{"id":30463,"date":"2024-10-19T12:58:57","date_gmt":"2024-10-19T12:58:57","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=30463"},"modified":"2024-10-19T13:00:12","modified_gmt":"2024-10-19T13:00:12","slug":"o-segundo-sonho-missionario-atraves-da-america-1883","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/sonhos-de-dom-bosco\/o-segundo-sonho-missionario-atraves-da-america-1883\/","title":{"rendered":"O segundo sonho mission\u00e1rio: atrav\u00e9s da Am\u00e9rica (1883)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco contou esse sonho no dia 4 de setembro, na sess\u00e3o matutina do Cap\u00edtulo Geral. O P. Lemoyne imediatamente o colocou no papel e o Servo de Deus revisou o escrito de ponta a ponta, acrescentando e modificando. Imprimiremos em it\u00e1lico as partes que, no original, revelam a m\u00e3o do Santo; em vez disso, colocaremos entre colchetes algumas passagens que o P. Lemoyne introduziu mais tarde, sob a forma de notas, por meio de explica\u00e7\u00f5es adicionais dadas por Dom Bosco.<br><br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Era a noite anterior \u00e0 festa de Santa Rosa de Lima [30 de agosto] e eu tive um sonho. Percebi que estava dormindo e, ao mesmo tempo, parecia estar correndo muito, a ponto de me sentir cansado de correr, falar, escrever e de minhas outras ocupa\u00e7\u00f5es habituais. Enquanto pensava se era um sonho ou a realidade, pareceu-me entrar em um sal\u00e3o de entretenimento onde muitas pessoas estavam conversando sobre coisas diversas.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Um longo discurso de desenvolveu em torno da multid\u00e3o de selvagens que, na Austr\u00e1lia, nas \u00cdndias, na China, na \u00c1frica e, mais particularmente, na Am\u00e9rica, em n\u00famero incalcul\u00e1vel, ainda est\u00e3o sepultados na sombra da morte.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>\u2013<em> A Europa, disse um dos debatedores com seriedade, a Europa crist\u00e3, a grande mestra da civiliza\u00e7\u00e3o e do catolicismo, parece ter se aproximado apaticamente das miss\u00f5es estrangeiras. Poucos s\u00e3o aqueles que t\u00eam coragem suficiente para enfrentar longas viagens e pa\u00edses desconhecidos para salvar as almas de milh\u00f5es de homens que foram redimidos pelo Filho de Deus, por Cristo Jesus.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Disse outro:<br><\/em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013<em> Que quantidade de id\u00f3latras vive infeliz fora da Igreja e longe do conhecimento do Evangelho somente na Am\u00e9rica! Os homens pensam (e os ge\u00f3grafos se enganam) que as Cordilheiras da Am\u00e9rica s\u00e3o como um muro que divide essa grande parte do mundo. N\u00e3o \u00e9 bem assim. Essas longas cadeias de altas montanhas formam muitas entr\u00e2ncias de mil ou mais quil\u00f4metros de comprimento. Nelas h\u00e1 florestas que nunca foram visitadas, h\u00e1 plantas, animais e pedras que s\u00e3o escassas por l\u00e1. Carv\u00e3o mineral, petr\u00f3leo, chumbo, cobre, ferro, prata e ouro est\u00e3o escondidos nessas montanhas, nos locais onde foram colocados pela m\u00e3o onipotente do Criador para o benef\u00edcio da humanidade. \u00d3 Cordilheiras, Cordilheiras, qu\u00e3o rico \u00e9 o vosso oriente!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Naquele momento, senti-me tomado por um desejo ardente de pedir explica\u00e7\u00f5es sobre mais coisas e questionar quem eram aquelas pessoas que haviam se reunido ali e onde eu estava. Mas eu disse a mim mesmo: <\/em>\u2013 <em>Antes de falar,<\/em> preciso observar que pessoas s\u00e3o essas! E olhei em volta com curiosidade. S\u00f3 que todas essas pessoas eram desconhecidas para mim. Entretanto, <em>como se<\/em> <em>tivessem me visto apenas naquele momento<\/em>, convidaram-me a vir \u00e0 frente e me acolheram com bondade.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu ent\u00e3o perguntei:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Digam-me, por favor! Estamos em Turim, Londres, Madri, Paris? Onde estamos? E quem s\u00e3o voc\u00eas? Com quem tenho o prazer de falar? Mas todos esses personagens respondiam vagamente, sempre falando sobre as miss\u00f5es.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Naquele momento, aproximou-se de mim um jovem de cerca de dezesseis anos, ador\u00e1vel pela beleza sobre-humana e todo radiante com uma luz viva mais brilhante que a do sol. Sua roupa era tecida com riqueza celestial e sua cabe\u00e7a estava cingida com um chap\u00e9u em forma de coroa, cravejado com as mais brilhantes pedras preciosas. Olhando para mim com um olhar benevolente, demonstrava um interesse especial por mim. Seu sorriso expressava um afeto de atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel. Chamou-me pelo nome, pegou-me pela m\u00e3o e come\u00e7ou a me falar sobre a Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fiquei encantado com o som daquela voz. Em um determinado momento, eu o interrompi:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Com quem tenho a honra de falar? Poderia me dizer seu nome? E o jovem:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 N\u00e3o duvide! Fale sempre com total confian\u00e7a, pois o senhor est\u00e1 com um amigo.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Mas qual o seu nome?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Eu lhe diria meu nome, se fosse necess\u00e1rio; mas n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, pois o senhor deve me conhecer.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dizendo isso, sorria.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dei uma olhada mais de perto naquela fisionomia envolta em luz. Oh, como era bela! E reconheci nele o filho do conde Fiorito Colle de Toulon, ilustre benfeitor de nossa Casa e especialmente de nossas miss\u00f5es americanas. Esse jovem havia morrido pouco tempo antes.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Oh! voc\u00ea? eu disse, chamando-o pelo nome: Lu\u00eds! E quem s\u00e3o todas essas pessoas?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 S\u00e3o amigos de seus salesianos e, como amigo seu e dos salesianos, em nome de Deus, gostaria de lhe dar algum trabalho.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Vamos ver o que \u00e9. Que trabalho \u00e9 esse?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Fique aqui nesta mesa e depois puxe esta corda para baixo.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No meio <em>daquele grande sal\u00e3o<\/em> havia uma mesa, na qual estava enrolada uma corda, e vi que essa corda estava marcada como o metro, com linhas e n\u00fameros. Mais tarde, percebi que aquela sala estava localizada na Am\u00e9rica do Sul, bem na linha do Equador, e que os n\u00fameros impressos na corda correspondiam aos graus geogr\u00e1ficos <em>de latitude<\/em>. Ent\u00e3o, peguei a ponta da corda, olhei para ela e vi que no in\u00edcio estava marcado o n\u00famero zero.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu ria. E aquele jovem angelical:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 N\u00e3o \u00e9 hora de rir, ele me disse. Observe! O que est\u00e1 escrito na corda?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 O n\u00famero zero.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Puxe um pouco!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Puxei um pouco a corda, e apareceu o n\u00famero 1.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Puxe novamente e fa\u00e7a um grande rolo com essa corda.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Puxei e saiu o n\u00famero 2, 3, 4, at\u00e9 20.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 \u00c9 suficiente? disse eu.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 N\u00e3o; mais para cima; mais para cima! V\u00e1 at\u00e9 encontrar um n\u00f3! respondeu o jovem.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Puxei at\u00e9 o n\u00famero 47, onde encontrei um grande n\u00f3. A partir desse ponto, a corda continuava, mas dividida em muitos fios que se estendiam para leste, oeste e sul.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 J\u00e1 chega? perguntei.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Que n\u00famero \u00e9 esse? perguntou o jovem. \u00c9 o n\u00famero 47. E 47 mais 3 d\u00e1 o qu\u00ea? 50! E mais 5? S\u00e3o 55! Observe; cinquenta e cinco.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E ent\u00e3o ele disse:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Puxe novamente.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Estou no fim! respondi.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Agora, ent\u00e3o, volte-se para tr\u00e1s e puxe a corda do outro lado. Puxei a corda do outro lado, at\u00e9 o n\u00famero dez.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O jovem replicou:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Puxe ainda!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 N\u00e3o h\u00e1 mais nada!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 O qu\u00ea? N\u00e3o h\u00e1 mais nada? Olhe de novo! O que h\u00e1?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 H\u00e1 \u00e1gua, respondi.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Naquele instante, um fen\u00f4meno extraordin\u00e1rio ocorreu dentro de mim, algo que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser descrito. Eu estava naquela sala, puxando aquela corda, e, ao mesmo tempo, um panorama de um imenso pa\u00eds se desdobrou diante de meus olhos, que eu dominava como numa vis\u00e3o a\u00e9rea e que se estendia \u00e0 medida que a corda se estendia.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Do primeiro zero at\u00e9 o n\u00famero 55 havia uma terra imensa que, depois de um estreito de mar, <em>no final se<\/em> repartia em cem ilhas, <em>uma das quais era muito maior do que as outras<\/em>. A essas ilhas parecia <em>aludirem<\/em> as cordinhas espalhadas que partiam do grande n\u00f3. Cada cordinha levava a uma ilha. Algumas delas eram habitadas por nativos bastante numerosos; outras eram est\u00e9reis, nuas, rochosas, desabitadas; outras eram todas cobertas de neve e gelo. A oeste, havia v\u00e1rios grupos de ilhas, habitadas por muitos selvagens. [Parece que o n\u00f3 colocado no n\u00famero ou grau 47 representava o local de partida, o centro salesiano, a miss\u00e3o principal de onde nossos mission\u00e1rios se ramificavam para as Ilhas Malvinas, para a Terra do Fogo e para as outras ilhas desses pa\u00edses da Am\u00e9rica].<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No lado oposto, ou seja, de zero a 10, continuava a mesma terra e terminava naquela \u00e1gua que vi por \u00faltimo. <em>Pareceu-me<\/em> que essa \u00e1gua era o mar das Antilhas, <em>que<\/em> eu vi de maneira t\u00e3o surpreendente que n\u00e3o me \u00e9 poss\u00edvel explicar com palavras esse modo de ver.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ora, ent\u00e3o, tendo eu respondido:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 H\u00e1 \u00e1gua! \u2013 aquele jovem respondeu:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Agora junte 55 mais 10. Qual o resultado?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E eu:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Soma 65.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Agora junte tudo e fa\u00e7a uma \u00fanica corda.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 E ent\u00e3o?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 O que h\u00e1 deste lado? \u2013 E ele apontou para um ponto no panorama.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 A oeste, vejo altas montanhas e, a leste, est\u00e1 o mar!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 [Observo aqui que, naquele momento, vi abreviadamente, como em miniatura, tudo aquilo que vi depois, como diria, em seu tamanho e extens\u00e3o reais, e os graus marcados pela corda, que correspondiam exatamente aos graus geogr\u00e1ficos de latitude, foram os que me permitiram guardar na mem\u00f3ria por v\u00e1rios anos os sucessivos pontos que visitei enquanto viajava na segunda parte desse mesmo sonho].<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Meu jovem amigo continuava:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Pois bem: essas montanhas s\u00e3o como um limite, uma fronteira. At\u00e9 aqui e at\u00e9 ali est\u00e1 a messe oferecida aos salesianos. Milhares e milh\u00f5es est\u00e3o esperando por sua ajuda, <em>esperam a f\u00e9<\/em>.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essas montanhas eram as Cordilheiras da Am\u00e9rica do Sul e esse mar, o Oceano Atl\u00e2ntico.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 E como faremos isso? retomei; como levaremos tantos povos ao redil de Jesus Cristo?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Como fazer isso? Veja!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E eis que chega o P. Lago [P. \u00c2ngelo Lago, secret\u00e1rio particular do P. Rua, que morreu em conceito de santidade em 1914], carregando uma cesta de figos pequenos e verdes; e ele me disse:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Pegue, Dom Bosco!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 O que est\u00e1 me trazendo? respondi, olhando para o conte\u00fado da cesta.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Disseram-me que os trouxesse para o senhor.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Mas esses figos n\u00e3o s\u00e3o bons para comer, n\u00e3o est\u00e3o maduros.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o meu jovem amigo pegou aquela cesta, que era muito larga, mas tinha pouco fundo, e a apresentou a mim, dizendo:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Aqui est\u00e1 o presente que lhe dou!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 E o que devo fazer com esses figos?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Estes figos n\u00e3o est\u00e3o maduros, mas pertencem \u00e0 grande figueira da vida. E o senhor procure a maneira de faz\u00ea-los amadurecer.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 E como? Se fossem maiores!&#8230; poderiam ser amadurecidos com palha, como \u00e9 o costume com outras frutas; mas t\u00e3o pequenos&#8230; t\u00e3o verdes&#8230; \u00c9 imposs\u00edvel.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Na verdade, o senhor deve saber que, para amadurec\u00ea-los, \u00e9 preciso garantir que todos esses figos estejam ligados \u00e0 planta novamente.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Que coisa incr\u00edvel! E como fazer isso?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Veja!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E ele pegou um daqueles figos e o mergulhou em uma jarra de sangue; depois, mergulhou-o em outra jarra cheia de \u00e1gua e disse:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Com o suor e o sangue, os selvagens voltar\u00e3o a se apegar \u00e0 planta e ser\u00e3o agrad\u00e1veis ao dono da vida.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu pensava: Mas para conseguir isso \u00e9 preciso tempo. E ent\u00e3o exclamei em voz alta:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 N\u00e3o sei mais o que responder.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas aquele querido jovem, lendo meus pensamentos, continuou:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Esse acontecimento ser\u00e1 realizado antes que a segunda gera\u00e7\u00e3o se complete.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 E qual ser\u00e1 a segunda gera\u00e7\u00e3o?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Est\u00e1 atual n\u00e3o est\u00e1 sendo contada. Ser\u00e1 outra e depois outra.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu falava confuso, perplexo e quase gaguejando ao ouvir os magn\u00edficos destinos que est\u00e3o sendo preparados para nossa Congrega\u00e7\u00e3o; e perguntei:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Mas cada uma dessas gera\u00e7\u00f5es compreende quantos anos?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Sessenta anos!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 E depois disso?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 O senhor quer ver o que acontecer\u00e1? Venha!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E sem saber como, encontrei-me em uma esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria. Muitas pessoas estavam reunidas l\u00e1. Embarcamos no trem. Perguntei onde est\u00e1vamos. O jovem respondeu:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Repare bem! Veja! Estamos viajando ao longo das Cordilheiras. O senhor tem a estrada aberta para o leste at\u00e9 o mar. \u00c9 outra d\u00e1diva do Senhor.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 E a Boston, onde somos esperados, quando iremos?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Tudo a seu tempo.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dito isso, ele pegou um mapa onde a diocese de Cartagena era mostrada em letras grandes. [Esse era o ponto de partida].<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto eu olhava o mapa, a locomotiva apitou e o trem partiu. Viajando, meu amigo falava muito, mas por causa do barulho do trem, eu n\u00e3o conseguia entend\u00ea-lo completamente. No entanto, aprendi coisas lindas e novas sobre astronomia, navega\u00e7\u00e3o, meteorologia, mineralogia, fauna, flora e a topografia daquelas regi\u00f5es, que ele me explicou com uma precis\u00e3o maravilhosa. Enquanto isso, ele compartilhava suas palavras com uma familiaridade recatada e ao mesmo tempo carinhosa, o que demonstrava o quanto ele me queria bem. Desde o in\u00edcio, ele me pegou pela m\u00e3o e sempre me segurou com muito carinho at\u00e9 o final do sonho. \u00c0s vezes, eu levava minha outra m\u00e3o sobre a dele, mas ela parecia desaparecer debaixo da minha como se estivesse se evaporando, e minha m\u00e3o esquerda s\u00f3 segurava a minha direita. O jovem sorria com minha tentativa in\u00fatil.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesse meio tempo, olhei pelas janelas do vag\u00e3o e via passarem \u00e0 minha frente variadas, mas estupendas regi\u00f5es. Florestas, montanhas, plan\u00edcies, rios muito longos e majestosos que eu n\u00e3o acreditava que fossem t\u00e3o grandes em regi\u00f5es t\u00e3o distantes de seus estu\u00e1rios. Por mais de mil quil\u00f4metros, contornamos a borda de uma floresta virgem, ainda hoje inexplorada. Meu olhar adquiriu um poder visual maravilhoso. N\u00e3o havia nenhum obst\u00e1culo para alcan\u00e7ar aquelas regi\u00f5es. N\u00e3o sei explicar como esse fen\u00f4meno surpreendente aconteceu com meus olhos. Eu era como algu\u00e9m que, no alto de uma colina, v\u00ea uma grande regi\u00e3o estendida a seus p\u00e9s e, se coloca uma tira de papel, mesmo que estreita, diante de seus olhos a uma pequena dist\u00e2ncia, n\u00e3o v\u00ea nada ou v\u00ea muito pouco; se for afastada essa tira ou apenas levantada ou abaixada um pouco, sua vis\u00e3o pode se estender at\u00e9 o horizonte extremo. Foi o que aconteceu comigo devido \u00e0 extraordin\u00e1ria intui\u00e7\u00e3o que adquiri; mas com esta diferen\u00e7a: quando eu olhava para um ponto e esse ponto passava diante de mim, era como se eu levantasse sucessivamente as cortinas individuais, e eu via a dist\u00e2ncias incalcul\u00e1veis. N\u00e3o apenas via as Cordilheiras mesmo quando estava longe delas, mas tamb\u00e9m as cadeias de montanhas, isoladas naqueles planos imensur\u00e1veis, eu as via com seus m\u00ednimos acidentes. [As de Nova Granada, da Venezuela, das tr\u00eas Guianas; as do Brasil e da Bol\u00edvia, at\u00e9 as \u00faltimas fronteiras].<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pude ent\u00e3o verificar a exatid\u00e3o das frases que ouvi no in\u00edcio do sonho no grande sal\u00e3o no grau zero. Eu podia ver as entranhas das montanhas e a escurid\u00e3o profunda das plan\u00edcies. Tinha diante dos olhos as riquezas incompar\u00e1veis desses pa\u00edses que um dia ser\u00e3o descobertas. Via in\u00fameras minas de metais preciosos, pedreiras inesgot\u00e1veis de carv\u00e3o mineral, dep\u00f3sitos de petr\u00f3leo t\u00e3o abundantes que nunca foram encontrados em nenhum outro lugar. Mas isso n\u00e3o foi tudo. Entre os graus 15 e 20, havia uma reentr\u00e2ncia muito larga e muito longa que come\u00e7ava em um ponto onde se formava um lago. Ent\u00e3o uma voz disse repetidamente:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Quando forem escavadas as minas escondidas no meio destas montanhas, aqui aparecer\u00e1 a terra prometida que mana leite e mel. Ser\u00e1 uma riqueza inconceb\u00edvel.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas isso n\u00e3o foi tudo. O que mais me surpreendeu foi ver as Cordilheiras em v\u00e1rios lugares, recuando para dentro de si mesmas para formar vales, que os atuais ge\u00f3grafos nem sequer suspeitam que existam, imaginando que as encostas das montanhas s\u00e3o como uma esp\u00e9cie de parede reta. Nessas bacias e vales, que \u00e0s vezes se estendiam por at\u00e9 mil quil\u00f4metros, viviam densas popula\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o haviam entrado em contato com os europeus, na\u00e7\u00f5es ainda completamente desconhecidas.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto isso, o trem continuava correndo continuamente e, seguindo por aqui e por ali, finalmente parou. A\u00ed desceu um grande n\u00famero de viajantes, passando por baixo das Cordilheiras, em dire\u00e7\u00e3o ao oeste.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 [Dom Bosco mencionou a Bol\u00edvia. A esta\u00e7\u00e3o talvez fosse La Paz, onde um t\u00fanel que se abre para o litoral do Pac\u00edfico pode ligar o Brasil a Lima por meio de outra linha de trem].<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O trem partiu novamente, sempre em frente. Como na primeira parte da viagem, passamos por florestas, t\u00faneis, viadutos gigantescos, desfiladeiros nas montanhas, lagos e p\u00e2ntanos em pontes, rios largos, pradarias e plan\u00edcies. Passamos pelas margens do Uruguai. Pensei que fosse um rio curto, mas, em vez disso, \u00e9 muito longo. Em um determinado momento, vi o rio Paran\u00e1 se aproximando do Uruguai, como se fosse levar o tributo de suas \u00e1guas at\u00e9 ele; mas, em vez disso, depois de correr por um trecho quase paralelo, afastou-se dele fazendo uma curva ampla. Ambos os rios eram muito longos. [Argumentando a partir desses poucos dados, parece que essa futura linha f\u00e9rrea, partindo de La Paz, tocar\u00e1 Santa Cruz, passar\u00e1 pela \u00fanica abertura que h\u00e1 em Santa Cruz della Sierra, atravessada pelo rio Guapay; cruzar\u00e1 o rio Parapiti, na prov\u00edncia de Chiquitos, na Bol\u00edvia; cortar\u00e1 o extremo norte da Rep\u00fablica do Paraguai; entrar\u00e1 na prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo, no Brasil, e de l\u00e1 seguir\u00e1 para o Rio Janeiro. De uma esta\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria na prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo talvez parta a linha f\u00e9rrea que, passando entre o Rio Paran\u00e1 e o Rio Uruguai, ligar\u00e1 a capital do Brasil \u00e0 Rep\u00fablica do Uruguai e \u00e0 Rep\u00fablica Argentina].<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E o trem estava sempre descendo, virava para um lado e virava para outro; depois de muito tempo, parou pela segunda vez. L\u00e1, muitas outras pessoas desceram e tamb\u00e9m passaram por baixo das Cordilheiras, indo para o oeste. [Dom Bosco indicou a prov\u00edncia de Mendoza, na Rep\u00fablica Argentina. Portanto, a esta\u00e7\u00e3o talvez fosse Mendoza e o t\u00fanel levava a Santiago, capital da Rep\u00fablica do Chile].<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O trem retomou sua viagem pelos Pampas e pela Patag\u00f4nia. Os campos cultivados e as casas espalhadas aqui e ali indicavam que a civiliza\u00e7\u00e3o estava tomando posse daqueles desertos.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No in\u00edcio da Patag\u00f4nia, passamos por um bra\u00e7o do Rio Colorado ou Rio Chubut [ou talvez Rio Negro?]. N\u00e3o conseguia ver o rumo que seguia, se em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s Cordilheiras ou ao Atl\u00e2ntico. Tentava desvendar esse meu problema, mas n\u00e3o conseguiu me orientar.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Finalmente chegamos ao Estreito de Magalh\u00e3es. Eu observava. Descemos. Punta Arenas estava \u00e0 nossa frente. Por v\u00e1rios quil\u00f4metros, o solo estava repleto de dep\u00f3sitos de carv\u00e3o mineral, t\u00e1buas, vigas, madeira, pilhas imensas de metal, alguns brutos, outros processados. Longas filas de vag\u00f5es de carga estavam sobre os trilhos.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Meu amigo mencionou todas essas coisas para mim. Ent\u00e3o perguntei:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 O que voc\u00ea quer dizer com isso?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ele me respondeu:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 O que est\u00e1 sendo planejado agora ser\u00e1 realidade um dia. No futuro, esses selvagens ser\u00e3o t\u00e3o d\u00f3ceis que eles mesmos vir\u00e3o para receber educa\u00e7\u00e3o, religi\u00e3o, civiliza\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio. O que em outros lugares causa admira\u00e7\u00e3o, aqui ser\u00e1 t\u00e3o surpreendente que ultrapassar\u00e1 o que hoje causa espanto em todos os outros povos.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 J\u00e1 vi o suficiente, conclu\u00ed; agora me leve para ver meus salesianos na Patag\u00f4nia.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Voltamos \u00e0 esta\u00e7\u00e3o e embarcamos no trem para retornar. Depois de percorrer um longo caminho, o trem parou em frente a um vilarejo consider\u00e1vel. [Talvez no grau 47, onde ele tinha visto aquele grande n\u00f3 de corda no in\u00edcio do sonho]. Na esta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o havia ningu\u00e9m esperando por mim. Desci e imediatamente encontrei os salesianos. Havia muitas casas l\u00e1 com um grande n\u00famero de habitantes; mais igrejas, escolas, v\u00e1rios internatos para jovens e adultos, artes\u00e3os e agricultores, e um centro de educa\u00e7\u00e3o para meninas que faziam uma variedade de trabalhos dom\u00e9sticos. Nossos mission\u00e1rios conduziam jovens e adultos juntos.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu estava entre eles. Havia muitos deles, mas eu n\u00e3o os conhecia, e entre eles n\u00e3o havia nenhum de meus antigos filhos. Todos me olhavam com espanto, como se eu fosse uma pessoa nova, e eu disse a eles:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Voc\u00eas n\u00e3o me conhecem? Voc\u00eas n\u00e3o conhecem Dom Bosco?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Oh, Dom Bosco! N\u00f3s o conhecemos pela fama, mas s\u00f3 o vimos em retratos! Em pessoa, n\u00e3o, \u00e9 claro!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 E o P. Fagnano, P. Costamagna, P. Lasagna, P. Milanesio, onde est\u00e3o eles?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 N\u00f3s n\u00e3o os conhecemos. S\u00e3o aqueles que vieram aqui antigamente: os primeiros salesianos que vieram da Europa para estes lugares. Mas j\u00e1 se passaram muitos anos desde que eles morreram!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante dessa resposta, pensei com espanto: \u2013 Mas isso \u00e9 um sonho ou uma realidade? E batia as m\u00e3os uma na outra, tocava os meus bra\u00e7os e me sacudia, enquanto realmente ouvia o som das minhas m\u00e3os e me percebia a mim mesmo e me convencia de que eu n\u00e3o estava dormindo.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa visita foi algo instant\u00e2neo. Ao ver o maravilhoso progresso da Igreja Cat\u00f3lica, de nossa Congrega\u00e7\u00e3o e da civiliza\u00e7\u00e3o naquelas regi\u00f5es, agradeci \u00e0 Divina Provid\u00eancia por ter se dignado me usar como instrumento de sua gl\u00f3ria e da salva\u00e7\u00e3o de tantas almas.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesse meio tempo, o jovem Colle me fez sinal de que era hora de voltar: assim, depois de nos despedirmos de meus salesianos, voltamos \u00e0 esta\u00e7\u00e3o, onde o trem estava pronto para partir. Subimos novamente; a locomotiva apitou e partimos para o norte.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fiquei surpreso com a novidade que surgiu diante de meus olhos. O territ\u00f3rio da Patag\u00f4nia, na parte mais pr\u00f3xima ao Estreito de Magalh\u00e3es, entre as Cordilheiras e o Oceano Atl\u00e2ntico, era mais estreito do que os ge\u00f3grafos geralmente acreditam.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O trem avan\u00e7ava em um ritmo muito r\u00e1pido e me pareceu que estava passando pelas prov\u00edncias, que agora j\u00e1 s\u00e3o civilizadas na Rep\u00fablica Argentina.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c0 medida que avan\u00e7\u00e1vamos, entramos em uma floresta virgem, muito ampla, muito longa, intermin\u00e1vel. Em um determinado ponto, o trem parou e um espet\u00e1culo doloroso apareceu diante de nossos olhos. Uma enorme multid\u00e3o de selvagens estava reunida em um espa\u00e7o aberto no meio da floresta. Seus rostos eram deformados e repugnantes; suas pessoas estavam vestidas, ao que parecia, com peles costuradas de animais. Eles cercavam um homem amarrado que estava sentado em uma pedra. Ele era muito gordo, pois os selvagens o haviam engordado. O pobre homem havia sido feito prisioneiro e parecia pertencer a uma na\u00e7\u00e3o estrangeira, devido \u00e0 maior regularidade de suas fei\u00e7\u00f5es. Os selvagens o questionavam e ele respondia narrando as v\u00e1rias aventuras que lhe haviam acontecido em suas viagens. De repente, um selvagem se levantou e, brandindo um grande ferro, que n\u00e3o era uma espada, mas era muito afiado, atacou o prisioneiro e, com um golpe, cortou sua cabe\u00e7a. Todos os viajantes do trem ficaram nas portas e janelas dos vag\u00f5es, atentos e mudos de horror. O pr\u00f3prio Colle olhava e ficava em sil\u00eancio. A v\u00edtima emitiu um grito agonizante ao ser golpeada. Os canibais saltaram sobre o cad\u00e1ver que jazia em um lago de sangue, rasgaram-no em peda\u00e7os, colocaram a carne ainda quente e latejante sobre fogueiras especialmente acesas e, depois de ass\u00e1-la por algum tempo, devoraram-na quase crua. Ao grito daquele infeliz, a m\u00e1quina foi posta em movimento e gradualmente retomou sua velocidade vertiginosa.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Durante longas horas, o trem passou pelas margens de um rio muito largo. Ora o trem corria na margem direita, ora na margem esquerda. Da janela, n\u00e3o percebi em quais pontes faz\u00edamos essas mudan\u00e7as frequentes de rotas. Enquanto isso, naquelas margens, numerosas tribos de selvagens apareciam de tempos em tempos. Toda vez que v\u00edamos essas multid\u00f5es, o jovem Colle repetia:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Eis a messe dos salesianos! Eis a messe dos salesianos!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entramos ent\u00e3o em uma regi\u00e3o cheia de animais ferozes e r\u00e9pteis venenosos de formas estranhas e horr\u00edveis. Estavam espalhados nas faldas das montanhas, nas entr\u00e2ncias das colinas; as bases das montanhas e colinas onde se apoiam, nas margens dos lagos, nas margens dos rios, nas plan\u00edcies, nos declives, nas encostas. Alguns se pareciam com c\u00e3es que tinham asas e eram extraordinariamente barrigudos [gula, lux\u00faria, orgulho]. Os outros eram sapos muito grandes que comiam r\u00e3s. Podiam-se ver alguns esconderijos cheios de animais, com formas diferentes dos nossos. Essas tr\u00eas esp\u00e9cies de animais estavam cruzadas entre si e grunhiam sordidamente como se quisessem morder umas \u00e0s outras. Tamb\u00e9m se viam tigres, hienas, le\u00f5es, mas de uma forma diferente das esp\u00e9cies da \u00c1sia e da \u00c1frica. Meu companheiro at\u00e9 falou comigo aqui e, mencionando essas feras, exclamou:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Os salesianos v\u00e3o amans\u00e1-las.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto isso, o trem se aproximava do local da primeira partida e n\u00e3o est\u00e1vamos muito longe dele. O jovem Colle, ent\u00e3o, pegou um mapa topogr\u00e1fico de estupenda beleza e me disse:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 O senhor gostaria de ver a viagem que fez? As regi\u00f5es que percorremos?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Com prazer, respondi.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ele ent\u00e3o desdobrou o mapa, no qual toda a Am\u00e9rica do Sul estava desenhada com uma precis\u00e3o maravilhosa. Al\u00e9m disso, retratava tudo o que era, tudo o que \u00e9, tudo o que ser\u00e1 nessas regi\u00f5es, mas sem confus\u00e3o; pelo contr\u00e1rio, com tanta clareza que era poss\u00edvel ver tudo em um piscar de olhos. Compreendi tudo imediatamente, mas devido \u00e0 multiplicidade daquelas circunst\u00e2ncias, essa clareza durou apenas uma hora e agora uma confus\u00e3o completa se formou em minha mente.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto eu olhava para aquele papel esperando que o jovem acrescentasse alguma explica\u00e7\u00e3o, todo agitado pela surpresa do que tinha diante dos olhos, pareceu-me que Quirino (santo coadjutor, matem\u00e1tico, poliglota e sineiro) estava tocando a <em>Ave Maria<\/em> do alvorecer; mas, ao acordar, percebi que era o toque dos sinos da par\u00f3quia de S\u00e3o Benigno. O sonho havia durado a noite toda.<br><br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco terminou sua hist\u00f3ria com estas palavras:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 Com a do\u00e7ura de S\u00e3o Francisco de Sales, os salesianos atrair\u00e3o o povo da Am\u00e9rica para Jesus Cristo. Ser\u00e1 muito dif\u00edcil converter os selvagens; mas seus filhos obedecer\u00e3o facilmente \u00e0s palavras dos mission\u00e1rios e com eles ser\u00e3o fundadas col\u00f4nias, a civiliza\u00e7\u00e3o tomar\u00e1 o lugar da barb\u00e1rie e muitos selvagens passar\u00e3o a fazer parte do rebanho de Jesus Cristo.<br><em>(MB XVI, 385-394)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco contou esse sonho no dia 4 de setembro, na sess\u00e3o matutina do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":30476,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":146,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[2561,2557,2577,2232,1827,2226,2227,2228,2230],"class_list":["post-30463","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sonhos-de-dom-bosco","tag-carisma-salesiano","tag-deus","tag-dom-bosco","tag-esperanca","tag-gracas-obtidas","tag-salesianos","tag-salvacao","tag-santos","tag-sonhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30463"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30463\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30476"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}