{"id":47759,"date":"2026-01-01T10:17:09","date_gmt":"2026-01-01T10:17:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=47759"},"modified":"2026-01-01T10:27:28","modified_gmt":"2026-01-01T10:27:28","slug":"maria-o-salva-1878","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/sonhos-de-dom-bosco\/maria-o-salva-1878\/","title":{"rendered":"Maria o salva (1878)"},"content":{"rendered":"<p><em><i>Ambientado na noite de Sexta-feira Santa de 1878, o conto &#8220;Maria o salva&#8221; \u00e9 um dos sonhos cheios de significado que S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco costumava compartilhar com seus meninos. Atrav\u00e9s de imagens pl\u00e1sticas e quase de conto de fadas \u2013 um gato perseguido por dois c\u00e3es que se transformam em monstros, um bast\u00e3o empunhado como \u00faltima defesa, a Virgem invocada com uma pequena medalha \u2013 o sonho encena a disputa entre as for\u00e7as do mal e a miseric\u00f3rdia divina. No centro, a figura vulner\u00e1vel de um jovem que, de v\u00edtima designada, renasce para a esperan\u00e7a gra\u00e7as \u00e0 intercess\u00e3o mariana e \u00e0 paternidade espiritual do santo. \u00c9 um ap\u00f3logo pedag\u00f3gico sobre o poder do arrependimento, da prote\u00e7\u00e3o materna de Maria e da coragem educativa.<\/i><\/em><\/p>\n<p>Na noite da Sexta-Feira Santa, eu vigiava ao lado de Dom Bosco at\u00e9 pelas duas da madrugada e depois me retirei para a sala ao lado para dormir, tendo chegado Pedro Enria para assumir a assist\u00eancia. Tendo notado os gritos sufocados de Dom Bosco que sonhava com coisas n\u00e3o alegres, perguntei-lhe ao amanhecer e tive a seguinte resposta.<br \/>\nParecia-me estar no meio de uma fam\u00edlia, cujos membros haviam decidido matar um gato. O julgamento e a senten\u00e7a foram dados a Mons. Manacorda. Mas este recusou, dizendo:<br \/>\n\u2013 O que tenho a ver com sua quest\u00e3o? N\u00e3o tenho nada a ver. \u2013 E houve grande confus\u00e3o na casa.<br \/>\nEu estava apoiado num bastonete, observando, quando um gato preto com os pelos arrepiados apareceu e correu em minha dire\u00e7\u00e3o. Atr\u00e1s dele, dois grandes c\u00e3es perseguiam aquela coisa assustadora e parecia que logo eles o alcan\u00e7ariam. Quando vi aquele gato passar perto de mim, chamei-o. Pareceu hesitar um pouco, mas tendo renovado o convite, levantando um pouco as bordas da minha batina, aquele gato correu para esconder-se perto dos meus p\u00e9s.<br \/>\nAqueles dois cachorros pararam na minha frente, rosnando sombriamente.<br \/>\n\u2013 Saiam daqui, disse-lhes, deixem esse pobre gato em paz.<br \/>\nEnt\u00e3o, para meu grande espanto, aqueles cachorros abriram a boca e, virando a l\u00edngua, come\u00e7aram a falar de maneira humana:<br \/>\n\u2013 N\u00e3o, nunca; devemos obedecer ao nosso dono; e temos ordens para matar esse gato.<br \/>\n\u2013 E com que direito?<br \/>\n\u2013 Ele voluntariamente se entregou ao seu servi\u00e7o. O dono pode absolutamente dispor da vida de seu escravo. Ent\u00e3o temos a ordem de mat\u00e1-lo e vamos mat\u00e1-lo.<br \/>\n\u2013 O dono, eu respondi, tem direito \u00e0s obras do servo e n\u00e3o \u00e0 vida, e este gato jamais permitirei que seja morto.<br \/>\n\u2013 Voc\u00ea n\u00e3o vai deixar? Voc\u00ea? \u2013 E dito isso, os dois c\u00e3es correram furiosamente para agarrar o gato. Eu levantei o bast\u00e3o, dando golpes desesperados contra os atacantes.<br \/>\n\u2013 Ol\u00e1! \u2013 eu gritava; parem, para tr\u00e1s!<br \/>\nMas esses ora atacavam, ora recuavam e a luta durou muito tempo; de modo que fui vencido pelo cansa\u00e7o. Os cachorros deram-me um momento de tr\u00e9gua; eu queria observar aquele pobre gato que estava sempre a meus p\u00e9s, mas para minha surpresa eu o vi transformado num cordeiro. Enquanto penso nesse fen\u00f4meno, volto-me para os dois cachorros. Eles tamb\u00e9m haviam mudado de forma; dois ursos ferozes apareceram e, sempre mudando de apar\u00eancia, pareciam primeiramente tigres, depois le\u00f5es, depois macacos assustadores e outras formas cada vez mais horr\u00edveis. Finalmente assumiram a figura de dois dem\u00f4nios horrendos.<br \/>\n\u2013 L\u00facifer \u00e9 o nosso dono, urravam os dem\u00f4nios; aquele que protege se entregou a ele, ent\u00e3o temos que arrast\u00e1-lo para tirar-lhe a vida.<br \/>\nVirei-me para o cordeiro que j\u00e1 n\u00e3o via, mas em seu lugar estava um jovem pobre que, fora de si pelo medo, repetia suplicantemente:<br \/>\n\u2013 Dom Bosco, salve-me! Dom Bosco, salve-me!<br \/>\n\u2013 N\u00e3o tenha medo, disse a ele. Voc\u00ea realmente tem vontade de ser bom?<br \/>\n\u2013 Sim, sim, Dom Bosco; mas o que devo fazer para salvar-me?<br \/>\n\u2013 N\u00e3o tenha medo, ajoelhe-se; tome a medalha de Nossa Senhora em suas m\u00e3os! Venha orar comigo.<br \/>\nE o jovem se ajoelhou. Os dem\u00f4nios gostariam de aproximar-se; eu estava atento com o bast\u00e3o levantado, quando Enria vendo-me t\u00e3o agitado acordou-me e n\u00e3o me deixou ver o final do evento.<br \/>\nO jovem era um dos que eu conhecia.<br \/>\n<em><i>(MBp XIII, 484-486)<\/i><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ambientado na noite de Sexta-feira Santa de 1878, o conto &#8220;Maria o salva&#8221; \u00e9 um&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":47753,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":28,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[2565,2561,1749,2577,1827,1815,1689,2226,2228,2230],"class_list":["post-47759","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sonhos-de-dom-bosco","tag-caridade","tag-carisma-salesiano","tag-conselhos","tag-dom-bosco","tag-gracas-obtidas","tag-juventude","tag-maria","tag-salesianos","tag-santos","tag-sonhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47759","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47759"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47759\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47774,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47759\/revisions\/47774"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47753"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}