{"id":45377,"date":"2025-09-11T10:46:03","date_gmt":"2025-09-11T10:46:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=45377"},"modified":"2025-09-19T15:35:32","modified_gmt":"2025-09-19T15:35:32","slug":"santa-monica-mae-de-santo-agostinho-testemunha-de-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/boa-imprensa\/santa-monica-mae-de-santo-agostinho-testemunha-de-esperanca\/","title":{"rendered":"Santa M\u00f4nica, m\u00e3e de Santo Agostinho, testemunha de esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>Uma mulher de f\u00e9 inabal\u00e1vel, de l\u00e1grimas fecundas, atendida por Deus ap\u00f3s dezessete longos anos. Um modelo de crist\u00e3, esposa e m\u00e3e para toda a Igreja. Uma testemunha de esperan\u00e7a que se transformou em poderosa intercessora no C\u00e9u. O pr\u00f3prio Dom Bosco recomendava \u00e0s m\u00e3es, aflitas pela vida pouco crist\u00e3 de seus filhos, que se encomendassem a ela nas ora\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>Na grande galeria dos santos e santas que marcaram a hist\u00f3ria da Igreja, Santa M\u00f4nica (331-387) ocupa um lugar singular. N\u00e3o por milagres espetaculares, n\u00e3o pela funda\u00e7\u00e3o de comunidades religiosas, nem por feitos sociais ou pol\u00edticos de destaque. M\u00f4nica \u00e9 lembrada e venerada sobretudo como m\u00e3e, a m\u00e3e de Agostinho, o jovem inquieto que, gra\u00e7as \u00e0s suas ora\u00e7\u00f5es, \u00e0s suas l\u00e1grimas e ao seu testemunho de f\u00e9, tornou-se um dos maiores Padres da Igreja e Doutores da f\u00e9 cat\u00f3lica.<br \/>\nMas limitar sua figura ao papel materno seria injusto e redutor. M\u00f4nica foi uma mulher que soube viver sua vida ordin\u00e1ria \u2013 esposa, m\u00e3e, crente \u2013 de forma extraordin\u00e1ria, transfigurando o cotidiano pela for\u00e7a da f\u00e9. \u00c9 um exemplo de perseveran\u00e7a na ora\u00e7\u00e3o, de paci\u00eancia no casamento, de esperan\u00e7a inabal\u00e1vel diante dos desvios do filho.<br \/>\nAs informa\u00e7\u00f5es sobre sua vida chegam at\u00e9 n\u00f3s quase exclusivamente pelas\u00a0<em>Confiss\u00f5es<\/em>\u00a0de Agostinho, um texto que n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00f4nica, mas uma leitura teol\u00f3gica e espiritual da exist\u00eancia. Ainda assim, nessas p\u00e1ginas Agostinho tra\u00e7a um retrato inesquec\u00edvel da m\u00e3e: n\u00e3o apenas uma mulher boa e piedosa, mas um aut\u00eantico modelo de f\u00e9 crist\u00e3, uma \u201cm\u00e3e das l\u00e1grimas\u201d que se tornam fonte de gra\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>As origens em Tagaste<br \/>\n<\/strong>M\u00f4nica nasceu em 331 em Tagaste, cidade da Num\u00eddia,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/place\/Souk+Ahras,+Algeria\/@36.2827198,7.8743761,16910m\/data=!3m2!1e3!4b1!4m12!1m5!3m4!2zMzbCsDE3JzExLjAiTiA3wrA1NycwNC4wIkU!8m2!3d36.286389!4d7.951111!3m5!1s0x12fa6335c5b58163:0x87115317fb476b8d!8m2!3d36.2799517!4d7.9382788!16s%2Fm%2F03gqd4g?hl=it&amp;entry=ttu&amp;g_ep=EgoyMDI1MDgyNS4wIKXMDSoASAFQAw%3D%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Souk Ahras<\/a>\u00a0na atual Arg\u00e9lia. Era um centro vibrante, marcado pela presen\u00e7a romana e por uma comunidade crist\u00e3 j\u00e1 enraizada. Proveniente de uma fam\u00edlia crist\u00e3 abastada: a f\u00e9 j\u00e1 fazia parte de seu horizonte cultural e espiritual.<br \/>\nSua forma\u00e7\u00e3o foi marcada pela influ\u00eancia de uma ama austera, que a educou na sobriedade e na temperan\u00e7a. Santo Agostinho escrever\u00e1 sobre ela: \u201c<em>N\u00e3o falarei, portanto, de seus dons, mas dos teus dons a ela, que n\u00e3o se fez sozinha, nem foi educada sozinha. Tu a criaste sem que nem o pai nem a m\u00e3e soubessem que filha teriam; e a ensinaste no teu temor com a vara do teu Cristo, ou seja, a disciplina do teu Unig\u00eanito, numa casa de crentes, membro saud\u00e1vel da tua Igreja.<\/em>\u201d (Confiss\u00f5es IX, 8, 17).<\/p>\n<p>Nas mesmas\u00a0<em>Confiss\u00f5es<\/em>, Agostinho tamb\u00e9m relata um epis\u00f3dio significativo: a jovem M\u00f4nica havia adquirido o h\u00e1bito de beber pequenos goles de vinho da adega, at\u00e9 que uma serva a repreendeu chamando-a de \u201cb\u00eabada\u201d. Essa repreens\u00e3o foi suficiente para que ela se corrigisse definitivamente. Essa historieta, aparentemente sem import\u00e2ncia, mostra sua honestidade em reconhecer seus pecados, em deixar-se corrigir e em crescer em virtude.<\/p>\n<p>Aos 23 anos, M\u00f4nica foi dada em casamento a Patr\u00edcio, um funcion\u00e1rio municipal pag\u00e3o, conhecido por seu temperamento col\u00e9rico e sua infidelidade conjugal. A vida matrimonial n\u00e3o foi f\u00e1cil: a conviv\u00eancia com um homem impulsivo e distante da f\u00e9 crist\u00e3 colocou \u00e0 prova sua paci\u00eancia.<br \/>\nNo entanto, M\u00f4nica nunca caiu em des\u00e2nimo. Com uma atitude de mansid\u00e3o e respeito, soube conquistar progressivamente o cora\u00e7\u00e3o do marido. N\u00e3o respondia com dureza \u00e0s explos\u00f5es de raiva, n\u00e3o alimentava conflitos in\u00fateis. Com o tempo, sua const\u00e2ncia deu frutos: Patr\u00edcio se converteu e recebeu o batismo pouco antes de morrer.<br \/>\nO testemunho de M\u00f4nica mostra como a santidade n\u00e3o se expressa necessariamente em gestos grandiosos, mas na fidelidade cotidiana, no amor que sabe transformar lentamente as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Nesse sentido, \u00e9 um modelo para muitas esposas e m\u00e3es que vivem casamentos marcados por tens\u00f5es ou diferen\u00e7as de f\u00e9.<\/p>\n<p><strong>M\u00f4nica m\u00e3e<br \/>\n<\/strong>Do casamento nasceram tr\u00eas filhos: Agostinho, Nav\u00edgio e uma filha cujo nome desconhecemos. M\u00f4nica derramou sobre eles todo seu amor, mas sobretudo sua f\u00e9. Nav\u00edgio e a filha seguiram um caminho crist\u00e3o linear: Nav\u00edgio tornou-se sacerdote; a filha seguiu o caminho da virgindade consagrada. Agostinho, por sua vez, tornou-se logo o centro de suas preocupa\u00e7\u00f5es e l\u00e1grimas.<br \/>\nDesde garoto, Agostinho mostrava uma intelig\u00eancia extraordin\u00e1ria. M\u00f4nica o enviou para estudar ret\u00f3rica em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/place\/Ruins+of+Ancient+Carthage\/@36.8558118,10.3228566,2967m\/data=!3m1!1e3!4m12!1m5!3m4!2zMzbCsDUxJzI4LjgiTiAxMMKwMTknNTEuMyJF!8m2!3d36.858008!4d10.330904!3m5!1s0x12e2b5ba6deeecbf:0x9a5d61c6a3c22afe!8m2!3d36.8551087!4d10.3320773!16s%2Fg%2F11bc580kds?hl=it&amp;entry=ttu&amp;g_ep=EgoyMDI1MDgyNS4wIKXMDSoASAFQAw%3D%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cartago<\/a>, desejosa de garantir-lhe um futuro brilhante. Mas junto com os progressos intelectuais vieram tamb\u00e9m as tenta\u00e7\u00f5es: sensualidade, mundanismo, m\u00e1s companhias. Agostinho abra\u00e7ou a doutrina manique\u00edsta, convencido de encontrar nela respostas racionais para o problema do mal. Al\u00e9m disso, come\u00e7ou a conviver sem casar com uma mulher, da qual teve um filho, Adeodato. Os desvios do filho levaram M\u00f4nica a negar-lhe acolhida em sua casa. Mas n\u00e3o por isso deixou de orar por ele e de oferecer sacrif\u00edcios: \u201c<em>do cora\u00e7\u00e3o sangrante de minha m\u00e3e te era oferecido por mim noite e dia o sacrif\u00edcio de suas l\u00e1grimas<\/em>\u201d. (Confiss\u00f5es V, 7,13) e \u201c<em>derramava mais l\u00e1grimas do que jamais derramam as m\u00e3es pela morte f\u00edsica dos filhos<\/em>\u201d (Confiss\u00f5es III, 11,19).<\/p>\n<p>Para M\u00f4nica foi uma ferida profunda: o filho, que ela havia consagrado a Cristo no ventre, estava se perdendo. A dor era indescrit\u00edvel, mas ela nunca deixou de esperar. O pr\u00f3prio Agostinho escrever\u00e1:\u00a0<em>\u201cO cora\u00e7\u00e3o de minha m\u00e3e, atingido por tal ferida, nunca mais sararia: porque n\u00e3o sei expressar adequadamente seus sentimentos por mim e qu\u00e3o maior foi seu trabalho ao me dar \u00e0 luz em esp\u00edrito do que aquele com que me deu \u00e0 luz na carne.\u201d<\/em>\u00a0(Confiss\u00f5es V, 9,16).<\/p>\n<p>Surge espont\u00e2nea a pergunta: por que M\u00f4nica n\u00e3o batizou Agostinho logo ap\u00f3s o nascimento?<br \/>\nNa verdade, embora o batismo infantil j\u00e1 fosse conhecido e praticado, ainda n\u00e3o era uma pr\u00e1tica universal. Muitos pais preferiam adi\u00e1-lo para a idade adulta, considerando-o um \u201cbanho definitivo\u201d: temiam que, se o batizado pecasse gravemente, a salva\u00e7\u00e3o estaria comprometida. Al\u00e9m disso, Patr\u00edcio, ainda pag\u00e3o, n\u00e3o tinha interesse em educar o filho na f\u00e9 crist\u00e3.<br \/>\nHoje vemos claramente que foi uma escolha infeliz, pois o batismo n\u00e3o s\u00f3 nos torna filhos de Deus, mas nos d\u00e1 a gra\u00e7a de vencer as tenta\u00e7\u00f5es e o pecado.<br \/>\nUma coisa, por\u00e9m, \u00e9 certa: se ele tivesse sido batizado quando crian\u00e7a, M\u00f4nica teria poupado a si mesma e ao filho muitos sofrimentos.<\/p>\n<p>A imagem mais forte de M\u00f4nica \u00e9 a de uma m\u00e3e que ora e chora. As\u00a0<em>Confiss\u00f5es<\/em>\u00a0a descrevem como uma mulher incans\u00e1vel em interceder junto a Deus pelo filho.<br \/>\nUm dia, um bispo de Tagaste \u2013 segundo alguns, o pr\u00f3prio Ambr\u00f3sio \u2013 a tranquilizou com palavras que ficaram c\u00e9lebres: \u201c<em>Vai, n\u00e3o pode se perder o filho de tantas l\u00e1grimas<\/em>\u201d. Essa frase tornou-se a estrela guia de M\u00f4nica, a confirma\u00e7\u00e3o de que sua dor materna n\u00e3o era em v\u00e3o, mas parte de um misterioso des\u00edgnio de gra\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Tenacidade de uma m\u00e3e<br \/>\n<\/strong>A vida de M\u00f4nica foi tamb\u00e9m uma peregrina\u00e7\u00e3o nos passos de Agostinho. Quando o filho decidiu partir \u00e0s escondidas para Roma, M\u00f4nica n\u00e3o poupou esfor\u00e7os; n\u00e3o deu a causa como perdida, mas o seguiu e o procurou at\u00e9 encontr\u00e1-lo. Ela o alcan\u00e7ou em Mil\u00e3o, onde Agostinho havia conseguido uma c\u00e1tedra de ret\u00f3rica. Ali encontrou um guia espiritual em Santo Ambr\u00f3sio, bispo da cidade. Entre M\u00f4nica e Ambr\u00f3sio nasceu uma profunda sintonia: ela reconhecia nele o pastor capaz de guiar o filho, enquanto Ambr\u00f3sio admirava sua f\u00e9 inabal\u00e1vel.<br \/>\nEm Mil\u00e3o, a prega\u00e7\u00e3o de Ambr\u00f3sio abriu novas perspectivas para Agostinho. Ele abandonou progressivamente o manique\u00edsmo e come\u00e7ou a olhar para o cristianismo com novos olhos. M\u00f4nica acompanhava silenciosamente esse processo: n\u00e3o for\u00e7ava os tempos, n\u00e3o exigia convers\u00f5es imediatas, mas orava, apoiava e permanecia ao lado dele at\u00e9 sua convers\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A convers\u00e3o de Agostinho<br \/>\n<\/strong>Parecia que Deus n\u00e3o a ouvia, mas M\u00f4nica nunca deixou de orar e oferecer sacrif\u00edcios pelo filho. Ap\u00f3s dezessete anos, finalmente suas s\u00faplicas foram atendidas \u2013 e como! Agostinho n\u00e3o s\u00f3 se tornou crist\u00e3o, mas tamb\u00e9m sacerdote, bispo, doutor e padre da Igreja.<br \/>\nEle mesmo reconhece: \u201c<em>Tu, por\u00e9m, na profundidade dos teus des\u00edgnios, atendeste ao ponto vital do seu desejo, sem te importares com o objeto moment\u00e2neo de seu pedido, mas cuidando de fazer de mim aquilo que sempre te pedia que fizesse.<\/em>\u201d (Confiss\u00f5es V, 8,15).<\/p>\n<p>O momento decisivo chegou em 386. Agostinho, atormentado interiormente, lutava contra as paix\u00f5es e resist\u00eancias de sua vontade. No c\u00e9lebre epis\u00f3dio do jardim de Mil\u00e3o, ao ouvir a voz de uma crian\u00e7a dizendo \u201c<em>Tolle, lege<\/em>\u201d (\u201cToma, l\u00ea\u201d), abriu a Carta aos Romanos e leu as palavras que mudaram sua vida: \u201c<em>Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e n\u00e3o atendais aos desejos e paix\u00f5es da vida carnal<\/em>\u201d (Rm 13,14).<br \/>\nFoi o in\u00edcio de sua convers\u00e3o. Junto com o filho Adeodato e alguns amigos, retirou-se para Cassic\u00edaco para se preparar para o batismo. M\u00f4nica estava com eles, participando da alegria de ver finalmente atendidas as ora\u00e7\u00f5es de tantos anos.<br \/>\nNa noite de P\u00e1scoa de 387, na catedral de Mil\u00e3o, Ambr\u00f3sio batizou Agostinho, Adeodato e os outros catec\u00famenos. As l\u00e1grimas de dor de M\u00f4nica se transformaram em l\u00e1grimas de alegria. Continuou a servi-los, tanto que em Cassic\u00edaco Agostinho dir\u00e1:\u00a0<em>\u201cCuidou como se fosse m\u00e3e de todos e nos serviu como se fosse filha de todos.\u201d<\/em>.<\/p>\n<p><strong>\u00d3stia: o \u00eaxtase e a morte<br \/>\n<\/strong>Ap\u00f3s o batismo, M\u00f4nica e Agostinho se prepararam para voltar \u00e0 \u00c1frica. Parando em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/place\/00119+Ostia+Antica+RM\/@41.7562658,12.2905632,1494m\/data=!3m1!1e3!4m15!1m8!3m7!1s0x1325f04cc8b39125:0xba9afde704ea384a!2s00119+Ostia+Antica+RM!3b1!8m2!3d41.7581358!4d12.2999278!16s%2Fm%2F027m23s!3m5!1s0x1325f04cc8b39125:0xba9afde704ea384a!8m2!3d41.7581358!4d12.2999278!16s%2Fm%2F027m23s?hl=it&amp;entry=ttu&amp;g_ep=EgoyMDI1MDgyNS4wIKXMDSoASAFQAw%3D%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00d3stia<\/a>, aguardando o navio, viveram um momento de intensa espiritualidade. As\u00a0<em>Confiss\u00f5es<\/em>\u00a0narram o \u00eaxtase de \u00d3stia: m\u00e3e e filho, \u00e0 janela, contemplaram juntos a beleza da cria\u00e7\u00e3o e se elevaram a Deus, antecipando a bem-aventuran\u00e7a do c\u00e9u.<br \/>\nM\u00f4nica dir\u00e1: \u201c<em>Filho, quanto a mim n\u00e3o encontro mais nenhum atrativo nesta vida. N\u00e3o sei por que ainda estou aqui e o que fa\u00e7o aqui. Este mundo n\u00e3o \u00e9 mais objeto de desejos para mim. Havia apenas um motivo para querer ficar um pouco mais nesta vida: ver-te crist\u00e3o cat\u00f3lico antes de morrer. Deus me atendeu al\u00e9m de toda minha expectativa, concedeu-me ver-te a seu servi\u00e7o e liberto das aspira\u00e7\u00f5es de felicidade terrena. Para que estou aqui?<\/em>\u201d (Confiss\u00f5es IX, 10,11). Ela havia alcan\u00e7ado seu objetivo terreno.<br \/>\nAlguns dias depois, M\u00f4nica adoeceu gravemente. Sentindo a proximidade da morte, disse aos filhos: \u201c<em>Meus filhos, sepultem aqui sua m\u00e3e: n\u00e3o se preocupem com o lugar. S\u00f3 lhes pe\u00e7o uma coisa: lembrem-se de mim no altar do Senhor, onde quer que estejam<\/em>\u201d. Essa foi a s\u00edntese de sua vida: n\u00e3o importava o local do sepultamento, mas o v\u00ednculo na ora\u00e7\u00e3o e na Eucaristia.<br \/>\nMorreu aos 56 anos, em 12 de novembro de 387, e foi sepultada em \u00d3stia. No s\u00e9culo VI, suas rel\u00edquias foram transferidas para uma cripta escondida na mesma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/place\/Cattedrale+di+Sant'Aurea\/@41.7595932,12.3013091,122m\/data=!3m1!1e3!4m15!1m8!3m7!1s0x1325f04cc8b39125:0xba9afde704ea384a!2s00119+Ostia+Antica+RM!3b1!8m2!3d41.7581358!4d12.2999278!16s%2Fm%2F027m23s!3m5!1s0x1325f1b2c80e2249:0x539a39731cf0a765!8m2!3d41.7593534!4d12.3017109!16s%2Fm%2F0gjbz1q?hl=it&amp;entry=ttu&amp;g_ep=EgoyMDI1MDgyNS4wIKXMDSoASAFQAw%3D%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">igreja de Santa \u00c1urea<\/a>. Em 1425, as rel\u00edquias foram transladas para Roma, na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/place\/Basilica+di+Sant%E2%80%99Agostino\/@41.900984,12.4741411,173m\/data=!3m1!1e3!4m14!1m7!3m6!1s0x132f605056bbbf59:0x57d6257c62df6f89!2sBasilica+di+Sant%E2%80%99Agostino!8m2!3d41.900957!4d12.4742881!16zL20vMDhjMHFq!3m5!1s0x132f605056bbbf59:0x57d6257c62df6f89!8m2!3d41.900957!4d12.4742881!16zL20vMDhjMHFq?hl=it&amp;entry=ttu&amp;g_ep=EgoyMDI1MDgyNS4wIKXMDSoASAFQAw%3D%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bas\u00edlica de Santo Agostinho no Campo de M\u00e1rcio<\/a>, onde ainda hoje s\u00e3o veneradas.<\/p>\n<p><strong>O perfil espiritual de M\u00f4nica<br \/>\n<\/strong>Agostinho descreve sua m\u00e3e com palavras bem medidas:<br \/>\n<em>\u201c[\u2026] feminina na apar\u00eancia, viril na f\u00e9, vigilante na serenidade, maternal no amor, crist\u00e3 na piedade [\u2026]\u201d<\/em>. (Confiss\u00f5es IX, 4,8).<br \/>\nE ainda:<br \/>\n<em>\u201c[\u2026] vi\u00fava casta e s\u00f3bria, ass\u00eddua na esmola, devota e submissa aos teus santos; que n\u00e3o deixava passar um dia sem levar a oferta ao teu altar, que duas vezes ao dia, de manh\u00e3 e \u00e0 noite, sem falta visitava tua igreja, e n\u00e3o para conversar inutilmente e tagarelar como as outras velhas, mas para ouvir tuas palavras e fazer ouvir suas ora\u00e7\u00f5es. As l\u00e1grimas de tal mulher, que com elas te pedia n\u00e3o ouro nem prata, nem bens vol\u00faveis ou inst\u00e1veis, mas a salva\u00e7\u00e3o da alma de seu filho, tu poderias desprez\u00e1-las, tu que assim a fizeste com tua gra\u00e7a, recusando-lhe teu socorro? Certamente n\u00e3o, Senhor. Tu, ao contr\u00e1rio, estavas ao lado dela e a atendias, operando segundo a ordem com que predestinaste que devesse operar.\u201d<\/em>\u00a0(Confiss\u00f5es V, 9,17).<\/p>\n<p>Desse testemunho agostiniano, emerge uma figura de surpreendente atualidade.<br \/>\nFoi uma mulher de ora\u00e7\u00e3o: nunca deixou de invocar a Deus pela salva\u00e7\u00e3o de seus entes queridos. Suas l\u00e1grimas tornam-se modelo de intercess\u00e3o perseverante.<br \/>\nFoi uma esposa fiel: em um casamento dif\u00edcil, nunca respondeu com ressentimento \u00e0 dureza do marido. Sua paci\u00eancia e mansid\u00e3o foram instrumentos de evangeliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFoi uma m\u00e3e corajosa: n\u00e3o abandonou o filho em seus desvios, mas o acompanhou com amor tenaz, capaz de confiar nos tempos de Deus.<br \/>\nFoi uma testemunha de esperan\u00e7a: sua vida mostra que nenhuma situa\u00e7\u00e3o \u00e9 desesperadora, se vivida na f\u00e9.<br \/>\nA mensagem de M\u00f4nica n\u00e3o pertence apenas ao s\u00e9culo IV. Fala ainda hoje, em um contexto em que muitas fam\u00edlias vivem tens\u00f5es: filhos se afastam da f\u00e9, pais experimentam a dificuldade da espera.<br \/>\nEnsina aos pais a n\u00e3o desistir, a crer que a gra\u00e7a opera de maneiras misteriosas.<br \/>\nMostra \u00e0s mulheres crist\u00e3s como a mansid\u00e3o e a fidelidade podem transformar rela\u00e7\u00f5es dif\u00edceis.<br \/>\nA quem se sinta desanimado na ora\u00e7\u00e3o, testemunha que Deus escuta, mesmo que os tempos n\u00e3o coincidam com os nossos.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 por acaso que muitas associa\u00e7\u00f5es e movimentos escolheram M\u00f4nica como padroeira das m\u00e3es crist\u00e3s e das mulheres que rezam pelos filhos afastados da f\u00e9.<\/p>\n<p><strong>Uma mulher simples e extraordin\u00e1ria<br \/>\n<\/strong>A vida de Santa M\u00f4nica \u00e9 a hist\u00f3ria de uma mulher simples e extraordin\u00e1ria ao mesmo tempo. Simples porque vivida no cotidiano de uma fam\u00edlia; extraordin\u00e1ria porque transfigurada pela f\u00e9. Suas l\u00e1grimas e suas ora\u00e7\u00f5es moldaram um santo e, atrav\u00e9s dele, marcaram profundamente a hist\u00f3ria da Igreja.<br \/>\nSua mem\u00f3ria, celebrada em 27 de agosto, na v\u00e9spera da festa de Santo Agostinho, nos lembra que a santidade muitas vezes passa pela perseveran\u00e7a oculta, pelo sacrif\u00edcio silencioso, pela esperan\u00e7a que n\u00e3o decepciona.<br \/>\nNas palavras de Agostinho, dirigidas a Deus pela m\u00e3e, encontramos a s\u00edntese de sua heran\u00e7a espiritual: \u201c<em>N\u00e3o posso dizer o quanto minha alma lhe \u00e9 devedora, meu Deus; mas tu sabes tudo. Recompensa-a com tua miseric\u00f3rdia pelo que te pediu com tantas l\u00e1grimas por mim<\/em>\u201d (Conf., IX, 13).<\/p>\n<p>Santa M\u00f4nica, atrav\u00e9s dos acontecimentos de sua vida, alcan\u00e7ou a felicidade eterna que ela mesma definiu: \u201c<em>A felicidade consiste, sem d\u00favida, em alcan\u00e7ar o fim e devemos confiar que podemos ser conduzidos a ele por uma f\u00e9 firme, por uma viva esperan\u00e7a, por uma ardente caridade<\/em>\u201d. (A Felicidade 4,35).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma mulher de f\u00e9 inabal\u00e1vel, de l\u00e1grimas fecundas, atendida por Deus ap\u00f3s dezessete longos anos&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":45368,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":8,"footnotes":""},"categories":[161],"tags":[2565,2557,2579,2232,1827,2570,2228,2619,2025],"class_list":["post-45377","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-boa-imprensa","tag-caridade","tag-deus","tag-educacao","tag-esperanca","tag-gracas-obtidas","tag-igreja","tag-santos","tag-testemunhos","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45377","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45377"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45377\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45378,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45377\/revisions\/45378"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45368"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}