{"id":31456,"date":"2024-12-27T08:04:24","date_gmt":"2024-12-27T08:04:24","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=31456"},"modified":"2026-03-26T07:58:24","modified_gmt":"2026-03-26T07:58:24","slug":"andre-beltrami-perfil-virtuoso-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/nossos-santos\/andre-beltrami-perfil-virtuoso-2-2\/","title":{"rendered":"Andr\u00e9 Beltrami, perfil virtuoso (2\/2)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><em><em><a href=\"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/nossos-santos\/andre-beltrami-perfil-virtuoso-1-2\/\">(continua\u00e7\u00e3o do artigo anterior)<\/a><\/em><\/em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong>3. Hist\u00f3ria de uma alma<br><\/strong><\/strong><br><strong>3.1. Amar e sofrer<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O P. Barberis esbo\u00e7a muito bem a par\u00e1bola existencial de Beltrami, lendo nela a a\u00e7\u00e3o misteriosa e transformadora da gra\u00e7a em a\u00e7\u00e3o \u201catrav\u00e9s das principais condi\u00e7\u00f5es da vida salesiana, de modo que ele pudesse ser um modelo geral de aluno, cl\u00e9rigo, professor, estudante universit\u00e1rio, sacerdote, escritor, doente; um modelo em todas as virtudes, na paci\u00eancia como na caridade, no amor \u00e0 penit\u00eancia como no zelo\u201d. E \u00e9 interessante que o pr\u00f3prio P. Barberis, ao introduzir a segunda parte de sua biografia, que trata das virtudes do P. Beltrami, afirma: \u201cPode-se dizer que a vida do nosso P. Beltrami \u00e9 mais a hist\u00f3ria de uma alma do que a hist\u00f3ria de uma pessoa. \u00c9 tudo intr\u00ednseco; e eu fa\u00e7o o m\u00e1ximo para que o caro leitor penetre nessa alma, para que possa admirar seus carismas celestiais\u201d. A refer\u00eancia a \u201cA hist\u00f3ria de uma alma\u201d n\u00e3o \u00e9 acidental, n\u00e3o s\u00f3 porque o P. Beltrami \u00e9 contempor\u00e2neo da Santa de Lisieux, mas podemos dizer que eles s\u00e3o verdadeiramente irm\u00e3os no esp\u00edrito que os animava. O zelo apost\u00f3lico pela salva\u00e7\u00e3o \u00e9 mais aut\u00eantico e frut\u00edfero naqueles que experimentaram a salva\u00e7\u00e3o e, tendo se encontrado salvos pela gra\u00e7a, vivem suas vidas como um puro dom de amor para seus irm\u00e3os e irm\u00e3s, para que eles tamb\u00e9m possam ser alcan\u00e7ados pelo amor redentor de Jesus. \u201cNa verdade, toda a vida do nosso P. Andr\u00e9 poderia ser resumida em duas palavras, que formam sua identidade ou lema: Amar e sofrer \u2013 Amor e sofrimento. Amor o mais terno, o mais ardente e, eu diria tamb\u00e9m, o mais zeloso poss\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele bem, no qual todo o bem est\u00e1 concentrado. A dor, a mais viva, a mais aguda, a mais penetrante de seus pecados, e a contempla\u00e7\u00e3o daquele bem supremo, que para n\u00f3s se rebaixou \u00e0 loucura, \u00e0s dores e \u00e0 morte da Cruz. Daqui nascia uma \u00e2nsia febril de sofrimento, do qual, quanto mais abundava, mais sentia desejo: daqui veio novamente aquele gosto, aquele inef\u00e1vel prazer no sofrimento, que \u00e9 o segredo dos santos, e uma das mais sublimes maravilhas da Igreja de Jesus Cristo\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cE como no Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, ardente de chamas e coroado de espinhos, ambos estes afetos de amor e de dor encontram t\u00e3o abundante pastagem, e t\u00e3o admiravelmente proporcionado a eles, assim, desde o primeiro instante em que conheceu esta devo\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o \u00faltimo de sua vida, seu cora\u00e7\u00e3o foi como um vaso de aromas escolhidos que sempre ardiam diante daquele divino cora\u00e7\u00e3o, e transmitiam o perfume do incenso e da mirra, do amor e da dor\u201d. \u201cObter do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus a t\u00e3o desejada gra\u00e7a de viver longos anos para sofrer e expiar meus pecados. N\u00e3o morrer, mas viver para sofrer, mas sempre sujeito \u00e0 vontade de Deus. Assim poderei saciar essa sede. \u00c9 t\u00e3o bonito, t\u00e3o doce sofrer quando Deus ajuda e d\u00e1 paci\u00eancia!\u201d. Esses textos s\u00e3o uma s\u00edntese da espiritualidade vitimal do P. Beltrami, que na perspectiva da devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, t\u00e3o cara \u00e0 espiritualidade do s\u00e9culo XIX e ao pr\u00f3prio Dom Bosco, supera qualquer leitura lamentosa ou, pior ainda, certo masoquismo espiritualista. De fato, foi tamb\u00e9m gra\u00e7as ao P. Beltrami que o P. Rua consagrou oficialmente a Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus na \u00faltima noite do s\u00e9culo XIX.<br><br><strong>3.2. No rastro da Santa de Lisieux<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A brevidade da vida cronol\u00f3gica \u00e9 compensada pela surpreendente riqueza do testemunho de uma vida virtuosa, que em pouco tempo expressou um intenso fervor espiritual e um singular empenho de perfei\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica. \u00c9 significativo que o Vener\u00e1vel Beltrami tenha encerrado sua exist\u00eancia exatamente tr\u00eas meses ap\u00f3s a morte de Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, que foi proclamada Doutora da Igreja por Jo\u00e3o Paulo II pela eminente Ci\u00eancia do Amor Divino que a distinguiu. Atrav\u00e9s de \u201cA hist\u00f3ria de uma alma\u201d emerge a biografia interna de uma vida que, moldada pelo Esp\u00edrito no jardim do Carmelo, floresceu com frutos de santidade e fecundidade apost\u00f3lica para a Igreja universal, tanto que em 1927 foi proclamada Padroeira das Miss\u00f5es por Pio XI. O P. Beltrami tamb\u00e9m morreu como Santa Teresinha de tuberculose, mas ambos, nas golfadas de sangue que os levavam rapidamente ao fim, n\u00e3o viram tanto o definhamento de um corpo e a diminui\u00e7\u00e3o das for\u00e7as, mas compreenderam uma voca\u00e7\u00e3o particular de viver em comunh\u00e3o com Jesus Cristo, que os assimilou ao seu sacrif\u00edcio de amor pelo bem dos irm\u00e3os. Em 9 de junho de 1895, na Festa da Sant\u00edssima Trindade, Santa Teresa do Menino Jesus se ofereceu como v\u00edtima de holocausto ao amor misericordioso de Deus. Em 3 de abril do ano seguinte, na noite entre a Quinta-feira Santa e a Sexta-feira Santa, ela teve a primeira manifesta\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a que a levaria \u00e0 morte. Teresa a recebe como uma visita misteriosa do divino Esposo. Ao mesmo tempo, ela entra na prova\u00e7\u00e3o da f\u00e9, que durar\u00e1 at\u00e9 sua morte. Como sua sa\u00fade se deteriorou, ela foi transferida para a enfermaria em 8 de julho de 1897. Suas irm\u00e3s e outras religiosas recolhem suas palavras, enquanto as dores e prova\u00e7\u00f5es, suportadas com paci\u00eancia, se intensificam at\u00e9 culminar em sua morte na tarde de 30 de setembro de 1897. \u201cEu n\u00e3o morro, entro na vida\u201d, ela havia escrito para seu irm\u00e3o espiritual, o P. Belli\u00e8re. Suas \u00faltimas palavras \u201cMeu Deus, eu te amo\u201d s\u00e3o o selo de sua exist\u00eancia.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; At\u00e9 o fim de sua vida, o P. Beltrami tamb\u00e9m seria fiel \u00e0 sua oferta de v\u00edtima, como escreveu alguns dias antes de sua morte ao seu mestre de noviciado: \u201cEu sempre rezo e me ofere\u00e7o como v\u00edtima pela Congrega\u00e7\u00e3o, por todos os Superiores e coirm\u00e3os e especialmente por estas casas de noviciado, que cont\u00eam as esperan\u00e7as de nossa piedosa Sociedade\u201d.<br><br><strong>4. Espiritualidade vitimal<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O P. Beltrami tamb\u00e9m relaciona a essa espiritualidade de v\u00edtima um grau sublime de caridade: \u201cNingu\u00e9m tem maior amor do que aquele que d\u00e1 a vida por seus amigos\u201d (Jo 15,13). Isso n\u00e3o significa apenas o gesto extremo e supremo da doa\u00e7\u00e3o f\u00edsica da pr\u00f3pria vida por outra pessoa, mas a vida inteira do indiv\u00edduo orientada para o bem do outro. Ele se sentiu chamado a essa voca\u00e7\u00e3o: \u201cH\u00e1 muitos\u201d, acrescentou, \u201cmesmo entre n\u00f3s salesianos, que trabalham muito e fazem um grande bem; mas n\u00e3o h\u00e1 muitos que realmente amem sofrer e queiram sofrer muito pelo Senhor: eu quero ser um destes\u201d. Justamente porque n\u00e3o \u00e9 algo cobi\u00e7ado pela maioria, consequentemente tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 compreendido. Mas isso n\u00e3o \u00e9 novidade. At\u00e9 mesmo Jesus, quando falou aos disc\u00edpulos sobre sua P\u00e1scoa, sobre sua subida a Jerusal\u00e9m, encontrou incompreens\u00e3o, e o pr\u00f3prio Pedro o quis afastar desse prop\u00f3sito. Na hora suprema, seus \u201camigos\u201d o tra\u00edram, negaram-no e o abandonaram. No entanto, a obra da reden\u00e7\u00e3o foi e \u00e9 realizada somente por meio do mist\u00e9rio da cruz e da oferta que Jesus faz de si mesmo ao Pai como v\u00edtima de expia\u00e7\u00e3o, unindo ao seu sacrif\u00edcio todos aqueles que aceitam participar de seus sofrimentos para a salva\u00e7\u00e3o de seus irm\u00e3os e irm\u00e3s. A verdade desta oferta de Beltrami est\u00e1 na fecundidade oferecida por sua vida santa. De fato, ele deu efic\u00e1cia \u00e0s suas palavras, apoiando particularmente os seus coirm\u00e3os na voca\u00e7\u00e3o, estimulando-os a aceitar com esp\u00edrito de sacrif\u00edcio as provas da vida na fidelidade \u00e0 voca\u00e7\u00e3o salesiana. Nas Constitui\u00e7\u00f5es primitivas, Dom Bosco apresentava o salesiano como aquele que \u201cest\u00e1 pronto a suportar o calor e o frio, a sede e a fome, o trabalho e o desprezo, quando se trata da gl\u00f3ria de Deus e da salva\u00e7\u00e3o das almas\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A mesma doen\u00e7a levou o P. Beltrami tanto \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o progressiva quanto ao isolamento for\u00e7ado, o que deixava suas faculdades perceptivas e intelectuais intactas, na verdade quase refinando-as com a l\u00e2mina da dor. Somente a gra\u00e7a da f\u00e9 permitia que ele abra\u00e7asse essa condi\u00e7\u00e3o que, dia ap\u00f3s dia, o assimilava cada vez mais ao Cristo crucificado e que uma est\u00e1tua do \u201cEcce Homo\u201d, de um realismo chocante e de arrepiar, solicitada por ele em seu quarto, o lembrava constantemente. A f\u00e9 era a regra de sua vida, a chave para entender as pessoas e as diferentes situa\u00e7\u00f5es; \u201c\u00e0 luz da f\u00e9, ele considerava seus pr\u00f3prios sofrimentos como gra\u00e7as de Deus e, juntamente com o anivers\u00e1rio de sua profiss\u00e3o religiosa e ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, comemorava o do in\u00edcio de sua grave doen\u00e7a, que ele acreditava ter come\u00e7ado em 20 de fevereiro de 1891. Nessa ocasi\u00e3o, recitava com entusiasmo o <em>Te Deum<\/em> porque o Senhor lhe concedeu de sofrer por Ele\u201d. Meditava e cultivava uma viva devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Paix\u00e3o de Cristo e a Jesus Crucificado: \u201cGrande devo\u00e7\u00e3o, que se pode dizer que informou toda a vida do servo de Deus&#8230; Esse era o tema quase cont\u00ednuo de suas medita\u00e7\u00f5es. Ele sempre tinha um crucifixo diante dos olhos e principalmente nas m\u00e3os&#8230; que ele beijava de vez em quando com fervor\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois de sua morte, foi encontrada uma bolsa pendurada em seu pesco\u00e7o, com o crucifixo e a medalha de Maria Auxiliadora, contendo alguns pap\u00e9is: ora\u00e7\u00f5es em lembran\u00e7a de sua ordena\u00e7\u00e3o; um mapa no qual foram desenhados os cinco continentes, para lembrar sempre ao Senhor os mission\u00e1rios espalhados pelo mundo; e algumas ora\u00e7\u00f5es com as quais ele se fez formalmente v\u00edtima do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, especialmente pelos moribundos, pelas almas do purgat\u00f3rio, pela prosperidade da Congrega\u00e7\u00e3o e da Igreja. Essas ora\u00e7\u00f5es, nas quais o pensamento predominante ecoava a s\u00faplica de Paulo \u201c<em>Opto ego ipse anathema esse a Christo pro fratribus meis [desejaria ser, eu mesmo, exclu\u00eddo de Cristo em favor de meus irm\u00e3os \u2013 Rm 9,3]<\/em>\u201d, foram assinadas por ele com seu pr\u00f3prio sangue e aprovadas por seu diretor, o P. Lu\u00eds Piscetta, em 15 de novembro de 1895.<br><br><strong>5. O P. Beltrami \u00e9 atual?<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pergunta n\u00e3o\u00e9 ociosa; j\u00e1 havia sido feita pelos jovens coirm\u00e3os do Estudantado Teol\u00f3gico Internacional de Turim-Crocetta quando, em 1948, por ocasi\u00e3o do 50\u00ba anivers\u00e1rio da morte do Vener\u00e1vel P. Beltrami, organizaram um dia comemorativo. Desde as primeiras linhas do livreto que reunia os discursos pronunciados naquela ocasi\u00e3o, pergunta-se o que o testemunho de Beltrami tinha a ver com a vida salesiana, uma vida de apostolado e a\u00e7\u00e3o. Pois bem, depois de recordar como ele foi exemplar nos anos em que p\u00f4de se lan\u00e7ar ao trabalho apost\u00f3lico, \u201cfoi tamb\u00e9m salesiano ao aceitar a dor quando esta parecia esmagar uma carreira e um futuro t\u00e3o brilhante e frutuosamente empreendidos. Porque foi ali que o P. Andr\u00e9 revelou uma profundidade de sentimento salesiano e uma riqueza de dedica\u00e7\u00e3o que antes, no trabalho, podia ser tomada como ousadia juvenil, um impulso para agir, uma riqueza de dons, algo normal, ordin\u00e1rio em suma. O extraordin\u00e1rio come\u00e7a, ou melhor, revela-se na doen\u00e7a e por meio dela. O P. Andr\u00e9, segregado, agora exclu\u00eddo para sempre do magist\u00e9rio, da vida fraterna de colabora\u00e7\u00e3o com os coirm\u00e3os e do grande empreendimento de Dom Bosco, sentiu-se lan\u00e7ado em um caminho novo e solit\u00e1rio, talvez repugnante para seus irm\u00e3os; certamente repugnante para a natureza humana, ainda mais para a sua, t\u00e3o rica e exuberante! O P. Beltrami aceitou esse caminho e o percorreu com esp\u00edrito salesiano: salesianamente\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 surpreendente que se afirme que o P. Beltrami, de certa forma, inaugurou um novo caminho na esteira tra\u00e7ada por Dom Bosco, um chamado especial para iluminar o n\u00facleo profundo da voca\u00e7\u00e3o salesiana e o verdadeiro dinamismo da caridade pastoral: \u201cPrecisamos ter o que ele tinha no cora\u00e7\u00e3o, o que ele vivia profundamente em seu \u00edntimo. Sem essa riqueza interior, a nossa a\u00e7\u00e3o seria v\u00e3; o P. Beltrami poderia nos censurar pela nossa vida v\u00e3, dizendo com Paulo: \u201c<em>nos quasi morientes, et ecce: vivimus! [como agonizantes, e no entanto bem vivos \u2013 2Cor 6,9]<\/em>\u201d. Ele mesmo tinha consci\u00eancia de que havia iniciado um novo caminho, como testemunhou seu irm\u00e3o Jos\u00e9: \u201cNa metade da aula, ele tentou me convencer da necessidade de seguir seu caminho, e eu, n\u00e3o pensando como ele, me opunha, e ele sofria\u201d. Esse sofrimento vivido na f\u00e9 foi verdadeiramente frut\u00edfero apost\u00f3lica e vocacionalmente: \u201cFoi uma manifesta\u00e7\u00e3o da nova e original concep\u00e7\u00e3o salesiana desejada e implementada por ele, de uma dor f\u00edsica e moral, ativa, produtiva, inclusive materialmente, para a salva\u00e7\u00e3o das almas\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deve-se dizer tamb\u00e9m que, seja por causa de certo clima espiritual um tanto pietista, seja talvez mais inconscientemente, para n\u00e3o se deixar provocar demais pelo seu testemunho, com o passar do tempo enraizou-se uma interpreta\u00e7\u00e3o que gradualmente levou ao esquecimento, tamb\u00e9m por causa das grandes mudan\u00e7as ocorridas. Uma express\u00e3o desse processo s\u00e3o, por exemplo, as pinturas que o reproduzem, das quais aqueles que o conheceram, como o P. Eug\u00eanio Ceria, n\u00e3o gostavam muito, porque se lembravam dele como jovial, com um aspecto aberto que inspirava confian\u00e7a e seguran\u00e7a naqueles que se aproximavam dele. O P. Ceria tamb\u00e9m recorda que, j\u00e1 durante os anos em Foglizzo, o P. Beltrami vivia uma vida interior intensa, uma uni\u00e3o profunda e impetuosa com Deus, alimentada pela medita\u00e7\u00e3o e pela comunh\u00e3o eucar\u00edstica, a tal ponto que, mesmo no meio do inverno, com temperaturas congelantes, n\u00e3o usava casaco e mantinha a janela aberta, de modo que era chamado de \u201curso branco\u201d.<br><br><strong>5.1. Testemunha de uni\u00e3o com Deus<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse esp\u00edrito de sacrif\u00edcio o fez amadurecer numa profunda uni\u00e3o com Deus: \u201cSua ora\u00e7\u00e3o consistia em estar continuamente na presen\u00e7a de Deus, mantendo os olhos fixos no Tabern\u00e1culo e desabafando com o Senhor mediante cont\u00ednuas jaculat\u00f3rias e aspira\u00e7\u00f5es afetuosas. Pode-se dizer que sua medita\u00e7\u00e3o era cont\u00ednua&#8230; ela o penetrava tanto que ele n\u00e3o percebia o que estava acontecendo ao seu redor, e penetrava tanto o assunto que eu o ouvi dizer confidencialmente que ele geralmente entendia os mist\u00e9rios sobre os quais estava meditando t\u00e3o bem que parecia v\u00ea-los como se estivessem aparecendo diante de seus olhos\u201d. Essa uni\u00e3o significava e se realizava de modo especial na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, quando todas as dores e tosses cessavam como por encanto, traduzidas em perfeita conformidade com a vontade de Deus, especialmente pela aceita\u00e7\u00e3o do sofrimento: \u201cConsiderava o apostolado dos sofrimentos e das afli\u00e7\u00f5es n\u00e3o menos frut\u00edfero do que o da vida mais ativa; e enquanto outros teriam dito que ocupava suficientemente aqueles longos anos com o sofrimento, ele santificava o sofrimento oferecendo-o ao Senhor e conformando-se \u00e0 vontade divina de modo t\u00e3o geral a ponto de n\u00e3o apenas se resignar a ele, mas se alegrar com ele\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O pedido feito pelo pr\u00f3prio Vener\u00e1vel ao Senhor \u00e9 de consider\u00e1vel valor, como pode ser visto em v\u00e1rias cartas e, em particular, na carta ao seu primeiro diretor de Lanzo, o P. Jos\u00e9 Scappini, escrita pouco mais de um m\u00eas antes de sua morte: \u201cN\u00e3o fique angustiado, meu querido pai em Jesus Cristo, pela minha doen\u00e7a; pelo contr\u00e1rio, alegre-se no Senhor. Eu mesmo pedi isso ao Bom Deus, para ter a oportunidade de expiar meus pecados neste mundo, onde o Purgat\u00f3rio \u00e9 feito com m\u00e9rito. Na verdade, eu n\u00e3o pedi essa enfermidade, pois n\u00e3o tinha ideia dela, mas pedi muito para sofrer, e o Senhor me concedeu isso. Seja bendito para sempre; e me ajude a carregar sempre a cruz com alegria. Acredite em mim, em meio \u00e0s minhas dores, estou feliz com uma felicidade plena e completa, de modo que tenho vontade de rir quando me d\u00e3o condol\u00eancias e aug\u00farios de recupera\u00e7\u00e3o\u201d.<br><br><strong>5.2. Saber sofrer<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u201cSaber sofrer\u201d: para a pr\u00f3pria santifica\u00e7\u00e3o, para a expia\u00e7\u00e3o e para o apostolado. Ele comemorou o anivers\u00e1rio de sua pr\u00f3pria doen\u00e7a: \u201c20 de fevereiro \u00e9 o anivers\u00e1rio de minha doen\u00e7a: e eu o comemoro como um dia aben\u00e7oado por Deus; um dia aben\u00e7oado, cheio de alegria, entre os dias mais bonitos de minha vida\u201d. Talvez o testemunho do P. Beltrami confirme a afirma\u00e7\u00e3o de Dom Bosco \u201cBeltrami s\u00f3 existe um\u201d, como se indicasse a originalidade da santidade desse seu filho em ter experimentado e tornado vis\u00edvel o n\u00facleo secreto da santidade apost\u00f3lica salesiana. O P. Beltrami expressa a necessidade de a miss\u00e3o salesiana n\u00e3o cair na armadilha de um ativismo e de uma exterioridade que, com o tempo, levariam a um destino fatal de morte, mas de preservar e cultivar o n\u00facleo secreto que exprime profundidade e amplitude de horizonte. As tradu\u00e7\u00f5es concretas desse cuidado com a interioridade e a profundidade espiritual s\u00e3o: a fidelidade \u00e0 vida de ora\u00e7\u00e3o, a prepara\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e competente para a pr\u00f3pria miss\u00e3o, especialmente para o minist\u00e9rio sacerdotal, lutando contra a neglig\u00eancia e a ignor\u00e2ncia culposa; o uso respons\u00e1vel do tempo.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais profundamente, o testemunho do P. Beltrami nos diz que n\u00e3o se vive de rendas ou gl\u00f3rias do passado, mas que cada irm\u00e3o e cada gera\u00e7\u00e3o deve fazer com que o dom recebido d\u00ea frutos e saiba transmiti-lo de forma fiel e criativa \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras. A interrup\u00e7\u00e3o dessa cadeia virtuosa ser\u00e1 uma fonte de dano e ru\u00edna. Saber sofrer \u00e9 o segredo que d\u00e1 fecundidade a todo empreendimento apost\u00f3lico. O esp\u00edrito de oferecimento vitimal do P. Beltrami est\u00e1 admiravelmente associado ao seu minist\u00e9rio sacerdotal, para o qual ele se preparou com grande responsabilidade e que viveu na forma de uma comunh\u00e3o singular com Cristo imolado pela salva\u00e7\u00e3o de seus irm\u00e3os e irm\u00e3s: na luta e mortifica\u00e7\u00e3o contra as paix\u00f5es da carne; na ren\u00fancia aos ideais de um apostolado ativo que ele sempre desejou; na sede insaci\u00e1vel de sofrimento; na aspira\u00e7\u00e3o de se oferecer como v\u00edtima pela salva\u00e7\u00e3o de seus irm\u00e3os e irm\u00e3s. Por exemplo, para a Congrega\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da ora\u00e7\u00e3o e da oferta <em>nominativa<\/em> por v\u00e1rios irm\u00e3os, tendo nas m\u00e3os o cat\u00e1logo da Congrega\u00e7\u00e3o, das casas e das miss\u00f5es, ele pedia a gra\u00e7a da perseveran\u00e7a e do zelo, a preserva\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito de Dom Bosco e de seu m\u00e9todo educativo. Um dos livros escritos sobre ele traz significativamente o t\u00edtulo \u201c<em>La passiflora serafica [a ser\u00e1fica passiflora \u2013 flor do maracuj\u00e1]<\/em>\u201d, que significa \u201cflor da paix\u00e3o\u201d, nome dado pelos mission\u00e1rios jesu\u00edtas em 1610, devido \u00e0 semelhan\u00e7a de algumas partes da planta com os s\u00edmbolos religiosos da paix\u00e3o de Cristo: as gavinhas, o chicote com o qual foi a\u00e7oitado; os tr\u00eas estiletes, os pregos; os estames, o martelo; os raios da corola, a coroa de espinhos. Merece f\u00e9 a opini\u00e3o do P. Nazareno Camilleri, uma alma profundamente espiritual: \u201cO P. Beltrami nos parece representar eminentemente, hoje, a ansiedade divina da \u201csantifica\u00e7\u00e3o do sofrimento\u201d para a fecundidade social, apost\u00f3lica e mission\u00e1ria, atrav\u00e9s do entusiasmo heroico da Cruz, da Reden\u00e7\u00e3o de Cristo no meio da humanidade\u201d.<br><br><strong>5.3. Transfer\u00eancia de testemunha<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em Valsalice, o P. Andr\u00e9 foi um exemplo para todos: um jovem cl\u00e9rigo, Lu\u00eds Variara, escolheu-o como modelo de vida: tornou-se sacerdote e mission\u00e1rio salesiano na Col\u00f4mbia e fundou, inspirado pelo P. Beltrami, a Congrega\u00e7\u00e3o das Filhas dos Sagrados Cora\u00e7\u00f5es de Jesus e Maria. Nascido em Viarigi (Asti) em 1875, aos onze anos, Lu\u00eds Variara foi levado por seu pai para Turim-Valdocco. Entrou no noviciado em 17 de agosto de 1891 e o completou com os votos perp\u00e9tuos. Depois disso, mudou-se para Turim-Valsalice para estudar filosofia. L\u00e1 conheceu o Vener\u00e1vel Andr\u00e9 Beltrami. O P. Variara se inspirou nele quando mais tarde prop\u00f4s a \u201cconsagra\u00e7\u00e3o vitimal\u201d \u00e0s suas Filhas dos Sagrados Cora\u00e7\u00f5es em <em>Agua de Dios<\/em> (Col\u00f4mbia).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fim<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(continua\u00e7\u00e3o do artigo anterior) 3. Hist\u00f3ria de uma alma3.1. Amar e sofrer&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O P. 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