{"id":45164,"date":"2025-09-05T07:32:16","date_gmt":"2025-09-05T07:32:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/?p=45164"},"modified":"2025-09-10T16:12:35","modified_gmt":"2025-09-10T16:12:35","slug":"a-pastora-as-ovelhas-e-os-cordeiros-1867","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/sonhos-de-dom-bosco\/a-pastora-as-ovelhas-e-os-cordeiros-1867\/","title":{"rendered":"A pastora, as ovelhas e os cordeiros (1867)"},"content":{"rendered":"<p>No trecho a seguir, Dom Bosco, fundador do Orat\u00f3rio de Valdocco, conta aos seus jovens um sonho que teve entre 29 e 30 de maio de 1867 e narrou na noite do Domingo da Sant\u00edssima Trindade. Numa plan\u00edcie sem fim, rebanhos e cordeiros tornam-se alegoria do mundo e dos jovens: prados exuberantes ou desertos \u00e1ridos figuram a gra\u00e7a e o pecado; chifres e feridas denunciam esc\u00e2ndalo e desonra; o n\u00famero \u201c3\u201d prenuncia tr\u00eas fomes \u2013 espiritual, moral, material \u2013 que amea\u00e7am quem se afasta de Deus. Do relato brota o apelo urgente do santo: guardar a inoc\u00eancia, voltar \u00e0 gra\u00e7a com a penit\u00eancia, para que cada jovem possa revestir-se das flores da pureza e participar da alegria prometida pelo bom Pastor.<\/p>\n<p>            No domingo da Sant\u00edssima Trindade, 16 de junho, em que Dom Bosco h\u00e1 vinte e seis anos atr\u00e1s tinha celebrado sua primeira missa, os jovens estavam na expectativa do sonho, cuja narra\u00e7\u00e3o havia sido anunciada no dia 13. Seu ardente desejo era o bem espiritual da grei, e sua norma, as admoesta\u00e7\u00f5es e as promessas do livro dos Prov\u00e9rbios, 27, 23-25: Diligentes agnosce vultum pecoris tui, tuosque greges considera: non enim habebis iugiter potestatem: sed corona tribuetur in generationem et generationem. Aperta sunt prata, et apparuerunt herbae virentes, et collecta sunt foena de montibus (Com dilig\u00eancia reconhece o aspecto das tuas ovelhas e d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o aos teus rebanhos, pois nem sempre poder\u00e1s faz\u00ea-lo e a coroa n\u00e3o passa de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o! Ro\u00e7aram-se os prados, apareceu a erva verde e foi recolhido o feno dos montes)\u2026 Nas suas ora\u00e7\u00f5es pedia para conhecer bem as ovelhas, para ter a gra\u00e7a de vigiar com aten\u00e7\u00e3o, e garantir-lhes a guarda tamb\u00e9m ap\u00f3s sua morte, v\u00ea-las providas de f\u00e1cil e conveniente alimento espiritual e material. Ent\u00e3o, depois das ora\u00e7\u00f5es da noite, Dom Bosco falou assim:<\/p>\n<p>            Numa das \u00faltimas noites do m\u00eas de Maria, estando na cama e n\u00e3o conseguindo dormir, pensando nos meus queridos jovens, dizia para mim mesmo:<br \/>\n            \u2013 Que bom se pudesse sonhar algo que fosse para o bem deles! Fiquei algum tempo refletindo e resolvi:<br \/>\n            \u2013 Sim, agora eu quero sonhar em favor de meus jovens.<br \/>\n            E eis que adormeci. Mal peguei no sono, me vi numa imensa plan\u00edcie cheia de infinita quantidade de grandes ovelhas, as quais, divididas em rebanhos, pastavam em prados extensos a perder de vista. Quis me aproximar delas e pus-me a procurar o pastor, cheio de espanto em imaginar que pudesse existir algu\u00e9m no mundo dono de tantas ovelhas. Procurei por pouco tempo e me vi diante de um pastor apoiado em seu cajado.<br \/>\n            Apressei-me a interrog\u00e1-lo, perguntando-lhe:<br \/>\n            \u2013 A quem pertence este rebanho t\u00e3o numeroso?<br \/>\n            O pastor n\u00e3o respondeu. Repeti a pergunta; ent\u00e3o me falou:<br \/>\n            \u2013 Que interesse tem o senhor em saber?<br \/>\n            \u2013 E por que \u2013 acrescentei \u2013 me responde desta maneira?<br \/>\n            \u2013 Est\u00e1 bem, este rebanho \u00e9 de seu dono.<br \/>\n            \u2013 De seu dono? Isso eu j\u00e1 sabia \u2013 falei para mim mesmo. Por\u00e9m continuei em voz alta:<br \/>\n            \u2013 Quem \u00e9 esse dono?<br \/>\n            \u2013 N\u00e3o se incomode \u2013 respondeu-me o pastor \u2013 sab\u00ea-lo-\u00e1.<br \/>\n            Ent\u00e3o, andando com ele por aquele vale, pus-me a examinar o rebanho, por todos os lugares por onde vagava. Em certos locais, o vale estava coberto por rica vegeta\u00e7\u00e3o, com \u00e1rvores que estendiam grandes copas com agrad\u00e1veis sombras e gramados nov\u00edssimos nos quais belas e vigorosas ovelhas pastavam. Em outras partes a plan\u00edcie era est\u00e9ril, arenosa, cheia de pedras com espinheiros sem folhas, gram\u00edneas amareladas, n\u00e3o existindo sequer um fio de capim verde. Apesar disso, tamb\u00e9m aqui outras ovelhas pastavam, mas com miser\u00e1vel apar\u00eancia.<br \/>\n            Eu pedia que meu guia me explicasse v\u00e1rias coisas a respeito de seu rebanho. Sem nada me responder \u00e0s minhas perguntas, me disse:<br \/>\n            \u2013 Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 destinado para elas. N\u00e3o pense nestas. Vou conduzi-lo ao rebanho do qual voc\u00ea deve cuidar.<br \/>\n            \u2013 Mas voc\u00ea, quem \u00e9?<br \/>\n            \u2013 Sou o dono. Venha comigo para observar l\u00e1, daquele lado.<br \/>\n            Conduziu-me a outro lugar da plan\u00edcie onde havia milhares e milhares somente de cordeirinhos. Eram t\u00e3o numerosos que n\u00e3o dava para cont\u00e1-los. Eram t\u00e3o magros que mal e mal podiam andar.  O campo estava seco, \u00e1rido e arenoso; n\u00e3o se via um fiapo de capim verde, um regato. Somente algum raminho ressequido e moitas secas. Toda pastagem havia sido destru\u00edda pelos pr\u00f3prios cordeirinhos.<br \/>\n            Notava-se \u00e0 primeira vista que esses coitados cordeirinhos, cobertos de feridas, tinham sofrido muito, continuavam sofrendo. Coisa estranha! Cada um tinha dois chifres compridos e grossos na testa, como se fossem carneiros velhos. Na ponta dos chifres havia um ap\u00eandice em forma de \u201cS\u201d. Maravilhado, fiquei perplexo com este estranho ap\u00eandice. N\u00e3o entendia porque esses cordeirinhos j\u00e1 tinham chifres t\u00e3o compridos e grossos e tivessem destru\u00eddo t\u00e3o rapidamente toda a pastagem.<br \/>\n            \u2013 Como se explica isto? \u2013 Falei ao pastor. \u2013 Esses cordeirinhos s\u00e3o t\u00e3o pequenos e j\u00e1 com chifres assim?<br \/>\n            \u2013 Olhe \u2013 respondeu-me; \u2013 observe.<br \/>\n            Observando com mais aten\u00e7\u00e3o, vi que esses cordeirinhos carregavam enigmaticamente muitos n\u00fameros \u201c3\u201d estampados em todas as partes do corpo: no lombo, na cabe\u00e7a, no focinho, nas orelhas, no nariz, nas pernas, nos cascos.<br \/>\n            \u2013 Mas, o que isto significa? \u2013 Exclamei. \u2013 N\u00e3o entendo nada.<br \/>\n            \u2013 Como n\u00e3o entende? \u2013 Disse-me o pastor. \u2013 Ent\u00e3o ou\u00e7a e compreender\u00e1 tudo. Esta enorme plan\u00edcie \u00e9 o mundo. Os locais revestidos de ervas, a palavra de Deus e sua gra\u00e7a. Os locais est\u00e9reis e \u00e1ridos s\u00e3o onde n\u00e3o se ouve a palavra de Deus, procurando-se somente os prazeres do mundo. As ovelhas s\u00e3o os adultos; os cordeirinhos s\u00e3o os jovens; para estes Deus enviou Dom Bosco. Este \u00e2ngulo da plan\u00edcie que voc\u00ea v\u00ea \u00e9 o Orat\u00f3rio; os cordeirinhos a\u00ed reunidos s\u00e3o os seus meninos. Este lugar \u00e1rido significa o estado de pecado. Os chifres significam a desonra. A letra \u201cS\u201d quer dizer scandalo (esc\u00e2ndalo). Com o mau exemplo se dirigem para a ru\u00edna. No meio desses cordeirinhos h\u00e1 alguns com os chifres quebrados; foram escandalosos, e agora pararam de dar esc\u00e2ndalo. O n\u00famero \u201c3\u201d significa que carregam o castigo da culpa. Quer dizer que sofrer\u00e3o tr\u00eas grandes car\u00eancias: car\u00eancia espiritual, moral, material. 1\u00ba A car\u00eancia de aux\u00edlios espirituais; pedir\u00e3o esta ajuda, e n\u00e3o a ter\u00e3o. 2\u00ba Car\u00eancia da palavra de Deus. 3\u00ba Car\u00eancia de p\u00e3o material. O fato de os cordeirinhos terem comido tudo, quer dizer que nada mais lhes resta sen\u00e3o a desonra. O n\u00famero \u201c3\u201d s\u00e3o as tr\u00eas aus\u00eancias. Esse espet\u00e1culo mostra tamb\u00e9m os sofrimentos de muitos jovens no meio do mundo. No Orat\u00f3rio n\u00e3o falta p\u00e3o material, tamb\u00e9m para os que seriam indignos.<br \/>\n            Enquanto eu ouvia e observava tudo como que esquecido, nova maravilha<br \/>\naparece. Todos os cordeirinhos mudam de apar\u00eancia.<br \/>\n            Ergueram-se sobre as patas traseiras ficando altos e tomando a forma de outros tantos jovens do Orat\u00f3rio. Aproximei-me para ver se conhecia algum. Todos eram alunos do Orat\u00f3rio. Muitos deles nunca os tinha visto, por\u00e9m, todos afirmavam serem filhos do nosso Orat\u00f3rio. Entre os que eu n\u00e3o conhecia havia alguns poucos que presentemente est\u00e3o no Orat\u00f3rio. S\u00e3o os que nunca se apresentam a Dom Bosco, que nunca v\u00e3o buscar conselho com ele, os que fogem dele. Numa palavra, aqueles que Dom Bosco n\u00e3o conhece ainda! Entretanto, a maioria dos desconhecidos era dos que n\u00e3o foram nem est\u00e3o ainda no Orat\u00f3rio.<br \/>\n            Enquanto, com pena, observava essa multid\u00e3o, quem me acompanhava tomou-me pela m\u00e3o e me disse: \u2013 Venha comigo e ver\u00e1 outras coisas. \u2013 Conduziu-<br \/>\n-me a um canto remoto do vale, circundado por pequenas colinas, cercado por uma sebe de plantas vi\u00e7osas, onde havia um grande prado verdejante, o mais agrad\u00e1vel que se pode imaginar, cheio de toda esp\u00e9cie de ervas arom\u00e1ticas, disseminado de flores campestres, com vi\u00e7osas moitas e correntes de \u00e1guas l\u00edmpidas. Aqui encontrei outro imenso n\u00famero de filhos, todos alegres, os quais com flores tinham-se feito ou estavam fazendo linda roupagem.<br \/>\n            \u2013 Voc\u00ea tem ao menos esses que lhe d\u00e3o grande satisfa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n            \u2013 Quem s\u00e3o? \u2013 Perguntei.<br \/>\n            \u2013 S\u00e3o os que est\u00e3o na gra\u00e7a de Deus.<br \/>\n            Ah, posso dizer que nunca vi coisas e pessoas t\u00e3o bonitas e espl\u00eandidas. Nem podia imaginar tais resplendores. \u00c9 in\u00fatil que eu queira descrev\u00ea-los, pois seria imposs\u00edvel falar sem estar vendo. Por\u00e9m, estava reservado um espet\u00e1culo mais surpreendente. Enquanto observava com grande alegria esses jovens, e entre eles via muitos que n\u00e3o conhecia ainda, meu guia acrescentou:<br \/>\n            \u2013 Venha, venha comigo, e lhe mostrarei algo que lhe far\u00e1 grande alegria e consola\u00e7\u00e3o maior. \u2013 Conduziu-me a outro campo completamente tomado das mais raras e perfumadas flores nunca vistas. Seu aspecto era como um jardim principesco. Aqui se via uma quantidade n\u00e3o t\u00e3o grande de jovens, entretanto de extraordin\u00e1ria formosura e esplendor de maneira a fazer desaparecer os que h\u00e1 pouco eu tinha admirado. Alguns desses j\u00e1 est\u00e3o aqui no Orat\u00f3rio, outros vir\u00e3o mais tarde.<br \/>\n            O pastor me falou:<br \/>\n            \u2013 Esses s\u00e3o os que conservam o lindo l\u00edrio da pureza. Est\u00e3o ainda vestidos com a estola da inoc\u00eancia.<br \/>\n            Olhava ext\u00e1tico. Quase todos tinham na cabe\u00e7a um coroa de flores indescritivelmente lindas. Estas flores eram formadas de outras min\u00fasculas flores de surpreendente delicadeza. As cores eram de encantadora vivacidade e variedade, mais de mil cores numa \u00fanica flor. Numa s\u00f3 flor se viam mil flores. Uma veste de deslumbrante brancura lhes descia at\u00e9 aos p\u00e9s, tamb\u00e9m toda tecida de guirlandas de flores, semelhantes \u00e0s da coroa. A luz que sa\u00eda dessas flores revestia toda a pessoa e espelhava nela toda a alegria. As flores se refletiam umas nas outras, aqueles das coroas naquelas das guirlandas, reverberando cada uma os raios emitidos pelas outras. Um raio de uma cor, quebrando-se com raio de outra cor, formava outros novos raios, diferentes, brilhantes. Assim, de cada raio eram reproduzidos outros novos raios, de forma que eu nunca teria podido imaginar que no c\u00e9u houvesse tantos variados encantos. Isto n\u00e3o \u00e9 tudo. Os raios e as flores da coroa de uns se refletiam nas flores e nos raios da coroa de todos os outros: igualmente as guirlandas e o esplendor da veste de um refletiam-se nas guirlandas e vestes dos outros. E depois, os esplendores do rosto de um jovem, ricocheteando, se fundiam com os do rosto dos companheiros, de modo que, reverberando sobre todos aqueles rostinhos inocentes e redondos, produziam luz t\u00e3o forte que ofuscava a vis\u00e3o e impedia de fixar o olhar.<br \/>\n            Desta forma, em um s\u00f3 se concentravam as belezas de todos os outros companheiros com inef\u00e1vel harmonia de luz! Era a afortunada gl\u00f3ria dos santos. N\u00e3o h\u00e1 imagem humana para descrever, nem que seja fracamente, como estava belo cada um dos jovens no meio do oceano de esplendores. Entre estes observei alguns em particular, que hoje est\u00e3o no Orat\u00f3rio. Tenho certeza que se pudessem contemplar ao menos um d\u00e9cimo de sua beleza atual, estariam prontos a sofrer o fogo, a se deixar cortar em peda\u00e7os, enfim, a ir ao encontro do mais atroz mart\u00edrio para n\u00e3o perd\u00ea-la.<br \/>\n            Assim que pude me recuperar deste espet\u00e1culo celeste, voltei-me para o pastor e disse:<br \/>\n            \u2013 Ent\u00e3o, entre tantos, meus jovens, s\u00e3o t\u00e3o poucos os inocentes? S\u00e3o t\u00e3o poucos os que nunca perderam a gra\u00e7a de Deus?<br \/>\n            O pastor respondeu:<br \/>\n            \u2013 Como? N\u00e3o lhe parece bastante este elevado n\u00famero? De mais, os que tiveram a desgra\u00e7a de perder o lindo l\u00edrio da pureza, e com este a inoc\u00eancia, podem ainda seguir seus companheiros na penit\u00eancia. O senhor v\u00ea l\u00e1? Naquele campo se encontram ainda muitas flores. Pois bem, eles podem fazer-se uma coroa e uma veste bel\u00edssima e acompanhar ainda os inocentes na gl\u00f3ria.<br \/>\n            \u2013 Sugira-me ainda alguma coisa para eu falar aos meus jovens \u2013 disse eu.<br \/>\n            \u2013 Repita a seus jovens, que se soubessem como s\u00e3o belas a inoc\u00eancia e a pureza aos olhos de Deus, estariam prontos a fazer qualquer sacrif\u00edcio para conserv\u00e1-la. Diga-lhes que criem coragem para praticar esta virtude c\u00e2ndida, que supera as outras em beleza e esplendor. Pois os castos s\u00e3o os que crescunt tanquam lilia in conspectu Domini (Crescem como l\u00edrios na presen\u00e7a do Senhor).<br \/>\n            Ent\u00e3o quis me dirigir para o meio daqueles meus car\u00edssimos, t\u00e3o singularmente coroados, mas tropecei no terreno e, acordando, estava na cama.<br \/>\n            Meus filhos, voc\u00eas s\u00e3o todos inocentes? Talvez alguns de voc\u00eas sejam. A estes dirijo minhas palavras. N\u00e3o percam, por caridade, esta virtude de valor inestim\u00e1vel! \u00c9 uma riqueza que tem o mesmo valor do Para\u00edso, o mesmo valor de Deus! Se voc\u00eas tivessem visto como eram belos esses jovens com suas flores. O conjunto desse espet\u00e1culo era tal que eu daria qualquer coisa do mundo para usufruir ainda dessa vista; mais, se fosse pintor, consideraria uma grande gra\u00e7a conseguir pintar de alguma maneira o que vi. Se soubessem como \u00e9 a beleza de um inocente, se sujeitariam a qualquer grande esfor\u00e7o, at\u00e9 \u00e0 morte, para conservar o tesouro da inoc\u00eancia.<br \/>\n            O n\u00famero dos que tinham voltado \u00e0 gra\u00e7a, apesar de me terem dado contentamento, contudo eu esperava que fosse mais alto. Fiquei maravilhado ao ver que alguns que aqui na apar\u00eancia parecem bons jovens, l\u00e1 tinham os chifres compridos e grossos\u2026<\/p>\n<p>            Dom Bosco encerrou com calorosa exorta\u00e7\u00e3o para aqueles que tinham perdido a inoc\u00eancia, a fim de que se esfor\u00e7assem com toda a vontade a recuperar a gra\u00e7a por meio da penit\u00eancia.<br \/>\n            Dois dias depois, em 18 de junho, subia \u00e0 c\u00e1tedra e explicava um pouco o sonho.<\/p>\n<p>            N\u00e3o haveria necessidade de explicar o sonho, por\u00e9m repetirei o que j\u00e1 falei. A grande plan\u00edcie \u00e9 o mundo e tamb\u00e9m os lugares e a regi\u00e3o de onde foram chamados para c\u00e1 todos os nossos jovens. O lugar onde estavam os cordeirinhos \u00e9 o Orat\u00f3rio. Os cordeirinhos s\u00e3o todos os jovens que estiveram, presentemente est\u00e3o e estar\u00e3o no Orat\u00f3rio. Os tr\u00eas prados nesse lugar, o \u00e1rido, o verdejante, o florido, significam a situa\u00e7\u00e3o de pecado, o estado de gra\u00e7a e o estado de inoc\u00eancia. Os chifres dos cordeirinhos s\u00e3o os esc\u00e2ndalos dados no passado. Havia os que tinham os chifres quebrados; estes foram escandalosos, agora, por\u00e9m, pararam de dar esc\u00e2ndalo. Os enigmas \u201c3\u201d, estampados em cima de cada cordeirinho, s\u00e3o como aprendi do pastor, tr\u00eas castigos que o Senhor enviar\u00e1 para os jovens: 1 \u00ba Car\u00eancia de aux\u00edlios espirituais. 2\u00ba Car\u00eancia moral, isto \u00e9, falta de instru\u00e7\u00e3o religiosa e da palavra de Deus. 3\u00ba Car\u00eancia material, quer dizer, falta de alimento. Os jovens reluzentes s\u00e3o os que est\u00e3o na gra\u00e7a de Deus, sobretudo os que ainda conservam a inoc\u00eancia batismal e a bela virtude da pureza. Que gl\u00f3ria os aguarda!<br \/>\n            Disponhamo-nos, ent\u00e3o, caros jovens, corajosamente a praticar a virtude.<br \/>\nQuem n\u00e3o est\u00e1 na gra\u00e7a de Deus coloque-se de boa vontade e, depois, com todas as suas for\u00e7as e a ajuda de Deus, persevere at\u00e9 a morte. Se nem todos pudermos estar na companhia dos inocentes fazendo coroa ao Cordeiro Imaculado, Jesus, ao menos possamos segui-lo depois deles.<br \/>\n            Um me perguntou se ele estava entre os inocentes, e eu lhe disse que  n\u00e3o; que tinha os chifres, mas quebrados. Perguntou-me ainda se estava com feridas; respondi-lhe que sim.<br \/>\n            \u2013 E o que significam essas feridas? \u2013 Acrescentou.<br \/>\n            Respondi: \u2013 N\u00e3o tenha medo. Est\u00e3o tratadas, desaparecer\u00e3o. Essas feridas agora n\u00e3o s\u00e3o mais de desonra, como as cicatrizes n\u00e3o trazem desonra a quem esteve no combate. Este, apesar de tantas feridas, persegui\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7os     do inimigo, soube vencer e conseguir a vit\u00f3ria. S\u00e3o, portanto, cicatrizes de honra!\u2026 Mas, tem mais honra quem, lutando no meio dos inimigos, fica sem nenhuma ferida. Sua incolumidade provoca a maravilha em todos.<\/p>\n<p>            Ao explicar este sonho, Dom Bosco afirmou que n\u00e3o levar\u00e1 muito tempo at\u00e9 que esses tr\u00eas males se fa\u00e7am sentir: \u2013 Peste, fome e falta de meios para trazer-nos o bem.<br \/>\n            Acrescentou que n\u00e3o passar\u00e3o tr\u00eas meses sem que aconte\u00e7a algo de particular.<br \/>\n            Este sonho produziu impress\u00e3o nos jovens, com os frutos obtidos como tantas outras exposi\u00e7\u00f5es similares.<br \/>\n(MB IT VIII 839-845 \/ MB PT VIII 903-909)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No trecho a seguir, Dom Bosco, fundador do Orat\u00f3rio de Valdocco, conta aos seus jovens&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":44817,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":22,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[2565,2561,1749,2557,2577,1827,1947,1689,2227,2228,2230,2025],"class_list":["post-45164","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sonhos-de-dom-bosco","tag-caridade","tag-carisma-salesiano","tag-conselhos","tag-deus","tag-dom-bosco","tag-gracas-obtidas","tag-jovens","tag-maria","tag-salvacao","tag-santos","tag-sonhos","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45164"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45164\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45165,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45164\/revisions\/45165"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44817"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}