{"id":28982,"date":"2024-06-21T07:46:54","date_gmt":"2024-06-21T07:46:54","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=28982"},"modified":"2026-03-26T07:53:04","modified_gmt":"2026-03-26T07:53:04","slug":"o-caminho-educativo-de-dom-bosco-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/reflexoes\/o-caminho-educativo-de-dom-bosco-2-2\/","title":{"rendered":"O caminho educativo de Dom Bosco (2\/2)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><a href=\"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/reflexoes\/o-caminho-educativo-de-dom-bosco-1-2\/\">(continua\u00e7\u00e3o do artigo anterior)<\/a><\/em><br><br><strong><strong>O mercado dos bra\u00e7os jovens<br><\/strong><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00e9poca hist\u00f3rica em que Dom Bosco viveu n\u00e3o era das mais felizes. Nos bairros de Turim, o santo educador descobriu um verdadeiro \u201cmercado de bra\u00e7os jovens\u201d: a cidade estava se tornando cada vez mais cheia de menores explorados de forma desumana.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O pr\u00f3prio Dom Bosco se lembra de que os primeiros meninos de quem se aproximou foram \u201c<em>entalhadores, pedreiros, estucadores, pavimentadores, quebradores de pedras e outros, que vinham de vilarejos distantes<\/em>\u201d. Eles trabalhavam em toda parte, indefesos, desprotegidos por qualquer lei. Eram \u201c<em>vendedores ambulantes, vendedores de f\u00f3sforos, engraxates, limpadores de chamin\u00e9s, cavalari\u00e7os, distribuidores de jornais, prestadores de servi\u00e7os dos negociantes no mercado, todos garotos pobres que sobreviviam a cada dia<\/em>\u201d. Ele os via subindo em andaimes de pedreiros, procurando emprego de gar\u00e7om nas lojas, vagando por a\u00ed se oferecendo como limpadores de chamin\u00e9s. Ele os via jogando a dinheiro nas esquinas: se tentasse se aproximar deles, eles se afastavam, desconfiados e desdenhosos. N\u00e3o eram os meninos dos Becchi, que procuravam hist\u00f3rias ou truques de m\u00e1gica. Eles eram os \u201c<em>lobos<\/em>\u201d de seus sonhos; eram os primeiros efeitos de uma revolu\u00e7\u00e3o que desorganizaria o mundo, <em>a revolu\u00e7\u00e3o industrial<\/em>.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Chegavam \u00e0 cidade \u00e0s centenas, vindos de pequenas vilarejos, em busca de trabalho. N\u00e3o encontravam nada al\u00e9m de lugares esqu\u00e1lidos, nos quais toda a fam\u00edlia ficava amontoada, sem ar, sem luz, f\u00e9tidos pela umidade e pelos esgotos. Nas f\u00e1bricas e oficinas, nenhuma medida higi\u00eanica, nenhuma regulamenta\u00e7\u00e3o, exceto aquelas impostas pelo patr\u00e3o.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fugir da pobreza do campo para a cidade tamb\u00e9m significava aceitar sal\u00e1rios baixos ou adaptar-se a um padr\u00e3o de vida arriscado para ter algo a ganhar. Foi somente em 1886 que surgiu uma primeira lei, gra\u00e7as tamb\u00e9m ao zelo do padre dos artes\u00e3os, que de alguma forma regulamentou o trabalho infantil. Nos canteiros de obras em constru\u00e7\u00e3o, Dom Bosco via \u201c<em>crian\u00e7as de oito a doze anos, longe de suas aldeias, servindo aos pedreiros, passando os dias subindo e descendo as passagens inseguras, ao sol, ao vento, subindo as escadas \u00edngremes carregados de cal, de tijolos, sem outra ajuda educativa a n\u00e3o ser rudes xingamentos ou surras<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco faz rapidamente as contas. Esses meninos precisam de uma escola e de um trabalho que lhes abra um futuro mais seguro: precisam ser meninos antes de tudo, para viver a exuber\u00e2ncia de sua idade, sem \u201cmurchar\u201d nas cal\u00e7adas e sem lotar as pris\u00f5es. A realidade social de nosso tempo parece fazer eco \u00e0 de ontem: outras imigra\u00e7\u00f5es, outros rostos batem como um rio em inunda\u00e7\u00e3o \u00e0s portas de nossas consci\u00eancias.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco foi um educador dotado de intui\u00e7\u00e3o, senso pr\u00e1tico, relutante em rela\u00e7\u00e3o a solu\u00e7\u00f5es de escrit\u00f3rio, metodologias abstrusas e projetos abstratos. A p\u00e1gina educativa \u00e9 escrita pelo santo com sua vida, antes de sua pena. \u00c9 a maneira mais convincente de dar credibilidade a um sistema educacional. Para lidar com a injusti\u00e7a, com a explora\u00e7\u00e3o moral e material dos menores, ele cria escolas, organiza oficinas de artesanato de todos os tipos, inventa e promove iniciativas contratuais para proteger as crian\u00e7as, estimula as consci\u00eancias com propostas qualificadas de forma\u00e7\u00e3o para o trabalho. Respondeu \u00e0 pol\u00edtica palaciana vazia e \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es instrumentais de rua com estruturas de acolhimento eficientes, servi\u00e7os sociais inovadores, objeto de estima e admira\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo dos mais fervorosos anticlericais da \u00e9poca. E a hist\u00f3ria de hoje n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente da de ontem; al\u00e9m disso, a hist\u00f3ria usa a roupa que seus alfaiates fazem com suas pr\u00f3prias m\u00e3os e ideias.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco acreditou no menino, apostou nas suas capacidades, fossem elas poucas ou muitas, vis\u00edveis ou ocultas. Amigo de tantos meninos de rua, ele soube ler o potencial oculto de bondade em seus cora\u00e7\u00f5es. Era capaz de se aprofundar na vida de cada um deles e extrair recursos preciosos para adaptar a roupa \u00e0 medida da dignidade de seus jovens amigos. Uma pedagogia que n\u00e3o toca a ess\u00eancia da pessoa e n\u00e3o sabe combinar os valores eternos de cada criatura, fora de toda l\u00f3gica hist\u00f3rica e cultural, corre o risco de intervir em pessoas abstratas ou apenas na superf\u00edcie.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O impacto no territ\u00f3rio de seu tempo foi determinante. Ele olhou ao redor, em todos os lugares: viu e criou o imposs\u00edvel para realizar suas santas utopias. Entrou em contato com as realidades extremas do desvio juvenil. Entrou nas pris\u00f5es: foi capaz de olhar para dentro desse flagelo com coragem e esp\u00edrito sacerdotal. Foi essa experi\u00eancia que o marcou profundamente. Ele se aproximou dos males da cidade com uma participa\u00e7\u00e3o viva e comovida: ele estava ciente da exist\u00eancia de tantos jovens esperando por algu\u00e9m que cuidasse deles. Viu com o cora\u00e7\u00e3o e a mente seus traumas humanos, at\u00e9 chorou, mas n\u00e3o parou nas grades; conseguiu gritar com a for\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o, para aqueles que conheceu, que a pris\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o lar a ser recebido como um presente da vida, mas que h\u00e1 outra maneira de viver a vida. Ele gritou isso com escolhas concretas para as vozes que vinham das celas insalubres e com gestos de proximidade para a multid\u00e3o de meninos espalhados pelas ruas, cegos pela ignor\u00e2ncia e congelados pela indiferen\u00e7a das pessoas. Foi o est\u00edmulo de uma vida inteira: evitar que tantos acabassem atr\u00e1s das grades ou pendurados na forca. N\u00e3o \u00e9 sequer conceb\u00edvel que seu Sistema Preventivo n\u00e3o tenha rela\u00e7\u00e3o com essa amarga e chocante experi\u00eancia juvenil. Mesmo que quisesse, ele jamais poderia ter esquecido aquela \u00faltima noite passada ao lado de um jovem condenado \u00e0 forca, ou a escolta de homens condenados \u00e0 morte e o desmaio diante da forca. Como \u00e9 poss\u00edvel que seu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o tivesse uma rea\u00e7\u00e3o quando passou entre as pessoas, talvez satisfeita, talvez com pena, e viu uma vida jovem ser apagada pela l\u00f3gica humana, que acerta as contas com aqueles que acabaram em um buraco e n\u00e3o se abaixaram para estender a m\u00e3o para tir\u00e1-los de l\u00e1? O campon\u00eas dos Becchi, com um cora\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande quanto a areia do mar, tinha sempre uma m\u00e3o estendida para os jovens pobres e abandonados.<br><br><strong>Preciosa heran\u00e7a<br><\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todo homem deixa sempre um rastro de sua passagem pela terra. Dom Bosco deixou na hist\u00f3ria a encarna\u00e7\u00e3o de um m\u00e9todo educativo que \u00e9 tamb\u00e9m uma espiritualidade, fruto de uma sabedoria educativa vivida na labuta cotidiana, ao lado dos jovens. Muito se escreveu sobre essa preciosa heran\u00e7a!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O campo educacional de hoje \u00e9 mais complexo do que nunca, porque se move em um tecido cultural desarticulado. H\u00e1 um pluralismo metodol\u00f3gico muito grande de interven\u00e7\u00f5es operacionais, tanto em n\u00edvel social como pol\u00edtico.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O educador se depara com situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de decifrar e muitas vezes contradit\u00f3rias, com modelos que ora s\u00e3o permissivos, ora autorit\u00e1rios. O que fazer ent\u00e3o? Ai do educador inseguro, preso pela d\u00favida! Quem educa n\u00e3o pode viver indeciso e perplexo, oscilando entre \u201ceste ou aquele caminho\u201d. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil educar em uma sociedade fragmentada. Com uma grande classe de pessoas marginalizadas, divididas em tantos fragmentos, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil lan\u00e7ar luz; prevalece o subjetivo, o interesse e a aten\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio \u201ceu\u201d, ao interesse pr\u00f3prio, a tend\u00eancia a se refugiar em ideais ef\u00eameros e transit\u00f3rios. Dos anos em que prevalecia a tend\u00eancia ao protagonismo, passamos \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o ou ao desinteresse pela vida p\u00fablica, pela pol\u00edtica: pouca participa\u00e7\u00e3o, pouca vontade de envolvimento.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Al\u00e9m da aus\u00eancia de um centro propositivo de pontos de refer\u00eancia est\u00e1veis, acrescenta-se a aus\u00eancia de um fundamento de certezas que d\u00ea aos jovens a vontade de viver e o amor pelo servi\u00e7o aos outros.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E, no entanto, nesse mundo de hegemonias provis\u00f3rias, sem uma cultura unit\u00e1ria, com elementos heterog\u00eaneos e isolados, surgem novas necessidades: uma melhor qualidade da vida, rela\u00e7\u00f5es humanas mais construtivas, a afirma\u00e7\u00e3o de uma solidariedade centrada no voluntariado. Surgem necessidades de novos espa\u00e7os abertos para o di\u00e1logo e o encontro: os jovens decidem como, onde e o que dizer uns aos outros.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na era da bio\u00e9tica, do controle remoto, da busca por coisas belas e simples da terra, procura-se uma nova face da pedagogia. \u00c9 a pedagogia que se reveste de acolhimento, de disponibilidade, de esp\u00edrito de fam\u00edlia, que gera confian\u00e7a, alegria, otimismo, simpatia, que abre horizontes propositivos de esperan\u00e7a, que busca os meios e as formas de trabalhar a novidade da vida. \u00c9 a pedagogia do cora\u00e7\u00e3o humano, a heran\u00e7a mais preciosa que Dom Bosco deixou para a sociedade.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sobre esse tecido, aberto e sens\u00edvel \u00e0 preven\u00e7\u00e3o, deve-se construir, com coragem e vontade, um futuro melhor para as crian\u00e7as <em>perturbadas<\/em> de hoje. \u00c9 sempre poss\u00edvel tornar presente a interven\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de Dom Bosco, porque ela se fundamenta na ess\u00eancia natural de cada ser humano. S\u00e3o os crit\u00e9rios da raz\u00e3o, da religi\u00e3o e da bondade (\u201c<em>amorevolezza<\/em>\u201d): o trin\u00f4mio sobre o qual tantos jovens foram formados \u201c<em>como honestos cidad\u00e3os e bons crist\u00e3os<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Repetimos: n\u00e3o se trata de um m\u00e9todo de estudo, mas de um estilo de vida, a ades\u00e3o a um esp\u00edrito que inclui valores nascidos e amadurecidos com o homem, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do Criador. A extraordin\u00e1ria predile\u00e7\u00e3o pelos jovens, o profundo respeito por sua pessoa e por sua liberdade, a preocupa\u00e7\u00e3o de combinar as necessidades materiais com as do esp\u00edrito, a paci\u00eancia de viver os ritmos do crescimento ou da mudan\u00e7a do menino como sujeito ativo e n\u00e3o passivo, de todo processo educativo, s\u00e3o a s\u00edntese dessa \u201cpreciosa heran\u00e7a\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E h\u00e1 outro aspecto. H\u00e1 uma conta aberta com a sociedade: os jovens do futuro exigem um Dom Bosco \u201c<em>universal<\/em>\u201d, al\u00e9m das margens de sua fam\u00edlia apost\u00f3lica. Quantos de nossos jovens nunca ouviram falar de Dom Bosco!<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 urgente relan\u00e7ar a sua mensagem, que continua viva: se n\u00e3o levarmos em conta esse processo natural de reatualiza\u00e7\u00e3o, corremos o risco de matar tamb\u00e9m os sinais positivos presentes na cultura atual que, mesmo com sensibilidades diferentes e objetivos e motiva\u00e7\u00f5es opostos, tem no cora\u00e7\u00e3o a promo\u00e7\u00e3o humana do jovem.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A pedagogia de Dom Bosco, antes de ser traduzida em documentos de reflex\u00e3o, em escritos sistem\u00e1ticos, assumiu o rosto de muitos jovens que ele educou. Cada p\u00e1gina de seu sistema educativo tem um nome, um fato, uma conquista, talvez at\u00e9 um fracasso. O segredo de sua santidade? Os jovens! \u201c<em>Por v\u00f3s estudo, por v\u00f3s trabalho, por v\u00f3s estou disposto a dar a minha vida<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aos jovens sem amor, Dom Bosco devolveu o amor. Aos jovens sem fam\u00edlia, porque n\u00e3o existia ou estava f\u00edsica e espiritualmente distante deles, Dom Bosco procurou construir ou reconstruir o ambiente e o clima da fam\u00edlia. Homem dotado de uma profunda vontade de melhorar por meio de mudan\u00e7as cont\u00ednuas, Dom Bosco se deixava guiar pela certeza de que todos os jovens, na pr\u00e1tica, poderiam se tornar melhores. A semente da bondade, a possibilidade de sucesso estava em cada jovem; era preciso apenas encontrar o caminho: \u201c<em>Ele levou a s\u00e9rio o destino de milhares de pequenos vagabundos, ladr\u00f5ezinhos por causa do abandono ou da mis\u00e9ria, meninos e meninas famintos e sem teto<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aqueles que a sociedade colocava \u00e0 margem, para Dom Bosco estavam em primeiro lugar; eram o objeto de sua f\u00e9. Os jovens rejeitados pela sociedade representavam at\u00e9 mesmo a sua gl\u00f3ria; era o desafio num momento hist\u00f3rico no qual as aten\u00e7\u00f5es e os cuidados educativos por parte da sociedade e de organismos eram dirigidas aos jovens bem comportados; ali\u00e1s quase exclusivamente para estes, por quanto poss\u00edvel.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco percebeu a for\u00e7a do amor do educador. Ele n\u00e3o estava nem um pouco preocupado em se adaptar e se conformar com os sistemas, m\u00e9todos e conceitos pedag\u00f3gicos em uso em sua \u00e9poca. Ele era um inimigo declarado de uma educa\u00e7\u00e3o que enfatizava a autoridade acima de tudo, que pregava uma rela\u00e7\u00e3o fria e distante entre educadores e alunos. A viol\u00eancia punia momentaneamente o v\u00edcio, mas n\u00e3o curava o viciado. Por isso, ele n\u00e3o aceitava e nunca permitiu puni\u00e7\u00f5es \u201cexemplares\u201d, que supostamente teriam um efeito preventivo, instilando medo, ansiedade e ang\u00fastia.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ele entendia que nenhuma educa\u00e7\u00e3o era poss\u00edvel sem conquistar o cora\u00e7\u00e3o do jovem; seu m\u00e9todo educativo era aquele que levava ao consentimento, \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do jovem. Ele estava convencido de que nenhum esfor\u00e7o pedag\u00f3gico daria frutos se n\u00e3o encontrasse seu fundamento em toda a disposi\u00e7\u00e3o da escuta.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 uma caracter\u00edstica que diz respeito \u00e0 esfera em que a educa\u00e7\u00e3o acontece e que \u00e9 t\u00edpica da pedagogia de Dom Bosco: a cria\u00e7\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o de uma \u201calegria\u201d, pela qual cada dia se torna uma festa. Era uma alegria que s\u00f3 existe, e n\u00e3o poderia ser de outra forma, em virtude da atividade criativa, que exclui todo t\u00e9dio, toda sensa\u00e7\u00e3o de cansa\u00e7o por n\u00e3o saber como ocupar o tempo. Nesse campo, Dom Bosco possu\u00eda uma inventividade e uma habilidade que lhe permitiam, com extraordin\u00e1ria capacidade, n\u00e3o s\u00f3 entreter, mas atrair os jovens para si por meio de jogos, recita\u00e7\u00f5es, cantos, passeios: a esfera da alegria representava uma passagem obrigat\u00f3ria para a sua pedagogia.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os jovens, \u00e9 claro, precisam descobrir onde est\u00e3o seus erros e, para isso, precisam da ajuda do educador, inclusive por meio da reprova\u00e7\u00e3o; mas n\u00e3o precisa ser acompanhada pela viol\u00eancia. A desaprova\u00e7\u00e3o \u00e9 um apelo \u00e0 consci\u00eancia. O educador deve ser o guia para os valores, n\u00e3o para sua pr\u00f3pria pessoa. Na interven\u00e7\u00e3o educativa, um v\u00ednculo excessivamente forte do aluno com a pessoa do educador pode amea\u00e7ar o efeito favor\u00e1vel da atividade educativa do educador; um mito, gerado pela emotividade, pode facilmente surgir a ponto de tornar um ideal absolutizado e absolutizante. Os jovens n\u00e3o devem estar dispostos a fazer nossa vontade: eles devem aprender a fazer o que \u00e9 certo e significativo para seu crescimento humano e existencial. O educador trabalha para o futuro, mas n\u00e3o pode trabalhar sobre o futuro; deve aceitar, portanto, estar continuamente exposto \u00e0 revis\u00e3o de seu trabalho, de suas metodologias e, sobretudo, deve estar continuamente preocupado em descobrir cada vez mais profundamente a realidade do educando, a fim de intervir no momento oportuno.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dom Bosco costumava dizer: \u201c<em>N\u00e3o basta que o primeiro c\u00edrculo, que \u00e9 a fam\u00edlia, seja saud\u00e1vel; \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m que o segundo c\u00edrculo, inevit\u00e1vel, que \u00e9 formado pelos amigos da crian\u00e7a, seja saud\u00e1vel. Comecem dizendo a ele que h\u00e1 uma grande diferen\u00e7a entre companheiros e amigos. Ele n\u00e3o pode escolher os companheiros; ele os encontra na carteira da escola, no local de trabalho ou em reuni\u00f5es. Por outro lado, ele pode e deve escolher os amigos&#8230; N\u00e3o obstaculizem a vivacidade natural da crian\u00e7a e n\u00e3o a chamem de m\u00e1 porque ela n\u00e3o fica quieta<\/em>\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas isso n\u00e3o \u00e9 suficiente; a brincadeira e o movimento podem ocupar uma boa parte, mas n\u00e3o toda a vida da crian\u00e7a. O cora\u00e7\u00e3o precisa de seu pr\u00f3prio alimento, precisa amar.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u201cUm dia, depois de uma s\u00e9rie de considera\u00e7\u00f5es sobre Dom Bosco, convidei os meninos de nosso centro a expressar com um desenho, com uma palavra, com um gesto, a imagem que tinham feito do Santo.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Alguns reproduziram a figura do padre rodeado de meninos. Outro desenhou uma grade: do lado de dentro foi desenhado o rosto de um menino, enquanto do lado de fora uma m\u00e3o tentava for\u00e7ar um ferrolho. Outro, depois de um longo sil\u00eancio, esbo\u00e7ou duas m\u00e3os se apertando. Um terceiro desenhou cora\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias formas e, no centro, um meio busto de Dom Bosco, com muitas e muitas m\u00e3os tocando esses cora\u00e7\u00f5es. Um \u00faltimo escreveu uma \u00fanica palavra: pai! A maioria desses meninos n\u00e3o conhece Dom Bosco\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u201cH\u00e1 muito tempo eu sonhava em acompanh\u00e1-los a Turim: as circunst\u00e2ncias nem sempre foram favor\u00e1veis para n\u00f3s. E depois de v\u00e1rias tentativas sem sucesso, conseguimos reunir um grupo de oito rapazes, todos com condena\u00e7\u00f5es criminais. Dois rapazes tiveram permiss\u00e3o para sair da pris\u00e3o por quatro dias, tr\u00eas estavam em pris\u00e3o domiciliar e os outros estavam sujeitos a v\u00e1rias prescri\u00e7\u00f5es.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu gostaria de ter uma caneta de artista para descrever as emo\u00e7\u00f5es que lia em seus olhos enquanto ouviam a hist\u00f3ria de seus colegas ajudados por Dom Bosco. Eles andavam por aqueles lugares aben\u00e7oados como se estivessem revivendo suas hist\u00f3rias. No quartinho do Santo, eles acompanharam a Santa Missa com um recolhimento comovente. Eu os revejo cansados, encostando a cabe\u00e7a na urna de Dom Bosco, olhando para seu corpo, sussurrando ora\u00e7\u00f5es. O que eles disseram, o que Dom Bosco disse \u00e0queles rapazes, eu nunca saberei. Com eles, desfrutei a alegria de minha pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em Dom Bosco encontramos a suprema sabedoria de se concentrar na vida concreta de cada menino ou jovem que encontrava: a vida deles se tornava a sua vida, os sofrimentos deles se tornavam os seus sofrimentos. Ele n\u00e3o descansava enquanto n\u00e3o os tivesse ajudado. Os meninos que entravam em contato com Dom Bosco sentiam-se seus amigos, sentiam que ele estava ao lado deles, percebiam sua presen\u00e7a, saboreavam seu afeto. Isso os deixava seguros, menos sozinhos: para aqueles que vivem \u00e0 margem, esse \u00e9 o maior apoio que podem receber.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em um manual da escola prim\u00e1ria, amarelado e desgastado pelos anos, li algumas frases, escritas com tinta, no final da hist\u00f3ria do malabarista dos Becchi. Quem as escreveu foi a primeira vez que ouviu falar de Jo\u00e3o Bosco: \u201c<em>Somente Deus, sua Palavra, \u00e9 a regra imortal e o guia para nosso comportamento e nossas a\u00e7\u00f5es. Deus est\u00e1 presente apesar das guerras. A terra, apesar do \u00f3dio, continua a nos dar p\u00e3o para viver<\/em>\u201d.<br><br><br><em>P. Alfonso Alfano, sdb<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(continua\u00e7\u00e3o do artigo anterior) O mercado dos bra\u00e7os jovens\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00e9poca hist\u00f3rica em que Dom&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":28961,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":18,"footnotes":""},"categories":[471],"tags":[2561,2577,2579,1947,1815,2227,2619],"class_list":["post-28982","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reflexoes","tag-carisma-salesiano","tag-dom-bosco","tag-educacao","tag-jovens","tag-juventude","tag-salvacao","tag-testemunhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28982","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28982"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28982\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51627,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28982\/revisions\/51627"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28961"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}