{"id":45459,"date":"2025-09-25T06:45:00","date_gmt":"2025-09-25T06:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=45459"},"modified":"2025-09-25T06:47:23","modified_gmt":"2025-09-25T06:47:23","slug":"dom-jose-malandrino-e-o-servo-de-deus-nino-baglieri","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/boa-imprensa\/dom-jose-malandrino-e-o-servo-de-deus-nino-baglieri\/","title":{"rendered":"Dom Jos\u00e9 Malandrino e o Servo de Deus Nino Baglieri"},"content":{"rendered":"<p><em>Dom Jos\u00e9 Malandrino, IX bispo da diocese de Noto, retornou \u00e0 Casa do Pai, no \u00faltimo dia 3 de agosto de 2025. Nesse dia se celebrava a festa da Padroeira da Diocese de Noto, Maria Scala del Paradiso [Maria, Escada do Para\u00edso]. Estava com 94 anos de idade, 70 anos de sacerd\u00f3cio e 45 anos de consagra\u00e7\u00e3o episcopal. S\u00e3o n\u00fameros respeit\u00e1veis para um homem que serviu a Igreja como Pastor com \u201co cheiro das ovelhas\u201d, como o Papa Francisco costumava enfatizar.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><strong>Para-raios da humanidade<br \/>\n<\/strong>Na experi\u00eancia como pastor da Diocese de Noto (19.06.1998 \u2013 15.07.2007), teve a oportunidade de cultivar a amizade com o Servo de Deus Nino Baglieri. Quase nunca faltava uma \u201cparada\u201d na casa de Nino quando motivos pastorais o levavam a M\u00f3dica. Em seu testemunho, Dom Malandrino diz: \u201c\u2026encontrando-me ao lado de Nino, tinha a percep\u00e7\u00e3o viva de que este nosso amado irm\u00e3o enfermo era verdadeiramente um \u2018para-raios da humanidade\u2019, segundo uma concep\u00e7\u00e3o dos sofredores que me \u00e9 muito cara e que quis propor tamb\u00e9m na Carta Pastoral sobre a miss\u00e3o permanente \u2018Sereis minhas testemunhas\u2019 (2003).\u201d Dom Malandrino escreve: \u201c\u00c9 necess\u00e1rio reconhecer nos doentes e sofredores o rosto de Cristo sofredor e assisti-los com o mesmo cuidado e amor de Jesus em sua paix\u00e3o, vivida em esp\u00edrito de obedi\u00eancia ao Pai e solidariedade aos irm\u00e3os.\u201d Isso foi plenamente encarnado pela querida m\u00e3e de Nino, a senhora Peppina. Ela, t\u00edpica mulher siciliana, com um car\u00e1ter forte e muita determina\u00e7\u00e3o, respondeu ao m\u00e9dico que prop\u00f4s a eutan\u00e1sia para seu filho (dadas as graves condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e a perspectiva de uma vida de paralisia): \u201cse o Senhor quiser, Ele o levar\u00e1, mas se me deix\u00e1-lo assim, fico feliz em cuidar dele por toda a vida.\u201d A m\u00e3e de Nino, naquele momento, estava consciente do que estava por vir? Maria, m\u00e3e de Jesus, estava consciente da dor que teria que sofrer pelo Filho de Deus? A resposta, vista com olhos humanos, parece n\u00e3o ser f\u00e1cil, especialmente em nossa sociedade do s\u00e9culo XXI, onde tudo \u00e9 ef\u00eamero, flutuante, consumido num \u201cinstante\u201d. O \u201cFiat\u201d da m\u00e3e Peppina tornou-se, como o de Maria, um Sim de F\u00e9 e ades\u00e3o \u00e0quela vontade de Deus que se cumpre no saber carregar a Cruz, no saber dar \u201calma e corpo\u201d \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do Plano de Deus.<\/p>\n<p><strong>Da dor \u00e0 alegria<br \/>\n<\/strong>A rela\u00e7\u00e3o de amizade entre Nino e Dom Malandrino j\u00e1 estava iniciada quando este \u00faltimo ainda era bispo de Acireale; de fato, j\u00e1 em 1993, por meio do Padre At\u00edlio Balbinot, um camiliano muito pr\u00f3ximo a Nino, ele presenteou-o com seu primeiro livro: \u201cDa dor \u00e0 alegria\u201d. Na experi\u00eancia de Nino, a rela\u00e7\u00e3o com o Bispo de sua diocese era uma rela\u00e7\u00e3o de filia\u00e7\u00e3o total. Desde o momento em que aceitou o Plano de Deus para ele, fazia sentir sua presen\u00e7a \u201cativa\u201d oferecendo seus sofrimentos pela Igreja, pelo Papa e pelos Bispos (bem como pelos sacerdotes e mission\u00e1rios). Essa rela\u00e7\u00e3o de filia\u00e7\u00e3o era renovada anualmente no dia 6 de maio, data da queda vista depois como o in\u00edcio misterioso de um renascimento. No dia 8 de maio de 2004, poucos dias ap\u00f3s celebrar o 36\u00ba anivers\u00e1rio da Cruz de Nino, Dom Malandrino foi \u00e0 sua casa. Em mem\u00f3ria daquele encontro, Nino escreveu em suas mem\u00f3rias: \u201c\u00e9 sempre uma grande alegria toda vez que o vejo e recebo muita for\u00e7a e energia para carregar minha Cruz e oferec\u00ea-la com tanto Amor pelas necessidades da Santa Igreja e, em particular, pelo meu Bispo e pela nossa Diocese; que o Senhor lhe conceda cada vez mais santidade para nos guiar por muitos anos sempre com mais ardor e amor&#8230;\u201d. Ainda: \u201c\u2026 a Cruz \u00e9 pesada, mas o Senhor me concede muitas Gra\u00e7as que tornam o sofrimento menos amargo e a Cruz se torna leve e suave, a Cruz se faz Dom, oferecida ao Senhor com muito Amor pela salva\u00e7\u00e3o das almas e pela Convers\u00e3o dos Pecadores&#8230;\u201d. Por fim, \u00e9 importante destacar que, nessas ocasi\u00f5es de gra\u00e7a, nunca faltava o pedido insistente e constante de \u201cajuda para me tornar Santo com a Cruz de cada dia\u201d. Nino, de fato, queria absolutamente se tornar santo.<\/p>\n<p><strong>Uma beatifica\u00e7\u00e3o antecipada<br \/>\n<\/strong>Momento de grande relev\u00e2ncia foram, nesse sentido, as ex\u00e9quias do Servo de Deus em 3 de mar\u00e7o de 2007, quando justamente Dom Malandrino, no in\u00edcio da Celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, com devo\u00e7\u00e3o se inclinou, mesmo com dificuldade, para beijar o caix\u00e3o que continha os restos mortais de Nino. Foi uma homenagem a um homem que viveu 39 anos de sua exist\u00eancia em um corpo que \u201cn\u00e3o sentia\u201d, mas que irradiava alegria de viver em 360 graus. Dom Malandrino ressaltou que a celebra\u00e7\u00e3o da Missa, no p\u00e1tio dos Salesianos que se tornou para a ocasi\u00e3o uma \u201ccatedral\u201d a c\u00e9u aberto, foi uma aut\u00eantica apoteose (milhares de pessoas participaram em l\u00e1grimas) e se percebia claramente e comunitariamente que n\u00e3o se tratava de um funeral, mas de uma verdadeira \u201cbeatifica\u00e7\u00e3o\u201d. Nino, com seu testemunho de vida, tornou-se um ponto de refer\u00eancia para muitos, jovens ou menos jovens, leigos ou consagrados, m\u00e3es ou pais de fam\u00edlia, que gra\u00e7as ao seu precioso testemunho conseguiam ler sua pr\u00f3pria exist\u00eancia e encontrar respostas que n\u00e3o conseguiam achar em outro lugar. Dom Malandrino tamb\u00e9m enfatizou esse aspecto v\u00e1rias vezes: \u00abde fato, cada encontro com o querido Nino foi para mim, como para todos, uma forte e viva experi\u00eancia de edifica\u00e7\u00e3o e \u2013 na sua do\u00e7ura \u2013 um poderoso est\u00edmulo \u00e0 doa\u00e7\u00e3o paciente e generosa. A presen\u00e7a do Bispo lhe conferia imensa alegria porque, al\u00e9m do afeto do amigo que o visitava, ele percebia a comunh\u00e3o eclesial. \u00c9 \u00f3bvio que o que eu recebia dele era sempre muito mais do que aquele pouco que eu podia lhe dar\u00bb. A \u201cfixa\u00e7\u00e3o\u201d de Nino era \u201cse tornar santo\u201d: ter vivido e encarnado plenamente o evangelho da Alegria no Sofrimento, com seus padecimentos f\u00edsicos e seu dom total para a amada Igreja, fez com que tudo n\u00e3o terminasse com sua partida para a Jerusal\u00e9m do C\u00e9u, mas continuasse ainda, como ressaltou Dom Malandrino nas ex\u00e9quias: \u201c\u2026 a miss\u00e3o de Nino continua agora tamb\u00e9m atrav\u00e9s de seus escritos. Ele mesmo havia antecipado isso em seu Testamento espiritual\u201d: \u201c\u2026 meus escritos continuar\u00e3o meu testemunho, continuarei a dar Alegria a todos e a falar do Grande Amor de Deus e das Maravilhas que Ele fez em minha vida\u201d. Isso ainda est\u00e1 se cumprindo porque n\u00e3o pode ficar escondida \u201cuma cidade situada sobre um monte e n\u00e3o se acende uma l\u00e2mpada para coloc\u00e1-la debaixo do alqueire, mas no candelabro, para iluminar todos os que est\u00e3o em casa\u201d (Mateus 5,14-16). Metaforicamente, quer-se destacar que a \u201cluz\u201d (entendida em sentido amplo) deve ser vis\u00edvel, mais cedo ou mais tarde: o que \u00e9 importante vir\u00e1 \u00e0 luz e ser\u00e1 reconhecido.<br \/>\nRelembrar nestes dias \u2013 marcados pela morte de Dom Malandrino, seus funerais em Acireale (5 de agosto, Madonna della Neve [Nossa Senhora da Neve]) e em Noto (7 de agosto) com sepultamento na sequ\u00eancia na catedral que ele mesmo desejou fortemente reformar ap\u00f3s o desabamento de 13 de mar\u00e7o de 1996 e que foi reaberta em mar\u00e7o de 2007 (m\u00eas em que Nino Baglieri faleceu) \u2013 significa revisitar esse la\u00e7o entre duas grandes figuras da Igreja de Noto, fortemente entrela\u00e7adas e ambas capazes de deixar nela uma marca que n\u00e3o se apaga.<\/p>\n<p><em>Roberto Chiaramonte<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jos\u00e9 Malandrino, IX bispo da diocese de Noto, retornou \u00e0 Casa do Pai, no&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":45452,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":3,"footnotes":""},"categories":[161],"tags":[1755,2557,1827,2234,2570,1911,2228,2619],"class_list":["post-45459","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-boa-imprensa","tag-cooperadores-salesianos","tag-deus","tag-gracas-obtidas","tag-historias-de-jovens","tag-igreja","tag-noticias-religiosas","tag-santos","tag-testemunhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45459"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45459\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45467,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45459\/revisions\/45467"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45452"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}