{"id":28413,"date":"2024-05-20T07:25:15","date_gmt":"2024-05-20T07:25:15","guid":{"rendered":"https:\/\/exciting-knuth.178-32-140-152.plesk.page\/?p=28413"},"modified":"2024-05-20T07:26:31","modified_gmt":"2024-05-20T07:26:31","slug":"encontro-com-vera-grita-de-jesus-serva-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/nossos-santos\/encontro-com-vera-grita-de-jesus-serva-de-deus\/","title":{"rendered":"Encontro com Vera Grita de Jesus, Serva de Deus"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><em>Vera Grita, junto com Alexandrina Maria da Costa (de Balazar), ambas Salesianas Cooperadoras, s\u00e3o duas testemunhas privilegiadas de Jesus presente na Eucaristia. Elas s\u00e3o um dom da Provid\u00eancia para a Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana e para a Igreja, lembrando-nos as \u00faltimas palavras do Evangelho de Mateus: \u201cEu estarei sempre com voc\u00eas, at\u00e9 o fim dos tempos\u201d.<br><\/em><\/em><br><br><strong>O convite a um encontro<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos \u00faltimos anos, entre as figuras de santidade da Fam\u00edlia Salesiana, foi inclu\u00edda Vera Grita (1923-1969), leiga, consagrada com votos privados, Salesiana Cooperadora, m\u00edstica. Vera \u00e9 agora Serva de Deus (conclu\u00edda a fase diocesana e em andamento a fase romana da Causa) e a sua import\u00e2ncia para n\u00f3s deriva essencialmente de dois motivos: como Cooperadora, pertence carismaticamente \u00e0 grande Fam\u00edlia de Dom Bosco e podemos senti-la \u201cirm\u00e3\u201d; como m\u00edstica, o Senhor Jesus lhe \u201cditou\u201d a Obra dos Tabern\u00e1culos Vivos (Obra eucar\u00edstica de amplo alcance eclesial) que, por vontade do C\u00e9u, \u00e9 confiada antes de tudo aos Salesianos. Jesus chama fortemente os salesianos para que conhe\u00e7am, vivam, aprofundem e testemunhem essa sua Obra de Amor na Igreja, para cada ser humano. Conhecer Vera Grita significa, portanto, hoje, tomar consci\u00eancia de um grande dom dado \u00e0 Igreja por meio dos filhos de Dom Bosco, e estar em sintonia com o pedido de Jesus de que sejam os pr\u00f3prios salesianos a guardar esse precioso tesouro e a do\u00e1-lo aos outros, colocando-se profundamente em a\u00e7\u00e3o.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fato de que esta Obra seja, antes de tudo, eucar\u00edstica (&#8230; \u201cTabern\u00e1culos vivos\u201d) e mariana (Maria Imaculada, Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora Auxiliadora dos Crist\u00e3os, M\u00e3e da Obra) n\u00e3o pode deixar de nos reconduzir ao \u201csonho das duas colunas\u201d de Dom Bosco, no qual a nave da Igreja encontra seguran\u00e7a contra o ataque dos inimigos ancorando-se nas duas colunas da Virgem Maria e da Sant\u00edssima Eucaristia.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1, portanto, uma grande e constitutiva salesianidade na vida de Vera: isso nos ajuda a senti-la pr\u00f3xima, uma nova amiga e irm\u00e3 de esp\u00edrito. Ela nos toma pela m\u00e3o e nos conduz \u2013 com a sua t\u00edpica do\u00e7ura e for\u00e7a \u2013 a um encontro renovado e de grande beleza com Jesus na Eucaristia, para que Ele seja recebido e levado aos outros. \u00c9 \u2013 isso tamb\u00e9m \u2013 um gesto de prepara\u00e7\u00e3o para o Natal, porque Maria (\u201ctabern\u00e1culo de ouro\u201d) traz e nos d\u00e1 Jesus: a Palavra da vida (cf. 1Jo 1,1), feita carne (cf. Jo 1,14).<br><br><strong>Perfil biogr\u00e1fico e espiritual de Vera Grita<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vera Grita nasceu em Roma em 28 de janeiro de 1923, a segunda das quatro filhas de Hamlet Grita e Maria Ana Zacco della Pirrera. Seus pais eram origin\u00e1rios da Sic\u00edlia: Hamlet pertencia a uma fam\u00edlia de fot\u00f3grafos; a <em>senhora<\/em> Maria Ana era filha de um bar\u00e3o da cidade de M\u00f3dica e, ao se casar contra a vontade do pai, perdeu para sempre todos os privil\u00e9gios e a pr\u00f3pria possibilidade de cultivar qualquer v\u00ednculo com sua fam\u00edlia de origem. Vera nasceu de um arroubo afetivo, mas tamb\u00e9m de um grande amor ao qual seus pais souberam permanecer fi\u00e9is em meio a muitas prova\u00e7\u00f5es.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O antifascismo do pai Hamlet, um roubo de equipamento fotogr\u00e1fico e, sobretudo, a crise de 1929-30 t\u00eam s\u00e9rias repercuss\u00f5es para a fam\u00edlia Grita: em pouco tempo, eles se veem pobres e incapazes de sustentar o crescimento das filhas. Assim, enquanto Hamlet, Maria Ana e a filha mais nova, Rosa, permaneceram juntos e recome\u00e7am novamente em Savona, na Lig\u00faria, Vera cresceu com as irm\u00e3s Josefina e Liliana em M\u00f3dica, com as tias paternas: mulheres de f\u00e9 e talento, totalmente no mundo, mas \u201cn\u00e3o do mundo\u201d (cf. Jo 17). Em M\u00f3dica \u2013 cidade siciliana que \u00e9 patrim\u00f4nio da UNESCO pelo esplendor de seu barroco \u2013 Vera frequentou a escola das Filhas de Maria Auxiliadora e recebeu a Primeira Comunh\u00e3o e a Crisma. Sente-se atra\u00edda pela vida de ora\u00e7\u00e3o e atenta \u00e0s necessidades do pr\u00f3ximo, mantendo sil\u00eancio sobre seus pr\u00f3prios sofrimentos para ser uma \u201cm\u00e3e\u201d para sua irm\u00e3zinha Liliana. No dia de sua primeira comunh\u00e3o, ela n\u00e3o queria mais tirar o vestido branco, pois estava ciente do valor do que havia vivido e de tudo o que isso significava.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao voltar para a fam\u00edlia em 1940, Vera obteve seu diploma de professora. A morte prematura de seu pai, Hamlet, em 1943, obrigou-a a ajudar a fam\u00edlia com o trabalho, mas desistindo de sua desejada profiss\u00e3o de professora.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 3 de julho de 1944 \u2013 aos 21 anos de idade e enquanto procurava abrigo contra um ataque a\u00e9reo \u2013 Vera foi atropelada e pisoteada pela multid\u00e3o que fugia: ela ficou no ch\u00e3o por horas, dilacerada, machucada, com ferimentos graves, e acreditava-se que estivesse morta. Seu corpo ficou marcado para o resto da vida e, com o passar do tempo, doen\u00e7as como a doen\u00e7a de Addison (que esgota o horm\u00f4nio respons\u00e1vel pelo controle do estresse) e cirurgias cont\u00ednuas, incluindo a remo\u00e7\u00e3o do \u00fatero ainda jovem, cobraram seu pre\u00e7o. Os eventos de 3 de julho e o quadro cl\u00ednico comprometido a impediram de formar uma fam\u00edlia, como ela gostaria. <em>\u00abA partir de ent\u00e3o, foi uma sucess\u00e3o de interna\u00e7\u00f5es, opera\u00e7\u00f5es, an\u00e1lises, dores excruciantes na cabe\u00e7a e em todo o corpo. Doen\u00e7as terr\u00edveis foram diagnosticadas, v\u00e1rios cuidados foram tentados. Os \u00f3rg\u00e3os afetados n\u00e3o respondiam ao tratamento e, nesse dist\u00farbio inexplic\u00e1vel, um de seus m\u00e9dicos assistentes, espantado [,] declarou: \u2018N\u00e3o d\u00e1 para entender como \u00e9 poss\u00edvel que a paciente tenha encontrado seu equil\u00edbrio\u2019\u00bb<\/em>.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Durante 25 anos, at\u00e9 o fim de sua vida terrena, Vera Grita suportou corajosamente um sofrimento que se aprofundaria em um sofrimento moral e espiritual; e ela o encobriu com discri\u00e7\u00e3o e um sorriso, sem deixar de se dedicar aos outros. Seu corpo tornou-se \u201cpesado\u201d (embora gracioso: Vera sempre foi muito feminina e bonita), um corpo que impunha restri\u00e7\u00f5es, lentid\u00e3o e cansa\u00e7o a cada passo.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com 35 anos, realizou o sonho de lecionar com grande for\u00e7a de vontade e, de 1958 a 1969, foi professora em escolas quase todas no interior da Lig\u00faria: de dif\u00edcil acesso, com turmas pequenas e, \u00e0s vezes, com alunos desfavorecidos ou deficientes, aos quais transmitia confian\u00e7a, compreens\u00e3o e alegria, chegando a renunciar aos rem\u00e9dios para comprar os t\u00f4nicos necess\u00e1rios para o crescimento deles. Mesmo na fam\u00edlia, ela \u00e9 mais \u201cm\u00e3e\u201d do que a m\u00e3e das sobrinhas, o que atesta uma sensibilidade educativa muito delicada e uma capacidade geradora \u00fanica, humanamente imposs\u00edvel em vista das suas prova\u00e7\u00f5es vividas (cf. Is 54). Quando o relacionamento com os outros, as situa\u00e7\u00f5es, os problemas parecem dominar e Vera experimenta o des\u00e2nimo humano ou \u00e9 tentada a se rebelar, por causa de um sentimento de injusti\u00e7a, ela sabe reler a hist\u00f3ria \u00e0 luz do Evangelho e recordar o seu \u201clugar\u201d de \u201cpequena v\u00edtima\u201d: \u201c<em>Hoje<\/em> [&#8230;] \u2013 escrever\u00e1 um dia ao seu diretor espiritual \u2013 <em>vejo as coisas em seu valor\u201d<\/em>. Este padre lhe recomendou: <em>\u201cPermane\u00e7amos calmos na obedi\u00eancia\u201d<\/em>.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No dia 19 de setembro de 1967, enquanto rezava diante do Sant\u00edssimo Sacramento exposto na pequena igreja de Maria Auxiliadora em Savona, ela sentiu interiormente a primeira de uma longa s\u00e9rie de Mensagens que o C\u00e9u lhe comunica no breve espa\u00e7o de dois anos e que constituem a \u201cObra dos Tabern\u00e1culos Vivos\u201d: Obra de <em>Amor<\/em> com a qual Jesus na Eucaristia quer ser conhecido, amado e levado \u00e0s almas, em um mundo que cada vez menos acredita Nele e O procura. Para ela, \u00e9 o in\u00edcio de um relacionamento de crescente plenitude com o Senhor, que entra em sua vida cotidiana com a Sua Presen\u00e7a, em um di\u00e1logo concreto como o de dois amantes, participando da exist\u00eancia de Vera em tudo (Jesus dita Seus pr\u00f3prios pensamentos enquanto Vera escreve uma carta, de modo que a carta \u00e9 escrita a \u201cquatro m\u00e3os\u201d, com a maior familiaridade). Do \u201c<em>levar a Jesus<\/em>\u201d ao \u201c<em>levar Jesus<\/em>\u201d: Ele!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vera submeteu tudo ao seu diretor espiritual e \u00e0 obedi\u00eancia da Igreja, com um alto conceito de depend\u00eancia deles, muita obedi\u00eancia, uma imensa humildade: Jesus havia tomado uma \u201cprofessora\u201d e a colocou na escola do Seu Amor, ensinando-a por meio das Mensagens e, acima de tudo, chamando-a \u00e0 coer\u00eancia da f\u00e9 e da vida. Ele \u00e9 um Esposo muito doce e, ao mesmo tempo, muito exigente ao trein\u00e1-la para o caminho da virtude: Ele recorre \u00e0s imagens da escava\u00e7\u00e3o, do trabalho, do cinzel, do martelo com seus \u201cgolpes\u201d para ensinar a Vera o quanto ela deve tirar de si, quanto trabalho deve ser feito em uma alma para que ela possa ser um verdadeiro Templo da Presen\u00e7a de Deus: <em>\u201cEstou trabalhando em voc\u00ea com golpes de cinzel [&#8230;]. A aridez, as pequenas e grandes cruzes s\u00e3o o meu martelo. Ent\u00e3o, em intervalos, o golpe vir\u00e1, o meu golpe. Tenho de tirar muitas, muitas coisas de voc\u00ea: resist\u00eancia ao meu amor, desconfian\u00e7a, medos, ego\u00edsmo, ansiedades in\u00fateis, pensamentos n\u00e3o crist\u00e3os, h\u00e1bitos mundanos\u201d<\/em>. A docilidade de Vera \u00e9 a ascese cotidiana, a humildade de quem toca o limite, mas o coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da onipot\u00eancia e da miseric\u00f3rdia de Deus. Jesus, por meio dela, ensina um caminho de santidade que \u2013 se \u00e9 evidentemente orientado para poder acolher a plenitude de Sua Vida \u2013 se expressa por meio de um \u201cmenos\u201d do que somos e resistimos a Ele: santidade&#8230; por \u201csubtra\u00e7\u00e3o\u201d, para nos tornarmos transpar\u00eancia Dele. A primeira caracter\u00edstica do Tabern\u00e1culo \u00e9, de fato, estar vazio e disposto a acolher uma Presen\u00e7a. Como escreveu a mestra de novi\u00e7as de um mosteiro beneditino do Sant\u00edssimo Sacramento: <em>\u201cOs pensamentos que ela escreve s\u00e3o de Jesus. Como os textos s\u00e3o limpos! \u00c0s vezes, mesmo nos di\u00e1rios espirituais de almas santas e belas, quanta subjetividade emerge [&#8230;] e \u00e9 justo que seja assim. [&#8230;] Vera [em vez disso] desaparece, ela n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 [,] ela n\u00e3o \u00e9 contada\u201d<\/em> (cf.).<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vera um dia escrever\u00e1: \u201c<em>Meus alunos s\u00e3o parte de mim, do meu amor por Jesus<\/em>\u201d. \u00c9 o fruto maduro de uma vida eucar\u00edstica que a faz \u201cpartir o p\u00e3o\u201d com a \u00danica V\u00edtima. Sem Jesus, ela n\u00e3o poderia mais viver: \u201c<em>Eu quero Jesus, n\u00e3o importa o que aconte\u00e7a. N\u00e3o posso mais viver sem Ele, n\u00e3o posso<\/em>\u201d. Uma declara\u00e7\u00e3o \u201contol\u00f3gica\u201d que fala do v\u00ednculo indissol\u00favel entre ela e seu Esposo Eucar\u00edstico.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vera Grita recebeu uma primeira Mensagem, seguida de oito anos de sil\u00eancio, em Alpicella (Savona), em 6 de outubro de 1959. Em 2 de fevereiro de 1965, fez os votos de castidade perp\u00e9tua e de \u201cpequena v\u00edtima\u201d para os sacerdotes, aos quais serviu com particular delicadeza e dedica\u00e7\u00e3o. Tornou-se Cooperadora Salesiana em 24 de outubro de 1967. Amava intensamente Maria, a quem se havia consagrado, e vivia seu relacionamento filial com Ela no esp\u00edrito da \u201cescravid\u00e3o de amor\u201d de Montfort. Mais tarde, ofereceu-se para outras inten\u00e7\u00f5es, de natureza eclesial: em particular para os sacerdotes que, com o per\u00edodo dos anos \u201csessenta e oito\u201d, abandonaram sua voca\u00e7\u00e3o, mas permaneceram filhos amados, nunca longe do Cora\u00e7\u00e3o de Cristo, como Ele mesmo assegura.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerada digna de f\u00e9, muito amada e estimada, com fama de santidade, Vera morreu no hospital \u201cSanta Corona\u201d, em Pietra Ligure (Savona), no dia 22 de dezembro de 1969, de choque hipovol\u00eamico por hemorragia massiva e consequente fal\u00eancia de v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os: \u201c<em>esposa de sangue<\/em>\u201d, como foi chamada por Jesus nas Mensagens, muito antes de entender o que isso significava.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poucos momentos depois, o capel\u00e3o \u2013 com um gesto t\u00e3o espont\u00e2neo quanto incomum \u2013 elevou seu corpo ao c\u00e9u, orando e oferecendo tudo, apresentando Vera como uma oferta agrad\u00e1vel: <em>consummatum est<\/em>! Era o \u00faltimo de uma s\u00e9rie de gestos que pontuavam a vida da Serva de Deus e que, de outras formas, ela mesma havia realizado: o sinal da cruz amplo; a genuflex\u00e3o bem feita, lentamente; a Escada Santa de joelhos com os Cadernos nos quais transcrevia as Mensagens da Obra; a oferta de si mesma levada at\u00e9 S\u00e3o Pedro. Quando n\u00e3o entendia, no cansa\u00e7o e \u00e0s vezes na d\u00favida, Vera Grita <em>fazia<\/em>: sabia que o mais importante n\u00e3o era o seu pr\u00f3prio sentimento, mas a objetividade da Obra de Deus nela e atrav\u00e9s dela. Ela havia escrito sobre si mesma: <em>\u00abSou \u2018terra\u2019 e n\u00e3o sirvo para nada, a n\u00e3o ser para escrever sob ditado\u00bb; \u00ab\u00c0s vezes entendo e n\u00e3o entendo\u00bb; \u201cJesus n\u00e3o me abandona, mas se sirva deste trapo para seus planos divinos\u00bb<\/em>. O diretor espiritual, surpreso, comentou um dia \u2013 referindo-se \u00e0s palavras das Mensagens \u2013: <em>\u201cAcho-as espl\u00eandidas, at\u00e9 mesmo beatificantes. E como voc\u00ea consegue permanecer \u00e1rida?\u201d<\/em>. Vera nunca havia olhado para si mesma e, como para todo m\u00edstico, uma luz mais forte havia se tornado para ela noite escura, escurid\u00e3o brilhante, prova da f\u00e9.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Oito anos depois, em 22 de setembro de 1977, o Papa Paulo VI (que j\u00e1 havia recebido algumas das mensagens da Obra e que havia institu\u00eddo os Ministros Extraordin\u00e1rios da Eucaristia em 1972), recebeu em audi\u00eancia o diretor espiritual de Vera Grita, P. Gabriel Zucconi, sdb, e aben\u00e7oou a Obra dos Tabern\u00e1culos Vivos.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 18 de maio de 2023, o bispo de Savona-Noli, Dom Cal\u00f3gero Marino, <em>\u201caprovou os Estatutos da Associa\u00e7\u00e3o \u201cObra dos Tabern\u00e1culos Vivos\u201d; e, em 19 de maio, erigiu-a em Associa\u00e7\u00e3o privada de fi\u00e9is, reconhecendo tamb\u00e9m sua personalidade jur\u00eddica\u201d<\/em>. O Reitor-Mor dos Salesianos, Card. Fern\u00e1ndez Artime, j\u00e1 em 2017 autorizou e encarregou a Postula\u00e7\u00e3o SDB de <em>\u201cacompanhar todos os passos necess\u00e1rios para que a Obra [&#8230;] continue a ser estudada, promovida em nossa Congrega\u00e7\u00e3o e reconhecida pela Igreja, em esp\u00edrito de obedi\u00eancia e caridade\u201d<\/em>.<br><br><strong>Ser e tornar-se \u201cTabern\u00e1culos Vivos\u201d<br><\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No centro das Mensagens a Vera est\u00e1 Jesus Eucaristia: todos n\u00f3s temos experi\u00eancia da Eucaristia; mas \u00e9 preciso observar (cf. o te\u00f3logo P. Francisco Maria L\u00e9thel, ocd) como a Igreja aprofundou, <em>ao longo do tempo<\/em>, o significado do Sacramento do Altar, de descoberta em descoberta: por exemplo, da <em>celebra\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e0 <em>Reserva Eucar\u00edstica<\/em> e da <em>Reserva \u00e0 Exposi\u00e7\u00e3o<\/em> durante a Adora\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento&#8230; Por meio de Vera, Jesus pede um passo a mais: da Adora\u00e7\u00e3o na igreja, onde \u00e9 preciso ir para encontr\u00e1-Lo, \u00e0quele \u201cLeve-me com voc\u00ea!\u201d (cf. <em>abaixo<\/em>), por meio do qual Ele mesmo, tendo feito sua morada em seu Tabern\u00e1culo Vivo (n\u00f3s), quer sair das igrejas para alcan\u00e7ar aqueles que, espontaneamente, n\u00e3o entrariam nas igrejas; aqueles que n\u00e3o acreditam nele; n\u00e3o o buscam; n\u00e3o o amam ou at\u00e9 mesmo o excluem voluntariamente da pr\u00f3pria exist\u00eancia. A <strong>gra\u00e7a carism\u00e1tica<\/strong> ligada \u00e0 Obra \u00e9, de fato, a da <strong>perman\u00eancia eucar\u00edstica de Jesus na alma<\/strong>, de modo que quem recebe Jesus-Eucaristia na Santa Missa e vive sens\u00edvel aos Seus apelos e \u00e0 Sua Presen\u00e7a, irradia-O no mundo, a cada irm\u00e3o e especialmente aos mais necessitados. Assim, Vera Grita se torna o exemplo e o modelo (no sentido literal do termo: algu\u00e9m que j\u00e1 viveu o que \u00e9 exigido de cada um) de uma vida vivida em um profundo corpo a corpo com o Senhor Eucar\u00edstico, at\u00e9 que seja Ele mesmo quem olha, fala, age, por meio da \u201calma\u201d que O carrega e O entrega. Jesus diz: <em>\u201cEu me servirei de seu modo de falar, de se expressar, para falar e alcan\u00e7ar as outras almas. Deem-me suas faculdades, para que eu possa me encontrar com todos e em todos os lugares. No in\u00edcio, ser\u00e1 para a alma um trabalho de aten\u00e7\u00e3o, de vigil\u00e2ncia, para descartar de si mesma tudo o que representa um obst\u00e1culo \u00e0 minha perman\u00eancia nela. Minhas gra\u00e7as nas almas chamadas para essa Obra ser\u00e3o graduais. Hoje voc\u00ea leva de Mim para a fam\u00edlia, o Meu beijo; em outro momento, algo mais e sempre mais ainda, at\u00e9 que, quase sem que a pr\u00f3pria alma saiba, Eu farei, agirei, falarei, amarei, por meio dela, todos os que se aproximarem dessa alma, ou seja, de Mim. H\u00e1 aqueles que agem, falam, olham, trabalham, sentindo-se guiados apenas pelo meu Esp\u00edrito; mas eu j\u00e1 sou Tabern\u00e1culo Vivo nessa alma, e ela n\u00e3o sabe disso. Mas deve sab\u00ea-lo, porque quero sua ades\u00e3o \u00e0 minha PERMAN\u00caNCIA EUCAR\u00cdSTICA em sua alma; quero que essa alma me d\u00ea tamb\u00e9m sua voz para falar aos outros homens, seus olhos para que os meus possam encontrar o olhar dos irm\u00e3os, seus bra\u00e7os para que eu possa abra\u00e7ar os outros, suas m\u00e3os para acariciar os pequenos, as crian\u00e7as, os sofredores. Essa Obra, por\u00e9m, tem como base o <strong>amor<\/strong> e a <strong>humildade<\/strong>. A alma deve ter sempre diante de si suas pr\u00f3prias mis\u00e9rias, seu pr\u00f3prio nada, e nunca se esquecer de que tipo de massa foi amassada\u201d<\/em> (Savona, 26 de dezembro de 1967).<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pode-se, ent\u00e3o, compreender tamb\u00e9m outro aspecto da relev\u00e2ncia \u201csalesiana\u201d do carisma: o ser para os outros; enviados em particular aos pequenos, aos pobres, aos \u00faltimos, aos distantes; viver uma \u201cinterioridade apost\u00f3lica\u201d que significa ser tudo em Deus e tudo para o irm\u00e3o; a grande do\u00e7ura de quem n\u00e3o leva a si mesmo, mas irradia a mansid\u00e3o, a serenidade e a alegria do Senhor crucificado e ressuscitado; a aten\u00e7\u00e3o privilegiada aos jovens, que tamb\u00e9m s\u00e3o chamados a participar dessa voca\u00e7\u00e3o.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vera \u2013 cujo confessor em vida foi um salesiano (P. Jo\u00e3o Bocchi) e cujo diretor espiritual foi tamb\u00e9m um salesiano (P. Gabriel Zucconi) e um \u201creferente\u201d da experi\u00eancia m\u00edstica (P. Jos\u00e9 Borra) \u2013 volta hoje a bater \u00e0 porta dos filhos de Dom Bosco. A pr\u00f3pria Obra nasceu em Turim, ber\u00e7o do carisma salesiano.<br><br><br><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<br><\/strong>&#8211; Centro de Estudos \u201cOpera dei Tabernacoli Viventi\u201d (ed.), <a href=\"https:\/\/www.elledici.org\/negozio\/portami-con-te\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Portami con Te! L\u2019Opera dei Tabernacoli Viventi nei manoscritti originali di Vera Grita<\/em>,<\/a> Turim, 2017.<br>&#8211; Centro de Estudos \u201cOpera dei Tabernacoli Viventi\u201d (ed.), <a href=\"https:\/\/www.elledici.org\/negozio\/vera-grita-una-mistica-delleucaristia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Vera Grita una mistica dell\u2019Eucaristia<\/em>. <em>Epistolario di Vera Grita e dei Sacerdoti Salesiani don G. Bocchi, don G. Borra e don G. Zucconi<\/em><\/a>, ElleDiCi, Turim, 2018.<br>Ambos os textos incluem estudos de contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-biogr\u00e1fica, teol\u00f3gico-espiritual, salesiana e eclesial da Obra.<br><br><em>\u201cM\u00e3e de Jesus, M\u00e3e do belo Amor, dai amor ao meu pobre cora\u00e7\u00e3o, dai pureza e santidade \u00e0 minha alma, dai vontade ao meu car\u00e1ter, dai santa ilumina\u00e7\u00e3o \u00e0 minha mente, dai-me Jesus, dai-me o vosso Jesus para sempre.\u201d<\/em> (Ora\u00e7\u00e3o a Maria que Jesus ensinou a Vera Grita)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vera Grita, junto com Alexandrina Maria da Costa (de Balazar), ambas Salesianas Cooperadoras, s\u00e3o duas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":28407,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":36,"footnotes":""},"categories":[167],"tags":[2565,2561,1761,2557,1827,2228,2619,2625],"class_list":["post-28413","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nossos-santos","tag-caridade","tag-carisma-salesiano","tag-criatividade-salesiana","tag-deus","tag-gracas-obtidas","tag-santos","tag-testemunhos","tag-vocacoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28413\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28407"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.donbosco.press\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}