{"id":34911,"date":"2025-01-31T08:19:40","date_gmt":"2025-01-31T08:19:40","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=34911"},"modified":"2025-01-31T08:20:58","modified_gmt":"2025-01-31T08:20:58","slug":"a-fe-nosso-escudo-e-nossa-vitoria-1876","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/sonhos-de-dom-bosco\/a-fe-nosso-escudo-e-nossa-vitoria-1876\/","title":{"rendered":"A f\u00e9, nosso escudo e nossa vit\u00f3ria (1876)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><em>&#8220;Quando me dediquei a esta parte do sagrado minist\u00e9rio, tive a inten\u00e7\u00e3o de consagrar todo o meu esfor\u00e7o para a maior gl\u00f3ria de Deus e para o benef\u00edcio das almas; tive a inten\u00e7\u00e3o de trabalhar para formar bons cidad\u00e3os nesta terra, para que um dia fossem dignos habitantes do c\u00e9u. Que Deus me ajude a continuar assim at\u00e9 o \u00faltimo suspiro da minha vida.&#8221; (Dom Bosco)<br><\/em><\/em><br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os jovens, e n\u00e3o somente eles, esperavam avidamente a narra\u00e7\u00e3o do sonho; Dom Bosco manteve a promessa, mas com um dia de atraso, na \u201cboa noite\u201d do dia 30 de junho, solenidade de \u201c<em>Corpus Domini<\/em>\u201d. Come\u00e7ou desta maneira: \u2013 \u201cAlegro-me em rev\u00ea-los. Oh! Quantos rostos ang\u00e9licos eu tenho na minha frente e todos voltados para mim <em>(risada geral)<\/em>. Pensei que narrando-lhes este sonho lhes causaria medo! Se tamb\u00e9m eu tivesse um rosto ang\u00e9lico, poderia dizer-lhes: Olhem para mim! E ent\u00e3o se dissiparia todo o medo de voc\u00eas. Mas infelizmente n\u00e3o sou mais que barro, como s\u00e3o voc\u00eas. Por\u00e9m, somos obra de Deus e posso dizer com S\u00e3o Paulo que voc\u00eas s\u00e3o <em>gaudium meum et corona mea<\/em>; voc\u00eas s\u00e3o o meu consolo e a minha coroa. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 para se maravilhar se na coroa houver algum <em>Gloria Patri<\/em> um tanto rude. Mas vamos ao sonho. Eu n\u00e3o queria cont\u00e1-lo por temor de amedront\u00e1-los; mas depois pensei: Um pai nada deve manter oculto a seus filhos, tanto mais se esses, naquilo que ele sabe, t\u00eam interesse e devem saber o que o pai conhece e faz. Por isso decidi cont\u00e1-lo com todos os seus particulares; mas pe\u00e7o-lhes n\u00e3o dar-lhe sen\u00e3o a import\u00e2ncia que se d\u00e1 a um sonho, e cada um o tome na parte que mais lhe agrada e que \u00e9 mais salutar. Saibam, pois, que o sonho se faz dormindo (<em>risada geral<\/em>). Por\u00e9m, saibam tamb\u00e9m que este sonho n\u00e3o o tive agora; foi h\u00e1 uns quinze dias atr\u00e1s, exatamente quando voc\u00eas terminavam os seus exerc\u00edcios. H\u00e1 muito tempo que eu rezava pedindo ao Senhor que me fizesse conhecer o estado da alma dos meus jovens e o que se pudesse fazer para o seu maior progresso na virtude e para erradicar de seus cora\u00e7\u00f5es certos v\u00edcios. Especialmente nestes exerc\u00edcios espirituais eu estava pensativo por esse motivo. Agradecendo ao Senhor, estes exerc\u00edcios correram verdadeiramente bem, seja por parte dos estudantes como dos aprendizes. Mas o Senhor n\u00e3o se deteve aqui nas suas miseric\u00f3rdias. Ele quis ajudar-me de modo que eu pudesse ler nas consci\u00eancias dos jovens, exatamente como se lesse num livro; e o que \u00e9 mais admir\u00e1vel, vi n\u00e3o somente o estado presente de cada um, mas as coisas que a cada um aconteceriam no futuro. E isto de modo preciso, tamb\u00e9m para mim extraordin\u00e1rio; porque jamais me acontecia que eu visse de modo semelhante, t\u00e3o bem, t\u00e3o claro, t\u00e3o evidente nas coisas futuras e nas consci\u00eancias dos jovens. Foi esta a primeira vez. Eu havia pedido muito a Maria Sant\u00edssima que quisesse me conceder a gra\u00e7a, que nenhum de voc\u00eas tivesse o dem\u00f4nio no cora\u00e7\u00e3o, e espero que tamb\u00e9m isto me tenha sido concedido; pois tenho motivos para crer que todos voc\u00eas me tenham revelado a pr\u00f3pria consci\u00eancia. Estando eu com esses pensamentos e pedindo ao Senhor que me fizesse conhecer o que pudesse favorecer e prejudicar a sa\u00fade da alma dos meus queridos jovens, fui para a cama, e eis que tive um sonho que lhes narrarei\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O pre\u00e2mbulo inicia com um sentimento habitual de profunda humildade; mas desta vez termina em uma afirma\u00e7\u00e3o de tal natureza, que exclui toda d\u00favida a respeito do car\u00e1ter sobrenatural do fen\u00f4meno. O sonho poderia intitular-se: <em>A f\u00e9, nosso escudo e nossa vit\u00f3ria<\/em>.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pareceu-me estar no Orat\u00f3rio com os meus jovens, que formam a minha gl\u00f3ria e a minha coroa. Estava anoitecendo. Enxergava-se ainda, mas n\u00e3o mais t\u00e3o claramente. Eu, saindo aqui dos p\u00f3rticos, estava me dirigindo \u00e0 portaria; mas um imenso n\u00famero de jovens me rodeava, como voc\u00eas costumam, porque somos amigos. Uns tinham vindo para cumprimentar-me, outros para dizer-me alguma coisa. Eu dirigia uma palavra a este e uma para aquele. Assim, lentamente chegara ao meio do p\u00e1tio; quando eu ou\u00e7o ai! ai! lamentosos e prolongados e um ru\u00eddo imenso, misturado com altos gritos de jovens e berros ferozes que vinham da portaria. Os estudantes ao ouvir aquele ins\u00f3lito tumulto voam para ver; mas depressa, junto com os aprendizes apavorados, os vi fugir precipitadamente, gritando e correndo em nossa dire\u00e7\u00e3o. Muitos aprendizes passaram pela porta do fundo do p\u00e1tio.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas crescendo ainda mais os gritos com acentos de dor e desespero, eu ansiosamente perguntava a todos o que tinha acontecido. E procurava adiantar-me para auxiliar onde fosse necess\u00e1rio. Mas os jovens aglomerados ao meu redor me detinham. Ent\u00e3o eu:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Mas deixem-me ir ver o que causa tanto susto.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 N\u00e3o, n\u00e3o, pelo amor de Deus! \u2013 me diziam; n\u00e3o v\u00e1 adiante; venha, venha, venha para tr\u00e1s; h\u00e1 um monstro que o devorar\u00e1; fuja, fuja conosco; n\u00e3o v\u00e1 l\u00e1 embaixo.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quis, todavia, ver o que havia ali e, libertando-me dos jovens, andei um pouco no p\u00e1tio dos aprendizes enquanto todos os jovens gritavam:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Veja, veja!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 O que \u00e9?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Veja l\u00e1 no fundo!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Virei-me daquela parte e vi um monstro que de in\u00edcio pareceu-me um gigantesco le\u00e3o, que n\u00e3o existe igual na terra. Fixei-o com aten\u00e7\u00e3o. Era repugnante, tinha o aspecto como de urso, por\u00e9m mais feroz e horroroso. A parte de tr\u00e1s, ao inv\u00e9s, em propor\u00e7\u00e3o aos outros membros, era pequena, mas as esp\u00e1duas anteriores eram muito largas, assim como o est\u00f4mago. A sua cabe\u00e7a era enorme e a sua boca t\u00e3o imensa e aberta, que parecia feita para devorar a gente em um bocado. Dela sa\u00edam fora dois enormes dentes, pontudos e bem compridos como de espadas afiadas.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eu logo me afastei e voltei ao meio dos jovens que me pediam conselho muito ansiosos; mas nem mesmo eu estava livre do susto e me encontrava n\u00e3o pouco perturbado. Entretanto respondi:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Gostaria de poder dizer-lhes o que devem fazer; mas n\u00e3o o sei. Contudo reunamo-nos debaixo dos p\u00f3rticos.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto falava, o urso entrava no segundo p\u00e1tio e avan\u00e7ava em nossa dire\u00e7\u00e3o com passo pesado e lento como quem est\u00e1 seguro da presa que quer fazer. N\u00f3s recuamos aterrorizados at\u00e9 que nos encontramos aqui sob os p\u00f3rticos. Os jovens se apertavam ao meu redor. Todos os olhos estavam fixos em mim.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Dom Bosco, o que devemos fazer? \u2013 diziam-me. E eu tamb\u00e9m olhava os jovens, mas silencioso, n\u00e3o sabendo que decis\u00e3o tomar. Finalmente exclamei:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Voltemo-nos para l\u00e1, para o fundo dos p\u00f3rticos, para a imagem de Nossa Senhora; coloquemo-nos de joelhos, pe\u00e7amos a ela com a maior devo\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, fervorosamente, para que ela nos diga o que devemos fazer nestes momentos, fa\u00e7a-nos conhecer quem seja este monstro; venha em nosso aux\u00edlio e nos livre. Se for um animal feroz, de qualquer maneira entre todos juntos procuraremos mat\u00e1-lo; se \u00e9 um dem\u00f4nio, Maria nos socorrer\u00e1. N\u00e3o tenham medo! A M\u00e3e celeste cuidar\u00e1 de nossa salva\u00e7\u00e3o.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No momento o urso continuava a aproximar-se lentamente e quase se arrastava pelo ch\u00e3o em ato de tomar f\u00f4lego para agredir.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ajoelhamo-nos e come\u00e7amos a rezar. Transcorreram poucos minutos de grande afli\u00e7\u00e3o. A fera havia chegado t\u00e3o perto a ponto de poder com um arremesso cair-nos em cima. Eis que n\u00e3o sei como, nem quando, vimo-nos todos no refeit\u00f3rio dos cl\u00e9rigos.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No meio destes via-se Nossa Senhora que tinha semelhan\u00e7a, n\u00e3o sei bem se com a est\u00e1tua que est\u00e1 aqui sob os p\u00f3rticos, ou com aquela do refeit\u00f3rio, ou com aquela que est\u00e1 colocada na c\u00fapula, ou com aquela que est\u00e1 na igreja. Mas seja como for, o fato \u00e9 que estava toda resplandecente de uma luz muito viva e iluminava todo o refeit\u00f3rio, ampliado cem vezes mais, tanto em amplid\u00e3o como em altura, com um sol em pleno meio dia. Estava rodeada de bem-aventurados e de anjos, de modo que aquela sala parecia um para\u00edso. Os seus l\u00e1bios moviam-se como se quisesse falar, para dizer alguma coisa.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00f3s aqui no refeit\u00f3rio \u00e9ramos em n\u00famero extraordin\u00e1rio. Nos nossos cora\u00e7\u00f5es, junto com o susto penetrou o estupor. Os olhos de todos estavam fixos em Nossa Senhora que, com voz muito doce, nos assegurou:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 N\u00e3o tenham medo, disse; tenham f\u00e9; esta \u00e9 apenas uma prova que lhes quer fazer o meu divino Filho.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Observei ent\u00e3o atentamente aqueles que, fulgurantes de gl\u00f3ria, faziam coroa \u00e0 Santa Virgem, e reconheci o P. Alasonatti, P. Rufino, um certo Miguel, irm\u00e3o das Escolas Crist\u00e3s, que algum de voc\u00eas ter\u00e1 conhecido, e meu irm\u00e3o Jos\u00e9; e outros que foram antigamente do nosso Orat\u00f3rio, pertencentes \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o e agora est\u00e3o no para\u00edso. Com estes vi alguns outros que est\u00e3o ainda vivos.<br><br>***<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando eis que um deles, que faziam corte a Nossa Senhora, diz em alta voz: <em>Surgamus!<\/em> Levantemo-nos!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00f3s est\u00e1vamos em p\u00e9 e n\u00e3o sab\u00edamos o que nos indicasse aquele aviso, e diz\u00edamos: \u2013 Mas como, \u2013 <em>Levantar-nos<\/em>? Se j\u00e1 estamos todos de p\u00e9? \u2013 <em>Levantemo-nos<\/em>! \u2013 repetiu mais forte a mesma voz. Os jovens firmes e at\u00f4nitos haviam se voltado para mim, esperando um aceno meu; e n\u00e3o sabiam o que fazer. Eu me voltei para l\u00e1, de onde havia partido aquele som e disse:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Mas como fazer? O que quer dizer <em>levantemo-nos<\/em>, se j\u00e1 estamos todos de p\u00e9?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E aquela voz me respondeu com mais for\u00e7a: <em>Levantemo-nos<\/em>! Eu n\u00e3o sabia encontrar a raz\u00e3o desta ordem que n\u00e3o entendia.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ent\u00e3o um daqueles que estavam com a Bem-aventurada Virgem dirigiu-se a mim, que estava em cima de uma mesa para dominar toda aquela multid\u00e3o, e assim come\u00e7ou a dizer com voz admiravelmente forte, enquanto os jovens estavam atentos:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 E voc\u00ea que \u00e9 padre deveria entender este <em>levantemo-nos<\/em>. Quando celebra a Santa Missa n\u00e3o diz todos os dias \u201c<em>cora\u00e7\u00f5es ao alto<\/em>\u201d? Entende-se talvez com isso levantar-se materialmente ou ent\u00e3o elevar ao c\u00e9u os afetos do cora\u00e7\u00e3o a Deus?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eu logo gritei aos jovens:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Vamos, vamos, filhinhos, revivemos, fortifiquemos nossa f\u00e9, elevemos os nossos cora\u00e7\u00f5es a Deus, fa\u00e7amos um ato de amor e de arrependimento; fa\u00e7amos um esfor\u00e7o de vontade para rezar com vivo fervor, confiemos em Deus. E fiz um sinal e todos nos ajoelhamos.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um momento ap\u00f3s, enquanto n\u00f3s rez\u00e1vamos em voz baixa, com ardor cheio de confian\u00e7a, uma voz se fez ouvir de novo: <em>Surgite<\/em> (Levantem-se)! Ficamos todos de p\u00e9 e nos sentimos levantar sensivelmente do ch\u00e3o por uma for\u00e7a sobrenatural e subimos, eu n\u00e3o sei dizer quanto, mas sei bem que est\u00e1vamos todos no alto. N\u00e3o saberia nem mesmo dizer em cima de que pousassem os nossos p\u00e9s. Recordo-me de que eu me encontrava comprimido entre a arma\u00e7\u00e3o ou parapeito de uma janela. Todos os jovens depois escalavam as janelas e as portas. Quem se agarrava daqui, quem se agarrava de l\u00e1; alguns em barras de ferro, outros em pregos robustos, alguns na moldura da ab\u00f3bada. Est\u00e1vamos todos elevados no ar e eu estava pasmo que n\u00e3o ca\u00edssemos no ch\u00e3o.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E eis que aquele monstro, que hav\u00edamos visto no p\u00e1tio, entrou na sala seguido por uma inumer\u00e1vel quantidade de animais de v\u00e1rias esp\u00e9cies, mas todos ferozes. Vagavam aqui e acol\u00e1 pelo refeit\u00f3rio, soltavam urros horr\u00edveis, pareciam \u00e1vidos de combate, parecia que a todo o momento estivessem prontos para lan\u00e7ar-se com um pulo em cima de n\u00f3s. Mas eles ainda n\u00e3o estavam tentando atacar-nos. Olhavam-nos, por\u00e9m, levantando o focinho com olhar sangu\u00edneo. N\u00f3s, do alto, est\u00e1vamos observando-os e eu, tendo-me comprimido \u00e0quela janela: \u2013 Se ca\u00edsse, dizia comigo mesmo, que supl\u00edcio horr\u00edvel fariam comigo!<br><br>***<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto est\u00e1vamos naquela estranha posi\u00e7\u00e3o, saiu uma voz da Nossa Senhora que cantava as palavras de S\u00e3o Paulo: <em>Sumite ergo scutum fidei enexpugnabile<\/em> (Empunhai o escudo inexpugn\u00e1vel da f\u00e9 \u2013 Ef 6,16). Era um canto t\u00e3o harmonioso, t\u00e3o unido, de melodia t\u00e3o sublime, que n\u00f3s est\u00e1vamos como em \u00eaxtase. Ouviam-se todas as notas da mais baixa \u00e0 mais alta e parecia que cem vozes cantavam em uma s\u00f3.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00f3s est\u00e1vamos ouvindo este canto de para\u00edso, quando vimos sair do lado de Nossa Senhora muitos jovens encantadores, com asas e descidos do c\u00e9u. Aproximaram-se de n\u00f3s trazendo escudos na m\u00e3o e colocavam um no cora\u00e7\u00e3o de cada um de nossos jovens. Todos aqueles escudos eram grandes, belos, resplandecentes. Refletia-se neles a luz que vinha de Nossa Senhora e parecia mesmo algo celeste. Cada escudo no meio parecia de ferro, depois um grande c\u00edrculo de diamante e por \u00faltimo, na extremidade, um c\u00edrculo de ouro pur\u00edssimo. Este escudo representava a f\u00e9. Quando todos est\u00e1vamos assim armados, aqueles que estavam ao redor da Beata Virgem entoaram um dueto e cantavam com t\u00e3o bela harmonia que n\u00e3o saberia quais palavras possam de alguma maneira exprimir tanta do\u00e7ura. Era tudo o que se pode imaginar de mais belo, de mais suave, de mais melodioso.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto eu contemplava aquela apresenta\u00e7\u00e3o e estava absorto com aquela m\u00fasica, assustei-me com uma voz potente que gritava: <em>Ad pugnam<\/em> (\u00c0 luta)! Todas aquelas feras come\u00e7aram a agitar-se furiosamente.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Num \u00e1timo n\u00f3s todos ca\u00edmos, ficando em p\u00e9 no ch\u00e3o, e eis que cada um lutava com as feras, protegidos pelo escudo divino. N\u00e3o sei dizer se travamos a batalha no refeit\u00f3rio ou no p\u00e1tio. O coro celeste continuava as suas harmonias. Aqueles monstros lan\u00e7avam-se contra n\u00f3s com vapores que sa\u00edam de suas goelas, balas de chumbo, lan\u00e7as, setas e outros proj\u00e9teis de toda esp\u00e9cie: mas essas armas n\u00e3o chegavam a n\u00f3s ou batiam em nossos escudos e ricocheteavam para tr\u00e1s. Mas os inimigos queriam de todos os modos ferir e matar e se precipitavam ao ataque; mas n\u00e3o podiam causar-nos nenhum ferimento. Todos os seus golpes batiam com \u00edmpeto naqueles escudos, e se quebravam os dentes e fugiam. Como vagalh\u00f5es um ap\u00f3s o outro se sucediam em assaltar-nos aquelas massas de feras assustadoras, mas todas encontram o mesmo destino.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Longa foi a batalha. Finalmente se fez ouvir a voz de Nossa Senhora: <em>Haec est Victoria vestra, quae vincit mundum, fides vestra<\/em> (esta \u00e9 a vossa vit\u00f3ria que venceu o mundo: a vossa f\u00e9, 1Jo 5,4).<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A esta voz, aquela multid\u00e3o de feras assustada se precipitou em fuga e desapareceu. N\u00f3s ficamos livres, salvos, vencedores naquela sala imensa do refeit\u00f3rio, sempre iluminada pela luz que se difundia de Nossa Senhora.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ent\u00e3o eu olhei fixando-me atentamente nos que levavam aquele escudo. Eram muitos milhares. Entre outros, vi P. Alasonatti, P. Rufino, meu irm\u00e3o Jos\u00e9 e o Irm\u00e3o das Escolas Crist\u00e3s que haviam combatido conosco.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas os olhos de todos os jovens n\u00e3o podiam desprender-se da Senhora Sant\u00edssima. Ela entoava um hino de agradecimento, que em n\u00f3s avivava novos prazeres e novos \u00eaxtases indescrit\u00edveis. N\u00e3o sei se se possa ouvir c\u00e2ntico mais belo no para\u00edso.<br><br>***<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas nossa alegria foi improvisamente perturbada por gritos e gemidos angustiantes misturados a urros ferozes. Parecia que os nossos jovens fossem despeda\u00e7ados por aquelas feras, que tinham fugido daquele lugar poucos momentos antes. Eu quis logo sair para ver o que acontecia, e prestar socorro aos meus filhos; mas n\u00e3o podia sair, porque na porta estavam os jovens que me impediam e n\u00e3o queriam a todo custo que eu sa\u00edsse. Eu fazia todos os esfor\u00e7os e dizia-lhes:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Deixem-me ir para ajudar aqueles que gritam. Quero ver os meus jovens e se lhes toca dano ou morte, quero morrer com eles. Quero ir, mesmo que tivesse que deixar a vida l\u00e1. \u2013 E arrancando-me de suas m\u00e3os, fui embaixo dos p\u00f3rticos. E, oh, miser\u00e1vel espet\u00e1culo! O p\u00e1tio estava coberto de mortos, de moribundos e de feridos.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os jovens, apavorados pelo susto, tentavam fugir de um lado para o outro e todos aqueles monstros os perseguiam, lan\u00e7avam-se sobre eles, fincavam os dentes em seus membros e os dilaceravam. A cada instante eram jovens que ca\u00edam e expiravam dando os gritos mais dolorosos.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas quem mais de todos fazia o maior massacre, era aquele urso que por primeiro aparecera no p\u00e1tio dos aprendizes. Com aqueles dois dentes semelhantes a espadas, transpassava o peito dos jovens da direita \u00e0 esquerda, e da esquerda \u00e0 direita e aqueles com dupla ferida no cora\u00e7\u00e3o ca\u00edam miseravelmente mortos.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eu resolutamente me pus a gritar:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Coragem, meus queridos jovens!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Muitos jovens se refugiavam perto de mim; mas o urso, quando apareci, correu ao meu encontro. Eu, enchendo-me de coragem, dei alguns passos em sua dire\u00e7\u00e3o. No momento, alguns jovens daqueles que estavam no refeit\u00f3rio e que j\u00e1 haviam vencido os animais, vieram at\u00e9 a soleira e uniram-se a mim. Aquele pr\u00edncipe dos dem\u00f4nios se lan\u00e7ou contra mim e contra eles, mas n\u00e3o nos p\u00f4de ferir porque os escudos nos defendiam. Antes, nem mesmo nos tocou, porque \u00e0 vista deles, assustado e quase reverente, ia para tr\u00e1s. Foi ent\u00e3o que fixando os olhos naqueles seus longos dentes em forma de espada, a\u00ed pude ler escritas duas palavras com letras mai\u00fasculas. Sobre um estava escrito: <em>Otium<\/em> (\u00d3cio); sobre o outro <em>Gula<\/em> (Gula).<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fiquei pasmo e dizia comigo mesmo:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 \u00c9 poss\u00edvel que na nossa casa, onde todos se encontram t\u00e3o ocupados, onde h\u00e1 tanto que fazer, que n\u00e3o se sabe por onde come\u00e7ar para desobrigar-se de novas ocupa\u00e7\u00f5es, haja quem peque por \u00f3cio? E com respeito aos jovens, me parece que trabalhem e que estudem a tempo e lugar e que no receio n\u00e3o perdem tempo. \u2013 E n\u00e3o conseguia encontrar raz\u00e3o da coisa.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas foi-me respondido:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Contudo bem meias horas se perdem!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 E de gula depois? \u2013 eu continuava: entre n\u00f3s parece que, mesmo querendo, n\u00e3o se pode ir atr\u00e1s de muitas gulodices. N\u00e3o temos nem mais ocasi\u00f5es para ser intemperantes. Os alimentos n\u00e3o s\u00e3o finos assim como as bebidas. D\u00e1-se apenas o necess\u00e1rio. Como, pois, podem ocorrer intemperan\u00e7as que levem ao inferno?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De novo foi-me respondido:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 \u00d3 sacerdote! Voc\u00ea acredita ser profundo na doutrina moral e ter j\u00e1 muita experi\u00eancia, mas nisto n\u00e3o sabe nada; \u00e9 completamente ing\u00eanuo. E n\u00e3o sabe que se pode cometer um ato de gula, uma intemperan\u00e7a, mesmo bebendo \u00e1gua?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o contente eu quis ter uma explica\u00e7\u00e3o mais clara e, estando ainda o refeit\u00f3rio iluminado pela Virgem, fui muito triste at\u00e9 o irm\u00e3o Miguel porque queria esclarecer a minha d\u00favida. Miguel respondeu-me:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Eh, meu caro, neste assunto voc\u00ea \u00e9 ainda inexperiente. Explicar-lhe-ei o que me pergunta.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Quanto \u00e0 gula, precisa saber que se pode pecar por intemperan\u00e7a, quando mesmo \u00e0 mesa se come ou se bebe mais que o necess\u00e1rio; comete-se intemperan\u00e7a no dormir ou quando se faz para o corpo algo que v\u00e1 al\u00e9m da necessidade. Quanto ao \u00f3cio saiba que com esta palavra n\u00e3o se entende apenas o n\u00e3o trabalhar e o ocupar ou n\u00e3o o tempo de recreio em divertir-se, mas tamb\u00e9m quando neste tempo se deixa livre a imagina\u00e7\u00e3o para pensar em coisas que s\u00e3o perigosas. O \u00f3cio tamb\u00e9m acontece no estudo, quando algu\u00e9m se diverte com outras distra\u00e7\u00f5es, quando certos retalhos de hora s\u00e3o desperdi\u00e7ados em leituras fr\u00edvolas, ou estando inertes a olhar os outros, deixando-se vencer por aquele momento de indol\u00eancia e especialmente quando na igreja n\u00e3o se reza e se sente t\u00e9dio no que se refere \u00e0 piedade. O \u00f3cio \u00e9 o pai, a fonte, a causa de tantas tenta\u00e7\u00f5es nocivas e de todos os males. Voc\u00ea, portanto, que \u00e9 diretor destes jovens, deve mant\u00ea-los longe desses dois pecados, procurando reavivar neles a f\u00e9. Se voc\u00ea puder conseguir de seus jovens que sejam moderados naquelas pequenas coisas que eu disse, eles vencer\u00e3o sempre o dem\u00f4nio e com a temperan\u00e7a vir\u00e3o a eles a humildade, a castidade e outras virtudes. E se ocuparem o tempo no cumprimento de seus deveres, n\u00e3o cair\u00e3o jamais nas tenta\u00e7\u00f5es do inimigo infernal e viver\u00e3o e morrer\u00e3o como santos crist\u00e3os.<br><br>***<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ap\u00f3s ouvir essas coisas eu lhe agradeci por t\u00e3o bela instru\u00e7\u00e3o e, depois, para certificar-me de que isso que eu via era realidade ou simples sonho, tentei tocar sua m\u00e3o; mas nada apertei. Procurei toc\u00e1-la pela segunda vez e pela terceira e inutilmente, pois n\u00e3o apertei sen\u00e3o ar. No entanto, eu via todas aquelas pessoas, falavam, pareciam vivas. Aproximei-me do P. Alasonatti, do P. Rufino, de meu irm\u00e3o; por\u00e9m, n\u00e3o me foi poss\u00edvel apalpar a m\u00e3o de nenhum deles.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eu estava fora de mim e exclamei:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Mas \u00e9 verdade ou n\u00e3o tudo isso que eu vejo? Mas estas n\u00e3o parecem pessoas? N\u00e3o as ouvi falar?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O irm\u00e3o Miguel respondeu-me:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Deveria saber e estudou isso, que enquanto a alma n\u00e3o estiver unida ao corpo, \u00e9 in\u00fatil tentar tocar-me. Voc\u00ea n\u00e3o pode tocar os puros esp\u00edritos. S\u00f3 para fazer-nos ver pelos mortais devemos tomar a nossa forma. Mas quando todos ressuscitarmos no Ju\u00edzo, ent\u00e3o retomaremos os nossos corpos espiritualizados.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ent\u00e3o quis aproximar-me de Nossa Senhora que parecia tivesse alguma coisa a dizer-me. Estava quase perto dela, quando ouvi um novo rumor e novos e altos gritos vindo de fora. Imediatamente quis sair pela segunda vez do refeit\u00f3rio; mas ao sair, acordei.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim que terminou de contar, acrescentou estas observa\u00e7\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es: \u201cO que quer que seja deste sonho, t\u00e3o variadamente entrela\u00e7ado, o fato \u00e9 que nele se repetem e se explicam os ditos de S\u00e3o Paulo. Mas tamanha era a prostra\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e o abatimento causado por este sonho que pedi ao Senhor que n\u00e3o permitisse que outra vez se apresentasse \u00e0 minha mente um sonho semelhante: por\u00e9m, eis que na noite seguinte repetiu-se de novo o mesmo sonho e deste tive que ver tamb\u00e9m o fim, que n\u00e3o havia visto na noite anterior. E eu me pus a gritar tanto que P. Berto ouviu o rumor e de manh\u00e3 veio perguntar-me por que eu havia gritado e se eu tinha passado a noite sem dormir. Esses sonhos me cansaram muito mais do que se houvesse passado a noite inteira sem dormir e escrevendo. Como veem, este \u00e9 um sonho, e eu n\u00e3o quero dar-lhe nenhuma autoridade, mas apenas consider\u00e1-lo como um sonho sem ir adiante. N\u00e3o gostaria depois que se falasse disso em casa, ou aqui, ou ali, para que os de fora, que nada conhecem das coisas do Orat\u00f3rio, tenham que dizer, como j\u00e1 disseram, que Dom Bosco faz os seus jovens viverem de sonhos. Por\u00e9m, isso pouco importa; digam o que quiserem. Cada um tire do sonho o que importa para ele. No momento, n\u00e3o lhes dou explica\u00e7\u00f5es disso porque \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil de ser compreendido por todos. O que muito lhes recomendo \u00e9 que reavivem a pr\u00f3pria f\u00e9, a qual se conserva especialmente com a temperan\u00e7a e com a fuga do \u00f3cio. Deste, sejam inimigos; daquela, amigos. Em outras noites, voltarei a tratar desse assunto. No momento lhes dou a boa noite\u201d.<br><em>(MBp XII, 291-299)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quando me dediquei a esta parte do sagrado minist\u00e9rio, tive a inten\u00e7\u00e3o de consagrar todo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":34904,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":16,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[2565,2561,1749,2557,2577,2579,1827,2189,1815,2226,2227,2228],"class_list":["post-34911","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sonhos-de-dom-bosco","tag-caridade","tag-carisma-salesiano","tag-conselhos","tag-deus","tag-dom-bosco","tag-educacao","tag-gracas-obtidas","tag-jesus","tag-juventude","tag-salesianos","tag-salvacao","tag-santos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34911\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34904"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}