{"id":45655,"date":"2025-05-28T10:54:05","date_gmt":"2025-05-28T10:54:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=45655"},"modified":"2025-10-01T12:11:29","modified_gmt":"2025-10-01T12:11:29","slug":"do-cge20-ao-cg29-o-caminho-interior-dos-salesianos-entre-a-fidelidade-a-deus-e-a-resposta-aos-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/reflexoes\/do-cge20-ao-cg29-o-caminho-interior-dos-salesianos-entre-a-fidelidade-a-deus-e-a-resposta-aos-jovens\/","title":{"rendered":"Do CGE20 ao CG29. O caminho \u201cinterior\u201d dos salesianos: entre a fidelidade a Deus e a resposta aos jovens"},"content":{"rendered":"\r\n<p><em>Na conclus\u00e3o do 29\u00ba Cap\u00edtulo Geral dos Salesianos, convidamos o P. Pascual Ch\u00e1vez, Reitor-Mor Em\u00e9rito e \u00fanico salesiano que participou dos \u00faltimos nove Cap\u00edtulos Gerais, a tra\u00e7ar uma s\u00edntese do caminho da Congrega\u00e7\u00e3o. Ele aceitou o convite com grande disposi\u00e7\u00e3o, oferecendo uma reflex\u00e3o que parte do Conc\u00edlio Vaticano II, um momento decisivo da nossa hist\u00f3ria recente. Certamente nem todos concordar\u00e3o com essa vis\u00e3o, mas seu ponto de vista representa uma luz preciosa: ilumina o caminho percorrido e, ao mesmo tempo, orienta os passos que temos pela frente.<br \/><\/em><br \/><br \/>Este artigo pretende ilustrar, por um lado, os sessenta anos de reflex\u00e3o e autoconhecimento que a Congrega\u00e7\u00e3o empreendeu no contexto social, cultural e eclesial, procurando descobrir os desafios dos jovens e do mundo aos quais procurou responder e, por outro lado, oferecer uma avalia\u00e7\u00e3o dos resultados obtidos e dos desafios ainda n\u00e3o resolvidos ou emergentes.<br \/>Duas declara\u00e7\u00f5es do P. Vecchi resumem eficazmente a necessidade dessa mudan\u00e7a e a evolu\u00e7\u00e3o ocorrida: \u201cO que acontece na Congrega\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligado \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es que ocorrem na Igreja e na cultura\u201d. E mais adiante, comparando a imagem dos salesianos antes dessa evolu\u00e7\u00e3o com a imagem depois de vinte anos: \u201cPortanto, houve uma evolu\u00e7\u00e3o, e ainda est\u00e1 ocorrendo, no modo pr\u00e1tico de entender a tarefa educativa\u201d<em>.<\/em><a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><em><strong>[1]<\/strong><\/em><\/a><em><br \/><\/em><br \/><br \/><strong>1. Uma nova era na vida da Igreja<br \/><\/strong>O Conc\u00edlio Vaticano II, descrito pelo P. Vigan\u00f2 como \u201co evento eclesial do s\u00e9culo, uma visita do Esp\u00edrito Santo \u00e0 Igreja, a \u201cgrande profecia\u201d para o terceiro mil\u00eanio do cristianismo\u201d<a id=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> , iniciou uma reforma da Igreja para a qual todas as Congrega\u00e7\u00f5es foram chamadas e que os salesianos abra\u00e7aram.<br \/><br \/>O Vaticano II lan\u00e7ou um desafio e um apelo a todos os Institutos Religiosos para que redesenhassem, fiel e corajosamente, a identidade carism\u00e1tica espec\u00edfica do Fundador.<br \/>Os motivos que levaram a Igreja a pedir uma profunda renova\u00e7\u00e3o da Vida Religiosa podem ser resumidos em tr\u00eas \u00e1reas:<br \/><br \/><strong><em>1.1 A refer\u00eancia \u00e0 pessoa de Jesus<br \/><\/em><\/strong>A consagra\u00e7\u00e3o a Deus no seguimento de Jesus s\u00f3 pode ser entendida como uma resposta a um chamado pessoal, que resulta em um encontro especial com Jesus por meio da profiss\u00e3o dos tr\u00eas votos (obedi\u00eancia, pobreza, castidade), e que faz de Jesus e de seu Evangelho \u201ca regra viva e suprema\u201d.<br \/><br \/><strong><em>1.2 Nosso lugar na Igreja<br \/><\/em><\/strong>O fato de a Vida Religiosa n\u00e3o ser uma alternativa \u00e0 Igreja, mas uma forma de vida evang\u00e9lica dentro dela, tem consequ\u00eancias te\u00f3ricas e, acima de tudo, pr\u00e1ticas:<br \/>&#8211; O car\u00e1ter distintivo da Vida Religiosa n\u00e3o implica em nenhuma superioridade em rela\u00e7\u00e3o aos outros crist\u00e3os;<br \/>&#8211; A posi\u00e7\u00e3o da Vida Religiosa dentro da comunidade eclesial a coloca em uma rela\u00e7\u00e3o complementar com as outras voca\u00e7\u00f5es da vida crist\u00e3: os leigos e os sacerdotes;<br \/>&#8211; A especificidade da Vida Religiosa consiste em ser essencialmente e sempre uma forma de vida evang\u00e9lica. Isso significa que o Evangelho constitui a norma \u00faltima, de modo que o superior nunca pode substituir Cristo, nem a Regra pode ser superior ao Evangelho, nem o ritmo de vida pode ser marcado por outra coisa que n\u00e3o os ciclos lit\u00fargicos do ano.<br \/><br \/><strong><em>1.3 O relacionamento com o mundo<br \/><\/em><\/strong>Embora durante muito tempo o cristianismo e a vida religiosa tenham sido apresentados como uma nega\u00e7\u00e3o do mundo ou uma fuga dele, o Conc\u00edlio Vaticano II proclamou a bondade da cria\u00e7\u00e3o e do mundo \u201cque Deus tanto amou e pelo qual ofereceu seu Filho \u00fanico\u201d (cf. Jo 3,16), e sua relativa autonomia. Portanto, n\u00e3o se pode conceber uma vida religiosa como uma fuga do mundo, mas sim como um chamado para se engajar ativamente na continua\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o de Jesus.<a id=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\">[3]<\/a><br \/><br \/>Tanto as profundas transforma\u00e7\u00f5es que ocorreram no mundo a partir da d\u00e9cada de 1960 quanto essa consci\u00eancia renovada da Igreja de estar a servi\u00e7o do mundo e da humanidade deram um impulso consider\u00e1vel \u00e0 dimens\u00e3o pastoral.<br \/><br \/>De fato, \u201cesse surgimento da \u00abpastoral\u00bb como uma categoria de orienta\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o para as v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es da Igreja \u00e9 uma consequ\u00eancia do Conc\u00edlio Vaticano II, chamado (pelo pr\u00f3prio Jo\u00e3o XXIII) de \u00abConc\u00edlio pastoral\u00bb precisamente por causa da inclina\u00e7\u00e3o e da abordagem de toda a sua reflex\u00e3o\u201d.<a id=\"_ftnref4\" href=\"#_ftn4\">[4]<\/a><br \/><br \/>Esse compromisso pressupunha \u201cmover a Congrega\u00e7\u00e3o para uma reflex\u00e3o atenta ao momento hist\u00f3rico, solid\u00e1ria com as urg\u00eancias do mundo e com as necessidades dos pequenos e dos pobres, em um crescimento homog\u00eaneo com a identidade do projeto inicial e com os seus valores originais, suscitados pelo Esp\u00edrito e destinados a um desenvolvimento vital para al\u00e9m das coberturas transit\u00f3rias\u201d.<a id=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\">[5]<\/a><br \/><br \/>N\u00e3o se tratava, portanto, simplesmente de renovar a nossa pr\u00e1xis salesiana, mas sim a vida salesiana e o salesiano. \u201cA profecia que o mundo juvenil espera de n\u00f3s, salesianos, hoje, \u00e9, antes de tudo, a novidade do cora\u00e7\u00e3o inflamado pelo ardor daquela caridade pastoral definida por Dom Bosco no seu \u00ab<em>da mihi animas cetera tolle\u00bb<\/em>\u201d.<a id=\"_ftnref6\" href=\"#_ftn6\">[6]<\/a><br \/><br \/><strong>2. As grandes etapas da jornada<br \/><\/strong>No delicado processo desejado pela Igreja, tr\u00eas Cap\u00edtulos Gerais \u201cextraordin\u00e1rios\u201d permitiram que a Congrega\u00e7\u00e3o se colocasse na \u00f3rbita hist\u00f3rica do Vaticano II, especificando a identidade salesiana na Igreja e no mundo contempor\u00e2neo. Enquanto o CG19, realizado durante o Conc\u00edlio, \u201ctomou consci\u00eancia e preparou\u201d, o CG20 \u201ccolocou em \u00f3rbita\u201d, o CG21 \u201crevisou, retificou, confirmou e aprofundou\u201d; o CG22 foi chamado a \u201creexaminar, especificar, completar, aperfei\u00e7oar e concluir\u201d.<a id=\"_ftnref7\" href=\"#_ftn7\">[7]<\/a><br \/><br \/>Seguiram-se tr\u00eas outros Cap\u00edtulos Gerais \u201cordin\u00e1rios\u201d, focalizando temas espec\u00edficos de car\u00e1ter operacional, considerados particularmente urgentes para toda a Congrega\u00e7\u00e3o, mas, em certo sentido, setoriais, pois n\u00e3o diziam respeito \u00e0 totalidade da vida salesiana: a educa\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 dos jovens, o envolvimento dos leigos na vida e na miss\u00e3o salesiana e a comunidade salesiana contempor\u00e2nea.<br \/><br \/><strong>2.1 O Cap\u00edtulo Geral Especial 20<\/strong><a id=\"_ftnref8\" href=\"#_ftn8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><strong> (1971).<br \/><em>Contexto eclesial e social<br \/><\/em><\/strong>O CG19 (1965), celebrado quando o Conc\u00edlio Vaticano II estava quase em sua conclus\u00e3o (embora entre os documentos j\u00e1 promulgados, os capitulares usassem principalmente a constitui\u00e7\u00e3o <em>Sacrosanctum Concilium <\/em>sobre a Liturgia, o decreto <em>Inter Mirifica <\/em>sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o social e a constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica <em>Lumen Gentium <\/em>sobre a Igreja, (ainda faltava a \u00faltima sess\u00e3o com a promulga\u00e7\u00e3o de documentos importantes) reuniram os primeiros impulsos do grande evento conciliar sobre o sentido renovado da miss\u00e3o da Igreja no mundo, sobre o dinamismo da Vida Religiosa e sua dimens\u00e3o comunit\u00e1ria e eclesial, sobre a revis\u00e3o da Pastoral e suas necessidades de pluralismo e descentraliza\u00e7\u00e3o, constituindo assim a melhor prepara\u00e7\u00e3o para o CGE20.<br \/><br \/>De fato, tratava-se de um Cap\u00edtulo Geral Especial, de car\u00e1ter particular e extraordin\u00e1rio, destinado a satisfazer as exig\u00eancias da Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o para os Religiosos e os Institutos Seculares (<em>Motu Proprio Ecclesiae Sanctae<\/em>) para proceder \u00e0 revis\u00e3o e \u00e0 \u201cconveniente renova\u00e7\u00e3o\u201d da Congrega\u00e7\u00e3o, segundo os objetivos amplos, essenciais e exigentes indicados pela Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica <em>Lumen Gentium <\/em>e pelo Decreto <em>Perfectae Caritatis<\/em>, em harmonia com o esp\u00edrito do Fundador.<br \/><br \/>Outros fatores relevantes, em n\u00edvel contextual, foram tr\u00eas fen\u00f4menos decisivos que moldaram o mundo no qual a miss\u00e3o da Igreja e da Congrega\u00e7\u00e3o foi realizada naquela \u00e9poca, e que poderiam influenciar todos eles, pois ainda eram processos em evolu\u00e7\u00e3o:<br \/>&#8211; Um mundo em processo de seculariza\u00e7\u00e3o, que levou a Igreja a se reposicionar e redefinir um novo tipo de presen\u00e7a e a\u00e7\u00e3o.<br \/>&#8211; Um mundo caracterizado por situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a, como consequ\u00eancia de estruturas socioecon\u00f4micas, que colocaram a Igreja diante do imperativo de adotar uma atitude resolutamente evang\u00e9lica em favor dos pobres.<br \/>&#8211; Um mundo em busca de unidade no pluralismo, que exigia que a Igreja vivesse sua \u201ccatolicidade\u201d de forma mais atual e din\u00e2mica.<br \/><br \/>Como frequentemente acontece nesse tipo de transforma\u00e7\u00e3o, os mais vulner\u00e1veis foram os jovens que, por um lado, surgiram como um fen\u00f4meno social e, por outro, manifestaram comportamentos perturbadores, como marginaliza\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, mudan\u00e7a de costumes, depend\u00eancia de drogas e delinqu\u00eancia.<br \/><br \/>O Cap\u00edtulo, por\u00e9m, n\u00e3o pretendeu simplesmente cumprir as exig\u00eancias do Conc\u00edlio Vaticano II como uma mera formalidade, mas aproveitou a oportunidade para responder melhor a Deus e aos jovens. De fato, o CGE foi precedido por uma prepara\u00e7\u00e3o muito cuidadosa por meio de uma consulta dirigida a todas as Inspetorias com uma \u201cradiografia\u201d do estado da Congrega\u00e7\u00e3o. Desse modo, se tomou consci\u00eancia dos problemas e das quest\u00f5es mais urgentes que ocupavam o interesse e a preocupa\u00e7\u00e3o dos salesianos em todo o mundo e que exigiam ilumina\u00e7\u00e3o, discernimento e decis\u00f5es.<br \/><br \/><strong><em>Desafios a serem enfrentados: Reformula\u00e7\u00e3o de um projeto total<br \/><\/em><\/strong>A quest\u00e3o fundamental era como tornar o testemunho particular da vida religiosa vis\u00edvel e relevante na Igreja (LG 44).<br \/><br \/>Para que a vida religiosa fosse capaz de responder a essa miss\u00e3o (\u201cpertencer \u00e0 vida e \u00e0 santidade da Igreja\u201d), a<em> Perfectae Caritatis <\/em>exigia um compromisso de renova\u00e7\u00e3o de todas as fam\u00edlias religiosas:<br \/>a) Tornar a \u201c<em>sequela Christi<\/em>\u201d [<em>seguimento de Cristo<\/em>] a regra suprema da vida;<br \/>b) Garantir sua identidade e miss\u00e3o, em fidelidade ao Fundador;<br \/>c) Envolver-se de forma mais decisiva na vida da Igreja;<br \/>d) Ajudar os membros da Congrega\u00e7\u00e3o a saberem interpretar os sinais dos tempos, em seu contexto e como interlocutores na miss\u00e3o;<br \/>e) Promover acima de tudo a renova\u00e7\u00e3o espiritual \u201c\u00e0 qual corresponde o primeiro lugar tamb\u00e9m nas obras externas do apostolado\u201d (PC 2).<br \/><br \/>O P. Lu\u00eds Ricceri assim se expressou na carta de convoca\u00e7\u00e3o do CGE: \u201cO contributo e corresponsabilidade s\u00e3o antes de mais indispens\u00e1veis para promover em n\u00f3s e nas nossas comunidades aquela renova\u00e7\u00e3o interior, espiritual, apost\u00f3lica, fundada sobre a nossa conformidade a Cristo, sobre a fidelidade ao carisma essencial de D. Bosco e aos sinais dos tempos. Sem isto, toda a obra de renova\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o reduzir-se-ia a formalismo, tecnicismo, corpo sem alma, ilus\u00e3o de resolver problemas vivos com f\u00f3rmulas e artigos.\u201d<a id=\"_ftnref9\" href=\"#_ftn9\">[9]<\/a><br \/><br \/>O CGE 20 (1971) articulou toda a quest\u00e3o em torno de quatro temas fundamentais:<br \/>1. Natureza e prop\u00f3sito da Congrega\u00e7\u00e3o.<br \/>2. A consagra\u00e7\u00e3o religiosa e sua rela\u00e7\u00e3o com a miss\u00e3o.<br \/>3. Forma\u00e7\u00e3o do salesiano.<br \/>4. Estruturas de governo em todos os n\u00edveis.<br \/><br \/>O objetivo era elaborar um texto renovado das Constitui\u00e7\u00f5es e Regulamentos em harmonia com as orienta\u00e7\u00f5es conciliares. Em ess\u00eancia, era uma quest\u00e3o de refundar a identidade da Congrega\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/><strong><em>Escolhas feitas<br \/><\/em><\/strong>Sete meses de trabalho capitular produziram 22 documentos contendo diretrizes doutrin\u00e1rias e operacionais, divididos em cinco se\u00e7\u00f5es que mais tarde moldariam o texto constitucional:<br \/>&#8211; A primeira se\u00e7\u00e3o refletia a principal preocupa\u00e7\u00e3o dos capitulares: \u201ca miss\u00e3o dos salesianos na Igreja\u201d, identificando o orat\u00f3rio como o paradigma para a renova\u00e7\u00e3o de todas as obras.<br \/>&#8211; A segunda se\u00e7\u00e3o concentrou-se na \u201cdimens\u00e3o comunit\u00e1ria da vida religiosa\u201d.<br \/>&#8211; Na terceira, sob o termo \u201cconsagra\u00e7\u00e3o\u201d, os votos foram apresentados na perspectiva conciliar.<br \/>&#8211; O quarto descreveu os \u201cprincipais crit\u00e9rios para forma\u00e7\u00e3o e algumas diretrizes pr\u00e1ticas\u201d.<br \/>&#8211; O \u00faltimo formulou a unidade e a descentraliza\u00e7\u00e3o, a subsidiariedade, a participa\u00e7\u00e3o e a corresponsabilidade como \u201ccrit\u00e9rios para a organiza\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o\u201d.<a id=\"_ftnref10\" href=\"#_ftn10\">[10]<\/a><br \/><br \/>Foi redigida uma reformula\u00e7\u00e3o mais carism\u00e1tica e menos legalista do \u201cTexto Constitucional\u201d, adaptando a linguagem e a abordagem \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio, e unificando em um \u00fanico texto as riquezas espirituais da voca\u00e7\u00e3o salesiana e as normas fundamentais que regem a vida: miss\u00e3o, comunh\u00e3o, consagra\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Os \u201cRegulamentos\u201d codificaram o modo pr\u00e1tico universal de viver as Constitui\u00e7\u00f5es, delegando \u00e0s Inspetorias a responsabilidade de estabelecer e regulamentar os aspectos locais ou as necessidades de situa\u00e7\u00f5es particulares, por meio dos Diret\u00f3rios Inspetoriais.<br \/><br \/>Para avaliar os efeitos da <em>conveniente renova\u00e7\u00e3o<\/em>, \u00e9 importante observar sua influ\u00eancia em tr\u00eas das \u00e1reas mais sens\u00edveis da vida salesiana:<br \/><br \/>&#8211; No que se refere \u00e0 <strong>forma\u00e7\u00e3o<\/strong>, o P. Ricceri, em seu <em>Relat\u00f3rio Geral sobre o estado da Congrega\u00e7\u00e3o<\/em>, assinalou que algumas casas de forma\u00e7\u00e3o, noviciados e estudantados tiveram que fechar por falta de voca\u00e7\u00f5es ou por dificuldades e tens\u00f5es internas.\u00a0 Deplorava particularmente o esquecimento e o enfraquecimento do carisma salesiano na forma\u00e7\u00e3o, os desvios doutrinais, a atitude contestat\u00f3ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e a falta de responsabilidade de alguns formadores.<a id=\"_ftnref11\" href=\"#_ftn11\">[11]<\/a><br \/><br \/>&#8211; No que diz respeito \u00e0 <strong>comunidade<\/strong>, a mudan\u00e7a mais profunda diz respeito \u00e0 natureza das rela\u00e7\u00f5es entre superiores e irm\u00e3os, que se tornaram mais simples, com a fun\u00e7\u00e3o de governo se aproximando cada vez mais da fun\u00e7\u00e3o de anima\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, houve um aumento da participa\u00e7\u00e3o e da corresponsabilidade.<br \/><br \/><strong>&#8211; <\/strong>As<strong> obras<\/strong>, por sua vez, n\u00e3o alcan\u00e7aram o \u201credimensionamento\u201d desejado pelo CG19 para uma efic\u00e1cia apost\u00f3lica mais incisiva. A diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de salesianos (de cerca de 22.000 em 1965 para 17.000 em 1977) foi equilibrada pelo aumento de colaboradores leigos, cuja forma\u00e7\u00e3o exigia aten\u00e7\u00e3o especial. Ao mesmo tempo, estavam sendo criados centros inspetoriais de pastoral juvenil e alguns salesianos estavam experimentando formas de inser\u00e7\u00e3o em bairros dif\u00edceis ou trabalhando com meninos de rua e jovens viciados em drogas, bem como novas formas de colabora\u00e7\u00e3o com institui\u00e7\u00f5es civis.<a id=\"_ftnref12\" href=\"#_ftn12\">[12]<\/a><br \/><br \/><br \/><strong>2.2 Cap\u00edtulo Geral 21<\/strong><a id=\"_ftnref13\" href=\"#_ftn13\"><strong>[13]<\/strong><\/a><strong> (1978)<br \/><em>Contexto eclesial e social<br \/><\/em><\/strong>A profundidade e a velocidade das mudan\u00e7as, uma consequ\u00eancia do Conc\u00edlio Vaticano II, geraram uma situa\u00e7\u00e3o de tumulto e confus\u00e3o na Igreja e na Congrega\u00e7\u00e3o que exigia clareza de abordagem e sabedoria nas solu\u00e7\u00f5es.<br \/><br \/>A a\u00e7\u00e3o profundamente renovadora realizada na Congrega\u00e7\u00e3o pelo CGE (evidente nas Constitui\u00e7\u00f5es e Regulamentos radicalmente renovados, embora permanecendo fi\u00e9is ao esp\u00edrito de Dom Bosco, e nas ideias e orienta\u00e7\u00f5es operativas contidas nos Atos deste Cap\u00edtulo) necessitava de revis\u00e3o, retifica\u00e7\u00e3o, aprofundamento e reconfirma\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>O contexto sociocultural tamb\u00e9m estava passando por transforma\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e profundas em muitas na\u00e7\u00f5es, aumentando o confronto entre as gera\u00e7\u00f5es jovens e adultas. De acordo com a an\u00e1lise do P. Vecchi, a segunda metade da d\u00e9cada de 1970 representou para alguns o fim da era de 68 e o universo dos protestos juvenis, enquanto para outros marcou o agravamento da crise em n\u00edvel econ\u00f4mico, social, pol\u00edtico e cultural.<a id=\"_ftnref14\" href=\"#_ftn14\">[14]<\/a><br \/><br \/>Entre os aspectos mais significativos desse per\u00edodo, examinados \u00e0 luz do dia, surgiram paradoxos e contradi\u00e7\u00f5es:<br \/>&#8211; A exalta\u00e7\u00e3o da pessoa e, ao mesmo tempo, sua instrumentaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>&#8211; A aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade coexiste com a opress\u00e3o de muitas liberdades.<br \/>&#8211; A busca por valores mais elevados em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 repugn\u00e2ncia de todos os valores.<br \/>&#8211; O desejo de solidariedade contrastava com uma crise de participa\u00e7\u00e3o.<br \/>&#8211; A velocidade das trocas e das informa\u00e7\u00f5es contra a lentid\u00e3o das reformas culturais e sociais.<br \/>&#8211; O anseio por unidade universal e paz, juntamente com a persist\u00eancia de conflitos pol\u00edticos, sociais, raciais, religiosos e econ\u00f4micos.<br \/>&#8211; A exalta\u00e7\u00e3o da juventude \u00e9 paralela \u00e0 frequente marginaliza\u00e7\u00e3o dos jovens do trabalho, da tomada de decis\u00f5es e da responsabilidade.<br \/><br \/><strong><em>Desafios a serem enfrentados: verifica\u00e7\u00e3o da renova\u00e7\u00e3o<br \/><\/em><\/strong>Era necess\u00e1rio verificar precisamente <em>se, como <\/em>e<em> at\u00e9 que ponto <\/em>a renova\u00e7\u00e3o desejada na aceita\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia das Constitui\u00e7\u00f5es havia sido alcan\u00e7ada. Era necess\u00e1rio identificar quaisquer lacunas no projeto de renova\u00e7\u00e3o desejado pelo CGE. Mais concretamente, como manter a Congrega\u00e7\u00e3o vitalmente jovem e, embora renovada, sempre fiel \u00e0 vis\u00e3o claramente delineada por Dom Bosco?<br \/><br \/>Era necess\u00e1rio corrigir poss\u00edveis desvios ou interpreta\u00e7\u00f5es falsas e prejudiciais, superando o risco de motiva\u00e7\u00f5es, vis\u00f5es e julgamentos \u201cdiferentes\u201d ou, pior ainda, opostos, que poderiam esvaziar a alma da Congrega\u00e7\u00e3o e sua pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser na Igreja.<br \/><br \/>Era necess\u00e1rio aprofundar alguns temas essenciais para a Congrega\u00e7\u00e3o: o Sistema Preventivo, a Forma\u00e7\u00e3o para a Vida Salesiana, o Salesiano Coadjutor e a reestrutura\u00e7\u00e3o da Universidade Pontif\u00edcia Salesiana.<br \/><br \/>Esse processo de clarifica\u00e7\u00e3o da identidade, refor\u00e7ado pela influ\u00eancia do IV S\u00ednodo dos Bispos, que culminou com a enc\u00edclica magistral de Paulo VI <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, contribuiu progressivamente para aprofundar a miss\u00e3o salesiana espec\u00edfica, traduzindo-se em uma das grandes escolhas deste Cap\u00edtulo: transformar os salesianos em aut\u00eanticos evangelizadores dos jovens.<br \/><br \/>Por um lado, o CG21 observou atentamente os jovens e descobriu \u2013 sustentado talvez pelo otimismo tipicamente salesiano \u2013 uma feliz converg\u00eancia entre as suas aspira\u00e7\u00f5es, a sua voz dirigida aos salesianos e a nossa miss\u00e3o. Por outro lado, considerou o renovado empenho da Igreja na evangeliza\u00e7\u00e3o e redescobriu o tra\u00e7o fundamental da nossa identidade nessa miss\u00e3o evangelizadora dos jovens, que pressup\u00f5e a pr\u00e9via evangeliza\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios salesianos.<br \/><br \/><strong><em>Escolhas feitas: Mission\u00e1rios na educa\u00e7\u00e3o<br \/><\/em><\/strong>Em seu discurso de conclus\u00e3o, o P. Vigan\u00f2, rec\u00e9m-eleito Reitor-Mor, resumiu os tr\u00eas objetivos que surgiram durante o trabalho do cap\u00edtulo:<br \/>1. A tarefa priorit\u00e1ria de levar o Evangelho aos jovens, o que implica em um projeto educativo-pastoral;<br \/>2. O esp\u00edrito religioso que deve animar a vida dos salesianos;<br \/>3. O novo papel da comunidade salesiana como animadora da comunidade educativa pastoral (CEP), consequ\u00eancia da constata\u00e7\u00e3o de que os religiosos n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos agentes do Evangelho e s\u00e3o chamados a se tornarem formadores e animadores dos leigos.<br \/>Isso especificou o tema principal do Cap\u00edtulo: \u201cSer testemunhas e anunciar o Evangelho: duas exig\u00eancias da vida salesiana entre os jovens\u201d. Ao mesmo tempo, foram feitas outras escolhas fundamentais:<br \/>&#8211; Tornar a catequese o terreno natural e mais f\u00e9rtil para a renova\u00e7\u00e3o de toda a comunidade da Igreja.<br \/>&#8211; Permitir que a Congrega\u00e7\u00e3o tenha mais seis anos para conhecer, assimilar e experimentar na pr\u00e1tica o texto constitucional, ao qual foram feitas melhorias sugeridas pela experi\u00eancia vivida, especialmente no que diz respeito \u00e0 corresponsabilidade dos leigos, \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do superior e \u00e0s comunidades de forma\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Sem d\u00favida, o CG21 representou uma renova\u00e7\u00e3o pastoral radical. A Congrega\u00e7\u00e3o sentiu-se desafiada pela Igreja e pela sociedade e, na conclus\u00e3o do primeiro cap\u00edtulo do Documento, \u201cOs Salesianos como evangelizadores da juventude\u201d, assumiu o compromisso de compreender melhor a nova realidade juvenil e enfrentar os novos desafios que ela apresentava (os fen\u00f4menos decorrentes da crescente seculariza\u00e7\u00e3o da sociedade, como a indiferen\u00e7a religiosa, o ate\u00edsmo pr\u00e1tico ou as seitas, a pobreza persistente do Terceiro Mundo e o surgimento de novas formas de pobreza, como o desemprego, a marginaliza\u00e7\u00e3o, a desintegra\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, a difus\u00e3o do erotismo e das drogas), elaborando o Projeto de Educa\u00e7\u00e3o Pastoral para n\u00e3o perder de vista o essencial, n\u00e3o inverter a hierarquia dos objetivos e garantir a qualidade dos programas educativos das obras.<a id=\"_ftnref15\" href=\"#_ftn15\">[15]<\/a><br \/><br \/><br \/><strong>2.3 O Cap\u00edtulo Geral 22<\/strong><a id=\"_ftnref16\" href=\"#_ftn16\"><strong>[16]<\/strong><\/a><strong> (1984)<br \/><em>Contexto eclesial e social<br \/><\/em><\/strong>O Cap\u00edtulo Geral 22 aconteceu quase vinte anos ap\u00f3s a conclus\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II e doze anos ap\u00f3s o CGE, per\u00edodos que geraram uma intensa fase de experimenta\u00e7\u00e3o e aprofundamento da identidade salesiana no novo horizonte conciliar.<br \/><br \/>A passagem do tempo ajudou a acalmar as mentes e a abordar a necessidade urgente de renova\u00e7\u00e3o com mais clareza e menos impulsividade.<br \/><br \/>Podemos afirmar \u2013 embora com a consci\u00eancia de que, quanto mais nos aproximamos do presente, maior \u00e9 o risco de interpreta\u00e7\u00f5es subjetivas \u2013 que naqueles anos ocorreu uma transforma\u00e7\u00e3o qualitativa na experi\u00eancia dos religiosos, tanto em n\u00edvel individual quanto institucional. A situa\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel e ca\u00f3tica das d\u00e9cadas anteriores deu lugar a uma determina\u00e7\u00e3o mais serena, mas n\u00e3o menos incisiva, de perseverar no compromisso com uma Igreja renovada e um mundo mais justo, sabendo que essas mudan\u00e7as n\u00e3o aconteceriam rapidamente. Assim come\u00e7ou uma segunda fase de renova\u00e7\u00e3o para a Congrega\u00e7\u00e3o. O fluxo substancial de sa\u00eddas j\u00e1 estava diminuindo. Algumas das experi\u00eancias apost\u00f3licas particulares, certos estilos de vida e modos pessoais de organiza\u00e7\u00e3o foram abandonados, enquanto o que estava funcionando foi consolidado e as energias redirecionadas.<br \/><br \/>\u00c9 dif\u00edcil apontar um evento espec\u00edfico que tenha acelerado essa mudan\u00e7a quase impercept\u00edvel. A realidade \u00e9 que, de repente, surgiu uma nova \u201clideran\u00e7a\u201d, em alguns casos com personalidades extraordin\u00e1rias. Os cap\u00edtulos e as assembleias inspetoriais come\u00e7aram a ser mais proativos, o entusiasmo voltou a muitos irm\u00e3os e a vida religiosa foi novamente percebida como uma alternativa vi\u00e1vel e significativa.<br \/><br \/><strong><em>Desafios a serem enfrentados: conclus\u00e3o do projeto de renova\u00e7\u00e3o.<br \/><\/em><\/strong>&#8211; Definir as diretrizes que orientariam o futuro da Congrega\u00e7\u00e3o na \u00f3rbita conciliar.<br \/>&#8211; Elaborar um projeto vocacional claro, atual e exigente, capaz de salvaguardar a identidade salesiana para enfrentar os complexos desafios do tempo. Da\u00ed a import\u00e2ncia de que as Novas Constitui\u00e7\u00f5es expressem a experi\u00eancia de santidade apost\u00f3lica j\u00e1 vivida em Valdocco, atrav\u00e9s de uma substancial continuidade e fidelidade din\u00e2mica entre o texto desejado por Dom Bosco e o fruto do CG22.<br \/><br \/><strong><em>Escolhas feitas: Aprova\u00e7\u00e3o final da nova Regra de Vida.<br \/><\/em><\/strong>O resultado final do trabalho capitular representou \u2013 nas palavras do Reitor-Mor \u2013 \u201cum texto org\u00e2nico, profundo, melhorado, impregnado de Evangelho, rico na genuinidade das origens, aberto \u00e0 universalidade e voltado para o futuro, s\u00f3brio e digno, denso de realismo equilibrado e de assimila\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios conciliares. \u00c9 um texto repensado comunitariamente em fidelidade a Dom Bosco e em resposta aos desafios dos tempos\u201d.<a id=\"_ftnref17\" href=\"#_ftn17\">[17]<\/a><br \/><br \/>De fato, o novo texto constitucional colocou na primeira parte, dedicada \u00e0 identidade e ao papel dos salesianos na Igreja, dois cap\u00edtulos fundamentais sobre o esp\u00edrito salesiano e a profiss\u00e3o religiosa. A segunda parte articulava os tr\u00eas elementos insepar\u00e1veis da voca\u00e7\u00e3o salesiana: a miss\u00e3o, a vida de comunh\u00e3o e a pr\u00e1tica dos conselhos evang\u00e9licos. Isso superou definitivamente a tend\u00eancia de enfatizar a primazia de um dos tr\u00eas aspectos em detrimento dos outros. Essa parte foi conclu\u00edda com o cap\u00edtulo sobre a vida de ora\u00e7\u00e3o. A terceira parte, dedicada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, e a quarta, sobre o servi\u00e7o da autoridade, mantiveram sua estrutura original.<a id=\"_ftnref18\" href=\"#_ftn18\">[18]<\/a><br \/><br \/>Desse modo, pudemos delinear fielmente um tipo concreto de vida, a experi\u00eancia de Dom Bosco e dos primeiros salesianos, capaz de inspirar e orientar o nosso projeto de \u201c<em>sequela Christi<\/em>\u201d para os jovens. Esse texto constitucional renovado condensa a doutrina espiritual, os crit\u00e9rios pastorais, as tradi\u00e7\u00f5es originais e as normas de vida, ou seja, o nosso pr\u00f3prio car\u00e1ter e o nosso itiner\u00e1rio espec\u00edfico de santidade. Como o P. Vigan\u00f2 destacou na Introdu\u00e7\u00e3o das Diretrizes Operacionais, \u201cos verdadeiros documentos do XXII Cap\u00edtulo Geral s\u00e3o os textos das <strong>Constitui\u00e7\u00f5es <\/strong>e dos <strong>Regulamentos Gerais<\/strong>\u201d.<br \/><br \/>A reda\u00e7\u00e3o final da Regra de Vida envolveu, entre outras coisas, a renova\u00e7\u00e3o da <strong>Ratio<\/strong>, que devia integrar o novo C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico e as novas Constitui\u00e7\u00f5es, incorporando ao mesmo tempo a contribui\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias humanas. A ideia central era que toda a forma\u00e7\u00e3o dos salesianos deveria ser coerente com a natureza de sua voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o espec\u00edfica como educadores e pastores dos jovens.<br \/><br \/>A Congrega\u00e7\u00e3o poderia, assim, inaugurar uma nova fase em sua hist\u00f3ria: fazer a transi\u00e7\u00e3o \u201cdo papel para a vida\u201d.<br \/><br \/><br \/><strong>2.4 O Cap\u00edtulo Geral 23<\/strong><a id=\"_ftnref19\" href=\"#_ftn19\"><strong>[19]<\/strong><\/a><strong> (1990)<br \/><em>Contexto eclesial e social<br \/><\/em><\/strong>No final do longo e fecundo per\u00edodo p\u00f3s-conciliar, dedicado \u00e0 ampla redefini\u00e7\u00e3o da identidade salesiana na Igreja e \u00e0 sua consequente aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, a Congrega\u00e7\u00e3o foi chamada a verificar a efic\u00e1cia da educa\u00e7\u00e3o salesiana na forma\u00e7\u00e3o da f\u00e9 dos jovens com os quais trabalhava e a atualizar os projetos educativo-pastorais das Inspetorias e das casas.<br \/><br \/>No cen\u00e1rio mundial, a humanidade estava testemunhando o colapso do comunismo e a configura\u00e7\u00e3o de uma nova ordem pol\u00edtica caracterizada pelo surgimento de uma \u00fanica superpot\u00eancia que elevaria a economia a um valor absoluto. Com o desaparecimento da bipolaridade pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social, uma nova sensibilidade cultural tamb\u00e9m come\u00e7ou a surgir. Durante o Cap\u00edtulo Geral, entretanto, a an\u00e1lise da realidade social teve relev\u00e2ncia limitada, emergindo principalmente por meio de seu impacto sobre os jovens.<br \/><br \/>\u201cNos \u00faltimos anos, houve uma crise de ideologias e de ideias fortes e determinantes. Em seu lugar, surgiu o pensamento fraco da p\u00f3s-modernidade, caracterizado tanto pelo respeito e abertura a todas as correntes de culturas, quanto pelo relativismo \u00e9tico, subjetivismo e fragmenta\u00e7\u00e3o social&#8230; Para os jovens, o desemprego, a desintegra\u00e7\u00e3o de muitas fam\u00edlias, o fen\u00f4meno generalizado do secularismo, a indiferen\u00e7a religiosa, bem como o de uma nova religiosidade \u00e0 moda da <em>nova era <\/em>tornaram-se mais preocupantes.\u201d<a id=\"_ftnref20\" href=\"#_ftn20\">[20]<\/a><br \/><br \/>A realidade juvenil era, portanto, muito complexa, variada e desafiadora. Surgiu, portanto, a necessidade de conhecer e compreender em profundidade os contextos nos quais os jovens viviam \u2013 ou lutavam para viver \u2013 e nos quais eram chamados a realizar seu crescimento humano e religioso, contextos nos quais os salesianos deviam acompanh\u00e1-los:<br \/>&#8211; Contextos caracterizados pela abund\u00e2ncia de bens materiais.<br \/>&#8211; Contextos marcados pelo empobrecimento econ\u00f4mico, pol\u00edtico e cultural.<br \/>&#8211; Contextos influenciados pela presen\u00e7a de antigas e grandes religi\u00f5es.<br \/>&#8211; Contextos em que um processo irrevers\u00edvel de independ\u00eancia do colonialismo estava em andamento.<br \/>&#8211; Contextos do \u00eaxodo de regimes autorit\u00e1rios para diferentes sistemas de vida social e pol\u00edtica.<br \/>&#8211; Comunidade ind\u00edgena e contextos de minorias \u00e9tnicas.<br \/><br \/><strong><em>Desafios a serem enfrentados: educar os jovens \u00e0 f\u00e9<br \/><\/em><\/strong>O tema surgiu da experi\u00eancia dos anos anteriores, das dificuldades encontradas tanto pelos jovens quanto pela comunidade salesiana, mas tamb\u00e9m da promessa de fidelidade a Dom Bosco, renovada em 14 de maio de 1988, na celebra\u00e7\u00e3o do centen\u00e1rio de sua morte.<br \/><br \/>Percebeu-se que educar os jovens \u00e0 f\u00e9 estava se tornando uma miss\u00e3o cada vez mais complexa em todos os ambientes de presen\u00e7a salesiana, consequ\u00eancia de uma cultura emergente que exigia um repensar tanto da metodologia quanto do conte\u00fado da educa\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9.<br \/><br \/>Esse compromisso exigia nunca perder de vista a fun\u00e7\u00e3o \u201cunificadora e iluminadora\u201d da f\u00e9 e, portanto, recuper\u00e1-la, prop\u00f4-la e saber torn\u00e1-la significativa para os jovens como um elemento vital para o amadurecimento integral da pessoa.<br \/><br \/>Significava assumir a tarefa de educar os jovens nos valores da dignidade humana, da supera\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo, da reconcilia\u00e7\u00e3o, da grandeza crist\u00e3 de ser capaz de perdoar e sentir-se perdoado.<br \/><br \/>Tratava-se de cultivar o amor, formando as mentes e os cora\u00e7\u00f5es dos jovens para que eles pudessem perceber claramente a suprema centralidade da Eucaristia na vida crist\u00e3.<br \/><br \/>Por fim, envolveu saber como interpretar e apresentar o significado da vida como uma voca\u00e7\u00e3o, com a consci\u00eancia de que cada jovem representa um projeto humano a ser descoberto e constru\u00eddo \u00e0 luz da consci\u00eancia de ser \u201ca imagem de Deus\u201d.<br \/><br \/><strong><em>Escolhas feitas: Proposta de espiritualidade dos jovens<br \/><\/em><\/strong>A partir dos desafios colocados pela realidade juvenil em seus diversos contextos, os capitulares tra\u00e7aram um caminho de educa\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 para os jovens, oferecendo-lhes uma proposta de vida crist\u00e3 significativa e de espiritualidade juvenil salesiana.<br \/><br \/>O CG23 optou por considerar o destinat\u00e1rio da miss\u00e3o salesiana como o fruto maduro do seu empenho educativo, apresentando-o como um jovem educado na f\u00e9, que escolhe a vida, que sai ao encontro de Jesus, que participa ativamente da comunidade eclesial e que descobre o seu lugar no Reino, com um enfoque especial na \u201cforma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia, na educa\u00e7\u00e3o ao amor e na dimens\u00e3o social da f\u00e9\u201d (CG23, 182-214).<br \/><br \/>N\u00e3o se tratava, portanto, de reduzir o tamanho das obras (embora essa fosse uma tarefa importante), mas de repensar e renovar a miss\u00e3o, ou seja, a qualidade da proposta educativo-pastoral. O objetivo era menos criar novas presen\u00e7as e mais criar <em>uma nova presen\u00e7a, uma forma inovadora de estar presente <\/em>onde o trabalho j\u00e1 estava sendo feito.<br \/><br \/>Mais uma vez a Congrega\u00e7\u00e3o se sentiu chamada a relan\u00e7ar com toda a energia a atitude do \u201c<em>da mihi animas<\/em>\u201d, testemunhada por Dom Bosco com originalidade pastoral, transformando as comunidades em \u201csinal de f\u00e9, escola de f\u00e9 e centro de comunh\u00e3o\u201d (CG23, 215-218).<br \/><br \/><strong>2.5 O Cap\u00edtulo Geral 24<\/strong><a id=\"_ftnref21\" href=\"#_ftn21\"><strong>[21]<\/strong><\/a><strong> (1996)<br \/><em>Contexto eclesial e social<br \/><\/em><\/strong>O Cap\u00edtulo Geral 24 ocorreu no contexto de tr\u00eas eventos eclesiais significativos que influenciaram profundamente seu desenvolvimento: Em primeiro lugar, o desafio da <em>Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/em>, iniciado pelo Conc\u00edlio Vaticano II e posteriormente assumido por Jo\u00e3o Paulo II como um programa pastoral; em segundo lugar, o S\u00ednodo para os Leigos, que os exortou a viver sua voca\u00e7\u00e3o batismal com maior comprometimento nas esferas eclesial e social, princ\u00edpios posteriormente codificados na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Christifideles Laici<\/em>; por fim, o S\u00ednodo sobre \u201cA vida consagrada e sua miss\u00e3o na Igreja e no mundo\u201d, que atualizou a doutrina conciliar sobre a vida religiosa, adaptando-a \u00e0s novas exig\u00eancias culturais, tudo isso expresso no esclarecedor documento <em>Vita consecrata<\/em>, repleto de consequ\u00eancias positivas.<br \/><br \/>Em n\u00edvel global, a hist\u00f3ria testemunhava o surgimento de um novo cen\u00e1rio econ\u00f4mico, pol\u00edtico, social e cultural, ap\u00f3s os eventos que marcaram o fim do conflito Leste-Oeste. V\u00e1rias tend\u00eancias j\u00e1 estavam exercendo uma influ\u00eancia consider\u00e1vel sobre a vida e a a\u00e7\u00e3o salesiana:<br \/>&#8211; A primazia da economia, apoiada pelo neoliberalismo, resultando no empobrecimento de grande parte do mundo.<br \/>&#8211; A ambival\u00eancia da comunica\u00e7\u00e3o que, por um lado, promoveu a integra\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses e, por outro, causou profundas mudan\u00e7as culturais.<br \/>&#8211; A perda do papel privilegiado da fam\u00edlia e da educa\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o da pessoa, diante do poder crescente de outros agentes educacionais e de outros modos de organiza\u00e7\u00e3o familiar.<br \/>&#8211; A crescente import\u00e2ncia das mulheres na sociedade e a necessidade de mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s especificidades femininas.<br \/>&#8211; O ressurgimento de uma face m\u00faltipla do fen\u00f4meno religioso exigiu uma espiritualidade mais profunda e um foco no di\u00e1logo ecum\u00eanico e inter-religioso.<br \/><br \/><strong><em>Desafios a serem enfrentados: criar sinergia entre SDB e os colaboradores<br \/><\/em><\/strong>Eles aspiravam a multiplicar o n\u00famero de pessoas dispostas a viver seu batismo no campo da educa\u00e7\u00e3o e da cultura, revalorizando a pr\u00f3pria realidade secular como um aut\u00eantico lugar teol\u00f3gico.<br \/><br \/>Era necess\u00e1rio verificar e relan\u00e7ar o \u201cprojeto laical\u201d de acordo com as exig\u00eancias da <em>Lumen Gentium <\/em>(cap\u00edtulo IV), da <em>Gaudium et Spes<\/em>, do decreto <em>Apostolicam Actuositatem <\/em>e da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Christifideles Laici<\/em>, em sintonia com Dom Bosco, que havia compreendido a import\u00e2ncia fundamental de compartilhar a sua miss\u00e3o juvenil e popular com um vasto movimento de pessoas.<br \/><br \/>A inten\u00e7\u00e3o era reunir salesianos e leigos em um novo paradigma de rela\u00e7\u00f5es, dentro de uma eclesiologia de comunh\u00e3o, n\u00e3o tanto para compensar a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de salesianos, mas para alcan\u00e7ar uma maior complementaridade na miss\u00e3o comum.<br \/><br \/>Era essencial orientar os salesianos para a sua tarefa priorit\u00e1ria: dar prioridade \u00e0 anima\u00e7\u00e3o pastoral e pedag\u00f3gica, e dedicar-se com maior empenho \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos colaboradores e correspons\u00e1veis, acima de qualquer outro compromisso.<br \/><br \/>A inten\u00e7\u00e3o era iniciar um caminho de forma\u00e7\u00e3o comum entre salesianos e leigos, centrado no esp\u00edrito e na miss\u00e3o de Dom Bosco, para promover uma aut\u00eantica troca de dons.<br \/><br \/>Era essencial revalorizar a dimens\u00e3o secular da Congrega\u00e7\u00e3o, expressa na escolha do campo da cultura, da educa\u00e7\u00e3o e da promo\u00e7\u00e3o humana da juventude carente, com uma sensibilidade cultural especial para as classes trabalhadoras. Era vital e promissor poder compartilhar compromissos no campo da cultura e da educa\u00e7\u00e3o com pessoas que cultivavam valores seculares \u201ca partir de dentro\u201d.<br \/><br \/><strong><em>Escolhas feitas: Envolvimento e forma\u00e7\u00e3o de colaboradores leigos<br \/><\/em><\/strong>Uma caracter\u00edstica marcante do Cap\u00edtulo Geral 24 foi a presen\u00e7a ativa, pela primeira vez em um evento dessa natureza, de 21 leigos. A convic\u00e7\u00e3o de que a nova evangeliza\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderiam ser alcan\u00e7adas sem a colabora\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e qualificada dos leigos foi se enraizando cada vez mais. As comunidades salesianas deviam agora se equipar para se tornar o \u201cn\u00facleo animador\u201d de uma comunidade educativo-pastoral e o centro dinamizador da Fam\u00edlia Salesiana, onde salesianos, leigos e membros da Fam\u00edlia Salesiana pudessem compartilhar plenamente o esp\u00edrito e a miss\u00e3o de Dom Bosco. Isso teve consequ\u00eancias importantes:<br \/>&#8211; Qualificar a forma\u00e7\u00e3o dos leigos, ajudando-os a crescer na gra\u00e7a da unidade, elemento central do esp\u00edrito de Dom Bosco, que mant\u00e9m uma tens\u00e3o harm\u00f4nica entre f\u00e9 e mundo, Deus e homem, mist\u00e9rio e hist\u00f3ria. Somente assim se poderia superar o horizontalismo e o verticalismo, o secularismo e o espiritualismo (cf. <em>Christifideles Laici <\/em>59).<br \/>&#8211; Ampliar o envolvimento dos leigos nas obras, com uma atitude pessoal e comunit\u00e1ria que d\u00ea testemunho de sua fraternidade batismal e de sua responsabilidade apost\u00f3lica comum, confiando nos compromissos que lhes s\u00e3o confiados.<br \/>&#8211; No n\u00edvel da Fam\u00edlia Salesiana, promover a corresponsabilidade, criando espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o e fortalecendo a comunica\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/><br \/><strong>2.6 O Cap\u00edtulo Geral 25<\/strong><a id=\"_ftnref22\" href=\"#_ftn22\"><strong>[22]<\/strong><\/a><strong> (2002)<br \/><em>Contexto eclesial e social<br \/><\/em><\/strong>O fen\u00f4meno social e cultural mais relevante daqueles anos foi, sem d\u00favida, o individualismo, que se manifestou n\u00e3o apenas no n\u00edvel econ\u00f4mico \u2013 em sua forma neoliberal \u2013 ou na pol\u00edtica, mas, acima de tudo, na vida cotidiana: \u201cSer voc\u00ea mesmo, viver livremente sem repress\u00e3o, escolher seu pr\u00f3prio modo de vida, s\u00e3o as aspira\u00e7\u00f5es e o direito que nossos contempor\u00e2neos consideram mais leg\u00edtimos.\u201d<a id=\"_ftnref23\" href=\"#_ftn23\">[23]<\/a><br \/><br \/>Essa cultura da subjetividade, fortemente focada na liberdade e na responsabilidade pessoais, dificultou a transi\u00e7\u00e3o para uma cultura de comunh\u00e3o. Isso era verdade tanto para a esfera eclesial, onde muitos dos fi\u00e9is entendiam a f\u00e9 como um fato privado, quanto para a vida religiosa, na qual havia uma dicotomia crescente entre o desejo de comunh\u00e3o \u2013 entendido como aceita\u00e7\u00e3o da pessoa e relacionamentos interpessoais profundos \u2013 e a \u201csaciedade\u201d da vida comunit\u00e1ria, que relativizava as pr\u00e1ticas comuns.<br \/><br \/>Ao mesmo tempo, havia um sentimento generalizado de solid\u00e3o e uma forte necessidade de encontro e compartilhamento, especialmente evidente no mundo da juventude e da Igreja; nesse contexto, a fraternidade poderia ser um sinal de esperan\u00e7a e profecia.<br \/><br \/><strong><em>Desafios a serem enfrentados: criar um modelo de comunidade que seja humanamente significativo, pastoralmente prof\u00e9tico, vocacionalmente atraente e propositivo.<br \/><\/em><\/strong><br \/>O novo modelo pastoral, que previa uma presen\u00e7a cada vez maior dos leigos nas tarefas de anima\u00e7\u00e3o e governo das obras, exigia um estilo de comunidade capaz de levantar quest\u00f5es: como a comunidade deveria ser estruturada de modo a ser visivelmente evang\u00e9lica, autenticamente fraterna, animadora e vocacionalmente convocadora?<br \/><br \/>Da\u00ed a necessidade de reavivar em cada um a consci\u00eancia de ser chamado a viver a fraternidade em Cristo com maior sentido, alegria e transpar\u00eancia, como resposta \u00e0s profundas aspira\u00e7\u00f5es do nosso cora\u00e7\u00e3o, para que, em meio aos jovens, possamos realmente testemunhar o amor de Deus e tornar-nos centros de anima\u00e7\u00e3o espiritual da CEP e da Fam\u00edlia Salesiana.<br \/><br \/>Ao mesmo tempo, surgiu um desequil\u00edbrio entre a quantidade \u2013 e a complexidade \u2013 das obras e os recursos humanos: a diminui\u00e7\u00e3o e o envelhecimento dos salesianos contrastavam com o crescimento das obras e a multiplica\u00e7\u00e3o das estruturas. Isso resultou em cansa\u00e7o f\u00edsico, estresse psicol\u00f3gico e superficialidade espiritual em n\u00edvel pessoal, bem como em divis\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o do projeto comunit\u00e1rio, o que tornou est\u00e9reis muitos esfor\u00e7os educativo-pastorais.<br \/><br \/>A Congrega\u00e7\u00e3o, portanto, se viu discernindo novas formas de vida comunit\u00e1ria capazes de responder \u00e0s exig\u00eancias da <em>sequela Christi <\/em>e da miss\u00e3o. O objetivo era determinar condi\u00e7\u00f5es concretas que permitissem viver de modo din\u00e2mico e eficaz a fraternidade apost\u00f3lica consagrada.<br \/><br \/><strong><em>Escolhas feitas<br \/><\/em><\/strong>As decis\u00f5es tomadas visavam alcan\u00e7ar o que o P. Vecchi indicou como o \u201cponto de chegada principal e terminal\u201d do CG 25: \u201cencontrar maneiras eficazes de motivar novamente as comunidades a manifestar sua identidade religiosa com simplicidade e clareza em novas situa\u00e7\u00f5es; determinar as condi\u00e7\u00f5es ou crit\u00e9rios essenciais que permitem, ou melhor, estimulam nossa fraternidade professa a viver de maneira alegre e humanamente significativa, seguindo Cristo\u201d.<a id=\"_ftnref24\" href=\"#_ftn24\">[24]<\/a><br \/><br \/><br \/><strong>2.7 Cap\u00edtulo Geral 26 (2008)<br \/><\/strong>O CG 26 se concentrou no tema \u201c<em>Da mihi animas, cetera tolle<\/em>\u201d: identidade carism\u00e1tica e paix\u00e3o apost\u00f3lica.<br \/><br \/>O objetivo fundamental do Cap\u00edtulo Geral 26 era fortalecer nossa identidade carism\u00e1tica por meio de um retorno a Dom Bosco, despertando no cora\u00e7\u00e3o de cada irm\u00e3o a paix\u00e3o do \u201c<em>Da mihi animas, cetera tolle<\/em>\u201d.<br \/><br \/>A determina\u00e7\u00e3o e o compromisso de come\u00e7ar de novo a partir do fundador n\u00e3o s\u00e3o um sinal de crise, mas sim um crit\u00e9rio de autenticidade e fidelidade, enraizado na convic\u00e7\u00e3o de que em seu carisma e em sua vida n\u00e3o residem apenas os elementos que inspiraram o passado, mas tamb\u00e9m aqueles que se revelam como profecia para o futuro.<br \/><br \/>Para atingir esse objetivo, era necess\u00e1rio, antes de tudo, um conhecimento mais profundo de Dom Bosco. Havia um s\u00e9rio risco de romper os v\u00ednculos vitais que nos mantinham unidos a ele: j\u00e1 havia passado mais de um s\u00e9culo de sua morte e os salesianos das primeiras gera\u00e7\u00f5es que o conheceram pessoalmente haviam morrido. A dist\u00e2ncia cronol\u00f3gica, geogr\u00e1fica e cultural do fundador estava se ampliando, privando-nos daquele clima espiritual e daquela proximidade psicol\u00f3gica que permitiam uma refer\u00eancia espont\u00e2nea a Dom Bosco e ao seu esp\u00edrito. Se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos reavivado nossas ra\u00edzes, correr\u00edamos o risco de n\u00e3o ter futuro nem direito \u00e0 cidadania. Por isso, era necess\u00e1rio estud\u00e1-lo, am\u00e1-lo, imit\u00e1-lo e invoc\u00e1-lo: conhec\u00ea-lo como mestre de vida, a cuja espiritualidade nos atra\u00edmos como filhos e disc\u00edpulos; como fundador, que nos indicou o caminho da fidelidade vocacional; como educador, que nos deixou como heran\u00e7a preciosa o \u201csistema preventivo\u201d; e como legislador, porque as Constitui\u00e7\u00f5es, elaboradas diretamente por ele e depois pela hist\u00f3ria salesiana, nos ofereceram uma leitura carism\u00e1tica do Evangelho e do seguimento de Cristo.<br \/><br \/>O chamado para voltar aos jovens \u2013 nossa miss\u00e3o, nossa raz\u00e3o, nossa p\u00e1tria \u2013 permaneceu sempre urgente, para que pud\u00e9ssemos ser mais competentes entre eles. \u00c9 verdade que, j\u00e1 naquela \u00e9poca, lut\u00e1vamos para acompanhar os jovens, para compreender a sua cultura e amar o seu mundo; mas o verdadeiro salesiano n\u00e3o abandonava o campo juvenil. Um salesiano era aquele que possu\u00eda um conhecimento vital dos jovens: seu cora\u00e7\u00e3o batia onde batia o cora\u00e7\u00e3o dos jovens. Ele vivia para eles, existia para seus problemas, suas expectativas, seus sonhos.<br \/><br \/><strong><em>Os desafios aos quais eles queriam responder<br \/><\/em><\/strong>No n\u00edvel das tend\u00eancias fundamentais, foi necess\u00e1rio reconhecer a exist\u00eancia de duas \u201cdin\u00e2micas transversais\u201d que caracterizam a mudan\u00e7a hist\u00f3rica que estamos vivenciando atualmente: por um lado, uma tend\u00eancia \u00e0 homogeneidade cultural, que busca replicar o modelo ocidental eliminando as diferen\u00e7as; por outro lado, contrastes culturais de motiva\u00e7\u00e3o religiosa que levam a uma diferencia\u00e7\u00e3o crescente, por exemplo, entre o Isl\u00e3 e o Ocidente, entre a sociedade secularizada e o cristianismo.<br \/><br \/>Do ponto de vista econ\u00f4mico, h\u00e1 a difus\u00e3o universal do modelo neoliberal, baseado no sistema de mercado, que tende a prevalecer sobre os demais valores humanos das pessoas e dos povos. Do ponto de vista cultural, est\u00e1 se impondo um processo de homologa\u00e7\u00e3o das culturas em rela\u00e7\u00e3o ao modelo ocidental, com a gradual dissolu\u00e7\u00e3o das peculiaridades culturais e pol\u00edticas dos povos.<br \/><br \/>O impacto da m\u00eddia e a revolu\u00e7\u00e3o da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o geram mudan\u00e7as profundas nos costumes, na distribui\u00e7\u00e3o de riqueza, na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, por meio de uma cultura de m\u00eddia e de uma sociedade da informa\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Em n\u00edvel social e cultural, surge uma forte tend\u00eancia \u00e0 \u201cmobilidade humana\u201d, manifestada por massas que migram para pa\u00edses de riqueza e prosperidade. O \u201cdesafio da pobreza\u201d, da fome, das doen\u00e7as e do subdesenvolvimento persiste, juntamente com os problemas decorrentes da explora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e menores nas formas tr\u00e1gicas de marginaliza\u00e7\u00e3o, trabalho infantil, turismo sexual, mendic\u00e2ncia, crian\u00e7as de rua, delinqu\u00eancia juvenil, crian\u00e7as-soldado e mortalidade infantil. A \u201cmentalidade consumista\u201d se espalha por toda parte, tanto nos pa\u00edses ricos quanto nos pa\u00edses em desenvolvimento.<br \/><br \/>Naturalmente, os desafios surgem tamb\u00e9m dentro da pr\u00f3pria Congrega\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o de natureza diferente: o envelhecimento dos irm\u00e3os em algumas \u00e1reas, a disparidade das condi\u00e7\u00f5es de vida dos salesianos em rela\u00e7\u00e3o a contextos de pobreza e mis\u00e9ria. H\u00e1 tamb\u00e9m um impacto diferente da cultura juvenil, com suas atitudes e modelos de vida, sobre a vida pessoal e comunit\u00e1ria dos membros; a dificuldade de lidar com um mundo juvenil extremamente variado em termos de ideias e comportamentos; as diferentes \u00eanfases na rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o e evangeliza\u00e7\u00e3o; as diferentes sensibilidades em rela\u00e7\u00e3o ao impacto social da nossa miss\u00e3o de promo\u00e7\u00e3o humana. Em alguns lugares persistem a superficialidade espiritual, o genericismo pastoral, o distanciamento do mundo juvenil, os problemas relativos \u00e0 incultura\u00e7\u00e3o do carisma, o pouco conhecimento de Dom Bosco e de sua obra.<br \/><br \/><strong><em>Escolhas feitas<br \/><\/em><\/strong>&#8211; A urg\u00eancia de evangelizar, de pro-vocar e de chamar os jovens a seguir Cristo, seguindo os passos de Dom Bosco.<br \/>&#8211; Orienta\u00e7\u00e3o decidida para novas fronteiras: compromisso com a \u201cjuventude pobre\u201d, a \u201cfam\u00edlia\u201d e a presen\u00e7a como interlocutores cr\u00edticos da comunica\u00e7\u00e3o social.<br \/>&#8211; Iniciar \u201cnovos modelos\u201d de gest\u00e3o capazes de apoiar a miss\u00e3o salesiana com flexibilidade e agilidade.<br \/>&#8211; Finalmente, aten\u00e7\u00e3o cuidadosa e diligente \u00e0 revitaliza\u00e7\u00e3o da \u201cpresen\u00e7a salesiana na Europa\u201d.<br \/><br \/><br \/><strong>2.8 Cap\u00edtulo Geral 27 (2014)<br \/><\/strong>O CG 27 adotou como tema \u201cTestemunhas da radicalidade evang\u00e9lica\u201d<br \/><br \/>Pretendia nos guiar para uma compreens\u00e3o mais profunda de nossa identidade carism\u00e1tica, tornando-nos conscientes de nossa voca\u00e7\u00e3o de viver fielmente o projeto apost\u00f3lico de Dom Bosco. <em>A radicalidade de vida foi a energia interior de Dom Bosco<\/em>; ela alimentou sua incans\u00e1vel dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 salva\u00e7\u00e3o dos jovens e permitiu que a Congrega\u00e7\u00e3o florescesse.<a id=\"_ftnref25\" href=\"#_ftn25\">[25]<\/a><br \/><br \/>Radical \u00e9 aquele disc\u00edpulo que se deixa fascinar por Cristo e, consequentemente, est\u00e1 disposto a abandonar tudo (cf. Mt 19,21-22) para se identificar com Ele, \u201cassumindo seus sentimentos e seu modo de vida\u201d. Radical \u00e9 aquele ap\u00f3stolo que, como Paulo, \u201crenunciou a todas essas coisas e as considerou lixo, a fim de ganhar Cristo\u201d (Fl 3,8). De fato, somente uma convers\u00e3o plena <em>em Cristo<\/em><a id=\"_ftnref26\" href=\"#_ftn26\">[26]<\/a> , ou seja, <em>uma identifica\u00e7\u00e3o completa com a pessoa e a miss\u00e3o de Jesus<\/em>, garante \u201ca maneira mais radical de viver o evangelho nesta terra\u201d.<a id=\"_ftnref27\" href=\"#_ftn27\">[27]<\/a> Isso, por sua vez, gera um impulso renovado para a evangeliza\u00e7\u00e3o: aqueles que, como Jesus, t\u00eam apenas Deus e seu reino como causa, representam-no (\u201creapresentam-no\u201d) de forma confi\u00e1vel e cr\u00edvel.<a id=\"_ftnref28\" href=\"#_ftn28\">[28]<\/a><br \/><br \/>Como Reitor-Mor, eu havia enfatizado que, para n\u00f3s, salesianos, \u201co testemunho pessoal e comunit\u00e1rio da radicalidade evang\u00e9lica n\u00e3o \u00e9 simplesmente um aspecto que se coloca ao lado de outros, mas uma dimens\u00e3o fundamental da nossa vida\u201d. \u201cN\u00e3o pode ser reduzido apenas \u00e0 pr\u00e1tica dos conselhos evang\u00e9licos. Ela envolve todo o nosso ser, abrangendo seus componentes essenciais: o seguimento de Cristo, a vida fraterna em comunidade, a miss\u00e3o\u201d.<a id=\"_ftnref29\" href=\"#_ftn29\">[29]<\/a> E concretamente, \u201cpara enfrentar os desafios presentes e futuros da vida consagrada salesiana e da miss\u00e3o em toda a Congrega\u00e7\u00e3o, surge a necessidade de delinear o <em>perfil do novo <\/em>salesiano\u201d<a id=\"_ftnref30\" href=\"#_ftn30\">[30]<\/a> , chamado a ser: <em>m\u00edstico<\/em>, reconhecendo o primado absoluto de Deus; <em>profeta<\/em>, vivendo na e para a fraternidade evang\u00e9lica; <em>servidor<\/em>, dedicando-se inteiramente ao acompanhamento e ao cuidado dos jovens mais pobres e necessitados.<br \/><br \/>Aqui est\u00e3o as <strong><em>escolhas que <\/em><\/strong>somos chamados a fazer hoje:<br \/><br \/><em>&#8211; M\u00edsticos<\/em>: em um mundo que se sente cada vez mais claramente desafiado pelo secularismo, devemos \u201cencontrar uma resposta no <em>reconhecimento da primazia absoluta de Deus<\/em>\u201d por meio da \u201cdoa\u00e7\u00e3o total de si mesmo\u201d e na \u201cconvers\u00e3o permanente a uma vida oferecida como verdadeira adora\u00e7\u00e3o espiritual\u201d.<a id=\"_ftnref31\" href=\"#_ftn31\">[31]<\/a><br \/><br \/><em>&#8211; Profetas<\/em>: \u201cNo contexto multicultural e multirreligioso, h\u00e1 uma demanda por um testemunho de <em>fraternidade evang\u00e9lica<\/em>.\u201d Nossas comunidades religiosas s\u00e3o chamadas a viver corajosamente o evangelho como uma forma alternativa de vida e \u201cum est\u00edmulo para purificar e integrar valores diferentes por meio da reconcilia\u00e7\u00e3o das divis\u00f5es\u201d.<a id=\"_ftnref32\" href=\"#_ftn32\">[32]<\/a><br \/><br \/><em>&#8211; Servos<\/em>: \u201cA presen\u00e7a de novas formas de pobreza e marginaliza\u00e7\u00e3o deve despertar a criatividade no cuidado com os mais necessitados\u201d<a id=\"_ftnref33\" href=\"#_ftn33\">[33]<\/a>, que caracterizou o nascimento de nossa Congrega\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m marcar\u00e1 o renascimento de nossas Inspetorias, em benef\u00edcio dos jovens mais pobres e daqueles marginalizados por raz\u00f5es econ\u00f4micas, sexuais, raciais ou religiosas.<br \/><br \/><br \/><strong>2.9 Cap\u00edtulo Geral 28 (2020)<br \/>O CG 28 teve como tema \u201cQual salesiano para os jovens de hoje?\u201d.<br \/><\/strong><br \/>Sabemos muito bem como a Covid-19 afetou profundamente este Cap\u00edtulo Geral, que permaneceu, pela primeira vez na hist\u00f3ria, inacabado e sem um documento oficial do cap\u00edtulo, devido \u00e0 urg\u00eancia de concluir o trabalho mais cedo.<br \/><br \/>O Reitor-Mor, P. \u00c1ngel Fern\u00e1ndez Artime, ao apresentar as <strong>Reflex\u00f5es capitulares <\/strong>que se abrem com as linhas program\u00e1ticas, escreveu com intensidade: \u201cCreio que o documento que os senhores t\u00eam agora em m\u00e3os nos permitir\u00e1 aprofundar as motiva\u00e7\u00f5es eclesiais, carism\u00e1ticas e identit\u00e1rias que nos ajudar\u00e3o a continuar no caminho de fidelidade que, como Congrega\u00e7\u00e3o e de modo pessoal, desejamos continuar. Hoje, nosso mundo, a Igreja e os jovens, juntamente com suas fam\u00edlias, precisam de n\u00f3s, como ontem, para continuar a viver um caminho de fidelidade ao Senhor Jesus. Eles precisam de n\u00f3s como pessoas <em>significativas e corajosamente prof\u00e9ticas<\/em>. Que o Senhor nos conceda esse dom. Com mediocridade e medo, podemos oferecer aos jovens poucas coisas que n\u00e3o poder\u00e3o transformar suas vidas e ench\u00ea-las de significado\u201d (apresenta\u00e7\u00e3o RM, p.10, \u00eanfase original).<br \/><br \/>O que o Reitor-Mor fez, juntamente com seu Conselho, foi reunir cuidadosamente o que havia sido trabalhado durante os dias do Cap\u00edtulo, integrando tanto o trabalho que havia sido iniciado, mas n\u00e3o conclu\u00eddo, o que havia sido preparado pela <em>Comiss\u00e3o de Reda\u00e7\u00e3o<\/em>, quanto o valioso trabalho pr\u00e9-capitular das Inspetorias.<br \/><br \/><strong>O objetivo<\/strong>, nas palavras do pr\u00f3prio Reitor-Mor, era \u201ctornar-se <strong>um programa de a\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos seis anos<\/strong>, <em>em absoluta continuidade com o caminho anteriormente percorrido pela Congrega\u00e7\u00e3o <\/em>e que, tamb\u00e9m por isso, nos d\u00e1 for\u00e7a e coragem\u201d (Linhas program\u00e1ticas&#8230; p. 15, grifo pessoal).<br \/><br \/>\u00c0 luz do que o Reitor-Mor nos apresenta em suas \u201c<em>Reflex\u00f5es capitulares<\/em>\u201d na conclus\u00e3o do CG28, <strong>o salesiano para os jovens de hoje <\/strong>\u00e9 chamado a<br \/><br \/>1. Reafirmar a <strong>centralidade da miss\u00e3o <\/strong>(C.3), que n\u00e3o consiste simplesmente em obras ou atividades, mas em ser aut\u00eanticas \u201c<em>testemunhas e portadores do amor de Deus para os jovens, especialmente os mais pobres e abandonados<\/em>\u201d (C.2). Essa voca\u00e7\u00e3o deve ser manifestada de modo vis\u00edvel, como j\u00e1 indicava <strong>o CG23<\/strong>, que havia delineado o salesiano como \u201cpastor-educador dos jovens\u201d.<br \/><br \/>2. Recuperar plenamente a consci\u00eancia de que <strong>a miss\u00e3o \u00e9 vivida em comunidade<\/strong>, verdadeiro sujeito da miss\u00e3o (C.49), e que, portanto, deve ser vivida com um profundo sentido de perten\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que \u00e9 a pr\u00f3pria comunidade que envia cada irm\u00e3o e lhe confia fun\u00e7\u00f5es e tarefas espec\u00edficas, em conson\u00e2ncia com o que foi pedido pelo <strong>CG 25<\/strong>, que visava renovar a Congrega\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da renova\u00e7\u00e3o da Comunidade.<br \/><br \/>3. Reconhecer que a miss\u00e3o hoje se realiza <strong>em corresponsabilidade com os leigos<\/strong>, dando origem a um aut\u00eantico \u201c<strong>novo sujeito pastoral\u201d<\/strong>, como j\u00e1 pedia <strong>o CG24<\/strong>, que exortava a uma mudan\u00e7a de mentalidade no salesiano para que ele compartilhasse com os leigos n\u00e3o s\u00f3 o trabalho, mas tamb\u00e9m o esp\u00edrito e a miss\u00e3o.<br \/><br \/>Tudo isso exigia <strong>colocar-se em um \u201cestado de aprendizado cont\u00ednuo\u201d <\/strong>para<br \/>a. Crescer na <strong>identidade carism\u00e1tica<\/strong>, conforme exigido pelo <strong>CG26;<br \/><\/strong>b. Garantir <strong>a interioridade apost\u00f3lica;<br \/><\/strong>c. Alcan\u00e7ar a <strong>gra\u00e7a da unidade<\/strong>, como desejava o <strong>CG27<\/strong>, tra\u00e7ando um perfil do salesiano como \u201cm\u00edstico no esp\u00edrito\u201d, \u201cprofeta da comunh\u00e3o\u201d, \u201cservidor dos jovens\u201d.<br \/><br \/>Aqui est\u00e3o as <strong>Linhas Program\u00e1ticas <\/strong>que definem, \u00e0 maneira de um \u201cverdadeiro roteiro\u201d, o caminho da Congrega\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos anos:<br \/><br \/>1. <strong>Salesianos de Dom Bosco para sempre<\/strong>. Um sex\u00eanio para crescer na identidade salesiana (<em>voltar a Cristo como consagrados: assumir o estilo de vida obediente, pobre e casto de Jesus \u2013 voltar a Dom Bosco como salesianos: identifica\u00e7\u00e3o com o projeto apost\u00f3lico de Dom Bosco, as Constitui\u00e7\u00f5es<\/em>).<br \/><br \/>2. Em uma Congrega\u00e7\u00e3o onde somos convidados pelo \u201c<strong><em>da mihi animas, cetera tolle<\/em><\/strong>\u201d (traduzido em um compromisso renovado com a evangeliza\u00e7\u00e3o <em>\u2013 prioridade do primeiro an\u00fancio em sintonia com a \u201cEvangelii Gaudium\u201d<\/em>).<br \/><br \/>3. Viver o \u201c<strong>sacramento salesiano da presen\u00e7a<\/strong>\u201d (<em>assist\u00eancia renovada caracterizada pela presen\u00e7a \u2013 escuta \u2013 acompanhamento [Carta de Roma e Christus Vivit]<\/em>).<br \/><br \/>4. Forma\u00e7\u00e3o para ser <strong>pastores salesianos hoje <\/strong>(<em>forma\u00e7\u00e3o para e na miss\u00e3o: para uma consci\u00eancia sempre maior da forma\u00e7\u00e3o permanente e do fato de que a comunidade \u00e9 o lugar privilegiado, garantindo a qualidade de todo o processo<\/em>).<br \/><br \/>5. <strong>Prioridade absoluta <\/strong>para os jovens, os mais pobres, os mais abandonados e indefesos (um imperativo ainda mais necess\u00e1rio no contexto da atual crise econ\u00f4mica e social. \u00c9 uma escolha que n\u00e3o admite exce\u00e7\u00f5es, porque <em>n\u00e3o \u00e9 ideol\u00f3gica, mas carism\u00e1tica<\/em>).<br \/><br \/>6. <strong>Junto com os leigos na miss\u00e3o e na forma\u00e7\u00e3o<\/strong>. A for\u00e7a carism\u00e1tica oferecida pelos leigos e pela Fam\u00edlia Salesiana (<em>comunh\u00e3o ou senso de perten\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o ou senso de corresponsabilidade pelo carisma e pela miss\u00e3o<\/em>).<br \/><br \/>7. \u00c9 hora de haver <strong>mais generosidade na congrega\u00e7\u00e3o<\/strong>. Uma congrega\u00e7\u00e3o universal e mission\u00e1ria (<em>requer concretamente disponibilidade total para suas necessidades de servi\u00e7o ou miss\u00e3o<\/em>).<br \/><br \/>8. Acompanhar os jovens em dire\u00e7\u00e3o a um <strong>futuro sustent\u00e1vel <\/strong>(\u201c<em>alian\u00e7a verde\u201d; <\/em>n\u00e3o se trata de uma simples defesa dos \u201cecossistemas\u201d, mas da promo\u00e7\u00e3o de uma \u201cecologia integral\u201d na perspectiva da <em>Laudato si<\/em>).<br \/><br \/>O elemento inspirador e unificador de toda essa articula\u00e7\u00e3o foi <strong>a Mensagem do Papa Francisco aos membros do CG28 <\/strong>e seu <em>convite <\/em>premente <em>para reavivar o carisma de Dom Bosco<\/em>.<br \/><br \/>Em suma, trata-se de <strong>voltar para Valdocco<\/strong>:<br \/>&#8211; a \u201cop\u00e7\u00e3o Valdocco\u201d e o dom da juventude;<br \/>&#8211; a \u201cop\u00e7\u00e3o Valdocco\u201d e o carisma da presen\u00e7a;<br \/>&#8211; a \u201cop\u00e7\u00e3o Valdocco\u201d na pluralidade de idiomas (multiculturalismo);<br \/>&#8211; a \u201cop\u00e7\u00e3o Valdocco\u201d e a capacidade de sonhar.<br \/><br \/><strong>Em \u00faltima an\u00e1lise, isso significa reavivar o carisma de Dom Bosco, \u201cser outros Dom Bosco hoje\u201d, para poder responder com fidelidade criativa e din\u00e2mica aos novos desafios da miss\u00e3o e dos jovens de nosso tempo.<br \/><\/strong><br \/><br \/><strong>2.10 Cap\u00edtulo Geral 29 (2025)<br \/><\/strong>O CG29 adotou como tema \u201cApaixonados por Cristo \u2013 dedicados aos jovens\u201d <em>para uma vida fiel e prof\u00e9tica da nossa voca\u00e7\u00e3o salesiana<\/em>.<br \/><br \/>Este Cap\u00edtulo foi influenciado em grande parte pela nomea\u00e7\u00e3o do Reitor-Mor, P. \u00c1ngel Fern\u00e1ndez Artime, como Cardeal da Santa Igreja, que ocorreu em meados do sex\u00eanio, com consequ\u00eancias significativas, inclusive a convoca\u00e7\u00e3o do CG29, que foi antecipado em um ano.<br \/><br \/>Conforme exigido pelas Constitui\u00e7\u00f5es, o Cap\u00edtulo foi inicialmente presidido pelo Vig\u00e1rio, P. Stefano Martoglio, at\u00e9 a elei\u00e7\u00e3o do novo Reitor-Mor, P. Fabio Attard. Este \u00faltimo, embora n\u00e3o fosse originalmente um membro do Cap\u00edtulo, guiou sabiamente o trabalho at\u00e9 sua conclus\u00e3o.<br \/><br \/>Apesar dessas circunst\u00e2ncias especiais, o Cap\u00edtulo aprofundou os tr\u00eas n\u00facleos tem\u00e1ticos considerados de fundamental import\u00e2ncia pelo Reitor-Mor:<br \/>&#8211; \u201cAnimar e cuidar da verdadeira vida de cada salesiano\u201d;<br \/>&#8211; \u201cJuntos Salesianos, Fam\u00edlia Salesiana e Leigos \u2018com\u2019 e \u2018para\u2019 os jovens\u201d;<br \/>&#8211; \u201cUma revis\u00e3o corajosa e um redesenho da governo da congrega\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis\u201d.<br \/><br \/>O <em>contexto <\/em>hist\u00f3rico em que o Cap\u00edtulo ocorreu foi uma p\u00e1gina dram\u00e1tica da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea, caracterizada por uma situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica tensa, com in\u00fameros conflitos em andamento e o crescente perigo de uma guerra nuclear. Ao mesmo tempo, a Igreja estava passando pelo \u201cS\u00ednodo para um Caminho Sinodal\u201d e pelo Jubileu da Esperan\u00e7a. Para a congrega\u00e7\u00e3o, esse per\u00edodo coincidiu com a celebra\u00e7\u00e3o do 150\u00ba anivers\u00e1rio da primeira expedi\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e com uma profunda mudan\u00e7a no rosto da congrega\u00e7\u00e3o cada vez mais multicultural.<br \/><br \/><em>As delibera\u00e7\u00f5es <\/em>adotadas pela Assembleia do Cap\u00edtulo, de acordo com o tema geral e os tr\u00eas n\u00facleos tem\u00e1ticos, foram articuladas no documento final:<br \/><br \/><strong><em>Salesianos apaixonados por Jesus Cristo e dedicados aos jovens<br \/><\/em><\/strong>O tema escolhido pelo Reitor-Mor, P. \u00c1ngel Fern\u00e1ndez, para o nosso Cap\u00edtulo aborda a pr\u00f3pria ess\u00eancia da vida crist\u00e3 e religiosa: ser conquistado pelo amor de Cristo a ponto de colocar Deus no centro de nossa exist\u00eancia. A vida consagrada \u00e9, em sua totalidade, marcada pelo amor e deve ser vivida sob a bandeira desse amor. Ela n\u00e3o pode ser abra\u00e7ada autenticamente a n\u00e3o ser com alegria, mesmo em tempos de prova\u00e7\u00e3o e dificuldade, com a convic\u00e7\u00e3o e o entusiasmo daqueles que t\u00eam o amor como a for\u00e7a motriz de suas vidas. Dessa raiz brotam a serenidade, a luminosidade e a fecundidade da vida consagrada, qualidades que a tornam fascinante e atraente para os jovens aos quais somos enviados e aos quais, por voca\u00e7\u00e3o, somos inteiramente dedicados.<br \/><br \/>Em sua mensagem aos membros do CG29, o Papa Francisco comentou o tema: \u201c\u00c9 um belo programa: ser \u2018apaixonado\u2019 e \u2018dedicado\u2019, deixar-se envolver totalmente pelo amor do Senhor e servir aos outros sem guardar nada para si, como fez o seu Fundador no seu tempo. Mesmo que hoje, em compara\u00e7\u00e3o com aquela \u00e9poca, os desafios tenham mudado um pouco, a f\u00e9 e o entusiasmo permanecem os mesmos, enriquecidos com novos dons, como o da interculturalidade.\u201d<br \/><br \/>Essa reflex\u00e3o nos leva inevitavelmente \u00e0 \u201c<em>paix\u00e3o de Deus\u201d <\/em>manifestada no Cristo crucificado \u2013 uma express\u00e3o que abrange tanto o amor infinito e imensur\u00e1vel de Cristo (\u201cpaix\u00e3o\u201d como <em>express\u00e3o de um grande amor<\/em>) quanto seu imenso sofrimento, resultado da trai\u00e7\u00e3o de um dos seus, o abandono de todos os disc\u00edpulos, a nega\u00e7\u00e3o do l\u00edder dos \u201cdoze\u201d, a rejei\u00e7\u00e3o do povo, a condena\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes religiosos, a crucifica\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os dos romanos e o aparente sil\u00eancio de Deus (\u201cpaix\u00e3o\u201d <em>como express\u00e3o de sofrimento por amor<\/em>). N\u00e3o \u00e9 de surpreender, portanto, que n\u00e3o haja s\u00edmbolo mais eloquente do que a \u201cpaix\u00e3o\u201d \u2013 entendida tanto como amor quanto como sofrimento \u2013 do Cristo crucificado.<br \/><br \/>A raz\u00e3o \u00e9 muito clara: somente reconhecendo e nos sentindo infinitamente amados pelo Pai em Cristo \u00e9 que podemos ser conquistados por Ele e nos tornarmos capazes de amar autenticamente os outros \u2013 os irm\u00e3os, os jovens, todas as pessoas que trabalham conosco na miss\u00e3o.<br \/><br \/>Foi exatamente esse \u201cpathos\u201d divino que levou Paulo a confessar: \u201cEstou crucificado com Cristo. N\u00e3o sou eu que vivo, mas \u00e9 Cristo que vive em mim. E a vida que vivo na carne, vivo-a na f\u00e9 do Filho de Deus, que <strong>me amou <\/strong>e <strong>se entregou por mim<\/strong>\u201d. (Gl 2,19-20)<br \/><br \/>Somente quando somos conquistados <strong>pela paix\u00e3o <\/strong>(amor e sofrimento) de Cristo \u00e9 que podemos nos tornar genuinamente <strong>apaixonados<\/strong>, capazes de amor total e doa\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/><strong><em>Primeiro n\u00facleo: \u201cAnima\u00e7\u00e3o e cuidado com a verdadeira vida de cada salesiano\u201d<br \/><\/em><\/strong>&#8211; Renovar resolutamente a centralidade de Jesus Cristo, redescobrindo a gra\u00e7a da unidade e evitando a superficialidade espiritual.<br \/>&#8211; Revitalizar a vida fraterna nas comunidades e fortalecer o servi\u00e7o aos jovens mais pobres como express\u00e3o aut\u00eantica do carisma salesiano.<br \/>&#8211; Renovar os processos formativos, cuidando do acompanhamento e da forma\u00e7\u00e3o na miss\u00e3o.<br \/><br \/><strong>Segundo N\u00facleo: \u201cJuntos Salesianos, Fam\u00edlia Salesiana e leigos \u2018com\u2019 e \u2018para\u2019 os jovens\u201d<br \/><\/strong>&#8211; Compartilhar em cada comunidade educativo-pastoral a espiritualidade, a miss\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o com os leigos e os membros da Fam\u00edlia Salesiana.<br \/>&#8211; Oferecer itiner\u00e1rios graduais e sistem\u00e1ticos de educa\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 e renovar a pr\u00e1tica do Sistema Preventivo, garantindo ambientes seguros em todos os lugares.<br \/>&#8211; Estar presentes nas novas fronteiras da miss\u00e3o: o ambiente digital, a ecologia integral, as novas express\u00f5es do carisma.<br \/><br \/><strong><em>O terceiro n\u00facleo cont\u00e9m as Resolu\u00e7\u00f5es aprovadas pelo Cap\u00edtulo<\/em><\/strong>. Algumas delas alteram artigos das Constitui\u00e7\u00f5es ou dos Regulamentos, outras exigem que o Reitor-Mor e seu Conselho dediquem aten\u00e7\u00e3o especial a quest\u00f5es de particular import\u00e2ncia. Essas resolu\u00e7\u00f5es representam o fruto de uma reflex\u00e3o ampla e articulada, que tamb\u00e9m abrangeu quest\u00f5es que haviam sido deixadas pendentes pelo 28\u00ba Cap\u00edtulo Geral devido \u00e0 sua conclus\u00e3o antecipada. Nem todas as quest\u00f5es examinadas foram traduzidas em resolu\u00e7\u00f5es ou obtiveram o consenso necess\u00e1rio para gerar mudan\u00e7as institucionais, mas, ainda assim, contribu\u00edram para a \u201ccorajosa verifica\u00e7\u00e3o e redesenho do governo da Congrega\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis\u201d solicitada na carta de convoca\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/><br \/><strong>3. Avalia\u00e7\u00e3o e perspectivas futuras<br \/><\/strong><br \/><strong><em>3.1 Avalia\u00e7\u00e3o<br \/><\/em><\/strong>O Conc\u00edlio Vaticano II exerceu, sem d\u00favida, uma influ\u00eancia sobre a vida e a miss\u00e3o salesiana. Este n\u00e3o \u00e9 o lugar para apresentar uma an\u00e1lise exaustiva de todas as transforma\u00e7\u00f5es que ocorreram na Congrega\u00e7\u00e3o durante esses sessenta anos, nem estou certo de que tal trabalho j\u00e1 tenha sido feito. Limitar-me-ei, portanto, a destacar algumas transforma\u00e7\u00f5es que considero particularmente significativas.<br \/><br \/><em>A miss\u00e3o passou por uma mudan\u00e7a not\u00e1vel<\/em>, descrita com particular efic\u00e1cia pelo Padre Vecchi que, em seus anos como Conselheiro para a Pastoral Juvenil, experimentou esse processo em primeira m\u00e3o: \u201cA imagem dos Salesianos no in\u00edcio dessa evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a de uma Congrega\u00e7\u00e3o firmemente estabelecida no campo juvenil com estruturas educacionais bem definidas: escolas, centros profissionais, internatos, orat\u00f3rios; que desenvolve dentro dessas estruturas diferentes \u201clinhas\u201d pedag\u00f3gicas segundo uma pr\u00e1xis segura: pedagogia religiosa, pedagogia escolar, pedagogia associativa, pedagogia do trabalho, pedagogia do lazer. A prepara\u00e7\u00e3o do pessoal e os pap\u00e9is de orienta\u00e7\u00e3o e governo correspondiam aos campos de trabalho. Tamb\u00e9m correspondiam aos objetivos gerais, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado, \u00e0 escolha dos grupos-alvo e at\u00e9 mesmo a uma interpreta\u00e7\u00e3o do contexto social e do papel que a tarefa educacional deveria desempenhar nele. A imagem, depois de vinte anos de caminhada (1970-1990), \u00e9 a de uma Congrega\u00e7\u00e3o aberta a m\u00faltiplos campos de trabalho, em ambientes nos quais surgem constantemente novas exig\u00eancias educativas e pastorais sob o signo da \u201ccomplexidade\u201d; que planeja interven\u00e7\u00f5es variadas e, \u00e0s vezes, sem precedentes; que se depara com a urg\u00eancia de adaptar, equilibrar e fazer interagir as compet\u00eancias dos membros, de reformular seus programas e de dar consist\u00eancia a certas intui\u00e7\u00f5es\u201d.<a id=\"_ftnref34\" href=\"#_ftn34\">[34]<\/a><br \/><br \/>Consequentemente, <em>as estruturas <\/em>de<em> anima\u00e7\u00e3o e governo <\/em>tamb\u00e9m passaram por mudan\u00e7as, n\u00e3o apenas para melhor responder \u00e0s necessidades do novo trabalho pastoral, mas para garantir a identidade do carisma e sua incultura\u00e7\u00e3o, unidade e descentraliza\u00e7\u00e3o, autonomia e subsidiariedade.<br \/><br \/><em>A vida de comunh\u00e3o <\/em>cresceu na dimens\u00e3o da fraternidade, do respeito pela pessoa, do exerc\u00edcio da autoridade, da profundidade das rela\u00e7\u00f5es interpessoais e da corresponsabilidade nos processos de tomada de decis\u00e3o.<br \/><br \/>Impulsionada por est\u00edmulos internos e externos<em>, a forma\u00e7\u00e3o <\/em>delineou com maior precis\u00e3o o perfil do salesiano que pretende formar, as condi\u00e7\u00f5es e a metodologia que tornam poss\u00edvel a sua progressiva identifica\u00e7\u00e3o com Dom Bosco, refer\u00eancia \u00faltima da forma\u00e7\u00e3o salesiana.<br \/><br \/>A partir dessa perspectiva, pode-se dizer que a Congrega\u00e7\u00e3o tem sido fiel \u00e0s demandas da Igreja, do mundo e da cultura, bem como \u00e0s necessidades em constante mudan\u00e7a dos jovens, buscando responder com fidelidade e criatividade.<br \/><br \/>No entanto, para evitar cair em um otimismo f\u00e1cil e verificar se a renova\u00e7\u00e3o exigida pelo Conc\u00edlio Vaticano II n\u00e3o se limitou a uma mera \u201c<em>renovatio accomodata<\/em>\u201d [<em>conveniente renova\u00e7\u00e3o<\/em>] formal, mas realmente atingiu profundamente as mentes e os cora\u00e7\u00f5es das pessoas, considero apropriado propor uma avalia\u00e7\u00e3o mais ampla do fen\u00f4meno p\u00f3s-conciliar na vida religiosa. Dessa forma, poderemos completar o quadro geral, destacar as tarefas que ainda est\u00e3o incompletas e delinear as perspectivas futuras.<br \/><br \/>Acredita-se amplamente que, no per\u00edodo anterior ao Conc\u00edlio Vaticano II, era relativamente f\u00e1cil \u201cidentificar\u201d os religiosos, sua forma de vida e seu lugar na Igreja. A vida religiosa era caracterizada pela profiss\u00e3o perp\u00e9tua dos conselhos evang\u00e9licos de pobreza, castidade e obedi\u00eancia, de acordo com as Constitui\u00e7\u00f5es de uma Congrega\u00e7\u00e3o aprovada pela autoridade eclesi\u00e1stica. Os religiosos residiam em casas religiosas, conventos ou mosteiros e se distinguiam, dentro e fora de seus institutos, pelo h\u00e1bito que usavam. O estilo de vida e o reconhecimento claro dos membros os separavam concretamente do \u201cmundo\u201d e os diferenciavam dos \u201cleigos\u201d dentro da pr\u00f3pria Igreja.<a id=\"_ftnref35\" href=\"#_ftn35\">[35]<\/a><br \/><br \/>Como j\u00e1 observamos, o Conc\u00edlio deu in\u00edcio a uma mudan\u00e7a de propor\u00e7\u00f5es copernicanas, envolvendo e modificando todas as institui\u00e7\u00f5es, convidadas a se recolocarem <em>dentro da Igreja \u201cno\u201d mundo (GS)<\/em>, segundo uma nova eclesiologia de comunh\u00e3o (LG) na qual todos os batizados constituem um \u00fanico povo de Deus com diversidade de voca\u00e7\u00f5es, fun\u00e7\u00f5es e carismas.<br \/><br \/>Ap\u00f3s todo o processo de renova\u00e7\u00e3o, a vida religiosa passou por transforma\u00e7\u00f5es t\u00e3o fortes que hoje \u00e9 dif\u00edcil \u201cidentific\u00e1-la\u201d e at\u00e9 mesmo justific\u00e1-la como uma forma de vida. A dificuldade n\u00e3o decorre primordialmente do abandono do h\u00e1bito religioso em favor de uma vestimenta mais secular, mas de uma s\u00e9rie de fatores externos e internos que obscureceram os tra\u00e7os caracter\u00edsticos de sua identidade. Isso explica a insist\u00eancia atual em recuperar sua \u201cvisibilidade\u201d e, consequentemente, seu significado, credibilidade e atratividade.<br \/><br \/>Podemos dizer que a vida religiosa tem sido desafiada externamente pela seculariza\u00e7\u00e3o e internamente pela perda de identidade.<br \/><br \/><strong><em>3.1.1 Crise externa<br \/><\/em><\/strong>\u00c9 ineg\u00e1vel que o sinal mais \u00f3bvio de nossos tempos \u00e9 a seculariza\u00e7\u00e3o da sociedade, que atingiu n\u00edveis t\u00e3o elevados de secularismo a ponto de gerar uma cultura de n\u00e3o cren\u00e7a, a-religiosa e essencialmente ate\u00edsta.<br \/><br \/>\u201cAt\u00e9 agora, muitas express\u00f5es sociais e culturais eram permeadas por uma dimens\u00e3o religiosa. Por outro lado, a irrelev\u00e2ncia social do que \u00e9 religioso vem crescendo, o que torna mais dif\u00edcil e longo o ritmo de amadurecimento da f\u00e9, como conhecimento de seus conte\u00fados e, mais ainda, como pr\u00e1tica de vida. E isso \u00e9 verdade tanto para os jovens de nossas obras quanto para os jovens salesianos em forma\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Ser crist\u00e3o \u2013 ou seja, viver a op\u00e7\u00e3o batismal \u2013 em uma sociedade pluralista, torna-se um modo social entre muitos outros, com o mesmo direito de cidadania. Assim, pode surgir um clima de relativismo, de obscurecimento dos ideais tradicionais, de perda do sentido da vida: muitos jovens parecem flutuar \u00e0 deriva em um barco sem b\u00fassola. Eles perdem a perspectiva do transcendente, que \u00e9 o objetivo da f\u00e9, e se fecham em pequenas respostas sobre o sentido da vida, que s\u00e3o totalmente insuficientes para as grandes ansiedades do cora\u00e7\u00e3o humano. As pr\u00f3prias respostas que a ci\u00eancia pretende lhes oferecer acabam sendo deficientes do ponto de vista da busca de significado, porque n\u00e3o se referem ao prop\u00f3sito \u00faltimo da vida e ao significado global da hist\u00f3ria.\u201d<a id=\"_ftnref36\" href=\"#_ftn36\">[36]<\/a><br \/><br \/>Essa seculariza\u00e7\u00e3o se manifesta na vida religiosa com uma face tripla. De fato, ela pode assumir a forma de:<br \/><br \/>a) Perda da transcend\u00eancia: quando a f\u00e9, como horizonte da vida e da voca\u00e7\u00e3o, \u00e9 reduzida a um mero projeto humano, e a consagra\u00e7\u00e3o do homem centrado em Deus desaparece.<a id=\"_ftnref37\" href=\"#_ftn37\">[37]<\/a><br \/><br \/>b) Antropocentrismo: questiona formas de comunidade inter-humana, tipos de amor, a exist\u00eancia de amizade frut\u00edfera que n\u00e3o seja uma fun\u00e7\u00e3o do sexo e da vida humana.<br \/><br \/>c) A pr\u00e1xis socioecon\u00f4mica: que leva a viver com paix\u00e3o a ideia de que o homem se realiza no trabalho criativo destinado a dominar o mundo e a produzir os bens necess\u00e1rios \u00e0 vida, reduzindo a miss\u00e3o a um simples compromisso social.<br \/><br \/>Em minha opini\u00e3o, essa vis\u00e3o secularizada da vida religiosa tamb\u00e9m foi influenciada por uma leitura teol\u00f3gica bastante reducionista do princ\u00edpio da Encarna\u00e7\u00e3o, que enfatizou o primeiro termo, o \u201c<em>quod non assumptum<\/em>\u201d [<em>o que n\u00e3o foi assumido<\/em>] de Irineu, a ponto de relegar a segundo plano ou negligenciar completamente a novidade que nos vem de Deus por meio da Encarna\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/><strong><em>3.1.2 Crise interna<br \/><\/em><\/strong>\u00c9 claro que a crise da vida religiosa n\u00e3o decorre exclusivamente de fatores externos, embora devamos reconhecer que eles a condicionam significativamente, mas emerge de dentro dela, levantando as seguintes quest\u00f5es:<br \/><br \/>a) O problema do fundamento b\u00edblico: parece que a vida religiosa n\u00e3o tem fundamento direto no Evangelho, j\u00e1 que o que Jesus exigiu \u00e9 v\u00e1lido para todos os que creem nele.<br \/><br \/>b) A revaloriza\u00e7\u00e3o do matrim\u00f4nio: o valor santificador que \u00e9 cada vez mais reconhecido ao amor humano poderia levar a crer que a vida religiosa perdeu o seu significado, considerando que todas as pessoas s\u00e3o chamadas \u00e0 santidade, n\u00e3o apenas os religiosos.<br \/><br \/>c) Supera\u00e7\u00e3o das velhas estruturas: a vida religiosa correu o risco de confinar seus membros em uma rede de preceitos e normas absolutas que nem sempre favorecem a maturidade e uma vida inspirada na liberdade dos filhos de Deus.<a id=\"_ftnref38\" href=\"#_ftn38\">[38]<\/a><br \/><br \/><strong><em>3.1.3 Identidade da vida religiosa<br \/><\/em><\/strong>Diante da situa\u00e7\u00e3o atual, devemos nos perguntar sinceramente qual \u00e9 a nossa tarefa. Em vez de proclamar o fim ou a falta de sentido da vida religiosa em todos os lugares do mundo contempor\u00e2neo, \u00e9 hora de criar ou recriar as estruturas que melhor respondem ao Evangelho, que nos permitem aprofundar as exig\u00eancias do amor fraterno, do testemunho apost\u00f3lico, da simplicidade e da doa\u00e7\u00e3o de Jesus. Em suma, \u00e9 hora de recuperar a especificidade da vida religiosa, aquilo que pode torn\u00e1-la cr\u00edvel, eficaz e significativa: a <em>sequela Christi<\/em>.<br \/><br \/>Portanto, \u00e9 indispens\u00e1vel redefinir a <em>identidade da vida religiosa<\/em>, que n\u00e3o se baseia nos votos, nem nas Constitui\u00e7\u00f5es, nem no h\u00e1bito, nem mesmo na miss\u00e3o, mas nos pr\u00f3prios <strong>religiosos e em<\/strong><strong>seu relacionamento especial com Cristo<\/strong>. Trata-se de compreender o que \u00e9 um religioso, porque os religiosos t\u00eam \u201calgo especial\u201d a oferecer ao mundo e \u00e0 Igreja, e \u00e9 nesse \u201calgo especial\u201d que reside sua import\u00e2ncia.<a id=\"_ftnref39\" href=\"#_ftn39\">[39]<\/a><br \/><br \/>Durante algum tempo, consideramos que nossa identidade se encontrava nos votos de pobreza, castidade e obedi\u00eancia. No entanto, sabemos que \u201ca vida evang\u00e9lica\u201d n\u00e3o \u00e9 exclusiva dos religiosos.<br \/><br \/>A vestimenta e a observ\u00e2ncia de certas regras de vida ofereciam um tipo de identidade reconhec\u00edvel no passado, e a perda desses elementos nos \u00faltimos anos tem sido dolorosa para muitos. No entanto, independentemente da posi\u00e7\u00e3o pessoal de cada um \u2013 liberal, conservadora ou moderada \u2013 \u00e9 evidente que as pessoas religiosas n\u00e3o devem buscar sua identidade em sinais exteriores.<br \/><br \/>Muitos acreditam que a identidade da vida religiosa decorre do apostolado que uma comunidade realiza no mundo e na Igreja. Entretanto, mesmo nesse caso, devemos ser realistas: o trabalho que realizamos pode ser feito por leigos. De fato, os leigos costumam ser mais profissionais do que os religiosos, que descobrem que, mesmo aqui, existe aquele \u201calgo especial\u201d que a vida religiosa \u00e9 chamada a oferecer \u00e0 Igreja e \u00e0 sociedade.<br \/><br \/>Para definir a identidade da vida religiosa, precisamos nos voltar para o Deus que nos chamou: o Deus de Jesus, o Deus do Novo Testamento, o <strong>Deus-Amor<\/strong>. A Palavra de Jesus (<em>Logos<\/em>), ou seja, toda a sua vida, e suas palavras constituem a revela\u00e7\u00e3o de Deus e o fundamento da vida religiosa. Em vez de buscar nas Escrituras textos que justifiquem a vida religiosa, \u00e9 necess\u00e1rio olhar e contemplar Jesus, que inaugurou uma nova maneira de ser humano. O Evangelho de Jo\u00e3o expressa isso magistralmente com uma s\u00e9rie de textos que formam um \u201c<em>continuum<\/em>\u201d:<br \/><br \/>&#8211; Conhecemos o amor do <em>Pai <\/em>no envio de seu Filho, precisamente porque ele ama o mundo e n\u00e3o quer sua morte, mas sua vida (cf. Jo 3,16).<br \/><br \/><em>&#8211; Jesus de Nazar\u00e9 <\/em>\u00e9 o filho que amou os seus at\u00e9 o extremo (cf. Jo 13,1) e se ofereceu no maior ato de amor por eles: dar a pr\u00f3pria vida para que eles pudessem t\u00ea-la em abund\u00e2ncia (cf. Jo 15,13).<br \/><br \/><em>&#8211; Os disc\u00edpulos <\/em>de Jesus devem amar uns aos outros para mostrar ao mundo que s\u00e3o seus disc\u00edpulos (cf. Jo 13,35).<br \/><br \/><em>&#8211; Os crist\u00e3os<\/em>, por sua vez, que ouvem falar desse Deus-Amor por meio da prega\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos, devem ser <strong>um <\/strong>no amor \u201cpara que o mundo conhe\u00e7a que tu me enviaste e os amaste como me amaste\u201d (cf. Jo 17,27).<br \/><br \/>&#8211; Em suma, a <em>vida crist\u00e3 <\/em>deve necessariamente se distinguir pela qualidade do amor, de modo a manifestar e ser uma testemunha do Deus que \u00e9 Amor (cf. 1Jo 4,7-12).<br \/><br \/>A perfei\u00e7\u00e3o no amor \u00e9, portanto, a voca\u00e7\u00e3o de todo crist\u00e3o e de todo ser humano. E essa tamb\u00e9m \u00e9 a miss\u00e3o dos religiosos no contexto do chamado universal \u00e0 santidade.<br \/><br \/>A tarefa da comunidade religiosa, no cora\u00e7\u00e3o da Igreja, n\u00e3o \u00e9 adquirir um <em>excedente <\/em>de santidade ou perfei\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00e3o religiosos, mas <em>garantir que essa boa not\u00edcia do Deus-Amor pregado se torne uma realidade <\/em>concreta<em>.<\/em> Para isso, eles se comprometem publicamente por meio de votos, e essa miss\u00e3o \u2013 com a responsabilidade de encarn\u00e1-la em suas vidas \u2013 \u00e9 aceita pela comunidade crist\u00e3.<br \/><br \/>Portanto, somente uma vida caracterizada pelo amor ter\u00e1 a for\u00e7a para se revelar e se tornar cr\u00edvel, como mostram os resumos da vida da comunidade de Jerusal\u00e9m (Atos 2,42-48; 4,32-35; 5,12-16), e provocar\u00e1 nos outros a pergunta sobre por que vivemos. Ent\u00e3o, a \u00fanica resposta poss\u00edvel e v\u00e1lida ser\u00e1: \u201cpor causa do Deus em quem acreditamos\u201d.<a id=\"_ftnref40\" href=\"#_ftn40\">[40]<\/a><br \/><br \/><strong><em>3.2 Perspectivas para o futuro<br \/><\/em><\/strong>Olhando para tr\u00e1s, para a jornada da Congrega\u00e7\u00e3o, j\u00e1 observamos que a mudan\u00e7a nem sempre foi linear ou pac\u00edfica, mas sujeita, como \u00e9 natural, \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o, corre\u00e7\u00e3o e refinamento. A resist\u00eancia mais forte nunca foi em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renova\u00e7\u00e3o das Constitui\u00e7\u00f5es ou das estruturas governamentais, ou mesmo das pr\u00e1ticas pastorais, mas sim em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renova\u00e7\u00e3o espiritual que envolveu, e continua a envolver hoje mais do que ontem, uma profunda convers\u00e3o.<br \/><br \/>Os sessenta anos de transforma\u00e7\u00f5es deram forma a uma nova forma de vida religiosa salesiana e j\u00e1 temos <em>odres novos <\/em>(temos uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o, uma nova escola, uma nova educa\u00e7\u00e3o, um novo modelo pastoral, uma nova forma\u00e7\u00e3o). Aos poucos, o <em>vinho novo <\/em>tamb\u00e9m foi produzido (o novo evangelizador, o novo educador, o novo agente pastoral, o novo salesiano).<br \/><br \/>Talvez \u00e0s vezes nos sintamos desconfort\u00e1veis com o uso do adjetivo \u201cnovo\u201d para qualificar realidades que pens\u00e1vamos conhecer, especialmente por causa das consequ\u00eancias pr\u00e1ticas que isso acarreta: a necessidade de nos renovarmos espiritualmente, nos atualizarmos profissionalmente e nos qualificarmos pedagogicamente. No entanto, a novidade n\u00e3o \u00e9, pelo menos nesse caso, uma busca pelo esnobismo, mas sim um respeito pela novidade dos contextos, das realidades e dos seres humanos. \u00c9 evidente que hoje nos deparamos com um homem culturalmente novo. Isso significa que a novidade nos \u00e9 imposta de fora e nos desafia.<br \/><br \/>Hoje, a preocupa\u00e7\u00e3o da vida religiosa em geral, e da Congrega\u00e7\u00e3o em particular, n\u00e3o pode ser a de sobreviver, mas a de criar uma presen\u00e7a significativa e eficaz. Portanto, n\u00e3o se trata de uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, mas de profecia. Devemos ser <em>sinais de <\/em>um Deus que n\u00e3o \u00e9 o inimigo, mas o promotor do homem, que \u00e9 a origem de <em>uma nova humanidade <\/em>fundada no amor (cf. C.62). \u201cIsso implica dar vida a uma presen\u00e7a que suscite perguntas, d\u00ea motivos de esperan\u00e7a, convoque as pessoas, desperte a colabora\u00e7\u00e3o, ative uma comunh\u00e3o cada vez mais fecunda, para realizar juntos um projeto de vida e de a\u00e7\u00e3o segundo o Evangelho.\u201d<a id=\"_ftnref41\" href=\"#_ftn41\">[41]<\/a><br \/><br \/>Em suma, o que se deseja \u00e9 uma forma de vida que priorize a dimens\u00e3o prof\u00e9tica, que privilegie as pessoas mais do que as estruturas, que seja fascinante e atraente.<br \/><br \/>Parafraseando o P. Karl Rahner em seu testamento espiritual, podemos dizer que o futuro da vida religiosa passa por sua for\u00e7a m\u00edstica, por sua experi\u00eancia e testemunho n\u00edtidos e firmes de Deus, superando todas as formas de t\u00e9dio, apatia e mediocridade. A vida religiosa surgiu e tem sentido somente como sinal da busca de Deus e como testemunho de t\u00ea-lo encontrado. Caso contr\u00e1rio, ela se perverte e, em vez de ser um projeto de vida, \u00e9 reduzida a um estado de vida, desprovido de dinamismo e relev\u00e2ncia.<br \/><br \/>Sua miss\u00e3o \u00e9 ser uma met\u00e1fora e um s\u00edmbolo (<strong>sinais e portadores do amor de Deus<\/strong>, especialmente em favor dos mais necessitados de experimentar que Deus existe, que Ele os ama e que Deus \u00e9 Amor), combinando a abertura a tudo o que \u00e9 bom, am\u00e1vel, nobre e livre, com a contempla\u00e7\u00e3o e o compromisso de se aproximar dos exclu\u00eddos e daqueles que lutam pela dignidade da pessoa humana.<br \/><br \/>Quando os Superiores Gerais decidiram abordar o tema da <em>refunda\u00e7\u00e3o da vida religiosa<\/em><a id=\"_ftnref42\" href=\"#_ftn42\"><em><strong>[42]<\/strong><\/em><\/a>, foram movidos pela consci\u00eancia de que h\u00e1 necessidade de \u201cvinho novo\u201d para \u201codres novos\u201d. Quase parece ser um eco do apelo lan\u00e7ado pelo Conc\u00edlio Vaticano II, com a diferen\u00e7a de que agora o pedido \u00e9 mais urgente e ressoa de dentro para fora como um chamado urgente para voltar \u00e0s origens da Congrega\u00e7\u00e3o e recuperar sua \u201coriginalidade\u201d; ir em dire\u00e7\u00e3o ao essencial, onde a \u201cmiss\u00e3o\u201d n\u00e3o \u00e9 reduzida a obras nem identificada com atividades que, \u00e0s vezes, em vez de revelar, velam e escondem significados e motiva\u00e7\u00f5es profundas.<br \/><br \/>As imagens de \u201cluz\u201d, \u201csal\u201d e \u201cfermento\u201d, usadas por Jesus no Evangelho para definir a natureza e a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos, s\u00e3o reveladoras e desafiadoras. \u00c9 preciso simplesmente \u201cser\u201d para ter significado e relev\u00e2ncia. Mas se o sal perder o sabor, ou se a luz for colocada sob o alqueire, ou se o fermento n\u00e3o tiver for\u00e7a para fermentar, eles n\u00e3o t\u00eam utilidade. Eles perderam sua raz\u00e3o de ser.<br \/><br \/>A for\u00e7a da vida religiosa est\u00e1 enraizada em seu car\u00e1ter contracultural, subversivo em rela\u00e7\u00e3o ao aburguesamento e ao desenvolvimento que \u00e9 ilimitado, mas desprovido de transcend\u00eancia. Mais uma vez, o problema \u00e9 de <em>identidade e identifica\u00e7\u00e3o<\/em>, n\u00e3o mais dependente de vestimentas ou estruturas, mas de uma forte experi\u00eancia de Deus que transforma e revoluciona profundamente nossas vidas, e de uma comunidade onde come\u00e7amos a viver com novidade de vida e com modelos alternativos \u00e0 cultura dominante.<br \/><br \/>\u201cN\u00e3o se conformem com a mentalidade deste s\u00e9culo\u201d, escreveu Paulo aos romanos, \u201cmas transformem-se pela renova\u00e7\u00e3o da sua mente, para que possam discernir a vontade de Deus, o que \u00e9 bom, agrad\u00e1vel e perfeito para ele\u201d (12,2).<br \/><br \/>Nessa mesma linha, gostaria de concluir delineando <em>cinco perspectivas para o futuro<\/em>, que j\u00e1 foram objeto de profunda reflex\u00e3o e estudo pelos \u00faltimos Reitores-Mores em suas cartas. Essas \u00e1reas ainda precisam ser renovadas para que possamos embarcar nessa nova fase hist\u00f3rica, repleta de desafios significativos, mas tamb\u00e9m de oportunidades extraordin\u00e1rias, com energia renovada e clareza de planejamento:<br \/><br \/>1. <em>A renova\u00e7\u00e3o espiritual de cada salesiano<\/em>: implica um retorno \u00e0 ess\u00eancia da nossa voca\u00e7\u00e3o: Deus e o seu Reino. Deus deve ser a nossa principal \u201cocupa\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 Ele que nos envia e confia os jovens para que os ajudemos a amadurecer at\u00e9 a estatura de Cristo, o homem perfeito. Para n\u00f3s, a recupera\u00e7\u00e3o da espiritualidade n\u00e3o pode ser separada da miss\u00e3o, se quisermos evitar o risco de evas\u00e3o. Deus est\u00e1 nos esperando nos jovens para nos dar a gra\u00e7a de um encontro com Ele (cf. C.95; CG23). Portanto, \u00e9 inconceb\u00edvel e injustific\u00e1vel que a \u201cmiss\u00e3o\u201d possa ser um obst\u00e1culo ao encontro com Deus e ao cultivo da intimidade com Ele.<br \/><br \/>2. A <em>consist\u00eancia das comunidades<\/em>: a qualidade da vida comunit\u00e1ria e da a\u00e7\u00e3o educativo-pastoral exige uma s\u00f3lida consist\u00eancia quantitativa e qualitativa da comunidade salesiana. Todas as propostas que visam a tornar a vida cotidiana formativa e a melhorar metodologias, atividades ou conte\u00fados chocam-se inevitavelmente com as possibilidades reais da comunidade. Para n\u00f3s, a comunidade representa um elemento fundamental da profiss\u00e3o, junto com os votos e a miss\u00e3o. Mais profundamente, ela constitui a esfera na qual devemos viver a espiritualidade, a miss\u00e3o e os votos. Portanto, n\u00e3o podemos persistir na pretens\u00e3o de resolver todos os problemas \u00e0s custas do carisma.<br \/><br \/>3. A <em>ressignifica\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a<\/em>: essa \u00e9 uma exig\u00eancia tanto da comunidade quanto da miss\u00e3o, visando \u00e0 qualidade de ambas. No passado, quando se falava de \u201credimensionamento\u201d a \u00eanfase estava no fechamento de obras ou na sua entrega a outros membros da Fam\u00edlia Salesiana. Hoje, por\u00e9m, embora se reitere que o \u201credesenho\u201d \u00e9 uma tarefa inevit\u00e1vel, se n\u00e3o quisermos enfraquecer as comunidades e sobrecarregar os irm\u00e3os, a \u00eanfase recai sobre o \u201csignificado\u201d e o redesenho da presen\u00e7a salesiana no territ\u00f3rio. Isso n\u00e3o se limita ao trabalho, mas representa um <em>modo de ser, de trabalhar e de se organizar <\/em>que visa n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 efic\u00e1cia (responder \u00e0s necessidades dos destinat\u00e1rios), mas tamb\u00e9m a gerar significado, abrir perspectivas, envolver as pessoas e promover respostas inovadoras. Em outras palavras, como Jesus, criar \u201csinais\u201d que provoquem a participa\u00e7\u00e3o \u2013 e nada \u00e9 mais poderoso do que ser salesianos apaixonados por Jesus Cristo e dedicados aos jovens. \u00c9 um convite a deslocar a Inspetoria para onde as necessidades dos jovens s\u00e3o mais urgentes e onde a nossa presen\u00e7a \u00e9 mais frut\u00edfera. Devemos, portanto, estar conscientes de que a nossa vida consagrada n\u00e3o ser\u00e1 onipresente e, em muitos contextos, nem mesmo socialmente relevante, mas continuar\u00e1 a ser necess\u00e1ria para a comunidade crist\u00e3 na medida em que for um sinal aut\u00eantico do Reino vindouro.<br \/><br \/>4. <em>A qualidade da proposta educativo-pastoral<\/em>: o caminho percorrido at\u00e9 agora foi, pelo menos em muitas realidades, caracterizado pela expans\u00e3o e multiplica\u00e7\u00e3o das obras, \u00e0s vezes comprometendo a qualidade da nossa atividade, pois acabamos privilegiando mais o aspecto administrativo do que o pastoral, ou a manuten\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de estruturas do que a clareza e a seriedade do projeto educativo-pastoral. Hoje somos chamados a desenvolver formas mais intensas de evangeliza\u00e7\u00e3o, a nos concentrar no amadurecimento humano e na educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9, a treinar adequadamente nossos colaboradores, a integrar a comunidade educativo-pastoral e, junto com ela, a desenvolver e implementar um projeto compartilhado. Essa \u00e9 uma parte essencial do significado.<br \/><br \/>5. <em>A forma\u00e7\u00e3o do salesiano<\/em>: a complexidade das situa\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas, os desafios colocados pelos jovens, a necessidade da nova evangeliza\u00e7\u00e3o e a tarefa da incultura\u00e7\u00e3o exigem, naturalmente, uma forma\u00e7\u00e3o adequada a essa vida renovada, capaz de habilitar o salesiano a viver a sua voca\u00e7\u00e3o com dinamismo e solidez, a realizar a miss\u00e3o com profissionalismo e compet\u00eancia, a assimilar pessoalmente a identidade carism\u00e1tica, que n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o apropriar-se do dom recebido de Deus no chamado. O documento sobre a Forma\u00e7\u00e3o na Vida Consagrada afirma claramente: \u201cA renova\u00e7\u00e3o dos institutos religiosos depende principalmente da forma\u00e7\u00e3o de seus membros\u201d.<a id=\"_ftnref43\" href=\"#_ftn43\">[43]<\/a> Isso representa, em minha opini\u00e3o, o maior desafio que a Congrega\u00e7\u00e3o enfrenta hoje, ao qual ela pretendeu responder com a elabora\u00e7\u00e3o da nova Ratio.<a id=\"_ftnref44\" href=\"#_ftn44\">[44]<\/a><br \/><br \/>N\u00e3o creio que a pergunta da d\u00e9cada de 1970, que surgiu ap\u00f3s o Conc\u00edlio, deva ser levantada novamente: \u201cA vida religiosa ainda?\u201d. Tal pergunta, mesmo de um ponto de vista antropol\u00f3gico, parece sem sentido. A Igreja e o mundo precisam de pessoas que fa\u00e7am profiss\u00e3o de encarnar o interesse pelo Absoluto, pelo essencial, e que constituam uma reserva de humanismo, um sinal poderoso, eloquente e radical da \u201c<em>sequela Christi<\/em>\u201d. \u00c9 isso que o Conc\u00edlio Vaticano II desejava e esperava da vida religiosa. Esse tem sido o objetivo da Congrega\u00e7\u00e3o durante esses \u00faltimos 60 anos: ser fiel a Cristo e a Dom Bosco com uma fidelidade din\u00e2mica e vital.<br \/><br \/>Roma, maio de 2025<br \/><strong>Pascual Ch\u00e1vez V., SDB<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> VECCHI J. E., \u201cPastoral Care, Education, Pedagogy in Salesian Praxis\u201d, em <em>Il Cammino e la Prospettiva 2000<\/em>, do Dicastero per la Pastorale Giovanile &#8211; SDB. Roma, 1991, p. 8.9. O artigo \u00e9 muito interessante, embora leve em considera\u00e7\u00e3o apenas a evolu\u00e7\u00e3o p\u00f3s-conciliar na realiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o salesiana.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a><em> ACG <\/em>319 (1986), p. 3-4.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn3\" href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Cf. SCHNEIDERS Sandra M., <em>Finding the Treasure<\/em>. Religious Life in a New Millennium [Vida Religiosa no Novo Mil\u00eanio]. Mahwa, N.J. 2000. Pp. 13-17.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn4\" href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> VECCHI, \u201cPastoral&#8230;\u201d, 9.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn5\" href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> VIGAN\u00d2 Eg\u00eddio, <em>O XXII Cap\u00edtulo Geral<\/em>, <em>ACS <\/em>305 p. 7.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn6\" href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a><em> Ibid<\/em>.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn7\" href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> VIGAN\u00d2 Eg\u00eddio, <em>ACS <\/em>305 p. 9.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn8\" href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> Cf. RICCERI Luigi, <em>Carta do Reitor-Mor <\/em>(<em>ACS<\/em>, 254. Pp. 3-9); <em>Relat\u00f3rio geral sobre o estado da Congrega\u00e7\u00e3o<\/em>. Cap\u00edtulo Geral Especial. Roma, 1971. <em>Documentos do CGE<\/em>. Vol. I <em>Orienta\u00e7\u00f5es<\/em>. Roma, 1971.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn9\" href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> RICCERI Luigi, <em>Carta do Reitor-Mor, ACS <\/em>254 p. 6.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn10\" href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> Cf. WIRTH Morand, <em>De Dom Bosco aos nossos dias. <\/em><em>Tra storia e nuove sfide (1815-2000)<\/em>. Roma, 2000. P. 452.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn11\" href=\"#_ftnref11\">[11]<\/a> Cf<em>. Relat\u00f3rio<\/em>, pp. 5-6, 19-21, 33-42.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn12\" href=\"#_ftnref12\">[12]<\/a> Cf. WIRTH, <em>De Dom Bosco<\/em>, 452-454.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn13\" href=\"#_ftnref13\">[13]<\/a> Cf. RICCERI Luigi, <em>Convoca\u00e7\u00e3o do Cap\u00edtulo Geral 21 <\/em>(<em>ACS<\/em>, 283 pp. 3-11); <em>Relat\u00f3rio geral sobre o estado da Congrega\u00e7\u00e3o ao CG21<\/em>. Roma, 1977; <em>Documentos capitulares<\/em>. Roma, 1978.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn14\" href=\"#_ftnref14\">[14]<\/a> VECCHI Juan E., &#8220;Rumo a uma nova etapa da pastoral juvenil salesiana&#8221; em <em>Il Cammino e la Prospettiva 2000<\/em>. Editado pelo Dicast\u00e9rio para a Pastoral Juvenil &#8211; SDB. Roma, 1991, pp. 46-47.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn15\" href=\"#_ftnref15\">[15]<\/a> VECCHI, &#8220;Towards&#8230;&#8221;, pp. 70-71.82; WIRTH, <em>From Don Bosco<\/em>, 471.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn16\" href=\"#_ftnref16\">[16]<\/a> Cf. VIGAN\u00d2 E., <em>Il Capitolo Generale XXII <\/em>(<em>ACS<\/em>, 305 pp. 5-20); <em>La Societ\u00e0 di San Francesco di Sales nel sessennio 1978-1983<\/em>. Relat\u00f3rio do Reitor-Mor ao CG22. Roma, 1983; <em>Documentos do CG22 <\/em>(Orienta\u00e7\u00f5es operacionais). Roma, 1984.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn17\" href=\"#_ftnref17\">[17]<\/a><em> Cap\u00edtulo Geral 22 da Sociedade de S\u00e3o Francisco de Sales<\/em>. Documentos. Roma, 1984, p. 19.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn18\" href=\"#_ftnref18\">[18]<\/a> Cf. WIRTH, <em>De Dom Bosco<\/em>, 468.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn19\" href=\"#_ftnref19\">[19]<\/a> Cf. VIGAN\u00d2 Eg\u00eddio, <em>Convoca\u00e7\u00e3o do Cap\u00edtulo Geral 23 (ACG, <\/em>327 pp. 3-25); <em>A Sociedade de S\u00e3o Francisco de Sales no sex\u00eanio 1984-1990<\/em>. Relat\u00f3rio do Reitor-Mor. Roma, 1990. <em>Educar os jovens \u00e0 f\u00e9<\/em>. Documentos capitulares. Roma, 1990.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn20\" href=\"#_ftnref20\">[20]<\/a> WIRTH<em>, De Dom Bosco<\/em>, 483-484.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn21\" href=\"#_ftnref21\">[21]<\/a> Cf. VIGAN\u00d2 Eg\u00eddio, <em>Convoca\u00e7\u00e3o do Cap\u00edtulo Geral 24 (ACG<\/em>, 350 pp. 3-33). VECCHI Juan E., <em>A Sociedade de S\u00e3o Francisco de Sales no sex\u00eanio 1990-95<\/em>. Relat\u00f3rio do Vig\u00e1rio do Reitor-Mor. Roma, 1996. <em>Salesianos e leigos: comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o no esp\u00edrito e na miss\u00e3o de Dom Bosco<\/em>. Documento capitular. Roma, 1996.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn22\" href=\"#_ftnref22\">[22]<\/a> Cf. VECCHI Juan E., <em>Rumo ao Cap\u00edtulo Geral 25 (ACG<\/em>, 372 pp. 3-39).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn23\" href=\"#_ftnref23\">[23]<\/a> LIPOVETSKY G., <em>La era del vac\u00edo<\/em>, Barcelona, 41990, citado por Albuquerque E., <em>Cuadernos de Formaci\u00f3n Permanente<\/em>, CCS. Madri, 2001, p. 97.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn24\" href=\"#_ftnref24\">[24]<\/a> VECCHI, <em>Verso&#8230;<\/em>, 14.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn25\" href=\"#_ftnref25\">[25]<\/a> P. Ch\u00e1vez, \u201cTestemunhas do radicalismo evang\u00e9lico. Chamados a viver com fidelidade o projeto apost\u00f3lico de Dom Bosco\u201d. \u201cTrabalho e temperan\u00e7a\u201d, <em>ACG <\/em>413 (2012) 5. Os it\u00e1licos s\u00e3o meus.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn26\" href=\"#_ftnref26\">[26]<\/a> \u201cSomente atrav\u00e9s da convers\u00e3o \u00e9 que se chega a ser crist\u00e3o; isso \u00e9 t\u00e3o v\u00e1lido para toda a exist\u00eancia do indiv\u00edduo quanto para a vida da Igreja\u201d (Bento XVI, \u201cWarum ich noch in der Kirche bin\u201d, en Id., <em>Grundsatzreden aus f\u00fcnf Jahrzehten<\/em>, Regensburg 2005, 105-107).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn27\" href=\"#_ftnref27\">[27]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, <em>Vita Consecrata<\/em>, 18.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn28\" href=\"#_ftnref28\">[28]<\/a> \u201cEm nosso tempo, quando em vastas \u00e1reas da Terra a f\u00e9 corre o risco de se extinguir como uma chama que n\u00e3o consegue mais encontrar alimento, a prioridade acima de tudo \u00e9 tornar Deus presente neste mundo e abrir o acesso a Deus para as pessoas. N\u00e3o a qualquer deus, mas \u00e0quele Deus que falou no Sinai; \u00e0quele Deus cuja face reconhecemos no amor conduzido at\u00e9 o fim (cf. <em>Jo <\/em>13,1) &#8211; em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. O verdadeiro problema neste momento da nossa hist\u00f3ria \u00e9 que Deus est\u00e1 desaparecendo do horizonte da humanidade e que, com a extin\u00e7\u00e3o da luz que vem de Deus, a humanidade est\u00e1 sendo tomada por uma falta de orienta\u00e7\u00e3o, cujos efeitos destrutivos est\u00e3o se tornando cada vez mais evidentes para n\u00f3s\u201d. (Bento XVI, Carta<em> aos Bispos da Igreja Cat\u00f3lica sobre a remiss\u00e3o da excomunh\u00e3o dos quatro bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre<\/em>, Vaticano, 20 de mar\u00e7o de 2009. Cf. http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/letters\/2009\/documents\/hf_ben-xvi_let_20090310_remissione-scomunica_it.html<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn29\" href=\"#_ftnref29\">[29]<\/a> Ch\u00e1vez, \u201cWitnesses\u201d, 8.22.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn30\" href=\"#_ftnref30\">[30]<\/a> Ch\u00e1vez, \u201cWitnesses\u201d (Testemunhas), 19.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn31\" href=\"#_ftnref31\">[31]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Ecclesia in Europa, n\u00ba 38<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn32\" href=\"#_ftnref32\">[32]<\/a> Ibid.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn33\" href=\"#_ftnref33\">[33]<\/a> Ibid.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn34\" href=\"#_ftnref34\">[34]<\/a> VECCHI, \u201cPastoral\u201d, 8.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn35\" href=\"#_ftnref35\">[35]<\/a> SCHNEIDERS, <em>Encontrando.<\/em> xxiii.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn36\" href=\"#_ftnref36\">[36]<\/a> VIGAN\u00d2 E., <em>ACG <\/em>339 pp. 12-13.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn37\" href=\"#_ftnref37\">[37]<\/a> Cf. BARTOLOM\u00c9 Juan Jos\u00e9, \u201cMalestar de la fe, \u00bfen la vida consagrada? Una cuesti\u00f3n previa a la evangelizaci\u00f3n\u201d, <em>Salesianum <\/em>62 (2000), 147-164.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn38\" href=\"#_ftnref38\">[38]<\/a> Cf. PIKAZA X., <em>Esquema teol\u00f3gico de la Vida Religiosa<\/em>. Ediciones S\u00edgueme, Salamanca 1978, pp. 29-44.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn39\" href=\"#_ftnref39\">[39]<\/a> Cf. CENCINI A., \u201cIdentidad y Misi\u00f3n de la Vida Consagrada\u201d, Confer 154 (2001), 251-268.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn40\" href=\"#_ftnref40\">[40]<\/a> Cf. MOLONEY Francis J., <em>Disciples and Prophets: A Biblical Model for the Religious Life<\/em>. Editado por Darton, Longman e Todd em Londres, 1980.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn41\" href=\"#_ftnref41\">[41]<\/a> VECCHI Juan E., <em>Experts, Witnesses, and Builders of Communion (Peritos, Testemunhas e Construtores da Comunh\u00e3o). ACG <\/em>363, 21. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o pr\u00f3prio P. Vecchi cita esse texto em sua carta de convoca\u00e7\u00e3o do CG25, <em>ACG <\/em>372, 30.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn42\" href=\"#_ftnref42\">[42]<\/a> Cf. AA.VV., <em>Para a fidelidade criativa<\/em>. Refunda\u00e7\u00e3o: realoca\u00e7\u00e3o de carismas, redesenho da presen\u00e7a. The Calamus. Roma, 1999, que recolhe o 54\u00ba <em>Convenius Semestralis da USG<\/em>, em Ariccia, em novembro de 1998.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn43\" href=\"#_ftnref43\">[43]<\/a><em> Potissimum Institutioni<\/em>, 1.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a id=\"_ftn44\" href=\"#_ftnref44\">[44]<\/a><em> A forma\u00e7\u00e3o dos salesianos por Dom Bosco<\/em>. Princ\u00edpios e normas. Ratio Institutionis et Studiorum. <em>Quinta edi\u00e7\u00e3o<\/em>. Roma, 13 de janeiro de 2025.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na conclus\u00e3o do 29\u00ba Cap\u00edtulo Geral dos Salesianos, convidamos o P. 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