{"id":30945,"date":"2024-11-26T17:29:00","date_gmt":"2024-11-26T17:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=30945"},"modified":"2026-03-26T07:57:00","modified_gmt":"2026-03-26T07:57:00","slug":"a-vida-conforme-o-espirito-em-mamae-margarida-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/nossos-santos\/a-vida-conforme-o-espirito-em-mamae-margarida-2-2\/","title":{"rendered":"A vida conforme o esp\u00edrito em Mam\u00e3e Margarida (2\/2)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><a href=\"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/nossos-santos\/a-vida-conforme-o-espirito-em-mamae-margarida-1-2\/\">(continua\u00e7\u00e3o do artigo anterior)<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4. O \u00eaxodo para o sacerd\u00f3cio do filho<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desde o sonho dos nove anos de idade, quando ela \u00e9 a \u00fanica a intuir a voca\u00e7\u00e3o do filho, \u201cquem sabe, talvez se torne padre\u201d, ela \u00e9 a mais convicta e tenaz defensora da voca\u00e7\u00e3o do filho, enfrentando humilha\u00e7\u00f5es e sacrif\u00edcios para isso: \u201cSua m\u00e3e, ent\u00e3o, que queria sustent\u00e1-lo \u00e0 custa de qualquer sacrif\u00edcio, n\u00e3o hesitou em tomar a resolu\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-lo frequentar as escolas p\u00fablicas de Chieri no ano seguinte. Ela ent\u00e3o se preocupou em encontrar pessoas verdadeiramente crist\u00e3s com quem pudesse coloc\u00e1-lo numa pens\u00e3o\u201d. Margarida seguiu discretamente o caminho vocacional e de forma\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o, em meio a s\u00e9rias dificuldades econ\u00f4micas.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ela sempre o deixou livre em suas escolhas e de modo algum condicionou seu caminho rumo ao sacerd\u00f3cio, mas quando o p\u00e1roco tentou convencer Margarida de que Jo\u00e3o n\u00e3o deveria escolher a vida religiosa, para garantir sua seguran\u00e7a financeira e ajuda, ela imediatamente estendeu a m\u00e3o para o filho e pronunciou palavras que permaneceriam gravadas no cora\u00e7\u00e3o de Dom Bosco pelo resto de sua vida: \u201cS\u00f3 quero que voc\u00ea examine cuidadosamente o passo que deseja dar e depois siga sua voca\u00e7\u00e3o sem olhar para ningu\u00e9m. O p\u00e1roco queria que eu o dissuadisse dessa decis\u00e3o, tendo em vista a necessidade que eu poderia ter no futuro de sua ajuda. Mas eu digo: n\u00e3o tenho nada a ver com essas coisas, porque Deus est\u00e1 em primeiro lugar. N\u00e3o se preocupe comigo. N\u00e3o quero nada de voc\u00ea; n\u00e3o espero nada de voc\u00ea. Pense bem: eu nasci na pobreza, vivi na pobreza, quero morrer na pobreza. De fato, eu lhe protesto. Se resolver se tornar um sacerdote secular e, por infort\u00fanio, ficar rico, n\u00e3o irei visit\u00e1-lo uma \u00fanica vez; na verdade, nunca mais colocarei os p\u00e9s em sua casa. Lembre-se bem disso!\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas nessa jornada vocacional, ela n\u00e3o deixa de ser forte com o filho, lembrando-o, por ocasi\u00e3o de sua partida para o semin\u00e1rio em Chieri, das exig\u00eancias da vida sacerdotal: \u201cMeu filho, voc\u00ea vestiu o h\u00e1bito sacerdotal; sinto toda a consola\u00e7\u00e3o que uma m\u00e3e pode sentir pela boa sorte do filho. Mas lembre-se de que n\u00e3o \u00e9 o h\u00e1bito que honra seu estado, \u00e9 a pr\u00e1tica da virtude. Se alguma vez chegar a duvidar de sua voca\u00e7\u00e3o, ah, por favor, n\u00e3o desonre esse h\u00e1bito! Abandone-o rapidamente. Gosto mais de ter um pobre campon\u00eas do que um filho padre mas negligente em seus deveres\u201d. Dom Bosco jamais esqueceria essas palavras de sua m\u00e3e, express\u00e3o da consci\u00eancia de sua dignidade sacerdotal e fruto de uma vida profundamente reta e santa.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No dia da Primeira Missa de Dom Bosco, Margarida mais uma vez se fez presente com palavras inspiradas pelo Esp\u00edrito, expressando tanto o valor aut\u00eantico do minist\u00e9rio sacerdotal quanto a entrega total do filho \u00e0 sua miss\u00e3o, sem qualquer pretens\u00e3o ou pedido: \u201cVoc\u00ea \u00e9 padre; voc\u00ea reza a missa; daqui em diante voc\u00ea est\u00e1 mais perto de Jesus Cristo. Lembre-se, por\u00e9m, de que come\u00e7ar a rezar a missa \u00e9 come\u00e7ar a sofrer. Voc\u00ea n\u00e3o perceber\u00e1 isso de imediato, mas pouco a pouco ver\u00e1 que sua m\u00e3e lhe disse a verdade. Tenho certeza de que rezar\u00e1 por mim todos os dias, esteja eu ainda viva ou j\u00e1 morta; isso \u00e9 suficiente para mim. De agora em diante, pense apenas na salva\u00e7\u00e3o das almas e n\u00e3o pense mais em mim\u201d. Ela renuncia completamente ao filho para oferec\u00ea-lo a servi\u00e7o da Igreja. Mas, ao perd\u00ea-lo, ela o encontra novamente, compartilhando sua miss\u00e3o educativa e pastoral entre os jovens.<br><br><strong>5. O \u00eaxodo dos Becchi para Valdocco<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco apreciou e reconheceu os grandes valores que havia herdado de sua fam\u00edlia: a sabedoria camponesa, a ast\u00facia sadia, o sentido do trabalho, a essencialidade das coisas, a dilig\u00eancia em ocupar-se, o otimismo pleno, a resili\u00eancia nos momentos de infort\u00fanio, a capacidade de se recuperar depois das pancadas, a alegria sempre e em qualquer circunst\u00e2ncia, o esp\u00edrito de solidariedade, a f\u00e9 viva, a verdade e a intensidade do afeto, o gosto pela acolhida e pela hospitalidade; todos os bens que havia encontrado em casa e que o haviam constru\u00eddo assim. Ele est\u00e1 t\u00e3o marcado por essa experi\u00eancia que, quando pensa em uma institui\u00e7\u00e3o educacional para seus filhos, n\u00e3o quer outro nome al\u00e9m de \u201clar\u201d e define o esp\u00edrito que deveria t\u00ea-la imprimido com a express\u00e3o \u201cesp\u00edrito de fam\u00edlia\u201d. E para dar a impress\u00e3o certa, ele pediu \u00e0 Mam\u00e3e Margarida, j\u00e1 velha e cansada, que deixasse a tranquilidade de sua casinha nas colinas para ir at\u00e9 a cidade e cuidar daqueles meninos recolhidos nas ruas, aqueles que lhe causariam muitas preocupa\u00e7\u00f5es e tristezas. Mas ela vai para ajudar Dom Bosco e para ser uma m\u00e3e para aqueles que n\u00e3o t\u00eam mais fam\u00edlia e afeto. Se Jo\u00e3o Bosco aprende na escola de Mam\u00e3e Margarida a arte de amar concretamente, generosamente, desinteressadamente e para com todos, sua m\u00e3e compartilhar\u00e1 a escolha do filho de dedicar sua vida \u00e0 salva\u00e7\u00e3o dos jovens at\u00e9 o fim. Essa comunh\u00e3o de esp\u00edrito e de a\u00e7\u00e3o entre filho e m\u00e3e marca o in\u00edcio da obra salesiana, envolvendo muitas pessoas nessa aventura divina. Tendo atingido uma situa\u00e7\u00e3o de paz, ela aceitou, j\u00e1 n\u00e3o t\u00e3o jovem, deixar a vida tranquila e a seguran\u00e7a dos Becchi, para ir a Turim, numa \u00e1rea suburbana e numa casa despojada de tudo. Foi uma verdadeira mudan\u00e7a em sua vida!<br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, Dom Bosco, depois de pensar e repensar como sair das dificuldades, foi falar com seu p\u00e1roco em Castelnuovo, contando-lhe sua necessidade e seus temores.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; O senhor tem sua m\u00e3e! O p\u00e1roco respondeu sem hesitar: \u2013 O senhor tem sua m\u00e3e; fa\u00e7a com que ela o acompanhe a Turim. Dom Bosco, que havia previsto essa resposta, quis fazer algumas reflex\u00f5es, mas o P. Cinzano respondeu:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Leve sua m\u00e3e com o senhor. N\u00e3o encontrar\u00e1 ningu\u00e9m mais adequada para o trabalho do que ela. Fique tranquilo, o senhor ter\u00e1 um anjo ao seu lado! Dom Bosco voltou para casa convencido das raz\u00f5es apresentadas pelo p\u00e1roco. Entretanto, dois motivos ainda o impediam. O primeiro era a vida de priva\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as de h\u00e1bitos a que sua m\u00e3e naturalmente teria de se submeter naquela nova posi\u00e7\u00e3o. O segundo era a repugn\u00e2ncia que sentia ao propor \u00e0 m\u00e3e um cargo que a tornaria, de alguma forma, dependente dele. Para Dom Bosco, sua m\u00e3e era tudo e, com seu irm\u00e3o Jos\u00e9, ele estava acostumado a manter todos os seus desejos como lei inquestion\u00e1vel. Entretanto, depois de pensar e orar, vendo que n\u00e3o havia outra op\u00e7\u00e3o, ele concluiu:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Minha m\u00e3e \u00e9 uma santa, ent\u00e3o posso fazer-lhe essa proposta!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o, um dia, ele a chamou \u00e0 parte e falou com ela:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Mam\u00e3e, decidi voltar a Turim entre meus queridos jovens. De agora em diante, como n\u00e3o ficarei mais no Ref\u00fagio, precisarei de algu\u00e9m que me ajude; mas o lugar onde terei de morar em Valdocco, por causa de certas pessoas que moram perto dali, \u00e9 muito arriscado e n\u00e3o me deixa tranquilo. Portanto, preciso ter ao meu lado uma prote\u00e7\u00e3o para tirar das pessoas mal-intencionadas todos os motivos de suspeita e fofoca. Somente a senhora poderia tirar todo o medo de mim; n\u00e3o gostaria de vir e ficar comigo? Diante dessa sa\u00edda inesperada, a piedosa mulher ficou um pouco pensativa e depois respondeu:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Meu querido filho, voc\u00ea pode imaginar o quanto me custa deixar esta casa, seu irm\u00e3o e outros entes queridos; mas se lhe parecer que tal coisa pode agradar ao Senhor, estou pronta para segui-lo. Dom Bosco lhe garantiu isso e, agradecendo-lhe, concluiu:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Vamos organizar as coisas e, depois da Festa dos Santos, partiremos. Margarida foi morar com o filho, n\u00e3o para ter uma vida mais c\u00f4moda e agrad\u00e1vel, mas para compartilhar com ele as dificuldades e os sofrimentos de centenas de meninos pobres e abandonados; foi para l\u00e1, n\u00e3o atra\u00edda pela gan\u00e2ncia do dinheiro, mas pelo amor a Deus e \u00e0s almas, porque sabia que a parte do minist\u00e9rio sagrado que Dom Bosco assumira, longe de lhe dar recursos ou lucros, obrigava-o a gastar os pr\u00f3prios bens e tamb\u00e9m a pedir esmolas. Ela n\u00e3o parou; pelo contr\u00e1rio, admirando a coragem e o zelo do filho, sentiu-se ainda mais encorajada a ser sua companheira e imitadora, at\u00e9 a morte.<br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Margarida viveu no Orat\u00f3rio com o calor materno e a sabedoria de uma mulher profundamente crist\u00e3, com uma dedica\u00e7\u00e3o heroica ao filho em momentos dif\u00edceis para sua sa\u00fade e seguran\u00e7a f\u00edsica, exercendo assim uma aut\u00eantica maternidade espiritual e material para com seu filho sacerdote. De fato, ela se estabeleceu em Valdocco n\u00e3o apenas para cooperar com o trabalho iniciado por seu filho, mas tamb\u00e9m para afastar qualquer ocasi\u00e3o de cal\u00fania que pudesse surgir da proximidade de instala\u00e7\u00f5es equivocadas.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ele deixa a tranquila seguran\u00e7a do lar de Jos\u00e9 para se aventurar com o filho em uma miss\u00e3o dif\u00edcil e arriscada. Ela vive seu tempo em uma dedica\u00e7\u00e3o irrestrita aos jovens \u201cde quem se tinha tornado m\u00e3e\u201d. Ela amava os meninos do orat\u00f3rio como se fossem seus pr\u00f3prios filhos e trabalhava para o bem-estar, a educa\u00e7\u00e3o e a vida espiritual deles, dando ao orat\u00f3rio aquela atmosfera familiar que seria uma caracter\u00edstica das casas salesianas desde o in\u00edcio. \u201cSe h\u00e1 a santidade dos \u00eaxtases e das vis\u00f5es, h\u00e1 tamb\u00e9m a das panelas para limpar e das meias para remendar. Mam\u00e3e Margarida era uma santa assim\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em suas rela\u00e7\u00f5es com as crian\u00e7as, ela era exemplar, distinguindo-se por sua delicadeza de caridade e sua humildade em servir, reservando para si as ocupa\u00e7\u00f5es mais humildes. Sua intui\u00e7\u00e3o como m\u00e3e e mulher espiritual fez com que reconhecesse em Domingos S\u00e1vio uma extraordin\u00e1ria obra de gra\u00e7a.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mesmo no Orat\u00f3rio, no entanto, n\u00e3o faltaram prova\u00e7\u00f5es e, quando houve um momento de hesita\u00e7\u00e3o devido \u00e0 dureza da experi\u00eancia, causada por uma vida muito exigente, o olhar para o Crucifixo apontado por seu filho foi suficiente para infundir-lhe uma nova energia: \u201cA partir daquele instante, nenhuma palavra de lamento escapou de seus l\u00e1bios. De fato, a partir daquele momento, ela parecia insens\u00edvel a essas mis\u00e9rias\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O P. Rua resumiu bem o testemunho de Mam\u00e3e Margarida no orat\u00f3rio, com quem viveu por quatro anos: \u201cUma mulher verdadeiramente crist\u00e3, piedosa, de cora\u00e7\u00e3o generoso e corajoso, prudente, que se dedicou inteiramente \u00e0 boa educa\u00e7\u00e3o dos filhos e da fam\u00edlia adotiva\u201d.<br><br><strong>6. \u00caxodo para a casa do Pai<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ela nasceu pobre. Viveu pobre. Morreu pobre vestindo o \u00fanico vestido que usava; em seu bolso havia 12 liras destinadas a comprar um novo, que nunca comprou.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mesmo na hora da morte, ela se voltou para seu amado filho e deixou-lhe palavras dignas de uma mulher s\u00e1bia: \u201cTenha muita confian\u00e7a naqueles que trabalham com voc\u00ea na vinha do Senhor&#8230; Observe que muitos, em vez da gl\u00f3ria de Deus, buscam sua pr\u00f3pria utilidade&#8230; N\u00e3o busquem a eleg\u00e2ncia nem o esplendor das obras. Busquem a gl\u00f3ria de Deus; tenham como base a pobreza de a\u00e7\u00f5es. Muitos amam a pobreza nos outros, mas n\u00e3o em si mesmos. O ensinamento mais eficaz \u00e9 sermos os primeiros a fazer o que ordenamos aos outros\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Margarida, que havia consagrado Jo\u00e3o \u00e0 Sant\u00edssima Virgem, a quem o havia confiado no in\u00edcio de seus estudos, recomendando a devo\u00e7\u00e3o e a propaga\u00e7\u00e3o do amor a Maria, agora o tranquilizava: \u201cNossa Senhora n\u00e3o deixar\u00e1 de guiar seus empreendimentos\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Toda a sua vida foi uma doa\u00e7\u00e3o total de si mesma. Em seu leito de morte, podia dizer: \u201cFiz toda a minha parte\u201d. Ela morreu aos 68 anos de idade no Orat\u00f3rio de Valdocco, em 25 de novembro de 1856. Os meninos do Orat\u00f3rio a acompanharam at\u00e9 o cemit\u00e9rio, chamando-a de \u201cMam\u00e3e\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco, entristecido, disse a Pedro Enria: \u201cPerdemos a nossa m\u00e3e, mas tenho certeza de que ela nos ajudar\u00e1 do c\u00e9u. Ela era uma santa!\u201d. E o pr\u00f3prio Enria acrescentou: \u201cDom Bosco n\u00e3o exagerou ao cham\u00e1-la de santa, porque ela se sacrificou por n\u00f3s e foi uma verdadeira m\u00e3e para todos n\u00f3s\u201d.<br><br><strong>Concluindo<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mam\u00e3e Margarida foi uma mulher rica de vida interior e de f\u00e9 gran\u00edtica, sens\u00edvel e d\u00f3cil \u00e0 voz do Esp\u00edrito, pronta para captar e realizar a vontade de Deus, atenta aos problemas do pr\u00f3ximo, dispon\u00edvel para atender \u00e0s necessidades dos mais pobres e, sobretudo, dos jovens abandonados. Dom Bosco sempre se lembrar\u00e1 dos ensinamentos e do que havia aprendido na escola de sua m\u00e3e, e essa tradi\u00e7\u00e3o marcaria seu sistema educativo e sua espiritualidade. Dom Bosco havia experimentado que a forma\u00e7\u00e3o de sua personalidade estava vitalmente enraizada no extraordin\u00e1rio clima de dedica\u00e7\u00e3o e bondade de sua fam\u00edlia; por isso, ele queria reproduzir suas qualidades mais significativas em seu trabalho. Margarida entrela\u00e7ou sua vida com a do filho e com os in\u00edcios da obra salesiana: foi a primeira \u201ccooperadora\u201d de Dom Bosco; com bondade ativa, tornou-se o elemento materno do Sistema Preventivo. Na escola de Dom Bosco e de Mam\u00e3e Margarida, isso significa cuidar da forma\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias, educar para a fortaleza da vida virtuosa na luta, sem concess\u00f5es e compromissos, contra o pecado, com a ajuda dos sacramentos da Eucaristia e da Reconcilia\u00e7\u00e3o, crescendo na docilidade pessoal, familiar e comunit\u00e1ria \u00e0s inspira\u00e7\u00f5es e \u00e0s mo\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito Santo para fortalecer as raz\u00f5es do bem e testemunhar a beleza da f\u00e9.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para toda a Fam\u00edlia Salesiana, este testemunho \u00e9 mais um convite a assumir uma aten\u00e7\u00e3o privilegiada \u00e0 fam\u00edlia na pastoral juvenil, formando e envolvendo os pais na a\u00e7\u00e3o educativa e evangelizadora dos filhos, valorizando a sua contribui\u00e7\u00e3o nos itiner\u00e1rios de educa\u00e7\u00e3o afetiva e favorecendo novas formas de evangeliza\u00e7\u00e3o e catequese de e atrav\u00e9s das fam\u00edlias. Mam\u00e3e Margarida \u00e9 hoje um modelo extraordin\u00e1rio para as fam\u00edlias. Sua santidade \u00e9 familiar: como mulher, esposa, m\u00e3e, vi\u00fava, educadora. Sua vida cont\u00e9m uma mensagem de grande relev\u00e2ncia, especialmente na redescoberta da santidade do matrim\u00f4nio.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas outro aspecto deve ser enfatizado: uma das raz\u00f5es fundamentais pelas quais Dom Bosco quis sua m\u00e3e ao seu lado em Turim foi para encontrar nela uma guardi\u00e3 para seu pr\u00f3prio sacerd\u00f3cio. \u201cLeve sua m\u00e3e com voc\u00ea\u201d, sugeriu-lhe o velho p\u00e1roco. Dom Bosco levou Mam\u00e3e Margarida para sua vida de sacerdote e educador. Quando crian\u00e7a, \u00f3rf\u00e3o, foi sua m\u00e3e que o tomou pela m\u00e3o; quando jovem sacerdote, foi ele que a tomou pela m\u00e3o para compartilhar uma miss\u00e3o especial. N\u00e3o se pode entender a santidade sacerdotal de Dom Bosco sem a santidade de Mam\u00e3e Margarida, um modelo n\u00e3o s\u00f3 de santidade familiar, mas tamb\u00e9m de maternidade espiritual para com os sacerdotes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(continua\u00e7\u00e3o do artigo anterior) 4. 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