{"id":29757,"date":"2024-08-19T11:04:34","date_gmt":"2024-08-19T11:04:34","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=29757"},"modified":"2024-08-19T11:09:53","modified_gmt":"2024-08-19T11:09:53","slug":"onde-nasceu-dom-bosco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/dom-bosco\/onde-nasceu-dom-bosco\/","title":{"rendered":"Onde nasceu Dom Bosco?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No primeiro anivers\u00e1rio da morte de Dom Bosco, seus Antigos Alunos quiseram continuar a celebrar a Festa do Reconhecimento, como faziam todos os anos no dia 24 de junho, organizando-a para o novo Reitor-Mor, Padre Rua.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 23 de junho de 1889, depois de colocar uma placa na Cripta de Valsalice, onde Dom Bosco estava sepultado, celebraram a festa do Padre Rua em Valdocco no dia 24.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O professor Alessandro Fabre, ex-aluno de 1858-66, tomou a palavra e disse, entre outras coisas:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cCar\u00edssimo P. Rua, o senhor n\u00e3o ficar\u00e1 desapontado ao saber que decidimos acrescentar, como ap\u00eandice, a inaugura\u00e7\u00e3o, no pr\u00f3ximo dia 15 de agosto, de outra placa, cuja encomenda j\u00e1 foi feita e cujo desenho est\u00e1 reproduzido aqui, <em>e que colocaremos na casa onde nasceu e viveu por muitos anos o nosso querido Dom Bosco<\/em>, para que fique assinalado, para os contempor\u00e2neos e para a posteridade, o lugar em que, em primeiro lugar, palpitou o cora\u00e7\u00e3o daquele grande homem que mais tarde encheria a Europa e o mundo com seu nome, suas virtudes e suas admir\u00e1veis institui\u00e7\u00f5es\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como se pode ver, a inten\u00e7\u00e3o dos Antigos Alunos era colocar uma placa na \u201cCasetta\u201d dos Becchi, considerada por todos como o local de nascimento de Dom Bosco, porque ele sempre a indicou como sua casa. Mas depois, encontrando a \u201cCasetta\u201d em ru\u00ednas, foram induzidos a retocar o rascunho da inscri\u00e7\u00e3o e colocar a placa na casa vizinha de Jos\u00e9 com a seguinte reda\u00e7\u00e3o ditada pelo pr\u00f3prio Prof. Fabre: \u201cEm 11 de agosto, poucos dias antes do anivers\u00e1rio de Dom Bosco, os Antigos Alunos foram aos Becchi para descerrar a placa. O Te\u00f3l. F\u00e9lix Reviglio, Cura de Santo Agostinho, um dos primeiros alunos de Dom Bosco, fez o discurso na ocasi\u00e3o. Falando sobre a Pequena Casa, ele disse: \u201cA mesma casa perto daqui, onde ele nasceu, que est\u00e1 quase completamente arruinada&#8230;\u201d \u00e9 \u201cum verdadeiro monumento \u00e0 pobreza evang\u00e9lica de Dom Bosco\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A \u201c<em>ru\u00edna completa<\/em>\u201d da \u201cCasetta\u201d j\u00e1 havia sido mencionada no Boletim Salesiano em mar\u00e7o de 1887 (BS 1887, mar\u00e7o, p. 31), e o P. Reviglio e a inscri\u00e7\u00e3o na placa (\u201c<em>uma casa agora demolida<\/em>\u201d) estavam evidentemente falando dessa situa\u00e7\u00e3o. A inscri\u00e7\u00e3o cobria tristemente o fato desagrad\u00e1vel de que a \u201cCasetta\u201d, que ainda n\u00e3o era propriedade salesiana, parecia j\u00e1 inexoravelmente perdida.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas o P. Rua n\u00e3o desistiu e, em 1901, ofereceu-se para restaur\u00e1-la \u00e0s custas dos salesianos, na esperan\u00e7a de obt\u00ea-la mais tarde dos herdeiros de Ant\u00f4nio e Jos\u00e9 Bosco, como aconteceu em 1919 e 1926, respectivamente.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando o trabalho foi conclu\u00eddo, uma placa foi colocada na \u201cCasetta\u201d com a seguinte inscri\u00e7\u00e3o: NESTA HUMILDE CASINHA, AGORA PIEDOSAMENTE restaurada, nasceu o p. Jo\u00e3o Bosco em 16 de agosto de 1815.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em seguida, a inscri\u00e7\u00e3o na casa de Jos\u00e9 tamb\u00e9m foi corrigida da seguinte forma: \u201c<em>Nascido aqui perto em uma casa agora restaurada&#8230; etc.<\/em>\u201d, e a placa foi devidamente substitu\u00edda.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois, quando o centen\u00e1rio do nascimento de Dom Bosco foi celebrado em 1915, o Boletim publicou a foto da \u201cCasetta\u201d, especificando: \u201cE aquela onde nasceu o Vener\u00e1vel Jo\u00e3o Bosco em 16 de agosto de 1815, foi salva da ru\u00edna \u00e0 qual a voracidade do tempo a condenou, com uma restaura\u00e7\u00e3o geral no ano de 1901\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na d\u00e9cada de 1970, as pesquisas de arquivo realizadas pelo Comendador Segundo Caselle convenceu os salesianos de que Dom Bosco havia de fato vivido de 1817 a 1831 naquela \u201cCasetta\u201d, comprada por seu pai, portanto <em>sua casa<\/em>, como ele sempre disse; mas que havia nascido na propriedade Biglione, onde seu pai era agricultor; e viveu a\u00ed com a fam\u00edlia at\u00e9 a morte, em 11 de maio de 1817, no alto da colina onde hoje se encontra o Templo de S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A placa na casa de Jos\u00e9 foi alterada, enquanto a placa na \u201cCasetta\u201d foi substitu\u00edda pela atual inscri\u00e7\u00e3o em m\u00e1rmore: ESTA \u00c9 A MINHA CASA. DOM BOSCO.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Permanece assim inconsistente a opini\u00e3o recentemente expressa de que os Antigos Alunos, em 1889, com as palavras: <em>\u201cNascido perto daqui em uma casa agora demolida\u201d<\/em> n\u00e3o pretendiam falar da Pequena Casa dos Becchi.<br><br><strong>Os nomes de lugares dos Becchi<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A fam\u00edlia Bosco morava em propriedade Biglione quando Jo\u00e3o nasceu?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alguns disseram que \u00e9 permitido duvidar disso, porque \u00e9 quase certo que eles moravam em outra casa de propriedade de Biglione em \u201c<em>Meinito<\/em>\u201d. A prova disso seria o Testamento de Francisco Bosco, redigido pelo not\u00e1rio C. G. Montalenti em 8 de maio. G. Montalenti, em 8 de maio de 1817, onde se l\u00ea: <em>\u201c&#8230; na casa do Senhor Biglione, habitada pelo abaixo-assinado testador na regi\u00e3o do Monastero, no vilarejo de Meinito&#8230;\u201d. <\/em><em>(S. CASELLE, Cascinali e Contadini del Monferrato: i Bosco di Chieri nel secolo XVIII, Roma, LAS, 1975, p. 94)<\/em>.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O que pode ser dito sobre essa opini\u00e3o?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Hoje, \u201c<em>Meinito<\/em>\u201d (ou \u201c<em>Mainito<\/em>\u201d) \u00e9 apenas o local de uma propriedade rural situada ao sul do \u201cColle Don Bosco\u201d, al\u00e9m da estrada provincial que vai de Castelnuovo em dire\u00e7\u00e3o a Capriglio; por\u00e9m, tempos atr\u00e1s indicava um territ\u00f3rio mais extenso, cont\u00edguo \u00e0quele chamado <em>Sbaraneo<\/em> (ou <em>Sbaruau<\/em>). E <em>Sbaraneo<\/em> n\u00e3o era outra coisa sen\u00e3o o vale a leste do \u201cColle\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201c<em>Monastero<\/em>\u201d, portanto, n\u00e3o correspondia apenas \u00e0 atual \u00e1rea arborizada perto de Mainito, mas cobria uma vasta \u00e1rea, de Mainito a Barosca, tanto que a mesma \u201cCasetta\u201d dos Becchi foi registrada em 1817 como <em>\u201cregi\u00e3o de Cavallo, Monastero\u201d (S. CASELLE, o. c., p. 96)<\/em>.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando ainda n\u00e3o havia mapas com lotes numerados, as propriedades e lotes eram identificados com base em nomes de lugares ou <em>top\u00f4nimos<\/em>, derivados de sobrenomes de fam\u00edlias antigas ou caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas e hist\u00f3ricas.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Serviam como pontos de refer\u00eancia, mas n\u00e3o correspondiam ao significado atual de \u201cregi\u00e3o\u201d ou \u201cvilarejo\u201d, exceto de forma muito aproximada, e eram usados com muita liberdade de escolha pelos not\u00e1rios.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O mapa mais antigo de Castelnovese, preservado nos arquivos municipais e gentilmente disponibilizado para n\u00f3s, data de 1742 e \u00e9 chamado de \u201cMapa Napole\u00f4nico\u201d, provavelmente devido ao seu maior uso durante a ocupa\u00e7\u00e3o francesa. Um extrato desse mapa, editado em 1978 com elabora\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica do texto original pelos Senhores Polato e Occhiena, que compararam os documentos do arquivo com os lotes numerados no Mapa Napole\u00f4nico, fornece uma indica\u00e7\u00e3o de todas as terras pertencentes \u00e0 fam\u00edlia Biglione desde 1773 e trabalhadas pela fam\u00edlia Bosco de 1793 a 1817. A partir desse \u201cExtrato\u201d, parece que a fam\u00edlia Biglione n\u00e3o possu\u00eda nenhuma terra ou casa em Mainito. Por outro lado, nenhum outro documento foi encontrado at\u00e9 o momento que prove o contr\u00e1rio.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ent\u00e3o, que significado podem ter as palavras <em>\u201cna casa do Sr. Biglione&#8230; na regi\u00e3o de Monastero, no vilarejo de Meinito\u201d<\/em>?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em primeiro lugar, \u00e9 bom saber que, apenas nove dias depois, o mesmo not\u00e1rio que redigiu o testamento de Francisco Bosco escreveu no invent\u00e1rio de sua heran\u00e7a: \u201c&#8230; na casa do senhor Jacinto Biglione, habitada pelos meninos citados abaixo [filhos de Francisco] na <em>regi\u00e3o de Meinito&#8230;\u201d. (S. CASELLE, o. c., p. 96)<\/em>, promovendo assim Mainito de \u201cvilarejo\u201d para \u201cregi\u00e3o\u201d em apenas alguns dias. Al\u00e9m disso, \u00e9 curioso notar que at\u00e9 a mesma propriedade Biglione, em diferentes documentos, aparece em <em>Sbaconatto<\/em>, em <em>Sbaraneo<\/em> ou <em>Monastero<\/em>, em <em>Castellero<\/em>, e assim por diante.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ent\u00e3o, como podemos entender isso? Levando tudo em conta, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber que \u00e9 sempre a mesma \u00e1rea, o <em>Monastero<\/em>, que em seu centro tinha Sbaconatto e Castellero, a leste o Sbaraneo e ao sul o Mainito. O not\u00e1rio Montalenti escolheu \u201cMeinito\u201d, enquanto outros escolheram \u201cSbaraneo\u201d ou \u201cSbaconatto\u201d ou \u201cCastellero\u201d. Mas o local e a casa eram sempre os mesmos!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sabemos, al\u00e9m disso, que o Sr. e a Sra. Damevino, donos da propriedade Biglione de 1845 a 1929, tamb\u00e9m possu\u00edam outras propriedades, em Scajota e Barosca; mas, como nos asseguram os anci\u00e3os locais, eles nunca tiveram casas em Mainito. No entanto, eles compraram as propriedades que a fam\u00edlia Biglione havia vendido ao Sr. Jos\u00e9 Chiardi em 1818.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; S\u00f3 resta concluir que o documento redigido pelo not\u00e1rio Montalenti em 8 de maio de 1817, mesmo que n\u00e3o contenha erros, refere-se \u00e0 propriedade Biglione propriamente dita, onde Dom Bosco nasceu em 16 de agosto de 1815, onde seu pai morreu em 11 de maio de 1817 e onde foi constru\u00eddo o grandioso Templo de S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco em nossos dias.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A exist\u00eancia, finalmente, de uma casa fict\u00edcia em Biglione, habitada pela fam\u00edlia Bosco em Mainito e depois demolida n\u00e3o se sabe quando, por quem ou por qual motivo antes de 1889, como alguns especularam, n\u00e3o tem (pelo menos at\u00e9 agora) nenhuma evid\u00eancia real a seu favor. Os pr\u00f3prios Antigos Alunos, quando colocaram na placa dos Becchi as palavras <em>\u201cNascido aqui perto&#8230;\u201d<\/em> (veja nosso artigo de janeiro), eles certamente n\u00e3o poderiam estar se referindo a Mainito, que fica a mais de um quil\u00f4metro da casa de Jos\u00e9!<br><br><strong>Propriedades, administradores e meeiros<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Francisco Bosco, administrador da propriedade Biglione, desejando montar seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio, comprou terras e a casa dos Becchi, mas a morte o levou repentinamente em 11 de maio de 1817, antes que pudesse pagar todas as suas d\u00edvidas. Em novembro, sua vi\u00fava, Margarida Occhiena, mudou-se com os filhos e a sogra para a \u201cCasetta\u201d, que havia sido reformada para esse fim. At\u00e9 ent\u00e3o, essa \u201cCasetta\u201d, j\u00e1 contratada por seu marido desde 1815, mas ainda n\u00e3o paga, consistia apenas em <em>\u201cuma crotta e um est\u00e1bulo adjacente, cobertos com telhas, em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es\u201d (S. CASELLE, Cascinali e contadini [&#8230;], p. 96-97)<\/em> e, portanto, inabit\u00e1vel para uma fam\u00edlia de cinco pessoas, com animais e ferramentas. Em fevereiro de 1817, a escritura p\u00fablica de venda havia sido lavrada, mas a d\u00edvida ainda estava pendente. Margarida teve que resolver a situa\u00e7\u00e3o como guardi\u00e3 de Ant\u00f4nio, Jos\u00e9 e Jo\u00e3o Bosco, na \u00e9poca pequenos propriet\u00e1rios nos Becchi.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o era a primeira vez que a fam\u00edlia Bosco passava do status de administradores para o de pequenos propriet\u00e1rios e vice-versa. O falecido Comendador Segundo Caselle nos forneceu ampla documenta\u00e7\u00e3o sobre isso.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O trisav\u00f4 de Dom Bosco, Jo\u00e3o Pedro, antes <em>administrador<\/em> na <em>Cascina Croce di Pane<\/em>, entre Chieri e Andezeno, de propriedade dos Padres Barnabitas, em 1724 tornou-se <em>administrador<\/em> na <em>Cascina de S\u00e3o Silvestre<\/em>, perto de Chieri, pertencente \u00e0 Par\u00f3quia de S\u00e3o Jorge. E que ele morava mesmo na Propriedade de S\u00e3o Silvestre com sua fam\u00edlia est\u00e1 documentado nos \u201cRegistros do Sal\u201d de 1724. Seu sobrinho, Filipe Ant\u00f4nio, \u00f3rf\u00e3o de pai e acolhido pelo filho mais velho de Jo\u00e3o Pedro, Jo\u00e3o Francisco Bosco, foi adotado por um tio-av\u00f4, de quem herdou uma casa, um jardim e 2 hectares de terra em Castelnuovo. Mas, devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica cr\u00edtica em que se encontrava, teve que vender a casa e a maior parte de suas terras e se mudar com a fam\u00edlia para o vilarejo de Morialdo, como <em>administrador<\/em> de <em>Cascina Biglione<\/em>, onde morreu em 1802.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Paulo, seu filho primog\u00eanito, tornou-se assim o chefe da fam\u00edlia e o administrador, conforme registrado no censo de 1804. Mas, alguns anos depois, ele deixou a fazenda para seu meio-irm\u00e3o Francisco e foi se estabelecer em Castelnuovo, ap\u00f3s receber sua parte da heran\u00e7a e realizar a compra e venda. Foi ent\u00e3o que Francisco Bosco, filho de Filipe Ant\u00f4nio e Margarida Zucca, tornou-se <em>administrador de Cascina Biglione<\/em>.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O que se entendia naquela \u00e9poca por \u201ccascina\u201d, \u201cmassaro\u201d e \u201cmeeiro\u201d?<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A palavra \u201ccascina\u201d (em piemont\u00eas: <em>cassin-a<\/em>) indica em si uma casa do colono ou toda a propriedade agr\u00edcola; mas nos lugares de que estamos falando, a \u00eanfase estava na <em>casa<\/em>, ou seja, a constru\u00e7\u00e3o da propriedade usada em parte como moradia e em parte como abrigo para o gado etc. O \u201cmassaro\u201d (em piemont\u00eas: <em>mass\u00e9<\/em>) em si \u00e9 o inquilino da fazenda e dos lotes, enquanto o \u201cmezzadro\u201d (em piemont\u00eas: <em>maso\u00e9<\/em>) \u00e9 apenas o cultivador da terra de um senhor com quem ele compartilha as colheitas. Mas, na pr\u00e1tica, nesses lugares o massaro tamb\u00e9m era meeiro e vice-versa, de modo que a palavra <em>mass\u00e9<\/em> n\u00e3o era muito usada, enquanto <em>maso\u00e9<\/em> geralmente indicava tamb\u00e9m o massaro.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Sr. e a Sra. Damevino, propriet\u00e1rios de Cascina \u201c<em>Bion<\/em>\u201d ou Biglione em Castellero de 1845 a 1929, tamb\u00e9m possu\u00edam outras propriedades, em <em>Scajota<\/em> e <em>Barosca<\/em>, e, como nos garantiu o Sr. Angelo Agagliate, tinham cinco \u201cmassari\u201d ou meeiros, um na priedade Biglione, dois em Scajota e dois em Barosca. Naturalmente, os v\u00e1rios \u201c<em>massari<\/em>\u201d viviam em suas propriedades.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ora, se um agricultor era um \u201cmassaro\u201d, por exemplo, em Cascina Scajota, de propriedade da fam\u00edlia Damevino, ele n\u00e3o era chamado de \u201cmorador na casa Damevino\u201d, mas simplesmente \u201cem Scajota\u201d. Se Francisco Bosco tivesse morado na suposta casa de Biglione em Mainito, n\u00e3o se diria, portanto, que ele morava \u201cna casa do Sr. Biglione\u201d, mesmo que essa casa pertencesse \u00e0 fam\u00edlia Biglione. Se o tabeli\u00e3o escreveu: \u201cNa casa do senhor Biglione, habitada pelo testador abaixo-assinado\u201d, \u00e9 sinal de que Francesco vivia com a fam\u00edlia na propriedade Biglione propriamente dita.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E isso \u00e9 mais uma confirma\u00e7\u00e3o dos artigos anteriores que refutam a hip\u00f3tese do nascimento de Dom Bosco em Mainito <em>\u201cem uma casa agora demolida\u201d<\/em>.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em conclus\u00e3o, n\u00e3o se pode dar import\u00e2ncia exclusiva ao significado literal de certas express\u00f5es, mas deve-se examinar seu verdadeiro significado no uso local da \u00e9poca. Em estudos desse tipo, o trabalho do pesquisador local \u00e9 complementar ao do historiador acad\u00eamico e particularmente importante, porque o primeiro, auxiliado pelo conhecimento detalhado da \u00e1rea, pode fornecer ao segundo o material necess\u00e1rio para suas conclus\u00f5es gerais e evitar interpreta\u00e7\u00f5es err\u00f4neas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No primeiro anivers\u00e1rio da morte de Dom Bosco, seus Antigos Alunos quiseram continuar a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":29748,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":36,"footnotes":""},"categories":[173],"tags":[2561,2577,2215,1875,2226,2228],"class_list":["post-29757","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dom-bosco","tag-carisma-salesiano","tag-dom-bosco","tag-familia","tag-lugares-salesianos","tag-salesianos","tag-santos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29757\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29748"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}