{"id":30881,"date":"2024-11-23T08:03:04","date_gmt":"2024-11-23T08:03:04","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=30881"},"modified":"2024-11-23T08:04:32","modified_gmt":"2024-11-23T08:04:32","slug":"sao-francisco-de-sales-promotor-da-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/nossos-santos\/sao-francisco-de-sales-promotor-da-cultura\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Francisco de Sales, promotor da cultura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><em>Como pastor de uma diocese cuja grande maioria era composta por alde\u00f5es e montanheses analfabetos, herdeiros de uma cultura ancestral e pr\u00e1tica, Francisco de Sales tamb\u00e9m foi o promotor de uma cultura erudita entre a elite intelectual.<\/em><\/em><em>Para transmitir a mensagem que lhe interessava, percebeu que precisava conhecer seu p\u00fablico e levar em conta suas necessidades e gostos.<\/em><em>Quando falava com as pessoas e, especialmente, quando escrevia para pessoas instru\u00eddas, seu m\u00e9todo era o que ele estabeleceu no Pref\u00e1cio de seu \u201cTratado sobre o Amor de Deus\u201d: \u201c\u00c9 claro que levei em considera\u00e7\u00e3o a condi\u00e7\u00e3o das mentes deste s\u00e9culo, e tinha que faz\u00ea-lo: \u00e9 muito importante considerar a \u00e9poca em que se escreve\u201d.<br><\/em><br><br><strong>Francisco de Sales e a cultura popular<\/strong><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nascido numa fam\u00edlia nobre com fortes la\u00e7os com a terra, Francisco de Sales nunca foi alheio \u00e0 cultura popular. O ambiente em que cresceu j\u00e1 o colocava em contato pr\u00f3ximo com as pessoas comuns, a ponto de ele mesmo seguir de bom grado os costumes dos montanheses quando se levantavam pela manh\u00e3. Durante suas visitas pastorais, ele usava o <em>pato\u00e1<\/em> [<em>dialeto local<\/em>] para se fazer entender melhor. De qualquer modo, \u00e9 certo que o contato direto com o conjunto da popula\u00e7\u00e3o dava \u00e0 sua experi\u00eancia pastoral uma tonalidade concreta e calorosa.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, os autores que se interessaram pela transmiss\u00e3o da cultura popular naquela \u00e9poca sublinham que n\u00e3o havia limites rigorosos entre a mensagem religiosa e a cultura popular, pois os elementos estranhos se fundiam espontaneamente com a religi\u00e3o ensinada oficialmente. Como se sabe, a cultura popular \u00e9 muito mais bem expressa na forma de narrativa do que na escrita. \u00c9 preciso lembrar que certa porcentagem da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sabia ler e a maioria n\u00e3o sabia escrever. De modo geral, os velhos, os s\u00e1bios e os homens sabiam ler, enquanto as crian\u00e7as, o povo simples e as mulheres eram analfabetos.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, come\u00e7avam a aparecer os livros expostos nas livrarias ou os dos vendedores ambulantes, n\u00e3o apenas nas cidades, mas tamb\u00e9m nos vilarejos. Essa produ\u00e7\u00e3o de livretos baratos deve ter sido bastante variada, com a maioria, sem d\u00favida, proveniente da literatura popular que transmitia uma sensibilidade ainda medieval: vidas de santos, romances de cavalaria, hist\u00f3rias de bandidos ou almanaques com suas previs\u00f5es do tempo e conselhos para homens e animais. Mas estavam chegando tamb\u00e9m produ\u00e7\u00f5es mais modernas: romances, talvez at\u00e9 manuais de boa educa\u00e7\u00e3o, ou ainda obras de piedade na linha do Conc\u00edlio de Trento.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas a cultura popular tamb\u00e9m era transmitida por meio de encontros cotidianos e de festas, quando as pessoas sa\u00edam para comer e beber juntas em tabernas e restaurantes, especialmente por ocasi\u00e3o de casamentos, batizados, funerais e irmandades, durante os bailes e festivas cantigas de roda, nas feiras e nos mercados. Talvez Francisco de Sales tenha prestado um bom servi\u00e7o \u00e0 sociedade n\u00e3o banindo sistematicamente todas as formas de conv\u00edvio e divertimentos p\u00fablicos, limitando-se a impor algumas restri\u00e7\u00f5es aos eclesi\u00e1sticos, que eram obrigados a certa reserva.<br><br><strong>Sabedoria e habilidade<\/strong><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Observador simp\u00e1tico da natureza e das pessoas, Francisco de Sales aprendeu muito por meio de seu contato com elas. Foram os agricultores e os que lavravam a terra que lhe disseram que, \u201cquando neva no inverno, a colheita ser\u00e1 melhor no ano seguinte\u201d. Quanto aos pastores e criadores montanheses, o cuidado com seus rebanhos e seu gado \u00e9 um exemplo de zelo \u201cpastoral\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No mundo das profiss\u00f5es, muitas vezes Francisco de Sales p\u00f4de observar de perto as admir\u00e1veis habilidades: \u201cOs lavradores s\u00f3 semeiam os campos depois t\u00ea-los arado e limpado os arbustos espinhosos; os pedreiros s\u00f3 usam as pedras depois de cort\u00e1-las; os serralheiros s\u00f3 trabalham o ferro depois de bat\u00ea-lo; os ourives s\u00f3 cinzelam o ouro depois de t\u00ea-lo purificado no cadinho\u201d.<em><br><\/em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em certas hist\u00f3rias por ele contadas n\u00e3o falta uma pitada de humorismo. Desde os tempos antigos, os barbeiros t\u00eam a fama de serem grandes faladores; quando um deles perguntou a um rei: \u201cComo gostaria que eu fizesse sua barba? O rei respondeu: \u00abSem dizer uma palavra\u00bb\u201d. Se algu\u00e9m \u201cse ufana de estar vestido com eleg\u00e2ncia\u201d, \u201cquem n\u00e3o sabe que essa gl\u00f3ria (se houver gl\u00f3ria nisso) \u00e9 do alfaiate e do sapateiro?\u201d Com seu trabalho, o carpinteiro realiza pequenos milagres e \u201calgu\u00e9m que n\u00e3o entende nada de entalhe, ao ver troncos retorcidos na oficina de um marceneiro, ficaria estupefato ao ouvir dizer que daquela madeira se possa produzir uma obra-prima\u201d. Os fabricantes de vidro tamb\u00e9m s\u00e3o surpreendentes, criando maravilhas com o sopro de suas bocas.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, a arte da tipografia era objeto de sua grande admira\u00e7\u00e3o, mesmo que para ele os motivos religiosos prevalecessem em rela\u00e7\u00e3o com qualquer outra considera\u00e7\u00e3o; \u00e9 o que emerge de uma carta escrita em italiano ao N\u00fancio de Turim, em maio de 1598: \u201c<em>Entre outras coisas necess\u00e1rias, deveria haver um tip\u00f3grafo em Annecy. Os hereges est\u00e3o publicando livros muito perniciosos o tempo todo, enquanto muitas obras cat\u00f3licas permanecem nas m\u00e3os de seus autores porque n\u00e3o podem ser enviadas com seguran\u00e7a para Li\u00e3o e eles n\u00e3o t\u00eam um impressor \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d.<br><br><strong>A arte e os artistas<\/strong><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nas artes, o triunfo da Renascen\u00e7a brilhava em obras inspiradas na antiguidade. Francisco de Sales p\u00f4de contempl\u00e1-las durante sua perman\u00eancia na It\u00e1lia e na Fran\u00e7a. Em Roma, durante sua viagem em 1599, ele admirou a grande c\u00fapula da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, conclu\u00edda apenas alguns anos antes: \u201cGrande o pal\u00e1cio, a bas\u00edlica, o monumento de S\u00e3o Pedro\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Escrevia Francisco de Sales: A escultura cl\u00e1ssica era ent\u00e3o objeto de tal admira\u00e7\u00e3o que at\u00e9 \u201cpeda\u00e7os de est\u00e1tuas antigas s\u00e3o conservados para lembrar a antiguidade\u201d. Ele mesmo nomeia v\u00e1rios escultores antigos, come\u00e7ando por F\u00eddias, o artista que \u201cn\u00e3o representava nada t\u00e3o perfeitamente como as divindades\u201d. Veja Policleto, \u201co meu Policleto, que me \u00e9 t\u00e3o querido\u201d, afirmava, que com sua \u201cm\u00e3o de mestre\u201d transfigurava o bronze. Recorda tamb\u00e9m o colosso de Rodes, s\u00edmbolo da provid\u00eancia divina, na qual \u201cn\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a nem sombra de varia\u00e7\u00e3o\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E agora os famosos pintores mencionados por Pl\u00ednio e Plutarco: Ar\u00e9lio, um homem \u201cque pintava todos os rostos de seus retratos \u00e0 semelhan\u00e7a das mulheres que ele amava\u201d; Apeles, pintor \u201c\u00fanico\u201d, preferido por Alexandre Magno; Timante que cobria a cabe\u00e7a de Agamenon, frustrado por n\u00e3o poder expressar a consterna\u00e7\u00e3o do seu rosto \u00e0 vista da filha Efig\u00eania\u201d; Z\u00eauxis, que pintou uvas t\u00e3o magistralmente que \u201cos p\u00e1ssaros criam que a uva pintada fosse de verdade, tanto a arte tinha imitado a natureza\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Percebe-se em Francisco de Sales um verdadeiro apre\u00e7o pela beleza da obra de arte enquanto tal, e ao mesmo tempo a capacidade de comunicar suas emo\u00e7\u00f5es aos leitores. A pintura n\u00e3o seria talvez uma arte divina? A palavra de Deus n\u00e3o se situa apenas no plano da audi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m no plano da vis\u00e3o e da contempla\u00e7\u00e3o est\u00e9tica: \u201cDeus \u00e9 o pintor, a nossa f\u00e9 \u00e9 a pintura, as cores s\u00e3o a palavra de Deus, o pincel \u00e9 a Igreja\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Francisco se sentia especialmente atra\u00eddo pela pintura religiosa, que foi fortemente recomendada por seu ex-diretor espiritual Possevino, que lhe enviou sua \u201cobra encantadora\u201d <em>De poesi et pictura<\/em> [Poesia e pintura]. &nbsp;Ele mesmo se considerava um pintor, porque, como escreveu no pref\u00e1cio de sua Filoteia, \u201cDeus quer que eu pinte no cora\u00e7\u00e3o das pessoas n\u00e3o apenas as virtudes comuns, mas tamb\u00e9m a sua muito querida e amada devo\u00e7\u00e3o devida a ele\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Amava tamb\u00e9m o canto e a m\u00fasica. Sabemos que ele mandava cantar hinos durante as aulas de catecismo, mas gostar\u00edamos de saber o que era cantado em sua catedral. Certa vez, numa carta, no dia seguinte a uma cerim\u00f4nia em que foi cantado um texto do <em>C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos<\/em>, ele exclamou: \u201cAh! Como tudo isto foi bem cantado ontem em nossa igreja e em meu cora\u00e7\u00e3o!\u201d Ele conhecia e sabia distinguir os sons dos diferentes instrumentos: \u201cEntre os instrumentos, os tambores e as trombetas fazem mais barulho, mas os ala\u00fades e as espinetas produzem melodia melhor; o som de uns \u00e9 mais alto, o outro \u00e9 mais suave e espiritual\u201d.<br><br><strong>A Academia Florimontana (1606)<\/strong><br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cA cidade de Annecy\u201d, escrevia pomposamente seu sobrinho Carlos Augusto de Sales, \u201cera semelhante \u00e0 de Atenas sob um t\u00e3o grande bispo como Francisco de Sales e sob um grande presidente como Ant\u00f4nio Favre, e era habitada por um grande n\u00famero de doutores, te\u00f3logos ou jurisconsultos, e de insignes literatos\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As pessoas t\u00eam-se perguntado como Francisco de Sales teve a ideia de fundar uma academia com seu amigo Ant\u00f4nio Favre no final de 1606, que eles chamaram de \u201cFlorimontana\u201d, \u201cporque as musas floresceram nas montanhas da Saboia\u201d. Provavelmente seus contatos com a It\u00e1lia n\u00e3o eram estranhos a essa realiza\u00e7\u00e3o. Nascidas na It\u00e1lia no final do s\u00e9culo XIV, as academias tiveram uma grande expans\u00e3o. Entre elas distinguia-se a Academia Plat\u00f4nica de Floren\u00e7a, animada por Marc\u00edlio Ficino, cujo influxo \u00e9 reconhec\u00edvel no autor de <em>Te\u00f3timo<\/em>. Em Turim havia a Academia \u201cPapiniana\u201d, da qual tinha participado Ant\u00f4nio Favre. &nbsp;N\u00e3o se deve esquecer que os calvinistas em Genebra tinham a sua pr\u00f3pria academia, e isso deve ter desempenhado um papel importante na cria\u00e7\u00e3o de uma \u201crival\u201d cat\u00f3lica.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Academia Florimontana tinha seu pr\u00f3prio emblema: uma laranjeira, admirada por Francisco de Sales porque era cheia de flores e de frutas durante quase todo o ano (<em>flores fructusque perennes<\/em>). De fato, explicava Francisco, \u201cna It\u00e1lia, na costa de G\u00eanova, e mesmo em regi\u00f5es da Fran\u00e7a, como na Proven\u00e7a, ao longo das costas, pode-se v\u00ea-las cobertas de folhas, flores e frutos em todas as esta\u00e7\u00f5es\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O programa das reuni\u00f5es tinha um car\u00e1ter enciclop\u00e9dico, pois, de acordo com os Estatutos, \u201cas li\u00e7\u00f5es versar\u00e3o sobre teologia, pol\u00edtica, filosofia, ret\u00f3rica, cosmografia, geometria ou aritm\u00e9tica\u201d. De qualquer modo, reservava-se uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s letras e \u00e0 beleza formal. Um dos artigos dos Estatutos dizia: \u201cO estilo na fala e na leitura, ser\u00e1 s\u00e9rio, refinado, elegante e evitar\u00e1 qualquer forma de pedantismo\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Academia era formada por cientistas e mestres reconhecidos, mas eram previstos tamb\u00e9m cursos p\u00fablicos que a tornavam uma pequena universidade popular. De fato, as assembleias gerais podiam ser frequentadas por \u201ctodos os competentes mestres das artes honestas, como pintores, escultores, carpinteiros, arquitetos e afins\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pode-se intuir que o objetivo dos dois fundadores era reunir a elite intelectual de Saboia e colocar a literatura, as ci\u00eancias e as artes a servi\u00e7o da f\u00e9 e da piedade, de acordo com o ideal do humanismo crist\u00e3o. As reuni\u00f5es eram realizadas na casa de Ant\u00f4nio Favre, na qual sua esposa e filhos ajudavam a receber os convidados. Portanto, havia uma atmosfera familiar. De fato, como dizia um artigo, \u201ctodos os acad\u00eamicos ser\u00e3o unidos entre si por amor m\u00fatuo e fraterno\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entre os acad\u00eamicos ou membros ou membros correspondentes da Academia destacava-se o abade comendador de Hautecombe, Afonso Delbene, descendente de uma grande fam\u00edlia de Floren\u00e7a, amigo de Justo Lipsio e de Ronsard, que lhe dedicou a sua <em>Arte Po\u00e9tica<\/em>; foi qualificado como uma ponte entre a cultura italiana e a cultura francesa.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os in\u00edcios da Academia foram brilhantes e promissores. Segundo Carlos Augusto de Sales, o primeiro ano se abriu com \u201co curso de matem\u00e1tica com a <em>Aritm\u00e9tica<\/em> de Jacques Pelletier, os <em>Elementos<\/em> de Euclides, a esfera e a cosmografia com suas partes, a geografia, a hidrografia e a topografia; seguiu-se a arte de navegar e a teoria dos planetas, por fim, a m\u00fasica te\u00f3rica\u201d. Quanto ao mais, \u00e9 bem pouco o que se sabe.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 1610, n\u00e3o mais do que tr\u00eas anos ap\u00f3s seu in\u00edcio, Ant\u00f4nio Favre foi nomeado Presidente do Senado da Saboia e partiu para Chamb\u00e9ry. O bispo, por sua vez, n\u00e3o conseguia manter a Academia por conta pr\u00f3pria, e ela declinou e desapareceu. Mas, embora sua exist\u00eancia tenha sido curta, sua influ\u00eancia foi duradoura. O projeto cultural que lhe deu origem foi retomado pelos Barnabitas, que chegaram ao Col\u00e9gio de Annecy em 1614.<br><br><strong>Um caso Galileu em Annecy?<\/strong><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Col\u00e9gio de Annecy era famoso pela pessoa do padre Redento Baranzano. Esse barnabita do Piemonte, que adotou as novas teorias cient\u00edficas, era um professor brilhante que despertava a admira\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo o entusiasmo de seus alunos. Em 1617, sem a permiss\u00e3o de seus superiores, seus disc\u00edpulos publicaram um resumo de suas palestras, com o t\u00edtulo de <em>Uranoscopia<\/em>, nas quais ele desenvolvia o sistema planet\u00e1rio de Cop\u00e9rnico e as ideias de Galileu. O livro em quest\u00e3o imediatamente causou tanto alvoro\u00e7o que o autor foi chamado de volta a Mil\u00e3o por seus superiores. Em setembro de 1617, Francisco de Sales escreveu uma carta em italiano ao superior geral do barnabitas, para defender o interessado do ponto de vista pessoal, sem acenar \u00e0s suas ideias, a fim de que retomasse as suas fun\u00e7\u00f5es.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O desejo do bispo foi atendido e o P. Baranzano retornou a Annecy no final de outubro daquele mesmo ano. No final de novembro, o bispo manifestou sua satisfa\u00e7\u00e3o ao superior geral. Em 1618, o padre Baranzano publicou um novo op\u00fasculo, como sinal de boa vontade, mas n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que ele tenha renunciado \u00e0s suas ideias.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 1619, ele publicou <em>Novae opiniones physicae<\/em> [Novas teorias da f\u00edsica] em Li\u00e3o, o primeiro volume da segunda parte de uma ambiciosa <em>Summa philosophica anneciensis<\/em> [Suma Filos\u00f3fica de Annecy]. O bispo tinha dado a sua aprova\u00e7\u00e3o oficial a \u201cessa obra erudita de um homem erudito\u201d e tinha autorizado sua impress\u00e3o. O c\u00f4nego que, a pedido do bispo, tinha examinado a obra, tinha considerado que n\u00e3o continha \u201cnada contr\u00e1rio \u00e0 f\u00e9, aos ensinamentos da Igreja Cat\u00f3lica e aos bons costumes\u201d; esta obra apresentava \u201ca todos os amantes da filosofia uma doutrina filos\u00f3fica muito digna, de alto valor pela clara articula\u00e7\u00e3o, pela singular exatid\u00e3o, pela agrad\u00e1vel brevidade, pela erudi\u00e7\u00e3o incomum e na sua mat\u00e9ria bastante rara\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deve-se observar que Baranzano adquiriu uma reputa\u00e7\u00e3o internacional e entrou em contato com Francisco Bacon, o promotor ingl\u00eas da reforma das ci\u00eancias, com o astr\u00f4nomo alem\u00e3o Jo\u00e3o Kepler e com o pr\u00f3prio Galileu. Era a \u00e9poca em que imprudentemente foi instaurado um processo contra Galileu com a finalidade de salvaguardar a autoridade da B\u00edblia, que se considerava comprometida pelas novas teorias sobre a rota\u00e7\u00e3o da Terra em torno do Sol. Enquanto o Cardeal Belarmino estava preocupado com os perigos das novas teorias, para Francisco de Sales n\u00e3o poderia haver contradi\u00e7\u00e3o entre raz\u00e3o e f\u00e9. E n\u00e3o era o sol o s\u00edmbolo do amor celestial, em torno do qual tudo se move, e o centro da devo\u00e7\u00e3o?<br><br><strong>Poesia religiosa<\/strong><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Renascen\u00e7a havia reabilitado a poesia antiga e pag\u00e3, que Francisco havia estudado na escola e da qual os jesu\u00edtas haviam expurgado as passagens mais perturbadoras para a sensibilidade dos jovens. Quando jovem, ele foi seduzido pela poesia b\u00edblica do <em>C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos<\/em> e dos <em>Salmos<\/em>, que o acompanhariam por toda a vida. Ele mesmo escreveu v\u00e1rios poemas religiosos que chegaram at\u00e9 n\u00f3s.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fato \u00e9 que n\u00e3o foram alguns versos um tanto desajeitados que garantiram sua reputa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, que, durante sua vida, foi suficientemente estabelecida para que escritores e poetas buscassem contato com ele. Esse foi o caso do magistrado e poeta proven\u00e7al Jo\u00e3o de la Cepp\u00e8de, um dos grandes expoentes da poesia religiosa barroca, que lhe enviou uma c\u00f3pia de seus <em>Th\u00e9or\u00e8mes sur le sacr\u00e9 myst\u00e8re de la R\u00e9demption<\/em> [Teoremas sobre o sagrado mist\u00e9rio da Reden\u00e7\u00e3o]. O que mais o encantou nos versos desse poeta foi o fato de ele ter conseguido \u201ctransformar as musas pag\u00e3s em crist\u00e3s, retir\u00e1-las desse velho Parnaso e aloj\u00e1-las no novo e sagrado Calv\u00e1rio\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Francisco de Sales conhecia e admirava o poder da poesia, \u201cpois \u00e9 maravilhoso o poder que o discurso comprimido nas leis do verso tem de penetrar nos cora\u00e7\u00f5es e subjugar a mem\u00f3ria\u201d. Em 1616, o poeta Lyonnais Ren\u00e9 Gros de Saint-Joyre enviou-lhe o manuscrito de <em>La mire de vie \u00e0 l&#8217;amour parfait<\/em> [O guia da vida para o amor perfeito], um poema em verso franc\u00eas dividido em estrofes de oito linhas, dedicado \u00e0 abadessa do mosteiro beneditino de S\u00e3o Pedro de Li\u00e3o.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do poeta e humanista nascido na Basca, Jean de Sponde, ele cita n\u00e3o os <em>Sonnets d&#8217;amour<\/em> [Sonetos de amor] ou as <em>Stances sur la mort<\/em> [Posturas sobre a morte] mas a <em>R\u00e9ponse au Trait\u00e9 des marques de l&#8217;\u00c9glise de Th\u00e9odore de B\u00e8ze<\/em> [Resposta ao tratado das marcas da Igreja de Teodoro de Beza] e a <em>D\u00e9claration<\/em> sur les motifs de la conversion [Declara\u00e7\u00e3o sobre os motivos da convers\u00e3o] desse ex-calvinista, que ele considerava uma \u201cgrande mente\u201d. Ele tamb\u00e9m estava em contato com o poeta e memorialista borgonh\u00eas Jo\u00e3o de Lacurne, que era considerado \u201co deleite de Apolo e de todas as musas\u201d, e a quem ele declarou: \u201cEu gosto muito de seus escritos\u201d.<br><br><strong>A cultura erudita e a teologia<\/strong><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, Francisco tamb\u00e9m se mantinha informado sobre os livros de teologia que estavam aparecendo. Depois de ter \u201cvisto com extremo prazer\u201d um projeto de <em>Suma de teologia<\/em> de um padre cisterciense, enviou ao autor alguns conselhos por escrito. Sua opini\u00e3o era que era necess\u00e1rio cortar todas as palavras \u201cmet\u00f3dicas\u201d, \u201csup\u00e9rfluas\u201d e \u201cimportunas\u201d, para evitar que a <em>Suma<\/em> se tornasse demasiadamente \u201cgrande\u201d e para garantir que ela fosse \u201ctotalmente suco e polpa\u201d, tornando-a \u201cmais nutritiva e apetitosa\u201d, e para n\u00e3o ter medo de usar o \u201cestilo afetivo\u201d, isto \u00e9, capaz de emocionar. Mais tarde, escrevendo para um de seus padres que estava envolvido em trabalhos liter\u00e1rios e cient\u00edficos, fez mais ou menos as mesmas recomenda\u00e7\u00f5es: \u201cDevo dizer-lhe que o conhecimento que vou adquirindo cada dia mais a respeito dos humores do mundo me leva a augurar-me apaixonadamente que a divina Bondade inspire algum de seus servos a escrever ao gosto deste pobre mundo\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Escrever \u201cao gosto deste pobre mundo\u201d significava concordar em usar certos meios capazes de despertar o interesse do leitor da \u00e9poca:<br><br><em>De fato,<\/em><em>Senhor, somos pescadores, e pescadores de homens.<\/em><em>Devemos, portanto, usar n\u00e3o apenas cuidados, trabalhos e vigil\u00e2ncia nessa pesca, mas tamb\u00e9m a isca, as ind\u00fastrias, as abordagens e, se for l\u00edcito dizer, as santas ast\u00facias.<\/em><em>O mundo est\u00e1 se tornando t\u00e3o delicado que, de agora em diante, s\u00f3 nos atreveremos a toc\u00e1-lo com luvas perfumadas, ou a tratar suas feridas com emplastros de civeta; mas o que importa, desde que os homens sejam finalmente curados e salvos definitivamente?<\/em><em>Nossa rainha, a caridade, faz tudo por seus filhos.<\/em><br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outra falha, especialmente entre os te\u00f3logos, era a falta de clareza, a ponto de lhe dar a vontade de escrever na primeira p\u00e1gina de certas obras: <em>Fiat lux<\/em> [Fa\u00e7a-se luz]. Seu amigo, Dom Camus, lembra-se deste coment\u00e1rio de seu her\u00f3i sobre a obra de um autor inintelig\u00edvel: \u201cEsse homem deu v\u00e1rios livros ao p\u00fablico, mas n\u00e3o sei se algum deles trouxe luz. \u00c9 uma grande pena ser t\u00e3o culto e ainda assim n\u00e3o conseguir se expressar. \u00c9 como aquelas mulheres que est\u00e3o gr\u00e1vidas de v\u00e1rios filhos e n\u00e3o conseguem dar \u00e0 luz nenhum deles. Ele acrescentou com convic\u00e7\u00e3o: \u201cAcima de tudo, viva a clareza; sem ela, nada pode ser agrad\u00e1vel\u201d. De acordo com Camus, as obras de Francisco de Sales certamente cont\u00eam dificuldades, mas a obscuridade \u00e9 um defeito que nunca foi encontrado em sua pena.<br><br><strong>Um escritor cheio de projetos<\/strong><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No final de sua vida, sua mente ainda estava ocupada com v\u00e1rios projetos. Miguel Favre declarou que Francisco planejava escrever um tratado <em>Sobre o amor ao pr\u00f3ximo,<\/em> bem como uma <em>Hist\u00f3ria te\u00e2ndrica<\/em> em quatro volumes: uma tradu\u00e7\u00e3o em linguagem popular dos quatro evangelhos em forma de concord\u00e2ncia; uma demonstra\u00e7\u00e3o dos principais pontos da f\u00e9 da Igreja Cat\u00f3lica; uma instru\u00e7\u00e3o sobre os bons costumes e sobre a pr\u00e1tica das virtudes crist\u00e3s; enfim, uma hist\u00f3ria dos <em>Atos dos Ap\u00f3stolos<\/em>. Tamb\u00e9m tinha em mente um <em>Livro sobre os quatro amores<\/em>, no qual queria ensinar como dever\u00edamos amar a Deus, amar a n\u00f3s mesmos, amar nossos amigos e amar nossos inimigos.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nenhuma dessas obras jamais ser\u00e1 publicada. \u201cMorrerei como aquelas mulheres gr\u00e1vidas\u201d, escreveu ele, \u201csem dar \u00e0 luz o que tinham concebido\u201d. Sua \u201cfilosofia\u201d era essa: \u201c\u00c9 preciso assumir mais do que sabe fazer, como se fosse viver muito tempo; mas sem se preocupar em fazer mais do que algu\u00e9m faria, sabendo que iria morrer no dia seguinte\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como pastor de uma diocese cuja grande maioria era composta por alde\u00f5es e montanheses analfabetos,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":30874,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":16,"footnotes":""},"categories":[167],"tags":[2561,2579,2570,2228,2619,2031,2025],"class_list":["post-30881","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nossos-santos","tag-carisma-salesiano","tag-educacao","tag-igreja","tag-santos","tag-testemunhos","tag-vida","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30881"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30881\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30874"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}