{"id":29848,"date":"2024-08-30T08:43:03","date_gmt":"2024-08-30T08:43:03","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=29848"},"modified":"2024-08-30T08:44:39","modified_gmt":"2024-08-30T08:44:39","slug":"o-sonho-do-elefante-1863","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/sonhos-de-dom-bosco\/o-sonho-do-elefante-1863\/","title":{"rendered":"O sonho do elefante (1863)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><em>Dom Bosco, n\u00e3o tendo dado a estreia aos seus alunos, no \u00faltimo dia do ano, retornando de Borgo Cornalense, no dia 4, domingo, tinha prometida dar a estreia na noite da festa da Epifania. Era o dia 6 de janeiro de 1863, e todos os jovens, aprendizes e estudantes, reunidos no mesmo parlat\u00f3rio, esperavam ansiosos a estreia.<br>Rezadas as ora\u00e7\u00f5es, o bom pai subiu no estrado e come\u00e7ou a dizer:<\/em><\/em><br><br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eis que chegamos na noite da estreia. Todo ano, desde as festas natalinas, eu costumo elevar a Deus ora\u00e7\u00f5es, para que me inspire uma estreia que vos possa ajudar. Mas, neste ano, dobrei minhas ora\u00e7\u00f5es devido ao aumento do n\u00famero dos jovens. Passou, por\u00e9m, o \u00faltimo dia do ano, veio a quinta-feira, a sexta-feira e nada de novo. Na noite de sexta vou dormir, cansado das fadigas do dia, nem consegui pegar no sono a noite toda, de maneira que levantei de manh\u00e3 mais cansado ainda, quase semimorto. N\u00e3o me perturbei por causa disso; ali\u00e1s, fiquei contente, porque sabia que geralmente quando o Senhor est\u00e1 para me manifestar algo, passo muito mal a noite anterior. Continuei minhas costumeiras ocupa\u00e7\u00f5es no povoado de Borgo Cornalense e na noite de s\u00e1bado cheguei entre voc\u00eas. Depois de ter confessado, fui deitar e, pelo cansa\u00e7o devido \u00e0 prega\u00e7\u00e3o e pelas confiss\u00f5es em Borgo, e pelo pouco descanso da noite anterior, facilmente peguei no sono. Eis, aqui come\u00e7a o sonho do qual voc\u00eas receber\u00e3o a estreia.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Queridos jovens, sonhei que era dia de festa, depois do almo\u00e7o, nas horas de recreio, e voc\u00eas estavam todos se divertindo de mil maneiras. Pareceu-me estar em meu escrit\u00f3rio com o Cav. Vallauri, professor de Belas Letras. T\u00ednhamos conversado de v\u00e1rias coisas liter\u00e1rias e de outras a respeito da religi\u00e3o, quando, de repente, ou\u00e7o algu\u00e9m bater na porta.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vou ver. Era minha m\u00e3e, falecida h\u00e1 seis anos, que, aflita, estava me chamando:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u2013 Vem ver, vem ver!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 O que \u00e9? \u2013 respondi.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Vem, vem! \u2013 Replicou.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por causa da insist\u00eancia, fui at\u00e9 a varanda e eis que vejo no p\u00e1tio, no meio dos jovens um elefante de grandeza desmedida.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013 Mas como? \u2013 Exclamei! \u2013 Vamos correndo l\u00e1 embaixo. \u2013 E, amedrontado, olhava o Cav. Vallauri, e ele olhava para mim, como a nos perguntar um ao outro de que maneira tivesse entrado aquela fera monstruosa. Descemos logo correndo no p\u00f3rtico com o professor.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Muitos de voc\u00eas naturalmente correram para ver aquele animal. Aquele elefante parecia manso e d\u00f3cil: divertia-se junto com os jovens; acariciava-os com a tromba; era t\u00e3o inteligente que obedecia \u00e0s ordens, como se tivesse sido amansado e criado aqui no Orat\u00f3rio desde a primeira idade, de maneira que era sempre acompanhado e acariciado por um grande n\u00famero de jovens. Mas nem todos voc\u00eas estavam ao seu redor. Eu vi que a maior parte de voc\u00eas, apavorados, fugiam para c\u00e1 e para l\u00e1, procurando um lugar para se abrigar e, por fim, acabaram se abrigando na igreja. Eu tamb\u00e9m tentei entrar pela porta que d\u00e1 no p\u00e1tio; mas passando perto da imagem da Virgem Maria, posicionada perto do bebedouro, tendo eu tocado a extremidade do seu manto, como em sinal de pedir o seu patroc\u00ednio, ela levantou o bra\u00e7o direito. Vallauri quis repetir o meu gesto do outro lado, e a Virgem moveu o bra\u00e7o esquerdo. Eu fiquei surpreendido, n\u00e3o sabendo como explicar um fato t\u00e3o extraordin\u00e1rio.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Chegou ent\u00e3o a hora das sagradas fun\u00e7\u00f5es, e voc\u00eas, meus jovens, foram todos para a igreja. Eu tamb\u00e9m entrei e vi o elefante, em p\u00e9 no fundo perto da porta. Foram rezadas as V\u00e9speras, e, depois da prega\u00e7\u00e3o, fui para o altar acompanhado pelo P. Alasonatti e pelo P. S\u00e1vio para dar a b\u00ean\u00e7\u00e3o com o Sant\u00edssimo Sacramento. Mas no momento solene em que todos estavam profundamente recolhidos em adora\u00e7\u00e3o do Santo dos Santos, vi, sempre no fundo da igreja, no meio entre os bancos, o elefante ajoelhado e fazendo rever\u00eancia em sentido contr\u00e1rio, isto \u00e9, com a cara e as horr\u00edveis patas viradas para a porta principal.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terminadas as fun\u00e7\u00f5es eu queria logo sair no p\u00e1tio para observar o que aconteceria, mas puxado por algu\u00e9m na sacristia que queria me dar alguns avisos, tive que aguardar.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Saio depois de pouco tempo embaixo dos p\u00f3rticos, e voc\u00eas no p\u00e1tio para reiniciar as divers\u00f5es como antes. O elefante, saindo da igreja, foi at\u00e9 o segundo p\u00e1tio ao redor do qual est\u00e3o sendo constru\u00eddos edif\u00edcios. Notem bem esta circunst\u00e2ncia, pois naquele p\u00e1tio aconteceu a cena horr\u00edvel que agora vou descrever.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Naquele momento l\u00e1 no fundo, apareceu um estandarte, em que estava escrito em caracteres cubitais: <em>Sancta Maria sucurre miseris<\/em> (Santa Maria, socorra os m\u00edseros \u2013 Da ant\u00edfona das Primeiras V\u00e9speras no Comum das Festas da Bem-aventurada Virgem Maria), e o seguiam jovens em prociss\u00e3o. Quando, de repente, sem ningu\u00e9m esperar, vi aquele animal horroroso, que antes parecia t\u00e3o gentil, lan\u00e7ar-se com furioso bramido no meio dos alunos ao redor e, pegando os mais pr\u00f3ximos pela tromba, lan\u00e7\u00e1-los para cima, esmag\u00e1-los, jogando-os no ch\u00e3o, e pisote\u00e1-los com as patas. Todavia, os que eram assim maltratados n\u00e3o morriam, mas ficavam em condi\u00e7\u00f5es de poder sarar, embora as feridas fossem horrendas. Era um corre-corre geral; quem gritava, quem chorava, e quem ferido pedia ajuda dos colegas: enquanto, coisa horr\u00edvel, alguns jovens, poupados pelo elefante, em lugar de ajudar a socorrer os feridos, fizeram alian\u00e7a com o monstro para lhe oferecer outras v\u00edtimas.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto aconteciam essas coisas (e eu estava no segundo arco do p\u00f3rtico perto do bebedouro), aquela estatueta que voc\u00eas veem l\u00e1 <em>(indicava a est\u00e1tua da Virgem Sant\u00edssima)<\/em> se animou e engrandeceu, tornou-se pessoa de alta estatura, levantou os bra\u00e7os e estendeu o manto, no qual estavam escritas com arte maravilhosa muitas inscri\u00e7\u00f5es. O manto abriu-se desmesuradamente, tanto que cobriu todos os que se abrigavam nele: a\u00ed eles estavam seguros. Primeiramente um n\u00famero escolhido dos melhores correu para aquele abrigo. Mas, vendo Maria Sant\u00edssima que muitos n\u00e3o se apressavam para irem sob o seu manto, gritava em voz alta: <em>Venite ad me omnes<\/em> (\u201cVinde a mim todos\u201d \u2013 Mt 11,28), e eis que aumentava o n\u00famero dos meninos debaixo do manto que continuava a se alargar. Alguns, por\u00e9m, em vez de se abrigar debaixo do manto, corriam para c\u00e1 e para l\u00e1 e eram feridos antes de se abrigar em lugar seguro. A Virgem Sant\u00edssima, angustiada, vermelha no rosto, continuava a gritar, mas eram poucos os que corriam para Ela. O elefante continuava o massacre e v\u00e1rios jovens, quem manejando uma espada, quem duas, espalhados aqui e acol\u00e1, impediam os companheiros, que ainda estavam no p\u00e1tio, com amea\u00e7as e ferindo-os, de chegar at\u00e9 Maria. A estes o elefante n\u00e3o fazia nada.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alguns dos jovens abrigados perto de Maria e por Ela encorajados, faziam r\u00e1pidas corridas. Tiravam do elefante algum colega e o levavam sob o manto da est\u00e1tua misteriosa, e este logo ficava curados. E logo sa\u00edam para novas conquistas. V\u00e1rios meninos armados de bast\u00e3o afastavam o elefante de suas v\u00edtimas e se opunham aos seus c\u00famplices. E n\u00e3o pararam de trabalhar, colocando em risco a pr\u00f3pria vida, at\u00e9 levarem todos a lugar protegido.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O p\u00e1tio j\u00e1 estava deserto. Alguns estavam esticados no ch\u00e3o quase mortos. De um lado, perto dos p\u00f3rticos, uma multid\u00e3o de meninos embaixo do manto da Virgem. Do outro lado, afastados, o elefante e uns dez ou doze jovens que ficaram com ele, e que o haviam ajudado a fazer tanto mal e insolentemente impert\u00e9rritos empunhavam as espadas.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De repente, o elefante, levantando-se sobre as pernas posteriores, transforma-se num fantasma horr\u00edvel com longos chifres e, tomando um pano preto ou rede, envolve aqueles pobres meninos que haviam trabalhado para ele e lan\u00e7a um rugido. Ent\u00e3o uma densa fuma\u00e7a envolveu a todos, e afundaram desaparecendo, junto com o monstro, num abismo que se abriu improvisamente sob os seus p\u00e9s.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terminada essa horrenda cena, olhei ao redor para expor qualquer minha reflex\u00e3o \u00e0 minha m\u00e3e e ao Cav. Vallauri, mas j\u00e1 n\u00e3o estavam mais.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dirigi-me a Maria, desejoso de ler as inscri\u00e7\u00f5es que apareciam impressas em seu manto, e vi que algumas eram tiradas literalmente da Sagrada Escritura e outras tamb\u00e9m, mas um pouco modificadas. Li algumas delas: <em>Qui elucidant me vitam aeternam habebunt<\/em> (\u201cOs que me tornam conhecida ter\u00e3o a vida eterna\u201d \u2013 Eclo 24,31; <em>qui me invenerit inveniet vitam<\/em> (\u201cQuem me encontrar encontrar\u00e1 a vida \u2013 Pr 8,35); <em>si quis est parvulus veniat ad me<\/em> (\u201cSe h\u00e1 um inexperiente, venha a mim\u201d \u2013 Pr 9,4); <em>refugium peccatorum<\/em> (Ref\u00fagio dos pecadores \u2013 Ladainhas lauretanas). <em>Salus credentium<\/em> (Salva\u00e7\u00e3o dos crentes \u2013 do sonho de Dom Bosco das duas colunas, maio de 1862); <em>plena omnis pietatis, mansuetudinis et misericordiae<\/em> (Cheia de toda piedade, mansid\u00e3o e miseric\u00f3rdia). <em>Beati qui custodiunt vias meas<\/em> (\u201cFelizes os que guardam meus caminhos\u201d \u2013 Pr 8,32)!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois do desaparecimento do elefante, tudo ficou tranquilo. A Virgem parecia cansada pelo tanto gritar. Depois de breve sil\u00eancio, dirigi aos jovens belas palavras de conforto, de esperan\u00e7a; e, repetindo aquelas palavras que voc\u00eas podem ver embaixo do nicho, que mandei escrever: <em>Qui elucidant me, vitam aeternam habebunt<\/em> (\u201cOs que me tornam conhecida, ter\u00e3o a vida eterna\u201d \u2013 Eclo 24,31), disse \u2013 Voc\u00eas que ouviram a minha voz e escaparam do massacre do dem\u00f4nio, puderam ver e puderam observar os seus colegas massacrados. Querem saber a causa de sua perdi\u00e7\u00e3o? <em>Sunt colloquia prava<\/em>: s\u00e3o as m\u00e1s conversas contra a pureza, aquelas obras desonestas que seguiram imediatamente as m\u00e1s conversas. Voc\u00eas viram tamb\u00e9m aqueles seus colegas armados de espada: s\u00e3o aqueles que procuram a vossa perdi\u00e7\u00e3o, afastando-vos de mim, e que causaram a perdi\u00e7\u00e3o de tantos colegas seus. Mas <em>quos diutius expectat durius damnat<\/em>: aqueles aos quais Deus aguarda por mais tempo, mais severamente Ele vai punir (S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno); e aquele dem\u00f4nio infernal, envolvendo-os a todos, os levou consigo \u00e0 eterna perdi\u00e7\u00e3o. Agora voc\u00eas podem ir tranquilos, mas lembrem-se de minhas palavras: Fujam daqueles companheiros amigos de Satan\u00e1s, fujam das m\u00e1s conversas, especialmente contra a pureza, tenham em mim uma ilimitada confian\u00e7a, e o meu manto ser\u00e1 sempre um ref\u00fagio seguro.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ditas estas e outras semelhantes palavras, tudo sumiu e nada mais ficou no seu lugar, a n\u00e3o ser a nossa querida estatueta. Ent\u00e3o reapareceu a minha finada m\u00e3e, novamente foi levantado o estandarte com a escrita: <em>Sancta Maria sucurre miseris<\/em> (\u201cSanta Maria, socorre a n\u00f3s m\u00edseros\u201d \u2013 Da ant\u00edfona das Primeiras V\u00e9speras, comum das Festas da B. V. M.); todos os jovens organizaram-se atr\u00e1s dele e entoaram o canto: <em>Lodate Maria, o lingue fedeli<\/em> (\u201cLouvai Maria, \u00f3 l\u00ednguas fi\u00e9is\u201d).<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas n\u00e3o durou muito para o canto ir se apagando, depois esvaiu-se todo aquele espet\u00e1culo, e eu acordei todo molhado de suor. Pronto! Esse foi o meu sonho. Meus filhos, tirem voc\u00eas mesmos a estreia: quem estava debaixo do manto, quem estava sendo jogado para o alto pelo elefante, e quem tinha a espada, perceber\u00e1 ao examinar a pr\u00f3pria consci\u00eancia. Eu s\u00f3 lhes repito as palavras da Virgem Sant\u00edssima: <em>Venite ad me omnes<\/em> (\u201cVinde a mim todos\u201d \u2013 Mt 11,28); recorram todos a Ela, em cada perigo invoquem Maria e asseguro-lhes que ser\u00e3o atendidos. De resto, pensem os que foram maltratados pelo monstro a fugir das m\u00e1s conversas, dos maus colegas; e os que procuravam afastar os outros de Maria, ou mudem de vida ou saiam logo desta Casa. Quem quiser saber onde ele estava no sonho pode vir comigo tamb\u00e9m em meu escrit\u00f3rio, e eu lhe revelarei. Mas, repito, os ministros de Satan\u00e1s, ou mudar ou partir. Boa noite!<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essas palavras foram pronunciadas com tanta un\u00e7\u00e3o e como\u00e7\u00e3o que os jovens, meditando aquele sonho por mais de uma semana, n\u00e3o deixaram Dom Bosco em paz. De manh\u00e3 muitas confiss\u00f5es, depois do almo\u00e7o quase todos com ele para saber onde estavam naquele sonho misterioso.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E que n\u00e3o era um sonho, mas uma vis\u00e3o, tamb\u00e9m Dom Bosco o havia afirmado dizendo: \u2013 <em>Quando o Senhor quer me manifestar algo, passo etc&#8230;; Costumo rezar muito para que se digne inspirar-me&#8230;<\/em> e depois com o proibir de brincar sobre essa narra\u00e7\u00e3o.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E tem mais.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desta vez ele mesmo escrevia numa folha o nome dos alunos que no sonho havia visto feridos, dos que manejavam a espada, e dos outros que manejavam duas espadas; e o entregou ao P. Celestino Durando, encarregando-o de cuidar deles. O P. Durando transmitiu-nos essa lista e a temos sob nossos olhos. Os feridos s\u00e3o 13, aqueles que provavelmente n\u00e3o foram se refugiar debaixo do manto de Nossa Senhora. Os que tinham uma espada eram 17; os que tinham duas espadas eram s\u00f3 tr\u00eas. Alguma nota ao lado de um nome indica mudan\u00e7a de conduta. Observe-se que o sonho, como haveremos de ver, n\u00e3o representava somente o tempo presente, mas dizia respeito tamb\u00e9m ao futuro.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas, de modo especial, que esse sonho tenha acertado o alvo, o comprovam os mesmos jovens. \u201cN\u00e3o acreditava que Dom Bosco me conhecesse assim; manifestou-me o estado de minha alma; as tenta\u00e7\u00f5es que eu tenho com tal precis\u00e3o, que nada poderia acrescentar\u201d. Outros dois jovens aos quais Dom Bosco tinha dito que manejavam a espada \u2013 Ah! Sim, \u00e9 verdade \u2013 diziam \u2013, faz muito tempo que percebi; eu sabia disso.&nbsp; E mudaram de conduta.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cUm dia, depois do almo\u00e7o, Dom Bosco falava de seu sonho, e depois de ter referenciado como alguns j\u00e1 tivessem sa\u00eddo e outros tinham que sair para afastar sua espada da casa, veio a discorrer de sua ast\u00facia, como ele dizia, e para demonstrar isso contou este fato. \u2013 Um jovem escrevia uma carta, h\u00e1 pouco tempo atr\u00e1s, para sua casa, atribuindo \u00e0s pessoas do Orat\u00f3rio mais dignas de estima, como seja a superiores e aos padres, s\u00e9rias cal\u00fanias e insultos. Temendo que Dom Bosco pudesse ver aquela folha, procurou, tentando de todos os modos, levar ao correio sem que ningu\u00e9m soubesse. A carta foi. Depois do almo\u00e7o mandei cham\u00e1-lo: ele se apresenta em meu escrit\u00f3rio e eu, depois de ter-lhe mostrado o seu erro, interroguei-o para saber o que o teria induzido a escrever tantas mentiras. Ele negou descaradamente o fato; eu deixei-o falar, e depois, iniciando pela primeira palavra, recitei-lhe toda a sua carta. Ent\u00e3o, confuso, apavorado, chorando se jogou aos meus p\u00e9s dizendo: \u2018A minha carta, ent\u00e3o, n\u00e3o foi despachada?\u2019 Sim, respondi, j\u00e1 deve ter chegado \u00e0 sua casa, mas voc\u00ea procure reparar o seu erro. \u2013 Os alunos o interrogaram como foi que ele sabia. \u2013 Oh! Minha ast\u00facia! \u2013 respondeu sorrindo\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa ast\u00facia devia ser a mesma do sonho, que dizia respeito n\u00e3o s\u00f3 para o estado presente, mas a vida futura de cada jovem, um dos quais, em estreita rela\u00e7\u00e3o com o P. Rua, assim escrevia muitos anos mais tarde. Note-se que a folha traz nome e sobrenome do escrevente, com o nome da rua e o n\u00famero de sua casa em Turim.<br><br><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Car\u00edssimo P. Rua,<br><\/em><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8230; Entre outras coisas lembro de uma vis\u00e3o, que Dom Bosco teve em 1863, enquanto eu estava morando em sua casa; na qual viu a vida futura de todos os seus, e contada por ele mesmo depois das ora\u00e7\u00f5es da noite. Foi o sonho do elefante. <em>(Aqui, tendo descrito o que acima relatamos, continua)<\/em>: Dom Bosco, terminada sua narra\u00e7\u00e3o, nos disse: \u2013 Se voc\u00eas querem saber onde estavam no sonho, venham comigo em meu escrit\u00f3rio, e eu lhes direi.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ent\u00e3o eu tamb\u00e9m fui. \u2013 Voc\u00ea \u2013 ele me disse \u2013 era um daqueles que corriam atr\u00e1s do elefante antes e depois das fun\u00e7\u00f5es na igreja, portanto, naturalmente foi sua presa; voc\u00ea foi lan\u00e7ado ao alto pela tromba e, caindo, ficou machucado, de modo que n\u00e3o podia mais fugir, embora fazendo todos os esfor\u00e7os. Quando um seu companheiro sacerdote, que voc\u00ea n\u00e3o conhecia, chega, toma-o pelo bra\u00e7o e o leva sob o manto de Nossa Senhora. Voc\u00ea foi salvo.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse n\u00e3o-sonho, como dizia Dom Bosco, mas verdadeira revela\u00e7\u00e3o do futuro que o Senhor fazia ao seu servo, aconteceu no segundo ano em que estava no Orat\u00f3rio, em um tempo em que eu era exemplo aos meus colegas tanto no estudo, quanto na piedade; assim mesmo, Dom Bosco me viu naquele estado. Vieram as f\u00e9rias escolares de 1863. Fui para as f\u00e9rias por motivos de sa\u00fade e n\u00e3o voltei mais para o Orat\u00f3rio. Eu tinha 13 anos completos. No ano seguinte meu pai colocou-me para aprender a profiss\u00e3o de sapateiro. Dois anos depois (1866), fui \u00e0 Fran\u00e7a para me aperfei\u00e7oar na minha profiss\u00e3o. Aqui me encontrei com gente das seitas e aos poucos deixei a igreja e as pr\u00e1ticas religiosas, comecei a ler livros her\u00e9ticos e cheguei ao ponto de aborrecer a Santa Igreja Cat\u00f3lica, Apost\u00f3lica, Romana, como a mais pest\u00edfera das religi\u00f5es.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dois anos depois voltei \u00e0 p\u00e1tria e, tamb\u00e9m aqui, continuei sempre a ler livros \u00edmpios e cada vez mais me afastava da verdadeira Igreja.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em todo esse tempo, por\u00e9m, nunca deixei de rezar a Deus nosso Pai em nome de Jesus Cristo, a fim de que me iluminasse e me fizesse conhecer a verdadeira religi\u00e3o.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todo este tempo durou 13 anos, durante os quais eu fazia todo o esfor\u00e7o para me levantar, mas estava ferido, era v\u00edtima do elefante, n\u00e3o podia me mexer. No final de 1878, aconteceu uma miss\u00e3o espiritual numa Par\u00f3quia. Muita gente participava dessas instru\u00e7\u00f5es, e eu tamb\u00e9m comecei a frequentar, s\u00f3 mesmo para ouvir aqueles <strong>famosos oradores<\/strong>. Achei tudo t\u00e3o bonito, verdades incontest\u00e1veis e, finalmente, o \u00faltimo serm\u00e3o, que tratava justamente do Sant\u00edssimo Sacramento, \u00faltimo ponto e principal que me deixava na d\u00favida (pois n\u00e3o acreditava mais na presen\u00e7a de Jesus Cristo no Sant\u00edssimo Sacramento, nem real, nem espiritual), o orador soube explicar t\u00e3o bem a verdade, confutar os erros e convencer-me, que eu, tocado pela gra\u00e7a do Senhor, decidi-me a fazer a confiss\u00e3o e voltar sob o manto da Bem-aventurada Virgem. Desde ent\u00e3o n\u00e3o paro mais de agradecer a Deus e a Bem-aventurada Virgem da gra\u00e7a recebida. Veja bem que, em cumprimento da vis\u00e3o, soube depois que aquele orador mission\u00e1rio era meu colega no Orat\u00f3rio de Dom Bosco.<br><em>Turim, 25 de fevereiro de 1891.<br><\/em>DOMINGOS N.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; P. S. \u2013 Se a Senhoria Vossa Reverend\u00edssima achar bom publicar esta minha carta, dou-lhe ampla faculdade tamb\u00e9m de corrigir, embora sem mudar o sentido, sendo esta a pura verdade. Respeitosamente beijo sua m\u00e3o, caro P. Rua, entendendo com este beijo beijar a m\u00e3o do nosso amado Dom Bosco.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas desse sonho Dom Bosco havia recebido tamb\u00e9m luzes para poder julgar as voca\u00e7\u00f5es ao estado religioso ou eclesi\u00e1stico, as disposi\u00e7\u00f5es de uns e outros em fazer o bem. Ele tinha visto aqueles corajosos que enfrentavam o elefante e os seus colaboradores para salvar os colegas e arrancar deles as feridas para lev\u00e1-los sob o manto de Nossa Senhora. Por isso ele continuava a acolher os pedidos daqueles que desejavam fazer parte da Pia Sociedade, ou admiti-los, sendo j\u00e1 inscritos, a fazer os votos trienais. E para eles ser\u00e1, para sempre, t\u00edtulo de muita honra a escolha feita por Dom Bosco. Uma parte destes n\u00e3o emitiu os votos, ou terminada a promessa trienal, saiu do Orat\u00f3rio; mas o fato est\u00e1 que estes perseveraram quase todos em sua miss\u00e3o de salvar e instruir a juventude ou como padres na Diocese, ou como professores seculares nas escolas reais. Seus nomes est\u00e3o em tr\u00eas atas do Cap\u00edtulo Salesiano.<br><em>(MB IT VII, 356-363 \/ MBp VII, 366-376)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Bosco, n\u00e3o tendo dado a estreia aos seus alunos, no \u00faltimo dia do ano,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":29840,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":63,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[2561,1749,2557,2577,1947,1917,2227,2228],"class_list":["post-29848","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sonhos-de-dom-bosco","tag-carisma-salesiano","tag-conselhos","tag-deus","tag-dom-bosco","tag-jovens","tag-oratorio","tag-salvacao","tag-santos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29848"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29848\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29840"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}