{"id":47347,"date":"2025-12-03T07:54:36","date_gmt":"2025-12-03T07:54:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=47347"},"modified":"2025-12-04T22:00:22","modified_gmt":"2025-12-04T22:00:22","slug":"por-que-voce-nao-fala-1868","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/sonhos-de-dom-bosco\/por-que-voce-nao-fala-1868\/","title":{"rendered":"Por que voc\u00ea n\u00e3o fala? (1868)"},"content":{"rendered":"<p><em>No discurso que se segue, proferido por Dom Bosco entre 30 de abril e 1\u00ba de maio de 1868, o santo decide compartilhar com seus jovens um sonho t\u00e3o perturbador quanto revelador. Atrav\u00e9s da apari\u00e7\u00e3o de um sapo monstruoso e da vis\u00e3o de uma videira que representa a comunidade do Orat\u00f3rio, ele revela a luta espiritual que se trava em cada consci\u00eancia, denuncia os v\u00edcios que amea\u00e7am a vida crist\u00e3 \u2013 soberba e imod\u00e9stia sobretudo \u2013 e indica os rem\u00e9dios: obedi\u00eancia, ora\u00e7\u00e3o, sacramentos, trabalho e estudo. A inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 assustar, mas sacudir: Dom Bosco fala como pai zeloso, desejoso de guiar seus &#8220;filhinhos&#8221; \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 alegria de uma exist\u00eancia fecunda e duradoura na liberdade dos filhos de Deus.<\/em><\/p>\n<p>No dia 29 de abril Dom Bosco comunicara aos jovens: \u2013 Amanh\u00e3 \u00e0 noite, sexta-feira e domingo, tenho algo a lhes dizer, pois se eu n\u00e3o falasse, penso que iria para o t\u00famulo antes do tempo. Desejo que estejam presentes tamb\u00e9m os aprendizes.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No dia 30 \u00e0 noite, ap\u00f3s as ora\u00e7\u00f5es, os aprendizes vieram de seu p\u00f3rtico, onde era comum o P. Rua ou o P. Francesia falar, unindo-se aos estudantes. Dom Bosco falou:<\/p>\n<p>\u2013 Meus caros jovens, ontem \u00e0 noite lhes disse que tinha algo de horr\u00edvel a lhes contar. Tive um sonho e decidi nada falar, seja porque duvidava que fosse um sonho como os demais que v\u00eam \u00e0 fantasia, seja porque todas as vezes que lhes conto algum, sempre h\u00e1 alguma observa\u00e7\u00e3o e reclama\u00e7\u00e3o. Entretanto, um outro sonho me obriga a falar-lhes do primeiro, tanto mais que h\u00e1 alguns dias novamente comecei a ser incomodado por fantasmas, especialmente de tr\u00eas noites para c\u00e1. Voc\u00eas sabem que estive em Lanzo para ter um pouco de tranquilidade. Pois bem, na \u00faltima noite que passei nesse col\u00e9gio, tendo me deitado, enquanto pegava no sono, veio-me \u00e0 fantasia o que tenho a lhes dizer:<strong><br \/>\n<\/strong><br \/>\nPareceu-me ver um grande monstro entrando no meu quarto. Veio para frente e se colocou bem aos p\u00e9s da cama. Tinha a forma muito nojenta de sapo; seu tamanho era o de um boi.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu o olhava firme sem respirar. O monstro aos poucos se tornou maior&#8230; Cresceu nas pernas, cresceu no corpo, cresceu na cabe\u00e7a. Quanto mais aumentava seu volume, mais horr\u00edvel ficava. Sua cor era verde com uma linha vermelha ao redor da boca e da garganta. Isso o tornava ainda mais terrivelmente pavoroso. Seus olhos eram de fogo, as orelhas \u00f3sseas, muito pequenas. Observando-o, dizia a mim mesmo: \u2013 Mas sapo n\u00e3o tem orelhas! \u2013 Em cima do nariz havia dois chifres, nos lados despontavam duas grande asas verde-escuro. Suas patas eram parecidas com as do le\u00e3o. Atr\u00e1s havia uma cauda comprida que terminava em duas pontas.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Naquele momento pareceu-me n\u00e3o ter medo nenhum, mas esse monstro come\u00e7ou a se aproximar cada vez mais de mim. Escancarava a bocarra com enormes dentes. Fiquei, ent\u00e3o aterrorizado. Pensei que fosse um dem\u00f4nio do inferno, pois tinha todos os sinais do dem\u00f4nio. Fiz o sinal da Cruz, mas de nada valeu; toquei a sineta, mas naquela hora ningu\u00e9m veio, ningu\u00e9m ouviu. Gritei, mas inutilmente; o monstro n\u00e3o fugia.<br \/>\n\u2013 Ent\u00e3o eu disse: \u2013 Que quer de mim, \u00f3 bruto dem\u00f4nio? \u2013 E ele se aproximou mais, erguendo e aumentando as orelhas. Ent\u00e3o, colocou suas patas dianteiras na beira do fundo da cama. A\u00ed ficou im\u00f3vel por um instante. Depois estirando-se para frente p\u00f4s seu rosto face a face comigo. Fiquei tomado de t\u00e3o grande nojo que pulei sentado na cama. Estava para jogar-me ao ch\u00e3o, mas o monstro abriu a boca. Eu queria me defender, afast\u00e1-lo. Era t\u00e3o nojento que naquele momento n\u00e3o ousei tocar nele. Pus-me a berrar; joguei as m\u00e3os para tr\u00e1s a fim de pegar o aspers\u00f3rio, batendo com as m\u00e3os na parede sem o encontrar. O sapo abocanhou por um instante minha cabe\u00e7a de tal forma que metade de minha pessoa ficou dentro daquelas terr\u00edveis fauces.<br \/>\n\u2013 Ent\u00e3o gritei: \u2013 Em nome de Deus, por que age assim comigo? \u2013 \u00c0 minha voz, o sapo se retirou um pouco, liberando minha cabe\u00e7a. Novamente tracei sobre mim o sinal da cruz e, conseguindo colocar os dedos na \u00e1gua benta, joguei um pouco no monstro. Ent\u00e3o esse dem\u00f4nio, dando um berro horr\u00edvel, lan\u00e7ou-se para tr\u00e1s e desapareceu. Ao desaparecer ouvi uma voz que do alto dizia claramente isto:<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Por que n\u00e3o fala?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Diretor de Lanzo, P. Lemoyne, acordou naquela noite por causa de meus gritos prolongados. Ouvia que eu batia com as m\u00e3os na parede, e de manh\u00e3 me perguntou: \u2013 Dom Bosco, o senhor sonhou nesta noite?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Por que me pergunta?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Porque ouvi seus gritos.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Soubera, ent\u00e3o, que Deus queria que lhes narrasse o que tenho visto: por isso, decidi contar-lhes o sonho por inteiro, e porque sou obrigado em consci\u00eancia a fazer isto e, al\u00e9m disso, para me livrar destes espectros. Agrade\u00e7amos ao Senhor por sua miseric\u00f3rdia e, enquanto isso, queira Deus dar-nos a conhecer sua vontade, e procuremos p\u00f4r em pr\u00e1tica os conselhos que nos s\u00e3o dados e os meios que nos s\u00e3o oferecidos para a salva\u00e7\u00e3o de nossas almas. Com isso eu pude conhecer o estado de consci\u00eancia de cada um de voc\u00eas.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desejo, por\u00e9m, que o que lhes vou dizer fique entre voc\u00eas. Pe\u00e7o-lhes para n\u00e3o escreverem nem comentarem fora de casa, pois n\u00e3o s\u00e3o coisas a se ridicularizar, o que poderia ser feito por um ou outro, e para que n\u00e3o surjam inconvenientes que causem desgosto a Dom Bosco. Conto essas coisas a voc\u00eas em confian\u00e7a, como a meus amados filhos. Escutem como se fossem do pr\u00f3prio pai. Eis, pois, os sonhos, que eu queria que n\u00e3o fossem conhecidos, e que sou obrigado a contar.<br \/>\n<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 J\u00e1 nos primeiros dias da Semana Santa (05 de abril) comecei a ter sonhos, que me ocuparam e me incomodaram durante v\u00e1rias noites. Esses sonhos me cansavam de tal modo que na manh\u00e3 seguinte me sentia mais cansado do que se tivesse passado toda a noite trabalhando; minha mente ficava muito abalada e agitada. Na primeira noite, sonhei que estava morto. Na segunda, que estava no julgamento de Deus, onde devia acertar as contas com o Senhor; vi que estava vivo na cama e que ainda tinha tempo de me preparar para uma santa morte. Na terceira noite, sonhei que estava no Para\u00edso; parecia-me estar muito bem e muito feliz. Passada a noite e acordando de manh\u00e3, a feliz ilus\u00e3o desapareceu. Por\u00e9m, estava resolvido a conquistar, a todo custo, esse reino eterno que entrevira. At\u00e9 aqui eram coisas que nada significavam para voc\u00eas. Vai-se dormir com esse pensamento na fantasia, e durante o sonho \u00e9 reproduzido o que se pensou.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E sonhei pela quarta vez. E este \u00e9 o sonho que preciso contar a voc\u00eas. Na noite de quinta-feira santa (09 de abril) mal iniciado um leve torpor, pareceu-me na imagina\u00e7\u00e3o que estava aqui sob estes p\u00f3rticos rodeado pelos nossos padres, cl\u00e9rigos, assistentes e jovens. Tendo sumido voc\u00eas todos, pareceu-me ter ido ao p\u00e1tio. Comigo estavam P. Rua, P. Cagliero, P. Francesia, P. S\u00e1vio e o jovem Preti; um pouco mais afastado Jos\u00e9 Buzzetti e o nosso grande amigo P. Est\u00eav\u00e3o Rumi, adido ao Semin\u00e1rio de G\u00eanova. Repentinamente, o atual Orat\u00f3rio mudou de aspecto, retornando ao que era nos in\u00edcios, quando aqui estavam quase s\u00f3 os citados acima. Note-se que o p\u00e1tio se limitava com campos sem cultivo, desabitados, que se estendiam at\u00e9 aos campos da cidadela, onde os primeiros jovens frequentemente iam para jogar. Eu estava pr\u00f3ximo do lugar onde agora, debaixo das janelas do meu quarto, est\u00e1 a oficina de carpintaria, espa\u00e7o por um tempo ocupado pela horta.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto est\u00e1vamos sentados conversando sobre a situa\u00e7\u00e3o da casa e a respeito do comportamento dos jovens, eis que na frente deste pilar (<em>onde se apoiava a c\u00e1tedra de onde eu falava<\/em>), que d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 bomba de \u00e1gua, perto da porta da casa Pinardi, vimos despontar da terra uma bel\u00edssima videira, aquela que tempos atr\u00e1s estava no mesmo lugar. Ficamos maravilhados que a videira aparecesse depois de tantos anos. Todos perguntavam entre si o que seria isso. A videira crescia a olhos vistos, alcan\u00e7ando a altura de uma pessoa. Eis que come\u00e7a a estender seus ramos enormes para todos os lados e lan\u00e7ar os brotos. De tal maneira e em pouco tempo se estendeu tanto que ocupou todo o nosso p\u00e1tio, indo mais al\u00e9m. Mais interessante era que seus amos n\u00e3o cresciam para cima; estendiam-se paralelo ao solo como um enorme caramanch\u00e3o. Este n\u00e3o estava apoiado em nada. Suas folhas eram bonitas e verdes, despontando ent\u00e3o: os longos ramos eram exuberantes e fortes. Logo surgiram lindos cachos, os gr\u00e3os ficaram grossos e a uva tomou sua cor.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco e os que estavam com ele contemplavam estupefatos e diziam:<br \/>\n\u2013De que modo esta videira cresceu t\u00e3o depressa? Que ser\u00e1?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco disse aos demais:<br \/>\n\u2013 Vejamos o que acontece.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu observava de olhos arregalados, sem mexer as p\u00e1lpebras, quando de golpe todos os gr\u00e3os ca\u00edram no ch\u00e3o, transformando-se em outros tantos jovens vivazes e alegres, dos quais num instante ficou repleto todo o p\u00e1tio do Orat\u00f3rio e o espa\u00e7o ao redor coberto pela sombra da videira: Pulavam, jogavam, gritavam, corriam debaixo daquele curioso caramanch\u00e3o. V\u00ea-los provocava grande prazer. Aqui estavam todos os jovens que estiveram, est\u00e3o e estar\u00e3o no Orat\u00f3rio e nos outros col\u00e9gios, uma vez que eu n\u00e3o os conhecia.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o, um personagem, que n\u00e3o reconheci \u00e0 primeira vista quem seria (voc\u00eas sabem que em seus sonhos Dom Bosco sempre tem um guia), apareceu a meu lado observando tamb\u00e9m os jovens. Mas, num abrir e fechar de olhos, um v\u00e9u se estendeu na nossa frente, escondendo aquele alegre espet\u00e1culo.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O v\u00e9u n\u00e3o ficava mais alto do que a videira, parecendo preso aos ramos em todo o seu comprimento \u00e0 guisa de cortina. S\u00f3 se via a parte mais alta da videira, que parecia um grande tapete de verdura. Num instante acabou-se por completo a alegria dos jovens, sucedendo-lhe um sil\u00eancio melanc\u00f3lico.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Repare \u2013 disse o guia, apontando para a videira.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Acheguei-me e vi que aquela bela videira, que parecia carregada de uva, tinha somente folhas nas quais estavam escritas as palavras do Evangelho: <em>Nihil invenit in ea! [nada encontrou nela]<\/em>. N\u00e3o sabia o que isso podia significar. Ent\u00e3o perguntei ao personagem:<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Quem \u00e9 voc\u00ea?&#8230; O que significa esta videira?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ele tirou o v\u00e9u da frente da videira. Debaixo dela s\u00f3 apareceu um certo n\u00famero dos muit\u00edssimos nossos jovens, vistos antes; a maioria eu n\u00e3o conhecia.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Esses \u2013 acrescentou \u2013 s\u00e3o os que, tendo grande facilidade para fazer o bem, n\u00e3o visam como objetivo dar gl\u00f3ria ao Senhor. S\u00e3o aqueles que fazem o bem somente para se mostrar diante dos bons colegas. Eles observam com exatid\u00e3o as regras da casa, mas com inten\u00e7\u00e3o de evitar repreens\u00f5es e n\u00e3o perder a estima dos Superiores: mostram-se deferentes para com eles, mas n\u00e3o tiram proveito algum de seus ensinamentos, est\u00edmulos e cuidados, que recebem ou receber\u00e3o nesta casa. Seu ideal \u00e9 ter na sociedade uma posi\u00e7\u00e3o honrosa e que d\u00ea lucro. N\u00e3o se interessam em estudar sua voca\u00e7\u00e3o, recusam o convite do Senhor se Ele os chama e, ao mesmo tempo, simulam suas inten\u00e7\u00f5es por medo de algum preju\u00edzo. Enfim, s\u00e3o os que fazem as coisas obrigados, e isso em nada os ajuda para a eternidade.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim falou. Oh! Quanta tristeza tive ao ver entre esses tamb\u00e9m alguns que eu considerava muito bons, afei\u00e7oados e sinceros.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O amigo acrescentou:<br \/>\n\u2013 O mal n\u00e3o est\u00e1 todo aqui \u2013 e deixou cair o v\u00e9u, aparecendo estendida a parte superior de toda a videira.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Agora, olhe novamente \u2013 disse-me.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Olhei aqueles ramos; viam-se muito cachos de uva por entre as folhas que, \u00e0 primeira vista, pareciam prometer \u00f3tima vindima. Estava para me alegrar; mas ao chegar perto vi que esses cachos estavam defeituosos, estragados; outros tinham bolor; outros estavam carregados de vermes e insetos que os ro\u00edam; outros bicados pelos passarinhos e pelas vespas. Havia os podres e ressequidos. Olhando melhor vi que nada se podia tirar de bom desses cachos, que nada mais faziam sen\u00e3o empestear com seu fedor o ar circunstante.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aquele personagem levantou novamente o v\u00e9u, e: \u2013 Olhe! \u2013 exclamou. E apareceu n\u00e3o o infindo n\u00famero de nossos jovens como no in\u00edcio do sonho, mas muit\u00edssimos deles. Suas fisionomias de lindas como eram antes, tornaram-se feias, escuras e cheias de feridas repugnantes. Passeavam encurvados, encolhidos em si mesmos e melanc\u00f3licos. Ningu\u00e9m falava. Entre eles havia alguns que j\u00e1 moravam nesta casa e nos col\u00e9gios, alguns que est\u00e3o no presente, e muit\u00edssimos que ainda eu n\u00e3o conhecia. Todos estavam abatidos e n\u00e3o ousavam levantar o olhar.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu, os padres e alguns que me rodeavam, est\u00e1vamos assustados e sem palavra. Finalmente perguntei ao meu guia:<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Como explicar isso. Por que os jovens que antes eram t\u00e3o alegres e belos, agora est\u00e3o tristes e feios?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O guia respondeu:<br \/>\n\u2013 S\u00e3o as consequ\u00eancias do pecado!<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os jovens passavam diante de n\u00f3s. O guia disse:<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Observe-os bem!<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu fixava bem os olhos neles e vi que todos traziam escrito na testa e na m\u00e3o seu pecado. Entre estes reconheci alguns que me deixaram perplexo. Sempre acreditara que fossem flores de virtudes e, em vez disso, descobri que eles t\u00eam segredos na alma.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto os jovens iam desfilando, eu lia em sua testa: \u2013 <em>imod\u00e9stia \u2013 esc\u00e2ndalo \u2013 mal\u00edcia \u2013 soberba \u2013 \u00f3cio \u2013 gula \u2013 inveja \u2013 ira \u2013 desejo de vingan\u00e7a \u2013 blasf\u00eamia \u2013 irreligi\u00e3o \u2013 desobedi\u00eancia \u2013 sacril\u00e9gio \u2013 roubo<\/em>.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Meu guia observou:<br \/>\n\u2013 Nem todos s\u00e3o agora como os v\u00ea; mas um dia ser\u00e3o isso se n\u00e3o mudarem de comportamento. Muitos desses pecados n\u00e3o s\u00e3o graves; s\u00e3o, contudo, causa e come\u00e7o de terr\u00edveis quedas e de perdi\u00e7\u00e3o eterna. <em>Qui spernit modica, paulatim decidet<\/em> (Quem despreza as coisas pequenas, aos poucos cair\u00e1 \u2013 Eclo 19,1). A gula produz a impureza; o desprezo aos Superiores conduz ao desprezo dos Sacerdotes e da Igreja; e assim por diante.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desolado ao ver este espet\u00e1culo, pequei a pasta, tirei a caneta para escrever os nomes dos jovens que conhecia e anotar os seus pecados ou, ao menos, o v\u00edcio dominante de cada um, pois desejava adverti-los e corrigi-los. Mas o guia pegou-me pelo bra\u00e7o e perguntou:<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 O que faz?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Anoto o que vejo estampado na fronte, para que os avise e se corrijam.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 N\u00e3o lhe \u00e9 permitido \u2013 respondeu o amigo.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Por qu\u00ea?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 N\u00e3o faltam meios para ficar livres destas doen\u00e7as. T\u00eam as regras, que as cumpram; eles t\u00eam Superiores, obede\u00e7am-lhes; t\u00eam os Sacramentos, que os frequentem. T\u00eam a Confiss\u00e3o, que n\u00e3o a profanem calando os pecados. T\u00eam a Santa Comunh\u00e3o, que n\u00e3o a recebam com a alma manchada por culpa grave. Mantenham vigiados os olhos, fujam dos maus companheiros, abstenham-se das m\u00e1s leituras e das m\u00e1s conversas etc. etc. Est\u00e3o nesta casa e as regras os salvar\u00e3o. Ao soar da campainha, sejam prontos \u00e0 obedi\u00eancia. N\u00e3o procurem subterf\u00fagios para enganar os professores e, desta maneira, ficar ociosos. N\u00e3o sacudam o jugo dos Superiores, considerando-os como vigilantes importunos, conselheiros interesseiros, como inimigos, e cantando vit\u00f3ria quando conseguem encobrir suas tramoias, ou vendo impunes suas faltas. Sejam respeitosos e rezem com gosto na igreja e em outros momentos destinados \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, sem incomodar ou cochichar. Estudem no estudo, trabalhem nas oficinas e mantenhas atitudes decentes. Estudo, trabalho e ora\u00e7\u00e3o: \u00e9 isso que os conservar\u00e1 bons.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Apesar desta negativa, eu continuei a insistir com minha pergunta, a fim de que me permitisse tomar nota desses nomes. Arrancou-me decididamente de minhas m\u00e3os e a atirou no ch\u00e3o, dizendo:<br \/>\n\u2013 Digo-lhe que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de que tome nota desses nomes. Com a gra\u00e7a de Deus e a voz da consci\u00eancia, seus jovens sabem o que precisam fazer e do que fugir.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Ent\u00e3o n\u00e3o poderei manifestar coisa alguma a meus caros jovens? Diga-me ao menos o que poderei falar e que conselho dar!<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Poder\u00e1 falar o que se lembrar, como quiser.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Deixou cair o v\u00e9u, e novamente as videiras ficaram descobertas; seus ramos, quase sem folhas, estavam com uva bonita, vermelha e madura. Aproximei-me, observei com aten\u00e7\u00e3o os cachos, vi que eram como os enxerguei de longe. Era um prazer v\u00ea-los, dava gosto s\u00f3 em contempl\u00e1-los.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em seguida o amigo ergueu o v\u00e9u. Debaixo do extenso caramanch\u00e3o havia muitos jovens que est\u00e3o, estiveram e estar\u00e3o conosco. Irradiavam beleza e alegria.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Estes \u2013 disse ele \u2013 s\u00e3o os que, sob a orienta\u00e7\u00e3o do senhor, produzem e produzir\u00e3o bom frutos, praticam a virtudes e lhe proporcionar\u00e3o muitas consola\u00e7\u00f5es.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Alegrei-me, mas ao mesmo tempo fiquei aflito, pois esses n\u00e3o eram o grande n\u00famero que eu esperava. Enquanto os contemplava tocou o sino para o almo\u00e7o e os jovens sa\u00edram. Tamb\u00e9m os cl\u00e9rigos foram para seus afazeres. Olhei ao redor; n\u00e3o havia mais ningu\u00e9m. Igualmente desapareceu a videira com os ramos e os cachos. Procurei aquele senhor, mas n\u00e3o mais o encontrei. A\u00ed, acordei e pude descansar um pouco.<\/p>\n<p>No dia 1\u00ba de maio, sexta-feira, Dom Bosco continuou a contar:<\/p>\n<p>\u2013 Como lhes falei ontem \u00e0 noite, acordara parecendo-me que tivesse ouvido o som do sino, mas continuei a adormecer. Descansava com um sono tranquilo, quando fui sacudido pela segunda vez. Pareceu-me estar em meu escrit\u00f3rio, despachando minha correspond\u00eancia. Sa\u00ed para a sacada, contemplei por um momento a c\u00fapula da nova igreja que se erguia imponente e desci para os p\u00f3rticos. Nossos padres e cl\u00e9rigos vinham chegando aos poucos de suas ocupa\u00e7\u00f5es e se colocavam em coroa a meu redor. Entre eles estavam P. Rua, P. Cagliero, P. Francesia e P. S\u00e1vio. Conversava com meus amigos sobre coisas variadas. Improvisamente a cena mudou. Sumiu a igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, desapareceram todos os edif\u00edcios atuais do Orat\u00f3rio e nos encontramos na frente da velha casa Pinardi. Eis que brota da terra outra videira no mesmo lugar da primeira, como se surgisse das mesmas ra\u00edzes, alcan\u00e7ando a mesma altura. Ent\u00e3o come\u00e7aram a despontar muitos ramos horizontais que se estendiam em vast\u00edssimo espa\u00e7o; ficaram cobertos de folhas, depois, de cachos. Por \u00faltimo vi a matura\u00e7\u00e3o das uvas. As turbas de jovens n\u00e3o apareciam mais. Os cachos eram mesmo enormes como aqueles da Terra Prometida. Seria necess\u00e1ria a for\u00e7a de um homem para carregar um s\u00f3. Os gr\u00e3os eram extraordinariamente grandes e com a forma oval; a cor de um belo amarelo-ouro mostrava que estariam muito maduros. Um s\u00f3 encheria a boca. Em suma, tinham o aspecto t\u00e3o bonito que davam \u00e1gua na boca e parecia que cada um dissesse: \u2013 Coma-me!<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com Dom Bosco e outros padres, tamb\u00e9m P. Cagliero observava maravilhado aquele espet\u00e1culo. Dom Bosco exclamou: \u2013 Que uva maravilhosa!<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 P. Cagliero, sem muita cerim\u00f4nia, se aproximou da videira, colheu alguns gr\u00e3os, botou um na boca, mastigou-o; enojado, ficou de boca aberta, jogando fora a uva, parecendo recus\u00e1-la. A uva tinha um gosto t\u00e3o horr\u00edvel como o de ovo podre. \u2013 <em>Caramba!<\/em> \u2013 exclamou P. Cagliero, depois de ter cuspido v\u00e1rias vezes; \u00e9 veneno, \u00e9 coisa de fazer um crist\u00e3o morrer!<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todos olh\u00e1vamos, mas ningu\u00e9m falava. Eis que da sacristia da capela sai um homem s\u00e9rio e decidido; aproximou-se de n\u00f3s, parando ao lado de Dom Bosco. Este o interrogou:<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Como pode que uma uva t\u00e3o bonita tenha um gosto t\u00e3o horr\u00edvel?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse homem n\u00e3o deu resposta; sempre s\u00e9rio, pegou um feixe de varas, escolheu uma cheia de n\u00f3s; achegou-se ao P. S\u00e1vio, ofereceu-a dizendo:<br \/>\n\u2013 Pegue e bata nestes ramos! \u2013 P. S\u00e1vio recusou-se dando um passo para tr\u00e1s.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o, o homem dirigiu-se ao P. Francesia; ofereceu-lhe a vara, dizendo:<br \/>\n\u2013 Pegue e bata! \u2013 e como fez com P. S\u00e1vio mostrava o lugar em que devia bater. P. Francesia, erguendo os ombros e levando para frente o queixo, mexendo um pouco a cabe\u00e7a, acenou que n\u00e3o.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O homem foi se colocar na frente do P. Cagliero. Pegou-o pelo bra\u00e7o, apresentando-lhe a vara, dizendo:<br \/>\n\u2013 Pegue e bata, golpeie e aterre! <em>[derrube]<\/em> \u2013 mostrando onde bater. P. Cagliero, assustado, deu pulo para tr\u00e1s batendo o dorso de uma m\u00e3o contra, exclamou:<br \/>\n\u2013 Falta-nos ainda essa! \u2013 O guia lhe entregou a vara pela segunda vez, repetindo:<br \/>\n\u2013 Pegue e bata! \u2013 P. Cagliero, estalando os l\u00e1bios, e dizendo:<br \/>\n\u2013 <em>Mi no, mi no! Eu n\u00e3o, eu n\u00e3o!<\/em> \u2013 correu assustando para se esconder atr\u00e1s de mim.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vendo isso, o personagem, sem de descompor, foi com os mesmos modos ao P. Rua:<br \/>\n\u2013 Pegue e bata. \u2013 P. Rua tamb\u00e9m veio se esconder atr\u00e1s de mim.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o, encontrei-me face a face com esse homem singular, que parando na minha frente, me disse:<br \/>\n\u2013 Tome e bata o senhor nesses ramos. Fiz enorme esfor\u00e7o para ver se estava sonhando ou estivesse plenamente consciente. Tive a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo isso era de verdade e falei a esse homem:<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Quem \u00e9 o senhor que me fala desta maneira? Diga-me: por que devo bater nesses ramos? Por que devo aterr\u00e1-los? Isto \u00e9 sonhou ou ilus\u00e3o? O que \u00e9? O senhor fala em nome de quem? Talvez em nome do Senhor?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Respondeu-me: \u2013 Aproxime-se da videira e leia os nomes nas folhas!<br \/>\nAcheguei-me, examinei atentamente as folhas e li: <em>Ut quid terram occupat?<\/em> (Para que ela ocupa inutilmente o tereno? \u2013 Lc 13,7).<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Est\u00e1 no Evangelho \u2013 falou-me o guia.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 J\u00e1 havia entendido bastante, mas quis observar:<br \/>\n\u2013 Antes de bater, lembre-se que no Evangelho tamb\u00e9m se l\u00ea que o Senhor, diante dos pedidos do agricultor, esperou que se adubasse em sua raiz a planta in\u00fatil, fosse cuidada, deixando para arranc\u00e1-la somente depois de terem sido experimentados todos os meios para que produzisse bom fruto.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Bem: poder-se-\u00e1 conceder adiamento do castigo, mas por ora olhe e depois ver\u00e1. \u2013 Apontou para a videira. Eu olhava, mas n\u00e3o compreendia.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Venha e observe. \u2013 Replicou: \u2013 leia. O que est\u00e1 escrito nos bagos de uva?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco aproximou-se e viu que todos os bagos tinham uma inscri\u00e7\u00e3o, o nome de um aluno e o t\u00edtulo de seu pecado. Li e com tantas acusa\u00e7\u00f5es fiquei aterrorizado com as seguintes: <em>Soberbo \u2013 Infiel a suas promessas \u2013 Imoderado \u2013 Hip\u00f3crita \u2013 Descuidado em todos os seus deveres \u2013 Caluniador \u2013 Vingativo \u2013 Sem cora\u00e7\u00e3o \u2013 Sacr\u00edlego \u2013 Desprezador da autoridade dos Superiores \u2013 Pedra de trope\u00e7o \u2013 Seguidor de doutrinas falsas<\/em>. \u2013 Vi o nome daqueles <em>qu\u00f3rum Deus venter est<\/em> (o Deus deles \u00e9 o ventre \u2013 Fl 3,19); daqueles que <em>scientia inflat<\/em> (a ci\u00eancia enche de arrog\u00e2ncia \u2013 1Cor 8,1); daqueles que <em>quaerunt quae sua sunt, non quae Jesu Christi<\/em> (buscam os seus pr\u00f3prios interesses e n\u00e3o os de Jesus Cristo \u2013 Fl 2,21; dos que se re\u00fanem para criticar os Superiores e as regras. Eram os nomes de alguns coitados que est\u00e3o conosco no presente. Grande era a quantidade de nomes novos para mim, ou seja, dos que futuramente estar\u00e3o conosco.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Eis os frutos produzidos por esta videira, falou aquele homem sempre s\u00e9rio; frutos amargos, maus, perigosos para a salva\u00e7\u00e3o eterna.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sem mais peguei a pasta, e com a caneta ia tomar nota do nome de alguns, mas o guia me pegou pelo bra\u00e7o como na primeira vez e me disse:<br \/>\n\u2013 O que faz?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Deixe que eu pegue o nome dos que conhe\u00e7o, para avis\u00e1-los e corrigi-los.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi pedido in\u00fatil. O guia n\u00e3o permitiu. Acrescentei:<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Por\u00e9m se eu lhes falar como est\u00e3o as coisas, em que p\u00e9ssimo estado est\u00e3o, haver\u00e3o de se arrepender.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E ele para mim:<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Se n\u00e3o acreditam no Evangelho, n\u00e3o acreditar\u00e3o nem mesmo em voc\u00ea.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Insisti, pois queria tomar nota e obter orienta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m no tocante ao futuro. Mas esse homem n\u00e3o respondeu mais nada e, colocando-se diante do P. Rua com o feixe de varas, convidou-o a pegar uma:<br \/>\n\u2013 Pegue e bata! \u2013 P. Rua cruzando os bra\u00e7os e baixando a cabe\u00e7a, murmurou:<br \/>\n\u2013 Paci\u00eancia! \u2013 Depois olhou para Dom Bosco que fez gesto de aprova\u00e7\u00e3o. P. Rua pegou a vara em suas m\u00e3os, aproximou-se da videira e come\u00e7ou a bater no lugar indicado. Mal dera os primeiros golpes e o guia lhe fez sinal de parar e gritou a todos:<br \/>\n\u2013 Retirem-se!<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todos ficamos \u00e0 dist\u00e2ncia, observ\u00e1vamos e v\u00edamos os gr\u00e3os inchar, ficar mais grossos, tornar-se nojentos; tinham o aspecto de lesmas sem o caracol, de cor, por\u00e9m, sempre amarela, n\u00e3o perdendo a forma de uva. O guia gritou de novo:<br \/>\n\u2013 Observem! Deixem que o Senhor descarregue suas vingan\u00e7as!<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eis que o c\u00e9u ficou nublado, e densa neblina que impedia a vis\u00e3o \u00e0 curta dist\u00e2ncia cobre a videira por inteiro. Coriscam os rel\u00e2mpagos, retumbam os trov\u00f5es, os raios riscam o ar em todo o p\u00e1tio de tal modo que provocam medo. Os ramos se dobravam agitados pelos ventos furiosos; as folhas voavam. Finalmente come\u00e7ou a cair uma forte tempestade em cima da videira. Eu queria fugir, mas o guia me segurou dizendo:<br \/>\n\u2013 Repare o granizo!<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Olhei e vi que as pedras eram do tamanho de um ovo, parte pretas e parte vermelhas. As pedras, de um lado pontiagudas e do outro planas, em forma de marreta. O granizo negro tocava o ch\u00e3o perto de mim. Mais atr\u00e1s se via cair o granizo vermelho.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 O que significa isso? \u2013 dizia \u2013 nunca tinha visto granizo como este.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Aproxime-se \u2013 disse o amigo desconhecido \u2013 e ver\u00e1.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fui na dire\u00e7\u00e3o do granizo negro, que exalava tal fedor que me fazia ficar longe. O outro insistia mais e mais para que me aproximasse. Ent\u00e3o peguei um gr\u00e3o preto para examin\u00e1-lo, mas rapidamente tive que jog\u00e1-lo no ch\u00e3o, t\u00e3o repugnante era aquele fedor pestilento. Disse:<br \/>\n\u2013 N\u00e3o consigo enxergar nada!<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O outro: \u2013 Olhe bem e ver\u00e1!<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu, fazendo o maior esfor\u00e7o, vi que sobre cada um daqueles peda\u00e7os negros de granizo estava escrito: <em>Imod\u00e9stia<\/em>. Fui ainda em dire\u00e7\u00e3o do granizo vermelho que estava frio, entretanto queimava em todos os lugares em que ca\u00eda. Peguei um gr\u00e3ozinho que tamb\u00e9m fedia; pude, com um pouco mais de facilidade, ler que em cima dele estava escrito: <em>Soberba<\/em>. Ent\u00e3o, eu envergonhado, exclamei:<br \/>\n\u2013 Portanto, s\u00e3o estes os dois principais v\u00edcios que amea\u00e7am esta casa?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Estes s\u00e3o os dois v\u00edcios capitais que estragam o maior n\u00famero de almas n\u00e3o s\u00f3 em sua casa, mas tamb\u00e9m no mundo. A seu tempo ver\u00e1 quantos haver\u00e3o de ser atirados ao inferno por causa destes v\u00edcios.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Que deverei falar aos meus filhos, a fim de que os detestem?<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 O que dever\u00e1 lhes dizer, haver\u00e1 de saber daqui a pouco. \u2013 Falando assim, afastou-se de mim. Entretanto, entre o clar\u00e3o dos rel\u00e2mpagos e dos raios, o granizo continuava caindo com for\u00e7a sobre a videira. Os cachos eram pisoteados e esmagados como se estivessem na tina sob os p\u00e9s dos adegueiros, esguichando seu suco. Um fedor horr\u00edvel tomou conta do ar, que parecia sufocar a respira\u00e7\u00e3o. Um cheiro diferente sa\u00eda de cada gr\u00e3o; por\u00e9m cada um mais do que outro revoltava mais o est\u00f4mago, de acordo com as v\u00e1rias esp\u00e9cies e n\u00fameros dos pecados. N\u00e3o podendo mais resistir, coloquei o len\u00e7o no nariz. Rapidamente dei uma volta para tr\u00e1s para ir a meu quarto, e n\u00e3o vi mais nenhum dos companheiros, nem P. Francesia, nem P. Rua, nem P. Cagliero. Deixaram-me s\u00f3; tinham fugido. S\u00f3 havia deserto e sil\u00eancio. E eu fiquei tomado por tamanho medo que fugi, e, fugindo, acordei.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como est\u00e3o vendo, este sonho \u00e9 bastante feio. Mas o que aconteceu na noite depois da apari\u00e7\u00e3o do sapo, vamos contar depois de amanh\u00e3, domingo, dia 3 de maio; e ser\u00e1 ainda muito mais feio. Agora voc\u00eas n\u00e3o podem avaliar-lhe as consequ\u00eancias; mas como n\u00e3o h\u00e1 mais tempo, para n\u00e3o lhes tirar o tempo de repouso, eu os deixo ir dormir, reservando-me sua manifesta\u00e7\u00e3o em outra ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m pensar que das graves faltas reveladas a Dom Bosco nem todas se referiam ao tempo de agora, mas referiam-se ao decorrer de uma s\u00e9rie de anos futuros. De fato, ele vira n\u00e3o unicamente os alunos que tinham frequentado e frequentavam ent\u00e3o o Orat\u00f3rio, mas muit\u00edssimos outros de rosto desconhecido para ele, que haveriam de pertencer \u00e0s suas Institui\u00e7\u00f5es espalhadas em todo o planeta. A par\u00e1bola da videira est\u00e9ril do livro de Isa\u00edas atinge muitos s\u00e9culos de hist\u00f3ria.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Al\u00e9m disso n\u00e3o \u00e9 conveniente e de modo algum esquecer o que o guia falou ao Vener\u00e1vel: <em>Nem todos esses jovens s\u00e3o agora como os viu, mas um dia ser\u00e3o assim, se n\u00e3o mudarem de comportamento<\/em>. Ao precip\u00edcio se chega pelo caminho do mal.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Note-se tamb\u00e9m que, na vis\u00e3o da videira, apareceu um personagem, que Dom Bosco dizia n\u00e3o ter conhecido na hora, e que, depois foi seu guia e int\u00e9rprete. Ao narrar este e outros sonhos, Dom Bosco costumava dar-lhe \u00e0s vezes o nome de <em>desconhecido<\/em> para ocultar a parte mais grandiosa do que havia contemplado e, ainda dir\u00edamos, isto manifestava com muita clareza a interven\u00e7\u00e3o sobrenatural.<strong><br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Valendo-se da confiante intimidade com que nos honrava, diversas vezes n\u00f3s o interrogamos quanto a esse <em>desconhecido<\/em>. Apesar de suas respostas n\u00e3o serem expl\u00edcitas, contudo, tamb\u00e9m, por outros indicativos, nos persuadimos que o guia n\u00e3o era sempre o mesmo. \u00c0s vezes podia ser um anjo do Senhor, ora algum aluno falecido, ora S\u00e3o Francisco de Sales, S\u00e3o Jos\u00e9 ou outros santos. Em outras ocasi\u00f5es falou expressamente ter sido acompanhado por Lu\u00eds Comollo, Domingos S\u00e1vio ou Lu\u00eds Colle. Por vezes a cena com esses personagens era ampliada com apari\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas, fazendo-lhe cortejo ou companhia.<strong><br \/>\n<\/strong><em>(MB IT IX, 154-165 \/ MB PT IX, 202-213)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No discurso que se segue, proferido por Dom Bosco entre 30 de abril e 1\u00ba&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":47340,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":28,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[2561,1749,2557,2577,2579,1827,1815,2227,2228,2230,2025],"class_list":["post-47347","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sonhos-de-dom-bosco","tag-carisma-salesiano","tag-conselhos","tag-deus","tag-dom-bosco","tag-educacao","tag-gracas-obtidas","tag-juventude","tag-salvacao","tag-santos","tag-sonhos","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47347","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47347"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47347\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47371,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47347\/revisions\/47371"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47340"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47347"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47347"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}