{"id":44119,"date":"2025-06-28T07:54:50","date_gmt":"2025-06-28T07:54:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.donbosco.press\/sem-categorizacao\/intervista-al-rettor-maggiore-don-fabio-attard\/"},"modified":"2025-07-25T12:42:45","modified_gmt":"2025-07-25T12:42:45","slug":"entrevista-com-o-reitor-mor-p-fabio-attard","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/o-convidado\/entrevista-com-o-reitor-mor-p-fabio-attard\/","title":{"rendered":"Entrevista com o Reitor-Mor, P. Fabio Attard"},"content":{"rendered":"\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fizemos uma entrevista exclusiva com o Reitor-Mor dos Salesianos, P. Fabio Attard, percorrendo as etapas fundamentais de sua voca\u00e7\u00e3o e de sua trajet\u00f3ria humana e espiritual. Sua voca\u00e7\u00e3o nasceu no orat\u00f3rio e se consolidou atrav\u00e9s de uma rica forma\u00e7\u00e3o que o levou da Irlanda \u00e0 Tun\u00edsia, de Malta a Roma. De 2008 a 2020, foi Conselheiro Geral para a Pastoral Juvenil, fun\u00e7\u00e3o que desempenhou com uma vis\u00e3o multicultural adquirida atrav\u00e9s de experi\u00eancias em diferentes contextos. A sua mensagem central \u00e9\u00a0<strong>a santidade<\/strong>\u00a0como fundamento da a\u00e7\u00e3o educativa salesiana: \u201cGostaria de ver uma Congrega\u00e7\u00e3o mais santa\u201d, afirma, sublinhando que a efici\u00eancia profissional deve estar enraizada na identidade consagrada.<br \/><\/em><br \/><br \/><strong>Qual \u00e9 a hist\u00f3ria da sua voca\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/><br \/>Nasci em Gozo, Malta, em 23 de mar\u00e7o de 1959, quinto de sete filhos. Na \u00e9poca do meu nascimento, meu pai era farmac\u00eautico em um hospital, enquanto minha m\u00e3e tinha uma pequena loja de tecidos e costura, que com o tempo cresceu e se tornou uma pequena rede de cinco lojas. Ela era uma mulher muito trabalhadora, mas o neg\u00f3cio sempre foi familiar.<br \/><br \/>Frequentei as escolas prim\u00e1rias e secund\u00e1rias locais. Um elemento muito bonito e particular da minha inf\u00e2ncia \u00e9 que meu pai era catequista leigo no orat\u00f3rio, que at\u00e9 1965 era dirigido pelos salesianos. Quando jovem, ele frequentava aquele orat\u00f3rio e acabou ficando l\u00e1 como \u00fanico catequista leigo. Quando comecei a frequent\u00e1-lo, aos seis anos, os salesianos tinham acabado de deixar a obra. Assumiu um jovem padre (que ainda est\u00e1 vivo) que continuou as atividades do orat\u00f3rio com o mesmo esp\u00edrito salesiano, tendo ele pr\u00f3prio vivido l\u00e1 como seminarista.<br \/>Continu\u00e1vamos com o catecismo, a b\u00ean\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica di\u00e1ria, o futebol, o teatro, o coro, as excurs\u00f5es, as festas\u2026 tudo o que se vive normalmente num orat\u00f3rio. Havia muitas crian\u00e7as e jovens, e eu cresci nesse ambiente. Na pr\u00e1tica, minha vida se passava entre a fam\u00edlia e o orat\u00f3rio. Eu tamb\u00e9m era coroinha na minha par\u00f3quia. Assim, depois do ensino m\u00e9dio, me orientei para o sacerd\u00f3cio, porque desde crian\u00e7a tinha esse desejo no cora\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Hoje percebo o quanto fui influenciado por aquele jovem sacerdote, que eu admirava: ele estava sempre presente conosco no p\u00e1tio, nas atividades do orat\u00f3rio. No entanto, naquela \u00e9poca os salesianos j\u00e1 n\u00e3o estavam mais l\u00e1. Entrei ent\u00e3o no semin\u00e1rio, onde na \u00e9poca se faziam dois anos de curso preparat\u00f3rio como internos. Durante o terceiro ano \u2013 que correspondia ao primeiro ano de filosofia \u2013 conheci um amigo da fam\u00edlia de cerca de 35 anos, uma voca\u00e7\u00e3o adulta, que havia entrado como aspirante salesiano (hoje ainda est\u00e1 vivo e \u00e9 coadjutor). Quando ele deu esse passo, acendeu-se uma chama dentro de mim. E com a ajuda do meu diretor espiritual, comecei um discernimento vocacional.<br \/>Foi um caminho importante, mas tamb\u00e9m exigente: eu tinha 19 anos, mas aquele guia espiritual me ajudou a buscar a vontade de Deus, e n\u00e3o simplesmente a minha. Assim, no \u00faltimo ano \u2013 o quarto de filosofia \u2013, em vez de segui-lo no semin\u00e1rio, vivi como aspirante salesiano, completando os dois anos de filosofia exigidos.<br \/><br \/>Na fam\u00edlia, o ambiente era fortemente marcado pela f\u00e9. Particip\u00e1vamos todos os dias da missa, rez\u00e1vamos o ros\u00e1rio em casa, \u00e9ramos muito unidos. Ainda hoje, embora nossos pais estejam no c\u00e9u, mantemos essa mesma unidade entre irm\u00e3os e irm\u00e3s.<br \/><br \/>Outra experi\u00eancia familiar me marcou profundamente, embora s\u00f3 tenha percebido isso com o tempo. Meu irm\u00e3o, o segundo da fam\u00edlia, morreu aos 25 anos de insufici\u00eancia renal. Hoje, com os avan\u00e7os da medicina, ele ainda estaria vivo gra\u00e7as \u00e0 di\u00e1lise e aos transplantes, mas naquela \u00e9poca n\u00e3o havia tantas possibilidades. Estive ao seu lado nos \u00faltimos tr\u00eas anos de sua vida: divid\u00edamos o mesmo quarto e muitas vezes eu o ajudava \u00e0 noite. Ele era um jovem sereno, alegre, que vivia sua fragilidade com uma alegria extraordin\u00e1ria.<br \/>Eu tinha 16 anos quando ele morreu. Passaram-se cinquenta anos, mas quando penso naquela \u00e9poca, naquela experi\u00eancia cotidiana de proximidade, feita de pequenos gestos, reconhe\u00e7o o quanto isso marcou minha vida.<br \/><br \/>Nasci em uma fam\u00edlia onde havia f\u00e9, senso de trabalho, responsabilidade compartilhada. Meus pais s\u00e3o dois exemplos extraordin\u00e1rios para mim: viveram com grande f\u00e9 e serenidade a cruz, sem nunca sobrecarregar ningu\u00e9m, e ao mesmo tempo souberam transmitir a alegria da vida familiar. Posso dizer que tive uma inf\u00e2ncia muito bonita. N\u00e3o \u00e9ramos ricos, nem pobres, mas sempre s\u00f3brios, discretos. Eles nos ensinaram a trabalhar, a administrar bem os recursos, a n\u00e3o desperdi\u00e7ar, a viver com dignidade, com eleg\u00e2ncia e, acima de tudo, com aten\u00e7\u00e3o aos pobres e aos doentes.<br \/><br \/><br \/><strong>Como sua fam\u00edlia reagiu quando o senhor tomou a decis\u00e3o de seguir a voca\u00e7\u00e3o consagrada?<\/strong><br \/><br \/>Chegou o momento em que, junto com meu diretor espiritual, esclarecemos que meu caminho era o dos salesianos. Eu tamb\u00e9m precisava comunicar isso aos meus pais. Lembro que era uma noite tranquila, est\u00e1vamos jantando juntos, s\u00f3 n\u00f3s tr\u00eas. A certa altura, eu disse: \u201cQuero lhes dizer uma coisa: fiz meu discernimento e decidi entrar para os salesianos\u201d.<br \/>Meu pai ficou muito feliz. Ele respondeu imediatamente: \u201cQue o Senhor te aben\u00e7oe\u201d. Minha m\u00e3e, por outro lado, come\u00e7ou a chorar, como todas as m\u00e3es fazem. Ela me perguntou: \u201cEnt\u00e3o voc\u00ea vai se afastar?\u201d Mas meu pai interveio com do\u00e7ura e firmeza: \u201cQuer ele se afaste ou n\u00e3o, este \u00e9 o seu caminho\u201d.<br \/>Eles me aben\u00e7oaram e me encorajaram. S\u00e3o momentos que ficam gravados para sempre.<br \/><br \/>Lembro-me particularmente do que aconteceu no final da vida dos meus pais. Meu pai faleceu em 1997 e, seis meses depois, descobriram um tumor incur\u00e1vel em minha m\u00e3e.<br \/>Naquela \u00e9poca, os superiores me pediram para ir lecionar na Universidade Pontif\u00edcia Salesiana (UPS), mas eu n\u00e3o sabia que decis\u00e3o tomar. Minha m\u00e3e n\u00e3o estava bem, estava perto da morte. Conversando com meus irm\u00e3os, eles me disseram: \u201cFa\u00e7a o que os superiores pedem\u201d.<br \/>Eu estava em casa e conversei com ela: \u201cM\u00e3e, os superiores est\u00e3o me pedindo para ir para Roma\u201d.<br \/>Ela, com a lucidez de uma verdadeira m\u00e3e, respondeu: \u201cOu\u00e7a, meu filho, se dependesse de mim, eu pediria que voc\u00ea ficasse aqui, porque n\u00e3o tenho mais ningu\u00e9m e n\u00e3o gostaria de ser um fardo para seus irm\u00e3os. Mas\u2026\u201d \u2013 e aqui ela disse uma frase que guardo no cora\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cVoc\u00ea n\u00e3o \u00e9 meu, voc\u00ea pertence a Deus. Fa\u00e7a o que seus superiores lhe dizem.\u201d<br \/>Essa frase, pronunciada um ano antes de sua morte, \u00e9 para mim um tesouro, uma heran\u00e7a preciosa. Minha m\u00e3e era uma mulher inteligente, s\u00e1bia, perspicaz: sabia que a doen\u00e7a a levaria ao fim, mas naquele momento soube ser livre interiormente. Livre para dizer palavras que confirmavam mais uma vez o dom que ela mesma havia feito a Deus: oferecer um filho \u00e0 vida consagrada.<br \/><br \/>A rea\u00e7\u00e3o da minha fam\u00edlia, desde o in\u00edcio at\u00e9 o fim, foi sempre marcada por um profundo respeito e um grande apoio. E ainda hoje, meus irm\u00e3os e irm\u00e3s continuam a levar adiante esse esp\u00edrito.<br \/><br \/><strong>Qual foi o seu percurso formativo desde o noviciado at\u00e9 hoje?<\/strong><br \/><br \/>Foi um percurso muito rico e variado. Comecei o pr\u00e9-noviciado em Malta, depois fiz o noviciado em Dublin, na Irlanda. Uma experi\u00eancia realmente bonita.<br \/><br \/>Depois do noviciado, meus companheiros se mudaram para Maynooth para estudar filosofia na universidade, mas eu j\u00e1 tinha conclu\u00eddo esse curso anteriormente. Por isso, os superiores me pediram para permanecer no noviciado por mais um ano, onde ensinei italiano e latim. Depois, voltei para Malta para fazer dois anos de est\u00e1gio, que foram muito bonitos e enriquecedores.<br \/><br \/>Depois, fui enviado a Roma para estudar teologia na Pontif\u00edcia Universidade Salesiana, onde passei tr\u00eas anos extraordin\u00e1rios. Esses anos me deram uma grande abertura mental. Viv\u00edamos no semin\u00e1rio com quarenta coirm\u00e3os provenientes de vinte na\u00e7\u00f5es diferentes: \u00c1sia, Europa, Am\u00e9rica Latina\u2026 at\u00e9 o corpo docente era internacional. Era em meados dos anos 80, cerca de vinte anos ap\u00f3s o Conc\u00edlio Vaticano II, e ainda se respirava muito entusiasmo: havia debates teol\u00f3gicos animados, a teologia da liberta\u00e7\u00e3o, o interesse pelo m\u00e9todo e pela pr\u00e1tica. Esses estudos me ensinaram a ler a f\u00e9 n\u00e3o apenas como conte\u00fado intelectual, mas como uma escolha de vida.<br \/><br \/>Ap\u00f3s esses tr\u00eas anos, continuei com mais dois de especializa\u00e7\u00e3o em teologia moral na Academia Alfonsiana, com os padres redentoristas. L\u00e1 tamb\u00e9m encontrei figuras significativas, como o famoso Bernhard H\u00e4ring, com quem fiz uma amizade pessoal e ia regularmente todos os meses para conversar com ele. Foram cinco anos no total \u2013 entre o bacharelado e a licenciatura \u2013 que me formaram profundamente do ponto de vista teol\u00f3gico.<br \/><br \/>Posteriormente, me ofereci para as miss\u00f5es, e os superiores me enviaram para a Tun\u00edsia, junto com outro salesiano, para restabelecer a presen\u00e7a salesiana no pa\u00eds. Assumimos uma escola administrada por uma congrega\u00e7\u00e3o feminina que, n\u00e3o tendo mais voca\u00e7\u00f5es, estava prestes a fechar. Era uma escola com 700 alunos; por isso tivemos que aprender franc\u00eas e tamb\u00e9m \u00e1rabe. Para nos prepararmos, passamos alguns meses em Lyon, na Fran\u00e7a, e depois nos dedicamos ao estudo do \u00e1rabe.<br \/>Fiquei l\u00e1 tr\u00eas anos. Foi outra grande experi\u00eancia, porque nos encontramos a viver a f\u00e9 e o carisma salesiano num contexto em que n\u00e3o se podia falar explicitamente de Jesus. No entanto, era poss\u00edvel construir percursos educativos baseados em valores humanos: respeito, disponibilidade, verdade. O nosso testemunho era silencioso, mas eloquente. Naquele ambiente, aprendi a conhecer e a amar o mundo mu\u00e7ulmano. Todos \u2013 alunos, professores e fam\u00edlias \u2013 eram mu\u00e7ulmanos e nos acolheram com grande calor. Fizeram-nos sentir parte da sua fam\u00edlia. Voltei v\u00e1rias vezes \u00e0 Tun\u00edsia e sempre encontrei o mesmo respeito e apre\u00e7o, independentemente da nossa perten\u00e7a religiosa.<br \/><br \/>Depois dessa experi\u00eancia, voltei para Malta e trabalhei durante cinco anos na \u00e1rea social. Em particular, numa casa salesiana que acolhe jovens que precisam de um acompanhamento educativo mais atento, tamb\u00e9m em regime residencial.<br \/><br \/>Ap\u00f3s estes oito anos de pastoral (entre a Tun\u00edsia e Malta), foi-me oferecida a possibilidade de concluir o doutorado. Optei por voltar \u00e0 Irlanda, porque o tema estava relacionado com a consci\u00eancia segundo o pensamento do cardeal John Henry Newman, hoje santo. Conclu\u00eddo o doutorado, o Reitor-Mor da \u00e9poca, P. Juan Edmundo Vecchi \u2013 de grata mem\u00f3ria \u2013 pediu-me para ingressar como professor de teologia moral na Pontif\u00edcia Universidade Salesiana.<br \/><br \/>Olhando para todo o meu percurso, desde o aspirantado at\u00e9 ao doutorado, posso dizer que foi um conjunto de experi\u00eancias n\u00e3o s\u00f3 de conte\u00fados, mas tamb\u00e9m de contextos culturais muito diferentes. Agrade\u00e7o ao Senhor e \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o, porque me ofereceram a possibilidade de viver uma forma\u00e7\u00e3o t\u00e3o variada e rica.<br \/><br \/><br \/><strong>Ent\u00e3o o senhor conhece o malt\u00eas porque \u00e9 sua l\u00edngua materna, o ingl\u00eas porque \u00e9 a segunda l\u00edngua em Malta, o latim porque o senhor o ensinou, o italiano porque estudou na It\u00e1lia, o franc\u00eas e o \u00e1rabe porque esteve em Manouba, na Tun\u00edsia\u2026 Quantas l\u00ednguas o senhor conhece?<\/strong><br \/><br \/>Cinco, seis l\u00ednguas, mais ou menos. Mas, quando me perguntam sobre l\u00ednguas, eu sempre digo que s\u00e3o um pouco coincid\u00eancias hist\u00f3ricas.<br \/>Em Malta, j\u00e1 crescemos com duas l\u00ednguas: o malt\u00eas e o ingl\u00eas, e na escola se estuda uma terceira l\u00edngua. Na minha \u00e9poca, tamb\u00e9m se ensinava italiano. Al\u00e9m disso, eu tinha um talento natural para l\u00ednguas e tamb\u00e9m escolhi o latim. Mais tarde, quando fui para a Tun\u00edsia, foi necess\u00e1rio aprender franc\u00eas e tamb\u00e9m \u00e1rabe.<br \/>Em Roma, vivendo com muitos estudantes de espanhol, o ouvido se acostuma e, quando fui eleito Conselheiro para a Pastoral Juvenil, aprofundei um pouco o espanhol, que \u00e9 uma l\u00edngua muito bonita.<br \/><br \/>Todas as l\u00ednguas s\u00e3o bonitas. Claro, aprend\u00ea-las requer empenho, estudo, pr\u00e1tica. H\u00e1 quem tenha mais facilidade, outros menos: faz parte da disposi\u00e7\u00e3o pessoal. Mas n\u00e3o \u00e9 um m\u00e9rito, nem uma culpa. \u00c9 simplesmente um dom, uma predisposi\u00e7\u00e3o natural.<br \/><br \/><strong>De 2008 a 2020, o senhor foi Conselheiro Geral da Pastoral Juvenil por dois mandatos. Como sua experi\u00eancia nesta miss\u00e3o o ajudou?<\/strong><br \/><br \/>Quando o Senhor nos confia uma miss\u00e3o, levamos conosco toda a bagagem de experi\u00eancias que acumulamos ao longo do tempo.<br \/>Tendo vivido em contextos culturais diferentes, n\u00e3o corria o risco de ver tudo atrav\u00e9s do filtro de uma \u00fanica cultura. Sou europeu, venho do Mediterr\u00e2neo, de um pa\u00eds que foi col\u00f4nia inglesa, mas tive a gra\u00e7a de viver em comunidades internacionais e multiculturais.<br \/><br \/>Os anos de estudo na UPS tamb\u00e9m me ajudaram muito. T\u00ednhamos professores que n\u00e3o se limitavam a transmitir conte\u00fados, mas nos educavam a fazer s\u00edntese, a construir um m\u00e9todo. Por exemplo, se estud\u00e1vamos hist\u00f3ria da Igreja, compreend\u00edamos como era essencial para compreender a patr\u00edstica. Se abord\u00e1vamos a teologia b\u00edblica, aprend\u00edamos a relacion\u00e1-la com a teologia sacramental, com a moral, com a hist\u00f3ria da espiritualidade. Em suma, ensinavam-nos a pensar de forma org\u00e2nica.<br \/>Essa capacidade de s\u00edntese, essa arquitetura do pensamento, torna-se ent\u00e3o parte da sua forma\u00e7\u00e3o pessoal. Quando se estuda teologia, aprende-se a identificar pontos fixos e a conect\u00e1-los. O mesmo vale para uma proposta pastoral, pedag\u00f3gica ou filos\u00f3fica. Quando se encontra pessoas com grande profundidade, absorve-se n\u00e3o s\u00f3 o que dizem, mas tamb\u00e9m como o dizem, e isso forma o seu estilo.<br \/><br \/>Outro elemento importante \u00e9 que, no momento da minha elei\u00e7\u00e3o, eu j\u00e1 tinha vivido experi\u00eancias em ambientes mission\u00e1rios, onde a religi\u00e3o cat\u00f3lica era praticamente ausente, e tinha trabalhado com pessoas marginalizadas e vulner\u00e1veis. Tamb\u00e9m tinha adquirido alguma experi\u00eancia no mundo universit\u00e1rio e, paralelamente, tinha-me dedicado muito ao acompanhamento espiritual.<br \/><br \/>Al\u00e9m disso, entre 2005 e 2008 \u2013 logo ap\u00f3s a experi\u00eancia na UPS \u2013, a Arquidiocese de Malta me pediu para fundar um Instituto de Forma\u00e7\u00e3o Pastoral, na sequ\u00eancia de um S\u00ednodo diocesano que reconheceu a necessidade do mesmo. O arcebispo me confiou a tarefa de come\u00e7ar do zero. A primeira coisa que fiz foi formar uma equipe com padres, religiosos, leigos \u2013 homens e mulheres. Criamos um novo m\u00e9todo de forma\u00e7\u00e3o, que ainda \u00e9 usado hoje. O instituto continua funcionando muito bem e, de certa forma, essa experi\u00eancia foi uma prepara\u00e7\u00e3o valiosa para o trabalho que realizei posteriormente na pastoral juvenil.<br \/>Desde o in\u00edcio, sempre acreditei no trabalho em equipe e na colabora\u00e7\u00e3o com os leigos. Minha primeira experi\u00eancia como diretor foi justamente nesse estilo: uma equipe educativa est\u00e1vel, hoje dir\u00edamos uma CEP (Comunidade Educativa-Pastoral), com encontros sistem\u00e1ticos, n\u00e3o ocasionais. N\u00f3s nos reun\u00edamos todas as semanas com os educadores e profissionais. E essa abordagem, que com o tempo se tornou um m\u00e9todo, permaneceu para mim uma refer\u00eancia.<br \/><br \/>A isso se soma tamb\u00e9m a experi\u00eancia acad\u00eamica: seis anos como professor na Pontif\u00edcia Universidade Salesiana, na qual chegavam estudantes de mais de cem na\u00e7\u00f5es, e depois como examinador e diretor de teses de doutorado na Academia Alfonsiana.<br \/><br \/>Acredito que tudo isso me preparou para viver essa responsabilidade com lucidez e vis\u00e3o.<br \/><br \/>Assim, quando a Congrega\u00e7\u00e3o, durante o Cap\u00edtulo Geral de 2008, me pediu para assumir este cargo, eu j\u00e1 trazia comigo uma vis\u00e3o ampla e multicultural. E isso me ajudou, porque reunir diversidades n\u00e3o era algo dif\u00edcil para mim: era parte da normalidade. Claro, n\u00e3o se tratava simplesmente de fazer uma \u201csalada\u201d de experi\u00eancias: era preciso encontrar os fios condutores, dar coer\u00eancia e unidade.<br \/><br \/>O que pude viver como Conselheiro Geral n\u00e3o foi um m\u00e9rito pessoal. Acredito que qualquer salesiano, se tivesse tido as mesmas oportunidades e o apoio da Congrega\u00e7\u00e3o, poderia ter vivido experi\u00eancias semelhantes e dado a sua contribui\u00e7\u00e3o com generosidade.<br \/><br \/><br \/><strong>H\u00e1 uma ora\u00e7\u00e3o, uma boa noite salesiana, um h\u00e1bito que o senhor nunca deixa de fazer?<\/strong><br \/><br \/>A devo\u00e7\u00e3o a Maria. Em casa, crescemos com o Ros\u00e1rio di\u00e1rio, rezado em fam\u00edlia. N\u00e3o era uma obriga\u00e7\u00e3o, era algo natural: faz\u00edamos antes de comer, porque sempre com\u00edamos juntos. Naquela \u00e9poca era poss\u00edvel. Hoje talvez seja menos, mas naquela \u00e9poca era assim que se vivia: a fam\u00edlia reunida, a ora\u00e7\u00e3o compartilhada, a mesa comum.<br \/><br \/>No in\u00edcio, talvez eu n\u00e3o percebesse o quanto era profunda essa devo\u00e7\u00e3o mariana. Mas com o passar dos anos, quando se come\u00e7a a distinguir o que \u00e9 essencial do que \u00e9 secund\u00e1rio, compreendi o quanto essa presen\u00e7a materna acompanhou minha vida.<br \/>A devo\u00e7\u00e3o a Maria se expressa de diferentes formas: o Ros\u00e1rio di\u00e1rio, quando poss\u00edvel; um momento de pausa diante de uma imagem ou est\u00e1tua da Virgem Maria; uma ora\u00e7\u00e3o simples, mas feita com o cora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o gestos que acompanham o caminho da f\u00e9.<br \/><br \/>Naturalmente, h\u00e1 alguns pontos fixos: a Eucaristia di\u00e1ria e a medita\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. S\u00e3o pilares que n\u00e3o se discutem, se vivem. N\u00e3o s\u00f3 porque somos consagrados, mas porque somos crentes. E a f\u00e9 s\u00f3 se vive alimentando-a.<br \/>Quando a alimentamos, ela cresce em n\u00f3s. E s\u00f3 se crescer em n\u00f3s, podemos ajudar a que cres\u00e7a tamb\u00e9m nos outros. Para n\u00f3s, que somos educadores, \u00e9 evidente: se a nossa f\u00e9 n\u00e3o se traduz em vida concreta, todo o resto se torna fachada.<br \/><br \/>Essas pr\u00e1ticas \u2013 a ora\u00e7\u00e3o, a medita\u00e7\u00e3o, a devo\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o s\u00e3o reservadas aos santos. S\u00e3o express\u00e3o de honestidade. Se fiz uma escolha de f\u00e9, tamb\u00e9m tenho a responsabilidade de cultiv\u00e1-la. Caso contr\u00e1rio, tudo se reduz a algo exterior, aparente. E isso, com o tempo, n\u00e3o se sustenta.<br \/><br \/><br \/><strong>Se pudesse voltar atr\u00e1s, faria as mesmas escolhas?<\/strong><br \/><br \/>Absolutamente sim. Na minha vida, houve momentos muito dif\u00edceis, como acontece com todos. N\u00e3o quero passar por \u201cv\u00edtima de plant\u00e3o\u201d. Acredito que toda pessoa, para crescer, precisa passar por fases de escurid\u00e3o, momentos de desola\u00e7\u00e3o, de solid\u00e3o, de se sentir tra\u00edda ou acusada injustamente. E eu vivi esses momentos. Mas tive a gra\u00e7a de ter um diretor espiritual ao meu lado.<br \/><br \/>Quando se vive certas dificuldades acompanhado por algu\u00e9m, consegue-se intuir que tudo o que Deus permite tem um sentido, tem um prop\u00f3sito. E quando se sai desse \u201ct\u00fanel\u201d, descobre-se que se \u00e9 uma pessoa diferente, mais madura. \u00c9 como se, atrav\u00e9s dessa prova\u00e7\u00e3o, f\u00f4ssemos transformados.<br \/><br \/>Se eu tivesse ficado sozinho, teria corrido o risco de tomar decis\u00f5es erradas, sem vis\u00e3o, cego pelo cansa\u00e7o do momento. Quando se est\u00e1 zangado, quando se sente sozinho, n\u00e3o \u00e9 hora de decidir. \u00c9 hora de caminhar, de pedir ajuda, de se deixar acompanhar.<br \/><br \/>Viver certas passagens com a ajuda de algu\u00e9m \u00e9 como ser uma massa colocada no forno: o fogo a cozinha, a torna madura.<br \/>Portanto, \u00e0 pergunta se mudaria alguma coisa, a minha resposta \u00e9: n\u00e3o. Porque mesmo os momentos mais dif\u00edceis, mesmo aqueles que eu n\u00e3o compreendia, ajudaram-me a tornar-me na pessoa que sou hoje.<br \/>Sinto-me uma pessoa perfeita? N\u00e3o. Mas sinto que estou a caminho, todos os dias, tentando viver diante da miseric\u00f3rdia e da bondade de Deus.<br \/><br \/>E hoje, ao dar esta entrevista, posso dizer com sinceridade que me sinto feliz. Talvez ainda n\u00e3o tenha compreendido plenamente o que significa ser Reitor-Mor \u2013 isso leva tempo \u2013, mas sei que \u00e9 uma miss\u00e3o, n\u00e3o um passeio. Traz consigo as suas dificuldades. No entanto, sinto-me amado, estimado pelos meus colaboradores e por toda a Congrega\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>E tudo o que sou hoje, sou gra\u00e7as ao que vivi, mesmo nos momentos mais dif\u00edceis. N\u00e3o mudaria nada. Eles fizeram de mim quem sou.<br \/><br \/><br \/><strong>O senhor tem algum projeto que lhe seja particularmente caro?<\/strong><br \/><br \/>Sim. Se fecho os olhos e imagino algo que realmente desejo, gostaria de ver uma Congrega\u00e7\u00e3o mais santa. Mais santa. Mais santa.<br \/><br \/>Fiquei profundamente inspirado pela primeira carta do padre Pascual Ch\u00e1vez, de 2002, intitulada \u201c<em>Sede santos<\/em>\u201d. Essa carta me tocou profundamente, deixou uma marca em mim.<br \/>Os projetos s\u00e3o muitos, e todos v\u00e1lidos, bem estruturados, com vis\u00f5es amplas e profundas. Mas que valor t\u00eam, se s\u00e3o levados adiante por pessoas que n\u00e3o s\u00e3o santas? Podemos fazer um trabalho excelente, podemos at\u00e9 ser apreciados \u2013 e isso, em si, n\u00e3o \u00e9 negativo \u2013, mas n\u00e3o trabalhamos para obter sucesso. O nosso ponto de partida \u00e9 uma identidade: somos pessoas consagradas.<br \/><br \/>O que propomos s\u00f3 faz sentido se nasce da\u00ed. \u00c9 claro que desejamos que nossos projetos tenham sucesso, mas ainda mais desejamos que tragam gra\u00e7a, que toquem as pessoas profundamente. N\u00e3o basta ser eficiente. Temos que ser eficazes, no sentido mais profundo: eficazes no testemunho, na identidade, na f\u00e9.<br \/>A efici\u00eancia pode existir mesmo sem qualquer refer\u00eancia religiosa. Podemos ser excelentes profissionais, mas isso n\u00e3o basta.<br \/>Nossa consagra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um detalhe: \u00e9 o fundamento. Se ela se torna marginal, se a colocamos de lado para dar espa\u00e7o \u00e0 efici\u00eancia, ent\u00e3o perdemos nossa identidade.<br \/><br \/>E as pessoas nos observam. Nas escolas salesianas, reconhece-se que os resultados s\u00e3o bons \u2013 e isso \u00e9 bom. Mas ser\u00e1 que tamb\u00e9m nos reconhecem como homens de Deus? Essa \u00e9 a quest\u00e3o.<br \/>Se nos veem apenas como bons profissionais, ent\u00e3o somos apenas eficientes. Mas a nossa vida deve alimentar-se Dele \u2013 Caminho, Verdade e Vida \u2013 n\u00e3o do que \u201ceu penso\u201d ou \u201ceu quero\u201d ou \u201cdo que me parece\u201d.<br \/><br \/>Portanto, mais do que falar de um projeto pessoal, prefiro falar de um desejo profundo: tornar-me santo. E falar disso de forma concreta, n\u00e3o idealizada.<br \/>Quando Dom Bosco falava aos seus jovens sobre\u00a0<em>estudo, sa\u00fade e santidade<\/em>, n\u00e3o se referia a uma santidade feita apenas de ora\u00e7\u00e3o na capela. Ele pensava em uma santidade vivida na rela\u00e7\u00e3o com Deus e alimentada pela rela\u00e7\u00e3o com Deus. A santidade crist\u00e3 \u00e9 o reflexo dessa rela\u00e7\u00e3o viva e cotidiana.<br \/><br \/><br \/><strong>Que conselho o senhor daria a um jovem que se questiona sobre a voca\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/><br \/>Eu diria para descobrir, passo a passo, qual \u00e9 o projeto de Deus para ele.<br \/>O caminho vocacional n\u00e3o \u00e9 uma pergunta que se faz, esperando uma resposta pronta da Igreja. \u00c9 uma peregrina\u00e7\u00e3o. Quando um jovem me diz:\u00a0<em>\u201cN\u00e3o sei se quero ser salesiano ou n\u00e3o\u201d<\/em>, tento afast\u00e1-lo dessa formula\u00e7\u00e3o. Porque n\u00e3o se trata simplesmente de decidir:\u00a0<em>\u201cVou ser salesiano\u201d<\/em>. A voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a uma \u201ccoisa\u201d.<br \/><br \/>Tamb\u00e9m na minha pr\u00f3pria experi\u00eancia, quando disse ao meu diretor espiritual:\u00a0<em>\u201cQuero ser salesiano, tenho que ser\u201d<\/em>, ele, com muita calma, me fez refletir:\u00a0<em>\u201c\u00c9 realmente a vontade de Deus? Ou \u00e9 apenas um desejo seu?\u201d<\/em><br \/><br \/>E \u00e9 justo que um jovem procure o que deseja, \u00e9 algo saud\u00e1vel. Mas quem o acompanha tem a tarefa de educar essa busca, de transform\u00e1-la de entusiasmo inicial em caminho de amadurecimento interior.<br \/><em>\u201cVoc\u00ea quer fazer o bem? \u00d3timo. Ent\u00e3o conhe\u00e7a a si mesmo, reconhe\u00e7a que \u00e9 amado por Deus\u201d.<\/em><br \/>\u00c9 somente a partir dessa rela\u00e7\u00e3o profunda com Deus que pode surgir a verdadeira pergunta:\u00a0<em>\u201cQual \u00e9 o projeto de Deus para mim?\u201d<\/em><br \/>Porque o que hoje desejo, amanh\u00e3 pode n\u00e3o me bastar mais. Se a voca\u00e7\u00e3o se reduz ao que \u201cgosto\u201d, ent\u00e3o ser\u00e1 algo fr\u00e1gil. A voca\u00e7\u00e3o \u00e9, pelo contr\u00e1rio, uma voz interior que interpela, que pede para entrar em di\u00e1logo com Deus e para responder.<br \/><br \/>Quando um jovem chega a este ponto, quando \u00e9 acompanhado a descobrir aquele espa\u00e7o interior onde habita Deus, ent\u00e3o come\u00e7a realmente a caminhar.<br \/>E por isso, quem acompanha deve ser muito atento, profundo, paciente. Nunca superficial.<br \/>O Evangelho de Ema\u00fas \u00e9 uma imagem perfeita: Jesus se aproxima dos dois disc\u00edpulos, os escuta, mesmo sabendo que est\u00e3o falando confusamente. Depois de ouvi-los, come\u00e7a a falar. E eles, no final, o convidam:\u00a0<em>\u201cFica conosco, porque j\u00e1 est\u00e1 ficando tarde\u201d<\/em>.<br \/>E o reconhecem no gesto de partir o p\u00e3o. Ent\u00e3o dizem:\u00a0<em>\u201cN\u00e3o ardia em n\u00f3s o nosso cora\u00e7\u00e3o enquanto ele nos falava pelo caminho?\u201d<\/em><br \/><br \/>Hoje, muitos jovens est\u00e3o em busca. Nossa tarefa, como educadores, \u00e9 n\u00e3o ser apressados. Mas ajud\u00e1-los, com calma e gradualidade, a descobrir a grandeza que j\u00e1 est\u00e1 em seus cora\u00e7\u00f5es. Porque l\u00e1, naquela profundidade, eles encontram Cristo. Como diz Santo Agostinho:\u00a0<em>\u201cTu estavas dentro de mim, e eu estava fora. E l\u00e1 eu te procurava\u201d.<\/em><br \/><br \/><br \/><strong>O senhor teria uma mensagem a transmitir hoje \u00e0 Fam\u00edlia Salesiana?<\/strong><br \/><br \/>\u00c9 a mesma mensagem que compartilhei tamb\u00e9m nestes dias, durante o encontro da Consulta da Fam\u00edlia Salesiana:\u00a0<strong><em>A f\u00e9. Enraizar-nos cada vez mais na pessoa de Cristo.<\/em><\/strong><br \/><br \/>\u00c9 desse enraizamento que nasce um conhecimento aut\u00eantico de Dom Bosco. Os primeiros salesianos, quando quiseram escrever um livro sobre o verdadeiro Dom Bosco, n\u00e3o o intitularam \u201cDom Bosco ap\u00f3stolo dos jovens\u201d, mas \u201cDom Bosco com Deus\u201d \u2013 um texto escrito pelo P. Eug\u00eanio Ceria em 1929.<br \/>E isso nos faz refletir. Por que eles, que o viam em a\u00e7\u00e3o todos os dias, n\u00e3o escolheram destacar o Dom Bosco incans\u00e1vel, organizador, educador? N\u00e3o, eles quiseram contar o Dom Bosco profundamente unido a Deus.<br \/>Quem o conheceu bem n\u00e3o se deteve nas apar\u00eancias, mas foi \u00e0 raiz: Dom Bosco era um homem imerso em Deus.<br \/><br \/>\u00c0 Fam\u00edlia Salesiana, eu digo: recebemos um tesouro. Um dom imenso. Mas todo dom implica uma responsabilidade.<br \/>No meu discurso final, eu disse:\u00a0<strong><em>\u201cN\u00e3o basta amar Dom Bosco, \u00e9 preciso conhec\u00ea-lo.\u201d<\/em><\/strong><br \/>E s\u00f3 podemos conhec\u00ea-lo verdadeiramente se formos pessoas de f\u00e9.<br \/><br \/>Devemos olhar para ele com os olhos da f\u00e9. S\u00f3 assim podemos encontrar o crente que foi Dom Bosco, em quem o Esp\u00edrito Santo agiu com for\u00e7a: com\u00a0<em>d\u00fdnamis<\/em>, com\u00a0<em>ch\u00e1ris<\/em>, com carisma, com gra\u00e7a.<br \/>N\u00e3o podemos nos limitar a repetir certas m\u00e1ximas suas ou a contar seus milagres. Porque corremos o risco de nos determos nas hist\u00f3rias de Dom Bosco, em vez de nos determos na hist\u00f3ria de Dom Bosco, porque Dom Bosco \u00e9 maior do que Dom Bosco.<br \/>Isso significa estudo, reflex\u00e3o, profundidade. Significa evitar toda superficialidade.<br \/><br \/>E ent\u00e3o poderemos dizer com verdade:\u00a0<strong>\u201cEsta \u00e9 a minha f\u00e9, este \u00e9 o meu carisma: enraizados em Cristo, seguindo os passos de Dom Bosco\u201d.<\/strong><\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fizemos uma entrevista exclusiva com o Reitor-Mor dos Salesianos, P. 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