{"id":31491,"date":"2024-12-29T10:43:27","date_gmt":"2024-12-29T10:43:27","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=31491"},"modified":"2024-12-29T10:56:20","modified_gmt":"2024-12-29T10:56:20","slug":"perfis-de-familias-feridas-na-historia-da-santidade-salesiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/boa-imprensa\/perfis-de-familias-feridas-na-historia-da-santidade-salesiana\/","title":{"rendered":"Perfis de fam\u00edlias feridas na hist\u00f3ria da santidade salesiana"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1. Hist\u00f3rias de fam\u00edlias feridas<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos acostumados a imaginar a fam\u00edlia como uma realidade harmoniosa, caracterizada pela presen\u00e7a de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es e pelo papel orientador dos pais que estabelecem normas, e dos filhos que, ao aprend\u00ea-las, s\u00e3o guiados por eles na experi\u00eancia da realidade. No entanto, muitas vezes as fam\u00edlias se veem atravessadas por dramas e incompreens\u00f5es, ou marcadas por feridas que atacam sua configura\u00e7\u00e3o ideal e devolvem uma imagem distorcida, falsificada e enganosa.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m a hist\u00f3ria da santidade salesiana \u00e9 marcada por hist\u00f3rias de fam\u00edlias feridas: fam\u00edlias onde falta pelo menos uma das figuras parentais, ou onde a presen\u00e7a da m\u00e3e e do pai se torna, por raz\u00f5es diversas (f\u00edsicas, ps\u00edquicas, morais e espirituais), prejudicial para seus filhos, que hoje est\u00e3o a caminho das honras dos altares. O pr\u00f3prio Dom Bosco, que experimentou a morte prematura do pai e o afastamento da fam\u00edlia pela prudente vontade de Mam\u00e3e Margarida, deseja \u2013 n\u00e3o \u00e9 por acaso \u2013 que a obra salesiana seja particularmente dedicada \u00e0 \u201cjuventude pobre e abandonada\u201d e n\u00e3o hesita em alcan\u00e7ar os jovens que se formaram em seu orat\u00f3rio com uma intensa pastoral vocacional (demonstrando que nenhuma ferida do passado \u00e9 um obst\u00e1culo a uma vida humana e crist\u00e3 plena). \u00c9, portanto, natural que a pr\u00f3pria santidade salesiana, que se alimenta das exist\u00eancias de muitos jovens de Dom Bosco que depois foram consagrados por meio dele \u00e0 causa do Evangelho, traga em si \u2013 como consequ\u00eancia l\u00f3gica \u2013 tra\u00e7os de fam\u00edlias feridas.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desses meninos e meninas que cresceram em contato com as obras salesianas, queremos apresentar tr\u00eas, cujas hist\u00f3rias se entrela\u00e7am na biografia de Dom Bosco. Os protagonistas s\u00e3o:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 A bem-aventurada Laura Vicu\u00f1a, nascida no Chile em 1891, \u00f3rf\u00e3 de pai e cuja m\u00e3e inicia na Argentina uma conviv\u00eancia com o rico propriet\u00e1rio Manuel Mora; Laura, portanto, ferida pela situa\u00e7\u00e3o de irregularidade moral da m\u00e3e, est\u00e1 pronta para oferecer a vida por ela;<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 O servo de Deus Carlos Braga, de Valtellina nascido em 1889, abandonado ainda pequeno pelo pai e cuja m\u00e3e \u00e9 afastada ao ser considerada psicologicamente inst\u00e1vel, por uma mistura de ignor\u00e2ncia e maledic\u00eancia; Carlos, portanto, que enfrenta grandes humilha\u00e7\u00f5es e ver\u00e1 sua voca\u00e7\u00e3o salesiana colocada em dificuldade por aqueles que temem nele um comprometedor reaparecimento da defici\u00eancia ps\u00edquica falsamente atribu\u00eddo \u00e0 m\u00e3e;<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Finalmente, a serva de Deus Ana Maria Lozano, que nasceu em 1883 na Col\u00f4mbia, segue o pai com sua fam\u00edlia no lazareto, onde \u00e9 for\u00e7ada a se transferir ap\u00f3s o aparecimento da terr\u00edvel lepra, ser\u00e1 obstaculizada em sua voca\u00e7\u00e3o religiosa, mas poder\u00e1 finalmente realiz\u00e1-la gra\u00e7as ao encontro providencial com o salesiano Lu\u00eds Variara, beato.<br><br><strong>2. Dom Bosco e a busca pelo pai<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como Laura, Carlos e Ana Maria \u2013 marcados pela aus\u00eancia ou pelas \u201cferidas\u201d de uma ou mais figuras parentais \u2013 antes deles, e de certo modo \u201cpor eles\u201d, tamb\u00e9m Dom Bosco experimenta a falta de um n\u00facleo familiar forte.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As <em>Mem\u00f3rias do Orat\u00f3rio<\/em> devem logo se deter sobre a precoce perda do pai: Francisco morre aos 34 anos e Dom Bosco \u2013 n\u00e3o sem recorrer a uma express\u00e3o, em certos aspectos, desconcertante \u2013 reconhece que \u201cDeus misericordioso os atingiu a todos com um grave infort\u00fanio\u201d. Assim, entre as primeiras lembran\u00e7as do futuro santo dos jovens, surge uma experi\u00eancia dilacerante: a do corpo do pai, do qual a m\u00e3e tenta afast\u00e1-lo, encontrando, no entanto, sua resist\u00eancia: \u201cEu queria absolutamente ficar l\u00e1\u201d, explica Dom Bosco, que ent\u00e3o acrescentou: \u201cSe papai n\u00e3o vem, n\u00e3o quero ir [embora]\u201d. Margarida ent\u00e3o lhe responde: \u201cPobre filho, venha comigo, voc\u00ea n\u00e3o tem mais pai\u201d. Ela chora e Jo\u00e3ozinho, que carece de uma compreens\u00e3o racional da situa\u00e7\u00e3o, mas intui todo o drama com uma intui\u00e7\u00e3o afetiva e de empatia, faz sua a tristeza da m\u00e3e: \u201cEu chorava porque ela chorava, j\u00e1 que naquela idade n\u00e3o podia certamente compreender qu\u00e3o grande infort\u00fanio era a perda do pai\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante do pai morto, Jo\u00e3ozinho demonstra consider\u00e1-lo ainda o centro de sua vida. Ele diz, de fato: \u201cn\u00e3o quero <em>ir (it. andare)<\/em> [com voc\u00ea, mam\u00e3e]\u201d e <em>n\u00e3o<\/em>, como esperar\u00edamos: \u201cn\u00e3o quero <em>vir (it. venire)<\/em>\u201d. Seu ponto de refer\u00eancia \u00e9 o pai \u2013 ponto de partida e desej\u00e1vel ponto de retorno \u2013 em rela\u00e7\u00e3o ao qual todo afastamento parece desestabilizador. Na dramaticidade daqueles momentos, al\u00e9m disso, Jo\u00e3ozinho ainda n\u00e3o compreendeu o que significa a morte do genitor. Ele espera, de fato (\u201cse papai n\u00e3o vem&#8230;\u201d) que o pai ainda possa ficar perto dele: e, no entanto, j\u00e1 intui seu imobilismo, seu sil\u00eancio, sua incapacidade de proteg\u00ea-lo e defend\u00ea-lo, a impossibilidade de ser levado pela m\u00e3o para se tornar, por sua vez, um homem. Os eventos imediatamente seguintes, ent\u00e3o, confirmam a Jo\u00e3o na certeza de que o pai amorosamente protege, orienta e guia e que, quando lhe falta, mesmo a melhor das m\u00e3es, como Margarida \u00e9, pode prover apenas em parte. Em seu caminho de menino exuberante, o futuro Dom Bosco encontra, no entanto, outros \u201cpais\u201d: os quase-coet\u00e2neos Lu\u00eds Comollo, que desperta nele a emula\u00e7\u00e3o das virtudes, e S\u00e3o Jos\u00e9 Cafasso, que o chama de \u201cmeu caro amigo\u201d, faz um \u201cgesto gracioso para se aproximar\u201d e, ao fazer isso, o confirma na persuas\u00e3o de que paternidade \u00e9 proximidade, confian\u00e7a e interesse concreto. Mas h\u00e1, sobretudo, o P. Calosso, o sacerdote que \u201cintercepta\u201d o cabeludo Jo\u00e3ozinho durante uma \u201cmiss\u00e3o popular\u201d e se torna determinante para seu crescimento humano e espiritual. Os gestos do P. Calosso operam no pr\u00e9-adolescente Jo\u00e3o uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o. O P. Calosso, antes de tudo, <em>fala com ele<\/em>. Ent\u00e3o, <em>d\u00e1-lhe voz<\/em>. Depois, o <em>encoraja<\/em>. Al\u00e9m disso: se <em>interessa<\/em> pela hist\u00f3ria da fam\u00edlia Bosco, demonstrando saber contextualizar a \u201chora\u201d daquele menino no \u201ctodo\u201d de sua hist\u00f3ria. Al\u00e9m disso, revela-lhe o mundo, ou melhor, de certa forma o reintegra ao mundo, fazendo-o conhecer coisas novas, presenteando-o com novas palavras e demonstrando-lhe que ele tem as capacidades para fazer muito e bem. Finalmente, <em>o protege<\/em> com o gesto e com o olhar, e cuida dele em suas necessidades mais urgentes e reais: \u00abEnquanto eu falava, ele nunca desviou o olhar de mim. \u201cMantenha-se de bom \u00e2nimo, amigo, eu pensarei em voc\u00ea e em seus estudos\u201d\u00bb.<br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No P. Calosso, Jo\u00e3o Bosco faz, portanto, a experi\u00eancia de que a verdadeira paternidade merece um total e totalizante compromisso; leva \u00e0 consci\u00eancia de si; abre um \u201cmundo ordenado\u201d onde a regra d\u00e1 seguran\u00e7a e educa para a liberdade:<br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cEu logo me coloquei nas m\u00e3os do P. Calosso. Ent\u00e3o, conheci o que significa ter um guia est\u00e1vel [&#8230;], um amigo fiel da alma&#8230; Ele me encorajou; todo o tempo que eu podia, passava perto dele&#8230; Daquela \u00e9poca em diante, comecei a saborear o que \u00e9 a vida espiritual, j\u00e1 que antes agia de forma mais material e como uma m\u00e1quina que faz uma coisa, sem saber a raz\u00e3o\u201d.<br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O pai terreno, no entanto, \u00e9 tamb\u00e9m aquele que gostaria de estar sempre perto do filho, mas em certo momento n\u00e3o consegue mais faz\u00ea-lo. Tamb\u00e9m o P. Calosso morre; tamb\u00e9m o melhor pai, em certo momento, se afasta, para dar ao filho a for\u00e7a do desapego e da autonomia t\u00edpicas da idade adulta.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Qual \u00e9, ent\u00e3o, para Dom Bosco, a diferen\u00e7a entre fam\u00edlias bem-sucedidas ou fracassadas? Ser\u00edamos \u00a0tentados a dizer que est\u00e1 tudo aqui: \u201cbem-sucedida\u201d \u00e9 a fam\u00edlia caracterizada por pais que educam os filhos para a liberdade e, se os deixam, \u00e9 apenas por uma impossibilidade que surgiu ou para o bem deles. \u201cFerida\u201d, em vez disso, \u00e9 a fam\u00edlia onde o genitor n\u00e3o gera mais para a vida, mas traz em si problemas de v\u00e1rias naturezas que dificultam o crescimento do filho: um genitor que se desinteressa por ele e, diante das dificuldades, at\u00e9 o abandona, com uma atitude t\u00e3o diferente da do Bom Pastor.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As hist\u00f3rias biogr\u00e1ficas de Laura, Carlos e Anna Maria confirmam isso.<br><br><strong>3. Laura: uma filha que \u201cgera\u201d sua pr\u00f3pria m\u00e3e<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nascida em Santiago do Chile em 5 de abril de 1891, e batizada em 24 de maio seguinte, Laura \u00e9 a filha mais velha de Jos\u00e9 D. Vicu\u00f1a, um nobre decadente que havia se casado com Mercedes Pino, filha de modestos agricultores. Tr\u00eas anos depois, chega uma irm\u00e3zinha, J\u00falia Amanda, mas logo o pai morre, ap\u00f3s ter sofrido uma derrota pol\u00edtica que minou sua sa\u00fade e comprometeu, com o sustento econ\u00f4mico da fam\u00edlia, tamb\u00e9m a honra. Privada de qualquer \u201cprote\u00e7\u00e3o e perspectiva de futuro\u201d, a m\u00e3e chega \u00e0 Argentina, onde recorre \u00e0 tutela do propriet\u00e1rio de terras Manuel Mora: um homem \u201cde car\u00e1ter soberbo e altivo\u201d, que \u201cn\u00e3o dissimula \u00f3dio e desprezo por quem quer que se oponha a seus planos\u201d. Um homem que, portanto, apenas em apar\u00eancia garante prote\u00e7\u00e3o, mas est\u00e1 na verdade acostumado a tomar, se necess\u00e1rio \u00e0 for\u00e7a, o que deseja, instrumentalizando as pessoas. Enquanto isso, ele paga os estudos de Laura e da irm\u00e3 no col\u00e9gio das Filhas de Maria Auxiliadora e sua m\u00e3e \u2013 que sofre a influ\u00eancia psicol\u00f3gica de Mora \u2013 convive com ele sem encontrar a for\u00e7a para romper o v\u00ednculo. Quando, no entanto, Mora come\u00e7a a mostrar sinais de desonesto interesse pela pr\u00f3pria Laura, e especialmente quando esta inicia o caminho de prepara\u00e7\u00e3o para a Primeira Comunh\u00e3o, ela de repente compreende toda a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio da m\u00e3e \u2013 que justifica um mal (a conviv\u00eancia) em vista de um bem (a educa\u00e7\u00e3o das filhas no col\u00e9gio) \u2013 Laura entende que se trata de uma argumenta\u00e7\u00e3o moralmente ileg\u00edtima, que coloca em grave perigo a alma da m\u00e3e. Nesse per\u00edodo, ent\u00e3o, Laura gostaria de se tornar ela mesma uma irm\u00e3 de Maria Auxiliadora: mas seu pedido \u00e9 recusado, porque \u00e9 filha de uma \u201cconcubina p\u00fablica\u201d. E \u00e9 neste ponto que, precisamente em Laura \u2013 acolhida no col\u00e9gio quando ainda dominavam nela \u201cimpulsividade, facilidade de ressentimento, irritabilidade, impaci\u00eancia e propens\u00e3o a aparecer\u201d \u2013 se manifesta uma mudan\u00e7a que apenas a Gra\u00e7a, unida ao empenho da pessoa, pode operar: ela pede a Deus a convers\u00e3o da m\u00e3e, oferecendo-se por ela. Nesse momento, Laura n\u00e3o pode se mover nem \u201cpara frente\u201d (entrando entre as Filhas de Maria Auxiliadora) nem \u201cpara tr\u00e1s\u201d (voltando para a m\u00e3e e para Mora). Com um gesto ent\u00e3o carregado da criatividade t\u00edpica dos santos, Laura inicia o \u00fanico caminho que ainda lhe \u00e9 acess\u00edvel: o da altura e da profundidade. Nos prop\u00f3sitos da Primeira Comunh\u00e3o, ela anotou:<br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Proponho fazer o que sei e posso para [&#8230;] reparar as ofensas que v\u00f3s, Senhor, recebeis todos os dias dos homens, especialmente das pessoas da minha fam\u00edlia; meu Deus, dai-me uma vida de amor, de mortifica\u00e7\u00e3o e de sacrif\u00edcio.<br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Agora finaliza o prop\u00f3sito em \u201cAto de oferta\u201d, que inclui o sacrif\u00edcio da pr\u00f3pria vida. O confessor, reconhecendo que a inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 de Deus, mas ignorando as consequ\u00eancias, consente e confirma que Laura est\u00e1 \u201cconsciente da oferta que acaba de fazer\u201d. Ela vive os \u00faltimos dois anos com sil\u00eancio, alegria e sorriso e uma \u00edndole rica de calor humano. E, no entanto, o olhar que lan\u00e7a sobre o mundo \u2013 como confirma um retrato fotogr\u00e1fico, muito diferente da estiliza\u00e7\u00e3o hagiogr\u00e1fica conhecida \u2013 diz tamb\u00e9m toda a sofrida consci\u00eancia e a dor que habitam nela. Em uma situa\u00e7\u00e3o em que lhe falta tanto a \u201cliberdade <em>proveniente de<\/em>\u201d (condicionamentos, obst\u00e1culos, dificuldades), quanto a \u201cliberdade <em>de<\/em>\u201d fazer muitas coisas, esta pr\u00e9-adolescente testemunha a \u201cliberdade <em>para<\/em>\u201d: a do dom total de si.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Laura n\u00e3o despreza, mas ama a vida: a sua e a da m\u00e3e. Por isso se oferece. Em 13 de abril de 1902, Domingo do Bom Pastor, pergunta: \u201cSe Ele d\u00e1 a vida&#8230; o que me impede de fazer o mesmo pela mam\u00e3e?\u201d. Moribunda, acrescenta: \u201cMam\u00e3e, eu estou morrendo, eu mesma pedi a Jesus&#8230; j\u00e1 faz quase dois anos que ofereci a vida por voc\u00ea&#8230;, para obter a gra\u00e7a do seu retorno!\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essas s\u00e3o palavras livres de arrependimento e de reprova\u00e7\u00e3o, mas carregadas de uma grande for\u00e7a, uma grande esperan\u00e7a e uma grande f\u00e9. Laura aprendeu a acolher a m\u00e3e pelo que ela \u00e9. Na verdade, oferece a si mesma para dar a ela o que ela sozinha n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar. Quando Laura morre, a m\u00e3e se converte. Laurita dos Andes, a filha, assim contribuiu para gerar a m\u00e3e na vida de f\u00e9 e de gra\u00e7a.<br><br><strong>4. Carlo Braga e a sombra da m\u00e3e<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Carlos Braga, que nasce dois anos antes de Laura, em 1889, tamb\u00e9m \u00e9 marcado pela fragilidade da m\u00e3e: quando o marido a abandona, Matilde \u201cquase n\u00e3o comia mais e declinava a olhos vistos\u201d. Levada ent\u00e3o a Como, ela morre quatro anos depois de tuberculose, embora todos estejam convencidos de que a depress\u00e3o se transformou para ela em uma verdadeira loucura. Carlos come\u00e7a ent\u00e3o a ser \u201ccompadecido como o filho de um inconsciente [o pai] e de uma m\u00e3e infeliz\u201d. No entanto, tr\u00eas acontecimentos providenciais o socorrem.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Do primeiro, ocorrido quando ele era muito pequeno, ele redescobre mais tarde o sentido: ele havia ca\u00eddo na lareira e a m\u00e3e Matilde, ao salv\u00e1-lo, naquele momento o consagrou a Nossa Senhora. Assim, o pensamento da m\u00e3e ausente se torna para Carlos crian\u00e7a \u201cuma lembran\u00e7a dolorosa e consoladora ao mesmo tempo\u201d: dor por sua aus\u00eancia; mas tamb\u00e9m a certeza de que ela o confiou \u00e0 M\u00e3e de todas as m\u00e3es, Maria Sant\u00edssima. Anos depois, o P. Braga escreve a um coirm\u00e3o salesiano atingido pela perda de sua m\u00e3e:<br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Agora a m\u00e3e te pertence muito mais do que quando estava viva. Deixa-me falar da minha experi\u00eancia pessoal. Minha m\u00e3e me deixou quando eu tinha seis anos [\u2026]. Mas devo confessar-te que ela me seguiu passo a passo e, quando eu chorava desolado ao murm\u00fario do rio Adda, enquanto, pastorzinho, me sentia chamado a uma voca\u00e7\u00e3o mais alta, parecia que a M\u00e3e me sorria e enxugava minhas l\u00e1grimas.<br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Carlos ent\u00e3o encontra a irm\u00e3 Judite Torelli, uma Filha de Maria Auxiliadora que \u00absalvou o pequeno Carlos da desagrega\u00e7\u00e3o de sua personalidade quando, aos nove anos, percebeu que era apenas tolerado e ouviu algumas vezes as pessoas dizerem a seu respeito: \u2018Pobre menino, por que ele est\u00e1 no mundo?\u2019\u00bb. De fato, havia quem sustentasse que seu pai merecia ser fuzilado pela trai\u00e7\u00e3o do abandono; e, quanto \u00e0 m\u00e3e, muitos colegas de escola lhe replicavam: \u201cFique quieto, sua m\u00e3e era uma louca\u201d. Mas a irm\u00e3 Judite o ama ou o ajuda de maneira especial; lan\u00e7a sobre ele um olhar \u201cnovo\u201d; al\u00e9m disso, acredita em sua voca\u00e7\u00e3o e o encoraja.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tendo entrado ent\u00e3o no col\u00e9gio salesiano de Sondrio, Carlos vive a terceira e decisiva experi\u00eancia: conhece o P. Rua, de quem tem a honra de ser o pequeno secret\u00e1rio por um dia. O P. Rua sorri para Carlos e, repetindo o gesto que Dom Bosco havia realizado um tempo atr\u00e1s com ele (\u201cMiguelzinho, eu e voc\u00ea faremos sempre tudo \u00e0 meia\u201d), \u201ccoloca sua m\u00e3o dentro da dele e lhe diz: \u2018n\u00f3s seremos sempre amigos\u2019\u201d: se a irm\u00e3 Judite havia acreditado na voca\u00e7\u00e3o de Carlos, o P. Rua agora lhe permite realiz\u00e1-la, \u201cfazendo-o passar por cima de todos os obst\u00e1culos\u201d. Certamente, n\u00e3o faltar\u00e3o dificuldades em cada etapa da vida de Carlos Braga \u2013 de novi\u00e7o, cl\u00e9rigo, at\u00e9 inspetor \u2013, concretizando-se em adiamentos prudenciais e assumindo \u00e0s vezes a forma de maledic\u00eancia: mas ele j\u00e1 ter\u00e1 aprendido a enfrent\u00e1-las. Enquanto isso, torna-se um homem capaz de irradiar uma alegria extraordin\u00e1ria, humilde, ativo e de delicada ironia: todas caracter\u00edsticas que dizem do equil\u00edbrio da pessoa e seu senso de realidade. Sob a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, o P. Braga desenvolve ele mesmo uma paternidade radiante, \u00e0 qual se une uma grande ternura pelos jovens a ele confiados. O P. Braga redescobre o amor por seu pai, o perdoa e inicia uma viagem para se reconciliar com ele. Submete-se a fadigas sem n\u00famero para estar sempre entre seus Salesianos e jovens. Define-se como aquele que foi \u201ccolocado na vinha para servir como uma estaca\u201d, ou seja, na sombra, mas para o bem dos outros. Um pai, ao confiar seu filho a ele como aspirante salesiano, diz: \u201cCom um homem assim, deixo voc\u00ea ir at\u00e9 o Polo Norte!\u201d. O P. Carlos n\u00e3o se escandaliza com as necessidades dos filhos, ao contr\u00e1rio, os educa a manifest\u00e1-las, a aumentar o desejo: \u201cVoc\u00ea precisa de algum livro? N\u00e3o tenha medo, escreva uma lista mais longa\u201d. Acima de tudo, o P. Carlos aprendeu a lan\u00e7ar sobre os outros aquele olhar de amor do qual ele mesmo se sentiu alcan\u00e7ado um tempo atr\u00e1s gra\u00e7as \u00e0 irm\u00e3 Judite e ao P. Rua. Testemunha o P. Jos\u00e9 Zen, hoje cardeal, num longo trecho que merece ser lido integralmente e que come\u00e7a com as palavras de sua m\u00e3e a ao P. Braga:<br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cVeja, Padre, este garoto n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o bom. Talvez n\u00e3o seja adequado para ser aceito neste instituto. Eu n\u00e3o gostaria que o senhor fosse enganado. Ah, se soubesse como ele me fez desesperar neste \u00faltimo ano! Eu realmente n\u00e3o sabia mais o que fazer. E se ele fizer o senhor desesperar aqui tamb\u00e9m, me avise, que eu venho busc\u00e1-lo imediatamente\u201d. O P. Braga, em vez de responder, olhava nos meus olhos; eu tamb\u00e9m o olhava, mas de cabe\u00e7a baixa. Sentia-me como um r\u00e9u acusado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, em vez de defendido pelo pr\u00f3prio advogado. Mas o juiz estava do meu lado. Com o olhar, ele me compreendeu profundamente, imediatamente e melhor do que todas as explica\u00e7\u00f5es de minha m\u00e3e. Ele mesmo, escrevendo-me muitos anos depois, aplicava a si as palavras do Evangelho: \u201c<em>Intuitus dilexit eum<\/em> (\u2018olhando-o, o amou\u2019)\u201d. E desde aquele dia n\u00e3o tive mais d\u00favidas sobre minha voca\u00e7\u00e3o.<br><br><strong>5. Ana Maria Lozano D\u00edaz e a fecunda doen\u00e7a do pai<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os pais de Laura e de Carlos se revelaram \u2013 a v\u00e1rios t\u00edtulos \u2013 \u201cdistantes\u201d e \u201causentes\u201d. Uma \u00faltima figura, a de Ana Maria, atesta, ao contr\u00e1rio, o dinamismo oposto: o de um pai <em>demasiadamente <\/em>presente, que com sua presen\u00e7a abre \u00e0 filha um novo caminho de santifica\u00e7\u00e3o. Ana nasceu em 24 de setembro de 1883 em Oicat\u00e0, na Col\u00f4mbia, numa fam\u00edlia numerosa, caracterizada pela exemplar vida crist\u00e3 dos pais. Quando Ana \u00e9 muito jovem, o pai \u2013 um dia, ao se lavar \u2013 descobre uma mancha suspeita na perna. \u00c9 a terr\u00edvel lepra, que ele consegue esconder por algum tempo, mas \u00e9 for\u00e7ado a reconhecer, aceitando primeiro se separar da fam\u00edlia, depois se reunir a ela no lazareto de Agua de Dios. A esposa lhe disse heroicamente: \u201cSeu destino \u00e9 o nosso\u201d. Assim, os saud\u00e1veis aceitam os condicionamentos que adv\u00eam de assumir o ritmo dos doentes. Nesse momento, a doen\u00e7a do pai condiciona a liberdade de escolha de Ana Maria, for\u00e7ada a projetar sua vida no lazareto. Ela tamb\u00e9m \u2013 como j\u00e1 havia acontecido com Laura \u2013 se v\u00ea impossibilitada de realizar sua voca\u00e7\u00e3o religiosa devido \u00e0 doen\u00e7a paterna: experimenta ent\u00e3o, interiormente, aquela lacera\u00e7\u00e3o que a lepra opera nos doentes. No entanto, Ana Maria n\u00e3o est\u00e1 sozinha. Como Dom Bosco encontrou um amigo da alma, gra\u00e7as ao P. Calosso, assim Laura o encontrou no confessor e Carlos no P. Rua. \u00c9 o beato P. Lu\u00eds Variara, salesiano, que lhe assegura: \u201cSe voc\u00ea tem voca\u00e7\u00e3o religiosa, ela se realizar\u00e1\u201d, e a envolve na funda\u00e7\u00e3o das Filhas dos Sagrados Cora\u00e7\u00f5es de Jesus e Maria, em 1905. \u00c9 o primeiro Instituto a acolher em seu interior leprosas ou filhas de leprosos. Quando a Ir. Lozano morre, em 5 de mar\u00e7o de 1982, quase aos 99 anos, Madre Geral por mais de meio s\u00e9culo, a intui\u00e7\u00e3o do salesiano P. Variara j\u00e1 se concretizou em uma experi\u00eancia que confirmou e refor\u00e7ou a dimens\u00e3o vitimal-reparadora do carisma salesiano.<br><br><strong>6. Os santos ensinam<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nas suas inelimin\u00e1veis diferen\u00e7as, as hist\u00f3rias de Laura Vicu\u00f1a (beata), Carlos Braga e Ana Maria Lozano (servos de Deus) s\u00e3o unidas por alguns aspectos dignos de nota:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 a) Laura, Ana e Carlos, como j\u00e1 Don Bosco, sofrem situa\u00e7\u00f5es de sofrimento e de dificuldade, por v\u00e1rios t\u00edtulos relacionadas aos seus pais. N\u00e3o se pode esquecer de Mam\u00e3e Margarida, que se v\u00ea obrigada a afastar Jo\u00e3ozinho de casa quando a aus\u00eancia da autoridade paterna facilita a oposi\u00e7\u00e3o com o irm\u00e3o Ant\u00f4nio; nem esquecer que Laura foi assediada por Mora e rejeitada pelas Filhas de Maria Auxiliadora como sua aspirante; que Carlos Braga sofreu incompreens\u00f5es e cal\u00fanias; ou que a lepra do pai parece em certo momento retirar de Ana Maria toda esperan\u00e7a de futuro.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma fam\u00edlia por v\u00e1rios t\u00edtulos ferida causa, portanto, um <em>dano objetivo<\/em> a quem dela faz parte: desconhecer ou tentar reduzir a magnitude desse dano seria uma empreitada t\u00e3o ilus\u00f3ria quanto injusta. A cada sofrimento se associa, de fato, um elemento de perda que os \u201csantos\u201d, com seu realismo, interceptam e aprendem a chamar pelo nome.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 b) Jo\u00e3ozinho, Laura, Ana Maria e Carlos realizam neste ponto um segundo passo, mais \u00e1rduo que o primeiro: em vez de sofrer passivamente a situa\u00e7\u00e3o, ou de se queixar dela, movem-se com crescente consci\u00eancia em dire\u00e7\u00e3o ao problema. Al\u00e9m de um vivo realismo, atestam a capacidade, t\u00edpica dos santos, de reagir prontamente, evitando o recuo autorreferencial. Eles se dilatam no dom e inserem esse dom nas condi\u00e7\u00f5es concretas de vida. Ao fazer isso, unem o \u201c<em>da mihi animas<\/em>\u201d ao \u201c<em>caetera tolle<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 c) Os limites e as feridas, assim, nunca s\u00e3o removidos: mas sempre reconhecidos e chamados pelo nome; inclusive, s\u00e3o \u201c<em>habitados<\/em>\u201d. Tamb\u00e9m a beata Alexandrina Maria da Costa e o servo de Deus Nino Baglieri, o vener\u00e1vel Andr\u00e9 Beltrami e o beato Augusto Czartoryski, \u201calcan\u00e7ados\u201d pelo Senhor nas condi\u00e7\u00f5es incapacitantes de sua doen\u00e7a, o beato Tito Zeman, o vener\u00e1vel Jos\u00e9 Vandor e o servo de Deus Ign\u00e1cio Stuchl\u00fd \u2013 parte de hist\u00f3rias maiores que eles e que parecem sobrepuj\u00e1-los \u2013 ensinam a dif\u00edcil arte de permanecer nas dificuldades e permitir que o Senhor fa\u00e7a florescer a pessoa nelas. A liberdade de escolha assume aqui a forma alt\u00edssima de uma liberdade de ades\u00e3o, no \u201c<em>fiat<\/em>!\u201d.<br><br><em>Nota Bibliogr\u00e1fica:<br><\/em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para preservar o car\u00e1ter de \u201ctestemunho\u201d e n\u00e3o de \u201crela\u00e7\u00e3o\u201d deste escrito, evitou-se um aparato cr\u00edtico de notas. No entanto, ressalta-se que as cita\u00e7\u00f5es presentes no texto s\u00e3o extra\u00eddas das <em>Mem\u00f3rias do Orat\u00f3rio<\/em> do P. Jo\u00e3o Bosco; de Maria Dosio, <em>Laura Vicu\u00f1a: um caminho de santidade juvenil salesiana<\/em>, LAS, Roma, 2004; de <em>P. Carlo Braga conta sua experi\u00eancia mission\u00e1ria e pedag\u00f3gica<\/em> (testemunho autobiogr\u00e1fico do servo de Deus) e da <em>Vida do P. Carlos Braga; \u201co Dom Bosco da China\u201d<\/em>, escrita pelo salesiano P. M\u00e1rio Rassiga e hoje dispon\u00edvel em forma mimeografada. A essas fontes se somam os materiais dos Processos de beatifica\u00e7\u00e3o e canoniza\u00e7\u00e3o, acess\u00edveis para Don Bosco e Laura, ainda reservados para os servos de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Hist\u00f3rias de fam\u00edlias feridas\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos acostumados a imaginar a fam\u00edlia como uma realidade harmoniosa,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":31484,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":8,"footnotes":""},"categories":[161],"tags":[2561,1749,2592,2234,2619,2025],"class_list":["post-31491","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-boa-imprensa","tag-carisma-salesiano","tag-conselhos","tag-familia-salesiana","tag-historias-de-jovens","tag-testemunhos","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31491","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31491"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31491\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}