{"id":47224,"date":"2025-11-26T08:18:18","date_gmt":"2025-11-26T08:18:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=47224"},"modified":"2025-11-26T08:20:02","modified_gmt":"2025-11-26T08:20:02","slug":"entrevista-com-o-conselheiro-da-formacao-p-silvio-roggia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/o-convidado\/entrevista-com-o-conselheiro-da-formacao-p-silvio-roggia\/","title":{"rendered":"Entrevista com o Conselheiro da Forma\u00e7\u00e3o, P. S\u00edlvio ROGGIA"},"content":{"rendered":"<p><em>O Conselheiro Geral para a Forma\u00e7\u00e3o, Pe. Silvio Roggia, compartilha com profundidade e simplicidade a jornada que o levou \u00e0 vida salesiana, entrela\u00e7ando ra\u00edzes familiares, encontros significativos e chamados inesperados. Das colinas das Langhe at\u00e9 Valdocco, da experi\u00eancia mission\u00e1ria na \u00c1frica ao servi\u00e7o internacional na Congrega\u00e7\u00e3o, Pe. Silvio narra uma hist\u00f3ria vocacional marcada pela gratid\u00e3o, pela confian\u00e7a na Provid\u00eancia e por um amor crescente por Dom Bosco. Suas palavras oferecem um olhar aut\u00eantico sobre a forma\u00e7\u00e3o salesiana hoje e sobre a beleza de uma vida doada aos jovens.<\/em><\/p>\n<p><strong>Poderia apresentar-se para n\u00f3s?<br \/>\n<\/strong>Sou S\u00edlvio Roggia, nascido em uma pequena vila das Langhe \u2013 Novello \u2013 no sudoeste do Piemonte. Uma terra de colinas e vinhedos, com Barolo como munic\u00edpio vizinho: l\u00e1 a marquesa Juliette Colbert e seu marido Tancredi tinham seu castelo. Um v\u00ednculo geogr\u00e1fico que me liga a essa figura, t\u00e3o importante na hist\u00f3ria e na miss\u00e3o de nosso pai Dom Bosco.<br \/>\nEle me conheceu bem antes de eu saber algo dele, porque tive a gra\u00e7a de nascer em uma fam\u00edlia em que muitos salesianos me precederam. Sou o \u00faltimo de nove coirm\u00e3os. Quatro tios: Em\u00edlio, coadjutor; Flor\u00eancio, Davi e F\u00e9lix, sacerdotes; F\u00e9lix, mission\u00e1rio por muitos anos no Equador, onde faleceu em 2000. Dois primos em primeiro grau do meu pai, entre eles Guilherme, mission\u00e1rio em Mianmar e depois nas Filipinas, onde hoje descansa. E, finalmente, dois primos meus em primeiro grau, filhos de um irm\u00e3o e de uma irm\u00e3 do meu pai. 9 SDB em casa.<br \/>\nApesar dessa numerosa parentela salesiana, a escolha de ir estudar com os salesianos para o ensino secund\u00e1rio teve, em seu in\u00edcio, um car\u00e1ter bastante casual. Os cinco anos passados em Valdocco \u2013 dois de gin\u00e1sio e tr\u00eas de liceu em Valsalice, embora sempre vivendo em comunidade em Valdocco \u2013 abriram com naturalidade o caminho para o noviciado.<br \/>\nO percurso prosseguiu de forma bela e serena na forma\u00e7\u00e3o salesiana compartilhada com meus companheiros da ent\u00e3o Inspetoria Subalpina, que se tornou em 1993 a Circunscri\u00e7\u00e3o Especial Piemonte.<\/p>\n<p><strong>Como percebeu o chamado de Deus e como ele se manifestou em sua vida? Por que salesiano?<br \/>\n<\/strong>A voca\u00e7\u00e3o salesiana, como contei, nasceu em fam\u00edlia e se desenvolveu de maneira natural ao longo do tempo, sobretudo durante a perman\u00eancia em Valdocco. O chamado mission\u00e1rio salesiano teve uma g\u00eanese surpreendente.<br \/>\nEra o dia depois do meu retorno de Roma, onde hav\u00edamos participado do curso de ver\u00e3o de 1989 em prepara\u00e7\u00e3o para a profiss\u00e3o perp\u00e9tua, ap\u00f3s o segundo ano de teologia na Crocetta. O P. Lu\u00eds Basset, meu inspetor, ligou-me propondo que eu iniciasse um servi\u00e7o de anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria inspetorial voltado aos jovens. Seria meu apostolado nos finais de semana, enquanto eu continuava os estudos.<br \/>\nEsse dom \u2013 esse chamado \u2013 colocou-me em contato direto e constante com as realidades mission\u00e1rias do \u201cProjeto \u00c1frica\u201d, que naquela \u00e9poca vivia uma temporada de grande impulso. No entanto, eu n\u00e3o pensava em partir.<br \/>\nUm meu companheiro de noviciado, Lucas Maschio, j\u00e1 havia partido durante o tiroc\u00ednio para o Qu\u00eania. Mantivemos contato \u2013 na medida do poss\u00edvel ent\u00e3o, com algumas cartas \u2013 e nos reencontramos no ver\u00e3o das nossas ordena\u00e7\u00f5es sacerdotais, em 1991: um tempo belo e rico, vivido com os outros companheiros que se tornaram padres naqueles meses.<br \/>\nEm 1994 ele me fez um grande favor: acolheu dois jovens do grupo de ver\u00e3o dos \u201cpartintes\u201d \u2013 uma das iniciativas nascidas no \u00e2mbito da anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria no Piemonte \u2013 que estavam destinados \u00e0 Nig\u00e9ria. Gra\u00e7as a ele, os orientamos para o Qu\u00eania, pois nas \u00faltimas semanas antes da partida haviam surgido problemas internos na Nig\u00e9ria que tornavam imposs\u00edvel a viagem.<br \/>\nInfelizmente, em setembro daquele ano Lucas morreu em um acidente de tr\u00e2nsito perto de Embu, no Qu\u00eania. Foi para mim um choque forte, mas tamb\u00e9m um apelo igualmente forte: ir ocupar o lugar dele.<br \/>\nColoquei-me em disponibilidade. Quando os estudos para a licenciatura em teologia na Crocetta e a gradua\u00e7\u00e3o em pedagogia na Cat\u00f3lica de Mil\u00e3o estavam conclu\u00eddos, o P. Lu\u00eds Testa me mandou para a Nig\u00e9ria \u2013 confiada \u00e0 Circunscri\u00e7\u00e3o ICP \u2013 onde aterrissei em 10 de outubro de 1997.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 um epis\u00f3dio particular ou uma pessoa que teve influ\u00eancia significativa na sua decis\u00e3o de se tornar salesiano?<br \/>\n<\/strong>Mais do que um epis\u00f3dio singular, eu diria que foi um entrela\u00e7ado de presen\u00e7as e gestos discretos que orientaram meu caminho. Meu tio Flor\u00eancio, salesiano, nunca me pressionou diretamente, mas com sua vida e seu modo de ser deixou uma marca profunda em minha alma. Uma semeadura escondida que frutificaria anos depois.<br \/>\nDepois houve meu primo, o P. Jos\u00e9 Roggia, que me acompanhou por cinco anos na comunidade proposta em Valdocco e como companheiro no ano de noviciado em Pinerolo. Sua confian\u00e7a e seu estilo de acompanhamento gentil e decidido, discreto e responsabilizante, tiveram um peso decisivo.<br \/>\nE, por fim, pelos dezoito anos que vivi na \u00c1frica, n\u00e3o posso deixar de lembrar outro salesiano \u2013 \u00cdtalo Spagnolo \u2013 que me acolheu em Ondo, onde era ao mesmo tempo diretor, ec\u00f4nomo e reitor, e que, com seu incur\u00e1vel otimismo e sua capacidade de sempre ver o bem, marcou a rota para todos os meus anos vindouros.<br \/>\nJunto a eles, muitos outros rostos e encontros contribu\u00edram para amadurecer minha resposta. Mas estes tr\u00eas, em momentos diferentes, desempenharam um papel fundamental.<\/p>\n<p><strong>Quais foram os momentos mais significativos do seu percurso formativo?<br \/>\n<\/strong>Cada esta\u00e7\u00e3o da minha vida teve seu <em>m\u00fanus<\/em> \u2013 dom\/compromisso \u2013 formativo do qual sou imensamente grato. N\u00e3o h\u00e1 uma linha que interrompa o fluxo entre \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cvida\u201d: tudo foi forma\u00e7\u00e3o e continua a s\u00ea-lo.<br \/>\nOs anos do ensino m\u00e9dio em Valdocco foram fundamentais para me apaixonar por Dom Bosco e torn\u00e1-lo a dire\u00e7\u00e3o do meu futuro. Entre as fases da forma\u00e7\u00e3o inicial, todas preciosas, os quatro anos na Crocetta foram essenciais para delinear a vis\u00e3o de vida que depois sempre me acompanhou e dali continuou a se desenvolver, como ra\u00edzes de uma grande \u00e1rvore.<br \/>\nA \u00c1frica, por dezoito anos, foi uma escola cont\u00ednua: como uma segunda nova vida que ainda circula em minhas veias e colore tudo o que sou e fa\u00e7o. Houve, dentro dela, um tempo de prova n\u00e3o previsto \u2013 marcado pela doen\u00e7a com cirurgias e quimioterapias \u2013 que deixou uma marca profunda, juntamente com a cura completa. Foi, a seu modo, uma das esta\u00e7\u00f5es mais importantes da minha exist\u00eancia.<br \/>\nOs seis anos passados como membro da equipe do dicast\u00e9rio foram uma experi\u00eancia de alcance mundial, com a amplitude da Igreja universal e da presen\u00e7a salesiana, sobretudo na \u00c1frica e na \u00c1sia.<br \/>\nFinalmente, nos \u00faltimos tr\u00eas anos na comunidade Zeferino em Roma, com coirm\u00e3os provenientes de 27 pa\u00edses e 28 inspetorias, participei de uma das experi\u00eancias de interculturalidade ativa e vibrante mais intensas na Congrega\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDevo tudo a todos esses amigos, irm\u00e3os e irm\u00e3s que a Provid\u00eancia me fez encontrar nestes 62 anos de vida.<\/p>\n<p><strong>Qual aspecto do carisma salesiano acredita ter incorporado mais intensamente?<br \/>\n<\/strong>Creio que o fato de ter passado tantos anos com jovens em forma\u00e7\u00e3o e, em particular, treze como mestre dos novi\u00e7os me deu a oportunidade de perceber como o \u201cesfor\u00e7a-te para te fazer amar\u201d \u00e9, antes de tudo, aquilo que nosso pai continua a fazer: ele continua a se fazer amar. O amor sincero e profundo por Dom Bosco que tantos jovens, de origens culturais t\u00e3o diferentes, continuam a nutrir \u00e9 contagiante e \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o crescer em simpatia e afeto por Dom Bosco e por sua heran\u00e7a pedag\u00f3gico-espiritual. Este \u00e9 o dom que recebi e que busco transmitir.<\/p>\n<p><strong>Como descreveria, com suas pr\u00f3prias palavras, o \u201csistema preventivo\u201d de Dom Bosco?<br \/>\n<\/strong>Prefiro usar as palavras que o Reitor-Mor, o P. Fabio Attard, colocou ao final de seu programa para o sex\u00eanio 2025\u20132031, tomando de uma carta do P. Edmundo Vecchi de 2000. Parece-me uma fotografia muito acertada do Sistema Preventivo. Assim o creio e assim gostaria de viv\u00ea-lo junto aos meus coirm\u00e3os: \u201cQuando pensamos na origem de nossa Congrega\u00e7\u00e3o e Fam\u00edlia, de onde partiu a expans\u00e3o salesiana, encontramos sobretudo uma comunidade, n\u00e3o apenas vis\u00edvel, mas at\u00e9 singular, at\u00edpica, quase como uma l\u00e2mpada na noite: Valdocco, casa de uma comunidade original e espa\u00e7o pastoral conhecido, estendido, aberto\u2026 Nessa comunidade elaborava-se uma nova cultura, n\u00e3o em sentido acad\u00eamico, mas na dire\u00e7\u00e3o de novas rela\u00e7\u00f5es internas entre jovens e educadores, entre leigos e sacerdotes, entre aprendizes e estudantes, uma rela\u00e7\u00e3o que flu\u00eda de volta ao contexto do bairro e da cidade\u2026 Tudo isso tinha como raiz e motiva\u00e7\u00e3o a f\u00e9 e a caridade pastoral, que buscava criar internamente um esp\u00edrito de fam\u00edlia, e orientava para um afeto sentido ao Senhor e a Nossa Senhora.\u201d (P. Jo\u00e3o VECCHI, \u201cEcco il tempo favorevole\u201d, ACG 373, 2000).<\/p>\n<p><strong>Quais as pr\u00e1ticas de ora\u00e7\u00e3o ou devo\u00e7\u00f5es que considera mais significativas para si mesmo?<br \/>\n<\/strong>A medita\u00e7\u00e3o sobre a Palavra de cada dia, assim como nos \u00e9 oferecida pela liturgia nas leituras da Missa. \u00c9 a energia renov\u00e1vel que continua a alimentar a vida, sempre nova, sempre acess\u00edvel, sempre eficaz.<\/p>\n<p><strong>Como cultiva sua forma\u00e7\u00e3o \u2013 livros, cursos, retiros \u2013 para permanecer \u201cem cont\u00ednua atualiza\u00e7\u00e3o\u201d com os tempos e com Deus?<br \/>\n<\/strong>\u201cSalve, salvando, salva-te\u201d, um mote comum no primeiro Orat\u00f3rio, j\u00e1 nos tempos de Domingos S\u00e1vio. Creio que faz parte do dinamismo salesiano: o que preparamos e oferecemos aos outros torna-se tamb\u00e9m para n\u00f3s fonte de energia e renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma ora\u00e7\u00e3o, uma \u201cboa noite salesiana\u201d ou um h\u00e1bito que voc\u00ea nunca deixa de fazer? Por qu\u00ea?<br \/>\n<\/strong>Procuro come\u00e7ar a manh\u00e3 com um espa\u00e7o de sil\u00eancio e ora\u00e7\u00e3o pessoal antes do in\u00edcio da ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. \u00c9 f\u00e1cil salvaguardar e preservar esse tempo, antes que o ritmo dos compromissos di\u00e1rios cubra a agenda.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a coisa mais importante que aprendeu com sua experi\u00eancia de vida como salesiano?<br \/>\n<\/strong>A confian\u00e7a. Confiar na Provid\u00eancia. Confiar nas pessoas com quem se vive. Melhor correr o risco de exagerar e ser tra\u00eddo no aspecto da confian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles que vivem sob o mesmo teto do que, por medo e desconfian\u00e7a, se fechar em seguran\u00e7as que criam barreiras e nos isolam.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os principais desafios que a forma\u00e7\u00e3o salesiana deve enfrentar hoje?<br \/>\n<\/strong>Continente \u00c1frica: 92% dos salesianos t\u00eam menos de 50 anos. Europa: 27% t\u00eam menos de 50 anos. Estamos nos tornando cada vez mais diversificados e a forma\u00e7\u00e3o deve encontrar os salesianos em suas distintas realidades e falar uma linguagem pr\u00f3xima de sua experi\u00eancia de vida.<\/p>\n<p><strong>Que conselho daria a um jovem que se sente chamado \u00e0 vida religiosa?<br \/>\n<\/strong>Que vale a pena confiar no futuro, mais ainda do que no nosso passado: se esse convite vem do Senhor e gradualmente nos ressintonizamos com o que Ele sugere ao nosso cora\u00e7\u00e3o, o amanh\u00e3 ser\u00e1 potencialmente muito mais rico do que o experimentado at\u00e9 aqui, mesmo que seja um futuro sempre feito de rosas e de espinhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Conselheiro Geral para a Forma\u00e7\u00e3o, Pe. 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