{"id":29519,"date":"2024-07-25T13:25:19","date_gmt":"2024-07-25T13:25:19","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=29519"},"modified":"2024-07-25T13:26:42","modified_gmt":"2024-07-25T13:26:42","slug":"a-enchente-e-a-barcaca-salvadora-1886","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/sonhos-de-dom-bosco\/a-enchente-e-a-barcaca-salvadora-1886\/","title":{"rendered":"A enchente e a barca\u00e7a salvadora (1886)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><em>Ningu\u00e9m pode se salvar da f\u00faria das \u00e1guas em grandes enchentes. Todos precisam de um salvador para lev\u00e1-los em seu barco. Aqueles que n\u00e3o entram no barco correm o risco de serem arrastados pelas \u00e1guas furiosas. Dom Bosco compreendeu um significado mais profundo em seu sonho, o da barca\u00e7a salvadora, e o transmitiu a seus jovens.<br><\/em><\/em><br><br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco ent\u00e3o, diante da multid\u00e3o de seus jovens, segunda-feira \u00e0 noite, primeiro dia do ano, falou:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Parecia-me estar pouco diante de um lugar que, pelo aspecto, se parecia com Castelnuovo d\u2019Asti, mas n\u00e3o era. Todos os jovens do Orat\u00f3rio se recreavam numa imensa pradaria. Eis sen\u00e3o quando, de repente, \u00e1guas s\u00e3o vistas surgir nos limites daquela plan\u00edcie, e nos vimos circundados de todos os lados por uma inunda\u00e7\u00e3o, que aumentava \u00e0 medida que vinha em nossa dire\u00e7\u00e3o. O rio P\u00f3 tinha sa\u00eddo de seu leito, enormes e apavorantes torrentes transbordavam de suas margens.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00f3s, tomados pelo terror, sa\u00edmos correndo em dire\u00e7\u00e3o de um grande moinho isolado, longe de outras habita\u00e7\u00f5es, com grossas paredes, semelhantes \u00e0s de uma fortaleza. Parei no p\u00e1tio no meio de meus caros jovens consternados. Mas as \u00e1guas come\u00e7aram a invadir tamb\u00e9m aquela \u00e1rea; fomos obrigados a nos retirar todos em casa e, depois, subir aos quartos de cima. Das janelas se enxergava a extens\u00e3o do desastre. Das colinas de Superga aos Alpes, em lugar de prados, campos cultivados, hortas, bosques, fazendas, vilarejos, cidades, n\u00e3o se via nada mais do que a superf\u00edcie de um imenso lago. \u00c0 medida que a \u00e1gua crescia, sub\u00edamos de um andar a outro. Tendo perdido toda esperan\u00e7a humana de nos salvar, comecei a encorajar os meus caros, dizendo que se colocassem todos com confian\u00e7a nas m\u00e3os de Deus e nos bra\u00e7os de nossa querida m\u00e3e Maria.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00e1gua j\u00e1 estava quase no n\u00edvel do segundo andar. A\u00ed o susto foi total, e n\u00e3o havia outra forma de fugir a n\u00e3o ser com uma grande barca\u00e7a em forma de navio, que apareceu naquele momento, navegando perto de n\u00f3s. Todos, com respira\u00e7\u00e3o ofegante, queriam ser os primeiros a se refugiar, mas n\u00e3o conseguiam, porque a barca\u00e7a n\u00e3o podia se aproximar da casa por causa de um muro, que emergia um pouco acima das \u00e1guas. S\u00f3 havia um \u00fanico meio para passar; era um tronco fino e comprido de \u00e1rvore. A passagem era dific\u00edlima, pois o tronco acompanhava o balanceio da barca agitada pelas \u00e1guas.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tomei coragem e passei por primeiro, e para facilitar aos jovens o transbordo e tranquiliz\u00e1-los, distribu\u00ed cl\u00e9rigos e padres que, do moinho seguravam um pouco quem sa\u00eda e na barca\u00e7a davam a m\u00e3o a quem chegava. Mas, caso singular! Depois de um pouco desse trabalho, os cl\u00e9rigos e os padres estavam t\u00e3o cansados que, ora aqui, ora ali, ca\u00edam de exaust\u00e3o, e os que os substitu\u00edam tinham o mesmo destino. Maravilhado, tamb\u00e9m eu quis experimentar, e me senti t\u00e3o exausto que n\u00e3o podia mais ficar de p\u00e9.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entrementes, muitos jovens, impacientes, seja por medo da morte seja para mostrar coragem, tendo encontrado um peda\u00e7o de t\u00e1bua bastante comprido e um pouco mais largo do que o tronco de \u00e1rvore, fizeram uma segunda ponte e, sem esperar a ajuda dos cl\u00e9rigos e dos padres, estavam por se jogar precipitadamente, sem dar ouvidos a meus gritos. Eu gritava:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Parem, parem, caso contr\u00e1rio cair\u00e3o!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aconteceu que muitos, ou machucados, ou perdendo equil\u00edbrio, antes de chegar at\u00e9 a barca, ca\u00edram e, tragados por aquelas \u00e1guas sujas e escuras, n\u00e3o foram mais vistos. A fr\u00e1gil ponte tamb\u00e9m afundou com todos os que estavam nela. T\u00e3o grande foi o n\u00famero dos infelizes, que um quarto dos nossos jovens foi v\u00edtima de seu capricho.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu, que at\u00e9 ent\u00e3o tinha segurado firmemente a extremidade do tronco de \u00e1rvore enquanto os jovens subiam, percebendo que a inunda\u00e7\u00e3o ultrapassara o n\u00edvel do obst\u00e1culo provocado pelo muro, achei uma maneira de puxar a barca\u00e7a para o lado do moinho. Aqui estava o P. Cagliero que, com um p\u00e9 no parapeito da janela e outro na beirada da barca, dando-lhes a m\u00e3o e colocando-os a salvo na barca, fez pular os jovens que haviam ficado nos quartos.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nem todos os jovens estavam salvos ainda. Uns quantos tinham subido ao s\u00f3t\u00e3o e da\u00ed para o telhado. Ali estavam agrupados no cume apertando-se uns aos outros, enquanto a inunda\u00e7\u00e3o crescia sem parar um instante, cobrindo j\u00e1 as extremidades e uma parte das beiradas do telhado. Com a \u00e1gua, tamb\u00e9m a barca subira e eu, vendo aqueles pobrezinhos em t\u00e3o horr\u00edvel dificuldade, gritei-lhes que rezassem de cora\u00e7\u00e3o, que permanecessem quietos, que descessem unidos, segurando-se uns aos outros pelos bra\u00e7os para n\u00e3o escorregar. Obedeceram. Com o lado da nave encostada na beirada do telhado, eles tamb\u00e9m, ajudados pelos companheiros, vieram a bordo. Aqui havia grande quantidade de p\u00e3es guardados em muitos cestos.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando estavam todos na barca\u00e7a, incerto ainda de escapar daquele perigo, tomei o comando de capit\u00e3o e disse aos jovens:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Maria \u00e9 a Estrela do Mar. N\u00e3o abandona quem nela confia; coloquemo-nos todos sob seu mando. Ela nos tirar\u00e1 dos perigos e nos guiar\u00e1 a um porto tranquilo.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A\u00ed entregamos a barca aos vagalh\u00f5es, enquanto flutuava maravilhosamente e se movia, afastrando-se daquele lugar (<em>facta est quase navis institoris, de longe portans panem suum <\/em>= \u00e9 parecida com o navio do comerciante, que importa de longe as provis\u00f5es. \u2013 Pr 31,16). O \u00edmpeto das ondas agitadas pelo vento lhe imprimia tamanha velocidade que n\u00f3s, abra\u00e7ados uns aos outros, formamos um s\u00f3 corpo para n\u00e3o cair.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Percorrida muita dist\u00e2ncia em brev\u00edssimo tempo, de repente a barca para e come\u00e7a a girar em volta de si mesma com extraordin\u00e1ria velocidade; parecia afundar. Por\u00e9m, uma golfada violent\u00edssima de vento a tirou do v\u00f3rtice. Tomou, ent\u00e3o, uma velocidade mais regular e, repetindo-se de quando em quando um redemoinho e golpe de vento salvador, foi parar perto de uma margem mais enxuta, bonita e extensa que parecia erguer-se como uma colina no meio daquele mar.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Muitos jovens se encantaram. Dizendo que o Senhor tinha posto o homem na terra e n\u00e3o sobre as \u00e1guas, sem pedir licen\u00e7a, sa\u00edram da barca festejando. Convidando outros a segui-los, desembarcaram naquela colina. Sua alegria durou pouco, pois crescendo de novo as \u00e1guas, devido a um repentino recrudescimento da tempestade, invadiram as fraldas daquela linda colina, e rapidamente soltando gritos desesperadores, aqueles infelizes se viram com a \u00e1gua at\u00e9 \u00e0 cintura. Depois, derrubados pelas ondas, desapareceram. Eu exclamei:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; \u00c9 mesmo verdade que quem faz de pr\u00f3pria cabe\u00e7a para caro.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A barca embalada por aquele turbilh\u00e3o amea\u00e7ava de novo afundar. Vi ent\u00e3o meus jovens de rosto p\u00e1lido e ofegante. Gritei-lhes:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Tenham coragem; Maria n\u00e3o nos abandonar\u00e1. \u2013 Un\u00e2nimes, de cora\u00e7\u00e3o, recitamos os atos de f\u00e9, de esperan\u00e7a, de caridade e de contri\u00e7\u00e3o, alguns <em>Pai Nossos<\/em> e <em>Ave Marias<\/em> e a <em>Salve Rainha<\/em>; ent\u00e3o, ajoelhados, dando-nos as m\u00e3os, recitamos individualmente ora\u00e7\u00f5es particulares. Entretanto, alguns insensatos, indiferentes \u00e0quele perigo, como se nada estivesse acontecendo, levantando-se e vagueando, giravam ora para c\u00e1 e ora para l\u00e1, dando risadas de mofa e gozando do comportamento de s\u00faplica dos companheiros. Eis que a nave para de improviso, gira sobre si mesma com rapidez, e um vento furioso jogou aqueles miser\u00e1veis nas ondas. Eram trinta, e sendo a \u00e1gua profunda e barrenta, assim que ca\u00edram nela, nada mais se viu deles. N\u00f3s entoamos a <em>Salve Rainha<\/em> e, mais do que nunca, invocamos de cora\u00e7\u00e3o a prote\u00e7\u00e3o da Estrela do Mar.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sobreveio a calma. E a nave, como um peixe, continuava a avan\u00e7ar sem que soub\u00e9ssemos para onde nos teria conduzido. A bordo fervia continuamente e de v\u00e1rias maneiras um trabalho de salvamento. Fazia-se de tudo para impedir aos jovens de cair nas \u00e1guas e para salvar os que haviam ca\u00eddo. Pois havia daqueles que, segurando-se incautamente nos baixos parapeitos da barca\u00e7a, ca\u00edam no lago. Havia tamb\u00e9m os prepotentes e cru\u00e9is que chamavam colegas para perto da beirada e com um empurr\u00e3o os atiravam nas \u00e1guas. Por isso v\u00e1rios padres preparavam varas fortes, grossas cordas e anz\u00f3is de diversas esp\u00e9cies. Outros amarravam os anz\u00f3is \u00e0s varas e os distribu\u00edam e estes e \u00e0queles. Outros j\u00e1 estavam em seus lugares com as varas levantadas e, com o olhar fixo sobre as ondas, atentos ao grito de socorro. Mal um jovem ca\u00eda, as varas se abaixavam, o n\u00e1ufrago se agarrava na linha ou, ent\u00e3o, com o anzol era fisgado pela cintura ou pelas roupas e, assim, era trazido a salvo. Entre os encarregados da pesca havia os que atrapalhavam ou impediam os pescadores e aqueles que preparavam ou distribu\u00edam os anz\u00f3is. E os cl\u00e9rigos vigiavam por todos os lados para segurar os jovens que formavam ainda uma multid\u00e3o.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu estava aos p\u00e9s de um estandarte fixado no centro, rodeado por muit\u00edssimos jovens, padres e cl\u00e9rigos que executavam minhas ordens. At\u00e9 o momento que ficaram d\u00f3ceis e obedientes \u00e0s minhas palavras, tudo ia bem, estavam tranquilos, contentes e seguros. N\u00e3o poucos come\u00e7aram a achar inc\u00f4moda a barca\u00e7a, a considerar a viagem muito longa, a se queixar do desconforto e dos perigos da travessia, a apostar a respeito do lugar aonde haver\u00edamos de aportar, a pensar em maneira de procurar outro ref\u00fagio, e se iludir na esperan\u00e7a de que perto haveria terra, onde encontrariam abrigo seguro, a duvidar que cedo faltariam v\u00edveres, a discutir entre si, a recusar obedecer-me. Em v\u00e3o me esfor\u00e7ava com motiva\u00e7\u00f5es para persuadi-los.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E eis outras barca\u00e7as, que se aproximavam parecendo terem dire\u00e7\u00e3o diferente da nossa, e os imprudentes decidiram secundar seus caprichos, afastar-se de mim e fazer seu pr\u00f3prio gosto. Atiraram \u00e0s \u00e1guas algumas mesas que estavam na nossa barca\u00e7a e, tendo visto outras bastante largas que flutuavam n\u00e3o muito afastadas, saltaram nelas e se afastaram atr\u00e1s das barca\u00e7as que haviam aparecido. Foi uma cena indescrit\u00edvel e dolorosa para mim; via aqueles infelizes irem ao encontro da ru\u00edna. O vento soprava, os vagalh\u00f5es se agitavam; alguns afundaram debaixo deles que se levantavam e abaixavam com f\u00faria; outros foram envolvidos pelas espirais dos v\u00f3rtices e arrastados para os abismos; outros bateram em obst\u00e1culos na superf\u00edcie da \u00e1gua e desapareceram de cabe\u00e7a para baixo. Alguns quantos conseguiram subir nas barca\u00e7as que, entretanto, n\u00e3o demoraram a submergir. A noite tornou-se escura e negra. Ao longe se ouviam gritos lancinantes daqueles que pereciam. Todos naufragaram. <em>In mare mundi submergentur omnes illi quos non suscipit navis ista<\/em> (No mar do mundo naufragar\u00e3o todos aqueles que esta nave n\u00e3o acolhe), isto \u00e9, o navio que \u00e9 Maria Sant\u00edssima.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O n\u00famero de meus queridos filhos tinha diminu\u00eddo muito. Apesar disso, o barco entrou numa esp\u00e9cie de estreito apertad\u00edssimo, entre duas margens lamacentas cobertas de arbustos e grandes lascas, pedregulhos, estacas, galhada, pedras quebradas, antenas, remos. Ao redor da barca viam-se tar\u00e2ntulas, sapos, cobras, drag\u00f5es, crocodilos, tubar\u00f5es, v\u00edboras e mil outros animais nojentos. Nos salgueiros chor\u00f5es que pendiam sobre nossa embarca\u00e7\u00e3o, havia gat\u00f5es de corpo estranho que dilaceravam peda\u00e7os de membros humanos. E muitos macacos que, balan\u00e7ando nos galhos, se esfor\u00e7avam para tocar e enroscar-se nos jovens. Mas estes, inclinando-se amedrontados, se esquivavam daquelas ins\u00eddias.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi ali, naquele canal, que revimos com grande surpresa e horror os pobres companheiros perdidos ou que haviam desertado de n\u00f3s. Depois do naufr\u00e1gio tinham sido jogados pelas ondas naquela praia. Os membros de alguns estavam em peda\u00e7os por causa do choque violent\u00edssimo contra os escolhos. Um estava soterrado no p\u00e2ntano e dele s\u00f3 eram vistos os cabelos e metade de um bra\u00e7o. Aqui emergia da lama um dorso, mais adiante, uma cabe\u00e7a; alhures boiava inteiramente vis\u00edvel algum cad\u00e1ver.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De repente ouve-se a voz de um jovem da barca\u00e7a gritando:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Aqui est\u00e1 um monstro que devora as carnes do fulano de tal!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E chama repetidamente pelo nome aquele desgra\u00e7ado, apontando-o com o dedo aos companheiros aterrorizados. Mas outro era o espet\u00e1culo que se apresentava a nossos olhos. N\u00e3o longe se levantava uma gigantesca fornalha; nela se propagava um alto e ardent\u00edssimo fogo. Nela apareciam formas humanas e se viam p\u00e9s, pernas, bra\u00e7os, m\u00e3os, cabe\u00e7as, ora subindo ora descendo entre as chamas, confusamente, da mesma maneira que uma leguminosa na panela quando esta ferve. Observando com aten\u00e7\u00e3o, descobrimos muitos de nossos alunos e ficamos espantados. Acima daquele fogo havia como que uma grande cobertura, na qual estava escrito em grandes caracteres estas palavras: \u2013 O SEXTO E O S\u00c9TIMO CONDUZEM AQUI.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Perto havia um extenso e alto promont\u00f3rio com muit\u00edssimas \u00e1rvores desordenadamente dispostas. A\u00ed se movimentava grande multid\u00e3o de nossos jovens. Haviam ou ca\u00eddo nas ondas ou se afastado durante a viagem. Eu desci \u00e0 terra sem olhar ao perigo. Aproximei-me e vi que estavam os olhos, os ouvidos, os cabelos ou at\u00e9 o cora\u00e7\u00e3o, cheios de insetos e vermes nojentos que os ro\u00edam, causando-lhes enorme dor. Um destes sofria mais do que os outros; queria me aproximar dele, mas ele fugia de mim, escondendo-se atr\u00e1s das \u00e1rvores. Vi outros que, abrindo as vestes por causa da dor, mostravam a pessoa envolta por serpentes; outros tinham v\u00edboras no colo.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mostrei a todos uma fonte que jorrava em grande quantidade \u00e1gua fresca e ferruginosa. Quem nela se lavasse, ficava curado no mesmo instante e podia voltar para a barca\u00e7a. Grande parte daqueles infelizes obedeceu a meu convite; entretanto, alguns recusaram. Eu, ent\u00e3o, deixando de esperar, dirigi-me \u00e0queles que tinham recuperado a sa\u00fade, e que, \u00e0s minhas insist\u00eancias, me seguiram em seguran\u00e7a, pois os monstros tinham se retirado. Apenas embarcados, a barca\u00e7a empurrada pelo vento saiu daquele estreito pelo lado oposto do qual tinha entrado, lan\u00e7ando-se num oceano sem limites.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00f3s, lamentando o triste destino e fim lacrimoso dos nossos companheiros abandonados naquele lugar, come\u00e7amos a cantar: <em>Lodate Maria, o lingue fedeli<\/em> (Louvando Maria o povo fiel&#8230;), em agradecimento \u00e0 grande M\u00e3e do c\u00e9u, por nos haver protegido at\u00e9 ent\u00e3o. No mesmo instante, como se fosse a mando de Maria, a f\u00faria do vento cessou, e a nave come\u00e7ou a deslizar veloz por sobre ondas pl\u00e1cidas, com tanta facilidade que n\u00e3o se pode descrever. Parecia que ela avan\u00e7asse unicamente com o impulso que os jovens lhe davam jogando para tr\u00e1s a \u00e1gua com a palma da m\u00e3o.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E eis que aparece no c\u00e9u o arco-\u00edris, mais maravilhoso e variado que uma aurora boreal. Passando nele lemos, sem entender-lhe o sentido, escrita em grandes caracteres, a palavra MEDOUM. A mim, por\u00e9m, pareceu que cada letra \u00e9 o come\u00e7o destas palavras: <em>Mater Et Domina Omnis Universi Maria<\/em> (M\u00e3e e Senhora de Todo o Universo Maria).<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ap\u00f3s longo trecho de viagem, eis que desponta terra ao longe no horizonte. Aproximando-nos pouco a pouco, sentimos despertar no cora\u00e7\u00e3o uma inexprim\u00edvel alegria. Essa terra, muito amena por causa de pequenos bosques com toda esp\u00e9cie de \u00e1rvores, oferecia a mais encantadora paisagem, porque era iluminada como a claridade da luz do sol nascente por detr\u00e1s das colinas. Era uma luz que brilhava inefavelmente serena, parecida \u00e0 de uma espl\u00eandida tarde de ver\u00e3o, que infundia uma sensa\u00e7\u00e3o de repouso e de paz.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Finalmente tocando contra as areias da praia e arrastando nelas, a barca\u00e7a parou no seco, aos p\u00e9s de um bel\u00edssimo vinhedo. Desta barca\u00e7a se pode muito bem dizer: <em>Eam tu Deus pontem fecisti, quo a mundi fluctibus trajicientes ad tranquillum portum tuum deveniamos<\/em> (\u00d3 Deus, fizeste a ponte pela qual podemos passar sobre as ondas do mundo e chegar tranquilos no porto).<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os jovens estavam desejosos de entrar na vinha, e alguns, mais curiosos do que outros, num pulo estavam na praia. Mas, depois de alguns passos, lembrando do destino infeliz daqueles primeiros que se encantaram com a margem no meio do mar borrascoso, retornaram bem de pressa ao barco.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todos tinham os olhos voltados para mim; a pergunta estava na fronte de cada um:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Dom Bosco, est\u00e1 na hora de descer e parar?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Primeiro refleti um pouco e depois lhes falei: &#8211; Des\u00e7amos, chegou a hora. Agora estamos em seguran\u00e7a!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Houve um grito geral de alegria! Todos, esfregando as m\u00e3os de satisfa\u00e7\u00e3o, entraram no vinhedo arrumado com a maior ordem. Cachos de uva, parecidos com aqueles da terra prometida, pendiam das videiras. Nas \u00e1rvores havia toda esp\u00e9cie de frutas que se possa desejar na bela esta\u00e7\u00e3o, com sabor nunca experimentado. No meio daquela extens\u00edssima vinha, surgia um grande castelo rodeado por encantador e real jardim e por fortes muros.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Encaminhamo-nos para visit\u00e1-lo, sendo-nos concedida entrada franca. Est\u00e1vamos cansados e famintos; numa sala ampla, completamente revestida de ouro, tinha sido preparada para n\u00f3s uma grande mesa com toda qualidade das mais finas comidas, de que pudemos nos servir \u00e0 vontade.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto termin\u00e1vamos de nos alimentar, entrou na sala um nobre rapaz, ricamente vestido, de indescrit\u00edvel beleza. Cumprimentou-nos com cortesia afetuosa e familiar, dizendo nome de todos. Vendo que est\u00e1vamos estupefatos e maravilhados por sua beleza e por tantas coisas que t\u00ednhamos j\u00e1 observado, nos disse: \u2013 Isso n\u00e3o \u00e9 nada; venham e ver\u00e3o. \u2013 Todos n\u00f3s o seguimos e, dos parapeitos das sacadas, nos mostrou os jardins, dizendo que n\u00f3s \u00e9ramos os donos deles para nossos recreios. Conduziu-nos de sala em sala, uma mais magn\u00edfica que a outra pela arquitetura, colunatas e decora\u00e7\u00f5es de todo estilo. Depois, abrindo uma porta que dava a uma capela, convidou-nos a entrar. Por fora a capela parecia pequena, mas assim que passamos os umbrais, pod\u00edamos ver. O piso, as paredes, as arcadas, eram guarnecidas e enriquecidas com admir\u00e1veis trabalhos em m\u00e1rmore, prata, ouro e pedras preciosas, que, eu ext\u00e1tico, exclamei: \u2013 Mas isto \u00e9 beleza de para\u00edso; fa\u00e7o qualquer coisa para ficar aqui para sempre!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No meio do grande templo, sobre rica base levantava-se uma grande magn\u00edfica est\u00e1tua representando Maria Auxiliadora. Chamei muitos jovens que haviam se espalhado aqui e acol\u00e1, para contemplar a beleza do magn\u00edfico edif\u00edcio sagrado. A multid\u00e3o toda se colocou diante daquela est\u00e1tua para agradecer \u00e0 Virgem Celeste pelos muitos favores que nos concedeu. Nesse instante tomei consci\u00eancia da imensid\u00e3o daquela igreja, pois todos os milhares de jovens pareciam um grupo pequeno ocupando o centro.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto os jovens estavam contemplando aquela est\u00e1tua que tinha fisionomia suave, verdadeiramente celestial, de repente ela parece movimentar-se e sorrir. E eis que acontece um murm\u00fario, um estremecimento na multid\u00e3o. Exclamaram alguns: \u2013 Nossa Senhora movimenta os olhos! \u2013 De fato, Maria Sant\u00edssima mexia com inef\u00e1vel bondade os seus olhos maternos sobre os jovens. Pouco depois um segundo grito geral: \u2013 Nossa Senhora mexe as m\u00e3os. \u2013 De fato, abrindo lentamente os bra\u00e7os, ela levantava o manto, como para acolher a todos debaixo dele. Em nossas faces corriam l\u00e1grimas pela emo\u00e7\u00e3o. Alguns disseram: \u2013 Nossa Senhora mexe os l\u00e1bios! \u2013 Houve um sil\u00eancio profundo; e Nossa Senhora abriu a boca, dizendo com voz argentina e suav\u00edssima:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; SE VOC\u00caS FOREM FILHOS DEVOTOS PARA MIM, EU SEREI M\u00c3E PIEDOSA PARA VOC\u00caS!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A estas palavras todos ca\u00edmos de joelhos e entoamos o canto: <em>Lodate Maria, o lingue fedeli<\/em>.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta harmonia era t\u00e3o forte, t\u00e3o suave que, vencido por ela, eu acordei. Assim acabou a vis\u00e3o.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco conclu\u00eda:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vejam, meus caros filhos! Neste sonho podemos reconhecer o mar borrascoso deste mundo. Se voc\u00eas forem d\u00f3ceis e obedientes \u00e0s minhas palavras e n\u00e3o derem corda aos maus conselheiros, depois de se terem esfor\u00e7ado para fazer o bem e fugir do mal, vencidas todas as nossas m\u00e1s tend\u00eancias, chegaremos, no fim de nossa vida, a uma praia segura. Ent\u00e3o vir\u00e1 ao nosso encontro, enviado pela Sant\u00edssima Nossa Senhora, aquele que, em nome de nosso bom Deus, nos introduzir\u00e1 no seu jardim real, isto \u00e9, no Para\u00edso, na sua amabil\u00edssima presen\u00e7a para nos confortar de nossos esfor\u00e7os. Mas se fizerem o contr\u00e1rio daquilo que eu lhes ensino, satisfazendo os pr\u00f3prios caprichos e n\u00e3o dando aten\u00e7\u00e3o aos meus conselhos, naufragar\u00e3o miseravelmente.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em diversas ocasi\u00f5es, em particular, Dom Bosco dava alguma explica\u00e7\u00e3o detalhada deste sonho, que se refere n\u00e3o s\u00f3 ao Orat\u00f3rio, mas tamb\u00e9m \u00e0 Pia Sociedade.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cO prado \u00e9 o mundo; a \u00e1gua que amea\u00e7ava nos afogar s\u00e3o os perigos do mundo. A inunda\u00e7\u00e3o, t\u00e3o terrivelmente extensa, os v\u00edcios, e as afirma\u00e7\u00f5es irreligiosas s\u00e3o as persegui\u00e7\u00f5es contra os bons. \u2013 O moinho, quer dizer um lugar isolado e tranquilo, mas ainda amea\u00e7ado, \u00e9 a casa do p\u00e3o, a Igreja Cat\u00f3lica. \u2013 Os cestos de p\u00e3o, a Sant\u00edssima Eucaristia que serve de Vi\u00e1tico aos navegantes. \u2013 A barca\u00e7a \u00e9 o Orat\u00f3rio. \u2013 O tronco de \u00e1rvore, que d\u00e1 passagem do moinho \u00e0 barca, \u00e9 a cruz, ou seja, o sacrif\u00edcio de si mesmo a Deus por meio da mortifica\u00e7\u00e3o crist\u00e3. \u2013 A t\u00e1bua, colocada pelos jovens como ponto mais c\u00f4modo para entrar no barco, significa a transgress\u00e3o do regulamento. Muitos entram com finalidades estranhas e baixas: fazer carreira, lucro, honrarias, comodidades, mudan\u00e7a de condi\u00e7\u00f5es e de estado; estes s\u00e3o os que n\u00e3o rezam e debocham da piedade dos outros. \u2013 Os sacerdotes e os cl\u00e9rigos simbolizam a obedi\u00eancia e indicam os prod\u00edgios de salva\u00e7\u00e3o que conseguem realizar. \u2013 Os v\u00f3rtices s\u00e3o as diversas e tremendas persegui\u00e7\u00f5es que surgiram e surgir\u00e3o. \u2013 A ilha submersa, os desobedientes que n\u00e3o querem permanecer na barca e voltam para o mundo desprezando a voca\u00e7\u00e3o. \u2013 O mesmo seja dito dos que procuram ref\u00fagio em outras barcas. \u2013 Muitos dos que tinham ca\u00eddo na \u00e1gua estendiam a m\u00e3o aos que estavam na barca e, ajudados pelos companheiros, voltavam. Eram os que tinham boa vontade, e que, tendo comedito pecado, se colocavam novamente na gra\u00e7a de Deus por meio da penit\u00eancia. \u2013 O estreito, os gat\u00f5es, os macacos e demais monstros, s\u00e3o as revoltas, as ocasi\u00f5es e as sedu\u00e7\u00f5es para a culpa etc. \u2013 Os insetos nos olhos, na l\u00edngua, no cora\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os maus olhares, as conversas obscenas, os afetos desordenados. \u2013 A fonte de \u00e1gua ferruginosa, com o poder de matar todos os insetos e de curar no mesmo instante, s\u00e3o os Sacramentos da Confiss\u00e3o e da Comunh\u00e3o. \u2013 A lama e o fogo s\u00e3o lugar de pecados e de condena\u00e7\u00e3o. Conv\u00e9m observar, contudo: isso n\u00e3o quer dizer que todos aqueles que ca\u00edram na lama e nunca mais foram vistos, e todos os que eram devorados pelas chamas devem se perder no inferno. N\u00e3o! Deus nos livre de afirmar isso. Mas quer significar que ainda estavam sem a gra\u00e7a de Deus; se tivessem morrido naquele momento estariam eternamente perdidos. \u2013 A ilha feliz e o templo s\u00e3o a Sociedade Salesiana, firme e triunfante. E o maravilhoso mo\u00e7o que acolhe os jovens, conduzindo-os a visitar o pal\u00e1cio e o templo, parece ser um aluno falecido que j\u00e1 est\u00e1 na posse do Para\u00edso. Talvez Domingos S\u00e1vio. (MBp VIII, 303-312)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m pode se salvar da f\u00faria das \u00e1guas em grandes enchentes. 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