{"id":46660,"date":"2025-10-31T17:37:03","date_gmt":"2025-10-31T17:37:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=46660"},"modified":"2025-10-31T17:41:59","modified_gmt":"2025-10-31T17:41:59","slug":"deixem-me-em-paz-sofro-demais-1867","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/sonhos-de-dom-bosco\/deixem-me-em-paz-sofro-demais-1867\/","title":{"rendered":"Deixem-me em paz; sofro demais (1867)"},"content":{"rendered":"<p><em>O sonho que se segue, contado por Dom Bosco aos seus jovens em 1867, come\u00e7a em uma noite de ins\u00f4nia em que o Santo reflete sobre o mist\u00e9rio da alma. Guiado por uma presen\u00e7a luminosa, ele \u00e9 transportado para um pal\u00e1cio suspenso onde encontra um bispo amigo, j\u00e1 falecido, que lhe mostra vislumbres do destino al\u00e9m da morte. Do di\u00e1logo entre eles surgem advert\u00eancias: a ilus\u00e3o dos prazeres mundanos, a necessidade de dissipar a &#8220;neblina&#8221; mundana, a guarda da pureza, a obedi\u00eancia, a fuga da ociosidade, a ora\u00e7\u00e3o, a confiss\u00e3o e a comunh\u00e3o frequentes. A vis\u00e3o, ao mesmo tempo realista e simb\u00f3lica, ilumina a justi\u00e7a divina e a urg\u00eancia de se preparar para o Para\u00edso no caminho educativo salesiano cotidiano, tornando atual para cada leitor a mensagem de esperan\u00e7a e responsabilidade.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>Dom Bosco ainda falou a toda a comunidade depois das ora\u00e7\u00f5es da noite.<\/p>\n<p>Ontem \u00e0 noite, meus caros filhos, deitei-me. N\u00e3o conseguindo pegar j\u00e1 no sono, pensei na natureza e na maneira do existir da alma; como foi feita, de que maneira seria e falaria na outra vida, separada do corpo, como far\u00e1 para ir de uma lugar a outro: como poderemos nos conhecer uns aos outros, se ap\u00f3s a morte seremos somente esp\u00edritos. Quanto mais eu pensava, mais obscuro me parecia o mist\u00e9rio.<br \/>\nEnquanto divagava nestas e noutras fantasias, adormeci. Parecia estar na estrada que leva a&#8230; (<em>e nomeou a cidade<\/em>). Caminhei algum tempo, atravessei lugares que me eram desconhecidos, quando em dado momento ouvi que me chamavam pelo nome. Era a voz de uma pessoa parada na estrada. \u2013 Venha comigo, \u2013 disse-me, \u2013 agora poder\u00e1 ver o que deseja.<br \/>\nObedeci logo. Esse tal caminhava com a rapidez do pensamento, e eu igual ao meu guia. Nossos p\u00e9s n\u00e3o tocavam o ch\u00e3o. Chegamos a um lugar desconhecido para mim. Meu guia parou. Num alto lugar se erguia um magn\u00edfico pal\u00e1cio de admir\u00e1vel estrutura. N\u00e3o sei onde era, nem sobre que eleva\u00e7\u00e3o estivesse, n\u00e3o me recordo mais se estivesse sobre uma montanha, ou no ar sobre as nuvens. Era inacess\u00edvel e n\u00e3o se via nenhuma estrada para subir. Suas portas tinham uma altura consider\u00e1vel.<br \/>\n\u2013 Olhe! Suba at\u00e9 aquele pal\u00e1cio \u2013 disse-me o guia.<br \/>\n\u2013 Como tenho que fazer? \u2013 Observei eu, \u2013 Como fazer para chegar l\u00e1? C\u00e1 embaixo n\u00e3o existe estrada; asas eu n\u00e3o tenho.<br \/>\n\u2013 Entre, \u2013 retomou o outro, mandando. Vendo que eu n\u00e3o me mexia, disse:<br \/>\n\u2013 Fa\u00e7a como eu; levante os bra\u00e7os com boa vontade e subir\u00e1. Venha comigo. \u2013 Dizendo isto, levantou os bra\u00e7os abertos em dire\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u. Ent\u00e3o, eu tamb\u00e9m abri os bra\u00e7os e percebi, num instante, me levantando pelo ar como uma leve nuvem. Eis-me nos umbrais do grande pal\u00e1cio. O guia me acompanhara.<br \/>\n\u2013 O que h\u00e1 aqui dentro? Eu lhe perguntei.<br \/>\n\u2013 Entre, visite-o e ver\u00e1. No fundo, numa sala voc\u00ea encontrar\u00e1 quem lhe vai explicar.<br \/>\nO guia desapareceu, permanecendo eu sozinho e guia de mim mesmo. Entrei no p\u00f3rtico, subi as escadas e fui a um apartamento realmente de rei. Andei por salas espa\u00e7osas, fin\u00edssimos quartos com ornamenta\u00e7\u00f5es e longos corredores. Caminhava com velocidade sobrenatural. Todas as salas brilhavam com pompa de tesouros surpreendentes. Naquela velocidade, percorri tantas salas que n\u00e3o me foi poss\u00edvel contar. O mais admir\u00e1vel era o seguinte: ao correr com a velocidade do vento, n\u00e3o mexia os p\u00e9s, mas suspenso no ar e com as pernas juntas, deslizava sem esfor\u00e7o como num cristal, sem tocar o piso. Desta forma, passando de um apartamento a outro, vi finalmente uma porta no fundo de um corredor. Entrei. Estava numa grande sala, mais magn\u00edfica que todas as demais. Na extremidade avistei um Bispo, majestosamente sentado numa poltrona, em atitude de quem aguarda para conceder audi\u00eancia. Aproximei-me e fui tomado por enorme admira\u00e7\u00e3o ao reconhecer nesse Prelado um \u00edntimo amigo meu. Era Dom *. (<em>disse seu nome<\/em>), Bispo de *\u2026. falecido faz anos.<br \/>\nParecia nada sofrer. Seu semblante era jovial, afetuoso e de tal beleza que n\u00e3o d\u00e1 para descrever.<br \/>\n\u2013 Oh, Excel\u00eancia! O senhor est\u00e1 aqui? \u2013 Disse-lhe com muita alegria.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o me v\u00ea? \u2013 Respondeu o Bispo.<br \/>\n\u2013 Como est\u00e1? Est\u00e1 ainda vivo? N\u00e3o morreu?<br \/>\n\u2013 Sim, morri.<br \/>\n\u2013 E se est\u00e1 morto, como \u00e9 que est\u00e1 aqui sentado, t\u00e3o jovial e abastado? Por caridade, se ainda est\u00e1 vivo, diga, de outra forma estamos em maus panos. Em *&#8230; j\u00e1 h\u00e1 outro Bispo, Dom *. e como resolveremos esta situa\u00e7\u00e3o?<br \/>\n\u2013 Fique tranquilo; n\u00e3o se incomode; estou morto&#8230;<br \/>\n\u2013 Ainda bem, pois em seu lugar h\u00e1 outro.<br \/>\n\u2013 Sei. E o senhor, Dom Bosco, est\u00e1 morto ou vivo?<br \/>\n\u2013 Estou vivo; n\u00e3o v\u00ea que estou aqui de corpo e alma?<br \/>\n\u2013 Aqui n\u00e3o se pode vir com o corpo.<br \/>\n\u2013 Contudo, estou aqui.<br \/>\n\u2013 O senhor acha, mas n\u00e3o \u00e9 assim&#8230;<br \/>\nEu me apressava em falar, fazendo perguntas e mais perguntas sem conseguir resposta: \u2013 Como pode ser \u2013 dizia eu \u2013 que eu, vivo, esteja aqui com o senhor que est\u00e1 morto? \u2013 Estava com receio que o Bispo desaparecesse; pelo que comecei a pedir-lhe: \u2013 Excel\u00eancia, por caridade, n\u00e3o me fuja. Tenho muitas coisas para saber.<br \/>\nO Bispo, vendo-me assim ansioso, falou: \u2013 N\u00e3o se preocupe tanto. Fique calmo, n\u00e3o duvide, n\u00e3o vou fugir. Fale!<br \/>\n\u2013 Diga-me Sr. Bispo! Est\u00e1 salvo?<br \/>\n\u2013 Olhe-me. Observe como estou bem, saud\u00e1vel, resplendente.<br \/>\nSua apar\u00eancia dava-me, de fato, certa esperan\u00e7a de que ele estivesse salvo; mas, por n\u00e3o me satisfazer com isto, repliquei:<br \/>\n\u2013 Diga-me se est\u00e1 salvo, sim ou n\u00e3o?<br \/>\n\u2013 Sim, estou num lugar de salva\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2013 Est\u00e1 no Para\u00edso no gozo do Senhor, ou est\u00e1 no Purgat\u00f3rio?<br \/>\n\u2013 Estou em lugar de salva\u00e7\u00e3o, mas ainda n\u00e3o vi Deus. Preciso que ainda rezem por mim.<br \/>\n\u2013 Quanto tempo dever\u00e1 ainda permanecer no Purgat\u00f3rio?<br \/>\n\u2013 Olhe aqui! \u2013 Entregou-me um papel, dizendo: \u2013 Leia!<br \/>\n\u2013 Peguei o papel, observei-o com aten\u00e7\u00e3o e nada vi escrito e falei: \u2013 N\u00e3o vejo nada.<br \/>\n\u2013 Olhe o que est\u00e1 escrito. Leia!<br \/>\n\u2013 Olhei e olho, mas nada posso ler, pois n\u00e3o h\u00e1 nada!<br \/>\n\u2013 Olhe melhor.<br \/>\n\u2013 Vejo um papel com flores vermelhas, azul celeste, verdes, violetas, mas de letras nada vejo.<br \/>\n\u2013 S\u00e3o c\u00f3digos!<br \/>\n\u2013 N\u00e3o enxergo nem c\u00f3digos nem n\u00fameros.<br \/>\nO Bispo olhou o papel que eu tinha nas m\u00e3os, e disse:<br \/>\n\u2013 Sei porque o senhor n\u00e3o entende. Vire o papel \u00e0s avessas. \u2013 Examinei o papel com mais aten\u00e7\u00e3o, virei-o para todos os lados. Mas n\u00e3o consegui ler nem \u00e0s avessas, nem na frente pude ler. Somente pareceu-me que nas viradas e reviradas dos desenhos de flores tivessem o n\u00famero \u201c2\u201d.<br \/>\nO Bispo continuou: \u2013 Sabe porque \u00e9 preciso ler \u00e0s avessas? Porque os julgamentos do Senhor s\u00e3o diferentes daqueles do mundo. O que os homens consideram sabedoria, \u00e9 estult\u00edcia para Deus.<br \/>\nN\u00e3o ousei insistir para ter uma explica\u00e7\u00e3o mais clara. Disse:<br \/>\n\u2013 Excel\u00eancia, n\u00e3o fuja. Quero perguntar outras coisas.<br \/>\n\u2013 Pergunte; escuto.<br \/>\n\u2013 Eu haverei de me salvar?<br \/>\n\u2013 Espere.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o me deixe aflito, diga-me j\u00e1 se me salvarei.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o sei.<br \/>\n\u2013 Ao menos diga-me se estou ou n\u00e3o na gra\u00e7a de Deus.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o sei.<br \/>\n\u2013 E meus jovens, haver\u00e3o de se salvar?<br \/>\n\u2013 N\u00e3o sei.<br \/>\n\u2013 Por favor, pe\u00e7o-lhe, diga-me.<br \/>\n\u2013 O senhor estudou Teologia e pode, portanto, saber e dar a resposta por si mesmo.<br \/>\n\u2013 Como? Est\u00e1 em lugar de salva\u00e7\u00e3o e n\u00e3o sabe a respeito dessas coisas?<br \/>\n\u2013 Eis: o Senhor as d\u00e1 a saber a quem Ele quer. Quando deseja que este conhecimento seja transmitido, d\u00e1 a ordem e licen\u00e7a. De outra maneira ningu\u00e9m consegue comunic\u00e1-lo aos que ainda est\u00e3o vivos.<br \/>\nEu estava movido por forte impaci\u00eancia de sempre perguntar e perguntava com pressa, por receio de que o Bispo se retirasse.<br \/>\n\u2013 Diga-me agora alguma coisa para transmitir aos jovens de sua parte.<br \/>\n\u2013 O senhor sabe como eu, o que eles t\u00eam de fazer. Voc\u00eas t\u00eam a Igreja, o Evangelho e as demais Escrituras que lhes falam tudo. Diga a eles que salvem a alma, pois o resto para nada serve.<br \/>\n\u2013 N\u00f3s j\u00e1 sabemos que precisamos salvar a alma. Mas como fazer para salv\u00e1-la? D\u00ea-me um recado especial para poder salv\u00e1-la, que nos fa\u00e7a lembrar do senhor. Haverei de repeti-lo aos jovens em seu nome.<br \/>\n\u2013 Diga-lhes que sejam bons e obedientes.<br \/>\n\u2013 Quem n\u00e3o sabe essas coisas?<br \/>\n\u2013 Diga-lhes que sejam modestos e que rezem.<br \/>\n\u2013 Explique-se mais concretamente.<br \/>\n\u2013 Diga-lhes que se confessem com frequ\u00eancia e fa\u00e7am boas comunh\u00f5es.<br \/>\n\u2013 Algo de mais especial ainda.<br \/>\n\u2013 Di-la-ei, j\u00e1 que quer. Diga-lhes que eles t\u00eam uma n\u00e9voa diante dos olhos, e quando algu\u00e9m chega a ver esta n\u00e9voa, j\u00e1 est\u00e1 no bom caminho. Que tirem essa n\u00e9voa, como se l\u00ea nos salmos: <em>Nubem dissipa<\/em> (cf. Tg 4, 14).<br \/>\n\u2013 O que \u00e9 essa n\u00e9voa?<br \/>\n\u2013 S\u00e3o todas as coisas do mundo, que n\u00e3o deixam ver as coisas celestes como s\u00e3o.<br \/>\n\u2013 Como devem agir para tirar essa n\u00e9voa?<br \/>\n\u2013 Considerem o mundo como ele \u00e9: <em>mundus totus in maligno positus est<\/em> (O mundo inteiro est\u00e1 no poder do Maligno \u2013 1Jo 5,19). Ent\u00e3o salvar\u00e3o a alma. N\u00e3o se deixem enganar pelas apar\u00eancias do mundo. Os jovens acreditam que os prazeres, as alegrias, as amizades do mundo podem faz\u00ea-los felizes e, portanto, n\u00e3o esperam sen\u00e3o o momento de gozar desses prazeres. Mas recordem-se de que tudo \u00e9 vaidade e ang\u00fastia de esp\u00edrito. Acostumem-se a enxergar as coisas do mundo n\u00e3o como parecem, mas como s\u00e3o.<br \/>\n\u2013 E qual a causa principal desta n\u00e9voa?<br \/>\n\u2013 Como a virtude que mais resplandece no Para\u00edso \u00e9 a pureza, assim a obscuridade e a n\u00e9voa s\u00e3o produzidas principalmente pelo pecado da imod\u00e9stia e da impureza. \u00c9 como uma negra e dens\u00edssima grande nuvem que tira a vis\u00e3o e impede que os jovens vejam o precip\u00edcio do qual est\u00e3o indo ao encontro. Diga-lhes, ent\u00e3o, que conservem ciosamente a virtude da pureza, pois os que a possu\u00edrem, <em>florebunt sicut lilium in civitade Dei<\/em> (Florescer\u00e3o como l\u00edrio na cidade de Deus \u2013 cf. Is 35,1).<br \/>\n\u2013 O que \u00e9 necess\u00e1rio para conservar a pureza? Diga e eu transmitirei de sua parte aos queridos jovens.<br \/>\n\u2013 S\u00e3o necess\u00e1rios: recolhimento, obedi\u00eancia, fuga do \u00f3cio e ora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2013 E o que mais?<br \/>\n\u2013 Ora\u00e7\u00e3o, fuga do \u00f3cio, obedi\u00eancia, recolhimento.<br \/>\n\u2013 Nada mais?<br \/>\n\u2013 Obedi\u00eancia, recolhimento, ora\u00e7\u00e3o, fuga do \u00f3cio. Recomende a eles estas coisas. S\u00e3o suficientes.<br \/>\nQueria ainda perguntar muitas coisas, mas n\u00e3o me vinha mais nenhuma \u00e0 mente. Por isso, mal o Bispo terminou de falar, cheio de vontade de lhes transmitir esses recados, sa\u00ed depressa daquela sala e corri para o Orat\u00f3rio. Voava como a velocidade do vento e, num instante, estava na porta do Orat\u00f3rio. Quando cheguei, parei para pensar: Por que n\u00e3o fiquei mais tempo com o Bispo de *&#8230;? Teria recebido ainda melhores esclarecimentos! Errei em deixar escapar t\u00e3o bela oportunidade! Teria aprendido muitas outras coisas bonitas!<br \/>\nLogo voltei com a mesma rapidez com que tinha vindo e, ansioso de n\u00e3o encontrar mais Sua Excel\u00eancia, ingressei novamente naquele pal\u00e1cio e naquela sala.<br \/>\nPor\u00e9m, que mudan\u00e7a houve durante esses breves momentos! O Bispo, palid\u00edssimo como cera, estava deitado na cama, parecia um cad\u00e1ver. Dos olhos lhe sa\u00edam as \u00faltimas l\u00e1grimas. Estava agonizando. Percebia-se que ainda vivia, pois o peito tinha um ligeiro movimento, resultado dos \u00faltimos respiros. Ofegante, aproximei-me dele: Excel\u00eancia, o que aconteceu?<br \/>\n\u2013 Deixe-me, \u2013 respondeu com um gemido.<br \/>\n\u2013 Excel\u00eancia, teria ainda muitas coisas a lhe perguntar.<br \/>\n\u2013 Deixe-me sozinho, estou sofrendo muito.<br \/>\n\u2013 Mas o que posso fazer pelo senhor?<br \/>\n\u2013 Reze e me deixe ir.<br \/>\n\u2013 Aonde?<br \/>\n\u2013 Para onde a m\u00e3o onipotente de Deus me conduz.<br \/>\n\u2013 Mas ao menos me diga: o que posso fazer pelo senhor? \u2013 eu repetia.<br \/>\n\u2013 Rezem.<br \/>\n\u2013 Ainda uma \u00fanica palavra: Tem alguma recomenda\u00e7\u00e3o que posso executar no mundo? N\u00e3o me deixa nada para dizer ao seu sucessor?<br \/>\n\u2013 V\u00e1 ter com o atual Bispo de *&#8230; e diga-lhe em meu nome isto e isto.<br \/>\nO que ele me falou n\u00e3o \u00e9 para voc\u00eas, meus caros jovens, por isso as deixamos.<br \/>\nO Bispo continuou ainda: \u2013 E diga \u00e0s tais e tais pessoas, estas e estas outras coisas secretas!<br \/>\n(<em>Tamb\u00e9m quanto a essas recomenda\u00e7\u00f5es Bom Bosco calou. As primeiras como as segundas, parece que diziam respeito a admoesta\u00e7\u00f5es e rem\u00e9dios a serem comunicados por causa de certas necessidades dessa Diocese<\/em>).<br \/>\n\u2013 E nada mais? \u2013 continuei.<br \/>\n\u2013 Diga a seus jovens que sempre lhes quis muito bem; que enquanto estava com vida sempre rezei por eles; que tamb\u00e9m agora me recordo deles. Agora, que eles rezem por mim.<br \/>\n\u2013 Esteja certo que lhes direi. Come\u00e7aremos j\u00e1 a fazer sufr\u00e1gios pelo senhor.<br \/>\nE o senhor, assim que chegar ao Para\u00edso, lembre-se de n\u00f3s.<br \/>\nNo entanto, o Bispo estava tomado de um aspecto ainda mais sofredor. V\u00ea-lo causava piedade. Padecia muito! Era uma das mais angustiantes agonias.<br \/>\n\u2013 Deixe-me, \u2013 disse-me ainda, \u2013 deixe-me para que eu v\u00e1 aonde o Senhor me chama.<br \/>\n\u2013 Excel\u00eancia&#8230; Excel\u00eancia&#8230; \u2013 eu ia repetindo, apertado por indiz\u00edvel compaix\u00e3o.<br \/>\n\u2013 Deixe-me! Deixe-me! \u2013 Parecia que expirasse. Uma for\u00e7a invis\u00edvel o levou para salas mais interiores, at\u00e9 que desapareceu.<br \/>\nEu, com o muito sofrer, espantado e comovido, virei-me para retornar. Tendo batido com um joelho em algum objeto naquelas salas, acordei e encontrei-me no quarto e na cama.<br \/>\nComo voc\u00eas veem, caros jovens, este \u00e9 um sonho como todos os outros. Naquilo que se refere a voc\u00eas necessita de explica\u00e7\u00f5es, para que seja entendido por todos.<\/p>\n<p>Dom Bosco conclu\u00eda a narra\u00e7\u00e3o, dizendo:<\/p>\n<p>Neste sonho aprendi muitas coisas a respeito da alma e do Purgat\u00f3rio, tantas que n\u00e3o tinha chegado a compreender. Eu as vi t\u00e3o claras, que nunca mais vou esquec\u00ea-las.<\/p>\n<p>Assim termina a narra\u00e7\u00e3o das nossas Mem\u00f3rias.<br \/>\nEm dois quadros distintos, parece que o Vener\u00e1vel tenha desejado expor o estado de gra\u00e7a das almas padecentes e seus sofrimentos de expia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o comentou o estado desse bom Bispo. Al\u00e9m disso, por revela\u00e7\u00f5es dign\u00edssimas de f\u00e9 e por testemunhos dos Santos Padres, sabe-se que personalidades de grande santidade, l\u00edrios de pureza virginal, carregados de merecimentos, fazedores de milagres, agora venerados nos altares, por causa de defeitos muito pequenos, precisaram ficar no Purgat\u00f3rio, at\u00e9 por longo tempo. A justi\u00e7a divina quer que, antes de entrar no c\u00e9u, cada um pague at\u00e9 o \u00faltimo centavo de suas d\u00edvidas.<br \/>\nN\u00f3s, que escrevemos, tempos depois perguntamos a Dom Bosco se tivesse comunicado os encargos recebidos desse Bispo, com a confian\u00e7a com que nos honrava, o ouvimos responder:<br \/>\n\u2013 Sim, executei fielmente meu mandato.<br \/>\nObservaremos ainda que, quem transcreveu o sonho, omitiu uma circunst\u00e2ncia que n\u00f3s recordamos, talvez porque no momento ele n\u00e3o tivesse compreendido o sentido ou a import\u00e2ncia. A certa altura, Dom Bosco perguntou quanto tempo tinha ainda para viver. O Bispo lhe apresentou um papel cheio de garranchos, entrela\u00e7ados: parecia com o n\u00famero 8, mas n\u00e3o teve explica\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio&#8230; Quereria indicar 1888?<\/p>\n<p>(MB ITVIII, 853-859 \/ MB PT VIII, 918-924)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sonho que se segue, contado por Dom Bosco aos seus jovens em 1867, come\u00e7a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":46653,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":20,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[1749,2557,2577,1827,1833,2227,2228,2230,2619],"class_list":["post-46660","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sonhos-de-dom-bosco","tag-conselhos","tag-deus","tag-dom-bosco","tag-gracas-obtidas","tag-indulgencias","tag-salvacao","tag-santos","tag-sonhos","tag-testemunhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46660","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46660"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46660\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46667,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46660\/revisions\/46667"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46653"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}