{"id":47833,"date":"2026-01-03T10:29:04","date_gmt":"2026-01-03T10:29:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=47833"},"modified":"2026-03-26T16:48:13","modified_gmt":"2026-03-26T16:48:13","slug":"estreia-2026-fazei-tudo-o-que-ele-vos-disser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/comunicacoes-do-reitor-mor\/estreia-2026-fazei-tudo-o-que-ele-vos-disser\/","title":{"rendered":"Estreia 2026. \u201cFazei tudo o que ele vos disser\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Estreia 2026. \u201cFazei tudo o que ele vos disser\u201d<br \/>\n<\/strong><br \/>\n<em>Crentes, livres para servir<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>Coment\u00e1rio \u00e0 Estreia 2026<\/p>\n<p><a href=\"#post-47833-_Toc218173384\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173385\">a. O primeiro sinal de Jesus \u00e9 um \u2018portal de entrada\u2019<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173386\">b. A irrup\u00e7\u00e3o definitiva de Deus na hist\u00f3ria<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173387\">c. Jesus inaugura uma rela\u00e7\u00e3o de amor, uma alian\u00e7a de bondade e abund\u00e2ncia<\/a><br \/>\n<a href=\"#post-47833-_Toc218173388\">1. VER \u2013 A acolhida dos sinais dos tempos<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173389\">a. Maria n\u00e3o era uma h\u00f3spede \u201cneutra\u201d<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173390\">b. Os desafios e as dificuldades devem ser reconhecidos e enfrentados, n\u00e3o postos de lado<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173391\">c. A hist\u00f3ria \u00e9 o escr\u00ednio revelador da a\u00e7\u00e3o de Deus<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173392\">d. Convite \u00e0 reflex\u00e3o<\/a><br \/>\n<a href=\"#post-47833-_Toc218173393\">2. ESCUTAR &#8211; Enraizados na f\u00e9 em Cristo<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173394\">a. Os eventos devem ser lidos e vividos \u00e0 luz de Cristo<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173395\">b. A vontade de Deus emerge dos eventos que vivemos<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173396\">c. Um processo nutrido e iluminado pela Palavra<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173397\">d. Convite \u00e0 reflex\u00e3o<\/a><br \/>\n<a href=\"#post-47833-_Toc218173398\">3. ESCOLHER \u2013 Viver o chamado com liberdade<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173399\">a. A escuta livre com uma confian\u00e7a completa<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173400\">b. Toda a\u00e7\u00e3o tem sentido \u2013 <em>logos<\/em> \u2013 somente na e a partir da Palavra \u2013 <em>Logos<\/em><\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173401\">c. O perigo de uma f\u00e9 que se adapta \u00e0 cultura dominante<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173402\">d. Convite \u00e0 reflex\u00e3o<\/a><br \/>\n<a href=\"#post-47833-_Toc218173403\">4. AGIR \u2013 Servir com total generosidade<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173404\">a. Servir livremente porque enraizados em Cristo<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173405\">b. Cooperadores no projeto de Deus para os jovens<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173406\">c. A ousadia da f\u00e9<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173407\">d. Convite \u00e0 reflex\u00e3o<\/a><br \/>\n<a href=\"#post-47833-_Toc218173408\">5. 150 anos \u2013 Salesianos Cooperadores: o sonho prof\u00e9tico de Dom Bosco continua<\/a><br \/>\n<a href=\"#post-47833-_Toc218173409\">6. Algumas propostas pastorais<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173410\">1. \u201cFazei tudo o que ele vos disser\u201d: para uma pedagogia da escuta pessoal<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173411\">2. Maria em Can\u00e1: educadora da liberdade aut\u00eantica<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173412\">3. A arte de ler os sinais dos tempos com os jovens<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173413\">4. Escolher: a liberdade crist\u00e3 como resposta vocacional<\/a><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"#post-47833-_Toc218173414\">5. Os 150 anos dos Salesianos Cooperadores: um modelo para hoje<\/a><br \/>\n<a href=\"#post-47833-_Toc218173415\">Conclus\u00e3o<\/a><\/p>\n<p><em>Car\u00edssimos Irm\u00e3os,<br \/>\nFilhas de Maria Auxiliadora,<br \/>\nMembros todos da Fam\u00edlia Salesiana,<br \/>\nJovens,<br \/>\n<\/em><br \/>\nO encontro com a ESTREIA oferece a cada ano a oportunidade de todos os Grupos da Fam\u00edlia Salesiana reunir-se ao redor de um tema espec\u00edfico, para compartilhar e viver momentos intensos de ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o, de escuta e de fraternidade. \u00c9 um desejo e uma esperan\u00e7a de que cada Grupo e as pessoas que o comp\u00f5em possam encontrar alimento para o caminho e apoio para sua viv\u00eancia educativo-pastoral e pessoal.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173384\"><\/a> Introdu\u00e7\u00e3o<br \/>\nA ESTREIA que nos acompanhou no ano passado, constru\u00edda ao redor do tema jubilar da <strong>esperan\u00e7a<\/strong>, ofereceu-nos a oportunidade de olhar para o mist\u00e9rio de Cristo como fonte de luz que nos ajuda a contemplar as maravilhas de Deus no momento presente. Vivenciamos momentos que nos fortaleceram na f\u00e9 naquilo que o Senhor ainda tem para nos revelar, e entendemos a esperan\u00e7a como for\u00e7a do \u201c<strong>j\u00e1<\/strong>\u201d e coragem do \u201c<strong>ainda n\u00e3o<\/strong>\u201d. Tamb\u00e9m contemplamos como em Dom Bosco a for\u00e7a da esperan\u00e7a ajudou-o e sustentou-o em seu caminho de descoberta e na concretiza\u00e7\u00e3o do projeto de Deus.<br \/>\nH\u00e1 150 anos, a esperan\u00e7a foi o motor do cora\u00e7\u00e3o pastoral de Dom Bosco, um cora\u00e7\u00e3o capaz de ler os sinais dos tempos e contemplar o mundo apoiado na f\u00e9 em Deus. A comemora\u00e7\u00e3o dos <strong>cento e cinquenta anos da primeira expedi\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria<\/strong> <strong>salesiana<\/strong> n\u00e3o quer ser uma celebra\u00e7\u00e3o confinada a um momento cronol\u00f3gico. Ao recordar esse momento hist\u00f3rico, contemplamos como o esp\u00edrito de Deus encontrou em Dom Bosco um cora\u00e7\u00e3o aberto e dispon\u00edvel. A resposta de Dom Bosco soube superar uma vis\u00e3o estreita e autorreferencial da vida.<br \/>\nDom Bosco vivia em Turim, mas o seu cora\u00e7\u00e3o e a sua mente pertenciam ao mundo inteiro. A sua esperan\u00e7a fundamentava-se na certeza de que \u2013 uma vez descoberto o projeto de Deus \u2013 n\u00e3o h\u00e1 outro caminho a n\u00e3o ser seguir a sua vontade at\u00e9 o fim. Contemplando a virtude teologal da esperan\u00e7a que animava a sua vida, podemos entrever aquilo que os seus primeiros disc\u00edpulos j\u00e1 sentiam e mais tarde comentaram: Dom Bosco homem de f\u00e9, Dom Bosco crente, \u201cDom Bosco com Deus\u201d.<br \/>\nEste ano, eu gostaria de propor como Estreia o tema da <strong>f\u00e9<\/strong>. Ele surgiu de maneira gradual, mas clara, quando no in\u00edcio de junho de 2025 os v\u00e1rios Grupos da Fam\u00edlia Salesiana se reuniram para a Consulta Mundial. As reflex\u00f5es compartilhadas indicavam o tema da f\u00e9: n\u00e3o apenas como um seguimento natural da esperan\u00e7a, mas como o \u201cfundamento\u201d da pr\u00f3pria esperan\u00e7a. Se a for\u00e7a da esperan\u00e7a se apoia na f\u00e9, uma vida verdadeiramente cheia de esperan\u00e7a remete a uma rela\u00e7\u00e3o de f\u00e9 mais profunda e aut\u00eantica com Jesus, o Filho do Pai, que se fez homem por n\u00f3s e continua presente entre n\u00f3s com a for\u00e7a do Esp\u00edrito. Ser\u00e1, portanto, como uma peregrina\u00e7\u00e3o na f\u00e9 de toda a Fam\u00edlia Salesiana: juntos para nos renovar, juntos para viver no mundo como crist\u00e3os (e salesianos).<br \/>\nEm sua primeira Carta Enc\u00edclica <strong><em>Lumen fidei<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-1\" href=\"#post-47833-footnote-1\">[1]<\/a><\/sup><\/em><\/strong>, o Papa Francisco oferece sobre isso alguns pontos muito pertinentes. Antes de tudo, como introdu\u00e7\u00e3o geral ao tema da f\u00e9, o Papa convida-nos \u00e0 corre\u00e7\u00e3o do olhar: a f\u00e9, n\u00e3o como algo teologicamente distante, mas como &#8220;<strong>uma luz a redescobrir<\/strong>&#8220;. Crer, viver pela f\u00e9 significa querer caminhar na luz. A f\u00e9, portanto, \u00e9 o fundamento que temos e o caminho que empreendemos porque realmente queremos viver a vida de maneira bela e saud\u00e1vel. Abra\u00e7ar a f\u00e9 expressa esse desejo profundo de viver na luz, recusando viver na escurid\u00e3o, no vazio, no sem-sentido. Escreve o Papa Francisco que este chamado a &#8220;<strong>recuperar o seu car\u00e1ter de luz<\/strong>&#8221; n\u00f3s o queremos percorrer porque &#8220;quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam tamb\u00e9m por perder o seu vigor. De fato, a luz da f\u00e9 possui um car\u00e1ter singular, sendo capaz de iluminar toda a exist\u00eancia do homem&#8221; (n .4).<br \/>\nEste primeiro convite interpela-nos diretamente quando reconhecemos que a nossa miss\u00e3o \u00e9 educar \u00e0 f\u00e9 e na f\u00e9. O desafio que logo surge \u00e9 muito evidente: como podemos faz\u00ea-lo se essa fonte de luz em mim for sendo apagada? Como podemos permanecer tranquilos quando percebemos que a extin\u00e7\u00e3o da luz em nosso cora\u00e7\u00e3o significa, a longo prazo, deixar os jovens e todos aqueles que acompanhamos nas trevas mais densas?<br \/>\nAl\u00e9m disso, essa luz tem <strong>algumas caracter\u00edsticas<\/strong> que precisam ser nomeadas. S\u00e3o caracter\u00edsticas que surgem como apoios necess\u00e1rios nos momentos duros e dif\u00edceis no caminho da f\u00e9.<br \/>\nAntes disso, pela sua pot\u00eancia, a luz da f\u00e9 \u201c<strong>n\u00e3o pode dimanar de n\u00f3s mesmos<\/strong>, (mas) tem de vir de uma fonte mais origin\u00e1ria, deve vir em \u00faltima an\u00e1lise de Deus\u201d (n. 4). Na verdade, n\u00e3o se trata apenas de oferecer coisas humanas, inteligentes e profissionais, mas de algo muito maior. Essa luz, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 nossa; ela nos foi dada.<br \/>\nH\u00e1 um segundo aspecto, fruto da extraordin\u00e1ria gratuidade divina, e o Papa Francisco descreve-o em termos ao mesmo tempo profundos e ternos: \u201c<strong>A f\u00e9 nasce no encontro com o Deus vivo<\/strong>, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida\u201d. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um produto. Nasce n\u00e3o tanto &#8220;<strong>do<\/strong> encontro com Deus&#8221;, mas &#8220;<strong>no<\/strong> encontro com Deus&#8221;. Um encontro que deve ser vivido como express\u00e3o de plena liberdade e como fonte cont\u00ednua que nos alimenta com a sua luz.<br \/>\nEsta breve introdu\u00e7\u00e3o j\u00e1 estabelece as bases necess\u00e1rias para situar o tema da f\u00e9 no interior de <strong>uma din\u00e2mica relacional<\/strong>. Uma din\u00e2mica t\u00edpica do nosso carisma salesiano. A viv\u00eancia da f\u00e9 no encontro com Jesus, Filho de Deus, emerge como a espinha dorsal das nossas a\u00e7\u00f5es pela for\u00e7a do seu Esp\u00edrito. Por meio dessa energia trinit\u00e1ria somos os primeiros benefici\u00e1rios daquele dom que d\u00e1 forma e significado a tudo o que somos e, consequentemente, a tudo o que fazemos e propomos para a salva\u00e7\u00e3o dos jovens.<\/p>\n<p><strong>\u201cFazei tudo o que ele vos disser\u201d<br \/>\n<\/strong><br \/>\n<em>Crentes, livres para servir<br \/>\n<\/em><br \/>\nDeixemo-nos guiar neste ano por uma frase do Evangelho de Jo\u00e3o pronunciada por Maria logo no in\u00edcio do mesmo Evangelho. Naquilo que deveria ser uma bela festa de casamento surge uma dificuldade: falta vinho. Diante da possibilidade de a festa se tornar um fracasso, encontramos a rea\u00e7\u00e3o que sai do cora\u00e7\u00e3o de Maria: \u00e9 preciso intervir. E o que Maria faz \u00e9 simplesmente apresentar a situa\u00e7\u00e3o real a Jesus. Mas a sua hora, a de Jesus, ainda n\u00e3o chegou. Maria, a m\u00e3e atenciosa, com grande serenidade, convida os servos a apenas ouvir o que Jesus lhes dir\u00e1 no momento da \u201csua hora\u201d.<br \/>\nProponho neste ano que aceitem o convite de Maria com a mesma atitude de disponibilidade e liberdade que vemos nos servos. N\u00f3s tamb\u00e9m, membros dos v\u00e1rios Grupos da Fam\u00edlia Salesiana, devemos recordar a verdade da nossa op\u00e7\u00e3o e identidade: somos servos, apenas servos. E hoje Maria tamb\u00e9m nos diz: &#8220;Fa\u00e7am o que ele lhes disser&#8221;. Seja o que for que Jesus nos diga, devemos simplesmente acolh\u00ea-lo, assumi-lo e viv\u00ea-lo, sem condi\u00e7\u00f5es.<br \/>\nConvido a todos, queridas irm\u00e3s e queridos irm\u00e3os, depois de termos vivido a for\u00e7a da esperan\u00e7a, aquela &#8220;esperan\u00e7a que n\u00e3o engana&#8221;, a permitir que as palavras de Maria cheguem ao nosso cora\u00e7\u00e3o, e a dirigir o nosso olhar e a nossa escuta a Jesus, ao que ele nos vai dizer, na consci\u00eancia e na alegria de sermos servos.<br \/>\nQueremos ser sustentados pela mesma f\u00e9 ao encher as \u00e2nforas at\u00e9 a borda, a levar a \u00e1gua transformada em vinho \u00e0s realidades cotidianas que habitamos e compartilhamos com todos. Como muitos de n\u00f3s nos vemos na linha de frente, em situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e em locais cr\u00edticos, reconhecemos o risco de uma f\u00e9 fr\u00e1gil, \u00e0s vezes at\u00e9 ausente, com as dram\u00e1ticas consequ\u00eancias que ent\u00e3o constatamos: a falta de compartilhar o \u201cvinho\u201d da bondade, da empatia e do amor.<\/p>\n<p>Evangelho de Jo\u00e3o 2, 1-11<\/p>\n<p><em>No terceiro dia, houve um casamento em Can\u00e1 da Galileia, e a m\u00e3e de Jesus estava l\u00e1.<br \/>\nTamb\u00e9m Jesus e seus disc\u00edpulos foram convidados para o casamento. Faltando o vinho, a m\u00e3e de Jesus lhe disse: \u201cEles n\u00e3o t\u00eam vinho!\u201d Jesus lhe respondeu: \u201cMulher, que \u00e9 isso, para mim e para ti? A minha hora ainda n\u00e3o chegou\u201d. Sua m\u00e3e disse aos que estavam servindo: \u201cFazei tudo o que ele vos disser!\u201d<br \/>\nEstavam ali seis talhas de pedra, de quase cem litros cada, destinadas \u00e0s purifica\u00e7\u00f5es rituais dos judeus. Jesus disse aos que estavam servindo: \u201cEnchei as talhas de \u00e1gua\u201d! E eles as encheram at\u00e9 \u00e0 borda. Ent\u00e3o disse: \u201cAgora, tirai e levai ao encarregado da festa\u201d. E eles levaram. O encarregado da festa provou da \u00e1gua mudada em vinho, sem saber de onde viesse, embora os serventes que tiraram a \u00e1gua o soubessem. Ent\u00e3o chamou o noivo e disse-lhe: \u201cTodo o mundo serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados j\u00e1 beberam bastante, serve o menos bom. Tu guardaste o vinho bom at\u00e9 agora\u201d.<br \/>\nEste in\u00edcio dos sinais, Jesus o realizou em Can\u00e1 da Galileia. Manifestou sua gl\u00f3ria, e os seus disc\u00edpulos creram nele.<br \/>\n<\/em><br \/>\nEntremos no cerne do trecho que inspirou o t\u00edtulo da ESTREIA, com a medita\u00e7\u00e3o do primeiro \u201csinal\u201d que Jesus realiza em Can\u00e1 da Galileia, conforme o relato de Jo\u00e3o (2,1-11).<br \/>\n<strong>Tr\u00eas breves reflex\u00f5es<\/strong> introdut\u00f3rias oferecem-nos a chave \u201chermen\u00eautica\u201d que torna o trecho significativo para a nossa experi\u00eancia pessoal e comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173385\"><\/a><strong><em>a. O primeiro sinal de Jesus \u00e9 um \u2018portal de entrada\u2019<br \/>\n<\/em><\/strong> Em uma das suas audi\u00eancias, o Papa Francisco comenta este trecho com uma imagem muito concreta. Diz que o primeiro sinal de Jesus \u00e9 \u201c<em>uma esp\u00e9cie de \u2018portal de entrada<\/em>\u2019, no qual s\u00e3o esculpidas palavras e express\u00f5es que iluminam o inteiro mist\u00e9rio de Cristo e abrem o cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos \u00e0 f\u00e9\u201d<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-2\" href=\"#post-47833-footnote-2\">[2]<\/a><\/sup>. O primeiro sinal de Jesus n\u00e3o \u00e9 um espet\u00e1culo para admirar; \u00e9 antes um convite dirigido ao cora\u00e7\u00e3o de cada crente. Nele encontramos um apelo \u00e0s atitudes que garantem a tomada da proposta da f\u00e9 nele, como evocado no final do trecho: \u201cseus disc\u00edpulos creram nele\u201d (v.11). Esse primeiro sinal em Can\u00e1 vai imediatamente ao centro da mensagem de Jesus: o convite a apostar a nossa exist\u00eancia na sua palavra. \u201cCan\u00e1\u201d \u00e9, hoje, a casa onde habitamos, a obra onde vivemos a nossa miss\u00e3o, o grupo de jovens, de professores, de pais que acompanhamos. N\u00f3s somos os servos e os disc\u00edpulos das v\u00e1rias experi\u00eancias concretas e cotidianas.<br \/>\nComo em Can\u00e1, Maria continua ainda hoje a ter uma miss\u00e3o fundamental e fundante nesse processo. \u00c9 ela que, a caminhar conosco, convida-nos a dar o passo da f\u00e9, uma f\u00e9 assumida livremente para podermos ser servos aut\u00eanticos. Esse mesmo processo, feito de <em>f\u00e9<\/em>, <em>liberdade<\/em> e <em>servi\u00e7o<\/em>, \u00e9 o mesmo vivido por Dom Bosco ao longo da sua vida. Tamb\u00e9m Dom Bosco, desde o sonho dos 9 anos, reconhece Maria como M\u00e3e e Mestra que o sustentava na sua f\u00e9, que lhe deu coragem para ser um servo livre para os jovens no campo por ela indicado.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173386\"><\/a><strong><em>b. A irrup\u00e7\u00e3o definitiva de Deus na hist\u00f3ria<br \/>\n<\/em><\/strong> Um segundo ponto de reflex\u00e3o \u00e9 oferecido pelo Papa Bento XVI a partir das palavras que introduzem este primeiro sinal: \u201c<em>No terceiro dia, houve um casamento em Can\u00e1 da Galileia<\/em>\u201d (v. 1).<br \/>\nNo seu livro <em>Jesus de Nazar\u00e9<\/em>, o Papa Bento diz que vemo-nos aqui <em>no cora\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio de Deus que se manifesta. A indica\u00e7\u00e3o temporal \u00e9 um s\u00edmbolo de toda a a\u00e7\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria.<\/em> O \u201cterceiro dia\u201d comunica a antecipa\u00e7\u00e3o do cumprimento da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o que acontece na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, no terceiro dia. Temos, neste exato momento, diz o Papa, \u201c<em>a irrup\u00e7\u00e3o definitiva de Deus sobre a terra<\/em>\u201d<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-3\" href=\"#post-47833-footnote-3\">[3]<\/a><\/sup>. Can\u00e1 \u00e9 um lugar que cont\u00e9m, de maneira humilde e oculta, o cumprimento do projeto do amor de Deus pela humanidade. Can\u00e1 \u00e9 qualquer lugar para onde somos enviados, enquanto espa\u00e7o onde Deus continua a se fazer presente por meio daqueles que escutam a sua palavra, creem nela e nela vivem.<br \/>\nEsta reflex\u00e3o tem um alcance realmente significativo para n\u00f3s. Se &#8220;Can\u00e1&#8221; \u00e9 qualquer lugar onde habitamos, ent\u00e3o \u00e9 a n\u00f3s que o Senhor chama para ser sinais e portadores do seu amor pelos jovens, pela humanidade. Certamente n\u00e3o depende de n\u00f3s a &#8220;irrup\u00e7\u00e3o de Deus sobre a terra&#8221;, mas a n\u00f3s \u00e9 dada a oportunidade de facilit\u00e1\u2011la como dom recebido gratuitamente e livremente acolhido. Cada uma das nossas a\u00e7\u00f5es vividas de forma generosa participa desse des\u00edgnio de Deus&#8230; mas tamb\u00e9m cada uma de nossas resist\u00eancias ou recusas corre o risco de negar esse &#8220;bom vinho&#8221; aos outros.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173387\"><\/a><strong><em>c. Jesus inaugura uma rela\u00e7\u00e3o de amor, uma alian\u00e7a de bondade e abund\u00e2ncia<br \/>\n<\/em><\/strong> Um terceiro ponto introdut\u00f3rio, ainda tirado do Papa Bento XVI: o ambiente da festa &#8220;nupcial&#8221; \u00e9 a dimens\u00e3o mais adequada que caracteriza a rela\u00e7\u00e3o de Deus com a humanidade, a alian\u00e7a nupcial por excel\u00eancia.<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-4\" href=\"#post-47833-footnote-4\">[4]<\/a><\/sup><br \/>\nNa verdade, percebemos que Jesus n\u00e3o vem simplesmente para nos deixar uma mensagem. Mediante este primeiro sinal, o que Jesus est\u00e1 prestes a inaugurar \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de amor, uma alian\u00e7a de bondade e abund\u00e2ncia. Jesus convida-nos a entrar em uma rela\u00e7\u00e3o viva e vivificante. Com ele habitamos um espa\u00e7o sagrado onde, antes de tudo, descobrimos que somos amados. Nessa rela\u00e7\u00e3o de amor somos positivamente desafiados e encorajados a segui-lo.<br \/>\nReconhecendo que estamos sempre em busca do \u201cvinho bom\u201d que nunca falta, o caminho a percorrer \u00e9 um s\u00f3, aquele indicado por Maria: \u201cFazei tudo o que ele vos disser\u201d. A festa nupcial, de um lado, inaugura uma nova realidade e, de outro, confere um sigilo \u00e0 nova e eterna alian\u00e7a.<br \/>\nPodemos dizer <em>que a experi\u00eancia de Can\u00e1 \u00e9 um verdadeiro \u201cventre\u201d onde a fidelidade de Deus vem ao nosso encontro, completando e levando \u00e0 plenitude a busca do amor por parte do homem<\/em>. Isso significa que, quando chega a hora, responde-se \u00e0 proposta de Jesus obedecendo (<em>ob-audire<\/em>), com a escuta da f\u00e9, vivida fielmente.<br \/>\n<em>O banquete torna-se assim o altar que distribui abundantemente o vinho novo da Palavra<\/em>. Uma distribui\u00e7\u00e3o generosa, fruto da f\u00e9 vivida com liberdade. Seguindo o convite de Maria, a vida iluminada pela Palavra de Jesus \u00e9 vivida na forma de servi\u00e7o para o bem de todos, com plena disponibilidade do cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c0 luz do trecho das bodas de Can\u00e1, s\u00e3o v\u00e1rios os desafios que a ESTREIA 2026 nos apresenta. Estou convencido de que o apelo para cada Grupo da Fam\u00edlia Salesiana viver melhor o pr\u00f3prio carisma encontra, neste trecho do Evangelho, novos est\u00edmulos a ser vivido em favor dos jovens e de todos os que partilham a miss\u00e3o salesiana. N\u00e3o s\u00f3, mas tamb\u00e9m para servir muitas pessoas em v\u00e1rias partes do mundo \u00e0s quais o Senhor pede para levarem o vinho da esperan\u00e7a, a alegria da comunh\u00e3o.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173388\"><\/a><strong>1. VER \u2013 A acolhida dos sinais dos tempos<em><br \/>\n<\/em><\/strong> Um primeiro apelo que os convido a acolher e em que refletir \u00e9 sobre a atitude de Maria: <strong><em>a mulher atenta ao que estava acontecendo ao seu redor<\/em><\/strong>. O evangelho diz-nos simplesmente que \u201c<em>No terceiro dia, houve um casamento em Can\u00e1 da Galileia, e a m\u00e3e de Jesus estava l\u00e1<\/em>\u201d (v.1). O evangelho n\u00e3o d\u00e1 outras informa\u00e7\u00f5es. Mas quando ouvimos essas poucas palavras relacionando-as \u00e0 sua rea\u00e7\u00e3o, come\u00e7amos a vislumbrar alguns elementos significativos do cora\u00e7\u00e3o de Maria.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173389\"><\/a><strong><em>a. Maria n\u00e3o era uma h\u00f3spede \u201cneutra\u201d<br \/>\n<\/em><\/strong> A sua presen\u00e7a era atenta e viva em tudo o que acontecia ao seu redor. Em termos figurados, mas cheios de significado, podemos dizer que <strong><em>Maria abra\u00e7ou o tempo e a hist\u00f3ria<\/em><\/strong> daqueles que a receberam como convidada na festa do seu casamento. Maria podia sentir-se muito bem como algu\u00e9m que n\u00e3o devia interferir, embora pressentisse a triste consequ\u00eancia da falta de vinho. E, ainda assim, escolheu n\u00e3o ficar indiferente.<br \/>\nAqui est\u00e1 um primeiro aspecto sobre o qual n\u00f3s, quais seguidores de Jesus, somos chamados a interrogar-nos: em que medida nos sentimos interpelados pelos acontecimentos da hist\u00f3ria que estamos a viver e pelos lugares que habitamos? Que posi\u00e7\u00e3o assumimos quando podemos optar por permanecer \u00e0 dist\u00e2ncia porque em certas coisas &#8220;n\u00e3o \u00e9 comigo&#8221;, &#8220;n\u00e3o \u00e9 minha responsabilidade&#8221;? \u00c0 luz do que Maria fez, diante dos desafios que nos cercam, sentimo-nos profunda e pessoalmente interpelados. Na cultura do anonimato e da indiferen\u00e7a, reconhecemos que tamb\u00e9m corremos o risco de tomar decis\u00f5es pautadas pelo &#8220;politicamente correto&#8221;!<br \/>\n<strong><em>Abra\u00e7ar o tempo e a hist\u00f3ria<\/em><\/strong> como atitude existencial implica certas exig\u00eancias que s\u00f3 podemos perceber e assumir \u00e0 luz da f\u00e9 em Cristo.<br \/>\nNo campo educativo-pastoral, a op\u00e7\u00e3o de Maria \u00e9 para n\u00f3s um chamado ao mesmo tempo forte e gentil para n\u00e3o cair naquela indiferen\u00e7a que n\u00e3o apenas justifica as coisas, mas tamb\u00e9m as favorece passiva e indiretamente. Quantas vezes encontramos at\u00e9 mesmo pessoas ditas &#8220;de igreja&#8221; que, diante do drama dos refugiados, dos pobres, dos vulner\u00e1veis, se retraem em seu bem-estar, considerando-os apenas como inc\u00f4modo e descarte?<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173390\"><\/a><strong><em>b. Os desafios e as dificuldades devem ser reconhecidos e enfrentados, n\u00e3o postos de lado<br \/>\n<\/em><\/strong> Assim procedeu Maria em Can\u00e1. Quantas vezes acontece-nos que, diante de situa\u00e7\u00f5es imprevistas de desconforto, em vez de enfrent\u00e1-las com a for\u00e7a da serenidade e da paix\u00e3o apost\u00f3lica, afastamo-nos delas, justificando-nos com demasiada facilidade! O perigo \u00e9 que, gradualmente, essa in\u00e9rcia pastoral possa tornar-se \u201ccultura\u201d tamb\u00e9m entre n\u00f3s. Esperamos e pedimos com veem\u00eancia que os outros fa\u00e7am a sua parte, talvez atribuindo-lhes as culpas, e assim acreditamos anestesiar as nossas consci\u00eancias, fingindo crer que n\u00e3o temos nada a oferecer, ou que n\u00e3o somos chamados a intervir.<br \/>\nQuando o pobre bate \u00e0 porta, n\u00e3o nos \u00e9 l\u00edcito fazer de conta que n\u00e3o o vemos. Para o nosso pai e mestre Dom Bosco, a sua resposta n\u00e3o vinha de c\u00e1lculos sobre os meios, mas da disponibilidade do cora\u00e7\u00e3o, que estava em sintonia com os jovens do seu tempo. Desde o in\u00edcio, ele foi movido pelo desejo de entrar em contato com os jovens, pobres e necessitados como eram. Prestemos muita aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o nos deixarmos levar pela perspectiva de uma vida consagrada e pastoral fortemente condicionada por uma mentalidade burguesa e seletiva. O pobre n\u00e3o \u00e9 escolhido por n\u00f3s, mas nos \u00e9 enviado pela Provid\u00eancia. Acolher os jovens pobres e fazer o poss\u00edvel por eles \u00e9 um chamado que devemos levar a s\u00e9rio.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173391\"><\/a><strong><em>c. A hist\u00f3ria \u00e9 o escr\u00ednio revelador da a\u00e7\u00e3o de Deus<br \/>\n<\/em><\/strong> Um terceiro ponto que tiramos da a\u00e7\u00e3o de Maria \u00e9 a consci\u00eancia de que, nos momentos breves e humildes, quando vividos com generosidade, a hist\u00f3ria se torna um escr\u00ednio que revela a a\u00e7\u00e3o de Deus. Uma simples aten\u00e7\u00e3o materna, um convite urgente aos servos, preparam o terreno para a hora de Jesus, para o seu primeiro sinal. Como o Senhor nos surpreende quando prestamos aten\u00e7\u00e3o aos detalhes da exist\u00eancia humana, especialmente quando estamos com os pobres e necessitados! Quantas vidas experimentaram o b\u00e1lsamo da miseric\u00f3rdia de Deus mediante os gestos de aten\u00e7\u00e3o de educadores e educadoras que, com bondade maternal, ofereceram um sorriso, uma palavra de encorajamento, em vez de olhares de condena\u00e7\u00e3o ou palavras humilhantes!<br \/>\nA experi\u00eancia toda de dom Bosco diz que &#8220;o p\u00e1tio&#8221;, tanto o f\u00edsico quanto o metaf\u00f3rico, \u00e9 o lugar onde se revela a bondade de Deus. Comunicamos a ternura vivendo-a de forma serena quando estamos presentes entre e para os jovens, que assim se sentem reconhecidos, valorizados e amados. A partilha constr\u00f3i-se nas rela\u00e7\u00f5es com os nossos colaboradores e colaboradoras quando eles nos pedem aqueles &#8220;cinco minutos&#8221; de escuta. A sabedoria pastoral e educativa passa pela cotidianidade dos gestos, vividos com um cora\u00e7\u00e3o aberto, dispon\u00edvel, atento e cheio de afeto.<br \/>\nVale a pena trazer aqui uma reflex\u00e3o mais atual do que nunca, oferecida pelo salesiano Dominic Veliath sobre o contexto da \u00c1sia Sul<em><sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-5\" href=\"#post-47833-footnote-5\">[5]<\/a><\/sup><\/em>. Ele escreve:<\/p>\n<p><em>O carisma salesiano ainda est\u00e1 em peregrina\u00e7\u00e3o. Toda peregrina\u00e7\u00e3o envolve certa dose de risco; \u00e0s vezes \u00e9 preciso enfrentar o desafio de aventurar-se por um caminho que pode parecer ainda inexplorado. \u00c9 nesse contexto que todo Salesiano, inclusive aquele do contexto da \u00c1sia Sul, confiante na presen\u00e7a constante do Esp\u00edrito de Deus, enraizado no carisma salesiano e em comunh\u00e3o fraterna com toda a Congrega\u00e7\u00e3o salesiana, \u00e9 chamado a continuar o pr\u00f3prio caminho com um pouco daquela confian\u00e7a que o poeta Antonio Machado descreveu t\u00e3o intensamente em seu poema Caminante no hay Camino: \u201cCaminhante, n\u00e3o h\u00e1 um caminho; o caminho se faz ao caminhar\u201d.<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-6\" href=\"#post-47833-footnote-6\">[6]<\/a><\/sup><br \/>\n<\/em><br \/>\nMaria, <strong><em>a mulher atenta ao que estava acontecendo ao seu redor<\/em><\/strong> convida-nos a n\u00e3o ficar distantes, indiferentes \u00e0s necessidades daqueles que o Senhor nos pede para acompanhar.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173392\"><\/a><strong><em>d. Convite \u00e0 reflex\u00e3o<br \/>\n<\/em><\/strong> Como Comunidades e Grupos, perguntemo-nos se temos espa\u00e7os e momentos em que, juntos, refletimos sobre as pobrezas que nos rodeiam.<br \/>\nPerguntemo-nos se o nosso estilo de vida \u00e9 realmente um testemunho aut\u00eantico para aqueles que nos conhecem, para aqueles a quem servimos, \u00e0s vezes verdadeiros pobres em alma e corpo.<br \/>\nPerguntemo-nos se os pobres s\u00e3o n\u00fameros e objetos de ideologia e estrat\u00e9gia pastoral, ou se somos para eles servos com os meios que temos. Qu\u00e3o generosos somos com os nossos \u201ccinco peixes e dois p\u00e3es\u201d?<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173393\"><\/a><strong>2. ESCUTAR &#8211; Enraizados na f\u00e9 em Cristo<em><br \/>\n<\/em><\/strong> Maria, atenta ao que acontecia ao seu redor, diz aos servos: \u201cfazei tudo o que ele vos disser\u201d (v. 5). O convite \u00e9 claro e simples. Contudo, bem sabemos que tamb\u00e9m \u00e9 muito exigente. N\u00e3o se trata apenas de reconhecer os acontecimentos com suas urg\u00eancias e necessidades, mas de interpret\u00e1-los \u00e0 luz da f\u00e9 em Cristo. Na maior parte das vezes, fazemos uma boa leitura dos fatos, de forma profissional e competente, com an\u00e1lises geralmente bem desenvolvidas e precisas, num n\u00edvel, por assim dizer, \u201chorizontal\u201d. Mas para n\u00f3s, que seguimos Jesus, esse n\u00edvel, que nunca deve faltar, precisa ser absolutamente acompanhado pelo \u201cvertical\u201d. \u00c9 muito f\u00e1cil que, ao responder \u00e0s v\u00e1rias emerg\u00eancias, tomemos o caminho de uma atividade fren\u00e9tica a favor dos pobres e necessitados e, a longo prazo, acabemos muitas vezes sugados por um abismo de ativismo que n\u00e3o nos deixa mais tempo para olhar o rosto daqueles que queremos servir, nem o rosto d\u2019Aquele que nos chamou a servi-los em seu nome!<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173394\"><\/a><strong><em>a. Os eventos devem ser lidos e vividos \u00e0 luz de Cristo<br \/>\n<\/em><\/strong> Maria convida a uma resposta que certamente atende a uma dificuldade inesperada, mas com indica\u00e7\u00e3o bem clara: \u201c<em>fazei tudo o que (ele) vos disser<\/em>\u201d. O relevo principal n\u00e3o est\u00e1 no que se deve fazer, mas em quem diz o que se deve fazer! Os acontecimentos devem ser lidos e enfrentados \u00e0 luz de Cristo. Trata-se de uma indica\u00e7\u00e3o irrenunci\u00e1vel, assim como uma fonte de verdadeira energia para quem cr\u00ea. Existem diferentes maneiras de responder \u00e0s pobrezas. O crente opta por esta: agir a partir da Palavra de Jesus. Para o crente em Cristo vale o que muitos santos da caridade transmitiram com a sua vida e o seu testemunho. O nosso pr\u00f3prio pai, Dom Bosco, tamb\u00e9m o transmitiu de forma clara: agir em nome de Jesus.<br \/>\n\u00c9 de grande relev\u00e2ncia para n\u00f3s o que os primeiros Salesianos conservaram em sua mem\u00f3ria da figura de Dom Bosco, sobretudo nos seus aspectos mais profundamente espirituais e m\u00edsticos. Em um artigo das Constitui\u00e7\u00f5es Salesianas, o <em>artigo 10<\/em>, que abre a se\u00e7\u00e3o sobre o <em>esp\u00edrito salesiano<\/em>, encontramos a s\u00edntese dessa voca\u00e7\u00e3o que Dom Bosco viveu de maneira aut\u00eantica:<\/p>\n<p>Artigo 10:<br \/>\nDom Bosco, sob a inspira\u00e7\u00e3o de Deus, viveu e nos transmitiu um estilo original de vida e de a\u00e7\u00e3o: o esp\u00edrito salesiano.<br \/>\nCentro e s\u00edntese desse esp\u00edrito \u00e9 a caridade pastoral, caracterizada por aquele dinamismo juvenil que t\u00e3o fortemente se revelava em nosso Fundador e nas origens da nossa Sociedade: \u00e9 um ardor apost\u00f3lico que nos faz buscar as almas e servir somente a Deus.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173395\"><\/a><strong><em>b. A vontade de Deus emerge dos eventos que vivemos<br \/>\n<\/em><\/strong> Nessa din\u00e2mica, enraizada em Cristo, surge uma experi\u00eancia que progressivamente nos faz desvendar o plano de Deus. A vontade de Deus emerge de dentro da nossa colabora\u00e7\u00e3o nos acontecimentos que vivemos n\u2019Ele e por causa d&#8217;Ele. E quando, com sinceridade, vivemos e agimos a partir do seu olhar, o Senhor da vida sempre nos surpreende da maneira mais inesperada. Crer, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o que garante sucessos e triunfos; crer \u00e9 entregar-se nas suas m\u00e3os, \u00e9 crescer na certeza segura que prov\u00e9m de um cora\u00e7\u00e3o guiado pela Provid\u00eancia Divina. Se, em lugar dessa op\u00e7\u00e3o radical, prevalecer a l\u00f3gica do c\u00e1lculo, ent\u00e3o tudo tomar\u00e1 outra dire\u00e7\u00e3o, cujo destino desconhecemos. Maria permanece como guia de uma confian\u00e7a total e confi\u00e1vel. Assim foi, assim continua a ser.<br \/>\nNo epis\u00f3dio evang\u00e9lico que estamos meditando n\u00e3o encontramos, de fato, nenhuma palavra de d\u00favida ou desconfian\u00e7a, nem mesmo de resigna\u00e7\u00e3o por parte dos servos: apenas gestos de confian\u00e7a, plena e total:<\/p>\n<p><em>Sua m\u00e3e disse aos servos: \u00abFa\u00e7am tudo o que ele vos disser\u00bb.<br \/>\nEstavam ali seis talhas de pedra, de quase cem litros cada, destinadas \u00e0s purifica\u00e7\u00f5es rituais dos judeus. Jesus disse aos que estavam servindo: \u201cEnchei as talhas de \u00e1gua\u201d! E eles as encheram at\u00e9 \u00e0 borda. Ent\u00e3o disse: \u201cAgora, tirai e levai ao encarregado da festa\u201d. E eles levaram (v. 5-8).<br \/>\n<\/em><br \/>\nS\u00e3o vers\u00edculos que comunicam, no total sil\u00eancio dos protagonistas, uma disponibilidade, uma prontid\u00e3o e uma generosidade que podem at\u00e9 causar um pouco de perplexidade. Mas n\u00e3o! \u00c9 a rea\u00e7\u00e3o de quem decide apostar na Palavra ouvida. \u00c9 a postura de quem realmente cr\u00ea. \u00c9 a escolha de quem n\u00e3o fica ali fazendo perguntas ou, pior ainda, impondo condi\u00e7\u00f5es. Eis o servo fiel!<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173396\"><\/a><strong><em>c. Um processo nutrido e iluminado pela Palavra<br \/>\n<\/em><\/strong> Por fim, colhamos um dado que n\u00f3s, crentes, n\u00e3o podemos perder: este \u00e9 <strong><em>um processo que se sustenta por ser continuamente nutrido e iluminado pela Palavra<\/em><\/strong>. Interpretar tudo \u00e0 luz de Deus e contemplar a sua vontade nos acontecimentos que se revelam diante de n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 algo autom\u00e1tico. Exige um cora\u00e7\u00e3o em sintonia com o poder da Palavra. Esta \u00e9 uma necessidade que, em uma cultura como a nossa \u2013 onde a efici\u00eancia se sobrep\u00f5e \u00e0 efic\u00e1cia e onde o resultado \u00e9 considerado mais importante que o processo \u2013 corremos continuamente o risco de subestimar, passando diretamente para a a\u00e7\u00e3o, mesmo com as melhores inten\u00e7\u00f5es. A consequ\u00eancia \u00e9 que o ponto de refer\u00eancia \u2013 a Palavra meditada e contemplada \u2013 torna-se cada vez mais fraco e, a longo prazo, chega a ser considerado at\u00e9 mesmo como tempo perdido.<br \/>\nQuantas vezes ouvimos, at\u00e9 mesmo em nossas comunidades religiosas, que n\u00e3o temos tempo para a medita\u00e7\u00e3o porque estamos muito ocupados com trabalhos pastorais? E quanto maiores se tornam esses trabalhos, mais abandonamos a amizade com a Palavra. O resultado, infelizmente, \u00e9 a autorrefer\u00eancia pastoral que se refor\u00e7a em nome da a\u00e7\u00e3o e dos trabalhos pastorais. Correspondendo \u00e0quilo que o Papa Francisco chamou certa vez de \u201cmundanidade espiritual\u201d, corremos um risco muito semelhante: o beco sem sa\u00edda da \u201cmundanidade pastoral\u201d. Ou seja, trabalhamos com grande empenho na obra de Deus, mas, com o tempo, esquecemos daquele Deus que inicialmente nos chamou para servi\u2011Lo. Que trag\u00e9dia quando, crendo servir a Deus nos pobres, acabamos por justificar a Sua pr\u00f3pria irrelev\u00e2ncia. Acabamos por elevar a \u00eddolos os nossos pr\u00f3prios projetos pastorais!<br \/>\nGostaria de oferecer aqui uma reflex\u00e3o sobre a for\u00e7a e a centralidade da Palavra de uma santa da caridade que muitos de n\u00f3s encontraram: Madre Teresa de Calcut\u00e1. Ela escreve \u00e0s suas consagradas palavras que tamb\u00e9m valem para n\u00f3s hoje:<\/p>\n<p><em>Preocupa-me pensar que algumas dentre v\u00f3s ainda n\u00e3o encontraram Jesus face a face, sozinhas, a s\u00f3s. Podeis at\u00e9 mesmo passar algum tempo na capela, mas j\u00e1 vistes com os olhos da alma o amor com que Ele olha para v\u00f3s? Conheceis realmente o Jesus vivo: n\u00e3o pelos livros, mas por estar com Ele no vosso cora\u00e7\u00e3o? J\u00e1 ouvistes as palavras de amor que Ele vos dirige?&#8230; Jamais abandoneis esse contato \u00edntimo e cotidiano com Jesus como pessoa viva e real e n\u00e3o como mera ideia. Como poder\u00edamos passar um \u00fanico dia sem sentir Jesus nos dizer: eu te amo? \u00c9 imposs\u00edvel. Nossa alma precisa disso tanto quanto o nosso corpo precisa respirar. Caso contr\u00e1rio, a ora\u00e7\u00e3o morre e a medita\u00e7\u00e3o degenera em reflex\u00e3o. Jesus quer que cada uma de n\u00f3s o ou\u00e7a e lhe fale no sil\u00eancio do cora\u00e7\u00e3o. Vigiai sobre tudo aquilo que poderia impedir esse contato pessoal com o Jesus vivo.<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-7\" href=\"#post-47833-footnote-7\">[7]<\/a><\/sup><br \/>\n<\/em><br \/>\nO caloroso convite de Santa Teresa de Calcut\u00e1 dirige-se a todos que desejam fazer da f\u00e9 a fonte da pr\u00f3pria identidade e das suas a\u00e7\u00f5es. Ser crentes coloca-nos no cora\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria para que, como protagonistas, acolhamos e vivamos a hist\u00f3ria e na hist\u00f3ria, \u00e0 luz de Cristo. S\u00f3 assim alimentados e nutridos com o alimento da Palavra poderemos constatar, admirados, como a vontade de Deus surge mais clara diante dos nossos olhos.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173397\"><\/a><strong><em>d. Convite \u00e0 reflex\u00e3o<br \/>\n<\/em><\/strong> &#8211; Reconhecemos o qu\u00e3o f\u00e1cil \u00e9 responder \u00e0s necessidades dos pobres e oferecer processos educativos e pastorais sem uma pr\u00e9via leitura humana e, ao mesmo tempo, espiritual da situa\u00e7\u00e3o?<br \/>\n&#8211; Como Comunidade e Grupos, reconhecemos a urg\u00eancia da coragem de \u201cperder\u201d tempo para refletir e rezar, antes de agir? O valor das propostas reside, de fato, nas ra\u00edzes que alimentam a \u00e1rvore para que ela d\u00ea frutos bons e duradouros.<br \/>\n&#8211; Interiorizamos que servir os pobres \u00e9 consequ\u00eancia do nosso encontro com Cristo, por que s\u00e3o eles mesmos que nos remetem a Ele para que O sirvamos ainda mais?<br \/>\n&#8211; Percebemos constantemente que o perigo da &#8220;mundanidade pastoral&#8221; acaba alimentando o nosso ego, com a consequ\u00eancia de que, em vez de servir os pobres, terminamos por nos servir dos pobres?<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173398\"><\/a><strong>3. ESCOLHER \u2013 Viver o chamado com liberdade<em><br \/>\n<\/em><\/strong> O relato do \u201csinal\u201d de Can\u00e1 oferece novos elementos que iluminam mais a nossa experi\u00eancia de f\u00e9 vivida, servindo como guia e apelo para os nossos itiner\u00e1rios educativo-pastorais. Os servos ouvem, acolhem e obedecem, como Maria lhes pedira que fizessem. As atitude e op\u00e7\u00f5es deles s\u00e3o como a realiza\u00e7\u00e3o de outra declara\u00e7\u00e3o de Jesus, quando no epis\u00f3dio lucano da \u201cmulher da multid\u00e3o [que] levantou a voz no meio da multid\u00e3o e lhe disse: \u00abFeliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram!\u00bb\u201d ele responde: \u201cFelizes, sobretudo, s\u00e3o os que ouvem a Palavra de Deus e a p\u00f5em em pr\u00e1tica\u201d (Lc 11,27-28).<br \/>\nEssa \u00e9 a chave da virada. \u00c9 importante e decisivo sentir-se parte da hist\u00f3ria da humanidade, acolhendo e \u201clendo\u201d os sinais dos tempos; \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio estar enraizado na f\u00e9 em Cristo. Mas a verdade desses dois comportamentos revela-se na sua melhor forma quando se acolhe e vive a Palavra. Surge ent\u00e3o o itiner\u00e1rio de uma f\u00e9 aut\u00eantica, marcada por um crescimento saud\u00e1vel e s\u00f3lido.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173399\"><\/a><strong><em>a. A escuta livre com uma confian\u00e7a completa<br \/>\n<\/em><\/strong> O momento da virada \u00e9 marcado por essa escuta livre, pautada por uma confian\u00e7a completa. As frases do evangelho t\u00eam uma carga muito forte e um significado sempre atual.<\/p>\n<p><em>Jesus disse aos que estavam servindo: \u201cEnchei as talhas de \u00e1gua\u201d! E eles as encheram at\u00e9 \u00e0 borda. Ent\u00e3o disse: \u201cAgora, tirai e levai ao encarregado da festa\u201d. E eles levaram (v.7-8).<br \/>\n<\/em><br \/>\nQuando algu\u00e9m confia em Jesus, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para mais nada. Pelo contr\u00e1rio, a disponibilidade humana torna-se ainda mais plena e alegre, mais pronta e generosa. O autor do evangelho oferece um detalhe que, como educadores e pastores, n\u00e3o podemos deixar de notar: \u201c<em>encheram <\/em>(as talhas)<em> at\u00e9 \u00e0 borda<\/em>\u201d (v.7). At\u00e9 a borda, al\u00e9m da j\u00e1 grande quantidade de litros das talhas. Vale a pena ser generoso, sempre, com uma generosidade \u201ctransbordante\u201d. Quando Jesus chama, procede-se assim, obedecendo \u2013 <em>ob-audire<\/em> \u2013 com liberdade e sem medida, de novo e de novo, como sugere o trecho seguinte do Evangelho: \u201cdisse-lhes novamente: \u201c<em>Agora, tirai e levai ao encarregado da festa<\/em>\u201d. E eles levaram (v. 8).<br \/>\nCreio que muitos de n\u00f3s, em nossa vida, quando crian\u00e7as e jovens, e creio que tamb\u00e9m na fase adulta, tivemos a alegria de encontrar pessoas que nos lembram a generosidade desses servos. Pessoas que ainda carregamos no cora\u00e7\u00e3o e na mem\u00f3ria, n\u00e3o tanto pelas coisas que fizeram, mas pela atitude livre e generosa que nos transmitiram. Essas pessoas certamente nos marcaram, porque o seu cora\u00e7\u00e3o era habitado pela presen\u00e7a de Jesus, tinham um cora\u00e7\u00e3o iluminado e guiado pela Palavra e nutrido pela Eucaristia.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173400\"><\/a><strong><em>b. Toda a\u00e7\u00e3o tem sentido \u2013 logos \u2013 somente na e a partir da Palavra \u2013 Logos<br \/>\n<\/em><\/strong> N\u00f3s servimos apreendendo o que hoje nos \u00e9 pedido, se realmente quisermos oferecer uma experi\u00eancia de crescimento integral \u00e0queles a quem somos chamados a servir. Seremos educadores e pastores aut\u00eanticos somente na medida em que cada a\u00e7\u00e3o nossa buscar sentido (raz\u00e3o, motivo, <em>logos<\/em>) na e a partir da Palavra (<em>Logos<\/em>). Somente numa pr\u00e1tica de vida entrela\u00e7ada de palavras e a\u00e7\u00f5es que se deixam contagiar pela Palavra poderemos ir al\u00e9m do muro da indiferen\u00e7a e da apatia, t\u00e3o difundidos hoje. Quando vemos que falta o vinho da esperan\u00e7a e da verdadeira alegria, quando nos sentimos impotentes diante de tantos desafios reais que encontramos todos os dias, a tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 defender-nos tomando dist\u00e2ncia e fazendo o m\u00ednimo.<br \/>\nContudo, h\u00e1 outra op\u00e7\u00e3o, que \u00e9 evang\u00e9lica e salesiana: \u201cabandonar-se\u201d e \u201centregar-se\u201d \u00e0 sua palavra&#8230; Como nos testemunham os servos, como nos testemunham Dom Bosco e tantos Salesianos conhecidos, com as suas op\u00e7\u00f5es concretas, sempre precedidas de uma precisa e sistem\u00e1tica aten\u00e7\u00e3o \u00e0s fontes da pr\u00f3pria vida. Tudo emana desse espa\u00e7o profundo e sagrado. Foram disc\u00edpulos e servos que, da sua vida para e com os outros, fizeram uma experi\u00eancia que prolongava a sua rela\u00e7\u00e3o com Jesus, vivida com a for\u00e7a da sua Palavra. O deles n\u00e3o era devocionismo abstrato nem pietismo emotivo, mas express\u00e3o e s\u00edntese de maturidade humana e espiritual, de vis\u00e3o inteligente e s\u00e1bia, de empatia humana e impulso m\u00edstico. No <em>ob-audire<\/em> vivido com uma personalidade forte e determinada n\u00e3o vemos sinais de fraqueza ou de resigna\u00e7\u00e3o passiva. Podemos dizer que viveram o seu protagonismo dentro de um quadro relacional marcado pela gra\u00e7a de unidade, um quadro existencial profundamente humano e profundamente divino. Obedecendo, jamais renunciaram \u00e0 sua personalidade; antes, moldaram-na atrav\u00e9s dela. A confian\u00e7a deles na palavra de Jesus, como a dos servos, continua a oferecer-nos vinho novo que inaugura uma vida nova, para n\u00f3s e para os nossos jovens.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173401\"><\/a><strong><em>c. O perigo de uma f\u00e9 que se adapta \u00e0 cultura dominante<br \/>\n<\/em><\/strong> Reconhecemos aqui o convite para n\u00e3o sucumbir ao perigo de uma f\u00e9 que se adequa \u00e0 cultura dominante. A dimens\u00e3o prof\u00e9tica da nossa miss\u00e3o deve confrontar-se com um contexto como o atual, que &#8220;puxa para baixo&#8221;, para o imediato, o \u00fatil e vantajoso, para aquilo que gratifica aqui e agora, ou, no m\u00ednimo, para o mais c\u00f4modo. A palavra de Jesus aos servos poderia ser &#8220;administrada&#8221; e &#8220;tratada&#8221; de maneira puramente humana, com uma desconfian\u00e7a mais do que plaus\u00edvel e &#8220;razo\u00e1vel&#8221;. O resultado teria sido muito diferente; podemos imagin\u00e1-lo facilmente.<br \/>\nQuantas vezes, tamb\u00e9m hoje, acontece que \u2013 diante de desafios pastorais urgentes \u2013 prevalece o racioc\u00ednio humano. Uma leitura meramente horizontal, constru\u00edda intencionalmente, acaba por tornar menos potente e at\u00e9 excluir uma leitura de f\u00e9 dos desafios que somos chamados a enfrentar. De um lado, sabemos que estudos e pesquisas sobre os jovens nos convidam a escutar a sua busca de sentido; de outro, por\u00e9m \u2013 a essa consci\u00eancia que exige uma resposta prof\u00e9tica \u2013 n\u00f3s nos limitamos a dar uma resposta meramente horizontal ou, talvez, respondendo apenas a uma necessidade em vez de \u00e0 pergunta impl\u00edcita de significado.<br \/>\nTem-se a impress\u00e3o de que se, \u00e0s vezes, projetamos os nossos medos nos jovens, \u00e9 porque nos incomoda enfrent\u00e1-los e super\u00e1-los, tirando-nos da zona de conforto. Mantendo-nos no plano meramente humano e racional, ou na cultura dominante, sentimos uma justificativa superficial, enquanto nossos jovens continuam a gritar no deserto.<br \/>\nLendo a hist\u00f3ria dos prim\u00f3rdios em Valdocco, na casa Pinardi a partir de 1847, vemos que Dom Bosco ofereceu experi\u00eancias intensas e s\u00f3lidas aos jovens. Ele procurava jovens pobres e sem teto para lhes dar o m\u00ednimo necess\u00e1rio: alimenta\u00e7\u00e3o, alojamento, educa\u00e7\u00e3o. Mas j\u00e1 desde o in\u00edcio Dom Bosco estava consciente de que era preciso oferecer propostas que hoje chamamos de &#8220;integrais&#8221;. Pietro Braido escreve:<\/p>\n<p><em>Humilde nas origens, a primeira institui\u00e7\u00e3o de Dom Bosco crescia lentamente como o gr\u00e3o de mostarda do Evangelho. Essa institui\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, existia gra\u00e7as a um agente de tal for\u00e7a interior, de f\u00e9 humana e crist\u00e3 t\u00e3o s\u00f3lida, de capacidade de envolvimento e irradia\u00e7\u00e3o t\u00e3o acentuada, que acabava por oferecer uma imagem de si muito mais dilatada do que era realmente. Teria sido igual no futuro.<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-8\" href=\"#post-47833-footnote-8\">[8]<\/a><\/sup><br \/>\nEntretanto, ele n\u00e3o trabalhava s\u00f3 para a publicidade. Na a\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o e de capacita\u00e7\u00e3o religiosa, moral e tamb\u00e9m civil da juventude, sobretudo trabalhadora, os \u201cpobres pequenos aprendizes\u201d, ele sabia recorrer igualmente a meios fortes, como os exerc\u00edcios espirituais. J\u00e1 em 1847 fizera a primeira experi\u00eancia com os oratorianos. Fora pregador o jovem te\u00f3logo Federico Albert (1820-1876),106 proclamado beato em 1984. A repeti\u00e7\u00e3o de experi\u00eancia semelhante em 1848 era mais seguramente atestada pelo pr\u00f3prio Dom Bosco. Ela comportara, para uma boa al\u00edquota de cinquenta participantes, a perman\u00eancia dia e noite nos ambientes do Orat\u00f3rio, o que foi poss\u00edvel pela disponibilidade de toda a casa Pinardi.<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-9\" href=\"#post-47833-footnote-9\">[9]<\/a><\/sup><br \/>\n<\/em><br \/>\nPara que a nossa resposta seja cheia de f\u00e9 na palavra de Jesus, \u00e9 urgente aceitarmos esse convite com grande prontid\u00e3o, tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00c0quele que nos chama quanto como resposta \u00e0queles que est\u00e3o \u00e0 espera. A nossa hesita\u00e7\u00e3o, o nosso vacilo n\u00e3o devem ter a \u00faltima palavra.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173402\"><\/a><strong><em>d. Convite \u00e0 reflex\u00e3o<br \/>\n<\/em><\/strong> Comprometamo-nos para que a nossa vida de f\u00e9 tenha a forma de um relacionamento marcado pela liberdade e pelo abandono confiante.<br \/>\nFa\u00e7amos um exame de consci\u00eancia sobre as nossas motiva\u00e7\u00f5es: se elas s\u00e3o enraizadas e nutridas pela Palavra (<em>Logos<\/em>), livres de motiva\u00e7\u00f5es autorreferenciais.<br \/>\nDesenvolvamos a nossa capacidade intelectual sempre \u00e0 luz da sabedoria de Deus. Que a nossa intelig\u00eancia n\u00e3o apague nem atenue a voz prof\u00e9tica da Boa Nova.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173403\"><\/a><strong>4. AGIR \u2013 Servir com total generosidade<em><br \/>\n<\/em><\/strong> O casamento de Can\u00e1 foi uma \u201cfesta\u201d enriquecida pela resposta confiante e generosa dos servos ao pedido de Maria de fazer o que Jesus lhes dissesse para fazer. Quando o servi\u00e7o \u00e9 marcado pela dedica\u00e7\u00e3o generosa de si, uma generosidade enraizada na f\u00e9, os resultados s\u00e3o um dom para todos. Podemos constat\u00e1-lo nos v\u00e1rios processos educativo-pastorais conduzidos por pessoas dedicadas \u00e0 miss\u00e3o, por colaboradores e colaboradoras que se sentem parte viva do carisma e do projeto pastoral salesiano. Dedica\u00e7\u00e3o e perten\u00e7a que s\u00e3o uma verdadeira e real acolhida do chamado, a sua realiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o mero ap\u00eandice. S\u00e3o op\u00e7\u00f5es que condicionam positivamente seu desfecho. No fim das contas, s\u00e3o essas op\u00e7\u00f5es fundamentais que d\u00e3o alma a todo itiner\u00e1rio de crescimento integral dos jovens. S\u00e3o op\u00e7\u00f5es que condicionam positivamente o seu desfecho.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173404\"><\/a><strong><em>a. Servir livremente porque enraizados em Cristo<br \/>\n<\/em><\/strong> N\u00e3o h\u00e1 liberdade mais aut\u00eantica e verdadeira do que aquela que emana da rela\u00e7\u00e3o com Cristo. A alegria do servo livre prov\u00e9m de um cora\u00e7\u00e3o que j\u00e1 encontrou o centro da pr\u00f3pria identidade. O servo que se alimenta da fonte que \u00e9 Cristo n\u00e3o tem inten\u00e7\u00f5es ou motiva\u00e7\u00f5es alternativas. Vive bem o seu servi\u00e7o sem precisar depender da busca de gratifica\u00e7\u00f5es pessoais vindas de fora. O seu cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 cheio d\u2019Aquele que o chamou e enviou, e isso basta e \u00e9 suficiente.<br \/>\nA sua doa\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 transparente, e por isso comunica externamente o senso de liberdade interior. Da\u00ed vem a verdadeira alegria que todo aut\u00eantico servo dos jovens carrega consigo. Somos portadores do vinho bom, somos \u201csinais e portadores do amor de Deus aos jovens, especialmente aos mais pobres\u201d (Const. 2), n\u00e3o porque n\u00f3s o tenhamos produzido, mas porque cremos que nos foi dado gratuitamente. S\u00f3 nos \u00e9 pedido para n\u00e3o o guardar como propriedade pessoal, mas para distribu\u00ed\u2011lo com generosidade. A alegria que comunicamos quando estamos enraizados em Cristo \u00e9 uma alegria que nos \u00e9 dada em abund\u00e2ncia, mas com a promessa de que essa alegria se torne plena ao compartilh\u00e1\u2011la. A promessa de Jesus na \u00faltima ceia continua a sustentar-nos nesse servi\u00e7o:<\/p>\n<p><em>Como meu Pai me ama, assim tamb\u00e9m eu vos amo. Permanecei no meu amor. Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permane\u00e7o no seu amor. Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em v\u00f3s, e a vossa alegria seja completa (Jo 15,9-11)<br \/>\n<\/em><br \/>\nNestes meses do Jubileu do Ano Santo de 2025, muitos de n\u00f3s viveram ou acompanharam de perto a experi\u00eancia do Jubileu dos Jovens, entre o final de julho e o in\u00edcio de agosto. \u00c9 impactante recordar aqui as palavras que S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II escreveu em sua Carta Apost\u00f3lica, <em>Novo millennio ineunte<\/em>, ao t\u00e9rmino do <em>Ano Santo de 2000<\/em>, onde encontramos um coment\u00e1rio sobre o Jubileu dos Jovens daquele ano. S\u00e3o palavras marcadas pela alegria. Parecem escritas para n\u00f3s hoje, lidando com jovens nascidos ao redor do mil\u00eanio:<\/p>\n<p><em>Porventura n\u00e3o \u00e9 Cristo o segredo da verdadeira liberdade e da alegria profunda do cora\u00e7\u00e3o? N\u00e3o \u00e9 Cristo o maior amigo e, simultaneamente, o educador de toda a amizade aut\u00eantica? Se Cristo lhes for apresentado com o seu verdadeiro rosto, os jovens reconhecem-No como resposta convincente e conseguem acolher a sua mensagem, mesmo se exigente e marcada pela Cruz. Por isso, vibrando com o seu entusiasmo, n\u00e3o hesitei em pedir-lhes uma op\u00e7\u00e3o radical de f\u00e9 e de vida, apontando-lhes uma miss\u00e3o estupenda: fazerem-se \u00ab sentinelas da manh\u00e3 \u00bb (cf. Is 21,11-12) nesta aurora do novo mil\u00eanio (NMI 9).<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-10\" href=\"#post-47833-footnote-10\">[10]<\/a><\/sup><br \/>\n<\/em><br \/>\nSim, os jovens ainda est\u00e3o em busca de quem tenha a coragem e a convic\u00e7\u00e3o da f\u00e9 em Cristo. A busca por parte dos jovens n\u00e3o falta. Precisamos de pessoas maduras na f\u00e9, prontas para apresentar o rosto de Jesus, como servos e peregrinos. Precisamos de educadores e pastores dispostos a ouvir e viver a boa nova.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173405\"><\/a><strong><em>b. Cooperadores no projeto de Deus para os jovens<br \/>\n<\/em><\/strong> Atrav\u00e9s deste servi\u00e7o convicto e alegre n\u00f3s, educadores e pastores, tornamo-nos cooperadores no projeto de Deus para os jovens. Como Maria, tamb\u00e9m n\u00f3s fizemos a op\u00e7\u00e3o de n\u00e3o nos distanciarmos do que est\u00e1 acontecendo ao nosso redor. Escolhemos fazer parte da hist\u00f3ria dos jovens. Porque estamos convencidos de que esses jovens, hoje mais do que nunca, trazem no cora\u00e7\u00e3o a pergunta sobre \u201conde habita o Senhor\u201d. Eles est\u00e3o buscando-o talvez at\u00e9 sem o saber. N\u00e3o t\u00eam o vocabul\u00e1rio para diz\u00ea\u2011lo, mas t\u00eam aquela sede profunda que n\u00e3o deixa o cora\u00e7\u00e3o em paz. Se falta a linguagem adequada, certamente n\u00e3o falta o cora\u00e7\u00e3o inquieto.<br \/>\nQu\u00e3o grande \u00e9 a nossa responsabilidade, n\u00f3s que encontramos Jesus, que frequentemente nos detemos com Jesus, todos os dias! Contudo, somente quando vivemos esse encontro com fidelidade e consist\u00eancia conseguimos entender e compreender a pergunta silenciosa dos jovens. Nessa l\u00f3gica de um \u201csil\u00eancio que interpela de forma ensurdecedora\u201d, os verdadeiros educadores e pastores comunicam, com o seu testemunho e a sua fidelidade, aquela centelha que, somente ela, sabe incendiar os cora\u00e7\u00f5es. Foi-nos entregue o \u201ctalento\u201d da boa-nova. Ai de n\u00f3s se o negligenciarmos, ou pior ainda, se o enterrarmos.<br \/>\nEm sua vida breve, mas intensa, Simone Weil (1909\u20131943) fil\u00f3sofa, ativista pol\u00edtica e m\u00edstica francesa, uma mulher desesperadamente em busca deixou uma marca profunda no pensamento filos\u00f3fico franc\u00eas do s\u00e9culo XX. Em certo per\u00edodo de sua vida, ela esteve em contato com o dominicano padre Joseph-Marie Perrin. Dessa experi\u00eancia ela escreve em seu di\u00e1rio:<\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 pela maneira como um homem fala de Deus, mas pela maneira como ele fala das coisas terrenas, que se pode discernir melhor se a sua alma habita no fogo do amor de Deus.<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-11\" href=\"#post-47833-footnote-11\">[11]<\/a><\/sup><br \/>\n<\/em><br \/>\n\u00c9 uma frase lapidar que se encaixa perfeitamente em nossos contextos educativo-pastorais. Na maior parte do tempo, os nossos encontros com os jovens e com todos os que o Senhor nos permite encontrar s\u00e3o simples contato humano, uma generosa disponibilidade para necessidades e temas imediatos. Entretanto, esse espa\u00e7o de pura humanidade torna-se lugar de revela\u00e7\u00e3o do amor de Deus: nesses momentos ocupamos uma \u201cterra sagrada\u201d que n\u00e3o se deve pisar. Nos p\u00e1tios do mundo, a nossa presen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas f\u00edsica, mas carrega o que o nosso cora\u00e7\u00e3o cont\u00e9m. Mesmo falando de \u201ccoisas terrenas\u201d, sem o perceber, comunicamos \u201cquem\u201d ou \u201co que\u201d acolhemos e hospedamos em nosso cora\u00e7\u00e3o. Nesses momentos simples, a nossa presen\u00e7a, portadora de um cora\u00e7\u00e3o sadio, facilita de maneira surpreendente a revela\u00e7\u00e3o do projeto de Deus para cada jovem que encontramos. Bem-aventurados n\u00f3s se estivermos continuamente conscientes disso. Bem-aventurados os jovens que encontram estes servos crentes, generosos e cheios de alegria verdadeira e aut\u00eantica.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173406\"><\/a><strong><em>c. A ousadia da f\u00e9<br \/>\n<\/em><\/strong> Enfim, n\u00e3o devemos ter nem medo nem vergonha: incentivemos, em n\u00edvel pessoal e comunit\u00e1rio, a ousadia da f\u00e9. N\u00e3o se trata de uma postura que desafia o mundo, muito menos de um fundamentalismo sem sentido. Trata-se, antes, de uma op\u00e7\u00e3o que nos enra\u00edza em Cristo, e assim caminhamos ao encontro do mundo. N\u00e3o se trata de confrontar, mas de promover espa\u00e7os de fraternidade, fomentar a cultura do di\u00e1logo, viver rela\u00e7\u00f5es marcadas pela compaix\u00e3o e pela empatia.<br \/>\nEm uma passagem da Enc\u00edclica <em>Lumen fidei<\/em>, o Papa Francisco det\u00e9m-se sobre a potencialidade de uma f\u00e9 que n\u00e3o visa conquistar, mas colaborar para o bem comum. Como portadores de um carisma que educa e evangeliza, a reflex\u00e3o do Papa nos ilumina e exorta a seguir adiante.<\/p>\n<p><em>A f\u00e9 n\u00e3o afasta do mundo, nem \u00e9 alheia ao esfor\u00e7o concreto dos nossos contempor\u00e2neos. Sem um amor fi\u00e1vel, nada poderia manter verdadeiramente unidos os homens: a unidade entre eles seria conceb\u00edvel apenas enquanto fundada sobre a utilidade, a conjuga\u00e7\u00e3o dos interesses, o medo, mas n\u00e3o sobre a beleza de viverem juntos, nem sobre a alegria que a simples presen\u00e7a do outro pode gerar (n. 51).<br \/>\n<\/em><br \/>\nO Papa em seguida recorda que essa tomada de posi\u00e7\u00e3o se torna um dom inestim\u00e1vel pelas suas consequ\u00eancias sociais. Esse apelo para n\u00f3s, Grupos da Fam\u00edlia Salesiana, \u00e9 crucial porque nos alerta para o perigo de considerar \u201ca f\u00e9\u201d como \u201cpropriedade privada\u201d, que possu\u00edmos em contraposi\u00e7\u00e3o aos demais. N\u00e3o \u00e9 esse o sentido do chamado. Recordando o contexto da festa de Can\u00e1, o vinho \u00e9 para todos, inclusive para aqueles que n\u00e3o fizeram bem as contas, inclusive para quem entrou de penetra na festa e para os mendigos que passam. A f\u00e9 em Cristo, como o vinho novo, inaugura a festa da alian\u00e7a. Eis as palavras do Papa Francisco:<\/p>\n<p><em>A f\u00e9 faz compreender a arquitetura das rela\u00e7\u00f5es humanas, porque identifica o seu fundamento \u00faltimo e destino definitivo em Deus, no seu amor, e assim ilumina a arte da sua constru\u00e7\u00e3o, tornando-se um servi\u00e7o ao bem comum. Por isso, a f\u00e9 \u00e9 um bem para todos, um bem comum: a sua luz n\u00e3o ilumina apenas o \u00e2mbito da Igreja nem serve somente para construir uma cidade eterna no al\u00e9m, mas ajuda tamb\u00e9m a construir as nossas sociedades de modo que caminhem para um futuro de esperan\u00e7a (n.51).<br \/>\n<\/em><br \/>\nA ousadia da f\u00e9 \u00e9 uma confirma\u00e7\u00e3o de que queremos levar a s\u00e9rio o chamado a ser cooperadores no projeto de Deus para os jovens. Dom Bosco viveu esse chamado com uma consci\u00eancia extraordin\u00e1ria e transformou-a em sistema, projeto e experi\u00eancia de fam\u00edlia. Era uma ousadia que o fez dizer (e viver): &#8220;Nas coisas que s\u00e3o de vantagem \u00e0 juventude em perigo ou servem para ganhar almas para Deus, eu corro adiante at\u00e9 a temeridade.\u201d<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-12\" href=\"#post-47833-footnote-12\">[12]<\/a><\/sup><br \/>\nN\u00f3s vivemos a ousadia da f\u00e9 para favorecer um futuro marcado pela esperan\u00e7a. A ousadia da f\u00e9 com as ra\u00edzes no cora\u00e7\u00e3o do educador, do pastor, que nunca deixa de amar, de esperar, de cuidar do seu rebanho.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173407\"><\/a><strong><em>d. Convite \u00e0 reflex\u00e3o<br \/>\n<\/em><\/strong> N\u00e3o tenhamos medo de interrogar-nos de forma \u00edntima e sincera para saber se estamos realmente servindo os jovens ou se estamos servindo-nos deles para a nossa pr\u00f3pria agenda e raz\u00f5es pessoais.<br \/>\nChamados como Comunidade a educar com o cora\u00e7\u00e3o do bom pastor, esforcemo-nos por encontrar momentos que fortalecem em n\u00f3s a consci\u00eancia de que a nossa presen\u00e7a e a nossa contribui\u00e7\u00e3o visam favorecer a descoberta do projeto de Deus para cada jovem.<br \/>\nEvocando a frase de Simone Weil, a minha alma habita no fogo do amor de Deus? Se eu n\u00e3o habito na fornalha do amor de Deus, pouco importa a alternativa, onde eu decidir habitar!<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173408\"><\/a><strong>5. 150 anos \u2013 Salesianos Cooperadores: o sonho prof\u00e9tico de Dom Bosco continua<em><br \/>\n<\/em><\/strong> Convido-vos a olhar para a ocorr\u00eancia dos 150 anos de funda\u00e7\u00e3o dos Salesianos Cooperadores como uma experi\u00eancia que prolonga a palavra de Maria aos servos: &#8220;Fazei tudo o que ele vos disser&#8221;.<br \/>\nAs reflex\u00f5es feitas at\u00e9 aqui podem ser atualizadas no projeto que Dom Bosco amadureceu desde o in\u00edcio de sua miss\u00e3o em Valdocco.<br \/>\na. O cora\u00e7\u00e3o de Dom Bosco era um cora\u00e7\u00e3o aberto para acolher os sinais dos tempos, com seus desafios e oportunidades.<br \/>\nb. Desde o in\u00edcio houve um caminho enraizado na f\u00e9 em Cristo, e a sua experi\u00eancia pessoal tinha unicamente em Cristo o seu ponto de partida.<br \/>\nc. A proposta que foi amadurecendo tinha como objetivo oferecer aos jovens e aos seus primeiros colaboradores um chamado a <em>descobrir e viver o projeto pessoal de vida com liberdade<\/em>.<br \/>\nd. Num ambiente saud\u00e1vel e santo, onde a raz\u00e3o (sensatez) e a f\u00e9 (religi\u00e3o) se alimentavam reciprocamente num contexto de bondade\/amorevolezza, esse caminho tinha como \u00fanico prop\u00f3sito servir os jovens com total generosidade e am\u00e1-los sem condi\u00e7\u00f5es.<br \/>\ne. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas tivemos v\u00e1rias ocasi\u00f5es e momentos de reflex\u00e3o que nos ajudam a contemplar a experi\u00eancia dos Salesianos Cooperadores \u00e0 luz do carisma salesiano. Refiro-me a tr\u00eas fontes que, ao longo deste ano, podem nutrir muitos momentos de estudo e reflex\u00e3o, como tamb\u00e9m de pesquisa voltada a novas e criativas propostas pastorais.<\/p>\n<p>O <strong>Padre Pietro Braido<\/strong> dedica v\u00e1rias p\u00e1ginas aos Salesianos Cooperadores<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-13\" href=\"#post-47833-footnote-13\">[13]<\/a><\/sup>. Aqui, eu quero apenas mencionar algumas ideias para uma vis\u00e3o geral que nos \u00e9 oferecida pela mem\u00f3ria projetada al\u00e9m do imediatismo hist\u00f3rico e temporal. Se fizermos uma verdadeira mem\u00f3ria das op\u00e7\u00f5es de Dom Bosco, perceberemos que o tema da ESTREIA 2026 est\u00e1 em plena sintonia com a sua a\u00e7\u00e3o, tendo ele sempre sido atento e obediente \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do sopro do Esp\u00edrito de Deus.<br \/>\nA ideia de Dom Bosco era criar uma verdadeira for\u00e7a mission\u00e1ria organizada, um \u201cex\u00e9rcito potencialmente ilimitado de pessoas, homens e mulheres\u201d. A caracter\u00edstica revolucion\u00e1ria era que esses membros compartilhariam a miss\u00e3o salesiana permanecendo no mundo, sem a obriga\u00e7\u00e3o dos votos religiosos (pobreza, castidade, obedi\u00eancia) nem da vida comunit\u00e1ria t\u00edpica dos religiosos. Eram chamados a viver uma f\u00e9 \u201c<em>evangelizadora e civilizadora<\/em>\u201d em seu contexto cotidiano.<br \/>\nDesde o in\u00edcio do Orat\u00f3rio, Dom Bosco sempre p\u00f4de contar com a colabora\u00e7\u00e3o de padres e leigos. A verdadeira novidade estava em dar a essa colabora\u00e7\u00e3o uma forma oficial e estruturada: uma <em>Associa\u00e7\u00e3o<\/em> ou <em>Uni\u00e3o<\/em> eclesial. Essa entidade seria formalmente \u201cagregada\u201d \u00e0 Sociedade Salesiana, criando um v\u00ednculo espiritual e jur\u00eddico reconhecido.<br \/>\nA ideia n\u00e3o surgiu de repente. J\u00e1 nas vers\u00f5es preliminares das Constitui\u00e7\u00f5es Salesianas dos anos 60, Dom Bosco havia previsto um cap\u00edtulo sobre os \u201cS\u00f3cios Externos\u201d. Embora essa proposta tenha sido inicialmente rejeitada pelas autoridades vaticanas, Dom Bosco n\u00e3o desistiu. Ele queria transformar uma rede de ajuda espont\u00e2nea e informal em uma fam\u00edlia espiritual reconhecida, com identidade clara e papel ativo na miss\u00e3o salesiana.<\/p>\n<p><em>Na \u2018Introdu\u00e7\u00e3o\u2019 de 1854 do \u2018Plano de Regulamento para o Oratorio Masculino de S\u00e3o Francisco de Sales\u2019 Dom Bosco manifestava a esperan\u00e7a de que o regulamento pudesse \u201cservir de norma (&#8230;) para administrar essa parte do sagrado minist\u00e9rio, e de guia \u00e0s pessoas eclesi\u00e1sticas e seculares que a\u00ed consagram suas fadigas com caridosa solicitude e em bom n\u00famero\u201d. De fato, gostava de recordar como tinha sido grande o grupo dos colaboradores eclesi\u00e1sticos e leigos (Braido, Vol. 2, p. 164).<br \/>\n<\/em><br \/>\nA vis\u00e3o original de Dom Bosco ainda nos interpela, porque nos convida a renovar hoje aquele mesmo esp\u00edrito apost\u00f3lico que ele sonhava como base e fundamento. Para Dom Bosco, a figura do Salesiano Cooperador era multifacetada, com identidade e miss\u00e3o bem definidas.<br \/>\nA identidade deles era a de um Salesiano no mundo: crist\u00e3o (leigo, padre, homem ou mulher) que vive o esp\u00edrito salesiano em sua condi\u00e7\u00e3o de vida, na fam\u00edlia e na sociedade. N\u00e3o \u00e9 um religioso, mas compartilha com os religiosos salesianos o mesmo cora\u00e7\u00e3o e a mesma paix\u00e3o pela salva\u00e7\u00e3o dos jovens.<br \/>\nA miss\u00e3o deles tinha um duplo prop\u00f3sito: a santifica\u00e7\u00e3o pessoal (&#8220;fazer o bem a si mesmo&#8221;: ou seja, chamado a viver uma vida crist\u00e3 exemplar, com estilo de vida simples e virtuoso, quase como se estivesse &#8220;na Congrega\u00e7\u00e3o&#8221;). E a salva\u00e7\u00e3o dos outros, a a\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, com o objetivo de um trabalho ativo pelo pr\u00f3ximo, com um foco especial na &#8220;juventude periclitante&#8221;.<br \/>\nDom Bosco, com grande pragmatismo, estabeleceu que quem n\u00e3o pudesse realizar essas obras diretamente (\u201cpor si\u201d) ainda podia contribuir apoiando quem as fazia (\u201cpor meio de outros\u201d). Esse princ\u00edpio tornava a experi\u00eancia acess\u00edvel a todos, independentemente da idade, da sa\u00fade ou dos recursos econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>O <strong>P. Eg\u00eddio Vigan\u00f2<\/strong>, escreveu uma carta em 1986 sobre <em>A Associa\u00e7\u00e3o dos Cooperadores Salesianos<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-14\" href=\"#post-47833-footnote-14\">[14]<\/a><\/sup><\/em>, na ocasi\u00e3o da promulga\u00e7\u00e3o solene do ent\u00e3o novo <em>Regulamento de vida apost\u00f3lica da Associa\u00e7\u00e3o dos Cooperadores Salesianos<\/em>. Nessa carta, o P. Vigan\u00f2 escreve que o novo Regulamento n\u00e3o era uma simples atualiza\u00e7\u00e3o normativa, mas um acontecimento de alcance hist\u00f3rico que completava a renova\u00e7\u00e3o p\u00f3s\u2011conciliar de toda a Fam\u00edlia Salesiana. E diz que \u201cDom Bosco n\u00e3o considerou conclu\u00edda a sua longa e trabalhosa miss\u00e3o de Fundador enquanto n\u00e3o conseguiu dar uma estrutura v\u00e1lida e uma Carta de identidade pr\u00f3pria a esta Associa\u00e7\u00e3o. Ela esteve presente, em certa maneira e como semente, j\u00e1 desde os in\u00edcios do seu projeto em favor das Obras dos Orat\u00f3rios.<br \/>\nAcrescenta, ainda, que o carisma salesiano possui uma \u201cvitalidade male\u00e1vel\u201d que lhe permite adaptar-se aos tempos sem perder a pr\u00f3pria ess\u00eancia. Dom Bosco partiu da intui\u00e7\u00e3o fundamental da miss\u00e3o juvenil e da urg\u00eancia de ter colaboradores permanentes. Somente ap\u00f3s mais de trinta anos de discernimento, de 1841 a 1876, conseguiu dar forma definitiva ao seu projeto, passando de uma dimens\u00e3o diocesana para uma voca\u00e7\u00e3o universal.<\/p>\n<p>O <strong>Padre Pascual Ch\u00e1vez<\/strong>, enfim, em uma interven\u00e7\u00e3o sobre <em>O Cooperador na mente de Dom Bosco<\/em>, comenta \u201cO Projeto de Vida Apost\u00f3lica: caminho de fidelidade ao carisma de Dom Bosco\u201d ressaltando a intui\u00e7\u00e3o original de Dom Bosco e recordando a c\u00e9lebre frase: \u201cEu sempre precisei de todos!\u201d. Nessa express\u00e3o encontramos em s\u00edntese a sua vis\u00e3o de forma completa, que n\u00e3o se limita a ver os Cooperadores como simples auxiliares, mas protagonistas essenciais de uma vasta rede de colabora\u00e7\u00e3o que, de fato, possibilitou a difus\u00e3o mundial da obra salesiana.<br \/>\nO Padre Ch\u00e1vez escreve que a identidade do Cooperador, segundo Dom Bosco, articula-se em tr\u00eas dimens\u00f5es fundamentais: primeiro, \u00e9 um crist\u00e3o cat\u00f3lico; segundo, tem uma voca\u00e7\u00e3o secular; terceiro, \u00e9 Salesiano no mundo, recordando a mesma confer\u00eancia de Dom Bosco em 1885. Nessa confer\u00eancia dom Bosco disse:<\/p>\n<p><em>O que significa ser Cooperador salesiano? Ser Cooperador salesiano significa concorrer juntamente com outros no apoio a uma obra fundada sob os ausp\u00edcios de S\u00e3o Francisco de Sales, cuja finalidade \u00e9 ajudar a Santa Igreja em suas necessidades mais urgentes; significa colaborar para promover uma obra t\u00e3o recomendada pelo Santo Padre, porque educa os jovens na virtude, no caminho do Santu\u00e1rio, porque tem por principal objetivo instruir a juventude que hoje se tornou alvo dos maus, porque promove no meio do mundo, nos col\u00e9gios, nos internatos, nos orat\u00f3rios festivos, nas fam\u00edlias, promovendo, digo, o amor \u00e0 religi\u00e3o, os bons costumes, as ora\u00e7\u00f5es, a frequ\u00eancia aos Sacramentos, e assim por diante.<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-15\" href=\"#post-47833-footnote-15\">[15]<\/a><\/sup><br \/>\n<\/em><br \/>\n\u00c0 luz da vis\u00e3o de Dom Bosco, o Projeto de Vida Apost\u00f3lica (PVA) tra\u00e7a o caminho para ser um testemunho aut\u00eantico do projeto de Deus a favor do crescimento integral dos jovens. Esse caminho torna-se real quando os Salesianos Cooperadores se comprometem a:<br \/>\na. garantir a identidade da Associa\u00e7\u00e3o por meio de <em>uma fidelidade din\u00e2mica ao carisma original<\/em>. O estudo e a reflex\u00e3o sobre o carisma sejam fonte que nutre continuamente a compreens\u00e3o e a viv\u00eancia do chamado;<br \/>\nb. <em>fortalecer a unidade dos membros na sua diversidade<\/em>. A riqueza das origens, a variedade dos dons de cada membro e a situa\u00e7\u00e3o pessoal de cada um sejam uma oportunidade para criar espa\u00e7os de converg\u00eancia, partilha e habitar novos espa\u00e7os de a\u00e7\u00e3o;<br \/>\nc. por fim, <em>promover a vitalidade mission\u00e1ria de cada Cooperador<\/em>. O chamado a sentir-nos como Dom Bosco significa sermos guiados por um cora\u00e7\u00e3o pronto \u201ca sair&#8221;, um cora\u00e7\u00e3o que se sente enviado, um cora\u00e7\u00e3o mission\u00e1rio. Essa convic\u00e7\u00e3o supera o perigo de um fechamento que acaba por apagar o fogo do chamado.<br \/>\nEnfim, com estas propostas do P. Pascual Ch\u00e1vez, vale a pena reafirmar o seu convite a n\u00e3o perdermos o frescor que Dom Bosco transmitia e que hoje cabe a n\u00f3s n\u00e3o perder nem abrandar. O seu projeto ainda hoje demonstra o seu valor na medida em que cada Salesiano Cooperador procura ser, antes de tudo, uma pessoa dedicada ao bem comum nos \u00e2mbitos pol\u00edtico, social e humanit\u00e1rio. Nessa \u00f3tica, em segundo lugar, a aten\u00e7\u00e3o privilegiada aos pobres e aos exclu\u00eddos torna-se a for\u00e7a que impulsiona a a\u00e7\u00e3o pastoral. Em terceiro lugar, reafirma-se o compromisso com uma comunidade de f\u00e9, sustentando a vitalidade da Igreja mediante um esp\u00edrito de servi\u00e7o aut\u00eantico, verdadeiro e desinteressado. Por fim, o convite \u00e0 forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, para que o testemunho, no seu conjunto e em qualquer lugar, seja nutrido por aquela espiritualidade laical que forma para a vida evang\u00e9lica, uma vida portadora de boas-novas, fermento na sociedade.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173409\"><\/a><strong>6. Algumas propostas pastorais<em><br \/>\n<\/em><\/strong> Nesta parte final ofere\u00e7o algumas propostas pastorais que podem ser estudadas e discutidas nos diversos Grupos da Fam\u00edlia Salesiana. S\u00e3o propostas que surgem das v\u00e1rias considera\u00e7\u00f5es at\u00e9 aqui expostas e intimamente ligadas \u00e0 Palavra de Deus que nos acompanhou nesta ESTREIA 2026. O meu desejo, e o desejo de cada membro da Fam\u00edlia Salesiana, \u00e9 colocar sempre diante de n\u00f3s a for\u00e7a e a luz da Palavra. Desta energia pedimos ao Esp\u00edrito de Deus que nos conceda coragem e determina\u00e7\u00e3o para viver com f\u00e9 a mensagem de Jesus e, vivendo-a, levar o \u201cvinho da esperan\u00e7a\u201d aos jovens.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173410\"><\/a><strong><em>1. \u201cFazei tudo o que ele vos disser\u201d: para uma pedagogia da escuta pessoal<br \/>\n<\/em><\/strong> As palavras de Maria aos servos de Can\u00e1 s\u00e3o oferecidas como um verdadeiro m\u00e9todo educativo. Maria convida \u00e0 escuta pessoal que leva do individualismo indiferente \u00e0 autonomia respons\u00e1vel e solid\u00e1ria, do conformismo exterior est\u00e9ril \u00e0 convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEduquemos os jovens \u00e0 escuta pessoal da palavra de Deus em vista de uma f\u00e9 adulta e consciente.<br \/>\nPromovamos o discernimento em n\u00edvel pessoal e comunit\u00e1rio, de grupos e de assembleias.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173411\"><\/a><strong><em>2. Maria em Can\u00e1: educadora da liberdade aut\u00eantica<br \/>\n<\/em><\/strong> Maria n\u00e3o obriga os servos, mas dirige-os para Aquele que pode transformar as suas vidas. Ela \u00e9 o modelo de todo aut\u00eantico educador na f\u00e9: n\u00e3o impor, mas propor; n\u00e3o obrigar, mas acompanhar; n\u00e3o substituir-se, mas tornar capazes.<br \/>\nCres\u00e7amos como educadores e educadoras que ajudam os jovens a fazer as perguntas certas, evitando o perigo de oferecer respostas prontas.<br \/>\nTornemo-nos conscientes de que a autoridade nasce do testemunho coerente e aut\u00eantico, n\u00e3o do autoritarismo sufocante.<br \/>\nAceitemos que educar para a liberdade tamb\u00e9m significa prever o risco do \u201cn\u00e3o\u201d, de uma resposta negativa, de uma recusa, e que, em todo caso, \u00e9 sempre necess\u00e1rio respeitar as op\u00e7\u00f5es dos jovens no interior de um caminho gradual de crescimento.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173412\"><\/a><strong><em>3. A arte de ler os sinais dos tempos com os jovens<br \/>\n<\/em><\/strong> Uma pastoral encarnada sabe ler a realidade juvenil sem preconceitos nem nostalgia do passado. Os jovens vivem em um mundo complexo, atravessado por desafios in\u00e9ditos: a revolu\u00e7\u00e3o digital, a incerteza do futuro, a crise das institui\u00e7\u00f5es tradicionais, as novas formas de pobreza existencial.<br \/>\nEscutemos de maneira emp\u00e1tica: antes de julgar, procuremos compreender o mundo juvenil por dentro.<br \/>\nFa\u00e7amos uma leitura sapiencial: vejamos nas mudan\u00e7as culturais n\u00e3o s\u00f3 amea\u00e7as, mas tamb\u00e9m oportunidades para o an\u00fancio.<br \/>\nPromovamos o di\u00e1logo no Esp\u00edrito: vivenciamos a &#8220;sinodalidade&#8221; de modo evidente quando envolvemos os pr\u00f3prios jovens na escuta rec\u00edproca, na an\u00e1lise da sua realidade e na formula\u00e7\u00e3o de novas propostas.<br \/>\nCom um olhar de f\u00e9, reconhe\u00e7amos a a\u00e7\u00e3o de Deus tamb\u00e9m nas situa\u00e7\u00f5es aparentemente mais afastadas do Evangelho.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173413\"><\/a><strong><em>4. Escolher: a liberdade crist\u00e3 como resposta vocacional<br \/>\n<\/em><\/strong> Um dos pontos mais delicados da pastoral juvenil salesiana de hoje \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e liberdade. Somente a &#8220;escuta livre&#8221; permite experimentar a for\u00e7a libertadora do Evangelho.<br \/>\nOfere\u00e7amos aos jovens espa\u00e7os e experi\u00eancias baseados num cristianismo audacioso, sem medo, uma proposta de vida crist\u00e3 simples e cred\u00edvel.<br \/>\nOrientemos para a a\u00e7\u00e3o: cada a\u00e7\u00e3o e cada proposta concreta sejam vividas e guiadas pela Palavra para serem sinais de uma espiritualidade integral. O servi\u00e7o emerge ent\u00e3o como express\u00e3o natural de uma f\u00e9 madura e de uma liberdade aut\u00eantica.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173414\"><\/a><strong><em>5. Os 150 anos dos Salesianos Cooperadores: um modelo para hoje<br \/>\n<\/em><\/strong> A comemora\u00e7\u00e3o dos 150 anos dos Salesianos Cooperadores oferece \u00e0 miss\u00e3o salesiana uma oportunidade \u00fanica: o sonho de Dom Bosco de um &#8220;grande movimento de pessoas&#8221; comprometidas com o bem da juventude.<br \/>\n<em>Protagonismo juvenil<\/em>: os jovens n\u00e3o s\u00e3o apenas destinat\u00e1rios da a\u00e7\u00e3o pastoral, mas sujeitos ativos. Como os primeiros Cooperadores desde o in\u00edcio, os jovens compartilharam o sonho de Bom Bosco. Isso tamb\u00e9m deve valer para os jovens de hoje: eles s\u00e3o chamados a ser protagonistas da evangeliza\u00e7\u00e3o, mais explicitamente do que os seus coet\u00e2neos.<br \/>\n<em>Alian\u00e7as educativas<\/em>: a miss\u00e3o salesiana n\u00e3o pode ser obra de indiv\u00edduos isolados, mas requer redes de colabora\u00e7\u00e3o entre fam\u00edlias, comunidades crist\u00e3s, escolas, associa\u00e7\u00f5es e o mundo do trabalho. Os Salesianos Cooperadores de ontem e de hoje representam esse esp\u00edrito de alian\u00e7a pastoral.<br \/>\n<em>Dimens\u00e3o mission\u00e1ria<\/em>: o carisma salesiano \u00e9 intrinsecamente mission\u00e1rio. Toda op\u00e7\u00e3o pastoral n\u00e3o pode limitar-se \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 existe, mas deve abrir-se \u00e0s periferias, \u00e0s novas formas de pobreza, aos jovens mais distantes.<br \/>\n<em>Laicidade fecunda<\/em>: os Salesianos Cooperadores testemunham a beleza da voca\u00e7\u00e3o laical na Igreja. Isso significa valorizar e levar a s\u00e9rio o papel espec\u00edfico dos leigos na educa\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9, respeitando e promovendo a sua compet\u00eancia e autonomia.<\/p>\n<p><a id=\"post-47833-_Toc218173415\"><\/a><strong>Conclus\u00e3o<em><br \/>\n<\/em><\/strong> A ESTREIA 2026 oferece \u00e0 Fam\u00edlia Salesiana um programa ao mesmo tempo desafiador e fascinante. Neste tempo em que os jovens s\u00e3o descritos muitas vezes apenas em termos de problemas ou fragilidades, a proposta salesiana v\u00ea-los com os olhos da f\u00e9: quando encontram propostas cr\u00edveis e testemunhas confi\u00e1veis, os jovens mostram-se portadores sinceros de dons espec\u00edficos, realmente capazes de escuta aut\u00eantica, prontos para fazer escolhas generosas.<br \/>\nComo Maria em Can\u00e1, n\u00f3s, educadores e educadoras na f\u00e9, somos chamados a testemunhar Cristo aos jovens, n\u00e3o como \u201cobjeto\u201d, mas como rela\u00e7\u00e3o libertadora; a propor a vida crist\u00e3 n\u00e3o como regras a seguir, mas como plenitude de vida oferecida gratuitamente. \u201cFazei tudo o que ele vos disser\u201d n\u00e3o \u00e9 um convite \u00e0 obedi\u00eancia cega, mas \u00e0 liberdade respons\u00e1vel comunicada por quem j\u00e1 encontrou e vive o Amor, e quer compartilh\u00e1\u2011lo porque nele est\u00e1 a verdadeira vida.<br \/>\nEncerro com uma reflex\u00e3o de Romano Guardini<sup><a id=\"post-47833-footnote-ref-16\" href=\"#post-47833-footnote-16\">[16]<\/a><\/sup>. Ele afirma que a nossa f\u00e9 \u00e9 uma &#8220;\u00abf\u00e9 contestada\u00bb, que deve continuamente verificar o pr\u00f3prio fundamento, e talvez desfazer-se do variado e do belo para apegar-se apenas ao essencial\u00bb. Isso significa que, quando surge a d\u00favida ou o des\u00e2nimo que frequentemente nos atacam em nossa miss\u00e3o percebemos que a verdadeira f\u00e9 \u00e9 aquela &#8220;que sempre se ergue de novo contra a d\u00favida. [&#8230;] Aquela forma caracter\u00edstica de f\u00e9 que (S\u00e3o John Henry) Newman descreveu bem quando afirmou que \u00abcrer\u00bb significa \u00abpoder sustentar a d\u00favida\u00bb\u201d.<br \/>\nO vinho novo do casamento de Can\u00e1, que simboliza a novidade promovida por quem cr\u00ea, n\u00f3s o levamos com alegria e esperan\u00e7a, tamb\u00e9m e sobretudo em meio a desafios e dificuldades, d\u00favidas e incertezas. Seja na Igreja ou na sociedade, os jovens que acompanhamos s\u00e3o portadores de uma sede de vida aut\u00eantica. Buscam encontrar <em>crentes<\/em> que comuniquem uma proposta crist\u00e3 <em>cred\u00edvel<\/em> e, por isso, sejam <em>cridos<\/em> por eles. Esse \u00e9 o desafio que a ESTREIA 2026 confia a todos n\u00f3s da Fam\u00edlia Salesiana que levamos com seriedade as novas gera\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO sonho de Dom Bosco continua sempre que um jovem descobre nos educadores e pastores que encontra n\u00e3o um limite \u00e0 sua liberdade, mas o caminho para se tornar plenamente ele mesmo, um crente que vive a pr\u00f3pria f\u00e9 a servi\u00e7o dos irm\u00e3os. Esta \u00e9 a \u201cboa nova\u201d que a miss\u00e3o salesiana \u00e9 chamada a anunciar: a ousadia da f\u00e9 e a alegria da partilha.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a ESTREIA que, com alegria e como\u00e7\u00e3o, vos ofere\u00e7o, e que me comprometo a viver eu mesmo em primeiro lugar.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>O cartaz da STRENNA 2026, com o tema \u00abFA\u00c7A O QUE ELE LHE DIZER\u00bb, Fi\u00e9is, livres para servir, retrata visualmente a passagem do EVANGELHO sobre as Bodas de Can\u00e1.<\/strong><\/p>\n<p>Seguindo a estrutura em quatro partes proposta pelo Reitor-Mor, a ilustra\u00e7\u00e3o destaca: Maria (\u00e0 esquerda) olha e percebe a necessidade; ela volta essa consci\u00eancia para Dom Bosco (ao centro), representando o discernimento cheio de f\u00e9 e a a\u00e7\u00e3o compassiva da miss\u00e3o salesiana, e juntos eles olham para Jesus (com a aur\u00e9ola), que aponta o caminho; o primeiro plano mostra os servos \u2014 ouvindo, escolhendo e, finalmente, partilhando o vinho transformado das jarras \u2014 para que a comunidade receba a abund\u00e2ncia de Deus. As cores e o agrupamento enfatizam a comunh\u00e3o, o servi\u00e7o e a aten\u00e7\u00e3o: o olhar de Maria desperta a consci\u00eancia (OLHAR), a presen\u00e7a de Cristo d\u00e1 profundidade e dire\u00e7\u00e3o (OUVIR), os gestos livres e confiantes dos servos revelam o consentimento interior (ESCOLHER) e o seu ato de levar o vinho manifesta o servi\u00e7o alegre (AGIR). Perto do topo da composi\u00e7\u00e3o, o pequeno cubo flutuante serve como uma provoca\u00e7\u00e3o subtil \u2014 um lembrete de como \u00e0s vezes podemos permitir-nos ser confinados por medos interiores, atitudes r\u00edgidas ou mesmo por novas ideologias e sistemas modernos que prometem progresso, mas silenciosamente limitam a nossa abertura ao Esp\u00edrito e \u00e0 genu\u00edna liberdade humana. Toda a imagem \u00e9 um lembrete de que, quando o amor escuta a palavra de Cristo, o cora\u00e7\u00e3o encontra a liberdade para escolher, servir e partilhar a alegria transformadora de Deus.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<ol>\n<li id=\"post-47833-footnote-1\">Papa Francisco, Carta Enc\u00edclica <em>Lumen fidei<\/em> (2013). <a href=\"#post-47833-footnote-ref-1\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-2\">Papa Francisco, Audi\u00eancia Geral, 8 de junho de 2016: <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/audiences\/2016\/documents\/papa-francesco_20160608_udienza-generale.html\">https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/audiences\/2016\/documents\/papa-francesco_20160608_udienza-generale.html<\/a> <a href=\"#post-47833-footnote-ref-2\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-3\">Joseph Ratzinger-Benedetto XVI, <em>Ges\u00f9 di Nazaret<\/em>, Libreria Editrice Vaticana, Citt\u00e0 del Vaticano, 2007, p.292. <a href=\"#post-47833-footnote-ref-3\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-4\"><em>Idem<\/em>. <a href=\"#post-47833-footnote-ref-4\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-5\">Dominic VELIATH, \u201cEncounter of the Salesian Charism. South Asian Context\u201d, in, <em>Journal of Salesian Studies<\/em>, July\u2013December 2015, Vol.16, n.2, pp.189-207; cf. <a href=\"https:\/\/www.salesian.online\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/JSS_16_N_2_Encounter_of_the_Salesian_Charism_with_the_Southern_Asian_Context-Dominic_Veliath1.pdf\">https:\/\/www.salesian.online\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/JSS_16_N_2_Encounter_of_the_Salesian_Charism_with_the_Southern_Asian_Context-Dominic_Veliath1.pdf<\/a> <a href=\"#post-47833-footnote-ref-5\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-6\"><em>Idem<\/em>, p. 207. Original em ingl\u00eas: The Salesian charism is still on a pilgrimage. Every pilgrimage involves a certain amount of risk; at times one is challenged to venture along what may seem as yet an uncharted course. It is in this setting that every Salesian, including the Salesian in the South Asian context, confident in the abiding presence of the Spirit of God, rooted in the Salesian charism and in fraternal communion with the Salesian congregation at large, is called to continue his journey with a little of that trust which has so insightfully been described by the poet Antonio Machado in his poem Antonio Machado in his poem Caminante no hay Camino: \u201cWayfarer! There is no way. The way is made by walking\u201d. <a href=\"#post-47833-footnote-ref-6\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-7\">Da carta que Madre Teresa escreveu a toda a fam\u00edlia das Mission\u00e1rias da Carodade, durante a Semana Santa del 1993 \u2013 25 de mar\u00e7o, cf.: R. Cantalamessa, <em>La Terza predica d\u2019Avvento<\/em>, il 19 dicembre 2003: \u201c<em>Conoscete il Ges\u00f9 vivo?<\/em>\u201d <a href=\"#post-47833-footnote-ref-7\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-8\">Pietro BRAIDO, <em>Dom Bosco, padre dos jovens no s\u00e9culo da liberdade<\/em> (Editora Salesiana \u2013 S\u00e3o Paulo, 2008), Vol. I, Cap. VII: A revela\u00e7\u00e3o de Dom Bosco educador (1846-1850), p.212. <a href=\"#post-47833-footnote-ref-8\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-9\"><em>Idem<\/em>., p.219. <a href=\"#post-47833-footnote-ref-9\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-10\">S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Carta Apost\u00f3lica <em>Novo Millennio Ineunte<\/em>, 6 de janeiro de 2001. <a href=\"#post-47833-footnote-ref-10\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-11\">Simon Weil, <em>Quaderno IV<\/em>, pp. 182-183. <a href=\"#post-47833-footnote-ref-11\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-12\"><em>Lettera al Signor Carlo Vespignani<\/em>, 11 aprile 1877, in Francesco MOTTO (a cura di), Giovanni BOSCO, <em>Epistolario<\/em>, Vol. V (1876-1877), LAS-Roma 2012, p.344. <a href=\"#post-47833-footnote-ref-12\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-13\">Pietro BRAIDO, <em>Dom Bosco, padre dos jovens no s\u00e9culo da liberdade<\/em>, Vol. 2 (Editora Salesiana \u2013 S\u00e3o Paulo, 2008), Sugiro a leitura do Cap\u00edtulo vinte e dois, <em>Projeto de solidariedade cat\u00f3lica na miss\u00e3o entre os jovens<\/em> (1873-1877), p.173-194. <a href=\"#post-47833-footnote-ref-13\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-14\">E. Vigan\u00f2, <em>A Associa\u00e7\u00e3o dos Cooperadores Salesiano<\/em>. Carta publicada em ACG n. 318, 1986. <a href=\"#post-47833-footnote-ref-14\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-15\">Bollettino Salesiano, Luglio 1885, Anno IX. n. 7 cf.: <a href=\"https:\/\/sdl.sdb.org:9343\/greenstone3\/library\/collection\/bolletin\/document\/HASHf4b23f9c8aeedeefebb44e;jsessionid=5747EC043839057DDD329A721E7B8FAA\">https:\/\/sdl.sdb.org:9343\/greenstone3\/library\/collection\/bolletin\/document\/HASHf4b23f9c8aeedeefebb44e;jsessionid=5747EC043839057DDD329A721E7B8FAA<\/a> <a href=\"#post-47833-footnote-ref-15\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-47833-footnote-16\">R. Guardini, <em>Sorge um dem Menschen<\/em>, Bd. I, Werkbund, W\u00fcrzburg 1962, tr. it. di Albino Babolin, <em>Ansia per l\u2019uomo<\/em>, vol. I, Morcelliana, Brescia 1970, p. 130. <a href=\"#post-47833-footnote-ref-16\">\u2191<\/a><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estreia 2026. \u201cFazei tudo o que ele vos disser\u201d Crentes, livres para servir Coment\u00e1rio \u00e0&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":47859,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":20,"footnotes":""},"categories":[170],"tags":[2561,2577,2232,2614,2203,2592,2610,2226,2230],"class_list":["post-47833","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comunicacoes-do-reitor-mor","tag-carisma-salesiano","tag-dom-bosco","tag-esperanca","tag-estreia","tag-eventos","tag-familia-salesiana","tag-nossos-guias","tag-salesianos","tag-sonhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47833"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47833\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52177,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47833\/revisions\/52177"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47859"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}