{"id":48182,"date":"2026-01-19T08:47:27","date_gmt":"2026-01-19T08:47:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=48182"},"modified":"2026-01-19T08:50:38","modified_gmt":"2026-01-19T08:50:38","slug":"dom-bosco-em-uma-diligencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/dom-bosco\/dom-bosco-em-uma-diligencia\/","title":{"rendered":"Dom Bosco em uma dilig\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><em><i>Quanto e como viajou o Santo da Juventude? Refa\u00e7amos as mesmas estradas.<br \/>\n<\/i><\/em><em><i>Na era dos trens expressos internacionais, dos carros de corrida de F\u00f3rmula 1, dos jatos supers\u00f4nicos e dos \u00f4nibus espaciais, pode at\u00e9 parecer pat\u00e9tico falar das viagens de Dom Bosco a p\u00e9, de carruagem ou de \u201cvapor\u201d. No entanto, esse aspecto n\u00e3o insignificante de sua atividade n\u00e3o pode deixar ningu\u00e9m indiferente quando se pensa na quantidade de tempo, dinheiro e sacrif\u00edcio que custou a um homem que n\u00e3o tinha tempo, dinheiro ou sa\u00fade para desperdi\u00e7ar.<\/i><\/em><\/p>\n<p><strong><b>A p\u00e9 e a cavalo<br \/>\n<\/b><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando, aos 15 anos, Jo\u00e3o passou a residir em Castelnuovo, ele j\u00e1 tinha o h\u00e1bito, excepcional at\u00e9 mesmo para aquela \u00e9poca, de fazer longas caminhadas. Muitas vezes ele percorreu as estradas rurais solit\u00e1rias dos Becchi at\u00e9 Morialdo, Capriglio, Buttigliera, Moncucco e, acima de tudo, Castelnuovo, apenas com a companhia do frio ou do calor, da neve ou da chuva, da neblina ou do calor, da lama ou da poeira.<br \/>\nAos 16 anos de idade, ele foi para Chieri. Sua primeira viagem documentada a Turim foi em abril de 1834, quando se apresentou no Convento dos Frades Menores junto a Nossa Senhora dos Anjos, na rua de mesmo nome, para tratar o assunto da sua voca\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQuantas mais se seguiram a essa primeira caminhada para Turim? N\u00e3o sabemos. Certamente, a mais famosa foi a de novembro de 1846. Dos Becchi, Dom Bosco e Mam\u00e3e Margarida partiram para Valdocco, ele com um pacote de cadernos, um missal e o brevi\u00e1rio, ela com um cesto de roupa e as coisas mais necess\u00e1rias. O padre Vola, que os encontrou cansados e empoeirados no Rond\u00f2 da Forca, perguntou-lhes:<br \/>\n\u2013<em><i> De onde voc\u00eas v\u00eam?<br \/>\n<\/i><\/em>\u2013<em><i> Da nossa aldeia.<br \/>\n<\/i><\/em>\u2013<em><i> E por que voc\u00eas vieram a p\u00e9? <\/i><\/em>\u2013<em><i> Porque&#8230; nos falta isso&#8230; E Dom Bosco passou o polegar sobre o indicador com o gesto t\u00edpico de quem n\u00e3o tinha dinheiro.<\/i><\/em><br \/>\nAqueles eram os tempos de Dom Bosco, quando as pernas ainda serviam ao homem como meio de locomo\u00e7\u00e3o. O custo das carruagens desencorajava as pessoas pobres a us\u00e1-las. Al\u00e9m disso, n\u00e3o havia tanta pressa ou pregui\u00e7a como nos dias de hoje. Al\u00e9m disso, para Dom Bosco caminhar n\u00e3o era apenas uma quest\u00e3o de economia. Ele sofria terrivelmente com o movimento da carruagem. Quando ainda era subdi\u00e1cono em Castelnuovo, convidado a pregar em Avigliana, preferiu percorrer todo o caminho a p\u00e9 \u2013 54 quil\u00f4metros \u2013 para poupar-se da n\u00e1usea de uma viagem de carruagem. Quando expressou ao P. Cafasso seu desejo de partir para as miss\u00f5es, ouviu a resposta:<br \/>\n<em><i>\u2013 Voc\u00ea n\u00e3o consegue andar um quil\u00f4metro e meio, ou ficar um minuto em uma carruagem fechada, sem ter enjoo de est\u00f4mago, e quer atravessar o mar? Voc\u00ea morreria na viagem!<br \/>\n<\/i><\/em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E Dom Bosco, enquanto p\u00f4de, usou o cavalo de S\u00e3o Francisco, na cidade e fora dela, sozinho e acompanhado. Basta lembrar seus famosos passeios de outono nas d\u00e9cadas de 1850 e 1860.<br \/>\nJ\u00e1 em idade avan\u00e7ada, disse numa conversa:<br \/>\n<em><i>\u201cO movimento, disse, \u00e9 o que mais faz bem \u00e0 sa\u00fade. Eu devo reconhec\u00ea-lo exatamente por isto. Quando cl\u00e9rigo e nos primeiros anos de padre eu estava sempre meio doente; em seguida fim muito movimento e me recuperei. Lembro-me ainda de que uma vez percorri com o P. Giacomelli mais de vinte milhas piemontesas [50 quil\u00f4metros] em um dia. Partimos de S\u00e3o Gen\u00e9sio para tratar de assuntos em Turim e depois retornar para Avigliana. Outras vezes partia de Turim e ia aos Becchi [30 quil\u00f4metros] em seis horas e andava aquelas doze milhas a p\u00e9; sem quase parar um instante. Tamb\u00e9m agora quando me sinto sem coragem e angustiado, saio, vou procurar algum doente at\u00e9 junto ao P\u00f3 ou a Porta Nova e nunca pego carro, a n\u00e3o ser quando \u00e9 necess\u00e1rio pala import\u00e2ncia de um trabalho, pela pressa ou pelo perigo de faltar a uma reuni\u00e3o; eu sou do parecer que uma causa n\u00e3o indiferente da diminui\u00e7\u00e3o de sa\u00fade de nossos dias provenha de n\u00e3o se fazer mais tanto movimento como antigamente se fazia. A comodidade do \u00f4nibus, da ferrovia, tira muit\u00edssimas ocasi\u00f5es de fazer passeios mesmo breves, enquanto cinquenta anos atr\u00e1s se dizia fazer um passeio indo de Turim a Lanzo a p\u00e9. Parece-me que o movimento das ferrovias e dos carros n\u00e3o seja suficiente ao homem para sentir-se bem\u201d (MBp XII, 286)<br \/>\n<\/i><\/em><br \/>\nMas Dom Bosco tamb\u00e9m havia aprendido a andar a cavalo. No ver\u00e3o de 1832, o reitor de Castelnuovo, P. Dassano, que lhe dava aulas na escola, confiou-lhe o cuidado do est\u00e1bulo. Jo\u00e3o tinha que levar o cavalo para passear e, quando sa\u00eda do vilarejo, pulava em seu lombo e galopava. Como padre novo, ele foi convidado a pregar em Lauriano \u2013 a cerca de 30 quil\u00f4metros de Castelnuovo \u2013 e partiu a cavalo para chegar a tempo. Mas a cavalgada terminou mal. Na colina de Berzano, o animal, assustado por um grande bando de p\u00e1ssaros, empinou e o cavaleiro acabou caindo ao ch\u00e3o com os ossos quebrados.<br \/>\nDom Bosco fez algumas dessas cavalgadas de vez em quando, em suas andan\u00e7as pelo Piemonte e em trechos de passeios com seus meninos. Digna de men\u00e7\u00e3o \u00e9 a subida triunfal a Superga, na primavera de 1846. O Orat\u00f3rio estava levando uma vida prec\u00e1ria no terreno dos Filippi e um dia Dom Bosco quis levar seus meninos travessos em uma peregrina\u00e7\u00e3o ao famoso santu\u00e1rio. Chegando a Sassi, no sop\u00e9 do morro, encontraram um cavalo totalmente arreado que o p\u00e1roco de Superga, o P. Jos\u00e9 Anselmetti, havia enviado ao capit\u00e3o da brigada. Dom Bosco montou na sela, cercado por seus meninos que, enquanto caminhavam, se divertiam pegando o animal pela r\u00e9dea, pela cauda, apalpando-o, empurrando-o. E parece que dessa vez o quadr\u00fapede, mais paciente que um burro, deixou-os \u00e0 vontade, como se soubesse que tinha Dom Bosco na sela.<br \/>\nLonge de ser triunfante, por\u00e9m, foi a travessia dos Apeninos no lombo de um burro, na viagem para Salicetto Langhe, em novembro de 1857. O caminho era estreito e \u00edngreme, e a neve era alta. O animal trope\u00e7ava e ca\u00eda a todo momento, e Dom Bosco tinha de desmontar e empurr\u00e1-lo para frente. Na descida, muito \u00edngreme, j\u00e1 encharcado de suor, ele mesmo caiu de mau jeito, machucando a perna. S\u00f3 o Senhor sabe como ele conseguiu chegar \u00e0 aldeia a tempo para a miss\u00e3o sagrada.<br \/>\nEssa n\u00e3o foi a \u00faltima viagem de Dom Bosco em lombo de burro. Em julho de 1862, ele fez a viagem de 6 km de Lanzo a Santo In\u00e1cio com o mesmo meio de transporte.<br \/>\nProvavelmente, foi assim em outras vezes.<br \/>\nMas uma das viagens mais gloriosas de Dom Bosco foi a de outubro de 1864, de Gavi a Mornese. Ele chegou ao vilarejo tarde da noite, com o som festivo dos sinos. As pessoas sa\u00edram de suas casas com as l\u00e2mpadas acesas e se ajoelharam quando ele passava, pedindo-lhe uma b\u00ean\u00e7\u00e3o. Era o hosana do povo ao santo da juventude. \u201cAcho\u201d, escreveu o padre Lu\u00eds Deambrogio sobre esse evento, \u201cque n\u00e3o h\u00e1 nada para desmitificar ou redimensionar. Ningu\u00e9m, somente quem n\u00e3o ama, pode impedir as manifesta\u00e7\u00f5es do Senhor\u201d.<\/p>\n<p><strong><b>De carruagem na \u00e9poca das dilig\u00eancias<br \/>\n<\/b><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Apesar da pobreza, das doen\u00e7as estomacais e dos h\u00e1bitos de um andarilho forte, Dom Bosco foi for\u00e7ado a usar com frequ\u00eancia carros p\u00fablicos e \u201ccarro\u00e7as\u201d particulares, desde as dilig\u00eancias at\u00e9 os veloc\u00edferos, desde os \u00f4nibus at\u00e9 carruagens imponentes.<br \/>\nAs <em><i>dilig\u00eancias<\/i><\/em> eram grandes carruagens com cerca de 12 assentos, com interior, <em><i>cup\u00ea<\/i><\/em> e capota imperial ou aberta. Geralmente puxadas por seis cavalos com dois cocheiros, elas serviam para longas dist\u00e2ncias e custavam menos aos passageiros do que os correios do governo. O primeiro servi\u00e7o de dilig\u00eancias no Piemonte foi o dos Irm\u00e3os Bonafous, inaugurado em 1814. Ao tomar a dilig\u00eancia, Dom Bosco preferia sentar-se na imperial para respirar ar fresco e evitar a \u00e2nsia de v\u00f4mito que a carruagem fechada lhe causava.<br \/>\nEm 1828, os <em><i>veloc\u00edferos<\/i><\/em> apareceram nas estradas do Piemonte, marcando um passo \u00e0 frente no servi\u00e7o de passageiros, tanto em termos do n\u00famero de assentos, que podia chegar a trinta, quanto do custo mais baixo da viagem. A tra\u00e7\u00e3o dos veloc\u00edferos era geralmente de quatro cavalos com apenas um cocheiro, e sua velocidade era um pouco maior do que a das dilig\u00eancias devido \u00e0 troca mais frequente de cavalos. No entanto, eles percorriam rotas mais curtas, ligando cidades como Turim e Pinerolo, Turim e Asti. Dada a velocidade, o tamanho da carruagem e as condi\u00e7\u00f5es das estradas, se as dilig\u00eancias podiam ser chamadas de \u201ccarruagens digestivas\u201d, os veloc\u00edferos devem ter causado s\u00e9rias dores de est\u00f4mago a passageiros como Dom Bosco.<br \/>\nOs <em><i>\u00f4nibus<\/i><\/em> serviam rotas ainda mais curtas, ligando o centro da cidade aos sub\u00farbios ou \u00e0s cidades vizinhas. Eram carruagens de quatro rodas, puxadas por cavalos, com no m\u00e1ximo 16 assentos. O servi\u00e7o, institu\u00eddo em Turim nos anos 1845-46, foi transformado em 1871 em <em><i>\u00f4nibus de trilhos com tra\u00e7\u00e3o animal [bonde]<\/i><\/em>, a \u201cCarruagem de todos\u201d imortalizada pela pena de De Amicis, um comboio, ou seja, para todos os tipos de pessoas, que anunciava sua chegada \u00e0s encruzilhadas da cidade com um toque de trombeta.<br \/>\nAl\u00e9m do transporte p\u00fablico, entre os quais n\u00e3o se deve esquecer as <em><i>citadinas<\/i><\/em> ou carruagens da cidade; circulavam, \u00e9 claro, todos os tipos de \u201ccarro\u00e7as\u201d particulares, de primeira, segunda ou terceira classe, de acordo com sua estrutura e capacidade, o n\u00famero de rodas e cavalos, desde charretes de dois lugares com teto aberto at\u00e9 berlindas fechadas de quatro lugares.<br \/>\nSeria imposs\u00edvel at\u00e9 mesmo listar todas as viagens de Dom Bosco em dilig\u00eancias, veloc\u00edferos, \u00f4nibus ou carruagens particulares. E ainda mais dif\u00edcil seria distinguir, \u00e0s vezes, se era realmente uma viagem de dilig\u00eancia ou n\u00e3o, e sim de veloc\u00edfero ou \u00f4nibus.<br \/>\nDe qualquer modo, a primeira viagem de dilig\u00eancia de Dom Bosco de que temos mem\u00f3ria foi de Pinerolo a Turim, durante as f\u00e9rias de P\u00e1scoa do ano letivo de 1834-35, quando ele estudava em Chieri. A informa\u00e7\u00e3o nos \u00e9 dada por uma de suas cartas de juventude, a primeira do Epistol\u00e1rio editado pelo P. Ceria. Jo\u00e3o havia viajado para Pinerolo a convite da fam\u00edlia de seu amigo An\u00edbal Strambio. Na carta, sem a primeira parte, n\u00e3o h\u00e1 men\u00e7\u00e3o \u00e0 viagem de ida. Mas a viagem de volta est\u00e1 bem especificada: \u201cFiquei mais dois dias em Pinerolo e [&#8230;] no dia marcado <em><i>subi na dilig\u00eancia<\/i><\/em> e cheguei a Turim, de onde retornei a Chieri\u201d. O servi\u00e7o Turim-Pinerolo foi realizado em 1835 pelas Dilig\u00eancias Bonafous ao pre\u00e7o de 2,70 liras para dilig\u00eancias de primeira classe, 2,20 para as de segunda classe e 1,65 para as de terceira classe. Presume-se que Jo\u00e3o pegou uma dilig\u00eancia de terceira classe.<br \/>\nNo final de 1850, Dom Bosco fez sua primeira viagem a Mil\u00e3o com passaporte, convidado pelo P. Serafim Allievi para pregar o jubileu no orat\u00f3rio de S\u00e3o Lu\u00eds, na Rua Santa Cristina. Aparentemente, ele fez essa viagem de veloc\u00edfero via Novara e Magenta, trocando de carruagem nas esta\u00e7\u00f5es principais. No total, pelo menos 15-16 horas.<br \/>\nDe suas viagens de \u00f4nibus, lembramos, a t\u00edtulo de exemplo, aquela de Turim a Rivoli em 1852, quando ele levou os meninos de Valdocco para fazer exerc\u00edcios espirituais em Giaveno. O trecho Rivoli-Giaveno, de 18 quil\u00f4metros, foi percorrido a p\u00e9, \u00e9 claro. O \u00f4nibus deve ter servido a Dom Bosco em outras ocasi\u00f5es para ir a p\u00e9 at\u00e9 cidades como Moncalieri, Rivoli, Chieri, Trofarello e Carignano.<br \/>\nUma viagem de \u201c\u00f4nibus\u201d que teve um eco especial em Valdocco foi a de Turim a Lanzo, em julho de 1862. O pr\u00f3prio Dom Bosco escreveu sobre ela aos seus jovens. Dois anos depois, ele fez novamente essa viagem de \u201c\u00f4nibus\u201d. Mas provavelmente, em ambos os casos, era um veloc\u00edfero. Na verdade, n\u00e3o parece que houvesse \u00f4nibus na estrada Turim-Lanzo naqueles anos, mas sim veloc\u00edferos, que partiam, j\u00e1 em 1858, da Pra\u00e7a Mil\u00e3o para Porta Pal\u00e1cio, perto do hotel Rosa Branca, duas vezes por dia.<br \/>\nNo caso de 1862, as coisas correram bem at\u00e9 Ciri\u00e8, mas de Ciri\u00e8 a Lanzo, ou seja, por cerca de doze quil\u00f4metros, choveu a c\u00e2ntaros. Dom Bosco sentava-se na imperial entre dois passageiros que mantinham os guarda-chuvas abertos. Assim, com a chuva, ele tamb\u00e9m recebeu o escoamento dos guarda-chuvas. Ele chegou a Lanzo molhado como um pintinho. Escreveu ent\u00e3o em sua carta: \u201cVoc\u00eas, queridos jovens, teriam visto Dom Bosco descendo do carro todo encharcado, como aqueles ratos que voc\u00eas costumam ver saindo da \u201c<em><i>bealera<\/i><\/em>\u201d atr\u00e1s do p\u00e1tio\u201d. A \u201cbealera\u201d era um daqueles canais de irriga\u00e7\u00e3o e drenagem que n\u00e3o faltavam na \u00e1rea de Valdocco, perto de Dora. A hist\u00f3ria \u00e9 hil\u00e1ria, mas nos faz pensar.<br \/>\nDom Bosco usava carruagens particulares para entrar e sair de Turim, especialmente durante suas estadias em cidades como Roma e Marselha. Nesses casos, era evidentemente um servi\u00e7o prestado a ele por benfeitores.<br \/>\nNa carruagem do Sr. Alberto Nota, Jo\u00e3o Bosco fez sua viagem de Pinerolo a Fenestrelle com seu amigo An\u00edbal Strambio na primavera de 1835. Quando estavam quase chegando a Fenestrelle, surgiu um vento t\u00e3o furioso que fazia o cavalo recuar. A escurid\u00e3o, devido \u00e0 tempestade iminente, obrigou-os a procurar abrigo num rec\u00f4ncavo da montanha. Voltaram a Pinerolo tarde da noite, quando a tempestade amainou.<br \/>\nTamb\u00e9m de charrete foi a primeira viagem de Dom Bosco a Stresa, no outono de 1847. O empres\u00e1rio Frederico Bocca se ofereceu para acompanh\u00e1-lo. Na viagem de ida, foram a Chivasso, Santhi\u00e0, Biella, Varallo, Orta e Arona. Na viagem de volta, seguiram a rota para Novara e Vercelli. Nas paradas, Dom Bosco passava o tempo conversando com os estalajadeiros, cocheiros e cavalari\u00e7os, at\u00e9 mesmo persuadindo alguns a se confessarem. Afinal de contas, ele fazia isso quando se sentava ao lado de um cocheiro que com muita facilidade blasfemava para fazer os cavalos trotarem.<br \/>\nDe suas estadas em Roma, podemos lembrar a de 1869, quando o Card. Berardi colocou sua carruagem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de Dom Bosco. Aparentemente, durante essa estada, o pr\u00f3prio Papa Pio IX enviou uma carruagem para buscar Dom Bosco e lev\u00e1-lo ao Vaticano. A carruagem do papa, dizia Dom Bosco aos jovens, era t\u00e3o grande que podia levar 14 pessoas; era toda coberta de seda e franjas. E se as franjas n\u00e3o existissem, ele mesmo as colocaria.<br \/>\nEm suas viagens pela Fran\u00e7a, cavalheiros nobres de Nice, Lion, Marselha e Paris competiam pela honra de levar Dom Bosco em suas carruagens. E ele teve de se adaptar, embora estivesse convencido, como dizia, de que \u201cn\u00e3o se vai para o c\u00e9u de carruagem\u201d.<\/p>\n<p><strong><b>Nas ferrovias<br \/>\n<\/b><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com o crescente desenvolvimento das ferrovias, as carruagens p\u00fablicas passaram a assumir um papel complementar e subsidi\u00e1rio ao novo meio de transporte. A maior economia de viajar no \u201cno trem a vapor\u201d beneficiava a todos, especialmente aqueles que, como Dom Bosco, viajavam habitualmente na terceira classe. Isso sem falar na economia de tempo, que foi praticamente reduzida a um ter\u00e7o. Na verdade, o cavalo n\u00e3o ultrapassa 10 a 12 quil\u00f4metros por hora no trote. Assim, com as paradas nas esta\u00e7\u00f5es de correio, uma viagem como a de Turim a Asti poderia levar at\u00e9 oito horas com as antigas dilig\u00eancias; e n\u00e3o muito menos com o veloc\u00edfero. De trem, na d\u00e9cada de 1860, ela teria durado normalmente uma hora e 40 minutos, mesmo com os trens parando em todas as nove esta\u00e7\u00f5es ao longo do percurso. O trecho Turim-G\u00eanova, que envolvia uma viagem de dilig\u00eancia de cerca de 25 horas, podia ser feita de trem em cerca de oito horas. Isso ainda estava muito longe das velocidades de hoje, mas, naquela \u00e9poca, j\u00e1 parecia impressionante. N\u00e3o faltavam inconvenientes que hoje pareceriam insuport\u00e1veis, como as paradas frequentes, o frio extremo no inverno, a falta de servi\u00e7os, a inconveni\u00eancia da fuma\u00e7a do vapor e coisas do g\u00eanero. Pense nas passagens barulhentas e emocionantes nos t\u00faneis! Naquela \u00e9poca, entrar num trem ainda parecia enfrentar um risco e o medo de um desastre n\u00e3o estava totalmente ausente.<br \/>\nQuando, em 1858, Dom Bosco fez sua primeira viagem a Roma, ele providenciou n\u00e3o apenas um passaporte, mas tamb\u00e9m um testamento. No entanto, ele s\u00f3 fez o trecho Turim-G\u00eanova de trem, que havia sido conclu\u00eddo em 1853 com o t\u00fanel dos Apeninos. Em 1858, o pre\u00e7o dessa viagem era de 16,60 liras na primeira classe, 11,60 na segunda e 8,30 na terceira, uma economia e tanto em compara\u00e7\u00e3o com as 30 liras da dilig\u00eancia.<br \/>\nEm G\u00eanova, Dom Bosco teve de embarcar no Aventino, um navio a vapor que ia para Civitavecchia. Ele teve febre e enjoo. De Civitavecchia a Roma, viajou em uma carruagem postal puxada por seis cavalos.<br \/>\nDepois de 1858, as viagens de Dom Bosco por trem n\u00e3o eram mais contadas. Basta pensar nas 20 viagens a Roma de 1858 a 1887, nas 12 viagens \u00e0 Fran\u00e7a de 1876 a 1886, na viagem \u00e0 \u00c1ustria em 1883 e na viagem \u00e0 Espanha em 1886.<br \/>\nEm suas frequentes viagens de trem, Dom Bosco n\u00e3o ficava ocioso. Apesar de seu desconforto f\u00edsico, ele passava o tempo revisando rascunhos ou conversando com seus companheiros de viagem, instruindo os ignorantes, confundindo os \u00edmpios e defendendo suas obras, se necess\u00e1rio. Ele tamb\u00e9m exercia o minist\u00e9rio sacerdotal \u00e0s vezes, quando n\u00e3o estava recolhido em ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><b>A \u00faltima viagem<br \/>\n<\/b><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com seu retorno de Roma, em maio de 1887, Dom Bosco encerrou sua longa peregrina\u00e7\u00e3o pelos caminhos do mundo. Por ordem do m\u00e9dico e pelo fato de n\u00e3o poder mais ficar em p\u00e9, ele ainda se valia \u00e0 tarde de uma carruagem oferecida para alguns passeios curtos pela cidade; depois, em julho, foi for\u00e7ado a deixar o calor sufocante de Turim e passar alguns dias em Lanzo. L\u00e1, todas as noites, ele fazia um breve passeio em uma cadeira de rodas empurrada por seu fiel secret\u00e1rio, o P. Viglietti. Uma vez ouviu-se exclamar: \u201cEu, que costumava desafiar os mais \u00e1geis a saltar, agora tenho que andar em uma carruagem com as pernas dos outros!\u201d<br \/>\nDurante sua \u00faltima doen\u00e7a, entre dezembro de 1887 e janeiro de 1888, ele respondeu ao Dr. Fissore, que o animava: \u201cDoutor, quer ressuscitar os mortos? Amanh\u00e3&#8230; farei uma viagem mais longa!\u201d.<br \/>\nE aquela de 31 de janeiro de 1888 foi sua \u00faltima viagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto e como viajou o Santo da Juventude? Refa\u00e7amos as mesmas estradas. 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