a ponto de se tornar irreconhec\u00edvel.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ela se levanta, depois se ajoelha novamente, avan\u00e7a de joelhos beijando a terra, sobe a encosta sob a cavidade, desce e sobe novamente. Desta vez, inclina-se no meio de um tufo de erva e leva aos l\u00e1bios a \u00e1gua barrenta.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ela suja o rosto de tal forma que fica desfigurada e repugnante.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O diretor da escola superior de Lurdes desvia o olhar, arrepiado. Tudo isso n\u00e3o faz sentido \u2013 pensa ele \u2013, \u00e9 um caso cl\u00ednico.<\/p>\n<p><strong><b>11\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 28 de fevereiro, 2\u00ba domingo da Quaresma \u2013 A COROA\u00c7\u00c3O DE ESPINHOS<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pela manh\u00e3, a multid\u00e3o encontra Bernadette na gruta, ajoelhada com sua vela.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ela realiza gestos penitenciais semelhantes aos dos dias anteriores. A apari\u00e7\u00e3o dura bastante tempo.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A multid\u00e3o tamb\u00e9m adquiriu o h\u00e1bito de beijar a terra, tanto durante quanto ap\u00f3s a apari\u00e7\u00e3o. Um pouco mais numerosa que ontem, as pessoas v\u00e3o \u00e0 fonte, cujo fluxo aumenta.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao sair da missa solene, Bernadette \u00e9 levada novamente ao juiz de instru\u00e7\u00e3o, que amea\u00e7a prend\u00ea-la.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O diretor da escola superior de Lurdes a interroga sobre os estranhos exerc\u00edcios realizados ontem. Bernadette responde: \u00abA Vis\u00e3o me ordenou como penit\u00eancia, primeiro para mim e depois para os outros\u00bb.<\/p>\n<p><strong><b>12\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 1\u00ba de mar\u00e7o, segunda-feira da 2\u00aa semana da Quaresma \u2013 A VIA SACRA<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Chegando \u00e0 gruta, Bernadette come\u00e7a a rezar o Ros\u00e1rio. Mas eis que sua alma \u00e9 arrebatada. Alegria e tristeza se sucedem em seu rosto.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Depois, retoma sua marcha de joelhos e renova os exerc\u00edcios penitenciais. Durante a subida de joelhos, ela para, coloca as m\u00e3os na cabe\u00e7a com um gesto de tristeza indignada. Seria porque algumas pessoas arrancaram galhos do roseiral, ou simplesmente porque a multid\u00e3o a impedia de avan\u00e7ar?<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Chegando \u00e0 fonte, bebe a \u00e1gua barrenta sem peg\u00e1-la com a m\u00e3o. Suja o rosto com ela, vira-se e olha para o nicho interno.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Depois disso, pegando novamente um ter\u00e7o, fica triste, guarda-o no bolso e tira outro. De fato, a Senhora lhe aparecera contrariada e lhe fizera um sinal. Ela volta a rezar, desta vez usando o ter\u00e7o que era seu.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadete n\u00e3o encontra paz com as pessoas, que correm atr\u00e1s dela. A multid\u00e3o oscila entre a rejei\u00e7\u00e3o e a adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><b>13\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 2 de mar\u00e7o, ter\u00e7a-feira da 2\u00aa semana da Quaresma \u2013 A MORTE DE JESUS<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadette chega \u00e0 gruta \u00e0s 7 da manh\u00e3. Ali, realiza os exerc\u00edcios habituais: caminha de joelhos, beija a terra, bebe na fonte.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Um di\u00e1logo ocorre sob a cavidade interna. Bernadete ri, depois fica s\u00e9ria. Desta vez, ela \u00e9 encarregada pela Senhora de uma miss\u00e3o bem precisa: <em><i>\u00abDireis aos padres para virem aqui em prociss\u00e3o e constru\u00edrem uma capela\u00bb<\/i><\/em>. Sup\u00f5e-se tamb\u00e9m que ela tenha recebido um segredo.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Acompanhada por suas tias, ela vai at\u00e9 o senhor p\u00e1roco para pedir-lhe que fa\u00e7a a prociss\u00e3o. \u00abN\u00e3o posso fazer uma prociss\u00e3o para uma Senhora sem nome\u00bb \u00e9 a resposta do p\u00e1roco, que, irritado, a manda para casa, acusando-a de contar mentiras. Na confus\u00e3o, ela se esqueceu de falar da capela.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00c0 noite, ela volta ao p\u00e1roco com uma amiga para pedir-lhe a capela. Mas ele a repreende: \u00abVoc\u00ea continua sem saber o nome dessa Senhora!\u00bb.<\/p>\n<p><strong><b>MIST\u00c9RIOS GLORIOSOS<br \/>\n<\/b><\/strong><br \/>\n<em><i>As \u00faltimas apari\u00e7\u00f5es s\u00e3o todas orientadas para a constru\u00e7\u00e3o do futuro santu\u00e1rio, a \u201ccapela\u201d pedida pela Senhora. Tr\u00eas apari\u00e7\u00f5es ainda ocorrem na Quaresma. A 15\u00aa, que corresponde ao mist\u00e9rio da Ascens\u00e3o, acontece numa quinta-feira. A Senhora revela sua identidade na 16\u00aa apari\u00e7\u00e3o, em 25 de mar\u00e7o, festa da Anuncia\u00e7\u00e3o (mist\u00e9rio de Pentecostes). A 17\u00aa apari\u00e7\u00e3o ocorre na quarta-feira depois da P\u00e1scoa. A 18\u00aa e \u00faltima apari\u00e7\u00e3o acontece em julho, na festa de Nossa Senhora do Carmo.<br \/>\n<\/i><\/em><br \/>\n<strong><b>14\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 3 de mar\u00e7o, quarta-feira da 2\u00aa semana da Quaresma \u2013 A RESSURREI\u00c7\u00c3O<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadette chega \u00e0 gruta \u00e0s 7 da manh\u00e3 com sua m\u00e3e e sua tia. H\u00e1 tanta gente que sua vela se quebra. Ela \u00e9 for\u00e7ada a ficar de p\u00e9 por falta de espa\u00e7o. Reza-se o Ros\u00e1rio \u00e0 espera do sorriso que anuncia o \u00eaxtase. Nada\u2026 Nada al\u00e9m de uma tristeza crescente \u00e0 medida que a reza do Ros\u00e1rio avan\u00e7a. Bernadete enxuga os olhos cheios de l\u00e1grimas, junto com sua m\u00e3e, que tamb\u00e9m chora. Naquela manh\u00e3, Bernadete n\u00e3o viu nada.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Depois da escola, ela se sente interiormente atra\u00edda para a gruta. Volta para l\u00e1 com a tia, que arranjou uma vela. Ao chegar, encontra a Senhora ali, sorrindo, \u00e0 sua espera. Bernadette pergunta qual \u00e9 o seu nome, mas a Senhora apenas sorri. Ela quer a capela.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadete se apresenta novamente ao p\u00e1roco de Lurdes para pedir-lhe a capela. \u00abSe ela quer a capela \u2013 responde o p\u00e1roco \u2013, que a Senhora diga o pr\u00f3prio nome e fa\u00e7a florescer o roseiral da gruta!\u00bb.<\/p>\n<p><strong><b>15\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 4 de mar\u00e7o, quinta-feira da 2\u00aa semana da Quaresma \u2013 A ASCENS\u00c3O<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por volta das 7 da manh\u00e3, Bernadete se ajoelha no lugar de sempre. Acende a vela. Faz o sinal da cruz e come\u00e7a a rezar o Ros\u00e1rio, fazendo um sinal para que as pessoas rezem com ela. Na terceira Ave-Maria da segunda dezena, um sorriso aparece em seu rosto. O mundo exterior, para Bernadete, desapareceu.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O tempo passa suavemente, em uma cont\u00ednua repeti\u00e7\u00e3o de alegria e exulta\u00e7\u00e3o. Bernadette continua a rezar lentamente o Ros\u00e1rio, interrompido por sorrisos e sauda\u00e7\u00f5es. No final, ela leva \u00e0 testa os tr\u00eas dedos com os quais segura a cruz, mas s\u00f3 na terceira tentativa consegue fazer o sinal da cruz.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao fim de meia hora, ela se levanta e entra na gruta. Com o rosto iluminado de alegria, ela sa\u00fada e, no espa\u00e7o de dois minutos, d\u00e1 at\u00e9 18 sorrisos. O rosto ent\u00e3o se torna s\u00e9rio e triste por tr\u00eas minutos, depois se ilumina novamente. Ela sa\u00fada duas ou tr\u00eas vezes e volta ao seu lugar habitual. Ajoelha-se e recome\u00e7a a rezar o Ros\u00e1rio.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sobe novamente para debaixo da cavidade interna, mas desta vez fica desapontada. Parece estar \u00e0 espera por no m\u00e1ximo dois minutos, parece contrariada, desce novamente, olha na dire\u00e7\u00e3o do nicho, faz um sinal da cruz, recolhe-se por um instante, levanta-se. Terminada a reza do Ros\u00e1rio, a vis\u00e3o desapareceu. Ela apaga sua vela e, sem dizer uma palavra, retoma seu caminho para Lurdes.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Depois do almo\u00e7o, volta ao p\u00e1roco e diz: \u00abPerguntei \u00e0 Senhora o seu nome e ela sorriu. Pedi-lhe para fazer florescer o roseiral, e ela sorriu de novo. Mas ela ainda quer a capela\u00bb.<\/p>\n<p><strong><b>16\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 25 de mar\u00e7o, quinta-feira da 6\u00aa semana da Quaresma \u2013 PENTECOSTES<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por volta das 5 da manh\u00e3, Bernadete chega \u00e0 gruta; a Senhora j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1, esperando por ela. Come\u00e7a a rezar o Ros\u00e1rio. O rosto da vidente se ilumina com um sorriso. Mas, ao final da reza do Ros\u00e1rio, ela parece desapontada, hesitante. Seu rosto parece tenso. Finalmente, avan\u00e7a para o interior da gruta. A Senhora lhe faz um sinal e Bernadete se aproxima. Desta vez, ela ousa perguntar-lhe: \u00abSenhorita, pode ter a bondade de dizer quem \u00e9, por favor?\u00bb. A radiante Senhorita sorri\u2026 Bernadete repete a pergunta: a Senhorita esbo\u00e7a um sorriso ainda mais belo, sorri. Bernadete lhe suplica uma terceira vez: sempre sil\u00eancio. Na quarta tentativa, a Senhorita n\u00e3o ri mais. Passa o Ros\u00e1rio para o bra\u00e7o direito. Abaixa as m\u00e3os separadas em dire\u00e7\u00e3o ao ch\u00e3o. Depois, levanta os olhos para o c\u00e9u e diz: <strong><em><b><i>\u00abEu sou a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o\u00bb<\/i><\/b><\/em><\/strong>.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Faz quase uma hora que a apari\u00e7\u00e3o come\u00e7ou. O rosto de Bernadette volta \u00e0 sua cor habitual. Ela se levanta, cheia de alegria e gratid\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadette come\u00e7a a correr para encontrar o p\u00e1roco, repetindo em voz baixa as palavras que ouviu, temendo esquec\u00ea-las. Bate \u00e0 porta e, quase cara a cara, lan\u00e7a ao seu reverendo p\u00e1roco a miss\u00e3o recebida: \u00ab<em><i>Que soy era Immaculada Councepciou<\/i><\/em>\u00bb.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O p\u00e1roco tenta manter a compostura, mas em seu \u00edntimo est\u00e1 abalado. \u00abEla continua querendo a capela\u00bb, murmura Bernadete durante um momento de sil\u00eancio. Depois, o p\u00e1roco a manda para casa.<\/p>\n<p><strong><b>17\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 7 de abril, quarta-feira depois da P\u00e1scoa \u2013 A ASSUN\u00c7\u00c3O<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bernadete chega \u00e0 gruta \u00e0s 5 da manh\u00e3 e se posiciona a uns dez passos em frente ao nicho externo. Ajoelha-se e acende a vela. Come\u00e7a a rezar com calma e fervor o seu Ros\u00e1rio, olhando para a frente com os olhos fixos.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Chegando \u00e0 segunda dezena, ela sa\u00fada, sorri. Seu rosto est\u00e1 transfigurado. Continua a rezar o Ros\u00e1rio, mas de forma irregular. Em certos momentos, o arrebatamento a paralisa e ela n\u00e3o faz nada al\u00e9m de rir de alegria e continuar a saudar. De vez em quando, uma l\u00e1grima brilha antes de secar em suas bochechas. O Ros\u00e1rio terminou, mas ela permanece ali, extasiada.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Guardando o Ros\u00e1rio no bolso, Bernadete junta as m\u00e3os verticalmente ao longo da vela fincada no ch\u00e3o. A chama, agitada por uma corrente de ar que amea\u00e7a apag\u00e1-la, passa por entre os dedos de sua m\u00e3o sem causar nenhuma queimadura. Ao seu lado, um m\u00e9dico, testemunha desse fato inexplic\u00e1vel, torna-se crente.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Depois, Bernadete pega a vela novamente como de costume. Levanta-se, sa\u00fada cortesmente em dire\u00e7\u00e3o ao nicho, avan\u00e7a para debaixo da ab\u00f3bada, onde a vis\u00e3o recome\u00e7a. Inicia-se um col\u00f3quio, Bernadete ora est\u00e1 triste, ora sorri. A Imaculada Concei\u00e7\u00e3o continua a querer uma capela. Bernadete lhe pede um milagre para convencer aqueles que n\u00e3o querem acreditar? Talvez fazer florescer o roseiral para o senhor P\u00e1roco? Ela recebeu um segredo, uma confid\u00eancia? N\u00e3o se sabe.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Alguns minutos depois, uma esp\u00e9cie de v\u00e9u desce sobre seu rosto p\u00e1lido. Ela sa\u00fada uma \u00faltima vez e se levanta. O \u00eaxtase durou cerca de uma hora.<\/p>\n<p><strong><b>18\u00aa apari\u00e7\u00e3o: 16 de julho, Nossa Senhora do Carmo \u2013 COROA\u00c7\u00c3O DE MARIA<br \/>\n<\/b><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00c0s oito da noite, Bernadete, sabendo que o acesso \u00e0 gruta est\u00e1 impossibilitado por uma pali\u00e7ada, dirige-se \u00e0 margem direita do rio Gave. Ajoelha-se no prado. Olha para o outro lado do Gave, para a massa escura da gruta. Assim que come\u00e7a a rezar o Ros\u00e1rio, suas m\u00e3os se separam e se abaixam em uma sauda\u00e7\u00e3o de alegre surpresa. Ela sorri.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00abEu n\u00e3o via nem a pali\u00e7ada nem o Gave \u2013 dir\u00e1 mais tarde. Parecia-me estar na gruta e \u00e0 mesma dist\u00e2ncia das outras vezes. Eu via apenas a Virgem Santa\u00bb. Acrescentar\u00e1 que nunca a tinha visto t\u00e3o bela.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quanto tempo durou tudo isso? Naquela noite quente, a passagem do tempo \u00e9 imponder\u00e1vel. As contas que deslizam entre seus dedos renovam com alegria o \u00edmpeto das Ave-Marias.<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ela se levanta. Fim! \u00c9 a \u00faltima vez, nesta terra, que Bernadete viu a Santa Virgem. Ela retoma com coragem sua vida ordin\u00e1ria, seu caminho de f\u00e9, sem outro compromisso sen\u00e3o o da fidelidade no cotidiano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Ros\u00e1rio representa o cora\u00e7\u00e3o espiritual das apari\u00e7\u00f5es de Lurdes. Entre fevereiro e julho de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":49270,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":17,"footnotes":""},"categories":[169],"tags":[2600,1821,1689],"class_list":["post-49278","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-santissima-virgem-maria","tag-fe","tag-graca","tag-maria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49278"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49278\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49293,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49278\/revisions\/49293"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}