{"id":35722,"date":"2025-04-02T13:29:09","date_gmt":"2025-04-02T13:29:09","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=35722"},"modified":"2025-04-02T13:31:43","modified_gmt":"2025-04-02T13:31:43","slug":"p-elias-comini-sacerdote-martir-em-monte-sole","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/nossos-santos\/p-elias-comini-sacerdote-martir-em-monte-sole\/","title":{"rendered":"P. Elias Comini: sacerdote m\u00e1rtir em Monte Sole"},"content":{"rendered":"\n<p><em>No dia 18 de dezembro de 2024, o Papa Francisco reconheceu oficialmente o mart\u00edrio do P. Elias Comini (1910-1944), Salesiano de Dom Bosco, que, portanto, ser\u00e1 beatificado. Seu nome se junta ao de outros sacerdotes \u2014 como o P. Jo\u00e3o Fornasini, j\u00e1 Beato desde 2021 \u2014 que foram v\u00edtimas das violentas atrocidades nazistas na \u00e1rea de Monte Sole, nas colinas de Bolonha, durante a Segunda Guerra Mundial. A beatifica\u00e7\u00e3o do P. Elias Comini n\u00e3o \u00e9 apenas um evento de extraordin\u00e1ria relev\u00e2ncia para a Igreja bolonhesa e a Fam\u00edlia Salesiana, mas tamb\u00e9m constitui um convite universal para redescobrir o valor do testemunho crist\u00e3o: um testemunho em que a caridade, a justi\u00e7a e a compaix\u00e3o prevalecem sobre qualquer forma de viol\u00eancia e \u00f3dio.<br><\/em><br><br><strong>Dos Apeninos aos p\u00e1tios salesianos<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O P. Elias Comini nasceu em 7 de maio de 1910 na localidade \u201cMadonna del Bosco\u201d em Calvenzano di Vergato, na prov\u00edncia de Bolonha. Sua casa natal \u00e9 cont\u00edgua a um pequeno santu\u00e1rio mariano, dedicado \u00e0 \u201cMadonna del Bosco\u201d [Nossa Senhora do Bosque], e essa forte marca sob a prote\u00e7\u00e3o de Maria o acompanhar\u00e1 por toda a vida.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ele \u00e9 o segundo filho de Cl\u00e1udio e Ema Limoni, que se casaram na igreja paroquial de Salvaro, em 11 de fevereiro de 1907. No ano seguinte nasceu o primog\u00eanito Hamlet. Dois anos depois, Elias veio ao mundo. Batizado no dia seguinte ao nascimento \u2013 8 de maio \u2013 na par\u00f3quia de Santo Apolin\u00e1rio em Calvenzano, Elias recebeu naquele dia tamb\u00e9m os nomes de \u201cMiguel\u201d e \u201cJos\u00e9\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando tinha sete anos, a fam\u00edlia se mudou para a localidade \u201cCasetta\u201d em Pioppe di Salvaro, no munic\u00edpio de Grizzana. Em 1916, Elias entrou para a escola: frequentou as tr\u00eas primeiras s\u00e9ries do ensino fundamental em Calvenzano. Nesse per\u00edodo, ele tamb\u00e9m recebeu a Primeira Comunh\u00e3o. Ainda pequeno, mostrou-se muito envolvido no catecismo e nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. Recebeu a Crisma em 29 de julho de 1917. Entre 1919 e 1922, Elias aprendeu os primeiros elementos de pastoral na \u201c<em>escola de fogo<\/em>\u201d de D. Fid\u00eancio Mellini, que, quando jovem, conheceu Dom Bosco, o qual lhe profetizou o sacerd\u00f3cio. Em 1923, o P. Mellini orientou tanto Elias quanto seu irm\u00e3o Hamlet para os Salesianos de Finale Emilia, e ambos aproveitar\u00e3o o carisma pedag\u00f3gico do santo dos jovens: Hamlet como docente e \u201cempreendedor\u201d na \u00e1rea da escola; Elias como Salesiano de Dom Bosco.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Novi\u00e7o desde 1\u00ba de outubro de 1925 em S\u00e3o L\u00e1zaro di Savena, Elias Comini ficou \u00f3rf\u00e3o de pai em 14 de setembro de 1926, a poucos dias (3 de outubro de 1926) de sua Primeira Profiss\u00e3o religiosa, que renovou at\u00e9 a Perp\u00e9tua, em 8 de maio de 1931, no anivers\u00e1rio do batismo, no Instituto \u201cS\u00e3o Bernardino\u201d de Chiari. Em Chiari, ele tamb\u00e9m foi \u201ctirocinante\u201d no Instituto Salesiano \u201cRota\u201d. Recebeu em 23 de dezembro de 1933 as ordens menores do ostiariado e do leitorado; em 22 de fevereiro de 1934, do exorcistado e do acolitado. Foi subdi\u00e1cono em 22 de setembro de 1934. Ordenado di\u00e1cono na catedral de Br\u00e9scia em 22 de dezembro de 1934, o P. Elias foi ordenado sacerdote pela imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os do Bispo de Br\u00e9scia, D. Jacinto Tredici, em 16 de mar\u00e7o de 1935, com apenas 24 anos: no dia seguinte, celebrou a Primeira Missa no Instituto Salesiano \u201cS\u00e3o Bernardino\u201d de Chiari. Em 28 de julho de 1935, ele festejar\u00e1 com uma Missa em Salvaro.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Matriculado na faculdade de Letras Cl\u00e1ssicas e Filosofia da ent\u00e3o Real Universidade de Mil\u00e3o, ele sempre foi muito querido pelos alunos, tanto como docente quanto como pai e guia no Esp\u00edrito: seu car\u00e1ter, s\u00e9rio sem rigidez, lhe valeu estima e confian\u00e7a. O P. Elias tamb\u00e9m \u00e9 um excelente m\u00fasico e humanista, que aprecia e sabe fazer apreciar as \u201ccoisas belas\u201d. Nos trabalhos escritos, muitos alunos, al\u00e9m de desenvolver a proposta, consideram natural abrir seu cora\u00e7\u00e3o ao P. Elias, proporcionando-lhe assim a oportunidade de acompanh\u00e1-los e orient\u00e1-los. Do P. Elias \u201cSalesiano\u201d se dir\u00e1 que era como a galinha com os pintinhos ao redor (\u00ab<em>Lia-se no rosto deles toda a felicidade de ouvi-lo: pareciam uma ninhada de pintinhos ao redor da galinha<\/em>\u00bb): todos pr\u00f3ximos a ele! Essa imagem remete \u00e0 de Mt 23,37 e expressa sua atitude de reunir as pessoas para alegr\u00e1-las e proteg\u00ea-las.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O P. Elias se formou em 17 de novembro de 1939 em Letras Cl\u00e1ssicas com uma tese sobre o <em>De resurrectione carnis [Sobre a ressurrei\u00e7\u00e3o da carne]<\/em> de Tertuliano, sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor Lu\u00eds Castiglioni (latinista de renome e coautor de um famoso dicion\u00e1rio de Latim, o \u201cCastiglioni-Mariotti\u201d): ao se deter nas palavras \u00ab<em>resurget igitur caro [portanto a carne ressuscitar\u00e1]<\/em>\u00bb, Elias comenta que se trata do canto de vit\u00f3ria ap\u00f3s uma longa e extenuante batalha.<br><br><strong>Uma viagem sem retorno<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando o irm\u00e3o Hamlet se mudou para a Su\u00ed\u00e7a, a m\u00e3e \u2013 Dona Ema Limoni \u2013 ficou sozinha nas montanhas: por isso, o P. Elias, em plena concord\u00e2ncia com os Superiores, lhe dedicaria todos os anos suas f\u00e9rias. Quando voltava para casa, ajudava a m\u00e3e, mas \u2013 sacerdote \u2013 se tornava antes de tudo dispon\u00edvel na pastoral local, ao lado de D. Mellini.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De acordo com os Superiores e em particular com o Inspetor, P. Francisco Rastello, o P. Elias voltou a Salvaro tamb\u00e9m no ver\u00e3o de 1944: naquele ano, esperava poder afastar a m\u00e3e de uma \u00e1rea onde, a uma curta dist\u00e2ncia, for\u00e7as Aliadas, partid\u00e1rios da resist\u00eancia italiana e efetivos nazifascistas constitu\u00edam uma situa\u00e7\u00e3o de risco particular. O P. Elias estava ciente do perigo que corria ao deixar sua Treviglio para ir a Salvaro, e um coirm\u00e3o, o P. Jos\u00e9 Bertolli, sdb, recorda: \u00ab<em>ao me despedir, disse-lhe que uma viagem como a dele poderia tamb\u00e9m ser sem retorno; perguntei-lhe tamb\u00e9m, naturalmente brincando, o que ele me deixaria, se n\u00e3o voltasse; ele me respondeu no mesmo tom, que me deixaria seus livros&#8230;; depois n\u00e3o o vi mais<\/em>\u00bb. O P. Elias j\u00e1 estava ciente de que se dirigia para \u201co olho do furac\u00e3o\u201d e n\u00e3o buscou na Casa Salesiana (onde poderia facilmente ter permanecido) uma forma de prote\u00e7\u00e3o: \u00ab<em>A \u00faltima lembran\u00e7a que tenho dele remonta ao ver\u00e3o de 1944, quando, em raz\u00e3o da guerra, a Comunidade come\u00e7ou a se dissolver; ainda lembro minhas palavras que, de forma amistosa, se dirigiam a ele, com um ar quase de brincadeira, lembrando-o de que ele, nesses per\u00edodos sombrios que est\u00e1vamos prestes a enfrentar, deveria se sentir privilegiado, pois no telhado do Instituto havia sido tra\u00e7ada uma cruz branca e ningu\u00e9m teria coragem de bombarde\u00e1-lo. Ele, por\u00e9m, como um profeta, me respondeu para estar muito atento, porque durante as f\u00e9rias eu poderia ler nos jornais que o P. Elias Comini havia morrido heroicamente no cumprimento de seu dever<\/em>\u00bb. \u00ab<em>Estava muito viva em todos a sensa\u00e7\u00e3o do perigo ao qual ele se expunha<\/em>\u00bb, comentou um coirm\u00e3o.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No caminho para Salvaro, o P. Comini faz uma parada em M\u00f3dena, onde cuida de uma grave ferida em uma perna: segundo uma vers\u00e3o, por ter se interposto entre um ve\u00edculo e um pedestre, evitando assim um acidente mais grave; segundo outra vers\u00e3o, por ter ajudado um senhor a empurrar um carrinho. De qualquer forma, por ter socorrido o pr\u00f3ximo. Dietrich Bonhoeffer escreveu: \u00ab<em>Quando um louco joga seu carro na cal\u00e7ada, eu n\u00e3o posso, como pastor, me contentar em enterrar os mortos e consolar as fam\u00edlias. Eu devo, se estiver naquele lugar, pular e agarrar o motorista ao volante<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O epis\u00f3dio de M\u00f3dena expressa, nesse sentido, uma atitude do P. Elias que em Salvaro, nos meses seguintes, se tornaria ainda mais evidente: interpor-se, mediar, acorrer pessoalmente, expor sua vida pelos irm\u00e3os, sempre consciente do risco que isso implica e serenamente disposto a arcar com as consequ\u00eancias.<br><br><strong>Um pastor na linha de frente da guerra<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Coxeando, ele chega a Salvaro ao entardecer de 24 de junho de 1944, apoiando-se como pode em uma bengala: um instrumento incomum para um jovem de 34 anos! Encontra a casa paroquial transformada: Dom Mellini abriga dezenas de pessoas, pertencentes a n\u00facleos familiares de desabrigados; al\u00e9m disso, as 5 irm\u00e3s Servas do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, respons\u00e1veis pela creche, entre as quais irm\u00e3 Alberta Taccini. Idoso, cansado e abalado pelos eventos b\u00e9licos, naquele ver\u00e3o D. Fid\u00eancio Mellini tem dificuldade em decidir, tornou-se mais fr\u00e1gil e incerto. O P. Elias, que o conhece desde crian\u00e7a, come\u00e7a a ajud\u00e1-lo em tudo e assume um pouco a situa\u00e7\u00e3o. A ferida na perna tamb\u00e9m o impede de afastar a m\u00e3e: o P. Elias permanece em Salvaro e, quando pode novamente andar bem, as circunst\u00e2ncias mudadas e as crescentes necessidades pastorais far\u00e3o com que ele fique.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O P. Elias reanima a pastoral, acompanha o catecismo, cuida dos \u00f3rf\u00e3os abandonados a si mesmos. Ele tamb\u00e9m acolhe os desabrigados, encoraja os temerosos, modera os imprudentes. A presen\u00e7a do P. Elias torna-se agregadora, um sinal positivo naqueles momentos dram\u00e1ticos em que as rela\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o dilaceradas por desconfian\u00e7as e oposi\u00e7\u00f5es. Coloca a servi\u00e7o de tanta gente as capacidades organizativas e a intelig\u00eancia pr\u00e1tica treinadas em anos de vida salesiana. Escreve ao irm\u00e3o Hamlet: \u00abCertamente s\u00e3o momentos dram\u00e1ticos, press\u00e1gios de outros piores. Esperamos tudo na gra\u00e7a de Deus e na prote\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, que voc\u00eas devem invocar por n\u00f3s. Espero poder ainda lhes enviar not\u00edcias nossas\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os alem\u00e3es da Wehrmacht patrulham a \u00e1rea e, nas colinas, est\u00e1 a brigada partisana \u201cEstrela Vermelha\u201d. O P. Elias Comini permanece uma figura estranha a reivindica\u00e7\u00f5es ou partidarismos de qualquer tipo: \u00e9 um sacerdote e faz valer demandas de prud\u00eancia e pacifica\u00e7\u00e3o. Aos partisanos, ele dizia: \u00ab<em>Rapazes, vejam o que fazem, porque est\u00e3o arruinando a popula\u00e7\u00e3o\u2026<\/em>\u00bb, expondo-a a retalia\u00e7\u00f5es. Eles o respeitam e, em julho e setembro de 1944, pedir\u00e3o Missas na par\u00f3quia de Salvaro. O P. Elias aceita, fazendo descer os partisanos e celebrando sem se esconder, evitando, em vez disso, subir para a \u00e1rea partisana e preferindo \u2013 como sempre far\u00e1 naquele ver\u00e3o \u2013 permanecer em Salvaro ou em \u00e1reas vizinhas, sem se esconder ou deslizar em atitudes \u201camb\u00edguas\u201d aos olhos dos nazifascistas.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 27 de julho, o P. Elias Comini escreve as \u00faltimas linhas de seu Di\u00e1rio espiritual: \u00ab27 de julho: estou exatamente no meio da guerra. Sinto saudades de meus coirm\u00e3os e de minha casa em Treviglio; se pudesse, voltaria amanh\u00e3\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desde 20 de julho, compartilhava uma fraternidade sacerdotal com o padre Martinho Capelli, Dehoniano, nascido em 20 de setembro de 1912 em Nembro, na regi\u00e3o de B\u00e9rgamo, e j\u00e1 docente de Sagrada Escritura em Bolonha, tamb\u00e9m h\u00f3spede de Dom Mellini e ajudando na pastoral.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elias e Martinho s\u00e3o dois estudiosos de l\u00ednguas antigas que agora devem cuidar das coisas mais pr\u00e1ticas e materiais. A casa paroquial de D. Mellini torna-se o que Dom Luciano Gherardi chamaria mais tarde de \u00aba comunidade da arca\u00bb, um lugar que acolhe para salvar. O P. Martinho era um religioso que se entusiasmou ao ouvir falar dos m\u00e1rtires mexicanos e desejava ser mission\u00e1rio na China. Elias, desde jovem, \u00e9 perseguido por uma estranha consci\u00eancia de \u201cdever morrer\u201d e j\u00e1 aos 17 anos havia escrito: \u00ab<em>Persiste sempre em mim o pensamento de que devo morrer! \u2013 Quem sabe?! Vamos agir como o servo fiel: sempre preparado para o chamado, a \u201creddere rationem [prestar contas]\u201d da gest\u00e3o<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 24 de julho, o P. Elias inicia o catecismo para as crian\u00e7as em prepara\u00e7\u00e3o para as primeiras Comunh\u00f5es, agendadas para 30 de julho. No dia 25, nasce uma menina no batist\u00e9rio (todos os espa\u00e7os, da sacristia ao galinheiro, estavam lotados) e um la\u00e7o rosa \u00e9 pendurado.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Durante todo o m\u00eas de agosto de 1944, soldados da Wehrmacht est\u00e3o estacionados na casa paroquial de D. Mellini e no espa\u00e7o em frente. Entre alem\u00e3es, desabrigados, consagrados\u2026 a tens\u00e3o poderia explodir a qualquer momento: o P. Elias medeia e previne tamb\u00e9m em pequenas coisas, por exemplo, atuando como um \u201camortecedor\u201d entre o volume excessivo do r\u00e1dio dos alem\u00e3es e a paci\u00eancia j\u00e1 muito curta de D. Mellini. Houve tamb\u00e9m um pouco de Ros\u00e1rio todos juntos. O P. \u00c2ngelo Carboni confirma: \u00ab<em>Na inten\u00e7\u00e3o sempre de confortar o Bispo, o P. Elias se esfor\u00e7ou muito contra a resist\u00eancia de uma companhia de alem\u00e3es que, estabelecendo-se em Salvaro em 1\u00ba de agosto, queria ocupar diversos ambientes da Casa Paroquial, tirando toda a liberdade e conforto das fam\u00edlias e desabrigados ali hospedados. Acomodados os alem\u00e3es no arquivo do Bispo, eles voltaram a perturbar, ocupando com seus carros boa parte do p\u00e1tio da Igreja; com modos ainda mais gentis e palavras persuasivas, o P. Elias conseguiu tamb\u00e9m essa outra libera\u00e7\u00e3o para conforto do Bispo, que a opress\u00e3o da luta havia for\u00e7ado ao descanso<\/em>\u00bb. Naquelas semanas, o sacerdote salesiano \u00e9 firme em proteger o direito de D. Mellini de se mover com certa liberdade em sua pr\u00f3pria casa \u2013 bem como o dos desabrigados de n\u00e3o serem afastados da casa paroquial \u2013: no entanto, reconhece algumas necessidades dos homens da Wehrmacht e isso atrai a benevol\u00eancia deles em rela\u00e7\u00e3o a D. Mellini, que os soldados alem\u00e3es aprender\u00e3o a chamar de <em>o bom pastor<\/em>. Dos alem\u00e3es, o P. Elias consegue comida para os desabrigados. Al\u00e9m disso, canta para acalmar as crian\u00e7as e conta epis\u00f3dios da vida de Dom Bosco. Em um ver\u00e3o marcado por assassinatos e retalia\u00e7\u00f5es, com o P. Elias, alguns civis conseguem at\u00e9 ouvir um pouco de m\u00fasica, evidentemente transmitida pelo aparelho dos alem\u00e3es, e se comunicar com os soldados atrav\u00e9s de breves gestos. O P. Rino Germani, sdb, Vice-Postulador da Causa, afirma: \u00ab<em>Entre as duas for\u00e7as em luta se insere a obra incans\u00e1vel e mediadora do Servo de Deus. Quando necess\u00e1rio, ele se apresenta ao Comando alem\u00e3o e, com educa\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o, consegue conquistar a estima de alguns oficiais. Assim, muitas vezes consegue evitar retalia\u00e7\u00f5es, saques e lutos<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A casa paroquial foi liberada da presen\u00e7a fixa da Wehrmacht em 1\u00ba de setembro de 1944 \u2013 \u00ab<em>Em 1\u00ba de setembro, os alem\u00e3es deixaram livre a \u00e1rea de Salvaro; apenas alguns permaneceram por mais alguns dias na casa Fabbri<\/em>\u00bb \u2013 e a vida em Salvaro p\u00f4de respirar aliviada. O P. Elias Comini persevera, enquanto isso, nas iniciativas de apostolado, auxiliado pelos outros sacerdotes e pelas irm\u00e3s.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, enquanto o padre Martinho aceita alguns convites para pregar em outros lugares e sobe para a montanha, onde seus cabelos claros lhe causam um grande problema com os partid\u00e1rios da resist\u00eancia, suspeitando que ele seja alem\u00e3o, o P. Elias permanece essencialmente fixo. Em 8 de setembro, escreve ao diretor salesiano da Casa de Treviglio: \u00ab<em>Deixo voc\u00ea imaginar nosso estado de esp\u00edrito nesses momentos. Passamos por dias muito sombrios e dram\u00e1ticos. [\u2026] Meu pensamento est\u00e1 sempre com voc\u00ea e com os queridos coirm\u00e3os da\u00ed. Sinto uma saudade viv\u00edssima [\u2026]<\/em>\u00bb.<br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desde o dia 11, ele prega os Exerc\u00edcios para as Irm\u00e3s sobre o tema dos Nov\u00edssimos, dos votos religiosos e da vida do Senhor Jesus.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Toda a popula\u00e7\u00e3o \u2013 declarou uma consagrada \u2013 amava o P. Elias, tamb\u00e9m porque ele n\u00e3o hesitava em se dedicar a todos, a todo momento; n\u00e3o pedia apenas \u00e0s pessoas que rezassem, mas oferecia-lhes um exemplo v\u00e1lido com sua piedade e aquele pouco de apostolado que, dadas as circunst\u00e2ncias, era poss\u00edvel exercer.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A experi\u00eancia dos Exerc\u00edcios imprime uma din\u00e2mica diferente a toda a semana e envolve transversalmente consagrados e leigos. \u00c0 noite, de fato, o P. Elias re\u00fane 80-90 pessoas: tentava amenizar a tens\u00e3o com um pouco de alegria, bons exemplos, caridade. Naqueles meses, tanto ele quanto o P. Martinho, como outros sacerdotes: primeiro entre todos, o P. Jo\u00e3o Fornasini, estavam na linha de frente em muitas obras de bem.<br><br><strong>O massacre de Monte Sole<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>A matan\u00e7a mais cruel e a maior realizada pelas SS nazistas na Europa, durante a guerra de 1939-45, foi aquela consumada em torno de Monte Sole, nos territ\u00f3rios de Marzabotto, Grizzana Morandi e Monzuno, embora seja comumente conhecida como o \u201cmassacre de Marzabotto\u201d.<br><\/em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Entre 29 de setembro e 5 de outubro de 1944, os mortos foram 770, mas no total as v\u00edtimas de alem\u00e3es e fascistas, da primavera de 1944 at\u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o, foram 955, distribu\u00eddas em 115 diferentes localidades dentro de um vasto territ\u00f3rio que inclui os munic\u00edpios de Marzabotto, Grizzana e Monzuno e algumas por\u00e7\u00f5es dos territ\u00f3rios vizinhos. Desses, 216 eram crian\u00e7as, 316 mulheres, 142 idosos, 138 as v\u00edtimas reconhecidas como partisanos, cinco sacerdotes, cuja culpa aos olhos dos alem\u00e3es consistia em terem estado pr\u00f3ximos, com a ora\u00e7\u00e3o e a ajuda material, a toda a popula\u00e7\u00e3o de Monte Sole nos tr\u00e1gicos meses de guerra e ocupa\u00e7\u00e3o militar. Junto com o P. Elias Comini, Salesiano, e o padre Martinho Capelli, Dehoniano, naqueles dias tr\u00e1gicos tamb\u00e9m foram mortos tr\u00eas sacerdotes da Arquidiocese de Bolonha: o P. Ubaldo Marchioni, o P. Ferdinando Casagrande, o P. Jo\u00e3o Fornasini. De todos os cinco, est\u00e1 em andamento a Causa de Beatifica\u00e7\u00e3o e Canoniza\u00e7\u00e3o. O P. Jo\u00e3o, o \u201cAnjo de Marzabotto\u201d, morreu em 13 de outubro de 1944. Tinha vinte e nove anos e seu corpo permaneceu n\u00e3o sepultado at\u00e9 1945, quando foi encontrado gravemente mutilado; foi beatificado em 26 de setembro de 2021. O P. Ubaldo morreu em 29 de setembro, assassinado por uma metralhadora no altar de sua igreja em Casaglia; tinha 26 anos, havia sido ordenado sacerdote dois anos antes. Os soldados alem\u00e3es o encontraram com a comunidade na ora\u00e7\u00e3o do ter\u00e7o. Ele foi morto ali, aos p\u00e9s do altar. Os outros \u2013 mais de 70 \u2013 no cemit\u00e9rio pr\u00f3ximo. O P. Ferdinando foi morto, em 9 de outubro, com um tiro na nuca, junto com sua irm\u00e3 J\u00falia; tinha 26 anos.<br><\/em><br><strong>Da Wehrmacht \u00e0s SS<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 25 de setembro, a Wehrmacht deixa a \u00e1rea e cede o comando \u00e0s SS do 16\u00ba Batalh\u00e3o da 16\u00aa Divis\u00e3o Blindada \u201cReichsf\u00fchrer \u2013 SS\u201d, uma Divis\u00e3o que inclui elementos SS \u201cTotenkopf \u2013 Cabe\u00e7a de Morto\u201d e era precedida por um rastro de sangue, tendo estado presente em Sant\u2019Ana di Stazzema (Lucca) em 12 de agosto de 1944; em S\u00e3o Ter\u00eancio Monti (Massa-Carrara, na Lunigiana) em 17 daquele m\u00eas; em Vinca e arredores (Massa-Carrara, na Lunigiana, ao p\u00e9 das Alpes Apuanos) de 24 a 27 de agosto.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 25 de setembro, as SS estabelecem o \u201cAlto Comando\u201d em Sibano. Em 26 de setembro, v\u00e3o para Salvaro, onde tamb\u00e9m est\u00e1 o P. Elias: uma \u00e1rea <em>fora<\/em> da zona de imediata influ\u00eancia partisana. A dureza dos comandantes em manifestar o mais total desprezo pela vida humana, o h\u00e1bito de mentir sobre o destino dos civis e a estrutura paramilitar \u2013 que recorria voluntariamente a t\u00e9cnicas de \u201cterra queimada\u201d, em desprezo a qualquer c\u00f3digo de guerra ou legitimidade de ordens dadas de cima \u2013 tornava-os um esquadr\u00e3o da morte que nada deixava intacto em seu caminho. Alguns haviam recebido uma forma\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter explicitamente concentracionista e eliminacionista, destinada \u00e0: supress\u00e3o da vida, com finalidades ideol\u00f3gicas; \u00f3dio contra aqueles que professavam a f\u00e9 judaico-crist\u00e3; desprezo pelos pequenos, pelos pobres, pelos idosos e pelos fracos; persegui\u00e7\u00e3o de quem se opusesse \u00e0s aberra\u00e7\u00f5es do nacional-socialismo. Havia um verdadeiro catecismo \u2013 anticrist\u00e3o e anticat\u00f3lico \u2013 do qual os jovens das SS estavam impregnados.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201c<em>Quando se pensa que a juventude nazista era formada no desprezo pela personalidade humana dos judeus e das outras ra\u00e7as \u2018n\u00e3o eleitas\u2019, no culto fan\u00e1tico de uma suposta superioridade nacional absoluta, no mito da viol\u00eancia criadora e das \u2018novas armas\u2019 portadoras de justi\u00e7a no mundo, compreende-se onde estavam as ra\u00edzes das aberra\u00e7\u00f5es, tornadas mais f\u00e1ceis pela atmosfera de guerra e pelo temor de uma derrota decepcionante<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O P. Elias Comini \u2013 com o P. Capelli \u2013 corre para confortar, tranquilizar, exortar. Decide acolher na casa paroquial principalmente os sobreviventes das fam\u00edlias em que os alem\u00e3es haviam matado em retalia\u00e7\u00e3o. Ao fazer isso, ele retira os sobreviventes do perigo de encontrar a morte logo depois, mas, acima de tudo, os arranca \u2013 pelo menos na medida do poss\u00edvel \u2013 daquela espiral de solid\u00e3o, desespero e perda da vontade de viver que poderia se traduzir at\u00e9 mesmo em desejo de morte. Ele tamb\u00e9m consegue falar com os alem\u00e3es e, em pelo menos uma ocasi\u00e3o, fazer com que as SS desistam de seu prop\u00f3sito, fazendo-as passar adiante e podendo, assim, avisar os refugiados para sa\u00edrem do esconderijo.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Vice-Postulador, P. Rino Germani, sdb, escrevia: \u201c<em>Chega o P. Elias. Ele os tranquiliza. Diz-lhes para sa\u00edrem, porque os alem\u00e3es foram embora. Fala com os alem\u00e3es e os faz passar adiante<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m \u00e9 morto Paulo Calanchi, um homem cuja consci\u00eancia nada lhe reprova e que comete o erro de n\u00e3o fugir. Ser\u00e1 ainda o P. Elias a correr, antes que as chamas consumam seu corpo, tentando ao menos honrar seus restos mortais, n\u00e3o tendo chegado a tempo para salvar sua vida: \u201c<em>O corpo de Paulinho \u00e9 salvo das chamas justamente pelo P. Elias que, arriscando sua vida, o recolhe e transporta com um carrinho at\u00e9 a Igreja de Salvaro<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A filha de Paulo Calanchi testemunhou: \u201c<em>Meu pai era um homem bom e honesto [\u201cem tempos de racionamento e de fome, dava p\u00e3o a quem n\u00e3o tinha\u201d] e havia recusado fugir, sentindo-se tranquilo em rela\u00e7\u00e3o a todos. Foi morto pelos alem\u00e3es, fuzilado, em retalia\u00e7\u00e3o; mais tarde, a casa tamb\u00e9m foi incendiada, mas o corpo de meu pai havia sido salvo das chamas justamente pelo P. Comini, que, arriscando sua pr\u00f3pria vida, o havia recolhido e transportado com um carrinho at\u00e9 a Igreja de Salvaro, onde, em um caix\u00e3o que ele mesmo construiu, reaproveitando t\u00e1buas, foi sepultado no cemit\u00e9rio. Assim, gra\u00e7as \u00e0 coragem do P. Comini e, muito provavelmente, tamb\u00e9m do Padre Martinho, terminada a guerra, eu e minha m\u00e3e pudemos encontrar e fazer transportar o caix\u00e3o de nosso querido para o cemit\u00e9rio de Vergato, junto ao de meu irm\u00e3o Jo\u00e3o Lu\u00eds, que morreu 40 dias depois ao atravessar a linha de frente<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma vez, o P. Elias havia dito sobre a Wehrmacht: \u201c<em>Devemos amar tamb\u00e9m esses alem\u00e3es que v\u00eam nos perturbar\u201d. \u201cAmava a todos sem prefer\u00eancia<\/em>\u201d. O minist\u00e9rio do P. Elias foi muito precioso para Salvaro e para muitos deslocados, naqueles dias. Testemunhas declararam: \u201c<em>O P. Elias foi nossa sorte porque t\u00ednhamos o P\u00e1roco muito idoso e fraco. Toda a popula\u00e7\u00e3o sabia que o P. Elias tinha esse interesse por n\u00f3s; o P. Elias ajudou a todos. Pode-se dizer que todos os dias o v\u00edamos. Ele celebrava a Missa, mas depois estava frequentemente no adro da igreja observando: os alem\u00e3es estavam l\u00e1 embaixo, em dire\u00e7\u00e3o ao Reno; os partisanos vinham da montanha, em dire\u00e7\u00e3o a Creda. Uma vez, por exemplo, (alguns dias antes do dia 26) vieram os partisanos. N\u00f3s sa\u00edmos da igreja de Salvaro e havia os partisanos l\u00e1, todos armados; e o P. Elias pedia tanto que eles fossem embora, para evitar problemas. Eles o ouviram e foram embora. Provavelmente, se n\u00e3o fosse por ele, o que aconteceu depois teria ocorrido muito antes\u201d. \u201cPelo que sei, o P. Elias era a alma da situa\u00e7\u00e3o, pois com sua personalidade sabia controlar muitas coisas que, naqueles momentos dram\u00e1ticos, eram de import\u00e2ncia vital<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Embora fosse um sacerdote jovem, o P. Elias Comini era confi\u00e1vel. Essa sua confiabilidade, unida a uma profunda retid\u00e3o, o acompanhava um pouco desde sempre, at\u00e9 mesmo desde que era coroinha, como resulta de um testemunho: \u201c<em>Tive-o por quatro anos em Rota, de 1931 a 1935, e, embora ainda coroinha, <strong>ele me deu uma ajuda que dificilmente teria encontrado em outro<\/strong> coirm\u00e3o, mesmo mais velho<\/em>\u201d.<br><br><strong>O tr\u00edduo da paix\u00e3o<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto a situa\u00e7\u00e3o se agrava ap\u00f3s poucos dias, na manh\u00e3 de 29 de setembro, quando as SS cometem um terr\u00edvel massacre na localidade de \u201cCreda\u201d. O sinal para o in\u00edcio do massacre s\u00e3o um foguete branco e um vermelho no ar: come\u00e7am a atirar, as metralhadoras atingem as v\u00edtimas, posicionadas contra um p\u00f3rtico e praticamente sem sa\u00edda. Em seguida, s\u00e3o lan\u00e7adas granadas, algumas incendi\u00e1rias, e o est\u00e1bulo \u2013 onde alguns conseguiram encontrar abrigo \u2013 pega fogo. Poucos homens, aproveitando um momento de distra\u00e7\u00e3o das SS naquele inferno, se precipitam em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 floresta. At\u00edlio Comastri, ferido, se salva porque o corpo sem vida da esposa In\u00eas Gandolfi lhe serviu de escudo: vagar\u00e1 por dias, em estado de choque, at\u00e9 conseguir passar a linha de frente e salvar a vida; havia perdido, al\u00e9m da esposa, a irm\u00e3 Marcelina e a filha Bianca, de apenas dois anos. Carlos Cardi tamb\u00e9m consegue se salvar, mas sua fam\u00edlia \u00e9 exterminada: Walter Cardi tinha apenas 14 dias, foi a menor v\u00edtima do massacre de Monte Sole. M\u00e1rio Lippi, um dos sobreviventes, atesta: \u201c<em>N\u00e3o sei eu mesmo como me salvei milagrosamente, dado que de 82 pessoas reunidas sob o p\u00f3rtico, 70 foram mortas [69, segundo a declara\u00e7\u00e3o oficial]. Lembro que, al\u00e9m do fogo das metralhadoras, os alem\u00e3es tamb\u00e9m lan\u00e7aram sobre n\u00f3s granadas e acredito que alguns fragmentos dessas me feriram levemente no lado direito, nas costas e no bra\u00e7o direito. Eu, junto com outras sete pessoas, aproveitando que em [um] lado do p\u00f3rtico havia uma portinha que levava para a rua, corri em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 floresta. Os alem\u00e3es, ao nos ver fugindo, atiraram atr\u00e1s de n\u00f3s, matando um de n\u00f3s [chamado] Em\u00edlio Gandolfi. Preciso dizer que entre as 82 pessoas reunidas sob o mencionado p\u00f3rtico havia tamb\u00e9m cerca de vinte crian\u00e7as, das quais duas de colo, nos bra\u00e7os de suas respectivas m\u00e3es, e cerca de vinte mulheres<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em Creda, s\u00e3o 21 as crian\u00e7as com menos de 11 anos, algumas muito pequenas; 24 mulheres (das quais uma adolescente); quase 20 os \u201cidosos\u201d. Entre as fam\u00edlias mais atingidas est\u00e3o os Cardi (7 pessoas), os Gandolfi (9 pessoas), os Lolli (5 pessoas), os Macchelli (6 pessoas).<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Da casa paroquial de D. Mellini, olhando para cima, em certo momento se v\u00ea a fuma\u00e7a: mas \u00e9 de manh\u00e3 cedo, Creda permanece oculta \u00e0 vista e a floresta atenua os ru\u00eddos. Na par\u00f3quia, naquele dia \u2013 29 de setembro, festa dos Santos Arcanjos \u2013 celebram-se tr\u00eas Missas, de manh\u00e3 cedo, em imediata sucess\u00e3o: a de D. Mellini; a de P. Capelli que depois vai levar a Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos na localidade de \u201cCasellina\u201d; a do P. Comini. E \u00e9 ent\u00e3o que o drama bate \u00e0 porta: \u201c<em>Ferdinando Castori, que tamb\u00e9m escapou do massacre, chegou \u00e0 igreja de Salvaro ensanguentado como um a\u00e7ougueiro e foi se esconder dentro da c\u00faspide do Campan\u00e1rio<\/em>\u201d. Por volta das 8 horas, chega \u00e0 casa paroquial um homem transtornado: parecia \u201c<em>um monstro pelo aspecto aterrorizante<\/em>\u201d, diz a Irm\u00e3 Alberta Taccini. Pede ajuda para os feridos. Cerca de setenta pessoas est\u00e3o mortas ou morrendo entre terr\u00edveis supl\u00edcios. O P. Elias, em poucos instantes, tem a lucidez de esconder 60\/70 homens na sacristia, empurrando contra a porta um velho arm\u00e1rio que deixava a entrada vis\u00edvel por baixo, mas era, no entanto, a \u00fanica esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Foi ent\u00e3o que o P. Elias, pessoalmente, teve a ideia de esconder os homens ao lado da sacristia, colocando depois um arm\u00e1rio na frente da porta (ele foi ajudado por uma ou duas pessoas que estavam na casa do Bispo). A ideia foi do P. Elias; mas todos eram contr\u00e1rios ao fato de que fosse ele mesmo a realizar aquele trabalho\u2026 Ele mesmo quis assim. Os outros diziam: \u00abE se depois nos descobrem?\u00bb<\/em>\u201d.<br>Outra vers\u00e3o: \u201c<em>O P. Elias conseguiu esconder em um local adjacente \u00e0 sacristia cerca de sessenta homens e empurrou um velho arm\u00e1rio contra a porta. Enquanto isso, o crepitar das metralhadoras e os gritos desesperados das pessoas chegavam das casas vizinhas. O P. Elias teve a for\u00e7a de iniciar o Santo Sacrif\u00edcio da Missa, a \u00faltima de sua vida. N\u00e3o havia terminado ainda, quando chegou aterrorizado e ofegante um jovem da localidade de \u201cCreda\u201d pedindo socorro porque as SS haviam cercado uma casa e prendido sessenta e nove pessoas, homens, mulheres, crian\u00e7as<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u201c<em>Ainda com os paramentos sagrados, <strong>prostrado ao altar, imerso em ora\u00e7\u00e3o<\/strong>, invoca para todos a ajuda do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, a intercess\u00e3o de Maria Auxiliadora, de S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco e de S\u00e3o Miguel Arcanjo. Depois, com um breve exame de consci\u00eancia, recitando tr\u00eas vezes o ato de contri\u00e7\u00e3o, faz uma prepara\u00e7\u00e3o para a morte. Recomenda \u00e0 assist\u00eancia das irm\u00e3s todas aquelas pessoas e \u00e0 Superiora que conduza fortemente a ora\u00e7\u00e3o para que os fi\u00e9is possam encontrar nela o conforto de que precisam<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A prop\u00f3sito do P. Elias e do padre Martinho, que chegou um pouco depois, \u00ab<em>constatam-se algumas dimens\u00f5es de uma vida sacerdotal doada conscientemente pelos outros at\u00e9 o \u00faltimo instante: a morte deles foi um prolongar o dom da vida na Missa celebrada at\u00e9 o \u00faltimo dia<\/em>\u00bb. A escolha deles tinha \u00ab<em>ra\u00edzes long\u00ednquas, na decis\u00e3o de fazer o bem, mesmo que fosse na \u00faltima hora, dispostos at\u00e9 ao mart\u00edrio<\/em>\u00bb: \u00ab<em>muitas pessoas vieram buscar ajuda na par\u00f3quia e, sem o conhecimento do p\u00e1roco, o P. Elias e o P. Martinho tentaram esconder o maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas; depois de se certificarem de que estavam de alguma forma assistidas, correram para o local dos massacres para poder ajudar tamb\u00e9m os mais desafortunados; o pr\u00f3prio D. Mellini n\u00e3o se deu conta disso e continuava a procurar os dois padres para se fazer ajudar a receber toda aquela gente<\/em>\u00bb (\u00ab<em>Temos a certeza de que nenhum deles era partisano ou tinha estado com os partisanos<\/em>\u00bb).<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Naqueles momentos, o P. Elias atesta grande lucidez que se traduz tanto em esp\u00edrito organizativo, quanto na consci\u00eancia de colocar em risco a pr\u00f3pria vida: \u00ab<em>\u00c0 luz de tudo isso, e o P. Elia sabia bem, n\u00e3o podemos, portanto, buscar aquela caridade que induz \u00e0 tentativa de ajudar os outros, mas sim \u00e0quele tipo de caridade (que foi a mesma de Cristo) que induz a <strong>participar at\u00e9 o fundo do sofrimento alheio<\/strong>, n\u00e3o temendo nem mesmo a morte como sua \u00faltima manifesta\u00e7\u00e3o. O fato de que a sua foi uma <strong>escolha l\u00facida e bem pensada<\/strong>, tamb\u00e9m \u00e9 demonstrado pelo esp\u00edrito organizativo que manifestou at\u00e9 poucos minutos antes da morte, ao tentar com prontid\u00e3o e intelig\u00eancia ocultar o maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas nos locais escondidos da casa paroquial; em seguida a not\u00edcia de Creda e, ap\u00f3s, a caridade fraterna, a caridade heroica<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma coisa \u00e9 certa: se o P. Elias tivesse se escondido com todos os outros homens ou mesmo apenas tivesse permanecido ao lado de D. Mellini, n\u00e3o teria nada a temer. Em vez disso, o P. Elias e o P. Martinho pegam a estola, os \u00f3leos santos e uma teca com algumas Part\u00edculas consagradas \u00ab<em>partiram, portanto, para a montanha, armados da estola e do \u00f3leo dos enfermos<\/em>\u00bb: \u00ab<em>Quando o P. Elias voltou depois de ter ido se encontrar com o Bispo, <strong>pegou a \u00e2mbula com as H\u00f3stias<\/strong> e o \u00d3leo Santo e se virou para n\u00f3s: ainda aquele rosto! estava t\u00e3o p\u00e1lido, que parecia algu\u00e9m j\u00e1 morto. E disse: \u201cOrem, orem por mim, porque tenho uma miss\u00e3o a cumprir\u201d\u00bb.<\/em> \u00ab<em>Orem por mim, n\u00e3o me deixem sozinho!\u00bb. \u00abN\u00f3s somos sacerdotes e devemos ir e temos que cumprir o nosso dever<\/em>\u00bb. \u00ab<strong><em>Vamos levar o Senhor aos nossos irm\u00e3os<\/em><\/strong>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 L\u00e1 em cima, em Creda h\u00e1 muita gente que est\u00e1 morrendo entre supl\u00edcios: devem acorrer, aben\u00e7oar e \u2013 se poss\u00edvel \u2013 tentar interpor-se em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s SS.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A senhora Massimina [Zappoli], posteriormente tamb\u00e9m testemunha na investiga\u00e7\u00e3o militar de Bolonha, lembra: \u00ab<em>Apesar das ora\u00e7\u00f5es de todos n\u00f3s, eles celebraram rapidamente a Eucaristia e, impulsionados apenas pela esperan\u00e7a de poder fazer algo pelas v\u00edtimas de tanta ferocidade, ao menos com um conforto espiritual, <strong>pegaram o Sant\u00edssimo Sacramento e correram em dire\u00e7\u00e3o a Creda<\/strong>. Lembro que enquanto o P. \u00a0Elias, j\u00e1 correndo, passou ao meu lado na cozinha, <strong>eu me agarrei a ele numa \u00faltima tentativa de dissuadi-lo<\/strong>, dizendo que n\u00f3s ficar\u00edamos \u00e0 merc\u00ea de n\u00f3s mesmos; ele deu a entender que, por mais grave que fosse nossa situa\u00e7\u00e3o, havia quem estivesse pior do que n\u00f3s e era a esses que eles deveriam ir<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ele est\u00e1 irredut\u00edvel e se recusa, como depois sugeriu D. Mellini, a adiar a subida a Creda quando os alem\u00e3es tivessem ido embora: \u00ab<em>Foi [portanto] uma paix\u00e3o, antes de ser cruenta, [\u2026] do cora\u00e7\u00e3o, a paix\u00e3o do esp\u00edrito. Naqueles tempos est\u00e1vamos aterrorizados por tudo e por todos: n\u00e3o se tinha mais confian\u00e7a em ningu\u00e9m: qualquer um poderia ser um inimigo determinante para a pr\u00f3pria vida. Quando os dois Sacerdotes perceberam que algu\u00e9m realmente precisava deles, n\u00e3o hesitaram para decidir o que fazer [\u2026] e, sobretudo, <strong>n\u00e3o recorreram \u00e0quela que era a decis\u00e3o imediata para todos, ou seja, encontrar um esconderijo<\/strong>, tentar se proteger e <strong>ficar fora da confus\u00e3o<\/strong>. Os dois Sacerdotes, em vez disso, decidiram <strong>ser verdadeiramente sacerdotes<\/strong>: ou seja, assistir e confortar; para prestar tamb\u00e9m o servi\u00e7o dos Sacramentos, portanto da ora\u00e7\u00e3o, do conforto que a f\u00e9 e a religi\u00e3o oferecem<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma pessoa disse: \u00ab<em>Para n\u00f3s, o P. Elias j\u00e1 era santo. Se ele fosse uma pessoa normal [\u2026] n\u00e3o teria se arriscado; <strong>ele tamb\u00e9m se teria escondido, atr\u00e1s do arm\u00e1rio, como todos os outros<\/strong><\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com os homens escondidos, s\u00e3o as mulheres que tentam reter os sacerdotes, em uma tentativa extrema de salvar suas vidas. A cena \u00e9 ao mesmo tempo agitada e bastante eloquente: \u00ab<em>L\u00eddia Macchi [\u2026] e outras mulheres tentaram impedi-los de partir, tentaram segur\u00e1-los pela batina, correram atr\u00e1s deles, os chamaram em voz alta para que voltassem: impulsionados por uma for\u00e7a interior que \u00e9 ardor de caridade e solicitude mission\u00e1ria, eles estavam j\u00e1 decididamente caminhando em dire\u00e7\u00e3o a Creda, levando os confortos religiosos<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma delas lembra: \u00ab<em>Eu os abracei, os segurava firmes pelos bra\u00e7os, dizendo e suplicando: \u2013 N\u00e3o v\u00e3o! \u2013 N\u00e3o v\u00e3o!<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E L\u00eddia Marchi acrescenta: \u00ab<em>Eu puxava Padre Martinho pela batina e o segurava [\u2026] mas os dois sacerdotes repetiam: \u2013 Precisamos ir; o Senhor nos chama<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Precisamos cumprir nosso dever. E [o P. Elias e padre Martinho,] como Jesus, foram ao encontro de um destino marcado<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>A decis\u00e3o de ir a Creda foi op\u00e7\u00e3o dos dois sacerdotes por <strong>puro esp\u00edrito pastoral; apesar de todos tentarem dissuadi-los<\/strong>, eles quiseram ir, impulsionados pela esperan\u00e7a de poder salvar algum daqueles que estavam \u00e0 merc\u00ea da f\u00faria dos soldados<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 quase certo que nunca chegaram a Creda. Capturados, segundo uma testemunha, perto de uma \u201cpilarzinho\u201d, logo fora do campo de vis\u00e3o da par\u00f3quia, o P. Elias e o P. Martinho foram vistos mais tarde carregados de muni\u00e7\u00f5es, \u00e0 frente de rastreados, ou ainda sozinhos, amarrados, com correntes, perto de uma \u00e1rvore enquanto n\u00e3o havia nenhuma batalha em curso e as SS comiam. O P. Elias intimou uma mulher a fugir, a n\u00e3o parar para evitar ser morta: \u00ab<em>Ana, por caridade, fuja, fuja<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Estavam carregados e curvados sob o peso de tantas caixinhas pesadas que das costas envolviam o corpo na frente e atr\u00e1s. Com as costas faziam uma curva que os levava quase com o nariz ao ch\u00e3o<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Sentados no ch\u00e3o [\u2026] muito suados e cansados, com as muni\u00e7\u00f5es nas costas<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Aprisionados, s\u00e3o for\u00e7ados a carregar muni\u00e7\u00f5es para cima e para baixo pela montanha, testemunhas de viol\u00eancias inauditas<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab[As SS os obrigam a] <em>descer e subir v\u00e1rias vezes pela montanha, sob sua escolta, e realizando ainda, sob os olhos das duas v\u00edtimas, as mais horripilantes viol\u00eancias<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Onde est\u00e3o, agora, a estola, os \u00f3leos santos e sobretudo o Sant\u00edssimo Sacramento? N\u00e3o h\u00e1 mais nenhum vest\u00edgio. Longe de olhos indiscretos, as SS espoliaram \u00e0 for\u00e7a os sacerdotes, livrando-se daquele Tesouro do qual nada mais seria encontrado.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Perto da noite de 29 de setembro de 1944<\/strong>, foram levados com muitos outros homens (for\u00e7ados e n\u00e3o por repres\u00e1lia ou n\u00e3o porque eram pr\u00f3-partisanos, como as fontes demonstram), para a casa \u201cdos \u201cBirociai\u201d [Carroceiros]\u201d em Pioppe di Salvaro. Mais tarde, eles, divididos em grupos, ter\u00e3o sortes muito diferentes: poucos ser\u00e3o libertados, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de interrogat\u00f3rios. A maioria, avaliados como aptos para o trabalho, ser\u00e1 enviada para campos de trabalho for\u00e7ado e poder\u00e1 \u2013 posteriormente \u2013 retornar \u00e0s suas fam\u00edlias. Os avaliados como incapazes, por mero crit\u00e9rio et\u00e1rio (cf. campos de concentra\u00e7\u00e3o) ou de sa\u00fade (jovem, mas ferido ou que simula estar doente na esperan\u00e7a de se salvar) ser\u00e3o mortos na noite de 1\u00b0 de outubro na \u201cBotte [Reservat\u00f3rio de \u00e1gua]\u201d da Canapiera [f\u00e1brica de c\u00e2nhamo] de Pioppe di Salvaro, j\u00e1 em ru\u00ednas porque bombardeada pelos Aliados dias antes.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O P. Elias e o P. Martinho \u2013 que foram interrogados \u2013 puderam se mover por toda a casa e receber visitas. O P. Elias intercedeu por todos e um jovem, muito sofrido, adormeceu em seus joelhos: em um deles, o P. Elias recebeu o Brevi\u00e1rio, a ele t\u00e3o caro e que quis manter consigo at\u00e9 os \u00faltimos instantes. Hoje, a minuciosa pesquisa hist\u00f3rica atrav\u00e9s das fontes documentais, apoiada pela mais recente historiografia cient\u00edfica, demonstrou como nunca havia sido bem-sucedido um intento, realizado pelo Cavalheiro Em\u00edlio Veggetti, de libertar o P. Elias, e como nem o P. \u00a0Elias nem o P. Martinho nunca foram realmente considerados ou pelo menos tratados como \u201cespi\u00f5es\u201d.<br><br><strong>O holocausto<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Finalmente, foram inseridos, embora jovens (34 e 32 anos), no grupo dos incapazes e com eles executados. Viveram aqueles \u00faltimos instantes orando, fazendo orar, absolvendo-se mutuamente e dando todo o poss\u00edvel conforto da f\u00e9. O P. \u00a0Elias conseguiu transformar a macabra prociss\u00e3o dos condenados at\u00e9 uma passarela em frente ao reservat\u00f3rio da \u201ccanapiera\u201d, onde ser\u00e3o mortos, em um ato coral de entrega, segurando at\u00e9 onde p\u00f4de o Brevi\u00e1rio aberto na m\u00e3o (depois, l\u00ea-se, um alem\u00e3o golpeou violentamente suas m\u00e3os e o Brevi\u00e1rio caiu no reservat\u00f3rio) e, sobretudo, entoando as Ladainhas. Quando come\u00e7aram a atirar, o P. Elias Comini salvou um homem porque o protegia com seu corpo e gritou \u00abPiedade\u00bb. O P. Martinho invocou, por sua vez, \u201cPerd\u00e3o\u201d, erguendo-se com dificuldade no reservat\u00f3rio, entre os companheiros mortos ou moribundos, e tra\u00e7ando o sinal da Cruz poucos instantes antes de morrer ele mesmo, devido a uma enorme ferida. As SS quiseram se certificar de que ningu\u00e9m sobrevivesse lan\u00e7ando algumas granadas. Nos dias seguintes, diante da impossibilidade de recuperar os corpos imersos em \u00e1gua e lama devido a chuvas abundantes (as mulheres tentaram, mas nem mesmo o P. Fornasini conseguiu), um homem abriu as comportas e a impetuosa corrente do rio Reno levou tudo. Nada mais foi encontrado deles: <em>consummatum est<\/em>!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tinha-se delineado seu estar dispostos \u00ab<em>tamb\u00e9m ao mart\u00edrio, mesmo que aos olhos dos homens pare\u00e7a estulto <strong>recusar a pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o<\/strong> para dar um m\u00edsero al\u00edvio <strong>a quem j\u00e1 estava destinado \u00e0 morte<\/strong><\/em>\u00bb. Dom Benito Cocchi em setembro de 1977 em Salvaro disse: \u00ab<em>Pois bem aqui diante do Senhor, dizemos que nossa prefer\u00eancia vai a esses gestos, a essas pessoas, \u00e0queles que <strong>pagam com a pr\u00f3pria vida<\/strong>: a quem num momento em que valiam apenas as armas, a for\u00e7a e a viol\u00eancia, quando uma casa, a vida de uma crian\u00e7a, uma fam\u00edlia inteira eram avaliadas como nada, soube realizar gestos que n\u00e3o t\u00eam voz nos balan\u00e7os de guerra, mas que s\u00e3o verdadeiros tesouros de humanidade, resist\u00eancia e alternativa \u00e0 viol\u00eancia; a quem assim colocava <strong>ra\u00edzes para uma sociedade e uma conviv\u00eancia mais humana<\/strong><\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesse sentido, \u00ab<em>O mart\u00edrio dos sacerdotes constitui o fruto de sua escolha consciente de compartilhar a sorte do rebanho at\u00e9 o sacrif\u00edcio extremo, quando os esfor\u00e7os de media\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o e os ocupantes, h\u00e1 muito perseguidos, perdem toda possibilidade de sucesso<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O P. Elias Comini havia estado l\u00facido sobre seu destino, dizendo \u2013 j\u00e1 nas primeiras fases de deten\u00e7\u00e3o \u2013: \u00ab<em>Para fazer o bem nos encontramos em muitos sofrimentos\u00bb; \u00abEra o P. \u00a0Elias que, apontando para o c\u00e9u, saudava com os olhos lacrimejantes\u00bb. \u00abElias se aproximou e me disse: \u201cV\u00e1 a Bolonha, ao Cardeal, e diga a ele onde estamos\u201d. Eu respondi: \u201cComo posso ir a Bolonha?\u201d. [\u2026] Enquanto isso, os soldados me empurravam com o cano do fuzil. O P. Elias me saudou dizendo: \u201cNos veremos no para\u00edso!\u201d. Eu gritei: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o diga isso\u201d. Ele respondeu, triste e resignado: \u201cNos veremos no Para\u00edso\u201d<\/em>\u00bb.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com dom Bosco\u2026: \u00ab<em>Eu [os] espero a todos no Para\u00edso<\/em>\u00bb!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Era a noite de 1\u00b0 de outubro, in\u00edcio do m\u00eas dedicado ao Ros\u00e1rio e \u00e0s Miss\u00f5es.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos anos de sua primeira juventude, Elias Comini havia dito a Deus: \u00ab<em>Senhor, <strong>prepara-me para ser o menos indigno para ser v\u00edtima aceit\u00e1vel<\/strong><\/em>\u00bb (\u201cDi\u00e1rio\u201d 1929); \u00ab<em>Senhor, [\u2026] <strong>recebe-me tamb\u00e9m como v\u00edtima expiat\u00f3ria<\/strong><\/em>\u00bb (1929); \u00ab<strong><em>eu gostaria de ser uma v\u00edtima de holocausto<\/em><\/strong>\u00bb (1931). \u00ab[A Jesus] <em>pedi a morte em vez de falhar na voca\u00e7\u00e3o sacerdotal e <strong>no amor heroico pelas almas<\/strong><\/em>\u00bb (1935).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 18 de dezembro de 2024, o Papa Francisco reconheceu oficialmente o mart\u00edrio do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":35715,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":6,"footnotes":""},"categories":[167],"tags":[2565,2557,2570,2189,1881,1845,2226,2227,2228,2619,2025],"class_list":["post-35722","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nossos-santos","tag-caridade","tag-deus","tag-igreja","tag-jesus","tag-martires","tag-nossos-herois","tag-salesianos","tag-salvacao","tag-santos","tag-testemunhos","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35722","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35722"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35722\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35715"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}