{"id":35678,"date":"2025-03-28T13:37:13","date_gmt":"2025-03-28T13:37:13","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=35678"},"modified":"2025-03-28T13:39:26","modified_gmt":"2025-03-28T13:39:26","slug":"o-sonho-das-22-luas-1854","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/sonhos-de-dom-bosco\/o-sonho-das-22-luas-1854\/","title":{"rendered":"O sonho das 22 luas (1854)"},"content":{"rendered":"\n<p><em><em>Em mar\u00e7o de 1854, num dia de festa, depois das v\u00e9speras, Dom Bosco reuniu todos os alunos na sacristia dos fundos, dizendo que queria contar-lhes um sonho. Estavam presentes, entre outros, os jovens Cagliero, Turchi, Anfossi, o Cl\u00e9rigo Reviglio e o Cl\u00e9rigo Buzzetti, dos quais colhemos a nossa narra\u00e7\u00e3o. Todos estavam convencidos de que, sob o nome de sonho, Dom Bosco estava escondendo as manifesta\u00e7\u00f5es que tinha do c\u00e9u. O sonho era o seguinte:<br><\/em><\/em><br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Eu me encontrava com voc\u00eas no p\u00e1tio e estava feliz vendo-os animados, alegres e contentes. Quem pulava, quem gritava, quem corria. De repente vejo que um de voc\u00eas sai de uma porta da casa e se p\u00f5e a passear no meio dos colegas, com uma esp\u00e9cie de cilindro, como um turbante, na cabe\u00e7a. Ele era transparente, todo iluminado por dentro e com a figura de uma grande lua, no meio da qual estava escrito o n\u00famero <strong>22<\/strong>. Eu fiquei surpreso e procurei logo aproximar-me para dizer que deixasse aquela coisa carnavalesca. Mas, enquanto escurecia, como se fosse dado um toque de sineta, o p\u00e1tio se esvazia e vejo todos os jovens debaixo do p\u00f3rtico da casa, dispostos em fila. O aspecto deles manifestava um grande medo, e dez ou doze deles tinham o rosto coberto por uma estranha palidez. Eu passei adiante de todos para observ\u00e1-los. E vejo entre eles aquele que tinha a lua sobre a cabe\u00e7a mais p\u00e1lido que todos. Dos seus ombros pendia um manto f\u00fanebre. Encaminho-me para ele para perguntar o que significasse aquele estranho espet\u00e1culo. Mas uma m\u00e3o me det\u00e9m, e vejo um desconhecido de aspecto s\u00e9rio e postura nobre, que me diz:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u2013 Escute-me, antes de aproximar-se dele. Ele tem ainda 22 luas de tempo, e antes que passem, morrer\u00e1. Esteja de olho nele e prepare-o!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eu queria pedir-lhe explica\u00e7\u00e3o da sua fala e do seu aparecimento de improviso, mas n\u00e3o o vi mais.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 O jovem, meus queridos filhos, eu o conhe\u00e7o e est\u00e1 entre voc\u00eas!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um vivo terror se apoderou de todos os jovens, tanto mais que sendo a primeira vez que Dom Bosco anunciava em p\u00fablico e com uma certa solenidade a morte de um da casa. O bom pai n\u00e3o podia deixar de notar isso e prosseguiu:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Eu o conhe\u00e7o e est\u00e1 entre voc\u00eas aquele das luas. Mas n\u00e3o quero que se espantem. \u00c9 um sonho como lhes disse, e sabem que nem sempre se deve acreditar nos sonhos. De qualquer modo, conforme for a coisa, o que \u00e9 certo \u00e9 que devemos estar sempre preparados como nos recomenda o divino Salvador no santo Evangelho e n\u00e3o cometer pecados. E, ent\u00e3o, a morte n\u00e3o nos far\u00e1 mais medo. Sejam todos bons, n\u00e3o ofendam o Senhor, e eu, ent\u00e3o, estarei atento e estarei de olho no n\u00famero vinte e dois, o que quer dizer 22 luas, ou seja 22 meses. Espero que tenha uma boa morte.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este an\u00fancio espantou os jovens no in\u00edcio. Fez, por\u00e9m, um bem enorme, porque estavam todos atentos em manter-se na gra\u00e7a de Deus, com o pensamento da morte, e a contar, ent\u00e3o as luas que transcorriam. Dom Bosco, de quando em quando, lhes perguntava:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Quantas luas ainda? \u2013<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E lhe respondiam:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Vinte, dezoito, quinze etc.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c0s vezes, os jovens que vigiavam todas as suas palavras se aproximavam dele para lembrar-lhe as luas passadas, e procuravam fazer progn\u00f3sticos e adivinhar. Mas Dom Bosco ficava em sil\u00eancio. O jovem Piano, que entrou como estudante no Orat\u00f3rio no m\u00eas de novembro de 1854, ouviu falar da nona lua, dos colegas, dos superiores, e veio saber o que Dom Bosco tinha predito. E ele, ent\u00e3o, como todos os outros, ficou em observa\u00e7\u00e3o.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terminou o ano de 1854, passaram muitos meses de 1855 e chegou outubro, isto \u00e9, a vig\u00e9sima lua. Cagliero, j\u00e1 cl\u00e9rigo, era encarregado de assistir a tr\u00eas quartinhos perto da antiga casa Pinardi, que serviam de dormit\u00f3rio para um grupo de jovens. Entre eles havia um certo Segundo Gurgo, bielense de Pettinengo, com seus 17 anos, de f\u00edsico belo e robusto, tipo de uma sa\u00fade de ferro, que dava todas as esperan\u00e7as de longa vida, at\u00e9 a velhice. Seu pai o tinha recomendado a Dom Bosco para mant\u00ea-lo em pens\u00e3o. Um pianista e organista talentoso que estudava m\u00fasica desde manh\u00e3 at\u00e9 noite e ganhava um bom dinheiro dando aulas em Turim. Dom Bosco, ao longo do ano, de quando em quando, perguntava ao Cl\u00e9rigo Cagliero sobre a conduta de seus assistidos, com especial aten\u00e7\u00e3o. Em outubro chamou-o e lhe disse:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Onde voc\u00ea dorme?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Respondeu o Cl\u00e9rigo Cagliero:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 No \u00faltimo quartinho, e de l\u00e1 assisto os outros dois.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 E n\u00e3o seria melhor que mudasse a sua cama para aquele do meio?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Como quiser. Mas, lhe fa\u00e7o notar que os outros dois quartos s\u00e3o secos, enquanto no segundo uma parede faz parte do muro do campan\u00e1rio da igreja, rec\u00e9m-constru\u00eddo. H\u00e1, ent\u00e3o, um pouco de umidade, o inverno se aproxima e poderia pegar uma doen\u00e7a. Contudo, de onde me encontro agora, posso muito bem assistir a todos os jovens do meu dormit\u00f3rio.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Quanto a assisti-los, sei que pode. Mas \u00e9 melhor que v\u00e1 para aquele do meio.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Cl\u00e9rigo Cagliero obedeceu, mas depois de algum tempo pediu licen\u00e7a a Dom Bosco para mudar sua cama para o primeiro quarto. Dom Bosco n\u00e3o consentiu, mas lhe disse:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Fique onde est\u00e1 e repouse tranquilo que a sua sa\u00fade nada sofrer\u00e1.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Cl\u00e9rigo Cagliero aquietou-se e alguns dias depois de novo foi chamado por Dom Bosco:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Em quantos voc\u00eas s\u00e3o no seu novo quarto?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Somos tr\u00eas. Eu, o jovem Segundo Gurgo, o Garovaglia. E com o piano somos quatro.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Bem, est\u00e1 bem. S\u00e3o tr\u00eas tocadores, o Gurgo poder\u00e1 dar-lhe li\u00e7\u00f5es de piano. Voc\u00ea cuide de assisti-lo bem.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E nada mais acrescentou. O cl\u00e9rigo, tocado pela curiosidade e suspeitando, come\u00e7ou a fazer-lhe perguntas, mas Dom Bosco o interrompeu dizendo-lhe:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 O porqu\u00ea saber\u00e1 a seu tempo.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O segredo era que naquele quarto estava o jovem das 22 luas.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No come\u00e7o de dezembro n\u00e3o havia doentes no Orat\u00f3rio, e Dom Bosco, tendo subido no estrado \u00e0 noite depois das ora\u00e7\u00f5es, anunciou que um dos jovens morreria antes do santo Natal. Por essa nova predi\u00e7\u00e3o e porque as 22 luas j\u00e1 se cumpriam, reinou em casa uma grande trepida\u00e7\u00e3o, lembrando-se frequentemente das palavras de Dom Bosco e se temia o cumprimento.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dom Bosco, naqueles dias, chamara ainda uma vez o Cl\u00e9rigo Cagliero, e lhe perguntou se Gurgo se comportasse bem e se, depois das li\u00e7\u00f5es de m\u00fasica na cidade, voltasse para casa a tempo. Cagliero lhe respondeu que tudo ia bem e que n\u00e3o havia novidade com seus colegas. Disse-lhe Dom Bosco apenas isso e nada mais: \u2013 \u00d3timo. Estou contente. Vigie para que sejam todos bons, e avise-me se acontecer algum inconveniente.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E eis que pela metade de dezembro o Gurgo foi acometido por uma c\u00f3lica violenta e t\u00e3o preocupante que, chamando depressa o m\u00e9dico, a seu conselho lhe administraram os santos sacramentos. Por oito dias, e muito sofrida, durou a doen\u00e7a e veio para melhor, gra\u00e7as aos cuidados do doutor Debernardi. E Gurgo p\u00f4de levantar-se da cama convalescente. O mal tinha desaparecido e o m\u00e9dico repetia que o jovem escapara por pouco. No entanto, seu pai foi avisado, porque, n\u00e3o tendo ainda morrido algu\u00e9m no Orat\u00f3rio, Dom Bosco queria evitar aos alunos um espet\u00e1culo f\u00fanebre.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A novena do Santo Natal come\u00e7ara e Gurgo j\u00e1 curado pensava em ir \u00e0 sua cidade nas festas natalinas. Todavia, quando se davam as boas novas dele a Dom Bosco, ele fez uma cara de quem n\u00e3o queria acreditar. Veio o pai, e encontrando o filho j\u00e1 em bom estado, pedindo e obtendo licen\u00e7a, foi reservar um lugar na carruagem para conduzi-lo no dia seguinte a Novara, e depois a Pettinengo, para que se restabelecesse plenamente da sa\u00fade. Era domingo, 23 de dezembro. Gurgo, por\u00e9m, naquela mesma noite, manifestou o desejo de comer um pouco de carne, alimento proibido pelo m\u00e9dico. O pai, para fortalec\u00ea-lo, correu para compr\u00e1-la e a fez cozinhar numa maquininha de caf\u00e9. O jovem tomou a sopa e comeu a carne, que certamente devia estar meio crua e meio cozida e at\u00e9 mais do que o necess\u00e1rio. O pai se retirou. No quarto ficou o enfermeiro e Cagliero. E eis que a uma certa hora da noite o enfermo come\u00e7a a lamentar-se de dores na barriga. A c\u00f3lica voltava a incomod\u00e1-lo com mais for\u00e7a. Gurgo chamou o assistente pelo nome:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Cagliero, Cagliero! Adeus suas aulas de piano!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Respondeu Cagliero:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Tenha paci\u00eancia. Coragem!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Eu n\u00e3o vou mais para casa: n\u00e3o viajo mais. Reze por mim; se soubesse como me sinto mal. Recomende-me a Nossa Senhora.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Sim, rezarei. Invoque tamb\u00e9m voc\u00ea Maria Sant\u00edssima.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cagliero come\u00e7ou a rezar, mas, vencido pelo sono, adormeceu. E eis que improvisamente o enfermeiro o sacode e mostrando-lhe Gurgo, corre logo para chamar P. Alasonatti, que dormia no quarto vizinho. Este veio, e depois de alguns instantes Gurgo expirava. Foi uma desola\u00e7\u00e3o em toda a casa. Cagliero, de manh\u00e3, encontrou Dom Bosco que descia as escadas para ir rezar a Santa Missa e estava muito triste, porque j\u00e1 lhe tinham comunicado a dolorosa not\u00edcia.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, na casa havia um grande falat\u00f3rio desta morte. Era a vig\u00e9sima segunda lua e ainda n\u00e3o completa. E Gurgo, morrendo no dia 24 de dezembro, antes da aurora, cumpriu tamb\u00e9m a segunda predi\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, que ele n\u00e3o veria a festa do santo Natal.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois do almo\u00e7o, os jovens e os cl\u00e9rigos rodearam Dom Bosco silenciosos. De repente o Cl\u00e9rigo Jo\u00e3o Turchi o interrogou se Gurgo era o das luas. Respondeu Dom Bosco:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Sim, era justamente ele. \u00c9 ele mesmo que vi no sonho!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois acrescentou ainda:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Voc\u00eas observaram que h\u00e1 um tempo, coloquei-o para dormir com um grupo especial, recomendando a um dos melhores assistentes que para l\u00e1 transportasse sua cama para que pudesse continuamente vigi\u00e1-lo. E o assistente foi o Cl\u00e9rigo Jo\u00e3o Cagliero. E improvisamente voltou-se para o cl\u00e9rigo e lhe disse: \u2013 Uma outra vez n\u00e3o deve fazer tantas observa\u00e7\u00f5es ao que Dom Bosco lhe disser. Agora compreende o motivo pelo qual eu n\u00e3o queria que deixasse o quarto onde estava aquele pobrezinho? Voc\u00ea me pediu, mas eu n\u00e3o quis content\u00e1-lo, justamente para que Gurgo tivesse um guarda. Se ele estivesse ainda vivo, poderia dizer quantas vezes lhe vinha falando abertamente da morte e os cuidados que lhe dediquei para disp\u00f4-lo a uma feliz passagem.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Escreveu Dom Cagliero: \u2013 \u201cEu entendi, ent\u00e3o, o motivo das recomenda\u00e7\u00f5es especiais que Dom Bosco me deu, e aprendi a conhecer e a valorizar melhor a import\u00e2ncia de suas palavras e de seus conselhos paternos\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Narra Pedro Enria: \u2013 Na noite da vig\u00edlia de Natal, lembro-me ainda Dom Bosco que subiu no estrado, percorrendo com os olhos ao redor como se procurasse algu\u00e9m. E disse: \u00c9 o primeiro jovem que morre no Orat\u00f3rio. Ele fez bem suas coisas e esperamos que esteja no para\u00edso. Recomendo-lhes que estejam sempre preparados&#8230; E n\u00e3o p\u00f4de mais continuar porque seu cora\u00e7\u00e3o estava triste. A morte tinha-lhe roubado um filho.<br><em>(MBp V, 322-327)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em mar\u00e7o de 1854, num dia de festa, depois das v\u00e9speras, Dom Bosco reuniu todos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":35672,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":24,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[2561,1749,2557,2577,1827,1815,1701,2226,2227,2228,2230],"class_list":["post-35678","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sonhos-de-dom-bosco","tag-carisma-salesiano","tag-conselhos","tag-deus","tag-dom-bosco","tag-gracas-obtidas","tag-juventude","tag-providencia","tag-salesianos","tag-salvacao","tag-santos","tag-sonhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35678","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35678"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35678\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35672"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35678"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35678"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35678"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}